Dia Nacional das HQs

Comemora-se neste sábado, dia 30, o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos. A data foi instituída pela Associação dos Cartunistas de São Paulo em homenagem à primeira publicação de uma história em quadrinhos brasileira –As Aventuras de Nhô Quim” ou “Impressões de Uma Viagem à Corte” em 1839, de Angelo Agostini, cartunista italiano radicado no Brasil. De lá para cá, as HQs só cresceram. Reportagem da TV Brasil conta a história do surgimento das HQs.

Com o objetivo de incentivar o uso da linguagem da HQ entre estudantes e professores, a Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio MultiRio disponibiliza em seu portal a publicação Quadrinhos Guia Prático. O material apresenta os principais conceitos utilizados na criação dessas narrativas como, por exemplo, balões e letras, desenho dos personagens, enquadramento, timing e elaboração de roteiros. O Guia possui, ainda, a seção Trocando Ideias, que apresenta curiosidades e técnicas detalhadas para o desenvolvimento do desenho.

Acesse aqui a versão impressa (PDF)

Assista, abaixo, a versão do guia em audiovisual

Cinema: radiografia 2015

Por Fernando Lauterjung
Do Tela Viva News

De acordo com o Informe de Acompanhamento de Distribuição, Exibição e Lançamentos em cinema da Ancine, o país fechou o ano de 2015 com o maior número de salas de exibição (3.013) desde a década de 1970 e com aumento no número de espectadores e de bilheteria.

O levantamento informa que o público em salas de cinema no Brasil somou 172,9 milhões de espectadores, um aumento de 11,1% em relação ao ano anterior. Trata-se da melhor taxa de crescimento desde 2010 – de 2009 para 2010, o aumento foi de de 19,7%. A renda gerada em bilheteria cresceu acima do desempenho do público, somando R$ 2,35 bilhões em 2015, um aumento de 20,1% em comparação com 2014.

Brasil

A cinematografia brasileira conseguiu crescer acima do mercado dentro de seu próprio território. A participação de público dos filmes brasileiros passou de 12,2% em 2014 para 13,0% em 2015, chegando a 22,5 milhões de pessoas. Em público, os títulos nacionais avançaram 18% em relação a 2014, enquanto em renda o incremento foi de 25,1%, chegando a R$ 277,61 milhões.

Apesar do crescimento, o sucesso comercial está restrito a uma pequena parcela dos lançamentos. Apenas três filmes conseguiram figurar entre as 20 maiores bilheterias do ano. Estes títulos, aponta o estudo da Ancine, foram responsáveis por 43% do público de obras nacionais e por 6% do público total. Ao todo, foram lançados 128 filmes brasileiros em 2015, um aumento de 12,3% em relação a 2014, mas uma levíssima queda em relação ao ano anterior, quando foram lançados 129 títulos.

Os três grandes lançamentos do ano foram “Loucas pra Casar”, com público de 3,72 milhões e renda de R$ 45,68 milhões; “Vai que Cola – O Filme”, com público e renda de 3,3 milhões e R$ 41,8 milhões, respectivamente; e “Meu Passado Me Condena 2”, que chegou a 2,63 milhões de pessoas e arrecadou R$ 32,94 milhões.

Dos 128 lançamentos, apenas sete filmes ultrapassaram a marca de um milhão de espectadores e 18 alcançaram mais de 100 mil ingressos. Entre os sete que passaram a difícil marca do 1 milhão de espectadores, além dos três já citados, estão “Carrossel, O Filme”, “Até que a sorte nos separe 3”, “S.O.S Mulheres ao mar 2”, “Os Caras de Pau em o Misterioso Roubo do Anel”.

Distribuição

Em 2015, as distribuidoras internacionais ganharam participação na bilheteria, um aumento de 23,7% em relação a 2014, atingindo R$ 1,77 bilhão, o que representou uma fatia de 75,4% da renda em bilheteria. A participação das distribuidoras nacionais, em termos de renda, reduziu de 26,8% em 2014 para 23,7% em 2015 e a é menor nos últimos seis anos.

A parceria Downtown/Paris obteve a maior participação na renda de filmes brasileiros em 2015, com 53,1% do total, seguida pela H20 (15,6%) e pela Imagem (10,8%). Juntas, as três foram responsáveis por 79,5% da renda de filmes nacionais.

Exibição

O parque exibidor encerrou o ano com 3.013 salas de exibição em funcionamento. Durante 2015, foram inaugurados 58 complexos, que totalizaram 252 novas salas; outros 11 complexos foram reabertos; e oito ampliaram seu número de telas. Houve um acréscimo total de 304 telas.

O parque exibidor brasileiro chegou ao final do ano com 2.775 salas digitalizadas, o que representa 92% das salas do país. Em 2014, esse percentual era de 62,5%. Entre os 20 maiores grupos, apenas o grupo Arco não completou a digitalização de seus complexos, restando 5% a digitalizar.

Cinema infantil Florianópolis

Estão abertas até 19 de março as inscrições para a 15ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que ocorre no Teatro Governador Pedro Ivo Campos, de 2 a 10 de julho. Pela primeira vez, a mostra competitiva vai ter também uma categoria internacional. Podem participar da seleção produções nacionais e estrangeiras de todos os gêneros e formatos de curta-metragem.

Para as produções nacionais, em parceria com a TV Brasil, o festival concederá quatro prêmios. Melhor Animação e Melhor Ficção, escolhidos pelo Júri Oficial; Prêmio Júri Popular, concedido pelo voto do público; e o Prêmio Especial, apontado por um júri formado por crianças. Todos receberão o prêmio aquisição da TV Brasil no valor de R$ 5 mil. Os seis melhores filmes estrangeiros recebem troféu da Mostra e serão exibidos em sessões especiais, com dublagem ao vivo.

Os regulamentos e a ficha de inscrição estão disponíveis aqui. Todo o processo é online, incluindo o envio dos filmes. A relação das obras selecionadas será divulgada no início de abril. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail inscricoes@mostradecinemainfantil.com.br ou pelo telefone (48) 3065-5058.

Além das janelas competitivas, o festival de Florianópolis apresenta sessões de filmes de curta e longa-metragem de todo mundo, destacando diretores e também realizando um fórum político. Realizada há 15 anos, a Mostra já fez mais de 500 mil espectadores e foi definitiva para desencadear políticas nacionais para o cinema infantil.

Reinventando o material escolar

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom
Artigo originalmente publicado no Jornal O DIA

Para cumprir os 200 dias letivos e com vistas à Olimpíada, o ano letivo no Rio vai começar em algumas semanas. Isto significa que as férias estão acabando e que é hora de preparar a mochila e o material. Mas vamos combinar algo diferente este ano? Em meio à crise que assola o país e pensando, é claro, num mundo mais sustentável, solidário e menos consumista, que tal as escolas, os pais e as crianças organizarem o material escolar de uma forma diferente? Afinal, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae), os preços dos artigos escolares estão 35% mais caros em relação a janeiro do ano passado.

Para começar, as instituições de ensino, de acordo com o Procon, têm a obrigação de fornecer a lista de material aos estudantes para que os pais possam pesquisar preços e escolher fornecedores de sua preferência. Nenhum estabelecimento pode exigir marcas específicas nem obrigar o estudante a adquirir material em determinado estabelecimento comercial, quando o produto é oferecido pelo mercado. Fora isso, seria bem legal que as escolas passassem um pente-fino nas listas. Será que aquela relação de itens precisa mesmo ser adquirida por cada uma das crianças? Não há nada na própria escola que pode ser reaproveitado? Bem, não custa nada dar uma olhada.

Reutilizar: também é a dica para os pais e estudantes. No Brasil, diferentemente de outros países, a prática é de tudo novo a cada ano — da mochila a borracha. Seria tão bom mudarmos esta cultura. E isso só vai mudando se houver boa conversa na casa de cada um dos estudantes. É difícil, eu sei. Mas trocar, todo ano, os cadernos, canetas, estojos, mochilas e tudo mais é um grande desperdício. Isso sem falar no vestuário. No mínimo, todo esse material poderia ser doado para outras crianças. Essa conscientização também é um aprendizado que deveria ser, inclusive, trabalhado dentro das instituições de ensino.

Uma proposta: antes do começo do ano letivo, as escolas poderiam promover um evento, um chá escolar, uma espécie de feira de troca de material. Pais e crianças levariam materiais e livros (por que não?) já utilizados que pudessem ser reaproveitados por outros estudantes. Seria uma forma responsável, bacana e diferente de começar 2016.

Marco Civil tem nova consulta

Após ter recebido mais de 60 mil visitas e cerca de 1.200 comentários durante a primeira fase do debate de regulamentação do Marco Civil da Internet, a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça lançou uma nova etapa de consulta à população. A proposta do texto é resultado das contribuições feitas durante a primeira fase do debate, realizada no primeiro semestre de 2015. Nessa segunda fase, sociedade civil, empresas e academia poderão opinar sobre uma minuta de decreto, indicando o que consideram ser a melhor redação para o texto que servirá de subsídio para o decreto. Os interessados têm até o dia 29 de fevereiro para participarem da consulta.

O objetivo da consulta pública, segundo o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, é agregar contribuições da sociedade civil de forma participativa. “A construção do texto do decreto envolve os usuários da rede num amplo processo democrático de consultas. Como o Marco Civil gera impactos na vida de todos os usuários da internet é de extrema importância a participação da sociedade para que nós tenhamos uma regulamentação eficaz.”

Gabriel Sampaio, secretário de Assuntos Legislativos do MJ, ressalta que, graças à ampla participação social, o Brasil produziu uma lei de vanguarda que é reconhecida internacionalmente. Por isso, a segunda fase do debate público é fundamental para construir, juntamente com a Presidência da República, uma minuta de decreto efetiva e que consolide os avanços.

Confira o texto

ProBebê

Premiado no Desafio de Impacto Social Google | Brasil em maio de 2014, o ProBebê foi lançado oficialmente para a população brasileira no dia 19 de janeiro, na sede do Google, em São Paulo. O programa é um serviço inovador que leva, gratuitamente, informações personalizadas sobre os cuidados básicos do bebê, por meio de mensagens via celular. Direcionado prioritariamente às mães, pais ou cuidadores, o aplicativo envia orientações semanais desde o início da gravidez até os 18 meses de vida.

A utilização do aplicativo é simples e prática. Basta preencher o cadastro – disponível no site – indicando a data do nascimento do bebê ou a data prevista para o nascimento dele e o número do celular. As mensagens passam a ser encaminhadas (pelo menos três por semana), trazendo informações sobre cada etapa da gestação e ajustadas ao momento de vida do bebê.

Dentro da “Linha do Tempo”, espaço que o site do ProBebê oferece aos usuários, é possível encontrar as mensagens recebidas com seu detalhamento. Tanto os textos transmitidos pelo celular como os artigos publicados no site contam com a participação de uma equipe de especialistas, profissionais responsáveis por reunir conhecimento atualizado sobre as várias áreas abordadas: saúde, educação, segurança, comportamento, desenvolvimento, finanças, entre outras.

Toda essa estrutura visa possibilitar aumento no grau de segurança e de autoconfiança, sobretudo das mães, para cuidar, nutrir e fazer com que o bebê tenha condições essenciais para um saudável crescimento.

O projeto piloto foi implantado nos primeiros meses de 2015 e interagiu com cerca de 2 mil mães e cuidadores, com o objetivo de verificar todas as variáveis do programa (como formas de divulgação, frequência de contato, estatísticas para os pediatras, entre outros fatores).

Cinema e educação

Por Raquel Pacheco
Dra. em Ciências da Comunicação. Autora do livro “Jovens, Media e Estereótipos. Diário de Campo Numa Escola Dita Problemática” (Livros Horizontes, 2009). Coordena o projeto e o blog de cinema e educação Media e Literacia. Participa do projeto Dream Teens – FMH.  Membro do Interdisciplinary Centre of Social Sciences (CICS-NOVA).

Tenho a lembrança do tempo do colégio quando os professores diziam que iríamos assistir a um filme, era como se o nosso mundo dentro da escola finalmente fosse se abrir e o dia enfadonho de aulas se transformasse num dia especial. “Vamos todos para o auditório que hoje assistiremos a um filme” – disse, certa vez, a professora de educação moral e cívica. Nesta altura eu tinha 12 anos, fomos todos para o auditório que na nossa fantasia já havia se transformado numa sala de cinema. Abre-se então o cadeado da caixa de madeira, onde ficava guardada a televisão, e coloca-se uma fita cassete (VHS) no aparelho de videocassete, nada é dito, a professora não diz sobre o que fala o filme, só diz que temos que ter atenção ao que vamos assistir e que temos que fazer silêncio.

O filme inicia e o que aparece no ecrã da TV é algo muito distante da nossa realidade, é sombrio, triste e degradante. Uma bela jovem alemã, um pouco mais velha que o grupo, com 13 anos, viciada em heroína e que se prostitui. Estávamos a assistir o filme Christiane F., drogada e prostituída. O filme me causou uma sensação muito ruim, onde toda a magia daquele momento se transformava em um sentimento de repulsa e ao mesmo tempo de identificação.

Os sofrimentos daquela adolescente, que ainda tinha as feições de uma menina, todo aquele abandono e suas vivências no submundo de Berlim, não nos fizeram ter uma boa experiência com aquela atividade proposta pela professora.

Assistimos ao filme até tocar o sinal para nos avisar de que era hora de irmos para casa, não foi possível terminar de assisti-lo, e nunca mais voltei a fazê-lo. Saí daquela sala questionando os motivos que teriam levado a professora a nos colocar para assistir aquele filme. Mas o que hoje, após tantos anos, concluo é que houve uma ausência de informação, debate, diálogo e comunicação entre a professora e os alunos, houve uma relação de educação “bancária”, mesmo sendo o cinema o recurso didático escolhido para aquela aula. Com uma postura de quem olha de cima para baixo, a professora exibiu um filme (polémico) para uma turma inteira sem comentar sobre o que se tratava, sem prepará-la para aquilo que iria assistir e sem uma conversa/debate/diálogo no final.

A questão que talvez seja a mais séria de todas: Será que aqueles alunos estavam preparados para assistir aquele filme? Será que eu estava preparada para assistir ao filme? Não foi o meu caso. Mas este foi um dos poucos filmes de ficção (este era baseado na realidade e no livro homónimo, escrito pela própria Christiane F.) que assistimos neste colégio católico; de resto eram muitos documentários sobre a vida e obra de Dom Bosco, além de alguns documentários para ilustrar as aulas de História e Geografia.

Paulo Freire escreveu certa vez que “não basta ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Acredito que esta afirmação de Freire cabe muito bem para a área da Educação e também do Cinema e Educação.

Entendemos que o cinema é um discurso imbuído de pensamentos e questões ideológicas, ou seja, representa os interesses de pessoas e/ou grupos que o produzem. Torna-se importante para que possamos discutir de modo mais aprofundado o cinema e a educação, falarmos sobre esta questão dos dispositivos construídos ideologicamente.

É de nosso interesse perceber como é que o conhecimento sobre a linguagem, a estética e os ambientes do cinema podem favorecer a literacia mediática que hoje passa por ambientes de convergência. Conhecer a linguagem do cinema e participar dos projetos de cinema e educação permite que crianças e adolescentes tenham uma outra visão do mundo? Como os jovens percebem, pensam e veem estes projetos de cinema e educação? Que tipo de sentimentos, questões e respostas, participar deste tipo de iniciativa suscita nos adolescentes? Que importância tem para um adolescente que tipo de influência causa, participar em um projeto destes?

O que observamos é a existência de uma visão funcionalista e utilitária do cinema. A proposta educacional ligada ao cinema e a educação, normalmente, tem o seu discurso pautado em toda uma proposta super avançada de ensinar a pensar, de não ensinar somente a reproduzir, mas na prática o que se vê são projetos que seguem um modelo ultrapassado e muito pouco eficaz de pedagogia e educação, há uma repetição da metodologia bancária (Freire) de ensino e aprendizagem.

Pela natureza da inserção do cinema na escola através do potencial formativo que ele possui é quase inevitável seu uso como um recurso (Fantin, 2007). É nesse limiar, entre o uso “escolarizado” que reduz o cinema a mais um recurso didático e o uso do cinema como objeto de experiência estética e expressiva da sensibilidade, do conhecimento e das múltiplas linguagens humanas que podemos repensar as dimensões do cinema e das pedagogias utilizadas nos processos de trabalho dentro do cinema e educação.

Serviços ambientais

O pagamento ou a compensação por serviços ambientais consiste na transferência de recursos (monetários ou outros) a quem ajuda a manter ou a produzir os serviços ambientais. Como os benefícios dos serviços ambientais são aproveitados por todos, o princípio é que nada mais justo que as pessoas que contribuem para a conservação e a manutenção dos serviços ambientais recebam incentivos. Não é suficiente cobrar taxas de quem polui um rio ou desmata uma nascente, é preciso recompensar àqueles que garantem a oferta dos serviços voluntariamente. A explicação é de Henry Phillippe Ibanes de Novion, biólogo e analista do Ministério do Meio Ambiente.

A discussão do tema é pertinente e vem crescendo no dia a dia da sociedade. Não é à-toa que acaba de ser lançado o livro Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) – da teoria à prática, de Maurício Ruiz, secretário-executivo do Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA). Na obra, Maurício conta sua experiência e conhecimento na execução de projetos de Pagamento por Serviços Ambientais, com destaque para o Projeto “Produtores de Água e Floresta”, considerada a experiência de PSA mais avançada na América Latina. O livro conta com fotos do renomado fotojornalista Custódio Coimbra (O Globo) e do fotógrafo da Natureza, Marcos Amend.

Faça o download e lei o livro

Barbie repaginada

A boneca mais famosa do mundo, a Barbie, ganhou corpo novo. Agora, ela pode ser baixa, alta e curvilínea. Cinquenta e sete anos depois de a exageradamente peituda e acinturada boneca de olhos azuis ter sido lançada, a fabricante de brinquedos com sede na Califórnia Mattel lançou nesta quinta-feira novos modelos, que segundo a empresa refletem melhor o mundo atual.

Pais e feministas por muito tempo criticaram o formato original da Barbie como estabelecedor de padrões de imagem corporal irreal para meninas, apesar das modificações promovidas ao longo dos anos. As novas bonecas têm sete tons de pele, 22 cores de olhos, 24 estilos de cabelos e novas roupas e acessórios. Elas estão disponíveis para pedidos no site shop.mattel.com a partir desta quinta-feira e chegarão em breve às lojas.

“Estamos contentes de literalmente estarmos mudando o rosto da marca”, disse Evelyn Mazzocco, vice-presidente sênior e gerente global da marca Barbie, em comunicado. “Essas novas bonecas refletem melhor o mundo que as meninas veem ao seu redor –a variedade de corpos, tons de pele e estilo permite às meninas encontrar a boneca que tenha maior apelo.” “Acreditamos ter responsabilidade em relação a meninas e pais para refletir uma visão mais ampla da beleza”, acrescentou.

A nova Barbie curvilínea tem busto e traseiro maiores, coxas mais grossas e barriga saliente. O brinquedo apareceu na capa da revista Time nesta quinta-feira com a manchete: “agora vocês podem parar de falar do meu corpo?”. A clássica boneca Barbie, que foi lançada em 1959 como uma adolescente de olhos grandes usando maiô de pele de zebra, continuará fazendo parte da linha da Mattel.

O lançamento ocorre após dois anos de queda das vendas de Barbie no mundo todo, com as meninas cada vez mais buscando outras bonecas, brinquedos eletrônicos e tablets. Ícone da cultura pop mundial, a Barbie já teve mais de 180 profissões, de professora a astronauta e presidente dos Estados Unidos. Barbies negras e outras versões da boneca foram introduzidas no fim dos anos 1960.

Crianças: sem testes

Na edição do dia 24 de novembro, o The Washington Post publicou, na íntegra, a fala da especialista em desenvolvimento infantil, Nancy Carlsson-Paige, ao receber o prêmio Deborah Meier. Um entre os inúmeros conquistados por seu trabalho, ao longo de várias décadas, em benefício de crianças e famílias.

A especialista destaca que as discrepâncias entre a educação infantil pública e privada são enormes. Nancy Carlsson-Paige foca sua luta na primeira. Ela declara nunca ter imaginado chegar à necessidade de defender o direito de as crianças brincarem; ou ter que lutar por espaços apropriados ao desenvolvimento de crianças pequenase ainda, contra a pressão para testá-las e avaliá-las. A especialista afirma: “As competências mais importantes em crianças pequenas não podem ser testadas”.

Maria Thereza Marcilio, gestora institucional da Avante – Educação e Mobilização Social fez uma tradução livre do texto para que este possa ser compartilhado entre as redes brasileiras e chegue ao maior número possível de pessoas, entre educadores, pais e militantes por uma educação infantil de qualidade. “Acredito que o texto é um estímulo às nossas reflexões e discussões”. Maria Thereza é integrante do Grupo de Trabalho de Educação Infantil e do Grupo Gestor da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI), que tem participado ativamente das discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil e sobre avaliação, também para este segmento.

Confira a íntegra do discurso de Nancy Carlsson-Paige.

The Washington Post
Por: Valerie Strauss- 24 de novembro

Quão distorcida a educação infantil se tornou

Nancy Carlsson-Paige é uma especialista em desenvolvimento infantil que tem estado na linha de frente do debate sobre como melhor educar- e não educar- as crianças mais jovens. Ela é professora emérita na Lesley University em Cambridge, Massaschussetts, onde ensinou a professores por mais de 30 anos e é uma das fundadoras do Centro para Escolas promotoras de Paz da Universidade. Ela também é membro fundador de uma organização sem fins lucrativos denominada Defendendo a Primeira Infância, que apoia pesquisas sobre educação infantil e advoga por políticas adequadas para a primeira infância.

Carlsson-Paige é autora de Taking Back Childhood. Mãe de dois filhos artistas, Matt e Kyle Damon, ela também já recebeu inúmeros prêmios inclusive a Legacy Award da Robert F. Kennedy Children’s Action Corps pelo trabalho de várias décadas em benefício de crianças e famílias. Ela acabou de receber o Deborah Meier award da organização sem fins lucrativos National Center for Fair and Open Testing.

No seu discurso na cerimónia de recebimento do prêmio (com o nome da renomada educadora Deborah Meier), Carlsson-Paige descreveu o que tem acontecido no mundo da educação infantil na época atual de grandes interesses em testes, dizendo: “Nem nos meus maiores desvarios eu poderia ter previsto a situação em que nos encontramos hoje”. A seguir o pronunciamento dela, aqui publicado com a sua autorização.

Muito obrigada Fair Test por este prêmio “Deborah Meier Hero in Education”. A Fair Test faz um excelente trabalho de defesa e educação sobre práticas justas de testagem. Este prêmio traz o nome de uma das minhas heroínas em educação, Deborah Meier – ela é uma fortaleza para a justiça e democracia em educação. Espero que cada vez que esse prêmio for oferecido, nos permita render homenagem a Deb. Sinto-me privilegiada também por estar recebendo essa honraria ao lado de Lani Guinier.

Quando fui convidada para vir aqui hoje à noite, pensei em todas as pessoas que trabalham por justiça e equidade na educação que poderiam estar neste lugar. Estou pensando em todos eles agora e aceito esse prêmio em nome deles – todos os educadores dedicados às crianças e ao que é mais justo e melhor para elas.

É maravilhoso ver todos vocês aqui – tantos amigos e familiares, companheiros nesta luta para recuperar a educação pública excelente para todas – não apenas para algumas – as nossas crianças.

Eu amo o trabalho de toda a minha vida – ensinar aos professores como as crianças pensam, como aprendem, como se desenvolvem social, emocional e moralmente. Eu fico sempre fascinada com as teorias e a ciência do meu campo de trabalho e com a sua expressão nas ações e brincadeiras infantis.

Por isso, nem em meus maiores desvarios eu poderia imaginar a situação em que nos encontramos hoje.

Onde políticas, que não refletem o que sabemos sobre como as crianças pequenas aprendem, poderiam ser formuladas e seguidas. Nós temos décadas de pesquisa em desenvolvimento infantil e neurociência demonstrando que crianças aprendem ativamente – elas têm que se mover, usar seus sentidos, experimentar, interagir com outras crianças e com os professores, criar, inventar. Mas nestes tempos distorcidos, espera-se que crianças começando a pré-escola com 4 anos aprendam por “ensino rigoroso”.

E nunca nos meus maiores desvarios poderia imaginar que teríamos que defender o direito de as crianças brincarem.

Brincar é o primeiro motor do crescimento humano; é universal – tanto quanto andar e falar. Brincar é a forma com que as crianças constroem ideias e atribuem sentido ao que elas experimentam e sentem-se seguras. Observe os conceitos matemáticos que estão presente nas construções complexas que as crianças fazem na educação infantil. Ou observe uma criança de quatro anos de idade colocar uma capa e fazer de conta que é um super-herói após ter presenciado alguma cena amedrontadora.

Mas a brincadeira está desaparecendo das salas de educação infantil. Embora saibamos que brincar é aprender para crianças pequenas, nós temos visto esse brincar ser posto de lado para dar lugar à instrução acadêmica e com rigor.

Eu não poderia ter previsto em meus maiores desvarios que teríamos que lutar por espaços apropriados ao desenvolvimento de crianças pequenas. Ao invés de ação, experimentação, as crianças agora sentam em cadeiras por um tempo excessivamente longo para serem treinadas com letras e números. Os níveis de stress estão altos entre elas. Pais e professoras me dizem: as crianças ficam preocupadas por não saberem as respostas certas; têm pesadelos, arrancam cabelos, choram para não irem para a escola. Algumas pessoas classificam estas situações como abuso infantil e eu não posso discordar delas.

Eu não poderia prever nos meus maiores desvarios que nós teríamos que lutar contra a pressão para testar e avaliar crianças pequenas ao longo do ano e em quantidade excessiva-frequentemente administrando testes de múltipla escolha para crianças na pré-escola. Hoje, quando começam a frequentar a pré-escola frequentemente passam os primeiros dias não conhecendo a sala e fazendo amigos. Elas passam os primeiros dias sendo testadas. Aqui estão as palavras de uma mãe no início deste ano letivo:

“O primeiro dia da minha filha na pré-escola- sua primeira introdução à educação básica – consistiu quase totalmente de avaliações. Ela chegou às 9:30 e eu a busquei às 11:45. Neste período ela foi avaliada por cinco professores diferentes, cada um deles um estranho, que pediam que ela fizesse alguma tarefa.

Quando eu fui buscá-la, ela não queria falar sobre o que tinha feito na escola, mas dizia que não queria voltar. Ela não sabia o nome das professoras, não fez amigos. Durante a tarde enquanto ela brincava com seus bichinhos no quarto, eu a escutei treinando-os com letras e números”.

As competências mais importantes em crianças pequenas não podem ser testadas – todos sabemos disso. Dar os nomes de letras e números é superficial e quase irrelevante em relação às capacidades as quais queremos ajudar as crianças a desenvolver: auto regulação, habilidade de resolver problemas, capacidade de se relacionar e de expressar sentimentos, imaginação, iniciativa, curiosidade, pensamento original – estas capacidades conduzem ao sucesso na escola e na vida e não podem ser reduzidas a números.

No entanto, hoje em dia, todo o dinheiro e recursos, o tempo dedicado ao desenvolvimento profissional têm sido dedicados a instrumentalizar os professores a usar os testes que são requisitados. De alguma maneira, supõe-se que as informações geradas por estes testes sejam mais valiosas do que a capacidade da professora de observar as crianças e compreender as suas habilidades no contexto do seu desenvolvimento integral na escola.

A primeira vez que eu constatei em que muitas das pré-escolas deste país estavam sendo distorcidas foi durante uma visita a um programa em uma comunidade de baixa renda ao norte de Miami. A maioria das crianças estava no programa de almoço livre ou com preço reduzido[1].

Havia 10 classes- entre 4 e 5 anos. O financiamento do programa dependia dos resultados dos testes, assim – não poderia se esperar algo diferente- os professores ensinavam para o teste. Crianças que tivessem baixo desempenho, eles me informaram, tinham sessões extras de treino em leitura e matemática e não participavam das atividades de arte. Eles usavam um programa de computador para ensinar a crianças de 4 e 5 anos a soletrar. Uma professora reclamou comigo que algumas crianças escreviam fora da linha.

Em uma das pré-escolas que visitei, as paredes estavam vazias assim como o resto da sala. A professora estava testando um garotinho no computador em um canto. Não havia ajudantes. As outras crianças estavam sentadas nas mesas copiando palavras do quadro de giz. As palavras eram: “Silêncio. Sentem-se nos seus lugares. Mãos sossegadas”.

A professora gritava repetidamente para elas do seu canto de testagem: Fiquem quietos. Calados.

A maioria das crianças parecia amedrontada ou distraída e um garotinho estava sentado sozinho. Ele chorava silenciosamente. Eu nunca esquecerei como estas crianças se comportavam ou como eu me senti ao observar, o que eu chamaria de, seu sofrimento neste contexto tão alienado das suas necessidades.

Comunidades de baixa renda, privada de políticas e serviços públicos como a que visitei são os lugares onde as crianças são submetidas a doses pesadas de testes e treinos dirigidos pelos professores. Não é a mesma coisa nos subúrbios ricos onde as crianças têm oportunidade de frequentar programas de educação infantil que oferecem artes, aprendizagem baseada em projetos e brincadeiras. É a pobreza – o elefante na sala- que é a raiz dessa diferença.

Alguns meses atrás, fiquei alarmada ao ler um relatório do Department of Education Office for Civil Rights mostrando que mais de 8000 crianças de pré-escolas públicas em todo o país foram suspensas pelo menos um dia ao longo do ano letivo, muitos mais de uma vez. Para começar, quem suspende uma criança na pré-escola? Por que e para que? O conceito em si é terrível e bizarro. Mas 8000? Continuei a ler o relatório para descobrir que um número desproporcional destas crianças eram meninos negros e pobres.

Há uma conexão, eu sei, entre estas suspensões e as políticas de reforma educacional: as crianças em comunidades pobres estão vivenciando salas deficientes onde são submetidos a doses pesadas de instrução e testagem. Elas têm que sentar, ficar caladas e aquiescer. Muitas crianças pequenas não podem fazer isso e nem deveriam.

Eu voltei desta visita a centros de Miami North em desespero. Felizmente o desespero rapidamente se transformou em organização. Com outros educadores nós começamos a nossa organização Defendendo a Primeira Infância. Nós temos fantásticas lideranças de primeira infância conosco (algumas estão aqui hoje à noite: Deb Meier, Geralyn MLaughlin, Diane Levin e Ayla Gavins). Nós temos uma só voz na defesa das crianças pequenas.

Nós publicamos relatórios, escrevemos para o público em geral, fazemos vídeos e mandamos para o youtube, fazemos palestras e damos entrevistas sempre que temos a chance.

Fazemos tudo isso com pouquíssimos recursos. É quase cômico: a Gates Foundation já gastou mais de US$ 200 milhões para promover a Base Nacional Curricular. Nosso orçamento na Defendendo a Primeira Infância é 006 % disso.

Nos colaboramos com outras organizações. Fair Test tem nos ajudado muito. Nós também colaboramos com – Network for Public Education, United Opt Out, muitos grupos de pais, Citizens for Public Schools, Baass Teachers, Busted Pencils Radio, Save Our Schools, Alliance for Childhood e ECE Policy Works. Há uma rede poderosa lá fora de educadores- pais e estudantes- e nós vemos que eles fazem a diferença.

Nós compartilhamos uma visão comum: Educação é um direito humano e toda a criança tem esse direito. Uma educação excelente, pública onde a aprendizagem é significativa- com artes, brincadeiras, realizando projetos e com a oportunidade de aprender a ser cidadão para participar- ativa e conscientemente- nesta democracia crescentemente frágil.

[1] Programas de assistência social

(Informações e tradução: Avante)

Barbie, “brinquedo” tirano

Por Lais Fontenelle Pereira
Psicóloga do Instituto Alana

Barbie: uma imagem que aprisiona. Esse é o título do meu trabalho de conclusão de curso de Psicologia, há quase duas décadas. Essa boneca sempre chamou minha atenção. Não pelos modelitos que exibia ou por seus 10 cm de quadril e 12,5 de busto, mas pelo que ela representa para várias gerações de meninas ao redor do mundo.

Nascida nos Estados Unidos, Barbie foi durante décadas a boneca mais vendida no planeta. Dona de um fã clube de mais de 18 milhões de colecionadores pelo mundo todo, exemplo de beleza para mulheres que tentaram reproduzir seu rosto com cirurgias plásticas, ela completou meio século de existência com direito a desfile de moda em Nova York, exposição em museu suíço e sem nenhuma marca do tempo – com os mesmos cabelos longos, lisos e loiros e olhos de estrela.

A boneca, que não envelhece nas prateleiras, atravessou cinco décadas imbatível, com um sorriso no rosto e influenciando meninas do mundo inteiro com valores materialistas e ideais de beleza inatingíveis. E agora, mais uma vez, se reinventou com o lançamento da versão Hello Barbie, a primeira da linha que fala e responde às perguntas das crianças.

Vale voltar um pouco no tempo para contextualizar alguns fatos. No final dos anos 50, o casal Ruth e Elliot Handler, fundadores da fábrica de brinquedos Mattel, encontraram um nicho de mercado ao observarem as brincadeiras de sua filha, de 7 anos, com bonecas de papel. Na época não existia uma boneca tridimensional de corpo adulto com a qual a criança pudesse fantasiar e realizar seus sonhos. Foi nesse momento que Ruth criou Barbie e seu mundo cor-de-rosa, revolucionando para sempre as brincadeiras de meninas que, até então, brincavam, exclusivamente, com bonecas bebês como um exercício de maternagem.

Com a chegada da Barbie as meninas passaram a experimentar, em suas brincadeiras, a falsa ideia de que as mulheres adultas podiam ser o que desejassem: médicas, astronautas, bailarinas – desde que fossem magras e belas. A boneca parece ter virado o jogo, passando a ditar não só as regras das brincadeiras como também os desejos das meninas, esgotando em seu corpo magro, oco e de plástico as possibilidades de ser e de brincar. A Barbie diz para as meninas que para ser é preciso ter… carro conversível, coleção de sapatos, namorado sarado e muitos acessórios.

Isso dito, fica claro que essa boneca e seu mundo exercem uma forte influência nos ideais femininos contemporâneos. Se, de alguma maneira, nós mulheres nos libertamos dos espartilhos de nossas bisavós, parecemos estar hoje aprisionadas no culto ao corpo e busca incansável da magreza. Nossos corpos desejantes, supostamente libertos, estão agora entrelaçados a objetivos mercadológicos. A estética “Barbie” disseminada pelo mundo todo é imposta pela cultura da moda, principalmente pelas imagens publicitárias. Vendido como passaporte para a felicidade, influencia também no desenvolvimento de transtornos alimentares.

Esse fato é tão verdadeiro que em 2012 duas adolescentes inglesas de 16 anos, da cidade de Crewkerne, chegaram ao baile de formatura do colégio empacotadas dentro de caixas da Barbie em tamanho natural, como verdadeiras bonecas de plástico encenando uma entrada triunfal.

As caixas de papelão de 1,80 m X 0,60, com flores pintadas à mão, foram feitas por uma mãe que gastou 250 libras para realizar essa fantasia. Se a intenção era roubar a cena, elas conseguiram. A cidade toda parou para vê-las passar, aprisionadas em seu sonho de infância.

Já com a Hello Barbie, o último lançamento da Mattel em parceria com a Toytalk brinquedos, outros sonhos de infância serão aprisionados, melhor, armazenados numa nuvem. Nesse Natal a Mattel, na tentativa de retomar seus lucros com a venda da boneca, inovou colocando à venda no mercado a Barbie que usa um aplicativo Toytalk, transmite as conversas das crianças com a boneca via wifi e as armazena num servidor da empresa. A Hello Barbie usa inteligência artificial e reconhecimento de voz, sendo capaz de armazenar mais de 8 mil diálogos das crianças.

Não só as falas da criança – e também as de outras pessoas da casa ou amigos da criança – são captadas pela boneca e enviadas ao servidor da empresa. A partir da análise desse material, novos dados são enviados à boneca, que poderá responder perguntas e travar diálogos com a criança. Vale destacar que a boneca também armazena outras informações e incorpora às conversas detalhes como gostos, lugares e até nomes citados pela criança – o que pode ser extremamente perigoso.

Soube do lançamento da boneca desde o início de 2015, quando a CCFC (Campaign for a Comercial-Free Childhood – ONG norte-americana que luta contra a mercantilização da infância) lançou uma campanha para que a boneca não chegasse às prateleiras. Foram mais de 45 mil assinaturas apoiando a CCFC, que elegeu a boneca o pior brinquedo de 2015, com 57 % dos votos.

Mas, foi somente depois que minha filha de 4 anos ganhou seu primeiro brinquedo falante, neste Natal, que resolvi me debruçar sobre o assunto. Notícias recentes me levaram a refletir sobre brinquedos que falam ou são ligados à web, pelo impacto que podem ter no desenvolvimento saudável das crianças.

Bonecos que emitem som, cantam ou reproduzem de três a cinco frases não são novidade no mercado, mas ver de perto o que um simples Furby pode causar na brincadeira inocente de uma criança – é assustador. Minha filha, ao desembrulhar o boneco, presenteado esse Natal pelo querido avô, e entender que ele parecia de fato ter vida independente de sua imaginação, pirou. De início, encantou-se ao perceber que ele precisava de seus cuidados para se alimentar, brincar e dormir. Porém, quando se deu conta de que ele não parava de falar quando ela quisesse e que não tinha um botão para desligá-lo, parece não ter gostado tanto assim. Não foi à toa que Frankenstein assustou seu criador.

Depois disso me deparo com o resultado de uma pesquisa sobre o quanto os brinquedos que falam são piores para o desenvolvimento da linguagem das crianças. Segundo o artigo, se o brinquedo fala, filhos e pais se calam. E quando pais e mães usam menos palavras, geram menos conversas e obtêm menos respostas das crianças – o que tem um enorme impacto no desenvolvimento de sua linguagem.

Some-se a isso a notícia de que a Vtech, empresa de Hong Kong fabricante de tablets, “learning toys” e apps desenhados para crianças, acabou de experimentar uma das maiores invasões hackers focadas em crianças na história. Aproximadamente 5 milhões de contas de pais e mais de 6,4 milhões de perfis infantis contendo dados privados foram comprometidos, gerando danos às famílias. E quando a Toytalk, assim como a Mattel, afirmam que não farão uso das gravações feitas pela Hello Barbie para contactar as crianças ou assediá-las com apelos de marketing, só nos cabe desconfiar e ficar atentos.

Então me pergunto: por que estamos permitindo que uma boneca espie as brincadeiras de nossas crianças? O brincar é a linguagem universal das crianças. Através de suas brincadeiras elas elaboram conflitos, exercitam comportamentos adultos, se socializam e usam sua imaginação e criatividade. É uma atividade sagrada que merece nosso respeito e proteção.

As crianças ficam concentradas em suas brincadeiras e, na maioria das vezes, não gostam de ser invadidas ou interrompidas. Imagine se perguntássemos o que pensam sobre suas brincadeiras serem gravadas – achariam graça? Através do brincar, as crianças travam diálogos imaginários e perguntam e respondem de acordo com sua subjetividade, maturidade, medos e angústias. Como será para elas receber respostas prontas de uma boneca? Não seria muito mais interessante e benéfico darmos espaço à imaginação?

Nos Estados Unidos não só ONGs, mas também especialistas e famílias já estão cobrando dos órgãos responsáveis uma política que regule as novas tecnologias presentes nesse tipo de brinquedo, e que as produções e vendas sejam interrompidas até a existência das normas. Deixo aqui essa reflexão na esperança de que esse tipo de brinquedo não aterrisse por aqui e comece a hackear dados de crianças expostas e vulneráveis em suas brincadeiras. Façamos valer o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz: “Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei.”

Talentos na TV: cruel mercado

Por Maria Inês de C. Delorme
Prof Dra. da UERJ e responsável pelo blog Papo de.Pracinha

Ontem mesmo, uma pessoa veio comentar sobre uma criança de 10 anos, que estaria muito triste porque “ele cantou uma música lá no local e horário marcados para o The Voice Kids, mas não foi selecionado, já que ninguém havia telefonado para ele, embora ele cante lindo, afinado e com um jeito lindo”. Essa é a milésima vez que sentamos no banco da praça refletindo, preocupadas com essa nova tendência brasileira de levar as crianças para campeonatos de talentos, na televisão. E não são poucos. Continuamos atentos depois do caso Valentina – do MasterChef Junior – e as preocupações permanecem intensas. Até agora não sabemos se as crianças recebem algum retorno, no caso de não terem sido selecionadas, o que não resolve, mas ameniza.

Bem, é preciso dizer que entendemos como maravilhoso o fato de as crianças cozinharem e que cantarem, as vezes até ao mesmo tempo, para si mesmos e para os outros. Isso por si só é um ganho enorme para a cultura e para a vida de todos.

É comum encontrarmos crianças talentosas, praticamente vocacionadas desde cedo, aos olhos dos adultos, em diferentes aspectos: música, pintura, desenho, construções com objetos, colagens, costura, bordado e, também, para os esportes em geral. Em tese, essas habilidades precoces – ou ainda, talentos – mantêm-se presentes por toda a vida, podendo ter sido mais ou menos desenvolvidos, o que pode vir a ter relação com sua futura atividade profissional, ou não. Às vezes, o trabalho na vida adulta tem referência direta com esses talentos, às vezes, eles viram um hobby e, também, em alguns casos, infelizmente adormecem e ficam sem expressão.

O que acontece no caso das crianças é que existe um investimento enorme dos adultos para que eles definam desde cedo suas profissões futuras e que ainda, se possível, se tornem um expoente de sucesso e de dinheiro, termos que na nossa cultura são quase sinônimos, como redenção para famílias inteiras que não conseguiram alcançar por si sós o tal binômio que atende ao mercado. Mercado equivocado e frustrante por atrelar sucesso a dinheiro, investindo assim na cultura material da felicidade, apenas e maciçamente. Todos precisamos de muito mais para alcançar momentos de felicidade.

Esse investimento dos adultos aparece em inúmeros aspectos, nas artes em geral, no cinema, no teatro, também quando as crianças têm corpos magros e altura. Essas habilidades expressas ainda na infância, que estamos chamando aqui também de talentos, não devem ter relação com o mercado que transforma tudo em objeto de compra e venda, mas o que a televisão produz é exatamente isso. Sem cuidado e senso crítico, a televisão, mídia que diverte e educa, pode ser devoradora de audiências e assim devorar, de garfo e faca, aqueles que nela trabalham. No caso das crianças, esse sucesso rápido, gerado apenas pela visibilidade em 65% dos lares brasileiros, já pode ser responsável por expectativas e fantasias de grandeza que são cruéis, como já aconteceu com tantas crianças que desde cedo foram sucesso “na telinha”. Não faltam exemplos. A televisão é patrocinada e todos sabem que, no cenário audiovisual, os animais, as crianças e os idosos “vendem”, reúnem público e criam audiência para o mercado adulto. Isso interessa à televisão como indústria do consumo. Não são poucos os adultos que se emocionam diante da TV, ao saber da vida pessoal dessas crianças e, no caso da música, ao ouvi-las cantar de modo tão singelo. É lindo mesmo.

Sob a ótica das crianças, isso pode ser extremamente perigoso, por várias questões diferenciadas e interligadas. A primeira delas é que crianças têm que brincar e estudar, não trabalhar nem precisar ganhar dinheiro para sustentar as suas famílias. Uma segunda questão se refere ao fato de o carreirismo ter chegado praticamente ao fim, no Brasil e no mundo. O mercado de trabalho hoje funciona com uma nova dinâmica em que o adulto muda o local do seu trabalho e, também, a própria natureza do trabalho durante a vida útil, para acompanhar as mudanças rápidas e avassaladoras do mundo. Assim, quando fixamos as crianças hoje em um futuro “de sucesso”, sob essa ótica enviesada do “que gera dinheiro”, poderá ser triste, problemático e muito frustrante caso o mercado exija adaptações que eles não possam fazer. Ou até mesmo se eles próprios vierem a desejar mudar de vida. Como fica?

Aliás, embora o ponto de partida disso tudo seja um desejo ou um talento especifico de cada uma das crianças que participam desses programas, seja de música ou de culinária, eles precisam ser ouvidos e respeitados no sentido de poderem variar ou, ainda, mudar de vida. Será que eles mesmos, junto com suas famílias, terão o direito de mudar o rumo de suas vidas enquanto ocupam o lugar de quem traz dinheiro, riqueza e conforto para sua família? Acho difícil que as crianças possam ser autônomas e sentirem-se donas de suas vidas quando crescerem, supondo-se que seriam donas de um sucesso perene, o que não se pode garantir.

Como terceira e última questão, vale lembrar que somos todos seres que se constituem por milhões de fatores combinados. Numa determinada fase da vida, cada um desses fatores aparece com maior destaque em detrimento de outros e assim vai. Portanto, que um adulto seja cantor ou cozinheiro e que possa, ainda, tomar banho de rio, colecionar selos, pintar quadros nas horas vagas etc. é compreensível. E é bom. No entanto, será que crianças cantoras ou com os melhores “dotes de mestre cuca”, na cozinha, poderão desenvolver outras dimensões de sua individualidade, além da frequência exigida à escola, para que tenham uma vida com oportunidades diversificadas? Para se conhecerem melhor? Para conhecerem melhor as amplas possibilidades do mundo em que vivem?
Esse é um dos nossos medos mais fortes. Medo de que os adultos de referência dessas crianças tenham nelas, desde cedo, o seu “muro de arrimo”, o seu apoio e sua segurança, quando deveria ser exatamente o oposto. Os pais é que devem mostrar o mundo e as diversas possibilidades da vida aos filhos, não o contrário. Essa inversão tende a ser limitadora e traumática. Cabe aos adultos proteger, cuidar e educar com amor, ser mais amigo e menos o empresário de suas crianças.

Wikipedia: 15 anos

Informações do Blog do Estadão com EFE e AFP

A enciclopédia virtual colaborativa Wikipedia completou, ontem, dia 15, 15 anos. O site, que permite que a comunidade de usuários compartilhe seus conhecimentos sobre qualquer tópico, se transformou no site de referência mais popular da internet, com 500 milhões de visitantes únicos por mês e mais de 38 milhões de artigos em 250 idiomas, segundo seu próprio verbete.

A enciclopédia foi criada por Jimmy Wales, ex-operador da bolsa nascido no estado do Alabama, nos Estados Unidos, e pelo desenvolvedor americano Larry Sanger. O site começou a funcionar com apenas US$ 100 mil e, desde o início, não exibe anúncios: ela se mantém no ar graças às doações dos usuários e a paixão de 80 mil voluntários que publicam 7 mil novos artigos por dia.

O projeto sem fins lucrativos superou em seus quatro primeiros anos o volume de informação da Enciclopédia Britânica e se tornou um lugar tão amplo que um leitor normal precisaria de mais de 21 anos para ler o conteúdo das páginas em inglês.

Milionário com visão humanitária, Wales – casado pela terceira vez com Kate Garvey, ex-assistente pessoal do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair – afirma que tentou criar um mundo em que toda pessoa tenha acesso gratuito a todo o conhecimento.

“Jimbo”, como é chamado pelos amigos, explicou esta semana em uma entrevista ao jornal britânico The Telegraph que não lamenta que a Wikipedia não dê lucro e que, se dependesse dele, as pessoas nos cantos mais esquecidos do planeta teriam um smartphone grátis com a Wikipedia pré-instalada.

“O crescimento de Wikipedia no mundo em desenvolvimento continua sendo uma prioridade pessoal para mim, portanto ainda há muito a fazer”, disse Wales, amante das enciclopédias desde criança.

Editados.
Coincidindo com o 15º aniversário da Wikipedia, o site FiveThirtyEight analisou as páginas mais editadas da enciclopédia virtual. O ex-presidente norte-americano George Bush, que governou de 2001 a 2009, encabeça a lista com 45.862 edições em sua página, 3 mil a mais que a página da World Wrestling Entertainment (WWE, a empresa de entretenimento mundial de luta livre).

A lista de dez páginas mais editadas da enciclopédia inclui, em ordem decrescente, os Estados Unidos, a própria Wikipedia, Michael Jackson, Jesus Cristo e a igreja católica. A lista também inclui uma página dedicada aos programas que são transmitidos pela rede filipina de televisão ABS-CBN, ao presidente Barack Obama e a Adolf Hitler.

De acordo com o site, os usuários que acessam a Wikipedia são obcecados em acompanhar as mortes ao redor do mundo, assim como os eventos políticos, a cultura pop, o tempo e assuntos esotéricos.

Controvérsias.
Mas Wikipedia não está, de modo algum, livre de polêmica. Em seu próprio artigo, a enciclopédia incluiu visões críticas, como a do colunista e jornalista norte-americano Edwin Black, que critica a Wikipedia por ser uma mistura de “verdade, meia verdade e algumas falsidades”. Em 2006, o site Wikipedia Watch enumerou dúzias de exemplos de plágio na versão em inglês da enciclopédia.

E alguns dos erros publicados na Wikipedia ficaram famosos. Um dos mais conhecidos aconteceu em dezembro de 2005, quando o jornalista John Seigenthaler, ex-editor do jornalNashville Tennesssean, se queixou de que seu verbete o envolvia no assassinato do presidente John F. Kennedy. A pegadinha passou despercebida durante meses.

A Wikipedia recebeu também a cobertura de grandes jornal americanos em 2006, quando descobriram que funcionários do Congresso tinham distorcido as informações sobre senadores que aparecem na enciclopédia. Em 2012, o Bureau of Investigative Journalism, com sede em Londres, revelou que um em cada seis membros do parlamento britânico tinham suas páginas editadas de dentro do parlamento, prática que Wales considerou “antiética”.

Apesar desses incidentes, uma análise realizada em 2005 com 42 entradas científicas pela revista Nature concluiu que a Wikipedia é quase tão confiável em temas científicos quanto a Enciclopédia Britânica. A Nature descobriu que, em termos médios, a Wikipedia tem quatro dados imprecisos por entrada e só encontrou “oito erros graves”.

Youtube: o fenômeno

O chief business officer do YouTube, Robert Kyncl, voltou à CES deste ano, quatro anos após sua última participação. Na época, ele fez previsões sobre o futuro do vídeo online. Ele disse então que até 2020 o vídeo responderia por 90% do tráfego da Internet, e que 75% de todo o vídeo assistido seria online. Aparentemente, disse, não só ele estava certo, como as coisas aconteceram até mais rapidamente do que o previsto. Segundo ele, a marca de 90% do tráfego da Internet será atingida já em 2019.

O YouTube, conta, tem mais de um bilhão de usuários ao mês, 80% destes de fora dos EUA. E o tempo médio de consumo cresce cerca de 60% ao ano. Atualmente o consumo médio global de vídeo está em torno de 5 horas ao dia. “Só perde para o tempo dormindo e o trabalho”, disse Kyncl. A indústria gera US$ 200 bilhões anuais de receita, vindos principalmente da TV paga, que começa a declinar, segundo o executivo.

Ele conta ainda que o vídeo online superou este ano as redes sociais como a atividade que consome mais tempo online, com média de 1h15 ao dia. “O vídeo online será a principal forma com a qual a pessoa passará seu tempo livre até o fim da década”, afirmou.

Quatro razões

São quatro, segundo Kyncl, os motivos pelos quais isso se dará. O primeiro é a mobilidade. Os celulares, lembra, estão ganhando telas maiores, com melhor definição de imagem e som, e maior duração de bateria. O tempo médio diário de consumo de vídeo no mobile é de 40 minutos, segundo ele.

O segundo é a diversidade. A revista Variety, diz, já mostra que as estrelas do YouTube são hoje mais populares entre os millenials que as estrelas de cinema ou TV. “Ainda haverá os blockbusters, mas cada vez menos gente terá o mesmo gosto. Foi assim com o cabo, começou sem muito dinheiro e apostou nos nichos, como fizeram lá atrás a ESPN, AMC, MTV, CNN. Quando cresceram, evoluiram para conteúdo original. A HBO e a Netflix fizeram igual, começaram com licenciamento e depois partiram para a produção original”, disse.

O online segue o mesmo caminho, diz Kyncl. “Mas com muito mais variedade, porque é uma plataforma democrática, cada um pode criar e assistir. Não só abarca todos os gêneros, como tem alguns que nasceram na própria plataforma, como conteúdos de videogames, tutoriais etc”. Ele conta que o YouTube também está investindo em conteúdos originais, com o recém lançado serviço pago YouTube Red. A ideia, diz, é usar os melhores talentos da plataforma e criar conteúdos premium com eles. “É atraente para os jovens. É mais viável ele ser o próximo PewDiePie do que o novo Tom Cruise”.

A terceira razão, diz, é a música. “O vídeo é mais importante do que nunca para a música. Mais da metade dos teens usam o YouTube para descobrir músicas, até porque temos a maior biblioteca do mundo. E é um modelo bom também para os artistas, que ao invés de pagar para ser tocado, como antigamente, hoje recebem pelos views. Pagamos US$ 3 bilhões ao ano para a indústria de música”, conta.

Finalmente, diz Kyncl, a última razão para a explosão do vídeo online é a experiencia mais imersiva que a da TV. “Vídeos imersivos em 360° são uma experiência melhor no mobile que na TV”. Ele conta que o YouTube fez uma parceria com a GoPro para desenvolver uma câmera 360°, e estão pondo estes equipamentos em todos os YouTube Spaces (estúdios mantidos pela plataforma em várias cidades do mundo para uso gratuito dos criadores).

A VR (realidade virtual) é uma grande aposta do Google. A empresa criou e distribuiu o Cardboard, dispositivo de VR de baixo custo, e com o YouTube deram um espaço para a divulgação destes vídeos.

Disney provoca George Lucas

Por Marcus Ramone, do Universo HQ

O cartunista, escritor e animador da Disney/Pixar Floyd Norman vem chamando a atenção, nos últimos dias, por causa de uma série de charges postadas em seu perfil no Facebook. Nas charges, Norman provoca o cineasta George Lucas, que vem dando declarações consideradas como fruto de arrependimento da venda da Lucasfilm para a Disney, inveja do sucesso do novo filme da série Star Wars e recalque pelo fato de a franquia ter seguido forte sem sua participação.

Uma dessas declarações, sobre a Disney ser “dona de escravos brancos”, é bastante citada nas charges de Norman. E uma das melhores provocações do cartunista mostra Mickey Mouse sugerindo ao cineasta não dar mais ideias para scripts. Confira abaixo alguns desses cartuns.

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Fotografia para empoderar

Por Bruna Souza Cruz, do UOL

Uma exposição fotográfica “Vozes” começou a mudar a rotina do Colégio Estadual Rubens Farrulla, em São João de Meriti (RJ), na Baixada Fluminense, no final do ano passado. Idealizada pelo professor de história Thiago Santos da Costa, 30, o objetivo da mostra foi chamar a atenção para a indiferença de muitos professores em relação aos seus alunos. Com isso na cabeça, Costa encontrou na fotografia uma forma de dar voz aos estudantes, por meio de retratos e legendas.

Veja as fotos aqui

“Minha ideia surgiu de um grande desconforto que comecei a sentir ao ficar na sala dos professores. Eles não tentam realmente entender o que existe por trás do aluno, como é a cultura dele ou como os estudantes se expressam, seus hábitos sociais”, explicou Costa, graduado pela UFF (Universidade Federal Fluminense). “Por isso a sala dos professores sempre foi um lugar desagradável pra mim. Lá eles [os professores] colocam todas as frustrações, todos os preconceitos”.

Desde novembro passado, 40 retratos – dentre 130 fotos feitas – passaram a integrar dois grandes corredores do colégio na exposição permanente chamada “Vozes”. As composições de imagens e legendas dão o tom da mostra, que reuniu estudantes do 7º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Costa conta que recebeu elogios, tanto de docentes quanto de estudantes. “Os alunos se sentiram representados e claramente gostaram da ideia. Inclusive, vários reclamaram que não estavam ali [nas paredes].”

Desenvolvimento

Entre a ideia, as primeiras fotografias e a exposição foram quase dois anos de trabalho. Segundo Costa, o tempo foi importante para que o formato fosse amadurecido e o projeto fosse bem feito. Ele lembra que não usou filtros para selecionar os alunos fotografados. O projeto fluiu e contemplou várias idades. “Primeiro comecei a levar minha câmera para o pátio e comecei a tirar fotos sem compromisso. Depois convidei os alunos. Quem teve interesse, me procurou.”

Para compor as legendas das fotos, o professor selecionou frases e trechos de músicas escritos por seus alunos em uma atividade cujo título foi: “Carta para a escola”. “Eu pedi que eles imaginassem a escola como uma pessoa e pedi que eles falassem tudo o que gostariam de falar no texto e no final que eles dedicassem uma música para a escola. Recebi mais duas mil redações nesse formato”, lembrou animado.

Depois de ler as mensagens dos estudantes, Costa procurou relacionar as fotos com frases de destaque para fazer as legendas. “O aluno é rico culturalmente e ele tem coisas para falar. Eu tentei dar essa voz. Talvez tenha sido uma das primeiras vezes em que os alunos foram as estrelas.”

Quem quiser visitar a exposição, a escola fica localizada na avenida Plácido Figueiredo Júnior, s/n°, Vila Rosali. A visitação no período das férias será das 10h às 16h. Mesmo sendo permanente no colégio, o grande desejo do professor é que as fotografias ganhem novos espaços e as vozes dos estudantes sejam “ouvidas” por ainda mais pessoas.

Chamada de trabalho

A Unesco convida instituições acadêmicas e de pesquisa a apresentar propostas por escrito para a produção do relatório de 2017 da série “Tendências mundiais sobre liberdade de expressão e desenvolvimento da mídia”, conforme as tarefas descritas nos Termos de Referência. Todas as informações sobre a elaboração da proposta, como os Termos de Referência e Experiência estão disponíveis neste documento (em inglês).

A proposta por escrito deve conter, em documentos anexados separados:

1- Uma proposta técnica, que consiste no seguinte: uma descrição da sua organização, incluindo sua capacidade gerencial/administrativa e envolvimento prévio em projetos de pesquisa sobre liberdade de expressão e desenvolvimento da mídia, assim como informações relativas a quaisquer parceiros adicionais previstos em um consórcio a ser liderado por sua organização; o valor agregado de sua organização nesta pesquisa e perspectivas de sustentabilidade, inclusive por meio de contribuições ao projeto; abordagem, estratégia e metodologia detalhadas, com o objetivo de assegurar uma realização bem-sucedida do trabalho; um plano de trabalho detalhado, incluindo indicadores específicos e cronogramas; uma descrição da equipe proposta, com currículos atualizados de seus membros; comentários sobre os Termos de Referência, se houver.

2- Uma proposta financeira, dividida por atividade, conforme descrito no Anexo C. O orçamento deve ser cotado em dólares norte-americanos. O modelo financeiro pode ser baixado aqui.

A proposta e os documentos de suporte devem ser escritos em inglês.

A Unesco reforça a necessidade de se garantir que os objetivos do trabalho sejam alcançados, conforme descrito nos Termos de Referência. Dessa forma, ao avaliar as propostas para a tarefa, serão conferidos com atenção especial os elementos técnicos. Dentre as propostas consideradas adequadas quanto aos critérios nos Termos de Referência, a Unesco selecionará a proposta que oferece à Organização a melhor relação custo-benefício.

As propostas contendo uma proposta técnica e a uma proposta financeira, submetidas em dois arquivos separados, devem ser enviadas por meio de dois e-mails diferentes,até as 9h de segunda-feira, dia 15/02/2016, para o seguinte endereço:ci.proposals(at)unesco.org. Para facilitar o rastreamento do e-mail e o rápido processamento, deve ser colocado o seguinte assunto em inglês: Proposal for World Trends in Freedom of Expression and Media Development 2017.

As inscrições serão confirmadas por e-mail após o recebimento, mas apenas as organizações selecionadas receberão outras notificações e correspondências. É responsabilidade do candidato assegurar que a proposta seja recebida até a data limite. Para quaisquer esclarecimentos, por favor, entre em contato com Rachel Pollack Ichou (r.pollack(at)unesco.org).

Boa dica

A Cinemateca Popular Brasileira, organizada pelo Armazém Memória a partir do Youtube, tem por fonte de pesquisa o Dicionário de Filmes Brasileiros de Antônio Leão da Silva Neto (1908-2002) e os catálogos da Agência Nacional de Cinema (2002-2013). Disponibiliza à consulta filmografias de diretores e diretoras, bem como a cronologia dos filmes nacionais por ano de lançamento nos cinemas ou festivais. Uma vez por ano atualizamos, mediante varredura no Youtube, os filmes disponíveis no Canal, que podem ser consultados por gênero, direção e ano. A difusão e acesso da produção cultural brasileira é base para o avanço de nossa sociedade nas áreas de educação e direitos humanos.

Na Cinemateca Popular Brasileira estão reunidos 1.440 filmes nacionais dispersos em centenas de canais de usuários do Youtube, compondo 390 playlists. Com esta atualização de 2015 chegamos a 30% do conteúdo produzido em mais de 100 anos de cinema nacional. A última manutenção de playlists e atualização de catálogo foi realizada entre 21/12/2015 e 16/01/2015. No canal estão publicados 18 filmes de 222 que se encontram em domínio público, os demais são agregados aos catálogos de canais disponíveis na rede.