‘Pokemon Go’ não é para criança

Por Rosely Sayão
Psicóloga e consultora em educação
Artigo publicado pela Folha de S. Paulo

Muitos pais se afetam tanto com os caprichos dos filhos. O capricho atual é jogar “Pokemon Go”. Então vamos enfrentar a fera, já que inúmeros pais querem saber se deixam o filho ter o jogo, qual a idade para começar, se pode prejudicar, se pode beneficiar, qual o tempo que se deve permitir que a criança se dedique ao jogo, como fazer para ela aceitar o limite de tempo etc.

Um pai pegou um táxi só para que o filho conseguisse caçar uma determinada criatura do jogo, outro deixou a filha de 11 anos ir até um lugar que considera perigoso porque ela estava acompanhada de outras colegas e “precisava” muito ganhar um ovo virtual. O pai ficou preocupado, mas permitiu. Assim fica difícil!

Meus caros pais, um jogo é um jogo, apenas isso. As características desse em particular revelam que ele não é destinado às crianças. Quantas delas saem para o espaço público desacompanhadas de um adulto na “vida real”? Como nossas crianças são jovens desde os primeiros anos de vida, porém, foram capturadas pela sensação do momento. Mas os pais devem ter suas referências, e não abdicar delas só porque a atividade virou febre social.

O primeiro passo é conhecer o jogo: como funciona, quais as metas, o que o filho deve fazer para alcançá-las. Se, para a família, ele não é inconveniente, não transgride os princípios priorizados, não apresenta imagens ou atos que ela não aceite, ela pode permitir que o filho brinque. Não é preciso aprender a jogar ou apreciar, mas é necessário conhecer os princípios básicos do aplicativo antes de permiti-lo.

O segundo passo é avaliar o tempo que o filho tem em seu cotidiano para ajudá-lo a administrar isso entre todas as atividades e ainda ter tempo para ficar sem fazer nada. Como há crianças mais rápidas e outras que dedicam mais tempo a cada atividade, não é possível determinar um tempo padrão. Aqueles que fazem tudo mais rapidamente não podem dedicar tanto tempo ao jogo; os que fazem tudo mais tranquilamente, porém, podem brincar mais, por exemplo.

Uma coisa é certa: a criança e o jovem têm muito o que fazer e pensar, por isso não podem se limitar a uma atividade específica. Caros pais, observem o tamanho e a complexidade do mundo que eles precisam conhecer!

Quando uma criança ou jovem gosta muito de algo, seja por iniciativa pessoal ou por adesão do grupo, é fácil para ele ficar horas e horas só naquilo, prejudicando todo o resto. Os pais não devem permitir. Para tanto, devem fazer valer sua autoridade, dizendo “agora chega”. Isso vale para tudo, porque os mais novos ainda não têm ou estão desenvolvendo seu índice de saciedade. E o “agora chega” dos pais ajuda muito a estabelecer esse limite.

Os filhos vão reclamar, choramingar, brigar, implorar, insistir, tentar negociar, seduzir, propor trocas, chantagear. São as estratégias que têm para alcançar o que querem. E são, portanto, legítimas.

Os pais precisam bancar tudo isso e firmar sua decisão, mesmo que seja para aguentar cara feia. Aliás, os filhos sabem muito bem que isso costuma funcionar. Mas cara feia passa, lembram disso?

Por fim, é importante ensinar, nas entrelinhas, que não é bom se tornar escravo de um capricho, de um gosto, de uma diversão. É muito melhor prepará-los para que sejam autônomos e livres, não é?

As ‘estrelas’ da Geração

Por Marcus Tavares

Terminam nesta sexta-feira as inscrições para a Mostra Geração, do Festival do Rio/2016. Podem participar do evento não universitários com até 18 anos e que estejam comprovadamente matriculados na escola ou participando de projeto educativo. Os trabalhos devem ser totalmente produzidos por crianças e adolescentes. O evento este ano será realizado entre os dias 1 e 14 de outubro.

À frente da curadoria da Mostra, estão as bravas Felicia Krumholz e Bete Bullara, que há anos vêm se dedicando ao evento e à causa da mídia de qualidade para crianças e adolescentes. A revistapontocom conversou com elas sobre a edição deste ano. Por conta da atual crise brasileira,  avisam que tiveram que cortar custos e propostas, mas a qualidade, garantem, será a mesma dos anos anteriores. Em entrevista, dizem que produção dos jovens vem, a cada ano, surpreendendo. Não só o produto final em si, mas a reflexão sobre o que fazem.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Qual é o balanço de todos esses anos à frente da organização da mostra?
Felicia Krumholz e Bete Bullara – Difícil avaliar, pois em tantos anos novas gerações surgiram. Muita gente. Mas pudemos perceber que a discussão sobre a linguagem e a estética cinematográfica rendeu. E, é claro, quanto mais gente fazendo, sempre temos mais bons resultados, né? Mas ainda é uma longa estrada. Ainda precisamos de muito trabalho para chegarmos a um patamar de qualidade, para conseguirmos uma boa expressão nessa linguagem.

revistapontocom – A edição deste ano é especial. Por quê?
Felicia Krumholz e Bete Bullara – De uma certa forma sim. Porque faremos o Festival em um ano de crise. Tivemos que cortar muita coisa para não perder a qualidade. Mas é exatamente aí que o nosso jeitinho brasileiro vai sendo mais criativo e vai inventando coisas.

revistapontocom – O que há de novidade?
Felicia Krumholz e Bete Bullara – Bom, a sessão que chamamos de pré-encontro de Educadores já está marcada: será dia 31 de agosto, às 18h em parceria com o projeto Viajando com Cinema que acontece no Oi Futuro Ipanema. As outras novidades ainda estamos fechando – falta bater o martelo para poder divulgar direitinho.

revistapontocom – Qual é a avaliação que vocês fazem da produção nacional dos curtas?
Felicia Krumholz e Bete Bullara – Como dizem: é exercitando que as coisas vão melhorando. Temos visto muito trabalho bacana inclusive daqueles que um dia vieram mostrar seus primeiros passos no Programa Vídeo Fórum da Mostra Geração.

revistapontocom – Essa evolução é fruto/resultado de quê?
Felicia Krumholz e Bete Bullara – Acho que é o resultado de um trabalho conjunto. Festivais, mostras etc se multiplicaram pelo país afora. Além disso foram criadas várias escolas de cinema (sejam elas formais ou informais) e tivemos também a implementação de políticas públicas e editais de incentivo à produção e exibição do curta-metragem. Depois tivemos, em 2013, os movimentos de rua onde esses jovens mergulharam de cabeça e conseguiram furar o sistema vigente de comunicação, aproveitando a potência das mídias sociais. Nesse momento, tiveram o real entendimento de como seus pontos de vista podem ser divulgados.

revistapontocom – Neste sentido, a quantas anda hoje o mercado de produção audiovisual voltado para os jovens?
Felicia Krumholz e Bete Bullara – Acho que o produto audiovisual brasileiro aumentou bastante em quantidade e melhorou em qualidade, mas ainda é pouco e, infelizmente, dominado pelo que vem de fora!

revistapontocom – E o que dizer da audiência jovem? Mudou?
Felicia Krumholz e Bete Bullara – Acredito que a audiência mudou e que o acesso se deu com a entrada das novas tecnologias na vida das crianças e dos jovens. Na realidade, hoje eles já nascem as dominando. Possuem um conhecimento do mundo audiovisual muito maior do que nós tivemos. A diferença é que muitas vezes são engolidos pelo que é produzido massivamente. Quando conseguimos chegar perto e conversar sobre questões de linguagem, eles pegam o assunto muito rápido, conseguem entender e dar exemplos com materiais que viram anteriormente. Mais seletiva? Sim. Mais exigente? Sim, principalmente depois de uma pequena conversa sobre o que pode estar por trás daquilo que viram. Mais difícil de conquistar? Eu diria que não. Basta você ter um produto de qualidade que você conquista todo mundo!

Criança e consumo: o livro

Lançado em abril, durante evento que celebrou a primeira década de atuação do projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, o livro Criança e Consumo – 10 anos de transformação, acaba de ser disponibilizado, gratuitamente, na rede. A publicação traz uma retrospectiva das conquistas do ideário, um olhar para o futuro e artigos de autoria de especialistas que ajudaram a trilhar a história do projeto.

Faça o download aqui

Os artigos estão divididos em seis eixos temáticos, determinados pelas áreas de interesse e atuação de cada autor, nos temas de saúde, sustentabilidade, ética, legislação, comunicação e cultura, e são assinados por: Ana Olmos, Adriana Cerqueira de Souza, Arthur Meucci, Clóvis de Barros Filho, Flávio Paiva, Frei Beto, Giovana Longo Silva, Inês Vitorino Sampaio, João Lopes Guimarães Junior, José Augusto Taddei, José Eduardo Elias Romão, Ladislau Dowbor, Marcelo Sodré, Maysa Toloni, Nádia Rebouças, Pedrinho Guareschi, Solange Jobim e Souza, Vidal Serrano Nunes Junior e Yves de La Taille.

O projeto espera que a leitura permita um mergulho em questões urgentes sobre a infância contemporânea, como a sua relação com a cultura do consumo, permeada pelas novas tecnologias e pela publicidade que é ilegalmente dirigida à criança. E também para fortalecer o compromisso ético e político de fazer valer a prioridade absoluta dos direitos das nossas crianças, inclusive frente à comunicação de mercado abusiva

Aros olímpicos pela natureza

Com informações da ESPN, Folha de S. Paulo, Globo e Veja

Você certamente pode escolher a melhor imagem da cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Teve o voo do 14BIS, o desfile exuberante da modelo Gisele Budchen, e a eterna música brasileira, na voz de Paulinho da Viola a Anitta. Isso sem falar na entrada do time dos atletas refugiados e a homenagem a Vanderlei Cordeiro de Lima, escolhido para acender a Pira Olímpica. Mas uma delas também ficará na memória dos brasileiros e de todo o mundo: os aros olímpicos pela natureza.

Imagens da Nasa, projeções sobre aquecimento global e um menino perdido entre torres espelhadas deram início à parte do show que tratou da necessidade de preservação do planeta. A mensagem de “uma ideia simples que ajuda muito” na conservação das florestas foi reiterada pelas atrizes Fernanda Montenego e Judi Dench, ao interpretarem o clássico de Carlos Drummond de Andrade “A Flor e a Náusea”, anunciando a esperança no nascimento de uma pequena planta.

Depois de vídeos falando sobre o aquecimento global, todos os atletas que entraram no Maracanã plantaram sementes dentro de alguns espelhos. O desfile dos atletas, pela primeira vez na história, apresentou uma ação pela preservação da natureza. Cada um dos esportistas recebeu um “tubete” com substrato para semear uma árvore nativa do Brasil. Segundo a organização, o plantio de 207 espécies será um dos legados dos Jogos do Rio.

Ao fim do desfile, os espelhos ‘floresceram’ e se tornaram árvores que transformaram os anéis olímpicos em uma só cor: o verde da Natureza. Os aros olímpicos, grandes símbolos da Olimpíada, foram representados em verde, como se tivessem nascido das mudas plantadas pelos atletas. “O Brasil, com a maior floresta e a maior biodiversidade do planeta, é o lugar certo para que essa mensagem seja passada”, afirmou o comitê organizador em nota.

O início da cerimônia falou do Brasil. Usando projeções, marionetes e composições artísticas feitas com elementos como alumínio e plástico, os bailarinos ilustraram o início da vida e o aparecimento da biodiversidade no país. Em seguida, com o uso de elementos geométricos e acrobacias, falou-se da formação do povo brasileiro, com os habitantes originais indígenas e os imigrantes europeus, africanos, árabes e asiáticos.

O segmento seguinte celebrou o aparecimento das cidades, evidenciado pelo “skyline” de prédios cenográficos colocado no palco do espetáculo. A arquitetura é celebrada, assim como a inventividade brasileira, exemplificada pelo 14-Bis, o avião criado por Santos Dumont, que, em vídeo, saiu voando pelo Rio de Janeiro. Essa parte da cerimônia também falou da internacionalização do Brasil por meio da música (Tom Jobim), da arquitetura (Oscar Niemeyer) e da moda (Gisele Bündchen, que foi celebrada ao desfilar ao som de “Garota de Ipanema”).

A voz do morro, a cultura popular e a força das mulheres negras transformaram o Maracanã numa imensa jukebox, falando de empoderamento, de superação das disputas, e passando a mensagem da tolerância. Maracatu, espadas de fogo, “treme-treme” e outras manifestações culturais brasileiras deram o tom do segmento, que também teve apresentação de Ludmilla, MC  Soffia, Zeca Pagodinho e Marcelo D2, entre outros artistas. Essa parte da abertura foi seguida pela apresentação do “país tropical” brasileiro, ao som de Jorge Ben Jor, e com participação efusiva do público, que cantou à capela após uma série de fogos de artifício.

Imprensa internacional

A imprensa internacional acompanhou com atenção a cerimônia de abertura da Rio 2016, que foi comentada em tempo real nos principais sites de notícias do mundo. Na maior parte deles, a festa rendeu elogios.

O argentino El Clarín disse que o Rio vibrou com uma festa cheia de música, cores e esporte. “A cerimônia de abertura foi uma exibição à altura da Cidade Maravilhosa. Havia ritmo e beleza em cada passo no estádio do lendário Maracanã”, avalia a publicação.

O norte-americano The New York Time disse que a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro chegou “como um salve” após todas as crises, políticas e econômicas, que o país enfrentou durante a organização dos jogos. Segundo a publicação, a festa disfarçou “as feridas por algumas horas e deixou os brasileiros celebrarem tudo”.

O jornal francês Le Monde chamou a cerimônia de inovadora e destacou que a abertura foi marcada por uma celebração da música brasileira. O jornal citou que o presidente interino do Brasil Michel Temer, ao falar no evento, foi recebido por vaias de uma parte “importante” do estádio do Maracanã.

Na página de cobertura ao vivo da BBC inglesa, o veículo se referiu à cerimônia como um “show espetacular”.

O inglês The Guardian destacou que há um contraste interessante entre a abertura da Rio 2016 e dos jogos de Beijing em 2008 e em Londres, em 2012. As duas cerimônias anteriores abordaram a história dos países-sede, enquanto no Rio a mensagem passada é de que “é preciso fazer algo sobre o meio ambiente ou podemos não ter muitos Jogos Olímpicos para celebrar no futuro”.

Reflexão sobre esporte

A realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Brasil foi o ponto de partida para o Caderno Globo, em sua 10ª edição, propor reflexões sobre o esporte e sua relação com as pessoas ao redor do mundo e através dos tempos. Adotando como título o conceito criado pela Globo, Somos Todos Olímpicos, a publicação apresenta uma visão panorâmica do tema, contemplada em três vertentes principais: multiculturalismo, superação e transformação.

Clique aqui para ler a versão digital do Caderno

A partir do olhar de especialistas de diferentes áreas, como o sociólogo Ronaldo Helal, o historiador Victor Melo e a psicóloga Katia Rubio, o Caderno conta com artigos e entrevistas que analisam desde a relação do esporte com a sociedade até a mudança de realidades individuais e coletivas por meio da prática esportiva. Como exemplos de superação de limites, traz também os depoimentos do ex-jogador de vôlei e campeão olímpico Giba e da corredora Terezinha Guilhermina, uma das melhores atletas paralímpicas do mundo.

Transmídia: presente e futuro

Fonte: Site Cultura e Mercado

Houston Howard é um líder reconhecido nas comunidades de branding e entretenimento, por sua visão única e estratégica. Co-fundador e diretor criativo da One 3 Productions, já desenvolveu estratégias de marca e arquiteturas de histórias para empresas Mattel, Disney, West Coast Customs, Samuel Goldwyn Films e Harper Collins Publishing, além de desenhar projetos transmidia para Fox, TNT, Slinky e os escritores de Toy Story.

Quando não está criando projetos ou liderando equipes de criativos, Houston está dando aulas a profissionais, em workshops para Television Academy of Arts and Sciences, Producers Guild of America, National Association of Broadcasters, Act One, Storyworld USA, The Greater Los Angeles Writers Conference and the Swedish Chamber of Commerce, entre outros. É também professor de Transmedia Design na The Los Angeles Film School.

Seu livro “Make Your Story Really Stinkin’ Big – Como ir do conceito à franquia e fazer sua história durar por gerações”, tornou-se um manual prático para profissionais da área criativa, sobre como alavancar diversas plataformas de mídia, maximinizar potencial de receita e engajar audiências de forma inovadora.

Já Steve Mitchell foi indicado ao Emmy de melhor roteiro e produção por Tin Man, minissérie de maior audiência na história do canal Syfy. Co-criador e produtor executivo do hit cult da TV The Pretender, escreveu, produziu e/ou dirigiu mais de 200 horas de programação de entretenimento em parceria com Craig W. Van Sickle, incluindo longas-metragens, filmes para TV como 24, NCIS, Medical Investigation, Alien Nation e Murder She. Também trabalhou com George Lucas em uma temporada de Clone Wars.

Howard e Mitchell estarão em São Paulo (SP) de 21 a 27 de outubro, para dois dias de master class e quatro dias de workshop, nos quais ensinarão profissionais do setor audiovisual brasileiro a criarem projetos transmídia de sucesso. O Transmedia Master Class Outline + 4 Day Transmedia Workshop é uma realização do Cultura e Mercado, com apoio da Unibes Cultural, do b_arco Centro Cultural e da Era Transmídia (clique aqui para ver o programa completo e se inscrever).

Em entrevista, os especialistas falam sobre o que caracteriza um bom projeto transmídia, quais os principais erros, a importância das multiplataformas hoje e o que os brasileiros podem esperar do curso.

Cultura e Mercado – O que caracteriza um bom projeto transmídia?
Houston Howard – Um bom projeto transmídia é aquele que nunca conta a mesma história duas vezes, sendo expandido por múltiplos meios e plataformas de maneira valiosa. Um bom projeto transmídia também é aquele que consegue criar uma experiência para os fãs no sentido de não só alimentar o engajamento, mas também gerar receita.
Steve Mitchell – Também tem uma questão emocional, que ressoa na audiência no sentido de mantê-la sempre voltando para buscar mais, porque isso alimenta uma fome em seu coração.

Cultura e Mercado – Vocês conhecem esse mercado no Brasil? O que podem dizer sobre ele?
Houston Howard – Pela minha experiência, o mercado de entretenimento brasileiro tem narrativas incrivelmente fortes, com personagens muito ricos visual e cinematograficamente. Brasileiros definitivamente sabem como contar histórias! No entanto, parece que há uma fragmentação de produção que limita a coordenação entre plataformas, assim como uma severa baixa habilidade em adentrar mercados internacionais. Quando você começa a estabelecer modelos e paradigmas que favoreçam a sinergia, a inovação e o empreendedorismo, e isso está unido a uma grande narrativa, você começa a ver mais projetos brasileiros prontos para uma expansão no mercado internacional.
Steve Mitchell – Eu sei muito pouco sobre o mercado transmídia no Brasil e espero aprender o máximo que puder enquanto estivermos aí. Estou interessado nos projetos brasileiros que possam ser transmitidos ao mercado norte-amercianos e de outros países. A globalização do entretenimento é para onde quero levar minha carreira e espero encontrar muitos projetos e parceiros no Brasil que possam fazer parte disso.

Cultura e Mercado – Quais são os principais erros que produtores de cinema e TV cometem no desenvolvimento de projetos transmídia?
Houston Howard – Os erros mais comuns que vejo estão em não definir o universo da sua história durante o desenvolvimento do projeto. Sem isso, os criadores de conteúdo passam por cima de um potencial de narrativa e oportunidades de expandir e estender a propriedade em caminhos incríveis.
Steve Mitchell – A chave é definir o coração do projeto. O ponto emocional que conecta você à sua audiência. Pense nas coisas como O Mágico de Oz. Todos no mundo conhecem esse filme, que foi adaptado de uma série de livros e nos últimos 100 anos foi tranformado em programas de TV, jogos, graphic novels… Por quê? Porque ele diz algo emocional com que cada pessoa no planeta consegue se relacionar, independentemente do seu idioma ou país de origem.

Cultura e Mercado – Qual a importância de se criar projetos audiovisuais multiplataforma hoje?
Houston Howard – A tecnologia multiplataforma está mudando o mundo na velocidade da luz. Hoje os consumidores buscam as histórias e seus universos quando querem, no aparelho que querem. Isso levou investidores, executivos de estúdios e produtores a enxergar uma grande história simplesmente como o primeiro passo de um grande lançamento, cada vez mais deixando para trás esforços individuais que só funcionam em plataformas de mídia tradicionais. Consumidores estão demandando uma nova experiência, o que significa que você é forçado a fazer sua história ser excelente, de maneira a posicioná-la como um investimento mais valioso. Em resumo, se você quer sobreviver, e prosperar ao longo do tempo, em um mercado de entretenimento do século 21, você tem que pensar multiplataforma.
Steve Mitchell – Quando você pensa na quantidade de aparelhos que temos por meio dos quais consumimos entretenimento, é espantoso. O que também está surpreendendo é como um criador de conteúdo no século 21 precisa estar hábil a desenvolver seu produto para cada um desses aparelhos – e na maneira como nos relacionamos com eles. Queremos diferentes tipos de conteúdos através dos nossos telefones, mas também vamos ao cinema e vemos TV. Temos diferentes formas de entretenimento nos nossos computadores e nos nossos XBoxes. Como um criador transmídia você tem que contar sua história de jeitos diferentes para cada meio.

Cultura e Mercado – Qual a diferença entre fazer um projeto e criar uma marca quando estamos falando sobre transmídia? E quão importante é pensar nisso enquanto se está criando?
Houston Howard – A principal diferença é simplesmente o escopo da visão. Goste você ou não, quando você cria um projeto, está simultaneamente criando uma marca. A única questão é se a marca é forte ou fraca. Quando você desenvolve um projeto de entretenimento como um empreendedor constrói uma marca, olhando para o seu projeto como um produto, mas dentro de uma marca, você vai construí-lo muito mais robusto e tanto marca quanto projeto vão ser beneficiados.
Steve Mitchell – Eu acho que você precisa olhar para isso como dois itens separados, que são simultaneamente iguais, e tem que abordar seu projeto com esses dois pensamentos em mente enquanto cria.

Cultura e Mercado – O que as pessoas podem esperar do curso de vocês aqui em São Paulo?
Houston Howard – Podem esperar aprender como olhar para o entretenimento no seu modo mais completo. Nós vamos mudar a forma como as pessoas pensam, fazendo com que elas saiam de suas zonas de conforto e dando conteúdo valioso, que elas nunca poderiam imaginar em uma masterclass ou um workshop de alguns dias. Vai ser como beber de uma mangueira de incêndio, mas quando saírem, estarão armados com muitas ferramentas a mais para usarem em seus projetos.
Steve Mitchell – Nos últimos 30 anos, tenho sido abençoado em desfrutar uma carreira de muito sucesso na TV, com filmes, novelas e agora transmídia. Nesse curso, você pode esperar não apenas insights teóricos, mas experiências do mundo real, de como fui capaz de trazer para esses projetos o fator emocional, e combinar todos esses diferentes meios de entretenimento em entretenimento transmidiático de sucesso. Você também deve aguardar ficar surpreso!

Déficit de natureza nas crianças

A Última Criança na Natureza é o nome do livro de Richard Louv, jornalista e fundador do Children & Nature Network, que cunhou pela primeira vez o termo Transtorno do Déficit de Natureza (TDN) e chamou, assim, a atenção da comunidade internacional para o impacto negativo da falta da natureza na vida das crianças.

Além de alertar para o tema, o livro oferece soluções práticas e simples para restabelecer a conexão entre a criança e a natureza. Muitas são aplicáveis em nosso próprio quintal. Esse trabalho catalisou um grande movimento nos Estados Unidos, que rapidamente alcançou outros países com duas ideias fundamentais: A criança na natureza é uma espécie em extinção; A saúde da criança e a saúde do planeta são inseparáveis. A obra também apresenta uma abrangente síntese de pesquisas que relacionam a presença da natureza na vida das crianças com seu bem estar físico, emocional, social e acadêmico.

Conheça aqui parte do livro

A Última Criança na Natureza já foi traduzido para 15 idiomas, publicado em 20 países e ultrapassou a marca de 500 mil cópias vendidas. O Instituto Alana está realizando a tradução do livro para o português e, assim, pretende ampliar significativamente o alcance dessa mensagem fundamental para a compreensão e o tratamento do tema criança e natureza no mundo.

Produção audiovisual

Do ComKids

Como saber o que meninos e as meninas esperam da televisão? Como identificar conteúdos pertinentes e de qualidade na televisão infantil? Como as crianças estão representadas na tela? Podemos desenvolver histórias atraentes que tenham qualidade? Qual é a complexidade de se criar histórias e personagens com as quais os meninos e meninas possam se identificar? Como desenvolver projetos audiovisuais para as diferentes mídias?

Estão abertas as inscrições para a segunda edição brasileira do curso Produção audiovisual infantil de qualidade: da inspiração à realização. O curso on-line apresenta o desafio de gerar espaços para a formação de competências relacionadas com a produção de conteúdos para esse segmento. Trata-se de uma oportunidade para a troca de informações e experiências profissionais e para projetos conjuntos que proporcionem mais e melhores obras para a infância no Brasil e também na América Latina. O curso 2016 é uma reedição da formação de mesmo nome realizada em 2015 pelo comKids em parceria com o LatinLab.

Entre os temas das aulas se encontram direitos da infância, inspiração, qualidade, reflexões sobre a audiência, conceitos e formatos, roteiro, formatação de projetos e convergências de mídia. A formação é voltada para profissionais e estudantes do setor de audiovisual, cinema e televisão infantil, educadores e interessados em produção digital para crianças.

As aulas começam na segunda quinzena de agosto e terminam na primeira semana de dezembro. As aulas serão quinzenais. O curso inclui aulas teóricas, exercícios práticos, referências e fóruns de debate. A aprovação exige a leitura dos textos, a participação nos fóruns e a realização dos exercícios propostos nas aulas.

veja o programa completo do curso

Mais informação: cursos@comkids.com.br
Telf (11) 3074-0085 / (11) 3074.0080

Conheça a lista de docentes:

Cielo Salviolo – Latinlab e Universidade de Buenos Aires – Consultora e pesquisadora em comunicação e infância e produtora de conteúdos audiovisuais para crianças.
Vanessa Fort – Roteirista e produtora criativa. Coordenadora de roteiros do núcleo criativo Singular. Consultora de roteiros e séries infantis. Coordenadora Geral e editorial do comKids.
Beth Carmona – Diretora de conteúdo da Singular, Mídia e Conteúdo e diretora geral e editorial do comKids – Consultora em meios, especializada em conteúdos infantis.
Silvina Szejnblum – Ronda Pakapaka e Universidade de Buenos Aires – gestão de projetos educativos públicos e privados, assessora de conteúdos e coordenadora cultural.
Nicolás Zalcman – autor, roteirista e diretor – “ZTV y los Pérez”, “Zapa Zapa”, “Amigos invisibles”.
Yanina Mc Kerlie – Pakapaka e Universidade de Buenos Aires – Desenvolvedora, captadora e avaliadora de projetos.
Mariana Loterszpil – Pakapaka e Laboratório de Conteúdos Infantis do Instituto Universitario Patagónico (IUPA) – Produtora, coordenadora e realizadora de televisão.
Carolina Masci – Pakapaka e Universidade de Buenos Aires – professora, coordenadora e produtora de conteúdos televisivos e iniciativas digitais.

Criatividade ou infraestrutura?

Por Rita Abundancia
Do El Pais

Os gurus do Vale do Silício, os cérebros por trás da Apple, Google, Yahoo e Hewlett Packard, aqueles que inundam o mundo com novos softwares e aplicativos, enviam seus filhos a escolas onde o material escolar pareceria mais compatível com uma comunidade Amish, conhecidos pelas restrições aos eletrônicos, do que com o maior laboratório tecnológico de ideias do mundo. Os mesmos desenvolvedores que concebem tablets, jogos interativos e programas de computador para crianças escolhem para os seus rebentos escolas que apostam em metodologias de ensino inovadoras. Não por causa da tecnologia empregada em sala de aula, mas sim pela filosofia de aprendizagem.

A Escola Waldorf da Península, na Califórnia, é um dos estabelecimentos que mais recebem os filhos da tecnologia, com uma pedagogia que aposta na experimentação do mundo real e na ênfase em fomentar a criatividade, a curiosidade e as habilidades artísticas inatas dos pequenos. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sugere num relatório global que os sistemas educacionais que investiram muito em computadores registraram pouca melhora em seus resultados de leitura, matemática e ciências no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Por conta disso, os melhores sistemas educacionais foram muito precavidos na hora de usar a tecnologia nas salas de aula.

Beverly Amico, líder da associação das escolas Waldorf da América do Norte, acredita que as escolas realmente inovadoras “ensinam aos alunos as novas formas de pensar que muitos empresários procuram”, conforme declarou em matéria do The Guardian sobre o assunto. Habilidades como tomar decisões, criatividade e concentração são muito mais importantes do que saber manipular um iPad ou preencher uma planilha do Excel. Os empresários do Vale do Silício sabem, afinal, que a tecnologia que utilizamos hoje se tornará obsoleta no mundo de amanhã. Priorizar metodologias inovadoras, e não somente infraestrutura tecnológica de ponta, portanto, é mais estratégico em sala de aula.

Na Europa, a Espanha encabeça os índices de fracasso e evasão escolar, que são conceitos distintos. Os últimos dados da Pesquisa de População Ativa, correspondentes a 2015, apontavam uma ligeira redução, de seis pontos percentuais, no índice de evasão escolar precoce – algo que os especialistas atribuem ao desemprego, já que a falta de trabalho motiva a continuar estudando. Ainda assim, a Espanha ainda dobra a média europeia nesses quesitos. Essa e outras razões levam muitos pais a reavaliar a educação dos seus filhos e a optarem por escolas alternativas, com propostas e currículos heterodoxos, que fogem da uniformidade, dos livros didáticos tradicionais e da divisão dos alunos por idades.

O crescimento das pedagogias alternativas

Almudena García, mãe e programadora de software em Girona (Catalunha), é a criadora do site Ludus, um diretório de pedagogias alternativas que surgiu há quase dois anos. García substituiu a impessoal creche por um grupo de criação, no qual mães e filhos compartilhavam um espaço de brincadeiras livres, e agora se dedica a escolher o colégio que sua filha frequentará depois de completar seis anos. “A economia é o que marca a educação”, comenta García. “A escola tradicional, que ainda temos, nasce com a época industrial, na qual havia uma demanda por indivíduos homogêneos, com uma cultura e preparação muito similares e aptos a cumprir ordens sem questionar demais; com aulas nas quais o professor era o único protagonista, baseadas em livros-texto e na capacidade de memorizar determinados conteúdos. A pedagogia alternativa propõe justamente o contrário, um trabalho apoiado em projetos nos quais a criança é a autora do seu próprio aprendizado.”

Algo que quase todos os profissionais da educação concordam é a urgência de reformar o sistema educativo em escala global. Estela d’Angelo é psicóloga e pedagoga, além de professora no departamento de didática e organização escolar da Faculdade de Educação da Universidade Complutense de Madri. D’Angelo avalia que “o sistema se recusa a mudar e obriga os alunos a se adaptarem a ele, quando o desejável seria o contrário”. De um modo geral, as críticas da especialista são focadas em uma melhor e nova formação dos professores; na necessidade de abrir espaço à diversidade no sistema de ensino, criando outros ambientes de aprendizagem. “Aprende-se na interação, e isso já é aceito em todo o mundo. No entanto, as salas de aula ainda olham para a frente, o professor é o eixo central e trabalha-se muito pouco em equipe.”

Segundo Estela, os espaços falam por si mesmos quando, analisadas de fora, as escolas se assemelham a prisões de segurança máxima. “Na Finlândia, nação sempre usada como referência do ideal educacional, as escolas se parecem muito com as casas, com lugares comuns, que lembram pequenas salinhas, ou cozinhas onde os alunos recolhem e organizam as coisas. Aqui há um controle excessivo, áreas de segurança, que torna as crianças muito dependentes. Mas, às vezes, é um controle sobre coisas sem importância ou mais arbitrárias, enquanto depois ocorrem casos de assédio que não tiveram a atenção necessária.”

Por tudo isso, D’Angelo compreende a opção de muitos pais pela educação alternativa, mas também destaca um risco em algumas dessas escolas, “o fato de criar situações ideais e contextos nos quais o aluno é sempre levado em conta, respeitado e onde seus gostos são sempre aceitos. Às vezes, alguns centros funcionam como estufas, que isolam as crianças do mundo exterior e lhes proporcionam um ecossistema ideal, mas a vida real não é assim, e pode ser que, quando saiam, tenham um grande choque”, pondera a pedagoga.

Gentrificação. O que é isso?

Por  Emannuel Costa
Geógrafo e Mestre em Urbanismo
Texto publicado inicialmente pelo site do Instituto de Urbanismo Colaborativo

Para entender gentrificação imagine um bairro histórico em decadência, ou que apesar de estar bem localizado, é reduto de populações de baixa renda, portanto, desvalorizado. Lugares que não oferecem nada muito atrativo para fazer… Enfim, lugares que você não recomendaria o passeio a um amigo. Imagine, porém, que de um tempo para cá, a estrutura deste bairro melhorou muito: aumentou a segurança pública e agora há parques, iluminação, ciclovias, novas linhas de transporte, ruas reformadas, variedade de comércio, restaurantes, bares, feiras de rua… Uma verdadeira revolução que traria muitos benefícios para os moradores da região, exceto que eles não podem mais morar ali.

É que, depois de todos esses melhoramentos, o valor do aluguel dobrou, a conta de luz triplicou e as idas semanais ao mercadinho da esquina ficaram cada vez mais caras, ou seja, junto com toda a melhora, o custo de vida subiu tanto que não cabe mais no orçamento dos atuais moradores. E o mais cruel de tudo é perceber que, enquanto o antigo morador procura um novo bairro, pessoas de maior poder aquisitivo estão indo morar no seu lugar. Talvez você já tenha passado por essa situação. Mas, se não passou, deve imaginar que é a história de muita gente. E o nome dessa história é gentrificação.

Gen-tri-fi-ca-ção. Vem de gentry, uma expressão inglesa que designa pessoas ricas, ligadas à nobreza. O termo surgiu nos anos 60, em Londres, quando vários gentriers migraram para um bairro que, até então, abrigava a classe trabalhadora. Este movimento disparou o preço imobiliário do lugar, acabando por “expulsar” os antigos moradores para acomodar confortavelmente os novos donos do pedaço. O evento foi chamado de gentrification, que numa tradução literal, poderia ser entendida como o processo de enobrecimento, aburguesamento ou elitização de uma área… Mas nós preferimos ficar com o aportuguesamento do termo original.

Como funciona?

Um processo de gentrificação possui bastante semelhança com um projeto de revitalização urbana, com a diferença que a revitalização pode ocorrer em qualquer lugar da cidade e normalmente está ligada a uma demanda social bastante específica, como reformar uma pracinha de bairro abandonada, promovendo nova iluminação, jardinagem, bancos… E quem se beneficia da obra são os moradores do entorno e, por tabela, a cidade toda.

A gentrificação, por sua vez, se apoia nesse mesmo discurso de “obras que beneficiam a todos”, mas não motivada pelo interesse público, e sim pelo interesse privado, relacionado com especulação imobiliária. Logo, tende a ocorrer em bairros centrais, históricos, ou com potencial turístico.

O processo é bastante simples: suponha, que o preço de venda de um imóvel num bairro degradado seja 80 mil. Porém, se este bairro estivesse completamente revitalizado, o mesmo imóvel poderia valer até 200 mil. Há, portanto, uma diferença de 150% entre o valor real e o valor potencial do mesmo imóvel, certo? Agora imagine qual seria o valor potencial de um bairro inteiro?

É exatamente nesta diferença entre o potencial e o real, que os investidores imobiliários enxergam a grande oportunidade para lucrar muito investindo pouco. Mas para que tudo isso se concretize, é necessário que haja um outro projeto, o de revitalização urbana, e este, sim, é bancado com dinheiro público, ou através de concessões públicas. Os governantes também costumam enxergar no processo de gentrificação uma grande oportunidade: de justificar uma obra, se apoiar no interesse privado da especulação imobiliária para promover propaganda política de boa gestão.

E aonde acontece?

Em muitos lugares. Talvez seja possível dizer que toda cidade grande possui, no mínimo, um caso para estudo. Evidentemente existem alguns exemplos mais clássicos, em virtude da fama e influência que algumas cidades possuem, ou por conta do contexto histórico envolvido. Vamos destacar rapidamente dois deles:

1. Williamsburg (Nova York, EUA)
Até meados da década de 1990, Williamsburg era apenas mais um bairro residencial do distrito do Brooklyn, cujo único atrativo era sua paisagem – o famoso skyline da Ilha de Manhattan. Foi nessa época que artistas e artesãos locais migraram para o bairro em busca de aluguéis baratos e boa localização. Este movimento se intensificou até virar um dos maiores casos de gentrificação que se tem conhecimento: hoje, é um dos bairros mais badalados do mundo, que dita algumas das referências de moda, música, arte e gastronomia da sociedade ocidental. O processo foi tão grande que alguns dos próprios gentrificadores, precisando fugir do alto custo de vida, se mudaram para o bairro vizinho, Bushwick, que atualmente passa um processo quase idêntico ao de Williamsburg no começo dos anos 2000.

2. Friedrichshain (Berlim, Alemanha)
Após a queda do muro de Berlim, houve uma grande migração dos moradores de bairros da parte oriental – como Friedrichshain, para a parte capitalista da cidade, em busca de emprego, vida moderna e habitação confortável. Este fato abriu oportunidade para que a área, abandonada, fosse ocupada por imigrantes turcos, punks e artistas, em sua maioria jovens e pobres, e essa mistura naturalmente transformou o lugar em um grande fervilhão alternativo, criando uma subcultura de diversas tribos e origens, que hoje promove gastronomia, arte e entretenimento de alto padrão, atraindo berlinenses, turistas do mundo inteiro e é utilizada pelo próprio governo como marca turística.

Obviamente, este fenômeno trouxe um assombroso encarecimento do custo de vida e um acelerado processo de gentrificação: o caso berlinense foi tão violento que o parlamento alemão criou uma lei proibindo bairros com altos índices de gentrificação subirem os preços dos aluguéis mais do que 10% acima da média da região. A lei vem sendo aplicada em Berlin desde Maio de 2015, e em breve também será institucionalizada em outras cidades alemãs.

Há ainda vários outros casos famosos de gentrificação: La Barceloneta (Barcelona, Espanha); Puerto Madero (Buenos Aires, Argentina), Malasaña (Madrid, Espanha) e também alguns casos bastante estudados no brasil, como Lapa e Vidigal no Rio de Janeiro, e Vila Madalena em São Paulo, mas isto é assunto para uma outra conversa…

E por que eu deveria me preocupar com Gentrificação?

Olha, até existem especialistas que não “criminalizam” a gentrificação, por acreditar que este é um processo decorrente da chamada “Sociedade Pós-Industrial”, na qual as relações de consumo (demanda) ditam as relações de produção (oferta), e esta é uma condição natural e irreversível do nosso tempo. Há um debate profundo sobre isso, e a resposta sobre a gentrificação ser boa ou ruim… Bem, depende. Não dá para afirmar com certeza, ainda.

Mas desconfiamos que é mais nociva do que saudável. Por constituir um processo típico de especulação imobiliária, a gentrificação precisa de muito investimento e respaldo do poder público para atender à uma demanda de interesse privado. Ou seja, a cidade (enquanto “a coisa pública”) tem propensão a ser planejada de acordo com a vontade do interesse privado, que não necessariamente é a mesma vontade da população, e nem sempre vai ao encontro das demandas defendidas por especialistas em planejamento urbano.

Por outro lado, estudos recentes realizados nos Estados Unidos apontam que moradores antigos de bairros gentrificados não apenas não foram “expulsos” por conta da valorização imobiliária, como conseguiram, por causa da gentrificação, ampliar suas rendas. Apesar de serem inconclusivos, pois tratam mais de proprietários (que possuem renda sobre o imóvel) e menos de inquilinos (que pagam a renda para o proprietário do imóvel), os estudos colocam à prova alguns “mantras inquestionáveis” da corrente crítica da gentrificação, e abre precedente para a corrente que enxerga o fenômeno como algo saudável para a vida urbana contemporânea.

Do nosso ponto de vista, a gentrificação representa um grande perigo para as cidades, de maneira geral, porque independente de consequências saudáveis ou nocivas para o bairro que foi gentrificado, o grande problema está em mapear o que aconteceu com as pessoas que de fato foram forçadas a migrarem para outros lugares por conta do processo gentrificador: para qual bairro elas foram? Este bairro recebe os mesmos investimentos públicos, e desperta a mesma atenção que o bairro gentrificado? Acreditamos que a resposta seja negativa.

E, se para o bairro bonito pode tudo, e para o feio não pode nada, então não há um projeto de cidade inclusiva e democrática acontecendo nas nossas cidades. A gentrificação apenas será bacana e descolada de verdade quando todos os bairros puderem ver a renda de seus imóveis sendo elevadas, propiciando uma vida cultural, rica, vibrante, que respeite as tradições de cada lugar. Se não for por inteiro, então não vale.

Mostra Geração 2016

Atenção estudantes:  terminam no dia 19 de agosto as inscrições para a Mostra Geração, do Festival do Rio/2016. Podem participar do evento não universitários com até 18 anos e que estejam comprovadamente matriculados na escola ou participando de projeto educativo. E lembrando: os trabalhos devem ser totalmente produzidos por crianças e adolescentes. O evento este ano será realizado entre os dias 1 e 14 de outubro.

Veja aqui o regulamento na íntegra

De acordo com a organização, serão aceitos somente trabalhos realizados a partir de 2015. Os vídeos devem ter duração máxima de 13 minutos, incluindo créditos. Os filmes podem ser realizados em qualquer formato, porém, a inscrição para seleção deverá ser efetuada mediante o envio de uma cópia em DVD Vídeo; DVD Dados, HD externo ou pendrive. Cada jovem realizador ou grupo produtor poderá inscrever no máximo cinco trabalhos. Para cada trabalho, deve ser preenchida uma ficha de inscrição distinta.

Acesse e preencha a ficha de inscrição

Para mais informações escreva para: videoforum@festivaldorio.com.br ou mostrageracao@gmail.com, ou ainda entre em contato pelo fone/fax: (0xx21) 3035-7101 / 3035-7110 / 3035-7108 ou ainda (0xx21) 99872 0930.

Museum Academy no Rio

Devido ao grande interesse que o curso Desenvolvimento de Públicos do International Museum Academy (IMA) despertou nos profissionais brasileiros em 2015 em São Paulo, o British Council oferece a segunda edição do IMA na cidade do Rio de Janeiro, no Museu de Arte do Rio (MAR). O objetivo do IMA é proporcionar a líderes emergentes da área museal conhecimento e ferramentas para fomentar o crescimento e a sustentabilidade dos museus ao redor do mundo. Por isso, junto com o British Council e museus parceiros, o IMA desenvolve um trabalho colaborativo de capacitação de equipes, com instrutores britânicos e brasileiros. O curso tem duração de uma semana e inclui atividades práticas e teóricas em museus da cidade do Rio de Janeiro.

Os participantes vão desenvolver um plano de trabalho para as suas respectivas instituições e farão visitas investigativas a museus da cidade. Serão apresentados estudos de caso com exemplos das melhores práticas do setor museal. Tantos os estudo de caso como os debates oferecerão uma grande oportunidade para reflexão e prática.

O curso será conduzido por especialistas britânicos que integram as equipes dos museus mais visitados do Reino Unido. Experientes profissionais de museus brasileiros completam o quadro de colaboradores. Entre os instrutores do curso, estão Bill Griffiths, diretor de programas do Tyne & Wear Archives and Museums, em Newcastle upon Tyne; Liz Smith, diretora de participação e aprendizagem da National Portrait Gallery, em Londres; e Karen Davies, diretora de projetos e pesquisas didáticas do Science Museum, em Londres.

Todas as aulas terão tradução simultânea.

Mais informações acesse aqui.

Parlamento Juvenil

Os estudantes do ensino médio brasileiro interessados em contribuir com a educação nos países do Mercosul têm prazo até 5 de setembro para se candidatar ao Parlamento Juvenil do Mercosul (PJM) pelos próximos dois anos. Na primeira etapa, serão classificados 108 candidatos. Na segunda fase, será escolhido um representante por unidade da Federação, totalizando 27 representantes brasileiros. A previsão é de que essa etapa ocorra on-line, por meio de um portal criado pelo MEC especificamente para esse fim.

Para participar, o interessado precisa elaborar um projeto de protagonismo juvenil. A proposta deve ser encaminhada à unidade regional da secretaria de educação ou a uma instituição da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, juntamente aos demais documentos exigidos no edital.

A intenção, segundo a responsável pela coordenação do Parlamento, Sandra Sérgio, é fazer com que esses jovens atuem como protagonistas dentro da escola. O desafio é a elaboração de um projeto que contemple temas como integração regional, inclusão educativa, gênero, jovem e trabalho, direitos humanos ou participação cidadã. “O jovem vai interagir com o ambiente escolar, reunir informações disponíveis, consultar colegas, professores e a comunidade escolar. Ao fazê-lo, de forma democrática, vai garantir que todos, principalmente os estudantes, tenham voz dentro da escola”, avalia Sandra.

A tarefa dos escolhidos para representar o Brasil no PJM será criar um documento que aborde o tema: O Ensino Médio que Queremos. A elaboração será em conjunto com os representantes dos outros países-membros do Mercosul: Argentina, Uruguai e Paraguai, juntamente aos jovens dos países associados ao bloco, Bolívia e Colômbia.

Parlamento Juvenil Mercosul

O projeto de protagonismo juvenil para estudantes do ensino médio surgiu dentro do setor educacional do Mercosul, e em cada edição (2010, 2012 e 2014) foram selecionados 27 estudantes brasileiros. O projeto prevê mandato de dois anos e está iniciando sua quarta edição (2016-2018) para exercício de voz na tomada de decisões coletivas.

Os jovens do PJM concentram as reflexões que fazem sobre cinco eixos temáticos: inclusão educativa, gênero, jovens e trabalho, participação cidadã dos jovens e direitos humanos. Esses temas foram selecionados tendo em vista que se trata de direitos que são reconhecidos nos países, tanto em normativas nacionais específicas como em legislações internacionais as quais se sujeitam os Estados que integram o projeto.

Acesse o edital

Festival curta na Uerj

O que transforma o mundo? Esta é a pergunta central do  5º Festival Curta na Uerj, concurso anual de vídeo e animação aberto ao público e que tem como objetivo incentivar a produção de audiovisual, bem como ampliar a experimentação e o diálogo entre as linguagens de TV, cinema e internet. Criado em 2012, o Festival Curta na Uerj é promovido pelo Centro de Tecnologia Educacional (CTE)/ Sub-reitoria de Extensão e Cultura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Os interessados têm até o dia  23 de setembro para enviar suas respectivas produções.

Os vídeos inscritos no 5º Curta na Uerj deverão ter até 10 minutos de duração (incluídos os créditos) – sem tolerância de tempo excedente – a serem publicados no site de exibição de vídeos YouTube. Os participantes só poderão inscrever trabalhos de sua autoria. O concurso contemplará uma categoria específica (categoria “teen”) para autores de 12 a 17 anos de idade.

Acesse aqui o regulamento