Léa Fagundes: pioneirismo

Por Promenino – Fundação Telefônica

Quando a professora Léa Fagundes começou a lecionar, há mais de sessenta anos, a expressão inclusão digital não existia, tampouco a noção de que era necessário incluir. As escolas eram locais de hierarquias definidas, posturas rígidas e um ensinamento restrito ao conteúdo.

Não é exagero chamá-la de pioneira. Com curiosidade, gana e um olhar terno sobre o protagonismo infantil, Léa, hoje com 86 anos, foi uma das primeiras educadoras a considerar a tecnologia como uma ferramenta de empoderamento.

As habilidades cognitivas infantis, ou seja, a capacidade de aprender e reter conteúdo de maneira significativa (e não apenas armazená-lo), sempre foram objetos de estudo para Léa. Por essa razão, ela fundou o Laboratório de Estudos Cognitivos – LEC, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Profundamente influenciada pelos ensinamentos de Jean Piaget, bem como pelas experiências internacionais feitas com linguagens Logo (que coloca a criança no comando do computador), ela tentava entender qual impacto as ferramentas digitais tinham no desenvolvimento de meninos e meninas.

Para celebrar o legado e pioneirismo de Léa Fagundes, a educomunicadora Priscila Gonsales e a jornalista Guilliana Biancconi, do Instituto Educadigital estão criando uma biografia colaborativa sobre o trabalho da educadora. O making of do projeto, que pode ser acompanhado online, reúne informações sobre Léa, sobre Jean Piaget, e também uma galeria colaborativa, reunindo vídeos e fotos sobre as andanças de Léa pelo país.

Os primeiros aparelhos utilizados nessas experiências eram radioamadores. Com o princípio da construção de computadores em território nacional, autoridades de Nova Hamburgo (RS) procuraram a experiência de Léa para iniciar a formação de professores. E a cidade se tornou o primeiro município brasileiro a ter computadores nas salas de aula. “A escola que temos há 300 anos permanece na era industrial. A escola do novo milênio ingressa na cultura digital. De um modo inesperado, a tecnologia digital se desenvolve e amplia em direções nunca antes previstas”, ela relata.

Ainda que mergulhada na cultura da informática, e participante ativa de inúmeros projetos na área – ela integra desde 1994 o Comitê Assessor em Informática do Ministério da Educação e coordena o projeto Um Computador por Aluno (UCA) na Região Sul – Léa é categórica ao afirmar que apenas colocar computadores em sala de aula não é sinônimo de revolução na escola: “Só uma nova cultura pode revolucionar a educação e a sociedade no planeta Terra”.

Para tanto, é preciso que o adulto deixe a criança criar, tarefa que, até hoje, com intervenções tecnológicas avançadas e novos modelos educacionais, ele não consegue fazer. Durante seus anos lecionados, Léa percebeu que toda criança tem a capacidade de aprender – e é aí que começa a verdadeira revolução. “A criança é um ser inteligente que necessariamente poderá se desenvolver. Seu desenvolvimento saudável não será o de um ser dependente se for respeitado e estimulado como protagonista. O papel do educador não pode ser o mesmo do condicionador de comportamentos prévios, mas que fundamente o estimulador de protagonistas”, ensina Léa.

Dos adolescentes e das crianças vêm o entusiasmo e a vontade inspiradora de adaptação, necessárias para uma mudança educacional. “Os entraves são propostos pelas gerações de adultos que não ingressam na cultura digital”, diz a educadora. Mas Léa também mantém o otimismo de que a velocidade, característica própria dos objetos digitais, também acelere mudanças importantes como a organização curricular, o uso do tempo e também o sentido comunitário que a tecnologia deveria ter.

Quando a palavra inclusão aparece, ela puxa pela mão outra que é importante quando se fala de tecnologia e educação: a democratização. Avanços no campo da educação digital não são o suficiente para uma transformação radical da sociedade se não atingem todas as camadas da população, acreditando igualmente em seu potencial.

Baseada em sua trajetória tão inspiradora, a professora Léa aponta um caminho possível: “Como os abismos sociais poderão diminuir? Derrubando o muro de preconceitos e permitindo as constantes trocas e experiências inovadoras, aprendendo a formular problemas e a avaliar cooperativamente novas soluções”.

Nova sala de cinema

Com informações do AdoroCinema

Quem diria que a sala de cinema ia mudar um dia… O futuro parece que já chegou. Pelo menos em Amsterdã, na Holanda, e em Berlim, na Alemanha. As exibições cinematográficas agora, nas duas cidades, são em 360° e com realidade virtual. Uma experiência de completa imersão cinematográfica. Diferente de uma sala de cinema comum, os espectadores se sentam em uma cadeira giratória, colocam um óculos super highthec (Nome Científico: Samsung Gear VR) e um par de fones de ouvido estrondoso (Nome Científico: Sennheiser HD 201). Em vez de ficarem parados assistindo a uma projeção em tela, as pessoas podem girar livremente em suas cadeiras para aproveitarem as filmagens em 360°.

“Eu ainda estou recuperando o fôlego. Em algum momento eu pensei que isso realmente existia e que você ficava completamente nisso. Isso é muito estranho”, diz um dos espectadores. Verdade seja dita, deve ser muito bizarro estar em um espaço com outras pessoas e ao mesmo tempo se sentir isolado em outro lugar.

De acordo com o website do cinema, pelo preço de € 12,50 (aproximadamente 53 reais) é possível desfrutar da sessão que dura meia hora, mas, não há informações sobre o que exatamente será exibido. Analisando o vídeo abaixo, parece que os filmes de realidade virtual, por enquanto, não possuem uma narrativa como estamos acostumados. Ao que tudo indica, é um compilado de vídeos para que o espectador mergulhe nessa nova tecnologia, como andar de helicóptero por Nova York (por esse preço tá valendo a pena).

Iniciativa da Samhoud Media, a companhia decidiu abrir um cinema fixo após fazer exibições itinerantes pela Europa. Há expectativas de que outras salas com tecnologia de realidade virtual sejam abertas, mas, nada de Brasil até agora. Portanto, caso esteja lendo essa notícia de Amsterdã ou com viagem marcada para a cidade, é só passar no seguinte endereço: Oosterdokskade 5, 1011.

Animação para jovens

O Estúdio Escola de Animação, projeto que entra em sua quarta edição em 2016, está com inscrições abertas até o dia 8 de abril. Para participar, é necessário ser estudante de ensino médio da região metropolitana do Rio de Janeiro e fazer a inscrição no site www.estudioescola.com.br. Não é preciso ter qualquer formação prévia para participar do projeto. Este ano serão disponibilizadas 45 vagas. As aulas, que serão ministradas por profissionais do mercado duas vezes por semana, terão início em maio e vão até outubro.

Criado em 2012, o projeto já formou mais de cem jovens que produziram 12 curtas-metragens de animação – dentre eles alguns premiados e selecionados para festivais e mostras, como o Anima Mundi. Com realização da Baluarte Cultura e do Copa Studio, o Estúdio Escola de Animação é viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro com patrocínio da Chemtech e com copatrocínio da Wilson Sons e da Elogroup.

Nana e Nilo em DVD

Foi lançado, no dia 19 de marco, na Casa do Jongo, na Serrinha, em Madureira, Rio de Janeiro, o DVD musical Nana & Nilo e os animais, do diretor e animador Sandro Lopes. Trata-se de um trabalho que reúne diversão e aprendizado, com o objetivo de levar para as crianças conteúdos que atendam às obrigações curriculares de História, Cultura Afro-Brasileira, Povos Indígenas, Educação Ambiental e de musicalização infantil. O DVD que chega agora integra o projeto que já conta com dois livros, um filme curta-metragem, um CD e uma revista de colorir. Os protagonistas das histórias são dois irmãos negros, Nana e Nilo, reforçando e destacando a diversidade racial brasileira.

Além das músicas, o DVD conta com faixa extras, como o filme “Nana & Nilo e tempo de brincar”, uma aventura que Nana e Nilo, as duas crianças gêmeas, Mulemba, a árvore voadora, e Gino, o passarinho verde encantado, viajam no tempo para viver uma aventura no Quilombo dos Palmares em busca do “tempo de brincar”.

“A nossa proposta é fazer do conhecimento uma bela aventura. Nós queremos manter as crianças brincando, fazendo do aprender uma diversão que abre novos horizontes, transformando estudantes em brincantes através da alegria de aprender. Faça parte desta brincadeira!”, destaca Sandro Lopes.

De acordo com Sandro, o DVD está amparado em três pilares: diversidade racial, ecologia e música. O projeto Nana e Nilo foi um dos 33 contemplados com o prêmio Arte Negra, além de ser premiado pelo MINC no Curta Afirmativo no edital de 2012.

Cinema e educação – parte 3

Por Raquel Pacheco
Dra. em Ciências da Comunicação. Autora do livro “Jovens, Media e Estereótipos. Diário de Campo Numa Escola Dita Problemática” (Livros Horizontes, 2009). Coordena o projeto e o blog de cinema e educação Media e Literacia. Participa do projeto Dream Teens – FMH.  Membro do Interdisciplinary Centre of Social Sciences (CICS-NOVA).

Há mais de 25 anos a Convenção sobre os Direitos da Criança, a qual o Brasil é signatário, afirma que a participação é um direito de crianças e jovens:

Artigo 31

  1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística.
  2. Os Estados Partes respeitam e promovem o direito da criança de participar plenamente na vida cultural e artística e encorajam a organização, em seu benefício, de formas adequadas de tempos livres e de actividades recreativas, artísticas e culturais, em condições de igualdade[1].

A Convenção menciona o direito a participar plenamente, o que nos leva a pensar que não se resume em apenas estar a fazer parte de alguma iniciativa, como pensam muitos. Este direito tem um significado mais abrangente, significa mais do que “estar inscrito” e frequentar as aulas; a palavra “plenamente” aborda um envolvimento ativo e democrático por parte de crianças e adolescentes, e garantir este tipo de participação cidadã é uma obrigação de todos os adultos que trabalham com os mais novos. Não é apenas proporcionar uma oficina de cinema e educação, por exemplo, é pensar em mecanismos de participação do aluno dentro desta oficina, ou ainda criar junto com os alunos estes mecanismos, metodologias e dinâmicas, é ouvir o jovem, é faze-lo sentir-se representado, ou melhor, é dar ferramentas para que ele se auto represente.

Observamos que os próprios adolescentes (que participaram da nossa pesquisa) desconhecem os seus direitos e acreditam que participar é apenas fazer parte/estar presente nas aulas de cinema:

“Me sinto lisonjeada, tendo em conta que não são todas as crianças que têm essa oportunidade” (Barbara, 15 anos).

“Me sinto muito bem por participar no projeto porque a nossa turma é a única que tem direito, e o professor é muito legal” (Alexandra, 14 anos).

“Sou privilegiada” (Érica, 13 anos).

“Sinto-me contente pela oportunidade” (Fátima, 13 anos).

“Participar deste projeto de cinema é fantástico pois aprendemos numa escola mais para além da escola e estamos a aprender sobre algo que não é tão comum” (Ana Luísa, 14 anos).

Estar contente por participar de um projeto que envolve aulas de cinema é muito bom. Mas a lógica do significado de participação utilizada nas aulas de cinema é muito parecida com a utilizada pela escola clássica. Neste contexto, o aluno que participa nas aulas (aquele que é considerado um aluno participativo) é o aluno que coloca o dedo no ar quando o professor faz alguma questão e fica à espera de autorização para falar. Mas este tipo de atitude por parte dos alunos é cada vez mais raro, principalmente quando o que está envolvido é o cinema e seus mecanismos que estimulam a criatividade.

Não é levado em consideração o tempo do aluno, não se pode partilhar a experiência, a dinâmica das aulas de cinema não é construída tendo o aluno como protagonista; o protagonista é o cinema, é o projeto, são os cineastas/professores de cinema, é o professor, é o filme, mas raramente as crianças e os adolescentes. Apesar de a maior parte dos envolvidos nos projetos de cinema e educação, no Brasil e em Portugal, afirmarem em seus discursos que o mais importante é o aluno, é trabalhar o sentimento, o sentido crítico do aluno e estimular uma cidadania ativa, observamos que estes discursos são desconstruídos no dia a dia, na praxis.

Como o cinema é algo que nos surpreende constantemente, é algo que nos desnuda, temos a ideia que ensinar cinema é estar constantemente sendo colocado à prova, é lidar com o novo, com o outro, com o inesperado. A aula de cinema precisa ser algo para além de se fazer filmes ou para além de fazer os educandos decorarem os movimentos de câmara. Eisenstein, considerado por muitos como um dos grandes génios do cinema mundial, definiu o cinema como “a única arte concreta e dinâmica que permite desencadear as operações do pensamento, a única capaz de restituir à inteligência as suas origens vitais concretas e emocionais: ele demonstra experimentalmente que o sentimento não é uma fantasia irracional, mas um momento do conhecimento” (Morin, 1997:211).

[1] Fonte: http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf

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Leia cinema e educação – parte 2
Leia cinema e educação – parte 1

Ziraldo no NAVE

Para comemorar os 10 anos da Escola Técnica Estadual Cícero Dias – NAVE, localizada em Recife, o espaço de Midiaeducação da instituição e as educadoras de Língua Portuguesa  promoveram a Teia Artística, uma semana repleta de atividades lúdicas pedagógicas. “Além de celebrar os dez anos, tínhamos o objetivo de incentivar a leitura, a escrita, a produção textual e artística, propondo aos educandos uma vivência diferenciada, integrando conteúdos de Gramática, Literatura, Língua Portuguesa e Arte, com uso de diferentes mídias, contemplando o desenvolvimento cognitivo e criativo”, contou o coordenador do espaço de mídia educação, Roan Saraiva. Mas o destaque ficou por conta mesmo da participação do cartunista Ziraldo.

Em um bate-papo descontraído, realizado no auditório, Ziraldo respondeu às perguntas dos estudantes e falou um pouco sobre a sua vida, despertando muita risadas ao contar fatos que marcaram sua trajetória e o processo de criação de algumas obras. “Inspiração vem da percepção do momento e de tudo o que acontece ao seu redor. O Menino Maluquinho não era ‘maluquinho’, era um cara legal. E, ao escrever uma obra, é impossível transmitir a um personagem um sentimento de experiências que você não viveu. Sempre há referências próprias”, contou o escritor. 
“Ouvir do Ziraldo palavras incentivo sobre a importância à leitura como peça chave para a formação de um cidadão, foi um grande reforço da minha proposta enquanto educadora”, disse a professora Flávia Cavalcanti.

Para a gestora Aldineide de Queiroz, “Ziraldo vem como uma biblioteca ambulante. Ziraldo é um fenômeno, é uma pessoa muito importante para a vida acadêmica de todos nós. Então, ele chega cheio de informações que irão abrir várias janelas de pensamentos e conhecimentos para que os nossos jovens possam falar e escrever melhor e, consequentemente, saibam argumentar em seus textos”.

O encontro de Ziraldo com os estudantes foi viabilizado pela presidente do planetapontocom, Silvana Gontijo. “Ziraldo é meu amigo, primo, parceiro e acima de tudo uma das pessoas mais generosas que conheço. Quando eu o convidei para essa tarde no NAVE Recife ele me fez acreditar que estava recebendo um presente. Nenhum vestígio de condescendência, nem uma expressão de cansaço, de estar atendendo um pedido. Nada disso. Só a mais genuína demonstração de prazer. Obrigada, Zi, por me dar o prazer de te dar prazer! Um brinde!”.

A semana da atividades também contou com oficina de xilogravura, exibição do filme Cine Holliúdy, exposição interativa de cordéis e palestra sobre intolerância religiosa.

III Mostra Internacional das Semanas do Bebê

Estão abertas até o próximo dia 7 de abril as inscrições para participação de municípios na III Mostra Internacional das Semanas do Bebê. O Unicef e o Governo Municipal do Recife convidam os municípios que já realizaram a Semana do Bebê no Brasil e no exterior a apresentar suas experiências na mostra. Os seis trabalhos selecionados serão apresentados na mostra, que será realizada no Recife (PE). Além da apresentação desses trabalhos, a programação contará com conferências, mesas-redondas, atividades culturais e artísticas.

O objetivo da mostra é promover a troca de experiências entre países, Estados e municípios brasileiros e discutir as formas mais efetivas de fazer com que a Semana do Bebê contribua com a garantia dos direitos da primeira infância.

Os municípios que tiverem interesse em apresentar suas experiências na mostra devem preencher o formulário de inscrição e enviá-lo por e-mail para cvelho@unicef.org. Um Comitê Técnico, formado por representantes do governo e da sociedade civil, do Unicef e outros parceiros, selecionará seis experiências. A organização do evento custeará deslocamento, hospedagem e alimentação de uma pessoa por município das seis experiências selecionadas.

A III Mostra Internacional de Semanas do Bebê vai reunir representantes do poder público, gestores das Secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social, bem como representantes da sociedade civil, conselhos, associações, empresários e entidades que trabalham para garantir o pleno desenvolvimento do bebê e o apoio a suas famílias.

Sobre a Semana do Bebê

A Semana do Bebê é uma estratégia de mobilização social apoiada pelo Unicef e tem como objetivo tornar prioridade na agenda dos municípios brasileiros o direito à sobrevivência e ao desenvolvimento de crianças de até 6 anos. A proposta da Semana do Bebê é reunir esforços de governos e da sociedade em torno da garantia dos direitos das gestantes, mães e seus filhos. Por isso, a ideia é incentivar os municípios a realizar, durante uma semana, mobilizações em favor da primeira infância.

Saturação da informação

Por Lucio Carvalho
Autor de
Inclusão em Pauta (Ed. do Autor/KDP), A Aposta (Ed. Movimento) e do blog Em Meia Palavra . Editor da Inclusive – Inclusão e Cidadania.
Texto publicado originalmente no Observatório da Imprensa


Como qualquer um entre os quase cem milhões de brasileiros usuários de redes sociais, oscilo diariamente entre o desejo de abandonar de vez o hábito de consultar o púlpito alheio virtual e o de reconectar-me a ele compulsivamente. Recentemente fui informado de que há rumores dando conta de que, entre a magnitude de adeptos das redes, poderia existir um remotíssimo e obscuro percentual de usuários que conseguiriam, nestes dias de turbulência política, passar infensos à esta bipolaridade. Eu digo com tranquilidade que nunca vi essas pessoas nem na minha timeline nem no meu feed de notícias e isso, pelo menos no meu universo de observação, reforça a ideia de que, diante da atual crise política, todos sucumbiram ao delírio voluntário – ao próprio e ao alheio – ainda que por motivos e em graus diferentes.

Não obstante a possibilidade acima estar mesmo correta, o número de pessoas que não resiste à opção de abandonar o uso das redes sociais ou pelo menos suspendê-lo é cada vez maior, principalmente entre os mais jovens. E isto é tão mais real quanto se pense no Facebook, entre todas a mais usada das redes em todo o mundo. Isso é o que aponta, por exemplo, recente reportagem da Folha de São Paulo, segundo a qual, para além do acirramento político, outros fenômenos parecem competir na ampliação do desinteresse juvenil, tais como a presença dos chamados “textões” e a repetição persistente de conteúdo. Seriam fenômenos que estariam colaborando com o cenário de evasão. A reportagem dá conta de outras explicações também, de natureza mais psicológica, além de apontar a preferência crescente pelo uso de redes de conteúdo mais visual ou expresso, como o Instagram e o Snapchat.

A bem da verdade, esta parece ser uma tendência anterior aos eventos políticos mais recentes, mas que agora se acentua mais ou menos na mesma proporção em que evoluem as repercussões políticas e a subsequente histeria virtual. Não é muito difícil entender as motivações do abandono, uma vez que a temática política, pelo menos a realizada nos moldes tradicionais, é vista com grande desconfiança pelo público adolescente e jovem adulto. Quem imaginar, entretanto, que no principal concorrente do Facebook a situação esteja diferente, pode estar muito enganado. No Twitter, veículo preferencial entre os adultos e o meio político, a pancadaria ideológica e a proliferação da agressividade têm sido predominante e até mesmo as redes baseadas em imagens, como o Instagram, têm sido tomadas de assalto pelos grandes “significantes” das redes: os memes. Para este caso, majoritariamente aqueles com motivos políticos.

Mais que a constatação tácita da reprodução massiva de memes e do irrefreável potencial discursivo das redes, interessa notar que o arsenal argumentativo individual costuma valer-se também de fontes externas ou, como querem os sociólogos, de discursos de autoridade ou “produtores de interesse”. Desta prática diária, constante, costumam desfilar regularmente no meu feed de notícias e no de qualquer pessoa com um mínimo de diversidade de conexões pessoais, fontes bastante heterogêneas. São fontes que costumam ir desde veículos consagrados de imprensa, passando por fontes menos usuais, como blogues e até mesmo opiniões de intelectuais e artistas que emitem opiniões na rede. O festival de opiniões costuma ser farto e enlouquecedor, principalmente porque mixam-se nele as opiniões mais ou menos elaboradas das próprias pessoas.

Embora presentemente exista uma polarização evidente entre o que se poderia chamar de “governismo” e “oposição”, o leque de nuances no campo das opiniões é muito maior do que essa divisão oferece. A “opinião formada” das redes costuma partir da reprodução comentada de crenças políticas consolidadas e fontes identificadas com meios formais, partidos políticos ou movimentos organizados, enquanto que o dissenso é essencialmente anárquico. É natural: há quem diga, por exemplo, que não existiria Facebook sem o “compartilhar” nem o Twitter sem o “retweet”.

Ainda assim, é nesse caldeirão de ideias emprestadas e opiniões desencontradas que vem ganhando cada vez mais forma uma visão multifacetada, ou rashomônica, da realidade e da história presente. Porém, assim como no célebre conto de Akutagawa ou mesmo no filme de Akira Kurosawa, é necessário ao espectador antever na narrativa de cada um que deseja oferecer sua versão dos fatos, uma forma peculiar de dizer a verdade e, ao mesmo tempo, de deliberadamente falseá-la.

“Dentro de um bosque”  (Yabu no Naka), o conto que deu origem ao Rashomon de Kurosawa, resume-se na história de um assassinato mal explicado que é debatido através de uma sucessão deflashbacks dos personagens, que acabam desmontando-se e remontando-se consecutivamente, como se num puzzle interminável. Trata-se de uma narrativa que evoca as escassas possibilidades de buscar-se a verdade dos fatos, a verdade filosófica, a partir de relatos de pessoas diretamente interessadas, mas que também não se furta a investigar e esclarecer o caráter que move as decisões humanas.

Evidentemente ninguém espera atualmente encontrar a natureza humana vagando entre os memes das redes sociais e suas opiniões cabais, mas, olhando bem, como naquele templo, as “armas” empunhadas para muitos dos debates acalorados de agora às vezes também parecem, aos olhos de quem quer que seja, feitas de pura mentira e invencionice, ao invés do aço desejável dos samurais. Por isso há tantos que consideram que os debates virtuais são “falsos debates” e deles procurem se afastar como o diabo foge da cruz. É um comportamento a que, lógico, ninguém cabe recusar, mas sobre o qual podem recair dúvidas e para o qual alguns questionamentos tornam-se possíveis.

Talvez bem mais simples fosse adotar a interpretação do recém falecido Umberto Eco, que afirmou no recebimento de uma de suas últimas condecorações que as “mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”. Mais simples, menos sério e possivelmente mais sem graça. Afinal, o atrativo dos debates online reside no mais das vezes na possibilidade de sublimação dos conflitos reais e no fornecimento de um simulacro de um embate real já que, pelo menos até prova em contrário, a vida se dá do lado de fora da tela e não no de dentro.Todavia os efeitos, mesmo que num campo simbólico, são reais, dizem respeito às pessoas e suas formas de expressão e comunicação.

A teoria das Bolhas Ideológicas

Possivelmente, em sua declaração, Eco tenha acertado mais do que previra inicialmente, mas sem perceber que as mídias sociais não deixam mesmo de ser uma espécie de “bar’ em que misturam-se professores e alunos, patrões e empregados, cada qual na sua esfera de interferência, mas igualmente visibilizados e visíveis. Se a teoria da “bolhas ideológicas” e do encapsulamento de zonas de interesse nas redes sociais é real e perceptível, também é real a sua condição de transparência e publicidade e a preponderância da colaboração individual em sua formação. Isso significa que, a menos entre pessoas muito desavisadas, todos sabem muito bem que estão sendo vistos e justamente a exposição é que é buscada, jamais o contrário.

Muitas pessoas se queixam, nas próprias redes sociais, de uma excessiva bipolaridade no campo político e, desde os movimentos de junho de 2013 e das últimas eleições presidenciais, contatos (ou “amigos”) exigem-se condutas e posicionamentos. A isenção é tolerada, mas também mal vista nas redes sociais. Muito mais que uma divisão entre “governistas” e “oposição”, ricos ou pobres, brancos ou pretos, homens ou mulheres, a aposta na dicotomia de opiniões muitas vezes é um artifício pelo qual os indivíduos angariam aprovação dos demais, mas a cisão de opiniões políticas, diferentemente da opinião esportiva ou religiosa, implica sempre num jogo de confiança e desconfiança. Racionalmente, se diante de um caso crítico, por exemplo envolvendo crimes penais ou administrativos, uma pessoa não é capaz de posicionar-se claramente, é muito difícil para ela conseguir sustentar uma imagem de isenção dali em diante.

Erving Goffman, sociólogo canadense falecido em 1982 e que nunca estudou as redes sociais, matou esta charada 70 anos atrás, quando publicou, em 1959, o seu <em>A representação do eu na vida cotidiana</em>. Para ele, a projeção que uma pessoa faz ao atrelar-se a um grupo social identificado sob uma opinião predominante, mesmo que obsequiosamente, resume para aquele momento em toda a sua identidade individual.

“Devemos carregar no nosso íntimo algo da doce culpa dos conspiradores(*)”, ele diz. É possível que tenhamos mesmo este dever, mas no caso das redes sociais, onde as identidades são essencialmente flutuantes, quantos estão mesmo dispostos a assumir e mostrar tudo o que isso envolve? A mim parece que uma minoria. Mas há quem pareça procurar assentar-se na credibilidade, e talvez daí surjam referências interessantes, dado o cenário já inocultável de desmoronamento de referências históricas e abundantes fontes de aluguel.

Não é de estranhar que as redes sociais refletissem de alguma maneira esse aspecto da natureza humana, além de outros, afinal o entendimento humano é certamente tão antigo quando o desentendimento. Ainda assim, é melancólico contatar que um sistema de comunicação propicie tantos desencontros de opinião, se bem que, de outra forma, seriam apenas não sabidos. No meu feed de notícias e na minha timeline, por exemplo, a cada episódio ou cartada política da atual crise política brasileira, desfilam dezenas de conversas diretas e indiretas dando conta da faxina de “amigos”. São pessoas que se orgulham de escavar até mesmo em conversas (sic) e postagens pregressas nas redes razões para desfazer amizades, relacionamentos e, às vezes, até eliminar graus de parentesco, num espetáculo dissociativo.

De minha parte, prefiro acreditar que essas relações já não existiam e que aquele nome na lista de dezenas, centenas ou milhares de nomes já não representava praticamente nada ou muito pouco, do ponto de vista individual, e que o reconhecimento moral e afetivo entre as pessoas já se encontrava rompido, embora ali polidamente conservados. Se for isso mesmo, menos pior, porque aproximações e distanciamentos são absolutamente verdadeiros na vida real. Por que na virtual não seriam? Há que se acostumar com esse aspecto da vida virtual também. Só do que eu não duvido é que nem mesmo em casos de mútuo afastamento as pessoas forneçam a mesma explicação, isso também rashomonicamente. Já a hermenêutica rashomônica seria o outro lado desta mesmo moeda, só que margeando as fronteiras opostas das possibilidades comunicativas na época da virtualização, que dizem respeito à compreensão de cada um a partir da leitura e sua interpretação.

Guimarães Rosa, provavelmente um leitor de Akutagawa, em seus contos eventualmente lançava algumas sentenças (às vezes eram certezas) estonteantes. Há poucos dias procurei reler, quando a Editora Nova Fronteira relançou, ente outras obras as suas “Estas histórias” e ali, naquele  “Bicho mau”, conto sobre uma cascavel e seis lavradores, muito antes das redes sociais, da internet, da televisão e até da luz elétrica, ao invés de amarrar forçosamente um ser humano no outro, ele explicava as forças dissociativas com a simplicidade devastadora tão comum em sua ficção: “Natureza das pessoas é caminho ocultado, no estudo de se desentender.” Não fica muito melhor explicado?

(*) “Uma vez que todos nós participamos de equipes, devemos carregar no nosso íntimo algo da doce culpa dos conspiradores. E desde que cada equipe está empenhada em manter a estabilidade de algumas definições da situação, escondendo ou depreciando certos fatos a fim de consegui-lo, pode-se esperar que o ator continue vivendo sua carreira de conspirador com certa dissimulação.”

GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. 19ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013. p. 11

 

Centro do Artesanato Brasileiro

O Brasil conta agora com um espaço integrado para valorizar e apresentar o artesanato como um importante produto nacional, tanto para brasileiros quanto para estrangeiros: o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab). Criado com a finalidade de atuar no reposicionamento e na qualificação do artesanato nacional, o Centro tem a missão de ampliar a comercialização das peças produzidas pelos artesãos brasileiros. Além disso, o objetivo é promover a capacitação empresarial dos artesãos e colaborar para o aprimoramento da cadeia produtiva e qualificação da atividade.

Situado em três edifícios históricos que passaram por um processo de restauração no centro do Rio de Janeiro, localizados na Praça Tiradentes, o Crab – inaugurado no dia 10 de março de 2016 e aberto ao público a partir do dia 22 de março de 2016 – atua em três eixos simultâneos: Espaço de exposição, com ênfase na diversidade regional e de tipologias; Espaço de reflexão, fomentando pesquisas, seminários, cursos e debates; e Espaço de aproximação comercial, promovendo catálogos virtuais, contatos entre empresas, artesãos e clientes.

De acordo com o Sebrae, o Centro apresenta o que há de melhor na produção artesanal brasileira, representando brasilidade, sustentabilidade, modernidade e tradições culturais. Quem visitar o centro terá a oportunidade de: admirar obras de mestres reconhecidos; adquirir artesanato contemporâneo com alto valor agregado na loja conceito; pesquisar na midiateca e ter acesso à memória regional, com criações étnicas e tradicionais que resgatam técnicas e histórias da nossa cultura; e participar de oficinas de capacitação e outras atividades nos espaços multiuso. O Centro conta também com um restaurante para servir comidas típicas e regionais.

O Crab adiciona ainda mais efervescência à cidade do Rio de Janeiro, como parte de um corredor de cultura e comércio, um espaço urbano inovador, porém com o charme dos prédios centenários, criando uma experiência contemporânea, propícia para converter o artesanato em objeto de desejo.

Olimpíada de Português

Já estão abertas as inscrições para a 5a edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Trata-se de um concurso de produção de textos para alunos de escolas públicas de todo o país, do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Iniciativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), o concurso incentiva a produção textual.

O tema da edição deste ano é “O lugar onde vivo”, que propicia aos alunos estreitar vínculos com a comunidade e aprofundar o conhecimento sobre a realidade, contribuindo para o desenvolvimento de sua cidadania. Neste ano, os primeiros 100 mil professores inscritos recebem um DVD com as Coleção da Olimpíada, material que apresenta a sequência didática para o ensino da escrita em quatro gêneros textuais. Os interessados têm até o dia 30 de abril para confirmar a participação. Mas as inscricoes só serão aceitas mediante a inscricao e adesao das secretarias municipais e estaduais ao projeto.

O professor inscrito deverá orientar seus alunos a escrever um texto, em língua portuguesa, original e de autoria exclusiva de cada aluno, sobre o tema “O lugar onde vivo”, nas categorias abaixo indicadas de acordo com o ano escolar em que os alunos das turmas participantes vinculados ao professor inscrito estão matriculados:

Poema –  5º- e 6º- anos do Ensino Fundamental
Memórias literárias –  7º- e 8º- anos do Ensino Fundamental
Crônica –  9º- ano do Ensino Fundamental e 1º- ano do Ensino Médio
Artigo de opinião –  2º- e 3º- anos do Ensino Médio

Acesse aqui o regulamento na íntegra

Programa adulto, horário adulto

Em parceria com a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e organizações da sociedade civil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e o Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes (Conanda) realizam amanhã, dia 9 de março, em Brasília o Painel Classificação Indicativa: a ação no STF e os riscos para a proteção de crianças e adolescentes.  Durante o evento, será lançada a campanha “Programa adulto em horário adulto”.

A atividade acontece em um momento delicado para a infância brasileira, no qual o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2404, movida pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que pretende acabar com os mecanismos de sanção contra as emissoras que veicularem conteúdos considerados inapropriados a meninos e meninas fora do horário recomendado pela classificação indicativa. A atual política de classificação vigora no país desde 2006, sob administração do Ministério da Justiça.

O Painel contará com a presença do Secretário Nacional de Justiça, Beto Vasconcelos; do Procurador Federal dos Direitos do Cidadão, Aurélio Rios; de integrantes do CNDH e do Conanda; e da advogada Ekaterine Karageorgiadis, do Instituto Alana, uma das organizações da sociedade civil que figura como amicus curiae no processo no STF.

Na avaliação de organizações da sociedade civil defensoras dos direitos humanos e que integram o processo no STF como amicus curiae, a política pública que regula a classificação indicativa no Brasil é fundamental e deve ser mantida. Elas acreditam que, caso o Supremo derrube o art. 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), as emissoras passarão a ignorar o horário indicado para veiculação dos conteúdos violentos e de teor erótico, causando sérios danos ao desenvolvimento psicossocial de meninos e meninas em todo o país.

De boa com a Páscoa

Texto do Movimento Infância Livre do Consumismo – MILC

Depois de três anos fazendo críticas contundentes à maneira como a páscoa foi apropriada pelo mercado, agora em 2016, as mães (e pais) do Movimento Infância Livre do Consumismo (Milc) resolveram retomar o que é nosso por direito.

Para cada família, a páscoa tem um significado especial. Para os cristãos é um momento de comemoração pela ressurreição de Jesus Cristo. No hemisfério norte ainda existem os que comemoram o fim do inverno e celebram o ciclo de fertilidade e abundância por vir.  Os chineses costumavam presentear os amigos com ovos na chegada da sua primavera para simbolizar a renovação da vida. Antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.” Para outros é apenas um feriado sem grandes significados sagrados.

Mas uma coisa existe em comum para boa parte dos brasileiros: a páscoa é uma oportunidade de estar em famílias ou junto dos amigos. Uma pausa entre os dias de trabalho para estar com quem se gosta comemorando a vida, no mínimo. E é também o momento de ver as crianças sendo assediadas por fabricantes de chocolate nos intervalos do desenho ou nos corredores dos mercados, um assédio mercadológico com potencial para causar um estresse familiar enorme em torno de um ovo de páscoa comemorativo.

E por que deixamos a Páscoa ser reduzida a apenas um ovo de chocolate ruim, provavelmente produzido com trabalho infantil e/ou escravo, embalado em plástico barato sempre vindo com um brinde duvidoso? E por que deixamos de permitir que nossos filhos desfrutem de uma páscoa rica em simbolismos e valores (religiosos ou não) reduzindo tudo ao consumo?

O Milc propõe que nesta páscoa a resgatemos o que é nosso e dos nossos filhos por direito e possamos viver uma páscoa que deixe marcas mais significativas que brindes baratos no fundo do baú:

– faça junto com as crianças os ovos ou outros docinhos achocolatados que consumirão e que darão de lembrança: escolha um chocolate de boa qualidade e divirta-se derretendo a confeccionando os ovinhos de páscoa. Pode ser um cupcake, brigadeiro, brownie ou o uma receita que faça sentido para a sua família, talvez aquele doce que só sua avó sabia fazer;

– se existe a tradição da caça aos ovos, reserve um tempo para fazer você mesma ovos e lembranças que farão parte da surpresa;

– se vocês não tem tempo, talento ou vontade de colocar a mão na massa, experimente comprar ovos ou docinhos de chocolateiras e doceiras da sua cidade: comprar de quem faz tem inúmeras vantagens para a economia local sem falar nos benefícios de um doce exclusivo e feito com amor.

Passaremos este mês divulgando receitas, tutoriais de lembrancinhas, ideias para brincadeiras no dia da páscoa e as chocolateiras que se cadastrarem ou forem indicadas neste formulário

Dos 15 aos 45

Estão abertas as inscrições para o 45° Concurso Internacional de Redação de Cartas, realizado no Brasil pelos Correios. O concurso é promovido em todo o mundo, pela União Postal Universal (UPU) — entidade que congrega os operadores postais de 191 países — com o objetivo de melhorar a alfabetização através da arte epistolar e incentivar crianças e adolescentes a expressarem a criatividade e aprimorarem seus conhecimentos linguísticos.

O tema para este ano é “Escreva uma carta a você mesmo aos 45 anos”. Poderão participar estudantes de até 15 anos de idade da rede pública e privada de ensino. As inscrições vão até o dia 17 de março.

As redações devem ser redigidas de próprio punho, com caneta esferográfica preta ou azul e escritas em língua portuguesa, contendo no máximo 900 palavras em formato de carta. Para participar, o estudante deverá passar por uma seleção em sua escola, na qual será escolhida a carta que irá representá-la. Cada escola pode inscrever no máximo duas redações.

Serão realizadas duas fases: estadual e nacional. Na estadual, o autor da melhor redação ganhará R$ 1.000. Já na fase nacional, o vencedor ganhará R$ 5.000 e um troféu, e sua redação representará o Brasil na etapa internacional, a ser realizada pela União Postal Universal. As escolas também recebem prêmios: R$ 2.000 na fase estadual e R$ 10.000 na nacional.

Em 2015, o concurso teve a participação de cerca de 3.700 estudantes de 2.131 escolas públicas e particulares de todo o Brasil. Leonardo Silva Brito, de Rondônia, foi o vencedor nacional e ficou com a medalha de bronze na fase internacional do concurso, em que o Brasil é o 2° melhor país em número de vitórias, com três medalhas de ouro, atrás apenas da China, com cinco.

O regulamento completo do concurso está disponível no site dos Correios, no link: http://www.correios.com.br/sobre-correios/sustentabilidade/vertente-social/concurso-internacional-de-redacao-de-cartas

Negócios em audiovisual

De 9 a 11 de marco, o Rio de Janeiro vai sediar mais uma edicao do RioContentMarket –  evento internacional dedicado à produção de conteúdo audiovisual, aberto a toda a indústria de televisão e mídias digitais. Em apenas cinco edições,  o encontro se consolidou como um dos maiores encontros de negócios e exposição de conteúdos audiovisuais da América Latina. Por suas salas já passaram mais de 14.000 participantes, entre executivos, produtores e profissionais da indústria audiovisual de 38 países, realizando reuniões de negócios e apresentando projetos inovadores, cases e modelos de negócios relevantes para o desenvolvimento de parcerias e coproduções.

O RioContentMarket 2016 terá em sua programação palestras e keynotes de exposição de conteúdo, Rodadas de Negócios, apresentação de cases e projetos em pitching nos gêneros ficção, documentário/factual e kids. Este ano, haverá apresentações do produtor de TV e cinema Steve Golin (Mr. Robot, True Detective, Spotlight e O Regresso), da roteirista e produtora Melissa Rosenberg (Jessica Jones e Dexter) e dos produtores Howard Gordon (Homeland e 24 Horas) e Rhys Ernst (Transparent). Nesta edição, mais de 1.000 compradores participarão de reuniões organizadas nas Rodadas de Negócios, em que as produtoras apresentam projetos de diversos gêneros e formatos, tais como séries e programas de TV, longas, reality shows e outros produtos a potenciais compradores de conteúdo audiovisual.

Todo o conteúdo será distribuído em 7 salas e amplos espaços de networking. Os encontros de negócios também acontecerão nas áreas de exposições em estandes, lounges de convivência, terraços ao ar livre e salas privativas para patrocinadores e expositores.

Veja a programação completa aqui

Sala de aula vazia

Por Maria Amábile
Consultora de programas voltados à Educação de Jovens e Adultos (EJA) desenvolvidos pela Organização Alfasol junto ao Ministério de Educação de São Tomé e Príncipe. Coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Por que tantos professores deixam a sala de aula?

Mais de 2 milhões de professores atuavam na educação básica no Brasil em 2014, porém, uma parcela significativa deles não permanecerá na sala de aula ao longo de sua vida profissional. Basta acompanhar a quantidade de concursos e contratações de grande contingente de professores temporários realizados anualmente pelas secretarias de Educação para preencher vagas. Em que pesem outros fatores, o acúmulo da experiência em sala de aula é um bom indicador para avaliar se as redes de ensino estão ou não garantindo o direito à educação às crianças e jovens.

Apesar de sua importância, a longa permanência dos docentes nas salas de aula ainda é um grande desafio a ser vencido no Brasil. De acordo com a Talis 2013, pesquisa internacional sobre ensino e aprendizagem realizada em 34 países, quase um terço dos professores brasileiros trabalha há dois anos ou menos em uma escola. O estudo aponta ainda que, embora a média de experiência no mesmo estabelecimento de ensino seja de sete anos, a maioria (56%) dos docentes dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º anos) atua há, no máximo, cinco anos no mesmo local.

Ao mesmo tempo, também se observa que os professores com melhor formação e mais experiência tendem a deixar a sala de aula para atuar na direção, na coordenação pedagógica ou em áreas técnicas das redes de ensino, muitas vezes na formação continuada. Para eles, essa é a única forma de galgar patamares mais altos de remuneração e reconhecimento. Isso porque a carreira docente, tal como está posta hoje, não favorece a progressão profissional.

A superação desse cenário passa, necessariamente, pelo cumprimento do Piso Nacional do Magistério – que destina 1/3 da jornada às atividades extraclasse – e da Meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê, em dez anos, a equiparação do rendimento médio de professores com demais profissionais com escolaridade equivalente, reconhecendo, assim, uma defasagem histórica que precisa e deve ser corrigida. Neste ano, o piso dos professores foi reajustado em 11,36% e passou a ser de 2.135,64 reais, a partir de janeiro de 2016. Apesar de a correção ser um pouco maior que a inflação de 2014, é preciso ressaltar que o aumento contribui pouco para tornar a meta do PNE realidade.

Isso porque, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o rendimento médio dos professores em 2013 era de apenas 57% em relação aos demais profissionais com ensino superior. Seguindo o ritmo atual, dificilmente o país atingirá a meta do PNE no tempo previsto, tendo em vista que em 2014 apenas seis estados brasileiros cumpriram na íntegra a Lei 11.738/2008, que institui o piso salarial nacional do magistério, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação (CNTE).

Além da remuneração, é essencial um amplo investimento na formação inicial e continuada de qualidade dos docentes, focada nos processos de ensino e aprendizagem e na garantia de condições de trabalho adequadas. Outro ponto fundamental é a construção de planos de carreira atrativos, com diferentes níveis, que reconheçam tempo de serviço e formação do professor. As redes de ensino precisam assegurar que a remuneração seja feita com base em critérios que identifiquem e diferenciem o esforço empenhado por um iniciante ? que ainda está no estágio probatório e tem formação básica ? de outro professor mais experiente, que já se especializou em sua área de atuação, como na alfabetização e na educação de jovens e adultos ou tem uma pós-graduação. Entretanto, o tempo de experiência só faz a diferença quando o acúmulo de anos na carreira resulta em aperfeiçoamento da prática docente. Isso só ocorre quando há equilíbrio entre a atuação em sala de aula e a formação continuada, que também deve acontecer na escola, baseado nos conhecimentos produzidos no próprio ato de ensino e aprendizagem, o que permite a investigação, a análise e a revisão das estratégias das práticas dos professores.

A sociedade, as organizações de classe, o governo e as escolas precisam dialogar para encontrar saídas que resultem na permanência e no aperfeiçoamento do trabalho docente, pois o salto que o Brasil quer dar na qualidade da sua educação pública está necessariamente atrelado à qualidade do trabalho realizado pelos professores em sala de aula.

Olimpíadas em debate

De março a junho de 2016, ano das Olimpíadas do Rio de Janeiro, a Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), em conjunto com o Laboratório de Estudos dos Esportes da Fundação Getúlio Vargas  (CPDOC-FGV), promove o evento “As Olimpíadas vão ao cinema: ciclo de filmes e debates”.  Roberto DaMatta ministrará a conferência de abertura Os Jogos Olímpicos no país do futebol: repensando o dilema brasileiro, no dia 23 de março, às 18h30, no auditório da FCRB. A palestra terá a participação do professor Ricardo Benzaquen como debatedor.

O restante do ciclo será composto de exibição de quatro filmes seguido de debate com o público. Sempre às quartas-feiras, uma vez ao mês, os eventos serão alternadamente nos auditórios da FCRB (Rua São Clemente, 134 – Botafogo – RJ) e do CPDOC-FGV (Praia de Botafogo, 190 – Botafogo – RJ). A entrada é franca.

O ciclo foi concebido pelo pesquisador Bernardo Buarque de Hollanda (CPDOC/FGV). Em 2015 Bernardo ministrou uma palestra da série “História e culturas urbanas”, na FCRB, sobre o impacto da chegada da cultura dos esportes no Rio de Janeiro da virada do século XIX para o XX. A seleção de filmes teve por base o que existe sobre o tema e uma certa cronologia que privilegiasse a primeira metade do século XX, período em que a Casa de Rui tem maior tradição de estudos.

Veja a programação:
– 23 de março, 18h30: Conferência de abertura
Com Roberto DaMatta. Os Jogos Olímpicos no país do futebol: repensando o dilema brasileiro
Debatedor: Ricardo Benzaquen (PUC-Rio)
Local: FCRB- Auditório

– 30 de março, 17h: 1ª sessão – Olimpíadas de Paris, 1924
Filme: Carruagens de fogo, de Hugh Hudson (Inglaterra, 123 min., 1981)
Debatedor: Hernani Heffner (MAM-Rio)
Local: CPDOC-FGV- Auditório 307

– 27 de abril,17h: 2ª sessão – Olimpíadas de Berlim, 1936
Filme: Olympia, de Leni Riefenstahl (Alemanha, 121 min, 1938)
Debatedora: Mônica Kornis (CPDOC-FGV)
Local: FCRB- Auditório

– 25 de maio, 17h: 3ª sessão – Olimpíadas da Cidade do México, 1968
Filme: México 1968a última olimpíada livre, de Ugo Giorgetti (Brasil, 52 min., 2015)
Debatedor: Victor Melo (UFRJ)
Local: CPDOC-FGV- Auditório 307

– 22 de junho, 17h: 4ª sessão – Olimpíadas de Munique, 1972
Um dia em setembro, de Kevin MacDonald (Suíça, 94 min, 1999)
Debatedor: Gilmar Mascarenhas (Uerj)
Local: FCRB- Auditório

Aprendizagem móvel

Qual a melhor forma de aproveitar o poder, o crescimento e o custo acessível de tecnologias móveis para garantir que todos os estudantes recebam uma educação de alta qualidade? Essa é a grande pergunta do principal evento de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) da UNESCO, “Mobile Learning Week” 2016 (Semana da Aprendizagem por Tecnologias Móveis 2016), que acontece na sede da Organização, em Paris,  até o dia 11 deste mês.

O evento reúne especialistas em tecnologia de todo o mundo, representantes governamentais, especialistas em educação, gerentes de projeto, pesquisadores e parceiros da área de Educação. A ideia é que eles possam compartilhar experiências sobre a melhor forma de oferecer acesso e qualidade para garantir que todos os estudantes recebam a educação e a formação de que necessitam para participar plenamente na economia do conhecimento.

A Mobile Learning Week 2016 tem os objetivos da Agenda de Educação 2030 em sua essência. O Marco de Ação Educação 2030, acordado internacionalmente, estimula que os países aproveitem as TIC para “promover a aprendizagem de qualidade e eficaz”.

“Enquanto conversamos, a tecnologia está mudando e esta é a chance da UNESCO fazer um balanço anual das novas formas de alavancar a aprendizagem por meio das tecnologias. A Mobile Learning Week é um evento para a troca dinâmica de informações que traz especialistas de todo o mundo com o objetivo de melhorar o acesso e a qualidade da educação”, diz o especialista de Programa da UNESCO, Mark West, que está coordenando o evento.

Em todo o mundo, o acesso e a utilização de smartphones, computadores e tablets de baixo custo têm crescido enormemente. O evento irá explorar como as tecnologias podem ser utilizadas para alcançar novos alunos, conectar a educação ao trabalho, empoderar estudantes ao longo da vida e nivelar a igualdade para mulheres e meninas.

Também será abordado como a tecnologia pode enfrentar os desafios da educação, tais como escassez de conteúdos de aprendizagem, cursos mal planejados, currículo irrelevante, professores insuficientemente treinados e supervisão limitada. Um material educativo dinâmico, possível por meio de Recursos Educacionais Abertos, pode oferecer novos tipos de  aprendizagem eficaz em termos de custos relevantes para países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O evento deste ano ainda vai destacar as lições aprendidas com eventos anteriores de tecnologia educacional para garantir que novos investimentos em TIC melhorem significativamente a aprendizagem dos estudantes. O evento examinará três subtemas principais: tornar a educação de alta qualidade uma realidade para todos os estudantes; melhorar a pedagogia e a relevância da aprendizagem; e melhorar a gestão, planejamento e avaliação. Eles serão distribuídos por quatro eventos principais:

• Webinar (seminário online) em parceria com a Education Fast Forward (ong internacional) que abordará como e em que medida a tecnologia móvel pode facilitar a aprendizagem e reforçar a qualidade da educação. Trará participantes online de vários lugares do mundo para fazer perguntas aos oradores especialistas.

• Doze workshops para melhorar a capacidade dos profissionais de aprendizagem com tecnologias móveis por meio do compartilhamento de conhecimento.

• Simpósio de dois dias que reunirá representantes do governo, especialistas em educação, peritos de aprendizagem por meio de tecnologias móveis, gerentes de projeto, pesquisadores e parceiros da indústria para compartilhar estratégias para melhorar a qualidade bem como inovações de aprendizagem por meio de tecnologias móveis.

• Fórum político organizado em conjunto com a UIT ( União Internacional de Telecomunicações) para compartilhar ideias que promovam a aprendizagem por meio de tecnologias móveis e outras inovações tecnológicas com intervenções sobre políticas bem-sucedidas.

Quer saber mais? Acesse: www.unesco.org/new/en/mlw (em inglês).

Pererê em exposição

Um dos maiores quadrinistas do Brasil, Ziraldo, protagoniza exposição na Caixa Cultural Recife. Entre os dias 17 de março e 8 de maio, o espaço recebe a mostra “Pererê do Brasil”, que explora o surgimento, desenvolvimento e desdobramentos dos personagens do desenhista. A exposição pode ser visitada de terça a sábado, das 10 às 20h, e domingo, das 10 às 17h. A entrada é livre. A abertura, no dia 16 de março, conta com a presença do artista! No dia 17, Ziraldo recebe 40 crianças da Orquestra Criança Cidadã (OCC) para uma visita guiada, bate-papo e realização de alguns desenhos da Turma do Pererê.

O objetivo é valorizar os aspectos regionais da cultura brasileira e atrair tanto o público infantil quanto os apaixonados por quadrinhos de todas as idades. Todo o clima remete o visitante à Mata do Fundão, onde vive a Turma do Pererê. Sua trajetória é contada por meio de uma linha do tempo formada por diversas mídias, como TV, teatro, desenhos animados, quadrinhos animados em formato digital, material gráfico de produtos licenciados, publicações de revistas e livros de várias editoras, campanhas publicitárias e cartilhas educativas.

São reproduzidas as 43 capas da revista Pererê (O Cruzeiro/1960-1964) e as 10 capas da revista A Turma do Pererê (Editora Abril/1975-1976), restauradas e ampliadas. Revistas originais, pranchas com desenhos, livros, cartilhas e demais produtos e mídias das quais o Pererê e sua turma participaram também estão expostos em vitrines.

A Caixa Cultural fica na Avenida Alfredo Lisboa, 505 – Praça do Marco Zero. Recife – Centro Recife.