Sonho possível!

A campanha Papai Noel dos Correios chega à 27ª edição. A ideia é simples: a instituição recebe cartas de crianças endereçadas ao Papai Noel. Os interessados em concretizar os sonhos respondem aos pedidos de presentes de natal. Participam do processo crianças em situação de vulnerabilidade social. A campanha contempla também cartas de estudantes das escolas da rede pública (até o 5º ano do Ensino Fundamental) e de instituições parceiras, como creches, abrigos, orfanatos e núcleos socioeducativos.

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No ato da retirada da carta, deverão ser informados nome e telefone de contato. Os presentes deverão corresponder aos pedidos formulados nas cartas. Não há limite de cartas por padrinho, mas lembre-se de que você é responsável pelas cartas que pegar para adotar. Uma desistência impede que a carta seja adotada por outro padrinho.

Caso o brinquedo seja frágil, acondicione-o de forma adequada, utilizando caixa e escreva “Frágil” no pacote. Bicicletas devem ser entregues, preferencialmente, em caixas. Escreva o número de identificação da carta na embalagem do presente. Os presentes deverão ser numerados com a mesma numeração da carta, pois é este número que identificará o endereço da cartinha adotada. É preciso entregar os presentes nos locais e prazos definidos pelos Correios da sua localidade.

Caso os presentes não possam ser entregues às crianças (em razão de endereço insuficiente, incorreto ou mudança de destinatário, entre outros motivos), serão doados pelos Correios a instituições sem fins lucrativos.

NAVE de Portas Abertas

Mostra de filmes, exposições, oficinas, música e apresentações de trabalhos. Foi assim a programação do Nave de Portas Abertas, evento realizado, no dia 1º de dezembro, pelo Colégio Estadual José Leite Lopes – Núcleo Avançado em Educação (NAVE). Cerca de mil pessoas visitaram a escola, conhecendo de perto a produção discente e docente.

O evento foi aberto pela diretora da escola, Karla Veronica, e pela representante do Instituto Oi Futuro, Fernanda Sarmento. De acordo com Jonathan Caroba, coordenador do Departamento de Mídia Educação do NAVE-Rio, e organizador do Nave de Portas Abertas, o evento deste ano contou com a 1ª Mostra de Audiovisual. “Foi uma novidade que deu super certo. Os filmes produzidos pelos estudantes estavam com excelente qualidade, qualidade profissional. Creio que todos curtiram bastante”, afirmou.

Foi o caso, inclusive, dos alunos do 2º ano do curso técnico em Hospedagem do Colégio Estadual Infante Dom Henrique. Eles foram os responsáveis pela organização do coffee break oferecido durante o Nave de Portas Abertas, numa parceria estabelecida dias antes. Enquanto os estudantes serviam os convidados, os alunos Rayan Maia, Tiago Lima, Adriano Pinto e Tiago Taubman, do Nave, encantavam o público, no auditório, com uma roda de samba. Com cavaquinho, cavaco e pandeiro, o grupo soltou a voz, trazendo, inclusive, composições próprias criadas durante as aulas do curso de Roteiros para Mídias Digitais, coordenado pela Oscip planetapontocom.

Entre as oficinas oferecidas durante o dia, a de robótica chamou a atenção do público. Oferecida pelo estudante Lucas Soares, 2º ano do curso de programação, o módulo trazia o bê-á-bá para professores e alunos trabalharem em sala de aula.

Em diferentes salas da escola, foram exibidos ainda trabalhos dos estudantes. No laboratório 22, por exemplo, foi possível conferir de perto o projeto de infográficos sobre formas de energia produzido pelos alunos de Geografia da turma do 3º ano, sob a coordenação das professoras Marta Francescutti e Adriana Moraes.

O dia terminou com uma sessão especial da mostra audiovisual. Em primeira mão, o público pode conferir uma cabine aberta dos filmes produzidos pelo 3º ano, turma 3004, do curso de Roteiros para Mídias Digitais. Foram três curtas: Clarice e o cobertor; Ctrl i e Filho do Carbono. Os filmes são parte do projeto final do curso.

Confira as fotos na página do Facebook da escola

O NAVE – Núcleo Avançado em Educação – é um programa de Ensino Médio Integrado Profissionalizante desenvolvido pelo Oi Futuro em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Une escola pública de ensino médio a cursos técnicos em tecnologias digitais. Cada curso técnico é desenvolvido em parceria com instituições especialistas em diferentes áreas de conhecimento, oferecendo cursos de Programação de Jogos Digitais, Multimídia e Roteiros para Mídias Digitais, este último via a Oscip planetapontocom.

Publicidade infantil

Já está disponível o  ‘Caderno Legislativo: Publicidade Infantil‘, produzido pela equipe do Criança e Consumo, do Instituto Alana. A publicação foi lançada na Câmara dos Deputados, em Brasília. A obra traz uma análise detalhada dos projetos de lei que abordam o tema em tramitação no Congresso Nacional. Além disso, apresenta de maneira didática o funcionamento do processo legislativo, o debate existente sobre a regulação da publicidade e comunicação mercadológica dirigidas ao público infantil e desvenda os mitos da regulação da publicidade infantil.

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O lançamento contou com o apoio da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) e Frente Parlamentar Mista de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Estiveram presentes os deputados e deputadas: Benedita da Silva, Bohn Gass, Carlos Melles, Geraldo Resende, Helder Salomão, Luiz Carlos Hauly, Maria do Rosário, Padre Luiz Couto. Participaram também representantes de organizações da sociedade civil, Benedito dos Santos da UNICEF e Childhood; Marcos Urupá, Conselho Diretor do Intervozes; Miriam Pragita, Diretora Executiva da ANDI Comunicação e Direitos; e Renato Alves dos Santos, Fundação Abrinq. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não-alcoólicas (ABIR), Alexandre Jobim, esteve presente, assim como representantes do Ministério da Saúde e Lucimara Cavalcante, do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente).

No evento, a diretora de Advocacy do Instituto Alana, Isabella Henriques, apresentou a trajetória de 10 anos do projeto Criança e Consumo e da discussão sobre a publicidade infantil. Renato Godoy, pesquisador do Instituto Alana, falou da estrutura do Caderno Legislativo e sobre os principais pontos da publicação. A deputada Maria do Rosário ressaltou a importância dos diferentes partidos na defesa pelos direitos da infância e o deputado Hauly, destacou o Projeto de Lei de 5921, de sua autoria que regulamenta a publicidade infantil, que completa dia 12 de dezembro 15 anos em tramitação na Câmara dos Deputados.

Pequenas ‘grandes’ histórias

Mais de 200 escritores de renome, incluindo romancistas, dramaturgos e poetas, participam de uma campanha literária global, escrevendo Pequenas Histórias (Tiny Stories), para chamar a atenção para as injustiças que tantas crianças pobres e desfavorecidas do mundo ainda enfrentam. A série de históriass dá início as celebrações do Unicef pelos seus 70 anos trabalhando para levar ajuda e esperança para cada criança. O Brasil tem dois representantes: Paulo Coelho e Mauricio de Sousa.

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As pequenas histórias estão sendo compartilhadas por alguns dos escritores mais aclamados do mundo em suas próprias redes sociais. A primeira-dama da Finlândia, Jenni Haukio, apresentou o conceito, que ganhou impulso global com a adesão de escritores da Ásia, África, América do Sul, Europa, Oriente Médio e Austrália.
“Como escritores, temos a capacidade de advogar por meio da simplicidade de contar histórias. Com esta campanha digna e necessária, defendemos a proteção dos direitos das crianças preciosas em todo o mundo”, disse a conceituada autora nigeriana Chimamanda Adichie.

O grupo de escritores, cujos gêneros literários variam dos contos de fadas à ficção, inclui um dos mais jovens autores publicados do mundo – a escritora sul-africana Michelle Nkamankeng, de 7 anos. Escritas em mais de 10 línguas e em estilos diferentes, todas as histórias mostram que os direitos de muitas crianças são ainda negligenciados.

A campanha surge num momento em que os direitos das crianças estão cada vez mais ameaçados. Mais de 50 milhões de crianças foram arrancadas de suas casas devido a conflitos, pobreza e mudanças climáticas, e muitos outros milhões enfrentam uma violência indescritível em suas comunidades. Cerca de 263 milhões de crianças estão fora da escola, e no último ano, aproximadamente 6 milhões de crianças menores de 5 anos morreram de doenças, em sua maioria, evitáveis.

“É chocante ver que a vida de muitas crianças ainda é fortemente impactada pelo horror dos conflitos, desigualdades, pobreza e discriminação. Espero que estas Pequenas Histórias possam lembrar ao mundo que devemos manter nossos compromissos para com todas estas crianças cuja vida e cujo futuro estão em jogo”, afirmou Paloma Escudero, porta-voz do Unicef.  Chimamanda Adichie usou a sua Pequena História para lançar, hoje, a série que vai durar até 20 de Novembro – dia em que se celebra o aniversário de adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança.

Lideranças em conservação

Ajudar a construir conhecimento e desenvolver lideranças em Conservação nos países emergentes ou em desenvolvimento é o objetivo do programa Prince Bernhard para conservação da natureza. As inscrições para a concessão de bolsas estão abertas. O projeto dá apoio financeiro de curto prazo a pessoas físicas – funcionários da organização ou não – que trabalham em áreas relacionadas à conservação, desejam aprimorar sua carreira e estejam empenhados em compartilhar os benefícios de seus conhecimentos. Os interessados têm até o dia 6 de janeiro de 2017 para confirmar participação.

O programa existe desde 1991 e foi concebido como uma homenagem ao falecido Príncipe Bernhard dos Países Baixos, fundador do WWF e da The 1001: a Nature Trust e que ainda hoje financia esse prêmio.  Em linhas gerais, a bolsa Prince Bernhard busca: capacitar: ajudar as pessoas a serem mais eficazes na Conservação;
desenvolver: apoiar o surgimento de líderes que promovam a Conservação; e multiplicar: inspirar a difusão do conhecimento.

O apoio é concedido a qualquer pessoa que trabalhe com ou atue em atividades acadêmicas ligadas à Conservação e que deseja participar de treinamentos e cursos de duração máxima de um ano. Estudantes que cursam o último ano da universidade também podem participar. São aceitas inscrições de pessoas da África, Ásia/Pacífico, América Latina e Caribe, Europa Oriental e Oriente Médio, incluindo funcionários do WWF ou candidatos que trabalham como parceiros da organização. Os candidatos devem fornecer: provas escritas de aceitação em um curso; provas escritas que comprovem sua busca por financiamento de outras fontes. É dada preferência para aqueles que buscam apoio para estudos em seu país ou região.

O valor máximo para cada bolsa de estudo é de CFH 10.000,00 (dez mil francos suíços), sendo que pedidos menores que este tem preferência. Após a conclusão dos seus estudos, espera-se que o estudante retorne a seu país para trabalhar na área da Conservação, ou áreas afins. Se aceito, após a conclusão do curso, o bolsista deverá fornecer um relatório final sobre a atividade desenvolvida, relatando detalhadamente como foi sua experiência. Após a aprovação do relatório, o bolsista receberá um Certificado PBS e será convidado a integrar o “Volunteer, Intern & Prince Bernhard Scholar Alumni group on Facebook”. Até o momento, 379 bolsas foram concedidas a indivíduos de mais de 60 países.

O formulário pode ser baixado ao lado direito, deverá ser preenchido em inglês e submetido ao WWF-Brasil no endereço: recursoshumanos@wwf.org.br até o dia 6 de janeiro de 2017. As inscrições selecionadas serão enviadas ao Comitê Internacional, que tomará a decisão final. Qualquer dúvida, entre em contato pelo e-mail: recursoshumanos@wwf.org.br

Capital mundial da bicicleta

Do Jornal Público PT

Copenhague, capital Dinamarquesa, bateu pela primeira vez o recorde de utilizadores de bicicletas, em Novembro. Os esforços em tornar a cidade mais verde têm dado frutos. Actualmente há mais bicicletas do que carros a circular na cidade.

Em 2015, o tráfego de bicicletas era de 15% enquanto a circulação de veículos decresceu para 1%. Quer isto dizer que, no ano passado, o número de carros era de 252.600 tendo sido ultrapassados pelas 265.700 pessoas que optaram pela bicicleta enquanto meio de transporte alternativo.

Para chefe da Federação Dinamarquesa de Ciclismo, Klaus Bondam, há “um novo foco no urbanismo e a nova agenda de sustentabilidade [que] quebrou o telhado de vidro quando se tratava de ciclismo.” Razão pela qual nos últimos 20 anos o tráfego de bicicletas aumentou em 68%, noticia o jornal the Guardian.
Bondam salienta ainda que o “ciclismo passou de ser uma parte normal da vida diária para uma identidade central para a cidade”.

Em 2009, o município instalou o primeiro contador eléctrico de bicicletas. Actualmente existem 20 equipamentos como este a monitorizar o tráfego na cidade. Foram aplicados investimentos ao nível de infra-estruturas que resultaram em ciclovias específicas para bicicletas e pedestres que possibilitaram interligar toda a cidade.

Por sua vez, Morten Kabell, vereador para os assuntos técnicos e ambientais da cidade de Copenhaga salienta a importância de” ter um sistema verde sustentável”, pelo que vê com bons olhos a expansão do metropolitano prevista para 2019. Segundo Kobell, estas opções de transporte, amigas do ambiente ajudam a “aliviar o congestionamento e a poluição do ar”, diz ele.

Actualmente, a utilização da bicicleta como meio preferencial de transporte ronda os 41 %, mas o vereador revela que se trata de “um objectivo em constante evolução”. E, reconhece que aumentar o valor para os 50%, até 2025, assegurando que o núcleo central da cidade fica livre de carros “dentro de uma década” é uma meta a atingir.

Contudo a tarefa está longe de ser fácil. Prevê-se que nos próximos 15 anos a população de Copenhaga passe dos actuais 600 mil habitantes para 715 mil. Será necessário construir mais e melhores infra-estruturas e implementar uma rede de ciclovias mais eficiente que suporte o crescimento da população no centro da cidade.

Em Outubro, os habitantes da capital dinamarquesa foram convidados a compartilhar opiniões e informação sobre as áreas onde as ciclovias eram mais necessárias. com vista à elaboração de um mapa online. Será a partir da recolha desta base de dados que vai ser instituído futuro o Plano de Prioritário de Pistas de Ciclismo 2017-2025 que identificará onde é necessário construir, ampliar ou optimizar a intersecções das vias exclusivas para pedestres e bicicletas.

A lição das ocupações de escolas

Por Alexandre Marini
Sociólogo e professor

Lá atrás, Immanuel Kant (1724-1804) dizia que a sociedade era mantida autoritariamente num estado a que chamou de “menoridade”, ou seja, a incapacidade de servir ao seu próprio entendimento, de pensar e agir a partir de sua própria análise crítica. Em outras palavras, era como se a sociedade não tivesse capacidade de tomar conta de si, conduzida por aqueles que tinham o poder político, econômico e social.

No entanto, o filósofo alemão também afirmava que deveríamos nos erguer diante disso e tentar sair do tal estado de menoridade. A forma pela qual isso se tornaria possível? Através da crítica, interrogando as “verdades” que nos são dadas. De forma extremamente resumida, a crítica, segundo Kant, seria o exercício da autonomia frente àquilo que é imposto e, portanto, essencial à busca pela liberdade e por uma sociedade mais justa.

Bem mais tarde, Foucault formulou a seguinte questão: o que nos tem levado à atual organização social econômica, notoriamente cheia de problemas, após o exercício de tantas críticas durante tanto tempo? Seria a insuficiência da razão ou haveria poder contrário demais?

Como seres notoriamente orgulhosos de sua racionalidade, a insuficiência da razão não parece ser a opção mais adequada (por mais que pertinente), ainda mais diante da alternativa “poder contrário demais”. Sendo possível optar pelas duas opções, razoável escolher ambas. Pois bem, agora, meio século depois, perguntamos: como exercer tal crítica num tempo em que a falta de representatividade popular é gritante em todas as instâncias do estado democrático, somado ao ensurdecedor silêncio dos instrumentos de comunicação (referindo-se a mídia tradicional e de grande alcance) diante das inúmeras tentativas de retirada de nossos direitos? Como sair da menoridade que nos é imposta por decisões político governamentais e que parecem nos excluir do jogo político, como o andamento da medida provisória de reformulação do ensino médio ou o Projeto de Emenda Constitucional do teto dos gastos, entre tantos outros? Como se erguer diante de um judiciário que aparenta estar cada vez mais contaminado por posições políticas e que tem nos mostrado possuir, em inúmeros exemplos e nas mais diversas instâncias, mais intenção do que isenção em seus julgamentos e decisões?

É notável como a luta dos estudantes secundaristas e universitários e suas ocupações ganhou tamanha importância mesmo não ocupando o espaço que merece na mídia tradicional e nos debates na esfera pública: as ocupações são o mais puro exercício da crítica e da autonomia perante a força governamental e tem nos permitido perceber, de forma cada vez mais clara, as conexões entre os mecanismos de coerção entre o Estado e demais poderes.

Para ficar somente em alguns exemplos, como não lembrar do silêncio midiático do 4º Poder, que finge não ver aquele que já é, talvez, um dos maiores movimentos políticos protagonizados por estudantes, ou o uso exacerbado das forças repressoras do Estado personificado na brutalidade policial nas escolas ocupadas, ou uso de instrumentos legais claramente abusivos, como a ordem do juiz que permitiu que métodos e artifícios de tortura fossem empregados para desocupação de secundaristas de uma escola estadual, além da tentativa de individualizar e criminalizar quem ocupa, conforme solicitação e orientação formal do próprio Ministério da Educação às instituições ocupadas, entre tantos outros exemplos.

Mas se as mais diversas instituições demonstram estar em pleno exercício da “arte” pedagógica, econômica e política de como nos governar, os estudantes se permitiram e estão nos mostrando que é possível pensar em “como não ser governado” tão passivamente e por princípios, objetivos e formas dos quais discordamos ou julgamos injustos.

Num momento em que a PEC 55 (ex-241) é vendida como única solução para a economia do país e a reformulação do ensino médio desconsidera o diálogo com as partes mais interessadas (educandos e professores), posto que a melhor solução teria sido encontrada pelo atual governo, embalada e despachada como lei por medida provisória com pouco ou quase nada a discutir, estes jovens e suas ocupações têm nos mostrado que é possível erguer-se e tomar o direito de interrogar o discurso do Estado, que se impõe como verdadeiro tão somente pelo seu poder.

A geração alpha

Com informações da Tela Viva

Você já ouviu falar na Geração Alpha? É aquela que nasceu a partir de 2010 e que vem chamando a atenção do mercado. Não é à-toa que acaba de sair uma pesquisa sobre o público-alvo. O Canal Gloob, em parceria com a empresa de pesquisa Play Conteúdo Inteligente, desenvolveu uma pesquisa junto aos pequenos. O estudo nomeado “Geração Alpha – Um mindset em construção” traz as percepções destas crianças sobre o brincar, além das referências, dos contextos e das mudanças para a vida em sociedade.

O estudo contou com três fases – Desk research (com o levantamento de dados secundários), Quantitativa e Home invasion, com entrevistas de campo individuais. Ao todo, participaram dessa amostragem cerca de 510 pais e crianças entre 6 a 9 anos, de classes A, B e C com acesso à TV paga.

Tendo a geração Z como espelho, a pesquisa mostra que muitas das características da Alpha potencializam aquelas já encontradas na geração passada. O comportamento Geek é uma delas. As crianças da geração Z, e mais fortemente da Alpha, focam, cada vez mais cedo, em games, histórias em quadrinhos e youtubers/influenciadores e se afeiçoam a um personagem, que não precisa ser necessariamente de um produto de entretenimento. Outras características apontadas pelo Dossiê Gloob que definem a geração Alpha são:

– A maioria destas crianças são filhos únicos;
– Terão acesso a novos modelos de educação. Mais personalizado e direcionado ao perfil de cada um;
– Privacidade é algo que estas crianças não conhecem. Tudo é exposto no mundo virtual;
– São exibicionistas. Na ausência de privacidade, o exibicionismo é um fato;
– Criadores de conteúdo. Criarão cada vez mais conteúdos, a partir de suas próprias experiências;
– Buscam experiências imersivas e interativas. O mundo virtual traz, cada vez mais, estas duas possibilidades.
– Com estas novas características e com o contexto social e familiar que esta geração encontra, o estudo ainda aponta sete mudanças comportamentais presentes nestas crianças:
– O empoderamento das meninas;
– A versatilidade dos meninos;
– A flexibilidade de gênero;
– O reconhecimento dos pais e das mães como os ídolos das crianças e não mais os famosos;
– A maior conexão da figura paterna com os filhos;
– A mudança na forma de identificação com o personagem (com a atitude do mesmo prevalecendo sobre a beleza estética);
– A necessidade de integração dos meios (as crianças acessam, cada vez mais cedo, cerca de 14 meios para conhecerem um produto).

Segundo o Dossiê Gloob, são estas sete principais mudanças que podem guiar o futuro nas relações interpessoais e familiares, nas brincadeiras e na forma como o mercado se relaciona com esta nova geração.

Na visão de mercado, por exemplo, estas mudanças possibilitam a oferta de produtos com aventura e ação para as meninas e, para as crianças no geral, brinquedos e brincadeiras sem distinção de gênero, e sim com foco na ação e no storytelling. O foco dos brinquedos, aponta a pesquisa, agora precisa ser na experiência, no conteúdo e não mais na estética. E para falar com o público infantil desta geração, uma marca precisa se fazer presente em diversos meios.

Educadores no Rádio

Lançado recentemente pelas editoras MauadX e PUC-Rio, o livro Educadores no Rádio – Programas para ouvir e aprender 1935-1950, de Patrícia Coelho, apresenta uma pesquisa sobre os programas elaborados por educadores para as rádios Nacional, Jornal do Brasil e Mayrinck Veiga. Especificamente, os programas Viagem através do Brasil, de Ariosto Espinheira, Tapete mágico da Tia Lúcia, de Ilka Labarthe, e Biblioteca do ar e Ouvindo e aprendendo, criados por Genolino Amado.
Além da trajetória desses radioeducadores, foram analisados seus conceitos de educação por meio do rádio, suas táticas para a conquista do espaço na programação das emissoras comerciais e a recepção de suas produções. Como pano de fundo, estão as diferentes fases da história da radiodifusão brasileira, com suas rupturas e continuidades.