Os selecionados

Saiu o resultado da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis 2016. O festival recebeu 153 curtas-metragens. Desse número, foram selecionados 57 filmes brasileiros e seis estrangeiros. São Paulo é o estado que lidera a lista, com 22 títulos. Depois de SP, entre os estados com mais filmes selecionados, estão o Rio de Janeiro com sete; Minas Gerais e Santa Catarina com seis; Bahia, com cinco; e Espírito Santo com três. Na categoria internacional, há curtas do Chile, Venezuela, Colômbia, Canadá e Espanha. Entre os filmes brasileiros há 31 animações, 20 ficções e seis documentários. Já entre os estrangeiros são quatro animações, uma ficção e um documentário.

Para as produções nacionais, em parceria com a TV Brasil, o festival concederá quatro prêmios: Melhor Animação e Melhor Ficção, escolhidos pelo Júri Oficial; Prêmio Júri Popular, concedido pelo voto do público; e o Prêmio Especial, apontado por um júri formado por crianças. Todos receberão o prêmio aquisição da TV Brasil no valor de R$ 5 mil. Os seis melhores filmes estrangeiros recebem troféu da Mostra e serão exibidos em sessões especiais, com dublagem ao vivo.

Além das janelas competitivas, o festival apresenta sessões de filmes de curta e longa-metragem de todo mundo, destacando diretores e também realizando um fórum político. Realizada há 15 anos, a Mostra já fez mais de 500 mil espectadores e foi definitiva para desencadear políticas nacionais para o cinema infantil. A 15ª edição da Mostra ocorre no Teatro Pedro Ivo, de 2 a 10 de julho.

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL

1. A Árvore e o Beijo (de Cristiano Requião, RJ, ficção, 2015, 10’)
2. A menina e a fada da luz – Suelen encontra uma amiga (de Alan Nóbrega, RJ, animação, 2016, 7’35’’)
3. Amor é uma coisa (de Anderson Lima, SP, documentário, 2015, 2’35’’)
4. A mulher dos três desejos (de Alunos da Escola José Cupertino, ES, animação, 2015, 3’10’’)
5. A orelha de Van Gogh (de Thiago Franco, MG, animação, 2015, 10’50’’)
6. Aquitã, o indiozinho (de Frata Soares, RJ, animação, 2015, 4’15’’)
7. Aventure-se na leitura! (de Camila Cavalcanti Zeferino e Thayssa da Silva Telles, RJ, animação, 2015, 1’25’’)
8. A vida é tão boa (de Alcione Alves, SP, animação, 2016, 3’)
9. Bá (de Leandro Tadashi, SP, ficção, 2015, 14’10’’)
10. Bom dia pé de coco (de Coletivo Cinema e Sal, BA, documentário, 2015, 6’45’’)
11. Bubble (de Daniela Bragaglia e Marina Pinho, SC, animação, 2014, 1’20’’)
12. Cabeça de Ovo: Corridinha (de Erick Ricco, MG, animação, 2015, 1’05’’)
13. Cabeça de Ovo: Festinha (de Erick Ricco, MG, animação, 2015, 1’05’’)
14. Calendário do som – 26 de dezembro (de Rodrigo Lamy, SP, animação, 2015, 2’20’’)
15. Coisa-Malu (de Paula Cintra Ferreira e Tobias Rezende, SP, ficção, 2015, 15’)
16. Cordilheira de amora II (de Jamille Fortunato, MS, documentário, 2015, 12’)
17. Criança pergunta, criança responde: leis e regras (de Anderson Lima, SP, documentário, 2015, 3’35’’)
18. Entrevista de Emprego (de Thiago Penteado, PR, ficção, 2015, 14’)
19. Escargot (de Laira Ávila, Priscila Trifiletti e Ricardo Lobato, MG, animação, 2011, 1’15’’)
20. E.T. R.O.N.A.L.D.O (de Edison Rodrigues e Pedro Antoniutti, RS, ficção, 2015. 14’15’’)\
21. Fadas magrinhas (de Daniel Edmundson e André Hora, PE, animação, 2015, 3’25’’)
22. Fora da caixa (Edemar Miqueta, SC, animação, 2013, 4’30’’)
23. Grandes amigas (de Fernanda Turtera Masironi, SP, animação, 2015, 1’30’’)
24. H2Obby (de Fávia Lopes Trevisan, SP, animação, 2015, 3’50’’)
25. Hora do Lanchêêê (de Claudia Mattos, RJ, ficção, 2015, 14’50’’)
26. Insustentarte (deThiago Ottoni, GO, animação, 2015, 3’40’’)
27. Kafango (de Eduardo Souza Lima, RJ, documentário, 2016, 7’10’’)
28. Klaus e Asteróide (de Iliana Fantin, SC, animação, 2015, 4’)
29. Lápis sem cor (de Iuri Moreno, GO, ficção, 2016, 15’30’’)
30. Lena e o mundo do faz de conta (de Beatriz Buck e Lidiane Volpi, SP, ficção, 2015, 15’40’’)
31. Mãe de giz (de Almir Correia, PR, animação, 2015, 5’45’’)
32. Meninos e Reis (de Gabriela Romeu, SP, documentário, 2016, 16’05’’)
33. Meu pai (de Ana Luiza Azevedo, RS, ficção, 2014, 13’)
34. Meu tio que me disse (de Vanusa Angelita Ferlin, SC, ficção, 2015, 9’40’’)
35. Minha amiga repetente (de Anderson Lima, SP, ficção, 2015, 4’25’’)
36. Mitologia Afro-Brasileira – Iemanjá Yemoja: A criação das ondas (de Célia Harumi Seki, SP, ani-mação, 2016, 9’15’’)
37. Mundos Paralelos (de Alessandra de Almeida Martins, SP, animação, 2015, 1’05’’)
38. Não custa nada (de Edu Pereira, RJ, ficção, 2014, 14’)
39. No fim da trama (de Patrícia Monegatto, SC, ficção, 2016, 13’)
40. Número de série (de Jessica Queiroz, SP, ficção, 2015, 15’)
41. O bicho do buraco (de Alunos da Escola Benônio Falcão de Gouveia, ES, animação, 2015, 3’10’’)
42. O contrabaixo (de Ducca Rios, BA, animação, 2015, 1’30’’)
43. O jovem príncipe (de Ducca Rios, BA, animação, 2015, 3’)
44. O Melhor som do mundo (de Pedro Paulo de Andrade, SP, ficção, 2015, 13’)
45. O Menino e a Caixa Misteriosa (de Leonardo Maximiano e Andriele Torres, SP/RN, ficção, 2015, 8’20’’)
46. O monstro e a floresta (de Alunos da escola municipal Raimundo Medrado Primo, BA, animação, 2015, 4’30’’)
47. Os atrasos da Sol (de Alessandra de Almeida Martins e Henrique Ajala, SP, ficção, 2015, 10’40’’)
48. O sumiço da comida (de Ducca Rios, BA, animação, 2015, 7’)
49. Os Under-Undergrounds (de Nelson Botter Jr., SP, animação, 2015, 11’30’’)
50. Penedo (de Alunos da Escola Anacleta Schneider Lucas, ES, animação, 2015, 2’25’’)
51. Pólen pólen (de Leandro Teichimann, SP, animação, 2016, 3’25’’)
52. Por que vemos colorido? (de Fabiano Bomfim e Marcela Werkema, MG, animação, 2015, 3’10’’)
53. Profissão criança – A neurologista (de Anderson Lima, SP, ficção, 2015, 2’50’’)
54. Quem não tem cão (de Cíntia Domit Bittar, SC, ficção, 2015, 13’)
55. Sublime Cor do Teu Silêncio (de Fernando Fernandes, SP, ficção, 2015, 14’45’’)
56. Uótizap (de Marcelo Branco, MG, animação, 2015, 1’)
57. Virando gente (de Analúcia Godoi, SP, animação, 2013, 9’45’’)

MOSTRA COMPETITIVA INTERNACIONAL

1. Cuerdas (de Pedro Solís, Espanha, animação, 2014, 10’)
2. Dent sucrée – Sweet tooth (de Paméla Bisson, Canadá, ficção, 2015, 7’50’’)
3. El columpio (de George Rojas, Venezuela, animação, 2016, 8’50’’)
4. Guillermina y Candelario – A história da feiticeria (de Marcela Rincón Gonzáles, Colombia, animação, 2013, 12’)
5. Pichintun (de Patricio Peloso, Chile, animação, 2015, 7’50’’)
6. The cloud machine (de Claudia Menendez, Chile, documentário, 2013, 5’35’’)

Consulta pública

 

Nos últimos anos, a sociedade brasileira vem percebendo a importância dos recursos hídricos. Não apenas por uma questão de economia, mas também de sustentabilidade. Para quem não sabe por onde começar a se envolver com o tema, fica a dica: termina no dia 1º de maio a consulta pública destinada a revisar as prioridades do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), referente ao período 2016-2020. Para participar basta acessar este link e responder ao questionário.

A contribuição de todos os cidadãos é fundamental para que o plano possa colaborar cada vez mais com uma gestão efetiva e descentralizada dos recursos hídricos. Podem ser apresentadas sugestões sobre as prioridades do Plano ou propor novos temas que mereçam atenção no próximo ciclo. A consulta pública, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU), está aberta no portal Participa.br. Lá estão disponíveis informações adicionais sobre o assunto, além de um manual explicativo sobre a forma de participação e dois questionários específicos, um voltado à sociedade em geral, e outro dirigido aos atores do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH).

Aprovado em 2006 e revisado pela primeira vez em 2011, o Plano Nacional de Recursos Hídricos visa orientar a implementação da política nacional e o gerenciamento dos recursos hídricos, nas esferas federal e estaduais, para os próximos cinco anos. Os resultados desta segunda revisão serão consolidados em um documento final, a ser encaminhado para deliberação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH).

72 horas: inscrições abertas

Terminam, neste sábado, dia 30, as inscrições para a 3ª edição do 72 Horas Rio Festival de Filmes, que acontece este ano entre os dias 7 de maio e 26 de junho. O evento tem o objetivo de estimular a produção de conteúdo audiovisual brasileiro e criar redes criativas e produtivas e lança o desafio de produzir um curta-metragem no prazo de 72 horas. Uma série de oficinas será oferecida aos participantes inscritos, em parceria com o Museu de Arte do Rio, o Centro Cultural da Light e colaboração de profissionais e escolas audiovisuais.

Como é de praxe, no dia do lançamento oficial do 72Horas Rio Festival de Filmes (26 de maio às 18hs no Museu de Arte do Rio) serão anunciados uma frase, um objeto e um “corte criativo” que devem ser inseridos nas produções com a finalidade de garantir que os filmes sejam produzidos durante o festival. As imagens dos filmes devem ser captadas na Zona Portuária, no Centro Histórico do Rio de Janeiro, na Lapa e na Glória dentro dos limites geográficos de um mapa fornecido pela organização. No encerramento do prazo, no dia 29, as equipes terão de entregar os filmes finalizados e todos participarão das mostras competitivas e não-competitivas (que serão realizadas entre os dias 10 e 19 de junho).

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas online, no site oficial do Festival. Para concorrer, os curtas-metragens inscritos devem ter até 6 minutos de duração, incluindo créditos. Após finalizada, a obra deve ser entregue em um PenDrive dentro de um envelope junto com toda a documentação exigida no regulamento. Todos os filmes devem atender as especificações do 72horas Rio Festival de Filmes.

O júri, composto por cineastas, produtores e profissionais de audiovisual, irá distribuir prêmios em 17 categorias: Primeiro, segundo e terceiro melhor filme, Ficção, Documentário, Animação, Filme pelo celular, Direção, Roteiro, Edição, Cinematografia, Trilha sonora, Ator, Atriz, Maquiagem, uso inovador de elementos criativos e Júrí Popular. Os melhores filmes serão exibidos e premiados em um evento com tapete vermelho no Cine Odeon, dia 25/06.

Para mais informações, acesse o site do Festival.

Vagas para crítica e roteiro

A edição do Festival Varilux de Cinema Francês deste ano traz uma novidade. Pela primeira vez, o evento realizará um seminário cinematográfico voltado para profissionais experientes ou com menos tempo no mercado. A Oficina de Crítica Cinematográfica será ministrada pelo crítico francês Jean-Michel Frodon, ex-diretor da redação da revista “Cahiers du Cinéma”. O foco estará na reflexão sobre a linguagem cinematográfica e diálogos da expressão desta linguagem com a sociedade. A aula será realizada no Hotel Sofitel Copacabana, Rio de Janeiro, nos dias 10, 11, 13 e 14 de junho em horário integral.

O público alvo da atividade será de pesquisadores e profissionais de crítica e teoria cinematográfica. A seleção será feita através de envio de carta de intenção, currículo resumido com apontamento de duas críticas publicadas em veículo especializado. As inscrições poderão ser feitas até o dia 10 de maio. Serão abertas ao todo 15 vagas.

E como já tem acontecido nas edições anteriores, o festival também promoverá a quinta edição da Oficina Franco-Brasileira de Roteiros Audiovisuais, que este ano, além de ser oferecida no Rio, acontecerá também no Recife. As aulas serão ministradas por especialistas franceses, sob a coordenação de Francois Sauvagnargues, diretor geral do FIPA (Festival International de Programmes Audiovisuels). A oficina do Rio de Janeiro será dividida em três temas – roteiros para TV, cinema e comédia, e, no Recife, na modalidade formatos para televisão. O objetivo da oficina é qualificar o trabalho desenvolvido por roteiristas brasileiros profissionais através do intercâmbio com renomados roteiristas franceses. As aulas acontecem entre 6 a 11 de junho, no Rio de Janeiro, e 13 a 17 de junho, no Recife.

As inscrições para as oficinas de roteiro também vão até o dia 10 de maio. Os interessados devem enviar projetos de roteiros que serão analisados pela direção do festival e o coordenador da oficina. Os projetos/participantes selecionados deverão ser representativos de uma diversidade de narrativas, gêneros e temáticas, além da diversidade geográfica.

A oficina de roteiro do Rio conta com apoio da RioFilme, ABPITV, ICAB, e do Conservatório Europeu de Escrita Audiovisual. No Recife, a iniciativa conta com o apoio do Consulado Geral da França em Recife, da Aliança Francesa de Recife, da Secretaria de Estado de Cultura de PE, do Centro Audiovisual Norte Nordeste – CANNE e da Portomídia.

Acesse o site do evento.

MASP para crianças

O MASP inaugurou, no último dia 7 de abril, a exposição Histórias da infância, que reúne múltiplas e diversas representações da infância de diferentes períodos, territórios e escolas, da arte africana e asiática à brasileira, cusquenha e europeia, incluindo arte sacra, barroca, acadêmica, moderna, contemporânea, e a chamada arte popular, bem como desenhos feitos por crianças, posicionados no mesmo espaço, ao lado das demais obras.

Esta é a primeira mostra da nova gestão, iniciada em 2014, a ser realizada com empréstimos externos, de outras instituições e colecionadores particulares. A exposição tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico; Fernando Oliva, curador; e Lilia Schwarcz, curadora-adjunta de histórias; e ocupa os espaços expositivos do 1º andar e 1º subsolo do museu até o dia 31 de julho de 2016.

Histórias da infância reúne cerca de 200 trabalhos, entre obras e desenhos de crianças, e se organiza em torno de núcleos temáticos permeáveis. No primeiro andar, há retratos, representações de família, imagens de educação e de brincadeiras, crianças artistas, crianças anjos e, por fim, a morte; no primeiro subsolo, surgem os temas da natividade e maternidade. Obras icônicas do MASP — como O escolar (1888), de Van Gogh, Rosa e azul (1881), de Renoir, Retrato de Auguste Gabriel Gaudefroy (1741), de Chardin, e Criança morta (1944), de Portinari — aparecem em novos contextos, transversais e contemporâneos, em justaposição a trabalhos de todas as épocas.

A expografia com painéis suspensos, que não formam salas fechadas, permite uma articulação entre os diversos núcleos e trabalhos. A exposição dialoga com Playgrounds 2016, no 2º subsolo e Vão Livre, mediante o jogo, o lúdico, e a brincadeira, e com um programa de oficinas de desenho, iniciado em janeiro de 2016, e que se estende até o final exposição. Deste modo, a mostra reconhece e inclui as histórias das próprias crianças: em pé de igualdade com os demais trabalhos, serão expostos desenhos feitos por elas nos anos 1970, anos 2000, e mais recentemente em 2016, todos do acervo do museu. É importante lembrar que eles não estarão em uma sala ou seção específica, apartados do conjunto, mas integrados aos demais trabalhos, conferindo a eles uma situação de equilíbrio, para um diálogo possível e sem hierarquias pré-estabelecidas pela expografia. O museu entende que há muito o que aprender com esses desenhos, essas trocas e essas histórias.

A altura média em que as obras costumam ser expostas foi rebaixada da medida padrão, de 1.50 m para 1.20 m (na galeria do 1º andar) e para 1.30 m (no 1o. subsolo), buscando tanto um olhar mais direto da criança quanto uma maior aproximação corporal. Outra ação decisiva no contexto pedagógico foi o convite a artistas contemporâneos para conduzirem oficinas com crianças, caso de Rivane Neuenschwander, Cinthia Marcelle, Nicolás Robbio, Lays Myrrha, Thiago Martins de Melo e Thiago Honório. O museu entende esta ação como uma outra maneira, inédita e experimental, de se relacionar com as ideias e a produção destes artistas.

Histórias da infância, ao resgatar alguns dos temas que permeiam a idade infantil, não organiza as obras de maneira cronológica, mas justapõe trabalhos de diferentes períodos, buscando novas aproximações e fricções. Por exemplo, no 1º subsolo, acontecem diálogos entre pinturas e esculturas de Nossa Senhora, Menino Jesus e fotografias de amas de leite, evidenciando imagens de maternidade e natividade. Também estão no mesmo espaço obras de Thiago Martins de Melo, Adriana Varejão e Cássio M’Boy, além de uma escultura de Nossa Senhora do Rosário, do século 19, que pertenceu ao casal Lina Bo e P. M. Bardi; um conjunto de marfins indo-portugueses retratando o Menino Jesus, da coleção do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro; e uma escultura contemporânea, de madeira e gesso, de Edgar de Souza.

De forma similar, no 1o andar do museu, retratos de crianças nobres e abastadas são colocados ao lado de retratos de crianças de origens menos favorecidas, enfatizando não só o contraste social, mas também as diferenças culturais e de tratamento da imagem da infância em épocas diversas. É o caso, por exemplo, da obra Rosa e azul (as meninas Cahen D’Anvers), de Renoir, de 1881, que estará justaposta à fotografia de Barbara Wagner, da série Brasília Teimosa, de 2005. Enquanto a primeira ilustra duas irmãs de uma família aristocrática francesa, em trajes luxuosos, no fim do século 19, a segunda retrata dois meninos, que também parecem irmãos, em trajes de banho, na praia Brasília Teimosa, em Recife.

Histórias da infância se insere num projeto do MASP de friccionar diferentes acervos, desrespeitando hierarquias e territórios entre eles. Nesse sentido, são também histórias descolonizadoras e assumem um sentido político – há um entendimento de que as histórias que podemos contar não são apenas aquelas das classes dominantes, ou da cultura europeia e suas convenções visuais. Assim, integra um programa mais amplo de exposições sobre diferentes histórias(múltiplas, diversas e plurais), para além das narrativas tradicionais – Histórias da loucura e Histórias feministas(iniciadas em 2015), Histórias da sexualidade (em 2017) e Histórias da escravidão (em 2018). São outras histórias, que incluem grupos, vozes e imagens que foram reprimidas ou marginalizadas, nas quais se inserem as crianças e sua maneira de ver o mundo.

O curador Fernando Oliva destaca que “a relação entre o MASP, as crianças e suas formas de expressão é pioneira no Brasil e remonta aos anos iniciais do museu, fundado em 2 de outubro de 1947, e ao trabalho sistemático de Suzana Rodrigues (1919-2010), educadora que, em 3 de abril de 1948, apenas seis meses após a inauguração do museu, abria ao público de 5 a 12 anos o Club Infantil de Arte. A formação educativa era, não por acaso, um dos pilares do projeto de museu moderno concebido pelo casal Lina Bo (1914-1992) e Pietro Maria Bardi (1900-1999), arquiteta e diretor-fundador do MASP, como provam suas primeiras mostras, a partir de 1947, as Exposições Didáticas, com percursos explicativos pela história da criatividade humana desde a antiguidade”. Oliva afirma que “Suzana Rodrigues entendeu de imediato esta proposta e deixou evidente a importância do papel formativo e ético no ensino das crianças que frequentavam os cursos do MASP. Ela falava com frequência sobre a construção de indivíduos íntegros, educados intelectual, emocional, estética e moralmente, capazes de agir de maneira cooperativa. Outro pilar de seu projeto era propiciar um ambiente adequado para, em suas palavras, dar à criança condições dela se expressar como ela quiser.”

Histórias da infância busca reencenar algo daqueles desejos dos educadores e das crianças que participaram dos momentos iniciais do MASP, especialmente no que se refere às noções de respeito pela individualidade da criança e de criação de um espaço para que ela pudesse se expressar, evitando sempre que possível o dirigismo nas atividades propostas.

No limbo

No Limbo, documentário francês, de Antoine Viviani, participa do 21o Festival Internacional de Documentários – É tudo verdade, que acontece nas cidades do Rio e São Paulo. O documentário concorre na categoria de longas e média-metragens. A trama é bem interessante e bastante atual. Recorrendo ao artifício de um misterioso espírito que adentra a rede global criada pela internet, o documentário explora algumas das grandes questões destes nossos tempos digitalizados. Que tipo de civilização está sendo construída? Que lugar ocupam agora a memória, a arte e o esquecimento? Que novas possibilidades se abrem?

Instigante, não?

Acesse a programação do festival

Cinema Infantil

Já estão abertas as inscrições nacionais para o 14º Festival Internacional de Cinema Infantil – FICI 2016. Serão aceitos curtas e longas-metragens brasileiros direcionados ao público infantil, com bitola de exibição DCP ou DVD. As inscrições deverão ser feitas até o dia 2 de maio através do site do festival.

Os curtas-metragens selecionados para o 9º Prêmio Brasil de Cinema Infantil serão exibidos em mostras competitivas e três títulos serão contemplados com o prêmio no valor de R$ 7.000,00 em serviços de finalização oferecidos pela Afinal Filmes.

Por que os sábios vivem mais?

Do El País
Por Maria Talavera

O que têm em comum Michelangelo, Verdi e Picasso? Não é apenas a genialidade que os une. Os três viveram muitos anos e estiveram criando até o final de suas vidas. Michelangelo, já em sua nona década, projetou a cúpula da basílica de São Pedro. Verdi, aos 80, compôs Falstaff, uma das suas melhores óperas. Picasso continuou trabalhando de modo incansável praticamente até o dia da sua morte, aos 91 anos. Há muitas outras referências de longevos famosos que labutaram até o final. Como o escritor e economista francês Stéphane Hessel, que aos 93 anos – três antes de morrer – escreveu Indignai-vos! (Leya Brasil, 2011), um livro com enorme repercussão na sociedade, especialmente entre os jovens; ou a sobrevivente mais idosa dos campos de extermínio nazistas, Alice Herz-Sommer, que viveu 110 anos e nunca deixou de tocar piano. O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer continuou na ativa mesmo depois de centenário; a bailarina Martha Graham dançou, aos 90, a coreografia de A Sagração da Primavera, de Stravinski; a cientista italiana Rita Levi-Montalcini, ganhadora do Nobel de Medicina, continuou fazendo pesquisas até os 100 anos; e o cineasta português Manoel de Oliveira, que morreu no ano passado aos 106, rodou seu último filme um ano antes. Incrível, não?

Segundo a filóloga e coach Gloria Méndez, não é preciso ter qualidades especiais para gozar de uma vida plena: “É totalmente democrático, não há exceções. Todo mundo pode fazer com que sua vida tenha mais vida dentro dela. Estar 100% vivo depende só de nós mesmos.” O psiquiatra Fraiz recolheu ao longo de mais de 20 anos uma base de dados documentais com aproximadamente 6.000 centenários famosos.

Perguntado sobre qual é o segredo para uma vida longa, Fraiz responde que, apesar de os hábitos saudáveis, a genética e os cuidados médicos influírem, o principal fator comum entre todos os centenários é a capacidade de recuperação, a disposição para se manterem ativos enquanto for possível, o otimismo e um forte senso de propósito em suas vidas. “Há pessoas que aos 70 anos começam a pintar, escrever, fazer fotografia, passear pelo campo… Tem a ver com as inquietações. Muitos morrem porque não sabem aproveitar. E há casos de gente que passa por situações terríveis e mesmo assim consegue se recuperar, como os centenários que pesquisei e que haviam estado em campos de concentração. A mera esperança de sair dali já era um incentivo para eles. Como se dissessem a si mesmos: ‘Hoje não me rendo, talvez amanhã ou depois, mas hoje não”.

Independentemente da longevidade de cada um, a filósofa e consultora Mónica Cavallé observa que as pessoas que vivem de forma mais plena são aquelas movidas pelo amor, não pelo medo; movidas pelo afã de crescer, de se aventurar e de descobrir; as que assumem que as perdas e ganhos são indissociáveis do fato de estar vivo, e experimentaram o poder transformador das perdas; as que perseguem sua felicidade individual, mas também se entregam a valores e causas maiores que si mesmas. E aquelas que são espiritualmente ricas e não temem o passar do tempo, despedindo-se com elegância de tudo aquilo que os anos levam consigo.

Kiddle para crianças

Com informações do AdNews e do TechTudo

Crianças navegando com segurança na web. É o que promete o sistema de buscas Kiddle, lançado recentemente. Trata-se de uma versão do buscador do Google para as crianças. O sistema de buscas veta qualquer possibilidade de acesso dos pequenos aos conteúdos adultos que inundam a “internet de gente grande”.

A página segue um layout bastante parecido o Google original, mas devidamente inserido em sua proposta, com um robô que funciona como um “guardião” do buscador e outros infantis ilustrativos. Os algoritmos utilizados na ferramenta fazem uma triagem que exibe apenas conteúdos “comportados” para os mini usuários, ainda que a palavra buscada tenha algum tipo de assunto indevido relacionado, e barra temas que considera inapropriados para o público.

O mascote é um “robô” virtual e a interface, amigável e colorida, está disponível apenas em inglês. Segundo o site, os resultados ocultam opções enganosas ou com material para adultos como nudez, violência, drogas e outros assuntos muito populares em toda a rede.

Quando é feita uma busca na plataforma, os três primeiros resultados mostram páginas feitas especialmente para as crianças, conferidos pelos editores do Kiddle. Do item 4 até o 7 estão sites confiáveis com conteúdo simples. E o restante dos resultados, a partir do link 8, aparecem páginas famosas, que podem ser escritas por adultos, com controle de filtros do Google Safe Search.

Na busca do Kiddle, alguns termos de pesquisa são totalmente bloqueados e exibem apenas um alerta, sendo indicados como “bad words” (palavras ruins, em português) tais como “sexo” e até o nome de algumas celebridades do entretenimento adulto como Pamela Anderson e a revista “Playboy”. O interessante no visual do “Google para Crianças” é que os resultados são exibidos com fonte grande em Arial, para uma leitura simplificada para os pequenos e oferecem imagens também maiores.

Infância selvagem

Por Maria Isabel Amando de Barros
Engenheira florestal e mestre em Conservação de Ecossistemas.
Trabalha com educação e conservação da natureza. 

Uma das mais famosas citações sobre o valor do mundo natural vem de Henry Thoreau, poeta, filósofo e naturalista que ajudou a forjar a forma como entendemos hoje a necessidade de conservar a natureza: In wildness is the preservation of the world, traduzido livremente como “Na dimensão selvagem está a preservação do mundo”.

Mas o que quis dizer Thoreau com dimensão selvagem? Para ele, essa dimensão estava associada a uma essência, a um estado de ser, definida primordialmente por liberdade, automotivação e auto-organização. A dimensão selvagem tão cara a Thoreau não está no manejo florestal, no manejo de populações de animais silvestres, na vigilância onipresente que desejamos implantar na natureza por meio de GPS, drones e satélites. Está na essência de uma dimensão que nós, seres humanos, não controlamos.

E, então, quais são as oportunidades concretas que temos de nos aproximarmos da dimensão selvagem citada por esse pensador? Quais são as fronteiras que cruzam a realidade entre a civilização e a natureza? Para mim, há algumas experiências e momentos nos quais o ser humano pode ter esse encontro, e um deles é a infância.

Quando assistimos ao documentário Território do Brincar (disponível na plataforma Video Camp), uma iniciativa que procura registrar as sutilezas e a espontaneidade do brincar, uma pergunta logo emerge: por que raramente vemos esse brincar potente, autônomo, livre e auto-organizado dentro das cidades, das escolas, dos espaços das crianças?

Pressinto que uma das pistas para responder a essa pergunta é: onde está a dimensão selvagementendida aqui como Thoreau a entendeu -, ou seja, onde está a liberdade, a automotivação e a auto-organização das crianças dentro das escolas e das casas, no ambiente urbano?

Quase não está mais. Cedeu espaço para o controle, a pressa, a mediação do brincar, a superproteção, a vigilância, a pressão do “ter que fazer” e aprender alguma coisa. Penso que esses elementos suprimem a combinação de três fundamentos essenciais, mas não os únicos, que embasam a expressão da dimensão selvagem na infância:

1) Tempo: um tempo solto, sem horários ou atividades propostas por adultos, que não se mede pelo relógio, mas pela entrega ao brincar. Quando o Unicef perguntou para crianças entre 8 e 13 anos sobre o que mais contribui para o seu bem-estar, a resposta foi clara, simples e unânime: tempo (particularmente com as famílias), amigos e “ar livre”. O que nos leva ao próximo elemento.

2) Espaço natural, aberto, repleto de desafios, explorações, esconderijos e “partes soltas”: inúmeras pesquisas citadas por Richard Louv no livro Last Child in the Woods, mostram que um brincar mais criativo, alerta, físico e igualitário emerge em ambientes naturais. Dada a opção, a criança escolhe brincar nos cantos mais remotos e desestruturados de um determinado lugar.

3) Liberdade e autonomia: para expressar sua pulsão interna, sua vontade, seu arbítrio, sua capacidade de se auto-organizar no processo do brincar. Liberdade física e de movimento, de arriscar e errar, de se perder e se achar, de ir e vir. Aqui cabe também citar a terceira dimensão do limite, descrita por Yves de La Taille em seu livro Limites: três dimensões educacionais. Nele, o autor diz que as crianças precisam e têm o direito à intimidade e ao segredo.

Para finalizar, gostaria de propor uma reflexão sobre este último elemento, tão caro às crianças. Para muitas delas, não há mais tempo sem adultos por perto, nós estamos sempre lá: as divertindo, restringindo, entretendo, propondo atividades, brincadeiras, passeios, o que fazer, como fazer, quando fazer. Em suma, controlando. Entretanto, há muitos aspectos das experiências das crianças que estariam melhores se elas fossem deixadas sozinhas. Em privacidade.

Ausência de controle não significa abandono. Certa vez, conheci uma educadora de uma comunidade no sul da Bahia que me disse: “Aqui, não brincamos com as crianças. Aqui, as crianças brincam sozinhas”. Por quê? “Para que elas tenham a oportunidade de descobrir o seu próprio brincar e não o de algum adulto. Porque, em pouco tempo, o adulto cansa de brincar e vai fazer outra coisa”. Ao adulto basta estar presente, por inteiro, presenteando a criança com a escuta e o olhar sensíveis.

Ausência de controle tampouco significa falta de disciplina, crianças malcriadas ou rebeldes. Determinação e vontade não significam egoísmo, e autonomia – em relação si mesmo – não é sinônimo de desrespeito aos outros.

Acredito que nós, adultos, precisamos encontrar o equilíbrio entre ambientes preparados e o caos imprevisível da natureza; mediação e auto-regulação; estímulos e tédio;  segurança e risco; presença e ausência. Precisamos aceitar ter menos controle sobre as crianças. Precisamos acreditar que, sim – como mostra o belíssimo Território do Brincar –, as crianças sabem brincar se lhes é dada a oportunidade de serem selvagens –autônomas, mestres, espontâneas, competentes e livres.

Que nós possamos honrar a dimensão selvagem que há em cada criança. Que a sua pulsão seja reconhecida como valorosa e digna e possa expressar-se em toda sua beleza e naturalidade.

Política e crianças

Por Maria Alice Setubal
Socióloga e educadora. Doutora em psicologia da educação.

A crise política vivenciada pelo Brasil tem se mostrado repleta de radicalismos e polarizações, abordados por inúmeros artigos e reportagens na mídia. A gravidade da intolerância e das discriminações, assim como da incapacidade de ouvir o outro, são evidentes não apenas dentro do Congresso, mas no dia a dia das pessoas comuns. Um exemplo é o caso relatado nas redes sociais de uma médica pediatra que recusou atendimento à filha de uma vereadora do PT. Tamanha violência tem influenciado até mesmo discussões desvinculadas da política, levando a casos extremos, como o da invasão de um gabinete de uma juíza por um homem que tentou queimá-la viva.

Toda essa violência e intolerância também interferem no universo infantil, e atualmente vemos crianças xingando políticos (muitas vezes encorajadas pelos pais) ou mesmo agindo de formas mais agressivas com seus colegas. Em meio a um cenário tão conturbado, como as famílias e as escolas devem tratar de política com os pequenos?

Recentemente, li um post muito simples, mas muito coerente, que pode servir de referência nesse momento. Ele sugeria que, junto às crianças, o adulto:

  1. Não use frases de violência
  2. Não use xingamentos ao se referir a pessoas contrárias à sua posição ideológica
  3. Fale sobre a necessidade de conviver respeitosamente com todos, inclusive aqueles que não concordam com você
  4. Ensine sobre respeito ao outro
  5. Aja de forma pacífica, mesmo em casa assistindo aos noticiários
  6. Tenha paciência para responder aos muitos porquês
  7. Mostre esperança e confiança no futuro

Os adolescentes e jovens também precisam de apoio e orientações em momentos políticos e sociais tão conturbados. Para eles, o exercício da cidadania implica autonomia, empoderamento e participação. O desejo de agir junto à sociedade é expresso por muitos jovens na criação de coletivos, escolas de ativismo e movimentos que cobram transparência da ação pública e buscam intervir na política. É importante que todas essas ações encontrem espaços dentro da escola. Para que os jovens possam colaborar com a construção de uma sociedade mais justa e sustentável, é necessário que a eles sejam oferecidas condições para o desenvolvimento de sua autonomia, de modo que sejam capazes de atuar em prol de mudanças de outros mundos possíveis.

Um bom começo pode ser a implementação de grêmios dentro das escolas, de projetos de educomunicação ou ainda o incentivo à criação de intervenção nos problemas da comunidade. Neste contexto, as tecnologias (como celulares, computadores e máquinas fotográficas e filmadoras) podem possibilitar que as novas gerações exerçam o papel de protagonistas nas comunidades, reais ou virtuais. Exemplos são a criação de petições e abaixo-assinados para a resolução de problemas, as campanhas de financiamento coletivo para a realização de ações culturais e sociais e a criação de reportagens e vídeos nos quais as opiniões dos jovens são expressas. Assim, as conexões entre indivíduos são facilitadas, e criamos espaços de debate e convergência de interesses.

Para participarmos da vida em sociedade de forma mais cidadã, precisamos retomar o espaço comum, a busca pelo diálogo, pela cooperação e pelo compromisso. Afinal, como podemos educar nossos filhos sem darmos o exemplo de racionalidade e ponderação política? Novos mundos podem ser possíveis se fundamentarmos nossas ideias em valores relacionados ao cuidado de si, dos outros e do planeta. Para isso, as relações devem ser mais horizontais, voltadas ao coletivo e não centrada no indivíduo; pautadas pelo respeito, e não pelo ódio.