Jornalismo empreendedor

Por Marcus Tavares

Matheus Storino tem 20 anos. Confessa que é muito tímido. Mas basta pegar o microfone e ligar a câmera que ele se transforma e faz o que mais gosta: telejornalismo. Há quatro anos, a brincadeira de criar um canal de notícias virou negócio e perspectiva de futuro. Asteca News é o nome da página de reportagens que ele e um grupo de amigos mantém no Facebook. Pelas contas do rapaz, a audiência gira em torno de 38 mil espectadores, o que lhe confere um retorno financeiro, via publicidade no YouTube.

Aluno da Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch, localizada em São Cristóvão, Rio de Janeiro, ele está matriculado no curso de Produção Áudio e Vídeo. Divide seus compromissos de estudante com as coberturas que faz pela cidade. Ao lado de ‘coleguinhas’ da grande imprensa, ele e sua equipe vai também atrás da informação e, às vezes, consegue sair na frente, informando ao público as notícias em primeira mão no canal. Em entrevista à revistapontocom, Matheus Storino conta detalhes do trabalho que completa, em março, quatro anos.

Assista a outras reportagens, na página do Facebook do canal:
Velório dos PMs mortos em queda de helicóptero
Exercício anti-terrorismo
Ensaio técnico das escolas de samba Vila Isabel e Salgueiro

Acompanhe a entrevista:

REVISTAPONTOCOM – De onde surgiu a ideia de criar o canal Asteca News?
Matheus Storino – Sempre admirei quem faz TV, seja na frente ou atrás das câmeras. Sou muito curioso e gosto de contar histórias: ingredientes dignos de um jornalista nato. Descobri essa vontade e tive a ideia de criar um canal no YouTube com minha ex-namorada, que também tem as mesmas características e pretende seguir os mesmos passos que eu. Como não poderíamos abrir um canal de televisão, recorremos à internet. Na época eu tinha 17 anos e ela 16. Minha intenção era apenas informar o público sobre o dia a dia, um incêndio em uma rede de supermercados ou um buraco na rua da Dona Maria. No início, éramos apenas nós dois. Com uma pequena câmera que ganhei de aniversário fomos a campo e de cara cobrimos um incêndio. Os outros jornalistas e profissionais da imprensa ficavam olhando para gente, como se estivessem se perguntando: ”O que esses pirralhos estão fazendo aqui?” ”O que pensam que estão fazendo?”. O tempo e a convivência nos tornaram profissionais. Quero que o canal, com o passar do tempo, cresça, assim como todas as pessoas que trabalham comigo.

REVISTAPONTOCOM – Este trabalho existe há quanto tempo?
Matheus Storino – Em março, completaremos quatro anos, três da era Asteca News, na qual passamos a nos dedicar mais e fomos reconhecidos como mídia social. Diferente de quando começamos, a Asteca News cobre, hoje, todo o estado do RJ. Além da capital, temos duas afiliadas. Uma no norte do Estado e outra na Região dos Lagos. A equipe é formada por 14 pessoas, dez aqui na capital e outras quatro distribuídas nas duas afiliadas. Na Asteca, não existe divisão rigorosa de funções. Cada um faz um pouquinho para não sobrecarregar ninguém e para estarmos em mais de um lugar ao mesmo tempo. Não temos nenhum tipo de assessoramento. Tudo é elaborado por nós. Mas temos o cuidado e o compromisso de fazer um jornalismo com isenção, correção e agilidade. Para um assunto ser destaque na nossa página, ele precisa ser relevante e de interesse. Os principais fatos do dia sempre são reportados na nossa plataforma, sejam escritos ou em pequenas reportagens em vídeo. Na redação, ficamos de olho nos assuntos que merecem a atenção durante o dia. Preparamos nossas pautas, fazemos reuniões e definimos o que irá ser matéria no nosso webjornal.

REVISTAPONTOCOM – Quais são os principais desafios do trabalho?
Matheus Storino – Conciliar a demanda de gravações e produção com a escola e outros afazeres. Isso sempre faz com que tenhamos de criar um rodízio na apresentação dos nossos boletins e webjornais.

REVISTAPONTOCOM – Na rua, como é a relação com os ‘coleguinhas’?
Matheus Storino – No início, foi estranho, tanto da minha parte quanto da deles. Mas hoje nos damos muito bem. Mantenho contato com repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Seguimos uns aos outros nas redes sociais e estou até no grupo da imprensa carioca do Whatsapp.

REVISTAPONTOCOM – Qual a diferença do Asteca News para outras produções telejornalísticas?
Matheus Storino – Costumo dizer que a Asteca News chegou para somar com os outros tipos de mídia não para concorrer diretamente com os demais veículos de comunicação. Mas, sim, para complementar a informação de outra maneira. Ela é uma mídia alternativa. Hoje as notícias acontecem e ganham o mundo quase na mesma hora em que o fato ocorreu. Esse é o nosso papel, essa é a nossa principal missão: informar e noticiar o que acontece no momento, sem ter que esperar o próximo telejornal ou a próxima edição do jornal impresso. Trabalhar na internet é se renovar a cada dia e a Asteca News faz isso. O telespectador gosta de ser surpreendido. Por isso, resolvemos inovar e levar a notícia, o fato para rede social, onde as pessoas estão conectadas o tempo todo. A Asteca News foi a primeira empresa de mídia alternativa no Facebook, a primeira do tipo em adotar o padrão ”all news” em uma rede social, atrás somente das redes de TV, rádios e portais. Informação com seriedade produzida 100% por adolescentes e com um padrão de qualidade respeitado e reconhecido pelo público. Esse é o legado da nossa marca, o que nos torna diferente dos outros veículos, alternativos, de comunicação.

REVISTAPONTOCOM – Por que o nome Asteca News?
Matheus Storino – Começamos com outro nome: Face News, em razão da rede onde mantemos o canal. Mas, depois de nós, dezenas de outros Face News surgiram. Comecei a pesquisar. Visiteis essas páginas para ver o que estava sendo postado e qual era o conteúdo reproduzido. A grande maioria era notícias compartilhadas da grande mídia televisiva e escrita. Pensei: “Essa não é a nossa função. Não é o queremos. Queremos ser uma mídia alternativa e não reproduzir o conteúdo da grande mídia”. Diante disso, resolvemos mudar o nome do canal. Com o novo nome, mudamos também a identidade visual do canal.

REVISTAPONTOCOM – O que você espera do Asteca News?
Matheus Storino – Como todo pai, a gente espera que o filho cresça. É exatamente isso que eu desejo. Creio que já estamos num patamar diferenciado, com um público considerável. Espero que isso se multipliquei. Com muito trabalho, determinação e reconhecimento, vamos conseguir atingir o topo.

Arquitetura sustentável: o que é, para que serve e como se faz?

Por Alessandra Barassi
Arquiteta, com mestrado em Projeto e Construção Sustentável e profissional acreditada LEED.
Do portal WWF Brasil

O significado da palavra “sustentabilidade” ainda não está muito claro no inconsciente coletivo. Então, para não complicar muito, aí vai a explicação clássica: sustentabilidade = pessoas, planeta e viabilidade econômica! Ao falarmos de arquitetura sustentável, estamos falando daquela que atende as necessidades das pessoas, respeita o planeta e é viável economicamente.

Na prática, isso quer dizer que os projetos precisam ser mais inteligentes! Edifícios devem ser confortáveis e causar menos impacto ambiental, além de ter baixos custos de execução e manutenção ao longo de sua vida útil. E para se chegar a projetos inteligentes é necessário adotar o “design integrado”, em que se equacionam vários critérios de sustentabilidade como orientação solar, ventilação natural, materiais ecológicos, uso eficiente de água e energia, gestão de resíduos, entre outros.

Há quem pense que para atender a todos esses critérios seja necessário dispor de muitos recursos. Não necessariamente. Estudos indicam que construções sustentáveis podem custar cerca 5% mais ou até custar menos, se bem projetadas (como visto no GSA LEED Cost Study, de 2004). É possível adotar estratégias passivas, que dispensam equipamentos caros e adotam soluções de desenho ainda no papel.

Em tempos de energia cara, uma preocupação corriqueira é o gasto com ar-condicionado, que pode perfeitamente ser minimizado em um bom projeto. Basta orientar as maiores janelas de uma casa para o lado onde o sol nasce e posicionar sanitários, despensas e depósitos no lado poente. Assim, a luz da manhã fica garantida com temperaturas amenas e o calor da tarde não incomoda ambientes de baixa permanência. Um exemplo simples de estratégia passiva, sem custo extra.

É claro que, conforme a escala e necessidade de cada projeto, nem sempre será possível adotar apenas estratégias passivas. Em um grande edifício corporativo, com muitas salas de trabalho, é provável que não seja possível posicionar todas as janelas para o nascente. Nesses casos, é preciso lançar mão de estratégias mecânicas de alto desempenho, como um ar condicionado central, para garantir o conforto de todos os colaboradores. Ainda assim, seria eficaz projetar uma proteção externa para as janelas do poente (os brises ou venezianas) para reduzir o calor e a frequência de uso dos condicionadores de ar.

Outra estratégia importante é a escolha de materiais ecológicos (não nocivos à saúde e de baixo impacto ambiental). No que se refere a materiais estruturais, é necessário optar por aqueles com baixas emissões de CO² no processo produtivo. A madeira, além de ser renovável, é capaz de estocar CO². No caso das tintas, vernizes e químicos em geral, há no mercado uma série de produtos à base de água, atóxicos e de baixo poder contaminante, sem qualquer custo adicional. Basta prestar atenção e fazer a escolha correta. Optar por sanitários de duplo acionamento, arejadores e restritores de vazão em lavatórios contribui para reduzir cerca de 30% do consumo usual de água. Plantas nativas nos jardins favorecem a biodiversidade e requerem menos irrigação.

Assim, para praticar arquitetura sustentável é fundamental entender as edificações como sistemas e pensar os critérios de sustentabilidade de forma integrada. Edifícios compõem bairros, cidades e países! Devem ser entendidos como integrantes do meio ambiente, que além de demandar água, energia e materiais de construção em larga escala, também demandarão infraestrutura, transporte e serviços. Portanto, um projeto sustentável prevê soluções menos impactantes em todo o ciclo de vida do edifício, inclusive o correto descarte ou reciclagem do material empregado. Pensando dessa maneira, cada projetista será também um agente de proteção do nosso planeta.

Curtas socioambientais

Se você é estudante e tem uma produção bem bacana na área da temática socioambiental, que tal participar do Curta Ecofalante, concurso que premia produções de estudantes dos ensinos Técnico, Médio e Superior. Os filmes devem ter sido finalizados a partir de 2015 e ter até 15 minutos. Valem obras que falem sobre a água, alimentação, consumo, contaminação, energia, habitação, mobilidade, poluição, sustentabilidade, povos e lugares, ativismo ambiental, resíduos sólidos, áreas verdes, áreas urbanas, economia verde, globalização, vida selvagem e políticas públicas socioambientais.

Os curtas selecionados serão exibidos na primeira quinzena de junho em cinemas e espaços culturais da cidade de São Paulo, na 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental. A premiação tem três categorias: Melhor Curta Ecofalante na categoria Ensino Médio; Melhor Curta Ecofalante na categoria Ensino Técnico e Universitário com prêmio de R$ 3.000,00, e Melhor Filme pelo voto do júri popular.

Os interessados têm até o dia 10 de março para se inscrever. Informações e inscrições no site www.ecofalante.org.br/mostra. Todos os filmes inscritos serão analisados pela comissão de seleção da Mostra. Os critérios de seleção terão como base as qualidades artísticas, técnicas e a relevância temática da obra. Filmes que não cumprirem com o regulamento do concurso, disponível no mesmo site, não serão considerados. A Seleção Oficial do Curta Ecofalante será divulgada no site e redes do festival em maio.

Criar e animar histórias

Transformar histórias escritas e ilustradas por crianças em pequenas animações é a proposta do projeto De criança para criança. Por meio da brincadeira, a ideia é promover a criatividade, a leitura, a escrita e a interação entre meninos e meninas. A plataforma, que pode ser acessada gratuitamente, acaba de ser implantada na grade de 18 escolas do Estado de São Paulo, impactando mais de 10 mil alunos, de 6 a 12 anos de idade. Até o segundo semestre, o projeto chegará a 25 colégios.

Como funciona? Os desenhos e histórias, feitos pelas próprias crianças, são enviados para a plataforma que transforma os conteúdos selecionados em animações de um a três minutos de duração, envolvendo o trabalho de diretores de arte, produtores musicais e animadores.

Os trabalhos já realizados trazem histórias que vêm de sonhos, experiências vividas e desejos de crianças de diferentes realidades. A proposta também é conectar as crianças ao universo da tecnologia de maneira supervisionada por educadores, para que elas entendam como essas ferramentas podem ser usadas de forma inteligente, divertida e responsável.

Conheça o projeto no site
http://www.decriancaparacrianca.com.br/

Em busca de saúde

Mais uma força no combate ao zika: o canal de desenhos animados Cartoon Network, com a parceria da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançou uma nova fase da campanha que ensina crianças da América Latina e Caribe a combater o zika. A iniciativa convoca público infanto-juvenil a se envolver na prevenção do vírus, eliminando criadouros do Aedes aegypti e orientando conhecidos a se proteger do mosquito. O vídeo da campanha mistura animações e encenações com um ator que chama o público infanto-juvenil a participar da luta contra a doença. O material será divulgado em português, espanhol e inglês.

Lançada inicialmente em maio de 2016, a campanha foi elaborada com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos do zika, que continua a ameaçar particularmente as mulheres grávidas e seus bebês.A Opas lembra que nunca antes na América Latina uma infecção transmitida por um mosquito resultou em problemas de saúde neurológicos tão desastrosos e com consequências de tão longo prazo para as crianças e suas famílias.

“Por meio do Movimento Cartoon, estamos comprometidos com a saúde e o bem-estar da nossa audiência. O enorme alcance do Cartoon Network em toda a América Latina é uma ferramenta fantástica para continuar a ajudar a combater o zika na região”, afirmou o vice-presidente sênior e gerente geral do Cartoon Network, Boomerang e Tooncast na América Latina, Barry Koch.

Acesse a cartilha promocional da campanha clicando aqui.

Vacina contra boatos

No já conturbado dia a dia, passamos cada vez mais a conviver com notícias falsas e boatos. Sempre existiram, é verdade. No entanto, com as redes sociais e diferentes dispositivos de comunicação, o raio de ação, distribuição e circulação destas informações é gigantesco. Em poucos minutos, é capaz de atingir milhares de pessoas. Preocupação que levou cientistas das Universidades de Cambridge, no Reino Unido, e Yale e George Mason, nos Estados Unidos, a pesquisarem o assunto e propor uma espécie de “vacina” que imunize as pessoas.

Na medicina, vacinar as pessoas significa expor o corpo delas a uma forma branda de um vírus para que o organismo produza resistência a ele. Neste sentido, os estudiosos acreditam que uma lógica parecida pode ser aplicada para ajudar a imunizar o público contra informações erradas. Portanto, expor os indivíduos “de forma preventiva”, com uma espécie de alerta, a uma pequena dose de informações erradas pode ajudar a evitar que elas caiam em armadilhas.

“A ideia é oferecer um repertório cognitivo que ajude a construir uma resistência à desinformação para que, da próxima vez, ao ser exposta à notícia falsa, a pessoa esteja menos suscetível”, explicou o psicólogo Sander van der Linden, do Laboratório de Tomada de Decisões Sociais da Universidade de Cambridge, que desenvolveu um estudo, publicado na revista científica Global Challenges, com dois mil norte-americanos, em que ficou evidenciada o sucesso da “vacina”.

Sabe-se que a preocupação dos norte-americanos sobre tal questão foi potencializada com os episódios da última eleição presidencial nos EUA. Durante a campanha, notícias de que o papa Francisco estava apoiando Donald Trump e de que a democrata Hillary Clinton vendia armas para o autodenominado grupo Estado Islâmico foram compartilhadas e lidas por milhares de pessoas no Facebook.

Em dezembro, a rede social, a maior do mundo, anunciou a criação de novos métodos para ajudar a combater notícias falsas – Google e Twitter também estão sendo pressionados a fazer mais na luta contra os boatos.

Ao mesmo tempo, as autoridades da Alemanha propuseram a criação de uma unidade especial do governo para combater notícias falsas neste ano de eleições gerais no país. E na Grã-Bretanha, o parlamentar trabalhista Michael Dugher alertou recentemente que a política britânica corre o risco de ser “infectada pelo contágio” de notícias falsas.

Está aí uma boa proposta de ação na escola. Afinal, nos dias de hoje, saber pesquisar e se informar de forma segura, sem cair em armadilhas, é um exercício que requer atenção, cuidado e reflexão. Muitas escolas já vêm trabalhando nisso.

Terceirizando a leitura

Cresce a cada dia, com as facilidades da tecnologia, uma novidade na realidade de algumas crianças: os clubes de leitura infantil por assinatura. Os pais cadastram seus filhos para receber mensalmente livros pelos correios, com seleção e conselho de educadores. A grande imprensa vem divulgando tais serviços, como o Leiturinha, Booxs, Taba e Brinque-book.

Toda iniciativa que tenha o objetivo de promover a leitura é bem-vinda, é lógico. No entanto, alguns especialistas vêm com certo receio tal promoção. É o caso do professor José Nicolau Gregorin Filho, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, especializado em literatura infantil e juvenil.

Em entrevista ao jornal da Universidade de São Paulo (USP), ele diz que o serviço não é exatamente uma novidade nem exatamente positivo. “Como funciona o clube de leitura: você paga um valor mensal, quinzenal, e recebe um kit de livros, dependendo do valor, que eles (os responsáveis pelo serviço) escolhem, com os valores e temas que eles colocam para serem discutidos. Ou seja, é aquela ficha de leitura que a professora de antigamente passava na escola”, argumenta Gregorin.

Na entrevista, o professor pondera também sobre o fato de que todos os assinantes recebem os mesmos títulos, sem levar em conta suas preferências, seus contextos socioculturais, repetindo assim equívocos já questionados nas escolas. “Há condição de escolher um livro que seria legal que todas as crianças lessem, no Estado de São Paulo, no Brasil, independentemente de sua história de vida? Não seria cometer o mesmo erro que se comete ao colocar um único livro para 40 alunos numa sala de aula lerem? Isso não dá certo”.

A análise do professor também recai na terceirização que os pais acabam promovendo, quando a função deveria caber a eles. “Uma das ‘vantagens’ que esses clubes oferecem é a de receber em casa um livro, sem saber qual será, uma surpresa que estimularia a criança. Mas o pai pode muito bem ir à livraria e escolher um livro para o filho, de acordo com os valores que gostaria de transmitir. Então isso me parece uma nova terceirização da educação”.

Na visão de Gregorin, os clubes são, na prática, “mais um expediente do mercado para ganhar dinheiro”. Para o professor, seria muito mais produtivo discutir como a sociedade pensa a leitura literária hoje e, a partir daí, como deveríamos colocar a criança como leitor literário. “Hoje você tem todo um marketing que mostra que é legal estar o tempo todo com o celular, que é importante estar sempre conectado para entrar no mercado de trabalho. Mas não há o mesmo tipo de marketing incentivando o interesse pela leitura ou a importância da literatura na formação”.

O que é imprescindível para que a criança queira ler é o hábito. “Os filhos têm que se acostumar a ver seus pais lendo, a ver adultos lendo, do mesmo jeito que os veem mexendo no celular. Os modelos são importantes para o aprendizado, e a responsabilidade por essa educação é dos pais”.

Periferia e academia juntos

Você é produtor, artista ou ativista cultural engajado com a (ou na) periferia? Já ouviu falar no curso de extensão Universidade das Quebradas da UFRJ? Informe-se então do módulo que pretende promover o encontro entre o conhecimento da periferia e a academia. O curso gratuito está oferecendo 80 vagas. As inscrições terminam no próximo dia 1 de março.

A partir deste ano, a ênfase do curso será na profissionalização e sustentabilidade dos projetos individuais dos quebradeiros. Para tanto, as manhãs serão dedicadas a oficinas e palestras com foco na logística de produção das atividades culturais dos participantes, com o apoio do curso de empreendedorismo da Agência UFRJ de Inovação e da ESPM.

“Nosso estudo de caso será a formação social e racial do Brasil contemporâneo. Estudaremos em profundidade dois momentos decisivos deste debate – o Romantismo do século XIX, logo após a declaração da República, e o Modernismo do início do século XX, na transição de uma economia rural para a industrial. Os livros estudados serão: Iracema, de José de Alencar, e Macunaíma, de Mário de Andrade. No final do primeiro semestre, quebradeiros apresentarão um projeto sobre sua visão de raça, gênero e sociedade no Brasil contemporâneo. No segundo semestre, através de uma parceria com o Museu de Arte do Rio (MAR), essa questão será estendida no campo das artes plásticas e da cultura visual”, informa o site da instituição.

As aulas serão às terças-feiras, de 10h às 18h, preferencialmente, na Faculdade de Letras da UFRJ (Av. Horácio Macedo, 2151, sala PACC – Cidade Universitária – Fundão – RJ

As inscrições podem ser feitas aqui.

Grupos de mensagem na escola

Por Desirée Ruas
Do site Rebrinc

Você abre o grupo de WhatsApp da escola e lá estão as fotos do seu filho na aula de artes, no recreio, na educação física, na aula de natação… Fotos que você não compartilharia porque preza a privacidade dos pequenos mas que algum pai ou mãe achou que você gostaria de ver que está tudo bem na escola hoje. Em outra ocasião, uma mãe publica a foto do olho roxo do filho, que se machucou na escola, para saber qual criança de cinco ou seis anos de idade seria a responsável pela “agressão”.

Até que ponto os grupos de pais ajudam ou atrapalham a vida escolar dos filhos? Como nossos filhos irão aprender a fazer bom uso destas ferramentas de comunicação se seus pais e mães destilam ódio nas redes sociais, compartilham conteúdos ofensivos ou não respeitam as regras de boa convivência em um grupo?

Aprender a usar 

A especialista em segurança digital e integrante da Rede Brasileira Infância e Consumo, Fabiana Gutierrez, lembra que o grupo de pais e mães é, sem dúvida, aquele que exige mais atenção dos usuários. “Algo que deveria ser extremamente útil, muitas vezes se torna um telefone sem fio, causando desconforto e exposição desnecessária” comenta. Ela explica que, como qualquer meio de comunicação escrito, o grupo de mensagens funciona como um registro. “Esse registro vai para diversas pessoas com um clique que pode viralizar o conteúdo, seja um comentário ou uma imagem, inclusive isolado de um contexto. Como toda interação virtual, o WhatsApp tem que ser visto como uma ferramenta que exige cuidado e atenção no uso”, ensina Fabiana.

O compartilhamento das informações coloca a criança ou o adolescente em uma situação desnecessária de exposição. Para Fabiana, os princípios básicos de cidadania digital devem sempre ser levados em conta. Em primeiro lugar é muito importante o cuidado com a exposição pessoal: “cada rede tem sua própria linguagem e finalidade. Os grupos de pais no WhatsApp foram feitos para trocar informações relevantes sobre assuntos das aulas e da escola. As demais informações ou comentários e, principalmente, fotos devem ser muito bem avaliadas antes de postadas. O mais preocupante é que, as imagens, uma vez na rede, mesmo quando apagadas, não apenas não desaparecem como podem ser compartilhadas e salvas. É sempre bom lembrar – e revisar – quem são os contatos que fazem parte daquele grupo. Nem sempre queremos de fato compartilhar essas imagens com todos os contatos”.

Quem usa os grupos deve saber o que é particular e privado e deve ser assim mantido: “Fotos, detalhes da vida pessoal, discussões familiares e dados pessoais são algumas das informações que não devem ser compartilhadas. A finalidade do grupo não é essa e as informações podem ser repassadas sem seu consentimento ou controle”.

E a última grande dica da especialista Fabiana Gutierrez é: pensar antes de postar. “Ainda que seja verdade e utilidade pública, que a informação valha mais que seu silêncio, lembre-se que o calor da emoção pode fazer com que as palavras usadas não sejam as melhores. Correntes, opiniões políticas e assuntos religiosos, em especial, devem ficar fora desses grupos. Num grupo como esse estamos representando outras pessoas, no caso nossos filhos. É importante lembrar disso.”

Sem transmissão, não se constroem laços

Por Marcus Tavares

Do ponto de vista da produção subjetiva, as redes sociais possibilitaram ganhos inegáveis para a sociedade, como a rápida comunicação com o outro, o acesso quase imediato à informação, as trocas até afetivas e novas formas de socialização. Mas por outro lado, nos tornaram muito dependentes das tecnologias e da aprovação do outro. A análise é da professora Rosa Maria Bueno Fischer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em entrevista à revistapontocom, ela diz que “esse modo de continuamente avaliar o outro, de saber se nos leram, se nos deram uma “curtida”, têm, no mínimo, um custo emocional e de tempo por vezes exagerado”. Destaca que também é preciso prestar atenção no que ela chama de síndrome do I, me and myself : “Esse jeito de ser contemporâneo em que o eu individualista e egocêntrico parece que encontra espaço livre para se manifestar, como se isso tivesse a ver com liberdade de expressão e até com liberdade política”.

Pesquisadora do CNPq e autora dos livros O Mito na sala de Jantar, Televisão & Educação: fruir e pensar a TV, e Trabalhar com Foucault, arqueologia de uma paixão, Rosa Fischer acredita que, no contexto atual, a presença do adulto se faz necessária para o crescimento de crianças e jovens. “Sem transmissão, sem um adulto que tenha algo a dizer às novas gerações, não se constroem laços, afetivos, sociais – o que é fundamental para uma educação digna desse nome.

Acompanhe a entrevista concedida ao jornalista e professor Marcus Tavares:

REVISTAPONTOCOM – É possível traçar uma linha histórica do impacto da TV sobre a sociedade brasileira, do Mito da Sala de Jantar (seu livro escrito na década de 80 sobre a recepção da TV por estudantes da rede pública) aos dias de hoje?
Rosa Maria Bueno Fischer – Trata-se de uma questão muito ampla. O Mito na Sala de Jantar foi escrito em 1982 e publicado em 1984. Portanto, são mais de 30 anos. O livro nasceu de uma pesquisa com crianças e adolescentes de camadas populares do Rio de Janeiro, sobre sua relação com a TV. Fico pensando: onde estarão aquelas crianças? Que adultos nasceram dali e hoje têm seus 40 ou 50 anos? Nos anos 1980, meninos e meninas de escolas públicas do Rio de Janeiro, da Zona Norte, manifestavam o genuíno desejo de “ver-se na TV”. Não interpretei esse desejo como algo narcisista. Pelo contrário. Via naquelas palavras um gesto. Um gesto de alguém que me dizia: “eu não estou ali na tela”. Ao mesmo tempo, aquelas crianças sabiam tudo de todos os canais de televisão. E esperavam que a TV lhes ensinasse muita coisa, até sobre sua vida sexual, seu desenvolvimento físico e emocional. Hoje, o acesso a canais pagos e especialmente à internet certamente provocaria nas crianças um outro tipo de resposta, na qual estariam todas essas outras possibilidades, como inclusive a de postar um vídeo no YouTube, comunicar-se com gente de qualquer parte do mundo por meio de jogos eletrônicos, ver-se infinitas vezes em fotos de selfies, enviar mensagens instantâneas pelo WhatsApp, e assim por diante. De qualquer forma, acho que a TV aberta não perdeu sua importância e alcance. Grande parte da população acompanha o que acontece no mundo pela voz e pela imagem do que lhes narram programas como o Jornal Nacional ou outro telejornal. A ficção, amada unanimemente por pessoas de qualquer camada social, tem ainda seu lugar na TV, nas telenovelas, minisséries e filmes das redes abertas; e, claro, nos dispositivos de streaming (como Netflix, Oracle, Sky, NetNow, dentre tantos). Num dia em que falta luz costumo olhar pela janela as casas e apartamentos próximos a mim, o silêncio que se instala e, de repente, até palmas e um “oh” entusiasmado, quando o problema de eletricidade se resolve: imediatamente o tom azulado das salas, saído da tela das TVs agora digitais, volta a reinar. Outro aspecto a comentar é o crescimento absurdo de programas que remetem ao “ver-se na TV”, reclamado pelos alunos e alunas de escolas públicas do Rio de Janeiro, nos idos de 1980. Cada vez mais, além dos reality shows, nossa vida íntima é exposta nas telas da televisão, muitas vezes em canais abertos. Cada vez mais somos objeto de “educação” dos comunicadores: eles nos ensinam a arrumar nossa casa, nos dão aulas de como controlar nossos filhos, como ensiná-los a alimentar-se bem, como podemos curar doenças como a de acumular objetos e peças de vestuário. Se vários desses programas não me agradam, pela forma como os adultos são desautorizados na sua função de educadores e como nos vemos numa super-exposição de nós mesmos, por outro lado fico satisfeita de ver que ocupam um bom espaço programas como os que nos informam sobre a importância radical da alteridade, como é o caso da série Liberdade de gênero, do GNT. Neste último caso, a exposição da intimidade é perfeitamente compreensível e forte, do ponto de vista comunicacional e inclusive político. Em suma, as coisas mudaram muito. Mas ainda vejo a TV com uma presença bastante relevante em nossas vidas.

REVISTAPONTOCOM – A senhora falou sobre a internet e alguns de seus desdobramentos. Pode-se dizer que as redes sociais ocupam hoje o lugar de destaque que a TV tinha no final do século XXI? O que isto traz para a construção das identidades/subjetividades/narrativas de crianças e jovens?
Rosa Maria Bueno Fischer – As redes sociais ocupam grande espaço em nossas vidas, sem que a TV tenha simplesmente desaparecido ou perdido tanto assim de sua presença. Entendo que para os mais jovens as redes sociais se tornam cada vez mais importantes em seu cotidiano. Do ponto de vista da produção subjetiva, acho que há ganhos inegáveis, como a rápida comunicação com o outro, o acesso quase imediato à informação, as trocas até afetivas, as novas formas de socialização. Mas, claro, penso que há um uso do tempo que se concentra demais nos celulares como se ficássemos literalmente dobrados sobre nós mesmos – muito dependentes da aprovação do outro, que nos vê e é visto no Facebook, Instagram etc. Acompanho a série Black Mirror e vejo que não se trata de uma ficção científica tão distante de nós… As notas que nos pedem em aplicativos de táxi e outros, de 1 a 5 estrelas, vão se ampliando para muitas outras atividades de nossas vidas. E esse modo de continuamente avaliar o outro, de saber se nos leram, se nos deram uma “curtida”, tem, no mínimo, um custo emocional e de tempo por vezes exagerado.

REVISTAPONTOCOM – Pode ser retórico, mas estamos então diante de novas gerações?
Rosa Maria Bueno Fischer – Difícil falar, genericamente, de “novas gerações”. Observo a meninada e vejo que há uma escuta cada vez maior dos jovens, que não se calam, que praticamente cobram essa nova atitude de escuta, por parte dos adultos. Ocupar as escolas de Ensino Médio, como vimos recentemente, foi algo planejado e mantido por meio dos aplicativos de celulares, ao mesmo tempo que exigiu de meninos e meninas uma organização concreta, física, de cotidiano – com resultados impressionantes em termos de aprendizado de democracia. Claro, merece atenção o que eu chamo de síndrome do I, me and myself, esse jeito de ser contemporâneo em que o eu individualista e egocêntrico parece que encontra espaço livre para se manifestar, como se isso tivesse a ver com liberdade de expressão e até com liberdade política. Nesse mesmo sentido, observo que as polarizações se cristalizam, o julgamento terrível e sumário do outro que não pensa como nós – essas são atitudes que merecem nosso cuidado, na formação dos mais jovens.

REVISTAPONTOCOM – Será que a sociedade de uma forma geral está sabendo lidar com estas novas gerações?
Rosa Maria Bueno Fischer – O que mais me preocupa é o abandono, o desamparo, quase no sentido freudiano da palavra. O desamparo estaria em que os adultos, muitas vezes, abdicam de sua voz, de dizer o que pensam, sentem e desejam para si e para os mais jovens. Isso tem duas consequências danosas: superficialmente, pode-se achar que assim deixamos a meninada com a sensação de liberdade; na realidade, observa-se uma sensação de abandono, de falta de referência, de lugar de acolhida, não daquele que passa a mão na cabeça do mais novo e aprova todas as suas “maluquices”, mas daquele que se afirma, que assume o lugar de adulto generosamente, de forma dedicada e delicada, mostrando-se nas suas escolhas, no seu jeito de ser, sem transmudar-se ele mesmo em jovenzinho e “modernoso”.

REVISTAPONTOCOM – E a mídia? Como vem lidando com estas novas gerações?
Rosa Maria Bueno Fischer – Penso que faltam mais programas e séries que possam discutir mais abertamente situações de adolescentes e jovens. Acho que um apresentador como Serginho Groisman continua sendo uma boa referência. Mas sinto que seria bem importante a meninada ter acesso a séries cuja narrativa fosse mais aberta, mais delicada, mais profunda, de modo a oferecer numa linguagem aberta uma discussão inteligente, deixando espaços abertos para o espectador. Nesse sentido, lembro de uma série chamada My so called life, norte-americana, estrelada por Claire Danes (no Brasil, a série foi chamada Minha vida de cão, e exibida nos anos 1990 pelo canal Multishow). O que ainda persiste é um certo tom moralista e “educativo”, no mau sentido, aquele que se constrói sobre dualismos de bem e mal, sem a criatividade e a coragem de mostrar a riqueza e a complexidade da vida. Persiste também, na mídia, a escolha da juventude como o lugar da perfeição – como se assim nossa sociedade nos dissesse: “vamos ficar do lado de cá, sejamos sempre jovens, não nos tornemos adultos, pois isso é sinal de caretice”, e assim por diante. Falta uma clareza maior dos próprios criadores para TV e vídeo, sobre a necessidade de existir, de fato, uma distância criativa entre as gerações, entre o que é velho e o que é novo, entre o que passou (e ficou como genuína história a narrar às novas gerações) e o que chega, com potência para questionar, transgredir, ultrapassar.

REVISTAPONTOCOM – Neste contexto, o que deveria se educar nos dias de hoje?
Rosa Maria Bueno Fischer – Acho que já explicitei a importância de um adulto que assuma de fato o lugar do adulto, sem medo do outro-jovem, supostamente mais “sabido” que os mais velhos, por conta do acesso e da facilidade das novas tecnologias de informação e comunicação. Penso na relevância de o adulto estar bem informado, de reservar um tempo realmente de entrega e de escuta das crianças e adolescentes, não no sentido de simples e direta submissão a eles, mas de constituir-se como um adulto que deseja, que se responsabiliza pelo próprio dizer, diante dos mais jovens (que, pensando bem, esperam muito por essa responsabilização). Em outras palavras (e usando uma terminologia lacaniana): educar tem a ver com a presença de um adulto que se coloca no lugar de suposto saber (e não da certeza tácita e compacta); adultos a quem chegam perguntas dos mais jovens, com liberdade, e que, nesse processo, possibilitam ao outro o ensaio de respostas, mostrando que eles próprios (adulto pai, adulto mãe, adultos professores) genuinamente desejam essa busca de respostas pelos filhos e alunos. Sem transmissão (no sentido de Benjamin), sem um adulto que tenha algo a dizer às novas gerações, não se constroem laços, afetivos, sociais – o que é fundamental para uma educação digna desse nome.

Edição recebe produções

Vem aí a 16ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, um dos eventos mais emblemáticos do país no que tange a valorização das produções brasileiras dedicadas ao público infantil. Os interessados em inscrever suas obras já podem se organizar. As inscrições estão abertas. Serão encerradas no dia 15 de março. A mostra será realizada de 1 a 9 de julho, no Teatro Governador Pedro Ivo, em Florianópolis, e em mostras itinerantes para alunos de escolas públicas e comunidades da Grande Florianópolis. O evento prevê também a exibição de filmes em outras cidades de Santa Catarina.

A inscrição na Mostra Competitiva Nacional é gratuita e aberta a filmes e vídeos de todos os gêneros e formatos de curta-metragem, incluindo episódios completos ou pilotos de séries de tv e webséries com a duração de até 20 minutos que privilegiem o público infantil. As produções inscritas devem ter sido realizadas por brasileiros (ou radicados no Brasil), e preferencialmente inéditas em Santa Catarina, e competirão em categorias distintas organizadas pela curadoria de acordo com as características das obras inscritas. Formulário e mais informações sobre o procedimento de inscrição estão no site www.mostradecinemainfantil.com.br.

A curadoria da Mostra selecionará filmes e vídeos de qualidade técnica e artística, com conteúdo próprio para o público infantil, de acordo com a classificação indicativa do Ministério da Justiça, de caráter lúdico e/ou educativo. A lista dos selecionados será divulgada no dia 15 de abril de 2017 .

A 16ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis oferecerá 05 (quatro) prêmios, nas categorias: Melhor Ficção, Melhor Animação e Melhor Episódio ou Piloto de Série, escolhido pelo Júri Oficial; Melhor Filme, escolhido pelo Júri Popular, votado pelo público durante os finais de semana; e Prêmio Especial das Crianças, votado por um Júri Infantil. Os vencedores receberão troféu e certificado do evento.

Como faz há bastante tempo, a Mostra de Cinema Infantil promove sessões acessíveis e, nesta edição, vai ampliar esta busca. Além disso, os filmes selecionados, por exigência legal, devem também ter versões com Audiodescrição (para cegos e pessoas com deficiência visual) e legendas e Libras (para surdos e pessoas com deficiência auditiva). Caso os filmes selecionados ainda não possuam estas versões, a produção do evento entrará em contato com os realizadores para solucionar conjuntamente esta questão.

Os filhos do quarto!

Por Cassiana Modolo Tardivo
Psicopedagoga

Artigo originalmente publicado no blog do Colégio Americano Batista

Estou para escrever desde o dia que me peguei chorando por aquele garoto de 13 anos em São Vicente que por uma brincadeira, veio a falecer (lembre o caso aqui). Não sejamos exageradas para dizer que só agora com advento da WWW temos perdido filhos. Eles faleciam também antes disso.

Mas antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mares, hoje temos perdido eles dentro do quarto! Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias e ao ouvi-los, mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes. Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos eletrônicos em suas mãos. Quero deixar bem claro que não sou contra e nem capetizo tudo isso. Mas queridos, precisamos ser sinceros: temos perdido o equilíbrio.

Hoje não escutamos suas vozes, não ouvimos seus pensamentos e fantasias, as crianças estão ali, dentro de seus quartos, e por isso pensamos estarem em segurança. Quanta imaturidade a nossa. Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que saibamos o que é…

Alguns, como o garoto de São Vicente, perdem literalmente a vida, mas tantos outros aí, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com seus pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de ídolos de youtube, de modismos passageiros, que em nada contribuem para formação de crianças seguras e fortes para tomarem decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares. Dentro de seus quartos perdemos os filhos pois não sabem nem mais quem são ou o que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar… Se tornam uma mistura de tudo aquilo pelo qual eles tem sido influenciados e país nem sempre já sabem o que seus filhos são.

Você hoje pode ler esse texto, amar, marcar os amigos. Pode enxergar nele verdades e refletir. Tudo isso será excelente. Mas como Psicopedagoga tenho visto tantas famílias doentes com filhos mortos dentro do quarto, então faço você um convite e, por favor aceite ! Convido você a tirar seu filho do quarto, do tablet, do fone de ouvido, convido você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos na sala, ao seu lado por no mínimo 2 dias estabelecidos na sua semana a noite (além do sábado e domingo). E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidades de tê-los vivos, “dando trabalho” e que eles aprendem a viver em família e se sintam pertencentes no lar para que não precisem se aventurar nessas brincadeiras malucas para se sentirem alguém ou terem um pouco de adrenalina que antes tinham com as brincadeiras no quintal!

Conteúdos culturais

Você sabia que a Cinemateca Brasileira realiza um importante trabalho de difusão de seu acervo, por meio do Banco de Conteúdos Culturais (BBC). Estão disponíveis no site, por exemplo, reportagens e telenovelas da extinta TV Tupi, longas-metragens produzidos pelos estúdios Atlântida e Vera Cruz, filmes mudos, cartazes de filmes brasileiros e estrangeiros, entrevistas, fotografias e outras preciosidades do audiovisual nacional, como a animação (veja acima) do Instituto Nacional do Cinema Educativo (Ince).

De acordo com a coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa da Cinemateca Brasileira, Gabriela Sousa de Queiroz, em 2016, o BCC teve 781.319 visualizações de páginas e foi acessado por 50.214 usuários. Além disso, o banco teve uma relevante quantidade de acessos internacionais, mais de oito mil, em sua maioria dos Estados Unidos, Portugal, França e Alemanha.

Segundo Gabriela, a importância do BCC reside no seu potencial para difusão em larga escala de coleções audiovisuais preservadas pela Cinemateca Brasileira. Os conteúdos são disponibilizados a partir de um trabalho de pesquisa, catalogação, processamento técnico das matrizes audiovisuais e sua digitalização. Dessa forma, o público tem acesso a um conteúdo contextualizado (ficha técnica, sinopse, assuntos etc.).

“Trata-se de uma tentativa de ampliar o acesso a conteúdos culturais de grande relevância para a pesquisa no campo, mas também para um público mais amplo interessado no audiovisual brasileiro. O projeto dialoga ainda com o Plano Nacional de Cultura que, na sua meta 40, prevê indicadores relativos à disponibilização de conteúdos digitais da Cinemateca Brasileira e do Centro Técnico Audiovisual, unidades da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura”, explica a coordenadora.

Os usuários do Banco de Conteúdos Culturais contarão em breve com novidades. No primeiro trimestre de 2017, deverão ser publicados novos conteúdos a partir dos trabalhos de digitalização de coleções da Cinemateca Brasileira (cartazes, fotografias etc.) realizados em 2016. Destaque para a futura publicação de materiais de arquivo sobre o fundador da Cinemateca Brasileira, Paulo Emílio Sales Gomes (1916-1977), professor, crítico, conservador audiovisual e militante político.

Gabriela adianta ainda que, também no primeiro trimestre desse ano, o site ganhará um novo layout. “O objetivo principal da mudança é facilitar a utilização do site, tanto pelos usuários que acessam o banco para uma busca específica, quanto para as pessoas interessadas nos temas de forma mais ampla e que poderão agora explorar o acervo de forma mais visual e intuitiva, melhorando a experiência”, afirma. “Uma nova estrutura para a página inicial foi criada, com ênfase nos materiais multimídia, projetos especiais e busca simplificada e unificada. Para manter um padrão de identidade entre as plataformas de comunicação on-line da instituição, o BCC foi redesenhado de acordo com as diretrizes visuais do novo site da Cinemateca”.

Acesse e pesquise aqui

Declaração de Buenos Aires

Nos dias 24 e 25 de janeiro, ministros da pasta de Educação de países da América Latina e Caribe participaram, em Buenos Aires, da  Reunião Regional, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Com o tema E2030: Educação e Habilidades para o Século XXI, o encontro reuniu delegações de 32 países da região para debater os caminhos para uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, além de oferecer oportunidades de aprendizado ao longo da vida.

Os ministros se comprometeram a investir e priorizar a educação da primeira infância em paralelo à educação inclusiva. Na ocasião, assinaram a Declaração de Buenos Aires. Clique aqui e leia na íntegra (em espanhol).

“O Brasil tem uma relevância importante para os países da América Latina e do Caribe e tem a responsabilidade de colaborar para que nossa região ponha em prática políticas públicas que enfatizem a qualidade, que valorizem a formação dos professores, que fortaleçam a base de uma alfabetização de qualidade e que, ao mesmo tempo, aprimorem a educação como um todo”, afirmou o ministro da Educação, Mendonça Filho, que participou da reunião.

Fórum Mundial da Água

O 8° Fórum Mundial da Água vai acontecer, no ano que vem, no Brasil. Mas a organização garante que a participação da sociedade já pode começar a partir deste mês. Está sendo criada uma plataforma de consulta aberta para que os que desejarem possam expressar seus pontos de vista e interesse sobre o tema ou ainda compartilhar experiências, soluções ou até mesmo enriquecer os debates sobre os rumos da gestão dos recursos hídricos. Haverá seis salas de debate. São elas:

Clima – segurança hídrica e mudanças climáticas
Pessoas – água, saneamento e saúde
Desenvolvimento – água para o desenvolvimento sustentável
Urbano – gestão integrada de água e resíduos urbanos
Ecossistemas – qualidade da água, subsistência de ecossistemas e biodiversidade
Finanças – financiamento para segurança da água

Serão três rodadas de discussões que vão durar oito semanas cada.  A primeira etapa começa em fevereiro, em data ainda a ser divulgada, e vai até abril, seguida por uma votação mundial para identificar as questões mais relevantes a respeito da água. As discussões online são coordenadas pela Agência Nacional de Águas (ANA), co-organizadora do 8º Fórum.

Cada sala temática vai contar com três ou quatro moderadores, sendo ao menos um brasileiro. Na temática do clima serão abordadas segurança hídrica e mudanças climáticas. Quando o tema for pessoas, as discussões serão em torno de saneamento e saúde. A água no contexto do desenvolvimento sustentável estará em pauta na sala sobre desenvolvimento. No tema urbano, a gestão integrada da água e dos resíduos urbanos conduzirá os debates. Na sala sobre ecossistemas, os fios condutores serão a qualidade da água, a subsistência de ecossistemas e a biodiversidade. O tema finanças vai discutir o financiamento para segurança hídrica.

A plataforma Sua Voz estará disponível em português e inglês no site http://www.worldwaterforum8.org/ e contará também com tradução para mais 90 idiomas de modo a facilitar a participação de pessoas da maioria dos países do mundo.

Óculos para a rede pública

Trinta por cento das crianças em idade escolar apresentam algum problema de visão. E o que é mais grave: 8 entre 10 em idade pré-escolar nunca fizeram exame de vista. Com o objetivo de mudar este quadro, as Óticas Carol desenvolveram a campanha Pequenos Olhares, que tem o objetivo de baratear a venda de óculos para meninos e meninas da rede pública de ensino. Enquanto o custo médio de um óculos infantil é de R$ 200, os óculos Pequenos Olhares estão sendo vendidos em 10x de R$ 4,90.

Para adquirir os óculos, as crianças precisam ter entre 4 e 11 anos de idade. Devem ser estudantes de escola pública e comprovar a matrícula com um dos seguintes documentos: declaração de matricula do ano; declaração de frequência com carimbo da escola; RG escolar com foto e carimbo do ano atual.  É necessário ainda levar receita médica para que o óculos sejam feitos, pois nas lojas não são realizados exames. Mais informações no site http://www.oticascarol.com.br/pequenosolhares

Trem do Corcovado

A concessionária Trem do Corcovado abriu chamada de propostas para a contratação de Instituição de Pesquisa Universitária para elaboração e execução de Diagnóstico Socioambiental participativo nas comunidades do Guararapes, Cerro-Corá, Vila Cândido e Prazeres. A ideia é que o estudo subsidie a formatação de programas de educação socioambiental e qualificação de mão de obra nas regiões em torno da atividade concessionada.

A instituição de pesquisa deverá dar conta de sete atividades. São eles: 1) Apresentação de Plano de Trabalho: Deverá conter detalhamento de cada atividade proposta, materiais e métodos empregados, cronograma físico financeiro, técnicos contratados para cada atividade etc; 2) Levantamento de dados secundários: levantamento, sistematização, tabulação e análise de dados secundários, socioambientais, socioeconômicos e político-culturais, realizados por instituições públicas e privadas, quando houver, referências bibliográficas disponíveis sobre as áreas das favelas, panorama histórico e informações que orientem as pesquisas para as áreas de interesse demonstradas pela população local. Ao término será entregue relatório detalhado; 3) Ampla mobilização das favelas do Cerro Corá, Guararapes, Vila Cândido e Prazeres para participar das Oficinas de Diagnóstico Socioambiental e demais atividades; 4) Oficinas participativas nas quatro comunidades. Deverá ser prevista a realização de pelo menos 01 (uma) oficina em cada região, com a disponibilidade de alimentação; 5) Os resultados das atividades anteriores deverão ser compilados, sistematizados, analisados e disponibilizados em Relatório; 6) Avaliação dos Resultados pelos sujeitos da ação; e 7) Apresentação do Relatório Final.

“O diagnóstico é o primeiro projeto que será financiado pelo Trem do Corcovado em atendimento à obrigação contratual descrita no item 18.3 do projeto base da concessão. Seu objetivo é levantar as demandas dos moradores das favelas para a construção do Programa Socioambiental que será implementado nos próximos anos, até o final do contrato de concessão. Pela primeira vez, um programa socioambiental será implementado como obrigação contratual de uma concessão em unidade de conservação federal. Vale ressaltar também que o termo de referência foi integralmente construído em conjunto com lideranças das favelas envolvidas”, informou Isaura Bredariol, responsável pela coordenação de Gestão Socioambiental do Trem do Corcovado.

As propostas serão recebidas até o dia 9 de março. Para mais informações acesse aqui o edital na íntegra.

Fé em questão

Wladimir Weltman, roteirista e jornalista que viveu 4 anos na Terra Santa e há anos dedica-se a estudar o nascimento de duas das mais importantes religiões do mundo ocidental – o Judaísmo e o Cristianismo – elaborou um curso que se propõe a levar os participantes a uma viagem no tempo.

Os encontros vão girar em torno de informações contidas em livros, como o best seller Zelota – A Vida e a Época de Jesus de Nazaré, de Reza Aslan; Maria Madalena e o Santo Graal: a Mulher do Vaso de Alabastro, de Margaret Starbird; The Historical Jesus, de John Dominic Crossan; The Mythmaker: Paul and the Invention of Christianity, de Hyam Maccoby; Julgamento de Jesus, o Nazareno, do juiz israelense Haim Cohn; The Life and Teachings of Hillel, de Yitzhak Buxbaum; Works of Josephus, traduzido por William Whiston; O Guia dos Perplexos, de Maimônides; e, obviamente, a Bíblia – o Velho e o Novo Testamento.

“Juntos, vamos questionar e responder 100 perguntas sobre religião que você sempre quis fazer e nunca teve coragem de fazê-las. Serão sete encontros de 2 horas, com a exibição de trechos de filmes”, adianta Weltman.

As aulas acontecerão, no bairro de Botafogo, sempre às terças-feiras, das 19h30 às 21h30. O curso inicia-se no dia 14 de março. O investimento é de R$ 750,00. Informações e inscrições através do e-mail w.weltman@hotmail.com ou pelo telefone (21) 99297-4137.