Educomunicação em alta

O plenário do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional deliberou, em sua reunião ordinária de 15 de fevereiro, que o tema da Comunicação/Educação será incluído na pauta do encontro previsto para 7 de novembro de 2016. A proposta foi apresentada pelo Conselheiro Ismar de Oliveira Soares e aceita por unanimidade.

O CCS reúne-se regularmente uma vez por mês, ocasião em que, além dos temas em pauta, os membros do colegiado têm ocasião de tomar parte, em horário específico, de seminários sobre temas de interesse para a sociedade e o Congresso, com a presença de especialistas. No caso do encontro previsto para novembro, um dos possíveis convidados será o representante da Unesco no IV Global Media and Information Literacy Week, a ser celebrado em São Paulo, com a participação da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação, entre 3 e 5 de novembro.

 

Em defesa do Rio

Por Roan Saraiva

Preocupado, decidido e empenhado na missão de melhoria do Rio Capibaribe, um grupo de estudantes da Escola Técnica Estadual Cícero Dias, no Recife, está participando da análise da qualidade da água. Mensalmente, no Marco Zero, no Recife Antigo, os jovens fazem o monitoramento por meio da utilização do Kit Educativo criado pelo projeto Rede das Águas – Observando os Rios. Os dados coletados são disponibilizados na rede do SOS Mata Atlântica e trabalhados dentro da sala de aulas, criando ações mobilizadoras e conscientizadoras. A iniciativa é uma parceria da escola com a Fundação SOS Mata Atlântica, uma organização não governamental que tem como missão promover e estimular ações para o desenvolvimento sustentável, bem como promover a educação e o conhecimento sobre a Mata Atlântica, mobilizando, capacitando e estimulando o exercício da cidadania socioambiental.

Além da imponência do Rio Capibaribe, os estudantes percebem que em alguns trechos o rio se assemelha a um grande depósito de lixo, somado aos esgotos domésticos e resíduos industriais que para ele afluem sem o tratamento devido. Um dos fatores é o elevado índice de crescimento populacional sem a correspondente ampliação dos serviços e da infraestrutura urbana gerando como consequência a perda gradativa da qualidade de vida de seus habitantes, onde os aspectos de saúde pública e da salubridade ambiental apresentam sinais de degradação.

Segundo o professor Ângelo Filho, a ação de monitoramento do Rio Capibaribe é de extrema relevância para o processo de ensino aprendizagem, pois possibilita ao educando associar na prática os assuntos vistos em sala de aula. Além disso, estimula o desenvolvimento da sensibilização ambiental e de ações de desenvolvimento sustentável, melhorando assim a consciência educativa no ambiente escolar e a preocupação com os recursos hídricos.

O estudante Luiz Primo é prova disso. “Sabia que a qualidade da água era ruim, mas não tanto quanto eu descobri após coletas no Rio Capibaribe. Além dos níveis de coliformes fecais, turbidez e nitrato, vi também altos níveis de desrespeito com nossa cidade e história. Lembro-me também dos intensos debates dentro de sala sobre a água, desmatamento dos biomas e saneamento básico, sobretudo tratamento de esgotos”.

O trabalho conta ainda com o apoio de outras instituições que, hoje, estão unidas na revitalização do rio, como o Espaço Ciência, Universidade de Pernambuco, Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco e as ONGs Evoluir e Ecoar.

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Longa para a infância

O Ministério da Cultura abriu inscrições para o Edital de longa-metragem dirigido ao público infanto-juvenil.  A iniciativa vai apoiar nove projetos de filmes de baixo-orçamento, inéditos, de ficção, podendo usar ou não técnicas de animação, com conteúdo predominantemente destinado ao público infantil (0 a 12 anos de idade).

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O edital é resultado de uma parceria da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC) com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), por meio do Programa Brasil de Todas as Telas – Ano 2 com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Os projetos poderão receber até R$ 1.250.000,00. O orçamento total de cada projeto não pode ultrapassar R$ 1.800.000,00. As produções podem conter técnicas de animação. As inscrições estão abertas até 13 de março de 2016.

No site do Ministério da Cultura, a Secretaria do Audiovisual diz que “já entendeu e consagrou a importância de promover a produção de obras audiovisuais voltadas para o público infantil e juvenil. Em um país tão influenciado pela cultura cinematográfica norte-america é fundamental apresentar às nossas crianças e jovens a cultura audiovisual nacional – com sua estética e temática particulares. É por isso que os editais Curta-Criança e Curta Infanto-Juvenil já são considerados como políticas públicas tradicionais da SAv, tendo realizado seis edições ao longo desses anos”.

Para Luiza Lins, idealizadora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, “as histórias das crianças brasileiras têm importância primordial para uma infância saudável, inclusiva e livre de preconceitos. Além disso, no sentido de formação de público, as crianças precisam ver filmes de qualidade feitos aqui. O lançamento deste Edital de Produção de Longa Metragem para o público infantil é uma conquista da sociedade e especialmente das crianças brasileiras, e é a certeza que estamos trabalhando para um país mais justo e inclusivo também através da cultura”.

O valor da vida no Brasil

Por Eliana Sousa Silva
Diretora da Redes da Maré e da Divisão Universidade ‘Comunidade da PR-5-UFRJ e integrante da Rede Folha de Empreendedores Sociais.

O que você estava fazendo no sábado à noite, em 28 de novembro 2015? Provavelmente, se divertindo com familiares ou amigos. O mesmo faziam cinco adolescentes e jovens negros em um carro popular, em um bairro do subúrbio carioca, a caminho de uma pizzaria, até serem fuzilados por policiais militares. Todos morreram pelo simples fato de serem negros, jovens e se encontrarem em uma região da cidade considerada perigosa?

O Mapa da Violência 2014 traz dados macabros: foram 154 homicídios diários, totalizando 56.337 assassinatos em 2012, sem levar em conta os desaparecidos que não entram nessa conta. Os números revelam uma face do Brasil oculta por uma invisibilidade derivada da naturalização: determinada parcela da população está tendo suas vidas brutalmente abreviadas.

Os versos de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, bem poderiam ilustrar esse genocídio: “Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas –a da minha nascença e a da minha morte”.

Afinal, se nos distanciarmos do contexto em que essa poesia foi criada, seus versos poderiam ser anunciados por qualquer adolescente ou jovem brasileiro entre 15 e 29 anos, negro, pobre e do sexo masculino. Eles representam 53,4% do total dos assassinatos, mas as forças sociais do país não enxergam a tragédia em toda a sua dimensão.

Um contraponto a essa situação é o enfrentamento da mortalidade infantil: a ação integrada de agentes do Estado, instituições de pesquisa e da sociedade civil, em particular a Pastoral da Criança e conselhos de defesa da criança e do adolescente, fez com que a mortalidade das crianças brasileiras tivesse significativa queda desde os anos 1980.

Dados do governo federal de 2015 mostram que a taxa de mortalidade das crianças abaixo de cinco anos apresentou queda de 65% entre 1990 e 2010, e o número de óbitos por mil nascidos vivos passou de 53,7 para 19.

Estamos cuidando das crianças, mas as deixamos morrer na adolescência ou juventude. No campo do imaginário social, há uma razão para isso: quando se vê uma criança pobre com demandas, ela provoca indignação e desejo de proteção; o jovem na mesma situação provoca medo e insegurança.

Logo, as mortes não ocorrem de forma natural, não são um “fato da vida”. Elas acontecem, antes de tudo, porque os assassinos se sentem impunes para matar e apoiados socialmente. É urgente superar esse imaginário terrível.

O consenso da sociedade em torno do tema da mortalidade infantil foi a base para a melhora dos índices, assim como o fato de o problema integrar uma agenda mundial definida pelas Nações Unidas. O mesmo deve ocorrer com o assassinato de jovens, e cabe ao governo brasileiro mobilizar-se para isso.

Precisamos reverberar a indignidade até que se torne parte do imaginário que essa violência não será mais aceita. Apenas pela mobilização poderemos pressionar canais legais, implicar Judiciário e Legislativo, pressionar para que a polícia seja mais eficiente e voltada para garantir a segurança pública de todos os cidadãos. Essa é a principal tragédia brasileira de hoje.

 O artigo foi publicado originalmente, em 22/02/2016, na Folha de S. Paulo: http://goo.gl/Oq8kmF

Primeiro Olhar

O Prêmio PrimeirOlhar, que acontece no âmbito do XVI Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal, recebe inscrições até o dia 31 de março. A iniciativa busca promover a produção de documentários entre estudantes de cinema, audiovisual, e comunicação, e por participantes em cursos de documentários nos países de língua portuguesa. O evento acontece entre os dias 13 e 15 de maio.

Os documentários inscritos devem ter uma duração inferior a 30 minutos, e terem sido produzidos entre janeiro de 2015 e março de 2016. A inscrição, que é gratuita, pode ser realizada online ou por via postal. No primeiro caso é necessário preencher o formulário de inscrição, disponibilizar o vídeo na internet por “Vimeo” ou “Youtube” e anexar um formulário de declaração da escola comprovando a matrícula do estudante. Para mais informações e para saber como realizar a inscrição por via postal, consulte o regulamento. A premiação será dividida na categoria “Prêmio PrimeirOlhar” e “Prêmio PrimeirOlhar/Cineclubes”, com premiação de mil euros para cada um dos vencedores.

Cinefoot: participe

A bola já está rolando para a 7ª edição do CINEfoot-Festival de Cinema de Futebol. O festival recebe inscrições de curtas e longas-metragens que tenham como abordagem principal o tema futebol. São aceitos trabalhos produzidos em qualquer suporte ou gênero e não há restrições quanto ao ano de realização da obra. As inscrições foram prorrogadas até o dia 29 de fevereiro.

Ao longo da sua história o CINEfoot já levou às telas brasileiras mais de 250 títulos, transformando-se na principal plataforma de exibição da cinematografia de futebol no Brasil e da América Latina. O CINEfoot mantém uma importante parceria com os principais festivais de futebol do mundo e é o único do Brasil que integra o seleto circuito de festivais de cinema de esportes da Federation International Cinema Television Sportifs, com sede em Milão.

Para participar, os realizadores devem enviar o filme através de plataformas de inscrição online ou, se preferirem, submeter uma cópia do filme pelos Correios. Acesse aqui o regulamento e saiba como participar. A sétima edição do CINEfoot acontecerá de 19 a 24 de maio, no Rio de Janeiro; de 24 a 29 de novembro, em São Paulo/SP; e de 25 a 30 de novembro, em Belo Horizonte/MG.

Brinquedoteca virtual

Brinquedos e brincadeiras sempre estiveram atrelados à criança e ao lado leve e saudável da vida. Hoje, as crianças, mais do que nunca, estão abarrotadas de novas preocupações e exigências, e o mundo lúdico perde espaço em suas vidas. Com o objetivo de proporcionar um espaço para resgatar a fantasia e alimentar o potencial cultural das crianças, o curso de Pedagogia de Ensino a Distância da Unisinos desenvolveu a Brinquedoteca Virtual, plataforma em que crianças e professores em formação podem aprender.

Segundo a coordenadora do curso, Patrícia Grasel, a Brinquedoteca Virtual é um projeto de acesso público, que se consolidou a partir da necessidade de fornecer atividades educativas e lúdicas às crianças para além da sala de aula, e, da mesma forma, de um espaço voltado à capacitação de professores, para que possam aperfeiçoar práticas pedagógicas.

O recurso foi projetado em uma casa, com atividades distribuídas em seus diversos ambientes. O primeiro andar da casa é destinado aos pequenos. Lá, podem navegar em espaços de games, bichos, música e outros. Os adultos devem ir ao segundo andar, onde encontrarão material sobre linguagem, humanidades, natureza e matemática.

Para conhecer a plataforma, clique aqui

 

Cinema e Educação – parte 2

Por Raquel Pacheco
Dra. em Ciências da Comunicação. Autora do livro “Jovens, Media e Estereótipos. Diário de Campo Numa Escola Dita Problemática” (Livros Horizontes, 2009). Coordena o projeto e o blog de cinema e educação Media e Literacia. Participa do projeto Dream Teens – FMH.  Membro do Interdisciplinary Centre of Social Sciences (CICS-NOVA).

Na pedagogia, temos que ter cuidado para não nos guiarmos por aquilo que se acredita que já funciona, numa perspetiva de repetir o que já parece aceito. É isso o que nos diz o cineasta, crítico e professor de cinema Alain Bergala. Desbravar novos horizontes pode não ser tarefa fácil, mas se feito com verdade e amor, certamente poderá trazer benefícios incalculáveis.

O risco de partilhar suas próprias paixões e convicções, definitivamente, não faz parte da profissão de professor, destaca Bergala (2008), nem do talento necessário a um bom professor. Entretanto, “quando aceita o risco voluntário, por convicção e por amor pessoal a uma arte, de se tornar passador, o adulto também muda de estatuto simbólico, abandonando por um momento seu papel de professor, tal como definido e delimitado pela instituição, para retomar a palavra e o contato com os alunos a partir de um outro lugar dentro de si, menos protegido, aquele que envolve seus gostos pessoais e sua relação mais íntima com esta ou aquela obra de arte.  O eu que poderia ser nefasto ao papel de professor se torna praticamente indispensável a uma boa iniciação” (Bergala, 2008).

Neste sentido, Bergala acredita que o aluno necessita da experiência do fazer e do contacto com o artista, o profissional de cinema, que é entendido como um estranho, o outro dentro do contexto escolar, este passa a ser o elemento positivamente perturbador. O autor afirma que, para que e a criança e o adolescente tenha uma percepção maior sobre o cinema, é necessário mais do que apenas estar em sala de aula a analisar filmes. Quem nisso acredita, tem “uma ideia bem angelical da relação de força entre a intervenção pedagógica e o poder de fogo ideológico da mídia e de todo nosso ambiente de imagens e sons”.

A Neurociência há muito já descobriu que existem diferentes zonas e níveis de prazer no cérebro humano. Bergala reforça esta ideia quando afirma que todos sentimos uma espécie de prazer quando, depois de um dia exaustivo, nos prostramos diante da televisão para assistirmos a qualquer programa que não nos obrigue a pensar, que nos faça esquecer um pouco quem somos ou o que fazemos. Mas esse tipo de prazer é um prazer passageiro, raso, segundo o neurocientista João Ascenso (2012); é um prazer que não requer nenhum tipo de esforço do cérebro, por isso não é construtivo, ao mesmo tempo que não causa danos, caso não estejamos limitados apenas a utilizar esta respectiva zona de prazer do cérebro. “Mas isso não muda a consciência de que existem prazeres de natureza diferentes, cuja economia, intensidade e impacto não se situam no mesmo plano” (Bergala).

Existe um prazer que deve ser construído no cérebro, de preferência quando ainda se é criança, mas deve ser estimulado e trabalhado por toda a vida. Este não é necessariamente um prazer imediato e sem esforço, e neste tipo de aquisição e/ou construção a escola pode e deve ter um papel importante. A construção de formas mais duradouras e elevadas de prazer devem ser estimuladas e desenvolvidas em crianças, adolescentes e adultos, mesmo que para isso seja necessário um trabalho mais profundo e elaborado.

Em nossa sociedade materialista de consumo encontramos à venda muitos e diferentes tipos de prazeres. A maior parte da mídia, enquanto disseminadores e mantenedores deste sistema, criam e reforçam a todo o momento a necessidade humana de buscar a felicidade, enquanto vendem uma felicidade hedonista, efémera, externa, vazia e muito material. “Tudo que a sociedade civil propõe à maioria das crianças são mercadorias culturais rapidamente consumidas, rapidamente perecíveis e socialmente obrigatórias”, nota Bergala.

O prazer e a felicidade de que nos falam Bergala e Ascenso são adquiridos através de um trabalho constante e de esforço que envolve o cérebro e também o coração, o amor, que torna-se o meio (e o fim) para se atingir zonas cerebrais mais profundas, que são aquelas que produzem mudanças.

Telejornalismo é jornalismo?

Por Débora Cristine Rocha
Jornalista, professora doutora em Comunicação e Semiótica, docente da Universidade Anhembi Morumbi e membro do grupo de pesquisa Espacc (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Artigo publicado no Observatório da Imprensa

Ligo a televisão e ouço o apresentador do telejornal matutino, da maior rede de televisão brasileira, dizer: “Vocês vão me ajudando aí nos nomes, que eu vou falando errado.” Ele estava se referindo a nomes de times de futebol. Como assim, vão ajudando em nomes errados? Não era para ele trazer a informação correta? Não era para ter treinado antes a locução destes nomes? Em uma hora e meia de jornal televisivo, há muitos momentos como este. Uma coisa é informalidade, tirar a sisudez da bancada clássica. Outra é trazer informação incompleta, mal apurada, justificar a falta de profissionalismo como leveza na linguagem jornalística.

Depois de uma hora e meia, descubro que vi uma porção de piadinhas, brincadeirinhas de todo tipo, gírias que forçam a intimidade com o telespectador. E estou mal informada. Preciso recorrer a outros meios para ter o que o telejornalismo deveria ter me dado: informação de qualidade.

O episódio não é isolado e não se restringe à televisão, embora obviamente nela se torne mais visível. Motivos para esse estado de coisas? Em primeiro lugar, o jornalismo agora tem a obrigação de ser entretenimento, pois levar informação de modo sério e compenetrado está fora de moda. Pois é, nos dias de hoje, informar tem a sazonalidade da moda.

A entrada do sensacionalismo

Uma vez que é preciso prender a atenção do telespectador a todo custo, dados os índices de audiência, o método jornalístico que nos perdoe, mas precisa ser descaracterizado. Levamos dezenas de anos para construir este método, que foi testado exaustivamente e aprovado pela imprensa mundial no decorrer do tempo, mas agora ele não nos serve mais porque o público brasileiro não quer saber de informação de qualidade. O público brasileiro quer saber de pautas leves e descompromissadas. Será mesmo? Do meu humilde ponto de vista, é subestimar demais as pessoas.

Enfim, quando um jornalista trata o colega como gatão no ar e torna-se rotina enviar o público ao site do programa para obter informações básicas, que deveriam ser dadas na matéria, a gente sabe que algo anda estranho. Afinal, e a confiança que o público depositou naquele veículo para receber a melhor informação? Credibilidade é um dos pilares jornalísticos. Quando este pilar é comprometido, a essência do jornalismo desmorona.

Ah, é a concorrência com os telejornais populares. Não vamos restringir a questão. O dito telejornalismo popular explora, na verdade, algo que vai além do popular, explora o sensacionalismo. E o embate entre jornalismo e sensacionalismo é histórico, fundamental. Uma coisa é jornalismo, outra é sensacionalismo. Acontece que a busca pelo entretenimento escancarou as portas para a entrada do sensacionalismo no telejornal com toda a força.

O jornalismo serve ao poder que deveria criticar

Cuidado com isso porque o sensacionalismo privilegia o que é de interesse do público e não o que é de interesse público. Há diferença. Os meus alunos sabem: interesse do público é o que o público quer ver, interesse público é o que possui importância para a sociedade. O público muitas vezes quer ver o vocabulário informal, os gracejos, as pautas sem profundidade, a violência e a adrenalina, o happy end. Edgar Morin nos mostrou muito bem os temas da cultura de massa, que seduzem o público e hoje são explorados por esta nova forma de telejornalismo.

Já o interesse público diz respeito ao que afeta a sociedade, evidencia os mecanismos de funcionamento do poder. E quem disse que o público brasileiro não quer saber disso? Os estudantes paulistanos batalham contra o fechamento de suas escolas. Penso que estão querendo saber, sim, sobre o significado do poder. Aliás, cadê os meninos sendo entrevistados sobre o assunto? Aí, quando os garotos vão para as ruas dizem que a imprensa é um braço do poder. E a gente fala o que?

Ficamos aí nas piadinhas, nos vídeos caseiros dando bom-dia e esquecemos que jornalismo não é nada disso. O jornalismo nasceu para criticar o poder, e não para desviar a atenção do público das artimanhas engendradas pelo poder. E o entretenimento na sociedade de consumo, as ciências sociais nos ensinam, tem justamente a missão de desviar o foco do que realmente interessa para o que não interessa. Em outras palavras, com este jeito despojado em excesso, o jornalismo passa a servir ao poder que ele deveria criticar, levando a sociedade à alienação: a falta de consciência de que nos fala Marx.

Na torcida!

No que depender dos brasileiros, não vai faltar recurso para a produção da animação brasileira O Menino e o Mundo, que disputa o Oscar de Melhor Animação, distribuir DVDs entre os votantes da Academia, promover exibições do filme nos Estados Unidos e publicar anúncios na mídia e artigos na imprensa local. Em 13 dias de campanha de crowdfunding aberta no Catarse para arrecadar R$ 100 mil, a animação já bateu a meta estabelecida e conseguiu mais de R$ 110 mil em doações até as 8h30 desta quarta-feira (10). A campanha termina no dia 28 de fevereiro e já foi apoiada por 1.250 pessoas. As contribuições variam de R$ 24 a R$ 3.840. Há recompensas como postais e cartazes do filme, cadernos, lápis, bonecos, DVDs e ilustrações originais do diretor Alê Abreu.

No Facebook oficial de “O Menino e o Mundo” – que venceu no sábado (6) o 43º Annie Awards, o “Oscar da animação” –, a produtora Filme de Papel escreveu: “Queremos agradecer imensamente a todos os apoiadores, vocês já são parte da jornada do filme! Pedimos a todos que continuem apoiando e divulgando a campanha. A meta inicial foi estabelecida com absolutamente o MÍNIMO necessário para fazer uma campanha pré-Oscar efetiva. Porém quanto MAIS APOIOS mais anúncios, mais imprensa, mais exibições, mais dvds enviados,mais pessoas ouvindo falar, falando e assistindo o filme nos EUA e MAIS CHANCES de sucesso! Renovamos o número disponível das recompensas que esgotaram para ninguém ficar sem sua favorita! A campanha segue até 28/02. Vamos juntos em frente, a encontro do ‘Careca Dourado’!!”

O filme narra as aventuras de um menino que vive em uma cidade isolada e que um dia se lança em uma missão para encontrar seu pai. Usando a fantasia e a inocência, a história aborda os problemas que afetam a Terra hoje, como a globalização, a crise econômica e a perda de valores.

Com orçamento de R$ 2 milhões, a animação brasileira concorre ao Oscar com megaproduções como “Divertida Mente”, da Disney/Pixar, que custou mais de US$ 170 milhões (R$ 664 milhões) e, consequentemente, tem mais chances. Nem sempre os membros da Academia que escolhem os vencedores do Oscar assistem a todas as produções, e é justamente esse cenário que a campanha de arrecadação de fundos pretende mudar.

“A nossa distribuidora nos EUA está acompanhando o andamento do projeto no Catarse e fazendo as ações correspondentes ao que vamos poder mandar! Faremos um envio para eles agora na metade e outro no final!”, acrescentou a produtora no Facebook.

Segundo a Filme de Papel, o trabalho “merece ganhar exatamente por representar o diferente, a minoria, o especial”. “‘O Menino e o Mundo’ é uma animação independente brasileira que trata de temas profundos ilustrados sob o ponto de vista de uma criança. Uma explosão de cores, feito à mão e sem diálogos, o filme é embalado por uma trilha sonora de ritmos latinos com participações especiais de artistas como Emicida, Barbatuques e Naná Vasconcelos”, destaca a produtora em seu perfil no Catarse. “É acima de tudo uma história universal sobre os conflitos da sociedade moderna e como combatê-los através do sentimento humano…..da ALEGRIA! ALEGRIA!!”

O filme é o primeiro brasileiro a concorrer a um Oscar de animação e já venceu mais de 40 prêmios em festivais internacionais, além de ser vendido para mais de 90 países. Atualmente, a Papel Filme está no meio da produção de seu próximo longa.

O Menino e o Mundo pelo diretor

Por Marcus Tavares

Sofrendo com a falta do pai, um menino deixa sua aldeia e descobre um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e estranhos seres. Uma inusitada animação com várias técnicas artísticas que retrata as questões do mundo moderno pelo olhar de uma criança. Esta é a sinopse de O Menino e o Mundo, o novo filme de animação de Alê Abreu, que estreou nos cinemas do país no dia 17 de janeiro de 2014. A animação pretende encantar crianças, jovens e adultos, promovendo reflexões e diálogos entre as gerações. 
“Tenho visto diferentes reações em adultos e crianças. Acho que o filme conversa com os dois e, mais do que isso, gera um diálogo entre eles, durante e após as sessões. Mas não podemos esquecer dos jovens, o filme também mexe com eles. Acho não foi à toa que recebemos o Prêmio da Juventude, de voto popular, na Mostra de Cinema de São Paulo”, contou o diretor à revistapontocom logo após o lançamento.

De lá para cá, foram muitos e muitos prêmios. No último sábado, foi escolhido como melhor trabalho independente do Annie Awards, uma das premiações internacionais mais importantes do gênero animação. Agora, a torcida é para a festa do Oscar 2016. O filme concorre na categoria Melhor Animação. ‘Este menino é cada um de nós, quando nos pegamos perplexos com o mundo à nossa volta’, diz o diretor.

Leia, abaixo, a entrevista que o diretor Alê Abreu concedeu à revistapontocom, na época do lançamento.

Acompanhe:

revistapontocom – Seus filmes sempre trazem uma reflexão sobre o universo da infância. Mas parece que esta reflexão está mais presente em O Menino e o Mundo. Estou certo?
Alê Abreu – É verdade: a criança sempre foi o tema central em meus filmes. Embora não sejam necessariamente infantis, todas as obras têm, no mínimo, uma criança como protagonista. O Menino e o Mundo talvez seja o mais solto e abstrato de todos os meus filmes, mas sua abordagem é muito realista, trazendo questões políticas e sociais, o que causa certo choque, ao meu ver muito positivo.

revistapontocom – Quem é esse ‘menino’ assustado com o mundo?
Alê Abreu – É um menino sem nome, sem boca, sem voz. Um menino especial que vê cores nos sons. Um dia ele vê seu pai partir para nunca mais voltar e resolve ir em sua busca. Arruma uma mala, onde coloca a única foto que guarda da família unida, e parte numa jornada, certo de que encontrará o pai. Como todas as crianças, ele acredita que tudo é possível. E acreditar que tudo é possível tem uma força indestrutível. É isso o que nos enche de esperança. Manter a esperança é manter a criança viva dentro de nós. No fundo, este menino é cada um de nós, quando nos pegamos perplexos com o mundo à nossa volta. Creio que quem assistir ao filme entenderá esta mensagem.

revistapontocom – Achei curioso a temática do pai. A falta dele no cotidiano da infância. É sintomático, não?
Alê Abreu – Sim. E já no meio de produção do filme descobrimos o quanto a busca do pai sempre foi um tema presente no cinema latino americano. Um pai no sentido de pátria, que nos dê base, sustentação, na imensa construção que compartilhamos.

revistapontocom – Quem vê o filme fica impressionado com a escolha estética da imagem e do som. Como foi esta construção?
Alê Abreu – Costumo dizer que O Menino e o Mundo nasceu dentro de um outro filme. Na época eu trabalhava no desenvolvimento de um anima-doc (documentário com animação) chamado “Canto Latino”, que lançava um olhar sobre a formação social, política e econômica da América Latina, do quanto nossos países têm uma história tão comum e de que forma ela chega na globalização dos dias de hoje. Este filme seria narrado, digamos assim, a partir das músicas de protesto dos anos 60 e 70. Durante as pesquisas do “Canto Latino”, encontrei um desenho em minhas anotações, a figura de um menino, que me chamava a atenção, mais do que pelo personagem em si, pela forma rabiscada, simplificada e urgente daquele desenho. Naquele momento eu sabia que tinha em mãos um MUNDO (o universo do Canto Latino) e aquele MENINO. Restava encontrar a história que unia os dois. Escrevi um primeiro argumento muito livremente, costurando ideias soltas: Cuca [nome dado ao menino] levado pelo vento, o encontro do menino com um velho, a partida do pai, mistério numa fábrica abandonada etc. Quanto ao roteiro, não houve bem esta etapa, pelo menos da forma que estamos acostumados a entende-la. Com o argumento em mãos fui construindo o filme diretamente na ilha de edição, já em forma de audiovisual, criando um novo animatic. Processo que levou pouco mais de um ano de trabalho. Fazia anotações, esboços em um caderno de rascunho e depois transformava estas ideias em pequenos trechos de história, que eram incorporados ao bloco do filme. Ao mesmo tempo experimentava sons e trechos de músicas como referência e já brincava com a própria montagem. Penso que talvez por isso o filme tenha se resolvido praticamente sem diálogos. A música é de Gustavo Kurlat e Ruben Feffer, com participações especiais de Emicida, Naná Vasconcelos, Barbatuques e GEM – Grupo Experimental de Música.

revistapontocom – Fico me perguntando se o filme não vai encantar mais os adultos do que as crianças. Parece que é um recado – precioso – para os pais, não?
Alê Abreu – Este é um momento [da estreia] muito especial, quando descobrimos o filme que fizemos, a partir do olhar do espectador. E por mais que eu já tenha visto o filme mil vezes ao longo de sua montagem, outro filme se revela para mim à medida que eu o assisto com a plateia. Tenho visto diferentes reações em adultos e crianças. Acho que o filme conversa com os dois e, mais do que isso, gera um diálogo entre eles, durante e após as sessões. Mas não podemos esquecer dos jovens, o filme também mexe com eles. Acho não foi à toa que recebemos o Prêmio da Juventude, de voto popular, na Mostra de Cinema de São Paulo. Um dado curioso: nas sessões que realizamos para pesquisa, alguns adultos não entenderam a história que precisou ser explicada por uma criança.

revistapontocom – O Prêmio da Juventude foi um dos já ganhos. A obra chega ao cinema com outros quatro prêmios (Menção Especial do Júri de Ottawa, Melhor Filme de Animação do Festival Internacional de Havana, Menção Honrosa do Festival do Rio e o Seleção Oficial do Festival de Cinema de Paulínia). O que isto representa?
Alê Abreu – O filme ficou pronto em setembro de 2013 e foi exibido em quatro festivais até agora, e premiado nos quatro (dois deles, menções). O prêmio da Juventude, obtido na Mostra de Cinema de São Paulo, foi a partir de voto popular e nos mostrou que os jovens são um público importante. No Festival de Havana, recebemos o prêmio de melhor filme de animação, concorrendo com outras 33 produções latinas. Em Ottawa, um dos mais importantes festivais de animação do mundo, recebemos uma menção especial do júri com o seguinte texto: “Algumas das imagens mais belas que já vimos”. Este reconhecimento no meio é muito gratificante. Em relação ao mercado, sei que de alguma forma os prêmios “validam” o filme para uma parte do público que precisa destas referências. Mas ter prêmios não significa, necessariamente, sucesso de bilheteria.

revistapontocom – Da ideia ao lançamento se passaram seis anos, certo? Como anda o desafio de se produzir cinema para a infância no Brasil? Você que está há anos nesta estrada, que avaliação você faz das possibilidades da área?
Alê Abreu – Foram dois anos de desenvolvimento, três anos e meio de produção e 6 meses preparando o lançamento. Apesar do estigma que a animação carrega de ser infantil, quando realizo um filme normalmente não penso se é para a crianças ou para adultos. E isso já é parte de um certo “desafio artístico”, que é o de se libertar de algumas amarras, de gêneros ou padrões impostos pelo mercado, para que algo verdadeiro se revele, envolva e surpreenda o público. Quanto aos desafios da produção em si, me parecem os mesmo de qualquer outro filme: aprovar um orçamento, captar recursos, administra-los, prestar contas, atender às demandas dos patrocinadores… Já em relação à técnica de animação, os desafios podem ser mais específicos. Produzir um filme animado requer uma boa dose de paciência (é uma outra relação com o tempo), certo domínio artístico e recurso tecnológico, uma equipe bem preparada… Estou na estrada desde meados de 1991 quando iniciei o projeto de meu primeiro curta e pude acompanhar todas as mudanças da área, que só foram para melhor.

revistapontocom – O filme estreou no dia 17 de janeiro. Que dica/sugestão você daria para as crianças e os adultos que vão assistir ao filme?
Alê Abreu – O filme é cheio de segredos e pistas. Fiquem atentos nos detalhes.

Brasil no Prix Jeunesse

Com informações do Com Kids

O Festival Prix Jeunesse Internacional divulgou a lista de finalistas de sua competição 2016. Entre os competidores dessa etapa final encontram-se três produções brasileiras:

– Marina não vai à praia (Marina’s Ocean, Paideia Filmes, 12 a 15 anos ficção);
– Kunumi, o trovão nativo (Kunumi, the native Thunder, Free Press Unlimited, Hora Mágica Produções, 12 a 15 anos não ficção)
– Os Under Undergrounds (Tortuga Studios, 7 a 11 anos ficção).

A presença latino-americana foi expressiva, três conteúdos argentinos, quatro colombianos, quatro chilenos, dois conteúdos equatorianos e um do Suriname. São, ao todo, 17 produções marcando presença e consolidando a força da região no setor. O festival, um dos mais importantes do mundo voltado para produção infanto-juvenil, será realizado entre os dias 20 e 25 de maio, em Munique, na Alemanha.

Saiba mais no site do festival

Assista, abaixo, o curta Marina não vai à praia

A exposição das crianças na TV

Por Beth Carmona
Com a colaboração de Vanessa Fort, Liana Milanez e Raquel Lemos.

Artigo publicado no site da Com Kids

A recente estreia da versão brasileira do The Voice Kids (TV Globo) e a experiência recente do Master Chef Junior (Bandeirantes e Discovery Home & Health) sinalizam a necessidade desse debate. Em formato de reality show, o programa de culinária apresentou números impressionantes, com direito a planos para uma segunda temporada. Diversos países têm replicado ambos os formatos e também relatam grande repercussão.

Com milhares de seguidores e fãs nas redes sociais, os reality shows não são simplesmente programas de TV. Trata-se de uma ação crossmedia, ao vivo e online, que não tem como primeiro destino o público infantojuvenil. Esses programas alcançam toda a população indiscriminadamente, na TV aberta e por assinatura, com perspectiva de vida intensa em outras telas e redes. Sua eficiência e impacto deve-se principalmente às manifestações via twitter, facebook e outras redes sociais. Uma vez na tela, todos estão expostos e correm o risco de virar assunto de um coletivo anônimo, que joga comentários “na roda” de forma imediata, espontânea e, muitas vezes, inconsequente.

A experiência de ver TV mudou com a proliferação de telas (celular, computador, tablet) e com o hábito de navegar na web de forma simultânea à programação. As opiniões são expressas em tempo real, como em uma grande sala de amigos e, por que não, “sala de rivais”. Essa prática tem ganhado contornos cada vez mais importantes na sociedade brasileira, seja pelo debate de causas e opiniões, seja pela manifestação de preconceitos e discursos abusivos. A articulação da TV e web faz parte de uma cultura de convergência que estamos vivendo há alguns anos.

A competição entre adultos, o Master Chef, por exemplo, tem elementos poderosos para engajamento do público. Além de, na edição, exagerar nos antagonismos e na construção de tipos, com reforço nas redes sociais. No caso da competição infantil, somado a tudo isso (com todas as tensões que isso oferece), temos as crianças adultizadas, ora causando surpresa por suas habilidades, ora encantando por serem simplesmente crianças. Os pequenos são tirados do seu espaço e tempo infantis e “vestem” personagens para o entretenimento familiar.

Se lembrarmos a estreia bastante tumultuada da última temporada do MasterChef Junior, é necessário analisar de perto o que aconteceu. Já no primeiro episódio, uma das meninas participantes da competição sofreu assédios vindos do twitter e outras mídias sociais. Desse ocorrido ultrajante, a assessoria de imprensa da TV Bandeirantes fez uma carta de repúdio somado a muitas manifestações espontâneas de internautas.

Desse episódio, o coletivo feminista Think Olga criou a campanha #Meuprimeiroassedio. Com grande repercussão, centenas e milhares de mulheres compartilharam suas experiências de assédio na infância, destacando a necessidade de discussão sobre o assunto, muitas vezes oculto em nossa sociedade. Desses debates e campanhas, estamos vivenciando um momento diferente e poderoso, nessa cultura horizontal de debate e reflexão. Produtores e criadores devem estar atentos e preparados para participar e se posicionar com esse tipo de questão tão importante e delicada, mais ainda quando exposta nesses ambientes midiáticos.

A TV Globo começou a exibir o The Voice Kids Brasil e já antecipou que as crianças receberão apoio permanente de psicólogos e outros profissionais da área. Trata-se de uma ação importante, mas será suficiente?

A exposição infantil à tensões e à competição

Um outro programa, o documentário holandês Bente’s Voice levanta questões importantes, como a exposição infantil à competição e grandes tensões. Finalista do Festival Prix Jeunesse Internacional em 2014, na Alemanha, o documentário foi produzido e dirigido pelo canal público holandês VPRO com a intenção de mostrar bastidores da versão holandesa do The Voice Kids.

Dirigido às crianças, a produção apresenta Bente, uma menina de 11 anos, tímida e dona de uma linda voz e flagra momentos de frustração e depressão vividos por ela, durante a competição. As câmeras captam momentos reveladores, como o ato da assinatura de um termo de conduta, onde crianças e pais se comprometem a evitar e controlar comportamentos não desejáveis, frente às câmeras como, por exemplo, indignação ou choro na hora da exclusão. O documentário continuou acompanhando a rotina de Bente e mostrou como sua vida passou a fazer parte das redes sociais e de uma indústria invasiva de notícias.

Não foi fácil para Bente voltar à vida normal após esse “furacão”. Faz parte do propósito do documentário mostrar às crianças os bastidores de toda a ilusão que a competição e o formato promovem, e sua relação com a vida normal; descortinar situações aparentemente encantadoras e felizes com humor e surpresa; mostrar o sofrimento e a fragilidade após a eliminação.

O ECA e a legislação

A legislação brasileira prevê a fiscalização e controle da exposição infantil na TV, a partir de princípios apresentados no Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outras convenções de direitos. O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 atualizado pela Lei nº 12.796/2013, de 04 de abril de 2013) está há anos protegendo os menores ao lado da Constituição Federal de 1988. Ela permite a participação de crianças de forma legal na TV e no mundo do entretenimento, desde que assegurados procedimentos e conduta básica por parte dos seus criadores e produtores.

Para obtenção do alvará judicial na justiça, além de autorização dos pais/responsáveis, é exigida a apresentação de uma lista de documentos que demonstrem segurança e adequação das crianças ao “evento” artístico, informações sobre o conteúdo geral do programa, entre outros documento; sempre tendo como preocupação a integridade do menor, em amplos sentidos. A lei possui aspectos subjetivos passíveis de interpretação. Trata-se de uma redação com aberturas, que faz parte do ambiente democrático. Ou seja: ela pode ser acionada quando houver a interpretação de que foi praticado algum tipo abuso na participação das crianças em programas de entretenimento. Assim descrita, garante a não existência de um caráter de censura, que acabe por proibir a participação infantil de forma irrestrita em qualquer tipo de produção (TV, teatro, cinema, etc).

É preciso considerar que a lei é anterior à expansão da internet, e que também não tem sido analisada sob a ótica do trabalho de menores em ambientes artísticos. Frente a nós, temos muitos desafios nesse sentido, inclusive de um Poder Judiciário que, embora atue de forma reativa, não consegue acompanhar a agilidade da produção e o dinamismo da veiculação do ambiente digital.

A ética e a responsabilidade

Frente a isso tudo, precisamos estar atentos e nos posicionar eticamente em relação a essa exposição infantil na TV. Responsabilidade, dignidade, respeito e atenção seria o mínimo a ser cuidado desde já. Há que considerar a real vontade da criança de estar ali, exposta e sendo solicitada a atuar.

Qual é a nossa ética em relação a essa criança? A escutamos, geramos ilusões, somos honestos com elas? Quais são estímulos e conduta em relação a criança? Qual o papel do adulto como estimulador dessa participação? Qual o nível de consciência dos responsáveis sobre essa TV que compartilha opiniões, comentários e julgamentos muitas vezes inconsequentes? Não estamos ultrapassando limites ao expor crianças, tanto as ganhadoras como as eliminadas?

São questões delicadas que exigem reflexão de toda sociedade que, atualmente, apresenta traços de radicalismos, imediatismos e profundo desrespeito com o outro. A participação das crianças na mídia está suscetível a esse tipo de manifestação que pode deixar marcas profundas no desenvolvimento das crianças e jovens.

Game preserva aldeia no Acre

No Brasil, algumas tribos indígenas já descobriram, há algum tempo, o poder do audiovisual para contar e preservar suas histórias. O projeto Vídeo nas Aldeias é prova disso. Mas pouco a pouco, os games também estão sendo utilizados para o mesmo fim. É o caso do jogo Huni Kuin: os caminhos da jiboia. Criado em conjunto por pesquisadores paulistanos e por Kaxinawás do Baixo Rio Jordão, no Acre, o game conta a história de jovens indígenas em sua jornada espiritual para se tornarem “gente verdadeira”, enfrentando desafios e adquirindo conhecimentos e habilidades.

Conheça o site oficial do game

A comunidade indígena localizada no Acre foi quem montou uma equipe de programadores, artistas e antropólogos para criar seu próprio videogame. Trata-se de um jogo de plataforma de cinco fases. Cada etapa conta uma antiga história do povo. O objetivo do game, que poderá ser baixado gratuitamente pela internet, é levar um pouco dessa cultura para a sociedade brasileira através de uma mídia moderna. O projeto foi contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural 2013-2014.

Editora recebe roteiros de HQs

Do Universo HQ

As Edições BesouroBox abriu espaço para autores nacionais. A instituição está recebendo propostas de HQs para avaliação e possível publicação por meio do selo 8Graphics. Os interessados têm até o próximo dia 5 de março para enviar roteiro e arte de seus projetos ao e-mail dani@besourobox.com.br. O selo 8Graphics foi criado no ano passado, resultado da fusão da BesouroBox com a editora8Inverso. Fica a dica.

Dia Mundial do Rádio

13 de fevereiro é o Dia Mundial do Rádio – um dia para celebrar o rádio como um meio para melhorar a cooperação internacional entre as emissoras e incentivar as grandes redes e as rádios comunitárias para promover o acesso à informação, a liberdade de expressão e a igualdade de gênero. Como o rádio continua a evoluir na era digital, ele continua sendo a midia que atinge o maior público no mundo inteiro. Para a Unesco, é o canal ideal para consolidar a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

São estratégias da Unesco para o Dia do Rádio: sensibilizar proprietários de estações de rádio, executivos , jornalistas e governos a desenvolver políticas e estratégias relacionadas a gênero; eliminar estereótipos e retratando multiplas dimensões e segmentos no rádio; fortalecer habilidades para juventude na produção de rádio com foco nas meninas como produtoras, radialistas e jornalistas; e promover a segurança de mulheres radialistas.

Em seu site, a Unesco convida todos os países para celebrar o Dia Mundial do Rádio , planejando atividades em parceria com as emissoras regionais , nacionais e internacionais, organizações não -governamentais, da mídia e do público.

Leia o texto divulgado pela Unesco pelo Dia do Rádio – 2016.
No documento, a instituição reitera também a importância do rádio nas emergências humanitárias e situações de desastre.

O papel do rádio em emergências humanitárias e situações de desastre

Em todo o mundo, aumentam os casos de emergências humanitárias e desastres, com terríveis consequências para vidas humanas e, por vezes, reduzindo anos de desenvolvimento a nada. No meio das ruínas e diante de uma emergência, com frequência, o rádio é o primeiro meio para a sobrevivência. Sua durabilidade é uma vantagem incomparável, permitindo muitas vezes que resista a choques e retransmita mensagens de proteção e prevenção para a maior quantidade possível de pessoas, de uma forma melhor e mais rápida do que outros meios de comunicação e, com isso, salvando vidas.

Sua disponibilidade, simplicidade e baixo custo também tornam o rádio um meio que promove a vida em comunidade, oferecendo uma forma de fortalecer os laços sociais e assegurar a participação das pessoas em programas humanitários, bem como nas discussões que lhes servem de base. Inúmeros relatos de vítimas descrevem como o rádio permitiu que famílias separadas se reencontrassem, retomassem o contato e readquirissem a esperança. As rádios comunitárias são o exemplo perfeito desse processo e, por isso, devem ser apoiadas.

O poder do rádio também depende dos jornalistas, que estão entre as primeiras pessoas a chegar aos lugares para testemunhar os eventos e dão voz a atores e vítimas locais, para aumentar a conscientização e mobilizar recursos, sem o que não é possível ter ações humanitárias efetivas. Eles desempenham um papel crucial na apresentação dos fatos, evitando o sensacionalismo e a manipulação no debate público. É por isso que nada deve ser questionado no que diz respeito ao direito à informação ou à segurança dos jornalistas.

A Unesco estabeleceu sistemas de alerta para tsunamis, inundações e secas, assim como sistemas de monitoramento de terremotos e deslizamentos de terra. A Organização oferece assistência técnica, em todo o mundo, para todos os tipos de risco. Quando sítios protegidos se encontram em perigo, a Unesco entra em cena para salvar as referências culturais e históricas. Em todos esses âmbitos, e por sua capacidade de informar, retransmitir mensagens e contribuir para o debate e a reflexão, mesmo em tempos de crise, o rádio é um aliado indispensável.

Hoje, nós chamamos autoridades públicas e partes interessadas em desenvolvimento e ação humanitária para fortalecer os vínculos entre o rádio e as respostas emergenciais, para que as vozes de homens e mulheres, vítimas, equipes de salvamento e jornalistas, que nós ouvimos nestes momentos em rádios transistorizados, telefones celulares e computadores, sejam as vozes da vida e da esperança…

Aprendendo com o Oscar

A cerimônia de entrega do Oscar 2016 vai acontecer no dia 28 de fevereiro. Neste ano, o Brasil está representado pela animação O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. Estamos na torcida. Enquanto isso, vai aqui uma dica para os professores. No site da Academia é possível encontrar uma série de guias voltados para a sala de aula que tem o objetivo de explorar o universo da sétima arte. Os guias trazem textos e exercícios. A proposta é despertar o interesse dos jovens.  Acesse as publicações (em inglês):

– Animation

– Art direction

– Costume Design

– Costumes e Makeup

– Documentaries

– Film editing

– Screenwriting

– Sound and music

– Visual effects

Os desenhos das crianças

Você viu isso? Um ilustrador argentino deu a volta ao mundo para descobrir como desenham as crianças. O ilustrador argentino Mey Ivanke passou um ano e meio viajando por 32 países e desenhando juntos com crianças no projeto Pequenos Grandes Mundos. Ivanke pintou com crianças refugiadas em Berlim, Lisboa. Fez oficinas em um monastério budista tibetano no Himalaia e compartilhou tudo na página do projeto no Facebook.

Conheça também o site do projeto.

O grande objetivo é aproximar a ilustração de meninos e meninas de diferentes culturas, idiomas e religiões, como ferramenta de expressão do que sentem a respeito de si mesmos e do mundo à sua volta. E, além disso, é uma maneira de praticar o direito a brincar e de imaginar.
Plataforma mapeia as experiências de inovação em educação em todo o mundo. A experiência será compilada em um livro e um documentário. O projeto foi financiado com aportes de patrocinadores e financiamento coletivo através de Ideame.