Festival da sustentabilidade

Já começou o Festival da Sustentabilidade,  evento inédito que acontece na região serrana do Rio de Janeiro. Promovido pelo Nova Friburgo Country Club, a atracão será realizada até o dia 15 de novembro. Na programação, palestras, oficinas, feira de negócios e atividades culturais com a energia suprida por uma pista de dança piezoelétrica, bicicletas ergométricas geradoras e painéis fotovoltáicos, com o compromisso de redução da pegada de carbono do evento. O objetivo é estimular o debate entre profissionais, universidades, órgãos normatizadores e concessionárias sobre a sustentabilidade nas cidades, escolas e empresas, bem como promover o consumo de produtos e serviços deste segmento de mercado.

Acesse aqui a página oficial do evento

Mídias na Educação

Boa oportunidade: a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), por meio do Centro de Educação a Distância (CEAD), torna público o processo seletivo para o Curso de Especialização em Mídias na Educação, na modalidade a distância. O curso tem como meta a formação continuada de professores da Educação Básica, oportunizando o conhecimento e a aplicabilidade das mídias na educação.

Destina- se a portadores de diploma de curso superior reconhecido pelo MEC, capazes de avaliar a contribuição de cada mídia para a aprendizagem autônoma e interessados em implantar, ampliar e fortalecer projetos de formação docente que tenham como alvo o uso articulado das mídias..

O curso terá programação curricular desenvolvida em, no mínimo, 360 horas, não estando computado o tempo reservado à elaboração individual de monografia ou trabalho de conclusão de Curso (TCC). Para realização do módulo, o candidato selecionado deverá estar atento ao cumprimento dos aspectos seguintes: ter acesso à internet com capacidade suficiente para visualizar, baixar e transmitir os materiais, tais como arquivos de vídeo, áudio e imagem; ter conhecimento de informática necessário à realização das atividades propostas; ter disponibilidade semanal de pelo menos 10 (dez) horas para cumprimento de todas as atividades realizadas por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem do Curso; ter disponibilidade de tempo e recursos financeiros para comparecer aos encontros presenciais realizados no polo em que estiver matriculado.

Serão ofertadas 200 vagas, distribuídas nos polos de Educação a Distância da UFJF, discriminados a seguir: Juiz de Fora: 100 vagas; Barroso: 50 vagas; e Coromandel: 50 vagas

A inscrição e validação ocorrerão no período de 27 de outubro a 23 de novembro de 2016. Na primeira etapa, o candidato deverá obter e preencher o formulário de inscrição no site do CEAD/UFJF, seção Editais, clicando no link próprio, referente ao Edital e preencher todos os dados solicitados. Em seguida, deverá imprimir o formulário de inscrição, que é gerado a partir da conclusão da inscrição, data-lo e assiná-lo.

Na segunda etapa, com a documentação organizada na ordem definida no Formulário de Inscrição, o candidato deverá encaminhá-la ao CEAD exclusivamente através dos Correios, via SEDEX, para o endereço especificado no edital. Os documentos deverão ser postados com a devida antecedência para que chegarem ao CEAD até o dia 25 de novembro. Os que chegarem após essa data serão desconsiderados.

A seleção dos candidatos será realizada por uma Banca de Análise Acadêmica e Profissional formada por três membros indicados pela Coordenação do Curso. O processo seletivo será desenvolvido através da Análise Curricular e da Avaliação da Carta de Intenção, valendo 100 pontos cada etapa.

A divulgação do resultado parcial dos candidatos ao Curso somente será feita pelo site do CEAD,  no dia 29 de novembro, a partir das 17h.  No caso de recurso quanto à análise curricular, deverá o mesmo ser encaminhado exclusivamente no dia 30 de novembro, de 8h às 14h, para o e-mail da Coordenação do Curso (midiasnaeducacao.ufjfuab@gmail.com). O candidato receberá resposta da Coordenação do Curso confirmando o recebimento.

O resultado final será divulgado no site do CEAD no dia 07 de dezembro, em uma lista com os nomes dos candidatos aprovados, em ordem decrescente.

Inscrições aqui 

Mais celular na escola

Do portal Cetic.br

No Brasil, os professores começam a incorporar as tecnologias móveis para auxiliar as atividades pedagógicas. Em 2015, o percentual de professores que também utilizaram o celular para acessar a Internet aumentou em relação ao último ano da pesquisa: passou de 66%, em 2014, para 85%, em 2015. Com a disseminação do uso da rede por meio do celular, mais de um terço dos docentes (39%) afirmou utilizar o dispositivo para realizar alguma atividade com os alunos. Os dados são da pesquisa TIC Educação 2015, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

O aumento no acesso à Internet pelo telefone celular tem sido apontado como uma tendência tanto na pesquisa TIC Educação como em outras pesquisas do CGI.br sobre hábitos de uso das tecnologias pelos diversos públicos. Neste ano, pela primeira vez, a pesquisa coletou dados sobre o uso da Internet no celular para atividades de ensino e aprendizagem, e mostrou que a adoção do dispositivo em atividades com os alunos foi mencionada por 39% dos professores: 36% de escolas públicas e 46% de escolas privadas.

Também houve um crescimento de 6 pontos em relação a 2014 no percentual de estudantes que afirmaram utilizar o celular como um dos meios para acessar a Internet: passou de 72% para 78%. A TIC Educação apontou também que 46% dos professores levaram o próprio computador portátil para a escola para a realização de atividades de gestão escolar e pedagógicas, enquanto 14% deslocaram seu próprio tablet.

Uso do computador e da Internet para atividades pedagógicas

O estudo mostra que 73% dos professores utilizaram computador e Internet em ao menos uma das atividades com os alunos investigadas pela pesquisa (resultado que foi de 70% entre professores das escolas públicas e 84% das escolas privadas). As atividades mais citadas pelos professores no uso de computador e Internet foram: pedir aos alunos a realização de trabalhos sobre temas específicos (59%), solicitar trabalhos em grupo (54%), dar aulas expositivas (52%) e solicitar a realização de exercícios (50%).

No que se refere apenas ao uso de Internet, o número de professores de escolas públicas que utilizaram o laboratório de informática é maior (35%) do que o daqueles que usaram a Internet na sala de aula (23%). Entre os professores de escolas privadas, há uma situação inversa: a utilização da Internet na sala de aula (50%) supera o uso no laboratório de informática (29%).

“Pela primeira vez, a pesquisa coletou de maneira separada o local que os professores usam o computador e o local que eles utilizam a Internet para atividades com os estudantes. Apesar da disparidade de infraestrutura entre escolas públicas e privadas, observamos que o uso da Internet em espaços diversos da escola por meio de redes sem fio é uma tendência”, explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Infraestrutura TIC nas escolas

Em 2015, os dados demonstraram que 93% das escolas públicas de áreas urbanas possuíam algum acesso à Internet, infraestrutura que está universalizada entre as escolas privadas. Na sala de aula, no entanto, o acesso à Internet estava disponível em 43% das escolas públicas e em 72% das escolas privadas.

O uso da Internet na sala de aula também é reforçado pela presença marcante das redes sem fio: 84% das escolas públicas e 94% das escolas privadas com acesso à Internet possuíam Internet sem fio (Wi-Fi). Entre as escolas públicas, apenas 22% permitiram o uso da rede sem fio (Wi-Fi) pelos alunos, enquanto 62% restringiram esse uso. Entre as escolas privadas é menor o percentual de instituições que restringem o uso do Wi-Fi (58%) e maior a quantidade que permite acesso aos alunos (35%).

“Enquanto a grande maioria dos alunos das escolas brasileiras afirmou acessar a Internet pelo celular e parte crescente dos professores elaborou atividades utilizando esse dispositivo, ainda existem obstáculos para o acesso à Internet pela comunidade escolar, e na maioria dos casos o uso do Wi-Fi é restrito para os alunos. Esse é um assunto que merece ser amplamente debatido por educadores e formuladores de políticas públicas”, opina Barbosa.

Redes de colaboração

Em 2015, 39% dos professores afirmaram ter cursado uma disciplina específica na graduação sobre o uso de TIC em atividades pedagógicas, sendo que, entre os entrevistados com idade inferior a 30 anos, esse número é de 54%. Para além dos programas institucionais, 91% dos professores disseram aprender sozinhos a utilizar o computador e Internet ou a se atualizarem sobre eles.

A pesquisa mostra, no entanto, a importância das redes de colaboração entre os educadores: 70% dos professores afirmaram aprender a utilizar computador e Internet por meio de contatos informais com outros professores e 44%, com algum grupo de professores da própria escola.

Assim como na troca de experiências sobre o uso das TIC em atividades de ensino e aprendizagem, 95% dos professores usuários de Internet disseram que fazem uso de recursos obtidos na Internet por motivação própria, enquanto 63% citaram os colegas ou outros educadores como fontes de motivação.

“Tais dados sugerem que, na agenda de formação de professores, a mediação realizada por pares merece maior atenção e pode ser uma forma de facilitar a aproximação dos docentes com as TIC. Além do apoio da coordenação pedagógica e dos cursos de formação, a troca com outros professores tem extrema importância. É necessário considerar o próprio professor enquanto um multiplicador na escola”, reforça Alexandre Barbosa.

Realizada anualmente, a pesquisa está na sua 6ª edição e tem o objetivo de monitorar o uso e a apropriação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) pelos atores do sistema de ensino, em escolas públicas e privadas do Ensino Fundamental e Médio, de áreas urbanas, com ênfase para as atividades de ensino e aprendizagem e gestão escolar. A coleta de dados foi realizada entre os meses de setembro e dezembro de 2015, a partir de entrevistas com 898 diretores, 861 coordenadores pedagógicos, 1.631 professores e 9.213 alunos.

Para acessar a pesquisa na íntegra, assim como rever a série histórica, visite http://cetic.br/pesquisa/educacao/indicadores.

Compare a evolução dos indicadores a partir da visualização de dados disponível em: http://data.cetic.br/cetic/explore?idPesquisa=TIC_EDU.

Leitor de quê? Leitor para quê?

Por Christine Castilho Fontelles
Cientista social formada pela PUC/SP com MBA em marketing pela FIA/FEA/USP. Consultora de Educação no Instituto Ecofuturo, organização da qual foi co-idealizadora e onde criou e dirigiu o Programa Ler é Preciso por 15 anos. 

Nas paredes das “cuevas” em Walichu, na costa do Lago Argentino em El Calafate, região da Patagônia, alguém por lá esteve há cerca de cinco mil anos e deixou sua mão ins(es)crita provavelmente anunciando: “eu estive aqui!”. Esta é uma “leitura” possível que podemos fazer tentando imaginar as motivações do dono da mão e da ação, um nômade por natureza e circunstâncias que vivia por lá.

Naquela mesma região, tempos depois, viveram os tehuelche. Na verdade, não era assim que se autodenominavam e não há registro sobre como se autodenominavam, mas foram assim denominados pelos mapuche, que os dominaram. Eles também foram chamados de Patagões (“pés grandes”) por exploradores espanhóis, que acharam grandes pegadas feitas pelas tribos nas praias da patagônia, em razão de um calçado que utilizavam. Todos nós conhecemos a história com trágico desfecho deste “encontro” entre povos na América Latina iniciado no final do século XV e que ainda hoje produz crueldades.

Escrevemos para anunciar quem somos, o que tememos, que sonhos temos, o que queremos neste mundo, nesta que é a única vida que conhecemos como espécie. Prova inconteste são as pinturas rupestres ins(es)critas em diversas regiões do mundo, como a mão do nômade em Walichu. Saber escrever e ler é poder, é garantia de liberdade para pensar e expressar-se no mundo, para contar sua própria história, diferente do que ocorreu com os tehuelche.

Graças ao domínio da cultura escrita é possível ler que haviam pessoas que foram escravizadas, bem diferente de ler que haviam escravos. Pode parecer o mesmo, mas não é e disto bem sabe aqueles que são proficientes no idioma. A primeira frase revela o que de fato ocorreu, um processo de submissão pela força. Já a outra, anuncia naturalização, como pretendiam e pretendem sociedades escravocratas e racistas de plantão e em ação, pichando paredes de universidades com “Fora Negros”, ao lado de suástica, devido ao programa de cotas, e via redes sociais, com tantos casos intensificados nesta Olimpíada que é impossível citar. A certeza que fica é que estamos longe, bem longe, da ideia de cordialidade há tanto tempo cultivada entre nós.

A dedicação para promover a educação integral depende integralmente dos esforços realizados para formar bons leitores e isso significa oferecer experiências leitoras que contribuam não para plantar certezas, mas para cultivar perguntas. Como escreve Cecilia Bajour, crítica literária de livros para crianças e jovens, com expressiva atuação na formação de professores e mediadores de leitura, “acreditar que os leitores podem lidar com textos que os deixem inquietos ou em estado de interrogação é uma maneira de apostar nas aprendizagens sobre a ambiguidade e a polissemia na arte e na vida”. Apostar apenas em textos leves em posição de almofada, tão comum em falas, textos e campanhas de promoção de leitura é comprometer o direito de crianças e jovens à educação integral, ao desenvolvimento de conhecimentos e habilidades que permitam que se tornem e atuem como cidadãos do mundo.

Quando se diz que nunca antes se leu tanto, devido ao advento da tecnologia digital, é preciso que a gente se pergunte o que se lê tanto, se o que se lê tanto está em consonância com o que precisa ser lido como alimento ético e estético para a construção de nossa humanidade. Sair do plano das boas intenções e atuar como seres humanos comprometidos com a qualidade de todas as vidas é tarefa de toda uma vida e requer prontidão e cuidado, inclusive com as leituras que valorizamos e oferecemos diariamente em casa, nas escolas, nas bibliotecas.

Aprender a não silenciar e não ser silenciado, como ocorreu com os tehuelche, aprender a dizer quem somos neste mundo, como vem fazendo nossa espécie desde o momento primevo em que deixou de lado o medo, a busca por comida, as urgências impostas pela sobrevivência para buscar pigmentos em plantas e fazer uso de sangue para deixar sua marca ins(es)crita nas paredes das cavernas: nossas primeiras bibliotecas. É preciso formar leitores que não se sujeitem e não sujeitem ninguém. É preciso formar leitores que, como nos contos maravilhosos, não estranhem que lobos e carneiros possam ser aliados, para que fique decretado o artigo XIII dos “Estatutos do Homem” de Thiago de Mello, que escreveu logo após o golpe militar de 1964, quando renunciou ao posto de adido cultural no Chile, transformando indignação em poema: “o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou”.

Livro infantil: ilustração

A informação é da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ): a seção polonesa do IBBY (International Board on Books for Young People) lança a segunda edição do Concurso Clairvoyants, direcionado a ilustradores de todo o mundo. O concurso avaliará projetos de ilustração de livros, tendo como norte a “ambição de despertar o potencial criativo de jovens artistas, de preocupar-se com a qualidade estética e editorial dos livros infantis, de buscar padrões de qualidade na área e de apoiar o crescimento de livros infantis poloneses e sua visibilidade no mundo”.

A premiação terá 3 categorias:

1 – Prêmio de 2.500,00 Euros e duas menções honrosas;
2 – Publicação do livro pela Dwie Siostry Publishing House;
3 – Participação na exposição dos melhores trabalhos.

A inscrição deverá ser feita entre os dias 15 de novembro e 15 de dezembro de 2016.

Confira o regulamento aqui.

Brasil no Green Talents Award

Marina Demaria Venâncio, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Hani Rocha El Bizri, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), foram selecionados entre 757 candidatos de 104 países para participar da 8ª edição do Green Talents Award, prêmio realizado pelo Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha. Eles ser reuniram com mais 23 jovens selecionados no dia 26 de outubro. A iniciativa teve o objetivo de promover uma plataforma na qual cientistas de diferentes partes do mundo desenvolvam e compartilhem projetos de ciência e desenvolvimento sustentável.

Veja o perfil de Marina Venâncio 
Confira o perfil de Hani Rocha El Bizri

A dupla passou duas semanas na Alemanha participando do Fórum Internacional para Iniciativas de Alto Potencial em Desenvolvimento Sustentável, no qual puderam conhecer diversos laboratórios e profissionais especializados em ciência e sustentabilidade, além de participar de workshops e compartilharem ideias.

Agroecologia

Com apenas 23 anos, Marina Demaria Venâncio é uma das vencedoras mais jovens do Green Talents Awards. A estudante começou a se interessar por direito ambiental durante a graduação, ao longo da qual se dedicou a pesquisar biodiversidade, impactos ambientais e agricultura sustentável e mudanças climáticas, tema pelo qual se apaixonou e continuou a estudar.

Venâncio trabalha com um tema chamado de agroecologia, que trata da agricultura a partir da perspectiva de um ecossistema sustentável. Em sua pesquisa, ela analisa as políticas públicas feitas em relação a esse assunto. “No Brasil temos uma contradição muito grande. Apesar de boa parte da nossa agricultura ser familiar, há muito incentivo ao agronegócio”, afirmou a estudante à revista Galileu. “É importante que quem desenvolve trabalhos sustentáveis tenha voz. Quando isso ocorre, o impacto é positivo e reflete no campo, na nossa alimentação e nossa relação com os alimentos.”

Em 2015, ela publicou o livro A Tutela Jurídica da Agroecologia Brasil – Repensando a Produção de Alimentos na Era de Riscos Globais, no qual analisou as medidas realizadas antes da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, de 2012, e os efeitos desta na criação de iniciativas estuduais e mudanças climáticas — tudo sob a perspectiva do direito.

“Estudar esses mecanismos nos ajuda a fazer políticas que não sejam só bonitas, mas eficazes. Meu foco é tentar identificar e elencar essas boas práticas e ver o que a nossa legislação está fazendo direito”, explicou.

Sustentabilidade na caça

Além do mestrado em Saúde e Produção Animal na UFRA, Hani Rocha El Bizri, de 29 anos, atua como pesquisador associado do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). Ele colabora com a organização desde a graduação em ciências biológicas, período em que teve contato com o estudo da biologia da conservação com foco na melhoria do bem-estar humano, área na qual decidiu se especializar.

A pesquisa de Bizri tem foco na subsistência da caça na Amazônia. Ao longo dos últimos anos, o mestrando e seus colegas do IDSM perceberam que a caça deixou de ser sustentável para as comunidades amazônicas. Como a maior parte delas vive isolada dos grandes centros, depende dos recursos da natureza para sobreviver. “Os moradores locais dependem dos recursos das matas e dos rios para se alimentar, produzir em pequena escala e vender”, explicou o pesquisador em entrevista à revista Galileu. “Temos um problema de conservação dos animais e, principalmente, de segurança alimentar.”

Em parceria com um professor da Universidade Autônoma de Barcelona que atua no Peru, Bizri têm trabalhado em conjunto com as comunidades para coletar dados biológicos dos animais. “Em vez de descartar os resquícios dos animais caçados, os moradores nos fornecem os restantes que não vão comer para análise”, detalha. A partir desse material, o pesquisador tem feito uma revisão dos dados reprodutivos das espécies locais — as informações mais recentes são de 30 anos atrás! —, o que o ajuda a entender quais espécies podem ser abatidas em quais épocas, de forma que os animais não entrem em extinção e as comunidades não passem fome. “As pessoas precisam dessas informações”, afirma Bizri.

Boa audiência

Da Tela News
Por Fernando Paiva

Em cinco anos o brasileiro mais que dobrou o tempo que gasta vendo vídeos em dispositivos móveis (smartphones e tablets). Em 2012, eram 2,9 horas por semana, o que representava 10% do total de tempo com essa atividade somando todas as mídias (TV, desktop, laptop e outras). Agora, em 2016, são 6,3 horas por semana, ou 26% do total, informa relatório global da Ericsson Consumer Lab, que entrevistou 30 mil pessoas de 16 a 69 anos em 24 mercados para medir o comportamento das pessoas em relação ao consumo de conteúdo audiovisual.

A participação dos smartphones, que era de 6% em 2012, agora chegou a 19%, superando desktops (18%) e laptops (18%). Os tablets, por sua vez, tiveram um crescimento mais modesto nesse período, passando de 4% para 7%. Outras telas respondem por 5%. A campeã continua sendo a televisão, que responde por 32% do tempo do brasileiro vendo vídeos. Mas seu share vem caindo continuamente: era de 43% em 2012.

Os resultados da pesquisa podem ser explicados pela popularização dos smartphones ao longo desse período no País. Atualmente, mais de 80% das vendas de aparelhos celulares no Brasil são smartphones. Estima-se que cerca de metade da base nacional de telefones móveis seja composta de smartphones. O consumo de vídeo nos dispositivos móveis, por sua vez, está atrelado ao sucesso de plataformas digitais de distribuição de vídeos, como YouTube e Netflix. Ao longo dos últimos anos, alguns dos maiores sucessos do mercado brasileiro de audiovisual surgiram dentro do YouTube, como o grupo Porta dos Fundos. Por sinal, de acordo com o relatório, 57% dos brasileiros afirmam que assistem a vídeos no YouTube diariamente. E 20% veem mais de três horas de vídeos no YouTube por dia. Paralelamente, o Netflix vem ganhando mais e mais assinantes no País, como revelam as pesquisas Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre uso de apps no Brasil: entre dezembro de 2015 e maio de 2016, subiu de 45% para 60% a proporção de internautas brasileiros com smartphone que acessam o Netflix dentro do grupo de 18,8% que declaram assinar algum serviço de entretenimento móvel com pagamento de assinatura mensal.

Enquanto o consumo de vídeo em dispositivos móveis cresce no Brasil, o tempo total que o consumidor nacional gasta com essa atividade está diminuindo. Eram 29,3 horas por semana em 2012 e agora são 24,2, de acordo com o estudo. Provavelmente os vídeos estão perdendo espaço para redes sociais e plataformas de mensageria.

Mundo

Na média mundial, ao longo dos últimos cinco anos, de acordo com a pesquisa, as pessoas aumentaram em quatro horas o seu consumo semanal de vídeos em smartphones, tablets e laptops, e reduziram em 2,5 horas o tempo com telas “fixas”, como desktops e televisões. Ou seja,  na média mundial, ao contrário do Brasil, está crescendo o tempo gasto com vídeo, graças principalmente ao sucesso do conteúdo audiovisual móvel.

A Ericsson classificou o comportamento dos consumidores de vídeo em seis grupos (os nomes foram traduzidos livremente do inglês para o português por este noticiário): 1) TV zero (aqueles que veem pouco vídeo, independentemente do meio); 2) João TV (pessoas que têm um consumo médio de televisão e pouco em outros meios); 3) “movicêntrico”” (quem assiste a vídeos prioritariamente em dispositivos móveis); 4) “computadorcêntrico” (quem assiste prioritariamente no desktop); 5) multitelas (gente que usa vários meios para ver vídeo); 6) tradicionalistas do sofá (quem gosta de ver majoritariamente a programação linear na sua televisão). Entre 2012 e 2016, a proporção de “movicêntricos” aumentou de 9% para 20% e a dos “multitelas”, de 16% para 20%. Todos os outros grupos diminuíram seu tamanho, com destaque para os “computadorcêntricos”, que baixou de 19% para 14%.

Mas o que as pessoas estão vendo no smartphone? A Ericsson mediu isso no mercado norte-americano especificamente: 77% do tempo gasto com vídeos nos smartphones nos EUA é dedicado a serviços de vídeo sob demanda bancados por publicidade, cujo maior expoente é o YouTube. E 20% é dedicado a serviços de vídeo sob demanda pagos, ou seja, basicamente, Netflix. Os 3% restantes se dividem entre serviços de vídeo transacional (exemplo: aluguel no iTunes), TV everywhere (serviços dos canais de TV por assinatura, mas nos dispositivos móveis) e outros serviços gratuitos de vídeo sob demanda.

Carona inteligente

Por Danilo Mekari
Do Portal Aprendiz

Parado em uma esquina do bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo, um grupo de crianças aponta a entrada de um prédio: “A Luísa tá vindo!”. Após alguns instantes, Luísa chega de mochila nas costas, vestindo um colete de pedestre verde-limão onde se lê “Carona a Pé – caminhando juntos até a escola”. Acompanhados por dois adultos, um grupo de cerca de dez crianças anda tranquilamente pelas ruas do bairro – buscando seus colegas de porta em porta – até chegar ao Colégio Equipe, para a aula no período vespertino.

conheça mais sobre o projeto

A inciativa surgiu em junho de 2015, a partir de uma ideia de Carolina Padilha, professora do Equipe. Moradora do bairro, Carol costumava encontrar alguns de seus alunos indo para a escola a pé – acompanhados pela mãe, irmão ou babá. Afinal, por que essas crianças não poderiam caminhar juntas até a escola?

“Não é fácil para nenhum pai criar um filho nessa cidade enorme”, afirma Carol. “Então é melhor a gente se juntar em um movimento que crie parceria entre os pais e afinidade entre as crianças.” Inspirada em projetos que já acontecem ao redor do mundo, a iniciativa promove uma mobilidade urbana mais ativa, caminhante e direcionada aos pedestres. Cerca de 30% dos alunos de Ensino Fundamental I do Colégio Equipe participam do Carona a Pé.

O Colégio Equipe vê a ação como uma mobilização comunitária e não participa diretamente de sua execução, mas dá apoio ao projeto. No blog da escola há um texto sobre a iniciativa que afirman que “a educação das nossas crianças acontece não apenas do lado de dentro dos muros da escola, mas em todos os espaços”.

Hoje, o Carona a Pé promove oito rotas diárias para as turmas da manhã e da tarde chegarem ao colégio, reunindo 25 adultos (a maioria mães e pais dos próprios alunos) e cerca de 82 crianças, que tem entre 4 a 12 anos. O número equivale a 30% do total de estudantes do Ensino Fundamental I do Colégio Equipe.

“O Carona”, como chama Carol, “nasceu de uma maneira orgânica, pois essa necessidade surgiu espontaneamente dentro da própria comunidade. Decidimos não esperar por mudanças na cidade para botar as crianças na rua, mas o contrário: fazê-las vivenciar o espaço público, que aos poucos vai sendo transformado com a sua presença. Já reivindicamos por novas faixas de pedestres e mudanças no tempo do semáforo, por exemplo.”

A professora define a ação como uma atitude ousada. “Estamos criando vínculo não apenas com a cidade, mas principalmente com as pessoas que vivem nela. Isso cria um ambiente de segurança para a criança circular pelo espaço público – pois se relaciona com o jornaleiro da banca, o homem da banca de frutas.”

Reprodução

A partir de um ponto de encontro inicial, o grupo percorre um itinerário que passa pela casa de colega e por outros pontos de encontros – combinados estrategicamente para aqueles que moram longe da escola poderem fazer o final do trajeto a pé. Alguns combinados são feitos com as crianças: andar perto dos prédios, de mão dada com pelo menos um amigo, sem ultrapassar o adulto que está à frente e sem atravessar a rua sozinho. Durante o caminho, as crianças apontam para vasos pendurados em postes, brincam com cachorros e dão bom dia ao jornaleiro. Não restam dúvidas de que a sua relação com o espaço urbano se desenvolve positivamente em uma ação como essa.

Pais e mães responsáveis por acompanhar o grupo utilizam o Whatsapp para se comunicar e avisar sobre atrasos e desistências, além de combinar um rodízio de adultos que conduzem a ação. Mãe de Luísa, Renata Morettin acompanha as rotas desde agosto de 2015. Ela conta que já levava a filha a pé para a escola, mas o projeto estimula um outro olhar da pequena perante à cidade. “As crianças passam a se apropriar da rua e a conviver melhor entre si. Além disso, chegam na escola de um jeito mais tranquilo e saudável, o que contribui para a sua aprendizagem”, aponta.

Brasil no Emmy Kids

Boa notícia para a produção infantil brasileira. Quatro programas foram indicados ao International Emmy Kids Awards. São eles: O Show da Luna (TV Pinguim/Discovery Networks Latin America) na categoria Pré-Escola, S.O.S Fada Manu (Gloob / Boutique Filmes) na categoria Animação, Malhação Sonhos (TV Globo) na categoria Digital e Tem Criança na Cozinha (Gloob/Samba Filmes) na categoria Non-Scripted Entertainment.

De acordo com o site ComKids, o Brasil só foi superado pelo Reino Unido, que concorre com seis produções. Entre os latino-americanos, Argentina e Chile também tiveram indicações. O programa argentino Presentes – Temporada II (Canal Encuentro/Mulata Films) concorre na categoria Séries e o chileno Sueños Latinoamericanos (Mi Chica Producciones/Canal 13) disputa a premiação na categoria Factual.

O resultado do Emmy Kids Awards será divulgado em Cannes, na França, no dia 4 de abril de 2017. Ao todo, são sete categorias. Também foram indicadas produções da Austrália, do Canadá, Dinamarca, França, Alemanha, Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Holanda e Reino Unido. Confira a lista completa dos 28 candidatos anunciados no Mipcom, evento do mercado audiovisual internacional realizado em Cannes.

Clique aqui e confira a relação de todos os indicados

O começo da vida

Por Fernando Lauterjung

Lançado no meio do ano em salas de cinema e na plataforma Videocamp, o documentário “O Começo da Vida”, da Maria Farinha, ganha uma versão seriada, lançada nesta terça, 1º, no Netflix e na Videocamp. Dirigido por Estela Renner, o filme aborda a importância das relações nos primeiros anos de vida de uma criança e como o afeto e o vínculo são fundamentais para seu desenvolvimento. Gravado no Brasil e em mais oito países, o filme reúne entrevistas de especialistas e famílias de diferentes culturas e classes sociais, para mostrar que os bebês se desenvolvem não apenas a partir de seu DNA, mas da combinação entre sua carga genética e as relações com aqueles que os rodeiam.

Segundo Estela Renner – que prepara o roteiro de um longa de ficção que aborda as mudanças climáticas – a realização da série estava planejada desde a criação do projeto. “O filme tem 1h30, mas temos 400 horas de material. Quando fizemos o ‘Muito Além do Peso’, também terminamos com muito material, mas não estávamos organizados para a produção de uma série. Desta vez, nos planejamos”, explica. A série conta com seis episódios de 45 minutos, que tratam de forma mais aprofundada os temas abordados no documentário, contando, inclusive, com mais personagens. Segundo Estela, a Netflix comprou o projeto a partir de uma versão já montada do longa, incluindo os direitos para a série. Além disso, a série está negociada para o canal GNT, que deve exibi-la em 2017.