Mestres bonequeiros

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acabou de lançar um livreto em homenagem aos mestres bonequeiros vencedores do Prêmio Teatro de Bonecos Popular do Nordeste – Mamulengo, Babau, João Redondo e Cassimiro. Publicado em 2015, o edital contemplou 37 bonequeiros, sendo oito prêmios in memoriam, totalizando 45 premiados de 10 estados brasileiros. Além de imagens, apresentação e breve relato dos mestres bonequeiros, o livreto traz mapa e lista dos premiados por estado. A pedido dos próprios bonequeiros, o edital priorizou a premiação de mestres idosos. Assim, dentre os critérios de participação, os candidatos deveriam ter acima de 55 anos de idade e no mínimo 20 anos de brincadeira. Como resultado, 78% dos premiados têm 60 anos ou mais.

Faça aqui o download do livreto

O Prêmio Teatro de Bonecos Popular do Nordeste – Mamulengo, Babau, João Redondo e Cassimiro Coco foi uma ação de salvaguarda oriunda de deliberações realizadas entre o Iphan e os próprios bonequeiros no contexto da formulação de um plano de salvaguarda para o Bem Registrado. Além dessa premiação outras ações de salvaguarda têm sido elaboradas e desenvolvidas em cada um dos quatro estados onde foi identificada a ocorrência da expressão cultural (Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco). Para realização dessas atividades as superintendências estaduais do instituto têm articulado o diálogo direto com os bonequeiros e apoiado a conformação de parcerias locais com órgãos governamentais e instituições privadas, muitas das quais já desenvolviam ações de valorização ao Teatro de Bonecos Popular do Nordeste, e, sobretudo, apoiado associações dos próprios bonequeiros, resultando na configuração de uma ampla rede de cooperação atuante na promoção do bem cultural registrado.

O maior desafio nesse processo de salvaguarda tem sido o de manter uma gestão participativa e inclusiva assegurando aos mestres bonequeiros o direito de participar ativamente nos processos estatais de tomada de decisão. Assim o Iphan, em articulação com os parceiros locais, tem buscado atuar em consonância os objetivos da Convenção da Salvaguarda de 2003 da UNESCO e do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), promovendo uma gestão patrimonial que prima pela ampliação permanente do grau de participação dos detentores dos bens culturais na condução da política pública.

Fim do desperdício

Fonte – Meio & Mensagem

A Hasbro anunciou nesta semana uma versão “imperfeita” do personagem Sr. Cabeça de Batata. Com isso, a gigante mundial de brinquedos chama a atenção para o desperdício de alimentos considerados “feios” mas próprios para o consumo. A iniciativa é fruto de uma parceria com a rede britânica de supermercados Asda e traz um personagem que não é assimétrico, mas torto e batizado de “Wonky Mr. Potato Head”. A versão não está a venda e está sendo leiloada no eBay. O valor arrecadado será destinado ao FareShare, instituição que distribui alimentos para pessoas carentes.

A discussão sobre o fim do desperdício de alimentos que são considerados “feios”, mas próprios para consumo, ganhou escala em 2014 quando a rede francesa Intermarché lançou a campanha “Frutas e Vegetais Inglórios” comprando de seus fornecedores produtos que iam para o lixo por não se enquadrarem ao padrão exigido.

Atualmente, o Brasil joga fora diariamente mais de 40 mil toneladas de alimentos que, em sua maioria, podem ser aproveitados. De acordo com o Banco de Alimentos, essa quantidade alimentaria 19 milhões de pessoas.

 

Nova rede social

Da BBC Brasil

Há 12 anos, o engenheiro turco Orkut Büyükkökten ficou famoso no Brasil ao emprestar seu nome para o site que popularizou no país o conceito de mídia social. Agora, ele está de volta com uma nova – e ambiciosa – empreitada na área: a rede social Hello, que chega ao Brasil em julho. A Hello foi apresentada oficialmente na semana passada como uma rede para fazer e manter “amizades profundas” com outras pessoas com base em interesses e paixões mútuos e onde o “medo e o ódio não têm vez”. É a forma como o criador do Orkut acredita poder ajudar a resolver uma questão que vem afastando algumas pessoas desse tipo de serviço.

“Desde que lançamos o Orkut, as redes sociais evoluíram muito, mas nem sempre de uma forma boa. Estudos mostram que, hoje, elas deixam muita gente triste ou ansiosa”, opina Büyükkökten em entrevista à BBC Brasil. “Uma pessoa usa o Facebook pensando na forma como quer ser percebida publicamente, interage com os outros tentando passar uma certa imagem, mas isso não é autêntico nem divertido. Queremos mudar isso e ser a próxima geração das redes sociais.”

O engenheiro dá o exemplo de um casal de amigos que está se divorciando, mas publicou recentemente um post em que pareciam bastante felizes em um piquenique no parque. “Ao mesmo tempo, ver essa ‘vida feliz’ dos outros nos deixa com medo de estarmos perdendo algo em nossas próprias vidas. Uma rede social não pode ter esses efeitos. Ela deveria tirar o melhor das pessoas.”

O jeito de fazer isso, segundo ele, é gerar conexões entre as pessoas com base no que elas mais gostam. Seja entre amigos e conhecidos ou entre quem ainda não se conhece. Ao criar seu perfil, o usuário responde a um questionário com 60 perguntas para identificar sua personalidade e depois elege os cinco assuntos que mais lhe interessam. Há uma lista com cem possibilidades, que vão desde itens corriqueiros, como ser apaixonado por cães ou esportes, até outros mais incomuns, como gostar de nudismo, striptease ou “observar pessoas”.

Isso determina o tipo de publicações que serão vistas por um membro da rede social. As características pessoais e interesses podem ser atualizados ao longo do tempo. O usuário ainda ganha pontos, chamados “moedas Hello”, ao gerar conteúdo próprio – texto ou fotos – e ao conquistar curtidas e comentários em seus posts. Esses pontos podem ser acumulados – ou comprados – para elevar a categoria ou nível de um perfil, como ocorre com um personagem de videogame, ampliar o alcance de uma publicação ou ainda postar anonimamente.

Desde o Orkut, diz Büyükkökten, as redes sociais passaram por muitas mudanças – e uma das principais é a forma de acesso, que ocorre cada vez mais exclusivamente pelo celular.

Por isso, em sua segunda incursão neste universo, o engenheiro criou um serviço que não pode ser acessado por navegadores, mas só por meio do aplicativo, disponível para iOS e Android.Brasileiros e redes sociais

A nova rede social já está disponível em cinco países de língua inglesa – Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Irlanda e Reino Unido. Em breve, chegará a outros países (e em outros idiomas), como França, Alemanha, México e também no Brasil, onde será lançada no próximo mês, segundo seu criador, e não em agosto, como indicado no site da rede social.

“Isso exige um esforço muito grande, porque existem centenas de milhares de verbos e expressões em cada língua, e queremos garantir que temos a melhor tradução possível.” Büyükkökten diz ter ficado “honrado” com a repercussão entre os brasileiros do lançamento de sua nova rede social nos país, que consta com frequência nas listas dos que mais usam redes sociais no mundo.

“A cultura brasileira é por si própria muito social , então, acho que é por causa disso que há uma alta adoção desse tipo de site pelos brasileiros. Não vamos decepcionar vocês.”

Valente não é violento

As Nações Unidas acabam de lançar um concurso de vídeos para estudantes do Ensino Médio e profissionais de audiovisual. O “concurso de vídeos de 1 minuto: o valente não é violento” traz o tema “Como seria o mundo sem as imposições sociais em relação ao que é esperado de homens e mulheres?” Os vencedores terão seu vídeo exibido por canais da ONU Brasil durante os ’16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres’, celebrados mundialmente de 25 de novembro a 10 de dezembro.

O concurso é realizado pela ONU como parte da iniciativa regional O Valente não é Violento da campanha do secretário-geral das Nações Unidas “UNA-SE Pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. O objetivo é celebrar o direito de todas e todos a uma vida plena e com dignidade – sem discriminações de gênero, raça, etnia e orientação sexual. A ação busca também estimular papeis sociais que empoderem as mulheres e meninas: nas escolas, na vida profissional, na política, nos esportes, entre outros.

As pessoas interessadas podem concorrer enviando suas inscrições e vídeos até o dia 30 de setembro de 2016.

As inscrições estão disponíveis aqui.

Os vídeos devem ter a duração máxima de 1 minuto e podem ser realizados nos mais diferentes formatos: minidocumentário, ficção, animação, sequência de fotos, textos ou desenhos, matéria jornalística, entre outros. “O valente não é violento” é uma iniciativa da ONU, vinculada à campanha “Una-se pelo fim da violência contra as mulheres”, que tem como objetivo estimular a mudança de atitudes e comportamentos dos homens, enfatizando a responsabilidade que devem assumir na eliminação da violência contra as mulheres e meninas.

Cinema infantil: 15 anos

A 15ª edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis abre nesta sexta-feira, dia 1º de julho, no Cinema do CIC com o Fórum Cinema e Educação e segue no sábado e domingo, dias 2 e 3, com lançamento de curtas e longas no Teatro Pedro Ivo. A programação vai até o dia 10.

Acesse aqui a programação completa

Somente no sábado de abertura, no Teatro Pedro Ivo, ocorre a pré-estreia de três longas-metragens nacionais com a presença dos realizadores para uma conversa com adultos e crianças. Em cartaz, As aventuras do Pequeno Colombo, de Rodrigo Gava; O que queremos para o mundo?, de Igor Amin; e A Família Dionti, de Alan Minas.

No hall do Centro Administrativo, onde está localizado o Teatro Pedro Ivo, tem café, sala de leitura da Biblioteca Barca dos Livros e Livraria. Nos finais de tarde tem Palquinho da Mostra. Além da programação no Pedro Ivo, são realizados cineclubes da Mostra nas escolas, Mostras Itinerantes e o Circuito Estadual de Cinema Infantil nos municípios catarinenses.

A programação de domingo, 3 de julho, abre com O Pequeno Príncipe, filme francês que marca a primeira adaptação animada da obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry, e terá também sessão de curtas do longa japonês O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata, baseada num conto popular.

Arquitetura paisagística

De 8 a 10 de setembro, será realizado o 4º Congresso Internacional de Arquitetura Paisagística, que ocorrerá em São Paulo, no Auditório Ariosto Mila da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo/FAUUSP. O tema do evento é “Cidade Acolhedora”.  O objetivo é conhecer a produção contemporânea, debater os caminhos da arquitetura paisagística e contribuir com a melhoria da qualidade das cidades para todas as pessoas.

O encontro é uma iniciativa da ABAP – Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas e do Grupo de Disciplinas de Paisagem e Ambiente do Departamento de Projeto da FAUUSP, que conta com o patrocínio do CAU BR – Conselho de Arquitetura
e Urbanismo do Brasil. Entre os convidados, estarão Cristina Felsenhardt (Chile) e João Ferreira Nunes (Portugal/Itália), que apresentarão suas respectivas produções paisagísticas, Brian Davis (EUA), que trabalha com rios urbanos na América Latina e Gert Gröening (Alemanha), que tratará de agricultura urbana e paisagem comestível.

O evento também contará com as palestras de Eduardo Barra, Luiz Vieira, Silvio Macedo, Letícia Hardt, José Tabacow, Paulo Pellegrino e Catharina Lima. O Congresso terá, além das conferências, sessões para apresentação de projetos e pesquisas, exposição de trabalhos, lançamento de livros, celebração dos 40 anos da ABAP, concurso nacional de estudantes e visitas técnicas a obras de Rosa Kliass, Benedito Abbud e Sergio Santana na cidade de São Paulo. As inscrições já estão abertas.

Saiba mais no site do congresso

Salão do livro: 18 anos

O 18º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens já começou. Os interessados têm até o dia 19 de junho para participar da festa e, é claro, aproximar mais ainda a garotada do universo dos livros. A expectativa dos organizadores é que o evento receba mais de 40 mil visitantes. Além dos tradicionais estandes das editoras, lançamentos, performances de ilustradores, autógrafos e rodas de leitura, o salão promove o seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós, nos dias 13, 14 e 15 de junho. Entre os temas abordados: a Literatura Infantil e Juvenil na Espanha e o Plano Municipal do Livro, Leitura e Biblioteca.

Confira aqui a programação do seminário

Neste ano, o evento também contará com três bibliotecas específicas para cada público (bebê, criança e jovem) e com os Encontros Paralelos FNLIJ/Petrobras. Para essa atividade não é necessária inscrição, apenas o pagamento do ingresso. Na pauta: Acessibilidade à leitura infantil e juvenil; a leitura infanto-juvenil na graduação de pedagogia; e a biblioteca da escola e a contribuição para formação do educador. A lotação máxima para esses encontros é de 40 pessoas.

Confira aqui a programação dos encontros paralelos

A edição deste ano recebe como país convidado a Espanha, e contará com a participação de escritores, ilustradores e especialistas, que traçarão um panorama da literatura infantil e juvenil do país. Um livro será entregue gratuitamente a cada criança e jovem que visitar o salão.

Salão FNLIJ
De 8 a 19 de junho de 2016
Centro de Convenções Sul América – Av. Paulo de Frontin, 1, Cidade Nova, Centro, Rio de Janeiro

Horário
Segunda a sexta | 8h30 às 17h
Sábados e domingos | 10h às 18h

Ingresso – R$ 6,00
Gratuidade para maiores de 60 anos, portadores de deficiência, professores da rede municipal do RJ e instituições que trabalham com crianças e jovens de comunidades de baixa renda, pré-agendadas com a FNLIJ

 

Abuso e exploração sexual

Por Raquel Gutierrez de Azevedo
Advogada, graduada em Direito, Pós-Graduanda em Direito Civil e Direito Processual Civil
Integrante da Rede Brasileira Infância e Consumo

Artigo originalmente publicado no site da Rebrinc

Costumamos mencionar a antiga história da Chapeuzinho Vermelho ao alertar crianças sobre os perigos oferecidos por estranhos, especialmente em se tratando de meninas solitárias. Assim, para proteger nossas crianças – especificamente de abusos sexuais –, enfatizamos ao educá-las que, caso não falem com estranhos, permanecerão seguras.
O dia 18 de maio é conhecido como “Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” e a campanha “Faça Bonito”, implementada pelo Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual, nos convida a refletir sobre o alarmante número de abusos sexuais contra as crianças e adolescentes e, mais do que isso, tomar dianteira no combate, participando de sua prevenção e denúncia. Mas, se somos incisivos em dizer às nossas crianças para não falarem com estranhos, por que esse número continua alto? Não seria fácil perceber quando um adulto desconhecido viola uma criança sexualmente?

Infelizmente os abusos não ocorrem apenas nessas circunstâncias, e, num misto de autonegação e de tentar proteger nossas crianças, não as preparamos para compreender que é possível outros sujeitos como abusadores, podendo ser alguém conhecido ou, aqueles que mais precisam protegê-las. De fato, segundo o Mapa da Violência de 2012, de Júlio Jacob Waiselfisz, 10,2% dos casos de abuso são feitos pelos pais; 10,3% pelos padrastos, 2,2% por mães; 2,6% por irmãos; 28,5% por conhecidos/amigos da família: e 17,9% por desconhecidos (essa não deve ser desconsiderada, especialmente com o aumento do acesso à internet e facilidade de contato de crianças com propensos abusadores).
Ainda, a violência sexual não se configura apenas com o ato sexual, mas de outras formas, como carícias pelo corpo, sexo oral, exposição de órgãos sexuais para as vítimas, apresentar materiais pornográficos e assistir junto com as vítimas, ou simplesmente, olhá-las tomarem banho, se trocarem, etc.

Dentro do gênero violência sexual (qualquer violação aos direitos sexuais de uma criança, com o uso de poder, violência e subordinação) estão os subgêneros abuso (utilizar a criança/adolescente para satisfação dos próprios desejos sexuais) e exploração sexual (usar o corpo da criança/adolescente para extrair algum dinheiro). O adulto abusador considera a vítima como sua posse e desprovida de personalidade, portanto, de direitos, enquadrando-as em uma situação de rígida hierarquia. A quebra do silêncio é improvável pois, além de sentirem dever obediência ao agressor, as vítimas têm medo de represálias e, principalmente, de não serem levadas a sério.

Vale ressaltar que temos uma cultura dominantemente adultocêntrica, a qual nos faz olhar para a criança não como um sujeito de direitos, mas sim como uma etapa necessária para se tornar adulto. Dessa forma, os investimentos feitos na infância não são para o agora, mas sim visando o seu eu futuro. Ao ser objetificada, passa a ser natural a ideia de que a criança “pertence ao adulto” e que seus pais e responsáveis – e demais figuras de autoridade – possuem poderes perante elas, que são silenciadas e devem apenas obedecer. O abuso sexual de alguém vista como objeto que deve obediência passa a ser de certa forma invisibilizado e “tolerado”.

O quadro se agrava quando fazemos um recorte de gênero: também conforme o Mapa da Violência de 2012, 83,2% dos casos de abuso denunciados as vítimas são de meninas. Tal fato pode ser explicado pela nossa sociedade patriarcal, que trata as mulheres como pertencentes ao homem e desprovidas de personalidade. Assim, as meninas são duplamente objetificadas: primeiro como crianças, depois como mulheres, sendo subjulgadas pelo homem adulto a qual pertencem.

A ideia de mulher-objeto já atinge nossas meninas com o fenômeno cada vez mais crescente da adultização precoce. Cada vez mais as vemos usando produtos de beleza, maquiagem, roupas, sapatos e acessórios como se fossem adultas (prática corroborada pela mídia e setor publicitário) e, concomitantemente, reproduzem comportamentos que não são compatíveis com sua faixa etária (como exemplo, meninas que participam de concursos de beleza, funkeiras mirins, vlogueiras, etc). Da mesma maneira com que as mulheres são naturalmente culpadas pelas violações que sofrem aos seus direitos sexuais, as meninas também são julgadas por “provocarem” o agressor, aquele que realmente teria que zelar pela integridade da criança, e não ameaçá-la.

O Direito trata do assunto primeiramente com seu Artigo 227, da Constituição Federal, que dispõe ser dever do Estado, pais e sociedade garantir todos os direitos fundamentais a crianças e adolescentes, além de proteger seu peculiar desenvolvimento de qualquer ameaça. Mais ainda, esse artigo determina que a lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.

A prática de Estupro Contra Vulnerável, Corrupção de Menores e Favorecimento a Prostituição ou outra forma de exploração sexual a crianças e adolescentes é criminalizada pelo Direito (Código Penal, Artigos 217, 217 – A, 218, 218 – A e 218 – B), e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também traz outros dispositivos que criminalizam a violência sexual contra crianças e adolescentes.

Mas não podemos esperar que o Direito solucione sozinho esse grave problema social. A lei não é suficiente para proteger a infância da violação de seus direitos sexuais. É necessário que nós, sociedade, também façamos nossa parte. Mais do que condenar os abusadores, precisamos refletir sobre como vemos e tratamos nossas crianças: realmente as enxergamos e ouvimos? Deixamos a desejar em sua proteção e as tornamos alvos fáceis tanto em casa quanto na rua?

A campanha “Faça Bonito” é uma política pública feita pelo Estado que visa chamar a atenção da sociedade para essa prática bárbara, corriqueira e silenciosa que é o abuso sexual infanto-juvenil, e tem um efeito considerável no aumento das denúncias desses casos. Contudo, mais do que denunciar, é necessário prevenir; é necessário que todos nós, como sociedade e como indivíduos, sejamos chamados a repensar nossa ideia de infância e olharmos as crianças como realmente são, sujeitos de direitos, para enfim lhes conferir a proteção integral que tanto necessitam, incluindo o saudável desenvolvimento sexual.

Muito mais do que metáforas relacionadas ao perigo oferecido por estranhos, precisamos manter um diálogo aberto com os nossos filhos sobre violência e abuso sexual, a fim de lhes dar confiança para falar de qualquer problema sem medo de não ser levada a sério. Além disso, é importante prestar atenção em qualquer sinal de mudança de comportamento e saber com quem o seu filho se relaciona.

Educomunicação em debate

De 13 a 18 de junho, acontece o II Colóquio Mato-grossense de Educomunicação e o I Seminário Virtual de Práticas Educomunicativas. Promovido por pesquisadores do Curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e sócios da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPeducom), o evento – presencial e virtual – tem o objetivo de discutir a contribuição da Educomunicação aos projetos de extensão universitária. Na pauta de discussões: a educomunicação a partir do protagonismo juvenil, empoderamento, direito à comunicação, projetos de extensão, webjornalismo, jornalismo ambiental, educomunicação socioambiental e práticas educomunicativas.

Acesse o site e veja como participar

Serão quatro mesas de discussões, sendo que uma será presencial, na cidade de Alto Araguaia-MT – com transmissão pela Internet -, e as outras três serão no formato de webconferências, com palestrantes de diversas cidades brasileiras. Os trabalhos em formato de artigos, relatos de experiência e pôsteres serão discutidos nos fóruns temáticos, num processo dialógico entre autores e público. Todos os trabalhos constarão nos Anais do evento, sendo que alguns serão selecionados pela Comissão Científica para serem publicados em e-Book.

Confira, abaixo, a programação das mesas redondas:

Dia 13 de junho – 14 horas (4h)
Minicurso: Práticas educomunicativas no Jornalismo
Evento presencial com transmissão online
Mediadora: Me. Eveline dos Santos Teixeira Baptistella (Unemat e ABPEducom-MT)

Participantes:
Profª. Drª Cláudia Lago (SBPJor, NCE-USP e ECA-USP)
Prof. Dr. Claudemir Edson Viana (ECA-USP, NCE-USP e ABPEducom)
Jornalista Me. Maria Célia Rehder (Campanha Nacional pelo Direito à Educação e NCE-USP)
Prof. Esp. Carlos Lima (Núcleo de Educomunicação da SME-SP)

Dia 13 de junho – 19 horas (4h)
Mesa de Abertura:
Evento presencial com transmissão online

Participantes:
Prof. Dr. Alexandre Gonçalves Porto (Pró-reitor de Extensão e Cultura – Unemat)
Prof. Dr. Rodrigo Bruno Zanin (Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação – Unemat)
Prof. Me. Carlos Alberto Caetano (Conselho Estadual de Educação do MT e do Conselho da Promoção da Igualdade Racial)
Profª. Abilene Antônia Bastos de Queiróz – Secretária Municipal de Educação de Alto Araguaia
Profª. Drª. Gislaine Aparecida de Carvalho (Diretora do Campus AIA – Unemat)
Profª. Me. Juvenal Neto (Diretor da Falect – Unemat)
Prof. Me. Ulisflávio Oliveira Evangelista (Unemat – Grupo de Pesquisa Educom)
Profª. Me. Eveline dos Santos Teixeira Baptistella (Unemat e ABPEducom-MT, Grupo de Pesquisa Educom)
Profª. Me. Antonia Alves Pereira (Unemat e ABPEducom-MT, Grupo de Pesquisa Educom)
Profª. Me. Rosana Alves de Oliveira (Unemat e ABPEducom-MT)
Profª. Me. Marli Barboza da Silva (Unemat e ABPEducom-MT)

Mesa redonda: Educomunicação no ensino superior de Jornalismo (3h)
Evento presencial com transmissão online
Mediadora: Profª. Me. Antonia Alves Pereira (Unemat – ABPEducom-MT)

Participantes:
Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares (ECA-USP e ABPEducom)
Profª. Drª Cláudia Lago (SBPJor, NCE-USP e ECA-USP)
Prof. Dr. Claudemir Edson Viana (ECA-USP e ABPEducom)
Prof. Dr. Benedito Dielcio Moreira (UFMT)
Prof. Me. Carlos Alberto Caetano (Conselho Estadual de Educação do MT e do Conselho da Promoção da Igualdade Racial)
Jornalista Me. Maria Célia Rehder (Campanha Nacional Educação e NCE-USP)
Prof. Esp. Carlos Lima (Nucleo de Educomunicacao SME/SP – São Paulo)
Prof. Me. Leandro Rodolfo Resende (Seduc-MT)

Dia 14 de junho – 14 horas (4h)

Mesa 1: Projetos de extensão universitária, gestão da comunicação e protagonismo dos acadêmicos
Webconferência com discussões pelo Moodle
Mediadora: Profª. Me. Marli Barboza da Silva (Unemat e ABPEducom)

Participantes:
Profª. Drª Rosane Rosa (UFSM)
Prof. Me. Claudio Messias (UFCG)
Prof. Dr. Claudemir Viana (USP)
Profª. Me. Antonia Alves Pereira (Unemat)
Profª. Me. Eveline dos Santos Teixeira Baptistella (Unemat)
Prof. Me. Ulisflávio Oliveira Evangelista (Unemat)

Dia 14 de junho – 19 horas (4h)

Mesa 2: Direito à comunicação, empoderamento e protagonismo juvenil
Webconferência com discussões pelo Moodle
Mediadora: Profª. Me. Rosana Alves de Oliveira (Unemat e ABPEducom-MT)

Participantes:
Jornalista: Bruno Ferreira (Revista Viração)
Jornalista: Marcus Tavares (Revista Pontocom)
Jornalista: Maria Célia Rehder (Campanha Nacional Educação e NCE-USP)
Jornalista: Cristiane Parente (ABPEducom e Pesquisadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Doutoranda em Educação para os Media)
Prof. Esp. Carlos Lima (Nucleo de Educomunicacao SME/SP – São Paulo)
Prof. Jesualdo Freitas de Freitas (SME-POA-RS)

Dia 15 de junho – 14 horas (4h)

Mesa 3: Webjornalismo, Jornalismo ambiental e Educomunicação socioambiental
Webconferência com discussões pelo Moodle
Mediador: Prof. Me. Ulisflávio Oliveira Evangelista (Unemat)

Participantes:
Jornalista: Gisele Neuls (Sistema Ambiental Paulista)
Jornalista Débora Menezes (Educom Verde)
Jornalista: Sucena Shkrada Resk (Blog Cidadãos do Mundo e Instituto Centro de Vida – ICV)
Professora Me. Ana Carolina Araújo e Silva (Unemat)

Criança não trabalha

Por Laís Fontenelle
Psicóloga. Autora do Blog Infância de Clarice

 

“Lápis, caderno, chiclete, pião
Sol, bicicleta, skate, calção
Esconderijo, avião, correria, tambor, gritaria, jardim, confusão
Bola, pelúcia, merenda, crayon
Banho de rio, banho de mar, pula cela, bombom
Tanque de areia, gnomo, sereia, pirata, baleia, manteiga no pão
Giz, merthiolate, band-aid, sabão
Tênis, cadarço, almofada, colchão
Quebra-cabeça, boneca, peteca, botão, pega-pega, papel, papelão
Criança não trabalha, criança dá trabalho
Criança não trabalha”

Grupo Palavra Cantada.

Simples e sábias palavras da letra da música do grupo Palavra Cantada que nos mostrou com leveza e poesia do que realmente as crianças devem estar cercadas nessa peculiar fase da vida que é a infância. Mas, infelizmente essa não é a realidade que circunda muitas das infâncias brasileiras e ao redor de todo mundo. Muitos são os abusos que assolam as nossas crianças no seu cotidiano e talvez o mais triste, ainda hoje, seja a vigência do trabalho infantil que rouba as horas de brincadeira, convivência e aprendizagem de muitos de nossos pequenos marcando sua saúde física, emocional e também sua trajetória.

Dia de luta

12 de Junho não é somente uma data comercial comemorada no Brasil que homenageia os namorados convocando-os a troca de carinhos e presentes que enchem nossas timelines nas redes sociais com corações e declarações. Vale lembrarmos que a mesma data é de luta internacional pelo combate ao trabalho infantil e por isso merece nossa atenção e reflexão. Devemos entender Trabalho infantil como toda forma de trabalho exercido por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima legal permitida para o trabalho- conforme a legislação de cada país. Vale destacar que a exploração do trabalho infantil é muito mais comum em países subdesenvolvidos ou considerados emergentes, como o caso do Brasil, onde em regiões mais pobres e isso se deve, principalmente, à necessidade de se compor a renda familiar.

Geralmente o trabalho infantil é proibido por lei e nos casos mais nocivos, considerados pela convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 1999, como trabalho escravo, exploração sexual, maus tratos e pornografia de menores são considerados crime com pena de prisão, como no caso do Brasil. De acordo com a legislação de cada país há uma idade mínima para que as crianças comecem a trabalhar. Antes disso as atividades laborais são então consideradas ilegais e, portanto, criminosas.

Legislação Brasileira

Em nosso país o trabalho infantil é proibido legalmente sob qualquer condição para crianças e adolescentes entre zero e 13 anos. Segundo nossa Constituição Federal de 1988 aos 14 anos já é possível se começar a trabalhar como menor aprendiz e dos 16 aos 18 anos o trabalho é permitido com algumas restrições tais como: as atividades laborais não podem acontecer entre 22 e 5 horas, em condições insalubres ou perigosas e não fazerem parte da lista citada acima das piores formas de trabalho infantil.

Vale destacar que no Brasil, a consolidação das leis de trabalho garante também ao trabalhador adolescente entre 14 e 18 anos, uma série de proteções especiais, detalhadas em seu Capítulo IV (artigos 402 a 441). Entre elas, a proibição do trabalho em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, moral e social, e em horários e locais que não permitam a frequência à escola (artigo 403, § único). A CLT concede, também, ao trabalhador estudante menor de 18 anos, o direito de fazer coincidir suas férias com as férias escolares (artigo 136, § 2º).

Em números

O labor infantil tem sua história confundida com a própria história do trabalho, estando presente nas mais diversas sociedades ao longo dos tempos. Há referências à utilização de crianças e adolescentes no trabalho desde os períodos mais remotos, como aqueles em que o ser humano dependia exclusivamente da agricultura para sobreviver, até os dias atuais, nas mais diversas atividades e com alguns novos formatos e contornos (como é casos na internet)- apesar de sua proibição legal.

Um relatório de 2013 da OIT apontou que 168 milhões de crianças e adolescentes exerciam algum tipo de atividade laboral e que 5 milhões estavam submetidas a trabalhos forçados- inclusive em condições de exploração sexual e de servidão por dívidas. E o mais triste é saber que as atividades mais comuns exercidas por crianças estão na lista das consideradas crimes como aliciamento para o tráfico de drogas, exploração sexual e o próprio trabalho doméstico.

Um pouco de história

Sabe-se que a mão-de-obra infantil participou ativamente no processo de desenvolvimento das antigas civilizações semeando, colhendo e guardando rebanhos. Existem relatos, inclusive, de menores trabalhadores desde os três anos, em minas, olarias e embarcações. Em tempos bíblicos existem referências de exploração de crianças escravas e relatos de famílias judias que ao retornarem do exílio acabavam reduzindo seus filhos a escravos como moeda de troca por alimentos.

Na Europa medieval, documentos comprovam que crianças eram submetidas a péssimas condições de trabalho até na neve, sendo expostas a ferimentos provocados pelo trabalho e como se não bastasse, recebiam maus tratos autorizados pelos próprios pais.

Durante o período da industrialização do trabalho é sabido que nas metalúrgicas e minas de carvão crianças lidavam com o ferro e pesados vagões para o transporte do produto desde os cinco anos de idade e faleciam antes mesmo de chegar aos 25 anos.

Já no período da Revolução Industrial em muitos países as famílias deixaram o ambiente familiar para trabalhar nas fábricas, levando inclusive as crianças e as submetendo a um rígido sistema de produção. E em momentos de crise econômica o emprego infantil até passou a competir com o dos adultos, situação que fez surgir propostas concretas de redução da jornada infantil.

Sobre a relação da história do trabalho infantil no Brasil vale lembrar que desde o início da colonização as crianças negras e indígenas foram incorporadas ao trabalho das fazendas. Mas, a partir do desenvolvimento socioeconômico do país a forma do trabalho infantil mudou e com a chegada da revolução industrial por aqui houve a inclusão da mão-de-obra infantil a custos mais baixos, particularmente na indústria têxtil.

Já no século XX, com o boom da urbanização crianças e adolescentes nas cidades entraram no setor laboral informal, principalmente em oferta de serviços e atividades ilícitas (tráfico de drogas, prostituição, etc.)

Por fim faz-se importante ressaltar que o direito do trabalho nasceu somente com a sociedade industrial já que no período pré-industrial não havia ordenamento jurídico e assim, predominava o regime de escravidão.

Crianças na web: entretenimento ou trabalho?

Nos dias de hoje temos assistido impunemente a um tipo de atividade infantil na web com o crescimento dos blogueiros e youtubers mirins, pequenas celebridades que viraram febre na internet e que detém milhões de seguidores em suas páginas nas redes sociais ou em seus canais do youtube. O conteúdo produzido, exposto e compartilhado por essas crianças vai desde merchandising e demonstração de produtos até criações originais como funk ostentação, receitas e dicas de culinária ou aulas de fitness.

O que devemos prestar atenção é que essas crianças e sua capacidade de influenciar pares e criar moda já foram identificadas pelo mercado que os tem abordado com “presentinhos ou brindes” em forma de produtos que acabam sendo anunciados pelas crianças em seus canais. Essa banal e inocente “publicidade” feita e assistida pelas crianças tem passado batido aos olhos de pais e mães, mas preocupado aqueles que trabalham na defesa dos direitos da infância conforme reportagem recente http://www.consumidormoderno.com.br/2016/05/04/youtubers-mirins-trabalho-infantil/

Criança – sujeito de direitos

Nossa Constituição Federal já previu em seu art 227 que nossas crianças são prioridade absoluta em nosso país. Elas devem ter acesso a todos seus direitos e, principalmente, a vivência de uma infância plena. Não devemos, portanto seguir descumprindo a legislação ao permitir ou apoiar o trabalho infantil.

A infância é o tempo da formação da personalidade, valores e do conhecimento e o trabalho se torna um impeditivo para concretização dessas tarefas – imprescindíveis para o exercício de vida futura cidadã. Façamos valer os direitos de nossas crianças. Diga Não ao trabalho infantil.

Por uma mudança ambiental

Por Eduardo Coccaro
Estudante de graduação na Universidade da Pensilvânia, estudando Filosofia, Política e Economia.
É interessado em desenvolvimento sustentável.

Deu no New York Times: “atletas olímpicos não deveriam nadar no esgoto.” Um soco no estômago, um tapa na cara. O descaso com o sistema hídrico no Rio de Janeiro, particularmente no que diz respeito aos dejetos que são diariamente jogados na Baía de Guanabara, é uma verruga na cara da cidade maravilhosa. Mas o artigo em questão fugiu do ponto principal. Choque e indignação na mídia a essa altura do campeonato podem levar a alguns pedidos em prol da saúde de atletas aqui e ali. A verdadeira lástima, no entanto, consiste no acesso limitado que muitos cariocas enfrentam em relação à água potável e uma rede de esgoto confiável.

Até pouco tempo atrás, o Rio Carioca, que dá seu nome aos habitantes da cidade, era mais um exemplo deste descaso, servindo de escoamento para lixo e esgoto. Em 2014, porém, sob a liderança de Silvana Gontijo, nasceu o projeto “O rio do Rio,” empenhado em recuperar este patrimônio ambiental e cultural. O objetivo do projeto, desde seu início, foi muito além de apenas limpar o rio. Ao contrário de outras iniciativas fracassadas, como a tentativa de limpar os efluentes da foz do Carioca na praia do Flamengo, Gontijo e seus colaboradores decidiram promover uma mudança de mentalidade da população em geral em relação aos recursos hídricos.

Com o apoio da Ooze Architects, escritório de arquitetura holandês especializado em projetos ligados à ecologia, e da Arcadis, empresa de infraestrutura internacional, sistemas de tratamento de esgoto e captação d’água foram implementados, avançando o objetivo de limpar o Rio Carioca completamente. Com a construção da infraestrutura necessária praticamente finalizada, os idealizadores da revitalização do Carioca se depararam com a tarefa de assegurar que o rio não voltasse a ser poluído pelas comunidades que o cercam.

Desde sua nascente no Parque Nacional da Tijuca, o rio tem potencial para atrair visitantes que se dirigem ao Cosme Velho e o Cristo Redentor. Assim sendo, moradores de comunidades próximas à nascente, como Cerro-Corá, Guararapes e Vila Cândido, tem a ganhar com o desenvolvimento de ecoturismo focado no rio e sua relação com a floresta da Tijuca.

Para garantir que futuras gerações continuem a apreciar a importância de preservar e zelar pela qualidade de recursos hídricos, Gontijo criou a Turma do Planeta, uma série de livros ilustrados que visa introduzir crianças à educação ambiental. Com uma série de jogos pedagógicos online que complementam suas versões impressas, os livros da Turma do Planeta fazem com que menores sintam maior respeito pela natureza e criem gosto em explorá-la.

Adicionalmente, a campanha de mudança cultural planeja inserir um novo modelo educacional nas escolas próximas ao rio, contratando 46 professores para o ensino fundamental e mais 44 para o ensino médio. Estes educandos terão a missão de unir disciplinas tradicionais com uma mensagem conservacionista, a fim de formar mais cidadãos cientes da importância de cuidar da frágil bacia hidrográfica carioca.

Para quem e para quê?

Por Diana Díaz-Soto
Diretora do Señal Colombia.
Coordena o projeto de comunicação cultural e infância para a área de comunicações do Ministério de Cultura da Colômbia. 

Artigo publicado originalmente no site ComKids

Em uma oficina sobre recomendações de qualidade para conteúdos infantis que realizamos com um grupo de estudantes de animação 3D e design para a comunicação gráfica, insistimos na importância de se ter claro o “para quê?” e o “para quem?” de qualquer projeto educativo, ainda mais quando ele está dirigido ao público infantil. Um dos aspectos que reiteramos foi a importância de se ter a premissa clara, como um sol que ilumina todo o caminho do projeto, que nos indica o norte e enfatiza a pertinência de nosso produto ou conteúdo.

Alguma criança expressou que ela consumia, todos os dias, conteúdos que, segundo ela se atrevia a dizer, não tinham premissa ou propósito. Ela argumentava que eles não saíam daquela “fórmula” dos dois bonequinhos animados que lutavam até a morte enquanto o espectador morria de dar risada. Claro, interpelei, há conteúdos que não têm um propósito que vá mais além de encher de brincadeiras os tempos de ócio das audiências e de dinheiro os bolsos dos criadores, graças à monetização das visitas recorrentes e da publicidade.

Ainda que essa intenção possa ser legítima é também pertinente nos perguntarmos se cada conteúdo que se publica não pode ser uma oportunidade de se trazer à tona a qualidade tanto no conteúdo quanto na forma. Se é possível existir um compromisso mais profundo quanto a um propósito que vai além de simplesmente “matar o tempo”. São inquietações que têm a ver com a dimensão que os criadores dão a seus papeis de comunicadores sociais, ao impacto de seus conteúdos nas audiências, à possibilidade de gerar identificações culturais, emocionais e cotidianas, de abrir horizontes e de servir de espelho para todos.

Para criar conteúdos de qualidade que realmente aportem conhecimentos desde suas diferentes linguagens, plataformas e meios, fortalecendo a dimensão cultural dos cidadãos, é necessário investigar, conhecer os públicos, ver, pensar, criar, a partir da definição a respeito do “para quem” eles estão dirigidos – um nicho, uma comunidade, um grupo humano que se reconhece, que se pesquisa, que se indaga e se aprofunda – e a respeito do “para quê?” – um propósito claro que orienta a proposta, o processo e o produto.

Eu sou tão reiterativa com esse ato de perguntar sempre o “para quê?” de qualquer ideia, que eu mesma faço a piada, como se fosse uma locutora de rádio: “E agora tocaremos o sucesso ‘Para quê?’”.  Antes de pôr uma ideia em movimento, nós precisamos ter claro como essa proposta pode chegar a ser inserida no catálogo de experiências dos cidadãos, precisamos saber o quanto ela pode ser pertinente e necessária e como pode ser viável e relevante para os públicos nos quais estamos pensando.

Daí vem a transcendência da pergunta “para quem?”. É fácil afirmar que o público é geral, que é para todo mundo, que é familiar, mas essa amplitude torna ambíguo o interlocutor e faz com que os criadores percam a possibilidade de falar a um grupo humano em concreto, com características e interesses similares. Direcionar um programa a um nicho de audiência nos permite tomar decisões específicas quanto à narrativa, à linguagem audiovisual, à estética, aos diálogos, aos conflitos, à configuração de valores, entre outros aspectos que permitem engajar as audiências a partir de sua identificação com histórias e personagens que lhe são próximas e com as quais estão relacionadas.

Não foram poucas as vezes nas quais fui testemunha – e também vivi – de que quando se tornam óbvias as perguntas sobre o “para quê?” e o “para quem?” de uma iniciativa os resultados se reduzem a assuntos estéticos e conseguem entreter, mas o conteúdo evapora, se torna efêmero. É assim como aquilo que acontece quando uma pessoa não sabe para onde quer ir, qualquer ônibus que ela tomar lhe servirá. Qualquer ideia é boa e, com segurança, o resultado pode ser algo sem transcendência.

Mídias no Brasil de 2020

Da Tela News

A receita global do setor de mídia e entretenimento deve atingir US$ 2,14 trilhões em 2020 – um aumento de 4,4% ao ano, de acordo com a pesquisa Global entertainment and media outlook 2016-2020, da PwC. No Brasil, a previsão de crescimento anual é de 6,4% ao ano até 2020, superior à média global, devido principalmente a gastos mais expressivos com publicidade na TV, acesso à internet e à TV e vídeo. O faturamento total do setor de mídia e entretenimento no país deve chegar a US$ 48,7 bilhões em 2020.

As projeções, no Brasil e na média global, recuaram em relação à edição anterior, divulgada em 2015. No ano passado, esperava-se aumento da receita global de 5% ao ano e, no Brasil, de 10% ao ano até 2019. Os resultados globais foram influenciados pela retração da economia da China, que levou à queda no setor de mídia e entretenimento chinês. No Brasil, contribuíram para a redução dos números a desvalorização do real em relação ao dólar e a recessão na economia. Em 36 dos 54 países onde a pesquisa foi realizada, o mercado de mídia e entretenimento tem crescido mais do que o PIB. É o caso do Brasil.

Segundo a PwC, com crescimento médio composto anual projetado de 6,4% até 2020, o mercado de mídia e entretenimento no Brasil deverá ser estimulado principalmente pelo aumento do investimento em publicidade na Internet, que deve crescer 14,6% ao ano até 2020. Outros destaques: gastos com acesso à Internet (9,2% ao ano), publicidade na TV (8,6% ao ano) e TV e vídeo (3,5% ao ano), que inclui aluguel e compra de filmes e assinatura de TV paga.

O gasto esperado com acesso à Internet no país em 2020 é de US$ 17 bilhões. Em 2020, o Brasil deverá se tornar o quarto maior mercado mundial de internet móvel, com 175 milhões de assinantes, à frente do Japão, Rússia e México. Com isso, o consumo de dados em dispositivos móveis deverá aumentar 500% em 2020 em relação a 2015.

No país, a publicidade na TV permanece como o meio preferido dos anunciantes – 50% dos gastos totais com publicidade são direcionados a essa mídia. O crescimento projetado do setor é de 8,6% ao ano até 2020, quando deverá atingir US$ 7 bilhões. O aumento do investimento em TV online deverá ser ainda mais expressivo, com um aumento médio de 46% ao ano. Com o aumento dos investimentos em publicidade na plataforma digital, estima-se que a TV aberta perca market share para os demais segmentos online.

Os gastos dos consumidores com o segmento de TV e vídeo, que inclui acesso a serviços de TV por assinatura, filmes, vídeos e outros conteúdos (incluindo a venda e aluguel de filmes), devem chegar a US$ 11 bilhões, com cerca de 6 milhões de novos assinantes de TV por assinatura comparado com 2015, atingindo uma penetração de 33% dos domicílios brasileiros. Provedores de conteúdo de vídeo no formato streaming, como Netflix e YouTube, continuarão a representar uma concorrência importante para a TV paga. O Brasil já ocupa o 7º lugar no ranking internacional de países em gastos com TV e vídeo e deve permanecer nesta posição até 2020.

No mundo, o segmento que apresenta a maior projeção de crescimento anual é o de publicidade na Internet, 11,1% ao ano até 2020. Em 2020, pela primeira vez os gastos de publicidade na Internet devem superar os investimentos em publicidade na TV, passando de US$ 154 bilhões em 2015 para US$ 260 bilhões em 2020. Esse desempenho é puxado pelos mercados dos Estados Unidos, China e Inglaterra. O segmento de publicidade na TV deverá movimentar US$ 210 bilhões, 26% a mais do que em 2015.

No ranking dos países com maiores gastos publicitários em plataformas digitais, o Brasil aparece em 14º lugar e deverá ser o 13º em 2020, à frente da Itália e do México, com US$ 2,9 bilhões de receitas geradas. O gasto global com acesso à internet deve crescer 6,8% ao ano até 2020.

Dos 13 segmentos analisados, dois, jornais e revistas, devem encolher até 2020. O primeiro tem queda anual média de 1,5% no mundo; o segundo, -0,1% ao ano. No entanto, há variação entre as regiões: enquanto na América do Norte as receitas com publicação de jornais terão declínio anual de 3,1%, na Índia haverá crescimento anual de 2,7%. No Brasil, jornais e revistas deverão ampliar suas receitas em pouco mais de 1% ao ano. As projeções também variam conforme a plataforma. As versões digitais de jornais e revistas crescem 9,8% e 13,2% ao ano, enquanto as versões impressas caem 3% e 3,7% ao ano, respectivamente. No Brasil, jornais e revistas digitais sobem 19% e 15,1% ao ano, e impressos, 0,4% e 0,9% ao ano, respectivamente.

Mercado brasileiro (em milhões de dólares)

E&M Brasil 2015 2020 crescimento anual 2015-2020
Acesso à internet 10.965 17.024 9,2%
TV e vídeo 9.230 10.948 3,5%
Publicidade na TV 4.747 7.181 8,6%
Jornal 2.684 2.882 1,4%
Publicidade na internet 1.458 2.876 14,6%
B2B 2.205 2.764 4,6%
Revista 1.663 1.826 1,9%
Livro 1.516 1.542 0,3%
Cinema 668 960 7,5%
Games 484 825 11,3%
Mídia Exterior 360 524 7,8%
Rádio 386 454 3,3%
Música 325 421 5,3%
Grand Total 35.657 48.684 6,4%

Macunaíma em HQ

Macunaíma, romance de Mário de Andrade lançado em 1928, agora pode ser lido em HQ. Lançado pela Editora Peirópolis, Macunaíma em quadrinhos(formato 20,5 x 27,5 cm, 80 páginas, R$ 39,00), com roteiro e arte de Angelo Abu e Dan X, é o 15° volume da série Clássicos em HQ, que já conta com obras como A morte de Ivan Ilitch; Juca Pirama; Odisséia; Dom Quixote; Frankenstein; e Eu, Fernando Pessoa.

Angelo Abu diz ter escolhido esse livro porque, para ele, “Macunaíma já nasceu gibi”.

Na obra, os autores recriam a saga imaginada por Mário de Andrade sobre um personagem singular, a quem falta caráter, mas sobram carisma e preguiça. Macunaíma nasce índio, se transforma em um belo e loiro príncipe, encontra seres fantásticos da Floresta Amazônica, enfrenta armadilhas e perigos e viaja à cidade grande com seus irmãos em busca de mais confusões e enrascadas. O álbum já está à venda nos formatos impresso e digital.Para adquirir o lançamento em formato digital, acesse a Livraria Cultura ou a Amazon Brasil.

A história de um nome

Por Artur Melo, 13 anos
Estudante do 8º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Será que a gente seria a mesma pessoa se não tivesse o nome que tem? E se me chamasse Pedro? Antonio? Gabriel? Acho que eu seria diferente, ao menos um pouco. É porque quando se escolhe um nome se escolhe por um motivo, por uma história. Então, quando nascemos já temos essa história pra contar. E histórias sobre nós fazem com que já sejamos um pouquinho de determinado jeito.

Eu, por exemplo, me chamo Artur por alguns motivos. Nomes pequenos, fortes, difíceis de virarem apelidos agradavam os meus pais, também tinha a história do Rei Artur, o da Távola Redonda. Mas o principal motivo que determinou de vez a escolha é porque meu bisavô se chamava Artur. Ele era um avô muito especial para minha mãe. Virava seu aluno quando ela resolvia brincar de escolinha, geralmente porque tinha prova e esse era seu jeito de estudar. Assim, ela foi virando professora e ele foi seu primeiro aluno. Depois, também aproveitaram as férias juntos, andando de bicicleta e lendo gibis até dizer chega!

Meu bisavô nasceu e viveu sua infância e adolescência em Portugal, dando o maior duro. Mais tarde, veio para o Brasil atrás de uma vida melhor como vários outros. Chegou aqui, tudo difícil de novo. Trabalho, trabalho, trabalho. Provavelmente estudou pouco. Devia gostar dessa brincadeira de ser aluno da minha mãe, um jeito de aprender as novidades que se aprende nas escolas. Minha mãe lembra que ele gostava de Geografia, devia imaginar lugares, mapas, navios, terras distantes. Então, o meu nome já tem essa história toda junto com ele. Quer dizer, eu também já tenho essa história toda que não teria se me chamasse, por exemplo, José.

Pesquisando, descobri alguns significados de Artur: Homem Urso. Rei Urso, forte, nobre, corajoso. Depois, conversando com a minha mãe, contando pra ela esses significados, fui percebendo que todas essas qualidades tinham mesmo a ver com ele. Que de todos os animais, talvez, o urso seja o que mais combina. O Artur, meu bisavô, era muito alto e bem largo. Ela diz que seus abraços eram mesmo de urso. Fico bem orgulhoso de ter este nome. E se eu me chamasse João?