Clean Up: seja voluntário

Que tal arregaçar as mangas neste sábado, dia 25 de março, e, de fato, contribuir com o meio ambiente? O WWF-Brasil, em parceria com o Instituto Mar Adentro, mobiliza voluntários para limpar a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e organiza o 1º Mutirão de Limpeza de Praia, o Clean Up. O evento vai acontecer entre os Postos 5 e 6, entre 8h e 11h, na mesma data em que será realizada a Hora do Planeta, campanha que ressalta a importância de ações individuais e coletivas em prol do planeta. Ao final do encontro, será feito um “abraçaço” ao mar, que começará no Posto 6 e se expandirá. As pessoas darão as mãos para criar uma corrente de desejos positivos para o oceano.

Quer participar da ação como voluntário? Para se inscrever, basta acessar o link e preencher o documento.

A ideia é reunir 500 voluntários que atuarão como agentes do bem, recolhendo micro lixos da praia e auxiliando na educação ambiental no local, conversando com o público presente sem distribuir qualquer papel, abordando a problemática sobre o abandono de lixo no mar, problemas sobre a fauna e a flora marinha e a importância da coleta seletiva.  A intenção do projeto é  aumentar a conscientização sobre o meio ambiente marinho, engajando a comunidade para que participe na preservação e proteção da natureza, aderindo às atividades de limpeza de praia e à prática da coleta seletiva.  A parceria da  comunidade é fundamental.

No local, também haverá a venda de produtos reciclados do plástico, por meio do projeto Remolda, que faz parte da campanha Plástico Vale Ouro do WWF-Brasil e busca reduzir a chegada de plástico na Baía de Guanabara promovendo desenvolvimento social para comunidades locais.  O evento, que faz parte do projeto Conhecer para Preservar, é uma parceria entre WWF-Brasil e Instituto Mar Adentro, que atuam juntos para a preservação marinha desde 2016, com mutirões de limpeza como esse, cursos para a comunidade, ações com o público infantil e monitoramento de cetáceos (baleias e golfinhos) e de aves marinhas.

A ação conta com o apoio e a participação do Movimento Lixo Zero, Colônia de Pescadores Z13, do Rio Eu Amo Eu Cuido, BG500, Projeto Aruanã, Projeto Praia para Todos, Meu Copo Eco, Instituto IEVA, Movimento Clean Up The World, Eco Eduque, Verde Mar, Mergulho Consciente, G BioTra, X-CAm, Jornal O Posto 6 Sanatto (empresa de coleta), Biscui, Rainha e Flor de Copa (restaurantes), Clube Carioca VA´A, O Treino, Da Selva Sup, Street Runners, Natação no Mar (consultorias esportivas), Associação Brasileira do Lixo Marinho e Associação de Stand Up Paddle.

Hora do Planeta

Uma hora pode fazer a diferença. Neste 25 de março, acontece mais uma vez a campanha Hora do Planeta. Trata-se de uma iniciativa ambiental em parceria com a WWF.  Indivíduos, empresas, governos e comunidades estão convidados a desligarem as luzes de suas residências durante uma hora, das 20:30 às 21:30, para mostrarem o seu apoio à ação ambiental sustentável. Em 2016, o evento chegou a 178 países. Mais de nove mil cidades participaram.

A mentira como matéria prima

Por Paulo José Cunha
Jornalista e professor

É fácil perceber o desastre resultante da associação entre a incapacidade de distinguir notícia falsa e a proliferação em escala planetária de noticiário mentiroso, criado com a finalidade de alavancar o ganho pessoal dos donos de sites por meio do reforço a convicções ideológicas e/ou religiosas fundamentalistas.

Tal fato ocorre de forma vertiginosa e devastadora em toda parte onde chega sinal de internet. Fake news ampliada PixabayA resultante desse coquetel é uma mistura de desinformação, preconceito, intolerância, incompetência para a escolha consciente e incapacidade de autodeterminação. Ou seja, o contrário das bases para o bom funcionamento do sistema democrático.

Pesquisa da Universidade de Stanford, realizada com 7.804 estudantes americanos dos ensinos fundamental, médio e superior, concluiu que é “lamentável” a capacidade dos jovens de processar corretamente informações divulgadas nas redes sociais. Sam Wineburg, que conduziu o estudo, afirmou: “Muita gente acredita que os jovens, bem ambientados nas mídias sociais, têm perspicácia para compreender o que leem. Nosso trabalho mostra que o oposto disso é verdadeiro.” Num dos testes, os estudantes deveriam analisar uma publicação com a foto de uma flor supostamente modificada pela radiação da usina de Fukushima, atingida pelo tsunami de 2011. A publicação não trazia fonte ou indício de que a foto havia sido tirada perto da usina nem evidência de que a flor havia sido modificada pela radiação. Ainda assim, 40% acreditaram na veracidade por achar que havia informação suficiente para lhe dar crédito.

Matéria do Washington Post revela que Paris Swade e Danny Gold, donos de um site direitista radical de notícias falsas, orgulham-se – sim, orgulham-se!, sem qualquer sinal de remorso – de praticar “imprensa marrom”. Até os nomes que os dois usam são falsos. Para ganhar caminhões de dinheiro precisam de um laptop e de um sofá para escrever e acompanhar a viralização dos posts. Na última eleição, todos os candidatos republicanos investiram grana preta no site deles. O ex-garçom Paris Swade não diz quanto ganha. Mas admite que teria de ralar cinco anos pilotando uma bandeja para conseguir ganhar o que embolsou em apenas seis meses afagando o ego da extrema-direita com notícias inventadas.

Onde de descrédito

Em sua primeira “matéria”, inventou que, segundo uma fonte anônima, um cientista da Coreia do Norte fugira do país com dados sobre experiências com humanos. Na falta de uma imagem mais “real”, achou a foto de uma massa de carne e postou: “Coreia do Norte: experimentos em humanos”. Em dez minutos ganhou U$120,00. Nunca mais parou de mentir. Nem de ganhar carradas de dinheiro. Os dois não são religiosos, mas como isso funciona, pedem que Deus abençoe Trump. E tome notícia falsa como: “Segredos que envolvem o nascimento de Obama revelados. Cartas do pai dele revelam algo de sinistro!”

O fenômeno é avassalador e se espalha sem qualquer controle ou contraponto. Afinal, a internet é terra de ninguém. Não se sujeita a qualquer regulação. Antes que os arautos da censura se apresentem, é bom deixar claro que é assim que deve continuar!

Com a onda de descrédito que assola a imprensa de mercado (por culpa dela própria e pela falsa noção de que é possível substituir informação confiável por memes irresponsáveis da internet), fica fácil concluir que a situação beira perigosamente o abismo. Tanto o estudo de Stanford quanto a matéria do Washington Post se referem ao público norte-americano. Mas o Brasil poderia ter sido o cenário e o resultado seria o mesmo. Ou pior.

Se o leitor chegou até aqui, com certeza vai querer deste articulista alguma sugestão de como se pode sair deste imbróglio. A resposta está na ponta da língua, nem precisa esperar: não sei.

Ensino Médio em pauta

Qual é o impacto das novas regras do Ensino Médio? Quais são os desafios? O que vem por aí? Uma boa discussão sobre o tema vai acontecer nesta quinta-feira, dia 23, na Fundação Getúlio Vargas.  O Seminário os desafios do Ensino Médio é uma iniciativa do programa FGV Ensino Médio com o objetivo de reunir grandes especialistas em educação e gestores estaduais para debater as mudanças, os desafios e objetivos da Reforma do Ensino Médio.

No evento os palestrantes irão abordar temas relacionados aos itinerários formativos, à formação continuada de professores e os desafios que tais transformações geram nas gestões estaduais. O evento terá a presença do secretário de Educação do Rio de Janeiro, Wagner Victer; o presidente do Conselho Nacional de Educação, Eduardo Deschamps; e o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen.

O credenciamento acontecerá a partir das 8h, e a abertura do seminário acontecerá ás 9h, com a palavra do presidente da FGV. Às 10h terá início o debate “Base Nacional Comum Curricular e a Reforma do Ensino Médio, com mediação da ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin.

Após a pausa do almoço, acontecerá o debate “Ênfase, ampliação da jornada e organização por módulo e crédito: como elaborar currículos integrados e formação continuada de professores”. A última mesa será formada às 16h com o assunto “Reflexos da Reforma do Ensino Médio na Gestão das Redes Estaduais.”

Inscrições podem ser feitas aqui

Igualdade de gênero na escola

Do site Rebrinq

Enquanto a mídia teima em reforçar os estereótipos de gênero e uma cultura machista, mostrando comerciais com mulheres que cuidam da casa, dentre outros exemplos, professores buscam formas de levar o debate para dentro da sala de aula. O educador pode usar notícias e reportagens, recortes de anúncios publicitários e trechos de comerciais, filmes e programas de TV para debater a igualdade de gênero e a violência contra a mulher na sala de aula, adaptando o conteúdo para a faixa etária dos alunos. O relato a seguir vem de uma experiência vivida por uma professora de História de uma escola na Bahia que fez uso de uma história em quadrinhos.

“Aula proveitosa e participativa. Sensação de dever cumprido”, resumiu a educadora Valdiceia Ribeiro ao falar da atividade sobre igualdade de gênero realizada na Escola Municipal Maurina de Oliveira, escola rural situada numa área remanescente de quilombo, em Vila Juazeiro, município de Ibirapuã, no sul da Bahia. Professora de História, ela trabalha com crianças e adolescentes com idade entre 10 e 14 anos.

Para discutir o assunto, Valdiceia pediu a seus alunos para fazerem um registro de suas atividades cotidianas e numa roda de conversa cada um falaria sobre essas ações. “Durante a socialização minhas suspeitas se confirmaram: as meninas faziam serviços domésticos depois da aula e os meninos reservavam seu tempo ao lazer”, conta Valdiceia.

“Questionei aos garotos o porquê disso e eles responderam que serviços domésticos são coisas de mulher. Passei então a discutir com eles essa questão de gênero, desconstruindo esse pensamento machista. Eles foram muito participativos, foi uma aula bastante proveitosa”, avalia.

Para falar sobre as várias formas de violência contra a mulher e a cultura do estupro que impera na sociedade, a educadora também usou uma história em quadrinhos do livro “A História e a Formação para a Cidadania no Anos Iniciais do Ensino Fundamental”. As imagens mostram uma situação onde um menino fotografa uma colega de escola e publica nas redes sociais. “Após a análise dos quadrinhos iniciei alguns questionamentos. E finalizei com um debate sobre o tema.”

A divulgação de imagens íntimas é uma realidade entre adolescentes e com frequência é uma forma de violência contra a mulher. Para ajudar outros educadores a debater o tema do machismo, da cultura do estupro, da violência e da igualdade de gênero, Valdiceia fez um plano de aula com sequência didática para ser compartilhado.

Quer saber mais, veja o plano de aula da professora, clique aqui

Diversidade em prêmio

Dados do site ComKids

Olha que bacana. Estão abertas as inscrições do Festival Plural+, uma iniciativa da Aliança de Civilizações que, no âmbito das Nações Unidas, busca mobilizar a opinião pública em todo o mundo para superar preconceitos e percepções equivocadas que, muitas vezes, levam a conflitos entre Estados e comunidades heterogêneas. Realizado junto com a IOM (International Organization for Migration), o prêmio vem sendo realizado desde 2009. O tema principal dessa iniciativa são as migrações e a celebrações da diversidade e da inclusão social. Em um mundo que é constantemente caracterizado pela intolerância e por divisões religiosas e culturais, é vital que os jovens sejam reconhecidos como agentes de transformação social.

Para participar da competição do Plural+ jovens de até 25 anos são convidados a enviar seus curtas. A duração máxima dos vídeos é de cinco minutos. A competição está dividida em três categorias: até doze anos, 13 a 17 anos e 18 a 25 anos. Os ganhadores receberão um prêmio no valor de U$ 1.000,00 além de serem convidados a Nova Iorque, com todas as despesas pagas, para apresentarem seus trabalhos na ocasião.
Em 2017 será celebrado também o prêmio Plural+ de prevenção da Xenofobia (Plural+ Award for the Prevention of Xenophobia), cujo vencedor também será convidado a voar aos Estados Unidos.

Mais informação e o regulamento da competição pode ser encontrada no site da organização.
O prazo para envio de inscrições é o dia 4 de junho de 2017.

Dia Mundial da Água: participe

Na celebração do Dia Mundial da Água, dia 22 de março, e do Dia Meteorológico Mundial, dia 23 de março, e na comemoração dos 50 anos de criação do Programa de Engenharia Civil (PEC) da COPPE/UFRJ e do Instituto de Geociências (IGEO/UFRJ), A Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) e o Núcleo do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMET/RJ) convidam os interessados para participar do debate sobre contribuições técnico-científicas na perspectiva de suporte a ações concretas de impacto social ampliado para a minimização de problemas relacionados a eventos meteorológicos extremos que condicionam a disponibilidade hídrica e a ocorrência de desastres naturais, com severas consequências para a sociedade brasileira. O Seminário será realizado na COPPE/UFRJ – Centro Tecnologia, na cidade de Rio de janeiro-RJ, no dia 22 a 24 de março de 2017, a partir das 13:00 horas.

Confira, aqui, a programação oficial

Biomas brasileiros: conheça

Quem quer conhecer  melhor os biomas brasileiros, refletir criticamente sobre a situação atual em que se encontram e repensar o Brasil a partir deles, não pode deixar de ler o livro Biomas do Brasil: da exploração à convivência, de Ivo Poleto. A versão digital, gratuita, acaba de ser lançada. De acordo com Poleto, o objetivo da publicação é criar oportunidade para que mais pessoas possam conhecer melhor o Brasil, e conhecê-lo a partir da história da Terra.

“Os primeiros seres humanos que chegaram aqui já encontraram diferentes “jardins” em que podiam viver. Quem os criou foi a mãe Terra, com a presença do Espírito criador, e não os seres humanos. O que estes fizeram em cada “jardim” é o conteúdo da história humana, com suas engenhosidades e contradições. Como verão na leitura do livro Biomas do Brasil: da exploração à convivência, a melhor tradução popular do substantivo bioma é berço de vida. E o território brasileiro foi contemplado com  diferentes berços de vida”, destaca Poleto.

Para o escritor,  a proposta do livro é que ele seja pensado, ou repensado, a partir dos diferentes biomas, a partir das diferentes histórias humanas nos sete biomas que constituem o seu território: Caatinga, Cerrado, Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Pampa e Zona Costeira. “Esse é, evidentemente, um imenso desafio, já que todas as pessoas foram educadas a partir da ilusão de que essas diferenças não existem, não são importantes. Ao encarar o caminho contrário a essa visão será possível dar-se conta das violências que os seres humanos fizeram aos diferentes berços de vida por não levarem a sério suas especificidades, potencialidades e fragilidades”, enfatiza Poleto na introdução da obra.

Acesse aqui o pdf gratuito da obra

Alternativas à mídia tradicional

No dia 24 de março, acontecerá o seminário “Alternativas à mídia tradicional”, no Centro Cultural Marques de Melo, em São Paulo. O encontro, promovido pela Intercom e coordenado por seu diretor Editorial, Felipe Pena, contará com a presença, para debater o tema central, de Mino Carta, da Carta Capital; Luis Nassif, do Jornal GGN; Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada; Helena Chagas, de Os Divergentes; Kiko Nogueira, do DCM; Pablo Capilé, da Mídia Ninja; Miguel do Rosário, de O Cafezinho; Leo Attuch, do Brasil 247; André Miguez, do coletivo O Mariachi; e Vinícius Souza, do coletivo Jornalistas Livres.

As inscrições estão encerradas, mas haverá transmissão, ao vivo, via  Facebook , das 10h às 18h30.

O ensino da História

Por Marcus Tavares

Livros, filmes, novelas e séries de TV. Parece haver nos dias atuais uma maior profusão de conteúdos históricos servindo de base e enredo para diferentes narrativas que se multiplicam e potencializam via o mundo digital. Vivemos o que alguns pesquisadores chamam de ‘boom memorial’.

E qual seria o impacto deste cenário na construção do conhecimento histórico escolar? Foi exatamente esta pergunta que orientou a tese de doutorado da pesquisadora Patrícia Teixeira de Sá. Durante três meses, ela acompanhou as aulas de História em três turmas de 9º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro.

A pesquisa Conhecimento histórico e mídia em uma escola da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, defendida no ano passado no Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Rio, aponta que a mídia esteve presente nas aulas, viabilizando uma flexibilização de narrativas históricas unidirecionais. Os estudantes, apesar de afirmarem que os meios de comunicação alimentam seus imaginários históricos, não conferem alto grau de confiabilidade às narrativas midiáticas. Pelo contrário, valorizam a palavra escrita impressa e a fala do professor.

“Não diria que a mídia é determinante no processo de construção do conhecimento histórico. No entanto, podemos afirmar que a mídia tensiona esse processo e traz outras e novas questões para serem trabalhadas. Ela favorece tal construção à medida que pode promover uma visão da história que incentiva a multiperspectiva. Com uso de mídia, a noção de verdade histórica pode ser complexificada e estimular os estudantes a colocarem questões para a história, na perspectiva da história-problema”, destaca.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

REVISTAPONTOCOM – Antes de mais nada, para ficar claro para o leitor, o que você chama de conhecimento histórico escolar?
Patrícia Teixeira de Sá – Conhecimento histórico escolar é uma categoria de análise que procura compreender a natureza do conhecimento produzido na disciplina escolar História. Uma grande justificativa para se pensar sobre o significado do conhecimento histórico produzido na escola é ultrapassar sua desqualificação, isto é, criticar a ideia de que o conhecimento histórico escolar seria vulgarização e simplificação do conhecimento histórico produzido na academia. Evidentemente, existe uma relação entre as duas modalidades de conhecimento. Nas aulas de História, na Educação Básica, diferentes abordagens historiográficas estão presentes, por meio de leituras e apropriações realizadas por professores, nos livros e materiais didáticos e em atividades que envolvem pesquisa a partir de procedimentos metodológicos do campo da História. No entanto, a finalidade do ensino de história escolar não é a formação profissional de historiadores. Estamos lidando com estudantes em processo de aquisição da linguagem formal e estruturada em diversos campos de conhecimento, em estabelecimentos de ensino que, além de promover esse contato com os conceitos do mundo da ciência, também têm por missão a socialização e a formação para a cidadania. Portanto, o conhecimento histórico produzido na escola é resultado da interação entre estudantes, professores e conhecimento e está tensionado por outros fatores, além das narrativas de professores e de livros didáticos. Pode-se considerar que exercem considerável influência as narrativas sobre a história que circulam nas mídias e em conversas cotidianas, o que demonstra a presença e a força da memória social na construção de conhecimento histórico na escola.

REVISTAPONTOCOM – Neste sentido, de que forma, nos dias de hoje, se viabiliza a construção do conhecimento histórico no Ensino Fundamental?
Patrícia Teixeira de Sá – Observamos, hoje, um cenário de muita produção sobre a história, em diversas vertentes e modalidades. Intensificação de processos de patrimonizalização, valorização do turismo histórico, profusão de conteúdos históricos digitais na internet, filmes e novelas com temas históricos, biografias, obras históricas voltadas para o grande público. Todos esses elementos fazem parte de um contexto de grande interesse pelo passado que alguns pesquisadores denominam de “boom memorial”. Além disso, temos um público de estudantes cada vez mais imerso no mundo digital. Um fato inédito historicamente é o acesso de crianças e jovens, em larga escala, a dispositivos móveis conectados à internet. Tudo isso pode influenciar muito a construção do conhecimento histórico. Sabemos que historicamente a escola se constituiu como instituição pautada em grande medida pela cultura escrita e essa marca é predominante até os dias atuais. Quando se trata de conhecimento histórico, as pesquisas mostram o quanto é importante o conhecimento prévio para a construção de um novo. A mudança que gostaria de apontar é o fato de que crianças e jovens estudantes levam para a escola esquemas prévios de reflexão sobre a história informados pelos conteúdos que circulam nas mídias, digitais ou não. Algumas vezes, professores também planejam suas aulas prevendo certo tipo de associação com conteúdos midiáticos. Defendo a necessidade de investigar e observar os efeitos da sociedade midiatizada sobre a produção de conhecimento histórico escolar, tanto nas atividades propostas pelos professores como nos processos de aprendizagem dos estudantes.

REVISTAPONTOCOM – Durante três meses, você acompanhou três turmas do Ensino Fundamental para investigar tais efeitos. Quais foram suas conclusões?
Patrícia Teixeira de Sá – Ao longo do trabalho de campo, pude constatar a presença do audiovisual na escola investigada, em atividades de análise de filme, exposição oral com apresentação de fotografias e em uma experiência de produção de vídeo. A mídia esteve presente nas falas da professora, em aulas expositivas e debates com as turmas, sendo frequente o exemplo da grande imprensa como formadora de opinião ou, no caso das aulas de história, como contribuição à construção de uma visão social e/ou histórica. No entanto, a maior recorrência é a situação de aprendizagem centrada em textos impressos ou textos para cópia. Quase a totalidade das aulas esteve centrada em atividades com base em textos de livros didáticos (perceptível até mesmo na exposição oral da professora), esquemas e resumos no quadro branco e atividades escritas realizadas pelos estudantes em cadernos de notas. Ao que parece, a palavra escrita imprime um caráter de confiabilidade às informações, uma espécie de legitimidade às atividades realizadas na sala de aula, além da continuidade da reprodução de memória institucional, nesse caso, a memória escolar. É importantíssimo lembrar que produção da cultura escolar envolve bem mais do que livros didáticos e outros textos impressos ou escritos em cadernos de notas e quadros negros/verdes/brancos. A experiência na escola também é viver o espaço e as relações, é interagir com ferramentas físicas (artefatos, mobiliário, arquitetura, tecnologias, mídias) e com ferramentas discursivas (linguagens, gêneros de discurso). Todas essas ferramentas possuem historicidade e entram em jogo nos diferentes espaços educacionais de maneiras específicas. Dessa maneira, a formação histórica está intrinsecamente ligada à necessidade de uma formação multiletrada, se pensarmos em contextos sociais midiatizados. A análise dos dados permite supor que a experiência escolar se torna marcante e expressiva, em termos de construção de conhecimento histórico, através do contato diversificado com produtos culturais. A multiperspectiva, a questão da empatia histórica e a discussão de códigos ideológicos são dimensões da aprendizagem histórica que ficaram evidentes quando a prática pedagógica envolveu mídia. A partir do exposto, é importante colocar a potencialidade da mídia-educação, capaz de sofisticar habilidades em diversas linguagens, especialmente a audiovisual e digital, para o aprimoramento da formação histórica de jovens estudantes na contemporaneidade.

REVISTAPONTOCOM – Mas certamente a presença de produtos culturais no ensino de História não é novidade nem algo novo.
Patrícia Teixeira de Sá – A presença de produtos culturais na aula de história não é recente. Vários tipos de imagens e de narrativas audiovisuais são defendidos como estratégias didáticas para o ensino de História desde o princípio do século XX. O que pode provocar alguma inflexão nos tempos atuais é a presença do digital, que multiplica as possibilidades de uso de mídia na escola. Nas turmas em que realizei a pesquisa, registrei uso de mídia em diversos momentos: como ponto de partida da discussão do conceito de anarquismo; como ilustração de aula expositiva sobre reformas urbanas no Rio de Janeiro no início do século XX; como fonte de análise e estratégia de “visualização” do movimento de Canudos; em produção de vídeo sobre a história do pagode. As salas de aula estavam equipadas com projetor multimídia e este foi o equipamento fundamental para a realização das atividades envolvendo mídia, no entanto a velocidade de conexão com a internet era muito lenta, o que dificulta o uso de mídia na aula.

REVISTAPONTOCOM – Neste sentido, é possível afirmar que a mídia favorece a construção do conhecimento histórico entre os estudantes?
Patrícia Teixeira de Sá – Favorece à medida que pode promover uma visão da história que incentiva a multiperspectiva. Com uso de mídia, a noção de verdade histórica pode ser complexificada e estimular os estudantes a colocarem questões para a história, na perspectiva da “história-problema”. A partir dessa perspectiva, inaugurada por historiadores ligados à Escola dos Analles nas primeiras décadas do século XX, o passado deve ser interrogado e os documentos não falam por si. Assim, a relação entre presente e passado é um tema importante de reflexão e contribui para a sofisticação do pensamento histórico. Creio que isso deve ser trabalhado junto a estudantes da Educação Básica, por meio de exercícios de análise e contextualização de fontes históricas, entre elas, as narrativas midiáticas. A mídia possui uma força estética capaz de mobilizar argumentos que podem favorecer a crítica a uma visão unidirecional da história. Certamente, a mediação do professor nesse processo é fundamental, para promover uma espécie de “anacronismo controlado”, conforme defende a pesquisadora Ana Maria Monteiro. O anacronismo é um dos maiores riscos para a produção de conhecimento histórico. Metodologicamente, interpretar o passado sem uma preocupação com o quadro de valores da época estudada é um grave equívoco. Por outro lado, sabemos que não conseguimos escapar totalmente do nosso próprio quadro de valores. Assim, o “uso racional do anacronismo” envolve atenção a dois presentes históricos: o do grupo estudado e o do observador. Essa tensão deve ser explicitada para evitar distorções e simplificações e é parte fundamental do desenvolvimento do pensamento histórico.

REVISTAPONTOCOM – Pode-se afirmar que, no século XXI, a construção do conhecimento histórico dos estudantes é feita por meio da mídia?
Patrícia Teixeira de Sá – Seria difícil fazer essa afirmação categoricamente. O público de estudantes participante da pesquisa, pertencente às classes C e D, não apresentou uma rotina de acesso a conteúdos históricos fora da escola. Era relativamente baixa a frequência com que tomavam contato com filmes, vídeos, literatura ou lugares históricos. Ao que parece, a escola exerce um papel fundamental de promoção de interpretação sobre o presente e o passado mediado pelo conhecimento histórico. De outros modos, não ficou evidente a presença do conhecimento histórico no cotidiano desse público. Assim, eu não diria que a mídia é determinante no processo de construção do conhecimento histórico. No entanto, podemos afirmar que a mídia tensiona esse processo e traz outras e novas questões para serem trabalhadas na Educação Básica. Por exemplo, a análise das linguagens que estruturam as diversas mídias pode auxiliar professores e estudantes a construírem interpretações pertinentes e fundamentadas sobre temas históricos. Essa seria uma excelente contribuição para o exercício de pensar historicamente.

REVISTAPONTOCOM – A mídia tem mais voz do que os professores, neste processo de conhecimento histórico?
Patrícia Teixeira de Sá – Segundo os estudantes participantes da minha pesquisa, a mídia não suplanta a voz do professor. Esses estudantes relataram desconfiança em relação à mídia, apontando a manipulação inerente a esse tipo de narrativa e apresentaram muitas dúvidas a respeito das fronteiras entre ficção e realidade. Para eles, a palavra do professor e a versão escrita e impressa do conhecimento histórico têm maior grau de confiabilidade e representam as “verdadeiras narrativas” sobre a história. Apesar dessa constatação, ficou evidente em seus depoimentos que narrativas midiáticas alimentam seus imaginários históricos e oferecem alternativas de visualização do passado e ampliação de argumentos para se pensar a história.

REVISTAPONTOCOM – O que os professores pensam a respeito?
Patrícia Teixeira de Sá – Não tenho dados sistemáticos sobre isso. Meu trabalho se voltou para a análise das interações e das atividades de ensino na sala de aula. Não houve investimento em investigar as visões de professores sobre o assunto. Gostaria de trabalhar o tema em estudos futuros.

Livro reúne experiências em TICs

Experiências Avaliativas de Tecnologias Digitais na Educação é o nome da publicação que acaba de ser lançada pela Unesco. A obra tem o objetivo de responder a seguinte pergunta: como medir a eficiência do uso das tecnologias digitais na educação? O livro reúne as vivências de avaliações de projetos de uso de tecnologias em escolas de cinco países: França, Uruguai, Chile, Argentina e Brasil. A meta é auxiliar os interessados na descoberta de qual é o real custo e benefício do uso das tecnologias para melhorar a aprendizagem em sala de aula.

acesse aqui a publicação

Francesc Pedró, diretor da seção de Políticas Educacionais da Unesco (França), que lidera um trabalho de desenvolvimento de professores e políticas educacionais na divisão de professores e ensino superior, diz, por exemplo, que registrou que os esforços realizados nas últimas décadas para transformar o ensino e a aprendizagem parecem não dar frutos porque continuam tendo uma escola muito parecida com a de 20 anos atrás, quando a internet começou a se tornar popular.

Já Claudia Peirano, economista da Universidad de Chile e Mestre em economia pela ILAES/Georgetown University, além de sócia fundadora do Grupo Educativo – instituição interdisciplinar orientada para o desenvolvimento de projetos de inovação na formação de pessoas e para a realização de pesquisa aplicada – explica que “o desafio de compreender o impacto da tecnologia não é somente do mundo da educação”. Segundo ela, uma análise na região da América Latina e Caribe, mostrou que foi possível identificar que as políticas nacionais de educação e tecnologia têm sido fracas, e que os dados apontam também que as competências em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) foram incorporadas nos currículos nacionais, mas na maioria dos países não existem políticas para avaliar seu desenvolvimento.

Cristóbal Cobo, diretor do Centro de Estudos da Fundación Ceibal, no Uruguai, e pesquisador associado do Instituto
de Internet da Universidade de Oxford, conta sobre o Plano Ceibal, um meio para melhorar a qualidade educacional no Uruguai, e suas linhas de pesquisa com usos de redes sociais, cultura digital, recursos e plataformas. Ignacio Jara VaIdivia, gerente, pesquisador e docente do CEPPE, um centro de pesquisa em educação na Universidad Católica de Chile, fala sobre a Red Enlaces do Ministério da Educação do Chile e a política nacional para a incorporação das novas tecnologias no sistema escolar chileno.

O brasileiro Gustavo Valentim, mestre em Psicologia da Aprendizagem pelo Instituto de Psicologia da USP, traz a experiência dele na Move Estratégia e Avaliação, que desenvolve ações tanto de implementação quanto de avaliação de iniciativas que articulam educação e tecnologias digitais. Na publicação, ele discute que “avaliar significa criar condições para ampliar a apropriação das tecnologias na educação”. Valentim discursa com base em dois projetos desenvolvidos pela Fundação Telefônica Vivo: o Escolas Rurais Conectadas e o Projeto Escolas que Inovam (atualmente chamado de Inova Escola). A Move coordenou um conjunto de oficinas com os profissionais da Fundação Telefônica envolvidos nos projetos, empresas e organizações não governamentais, além das escolas públicas envolvidas, a fim de construir matrizes e planos de avaliação. Valentim conta, ainda, como fez o processo de elaboração da matriz e como dividiu cada tema para abranger todos os métodos utilizados.

Para concluir a publicação, María Teresa Lugo e Violeta Ruiz, coordenadoras de Projetos em TIC e Educação do Instituto Internacional da Unesco de Planejamento da Educação (IIPE) em Buenos Aires, Argentina, discursam sobre a integração da educação com as TIC e reforçam a importância da atuação do governo e da gestão educacional para desenvolver políticas efetivas.

Palhaças em ação

Vem aí o Dia Internacional da Mulher.  Nada mais interessante do que comemorar a data de forma diferente. Essa é a proposta do Centro Cultural do Banco do Brasil – unidade Brasília. De 8 a 16 de março, a arte da palhaçaria sob a ótica feminina vai tomar conta do Festival Palhaças do Mundo (antigo Encontro de Palhaças de Brasília). Trata-se de um espaço dedicado à divulgação da arte da palhaçaria e de reflexão sobre o papel e a comicidade da mulher no mundo contemporâneo.

Nesta edição além dos espetáculos nacionais e internacionais, debates e oficinas apostam na formação e na informação sobre as práticas, poéticas e estéticas de palhaças de hoje e de ontem. Na programação, destaca-se a exibição do filme Minha Avó Era palhaço, de Mariana Gabriel (SP), e o Palhaças em Tese, com o tema do percurso das máscaras cômicas da mulher, com debates, lançamento de livros e de um hilário cordel. E pela primeira vez o festival acontecerá junto com a temporada de um circo, o Circo Grock, mostrando que as palhaças estão em todo lugar.

Durante o encontro, também será finalizada a primeira temporada do seriado Palhaças do Mundo, que é um mapeamento audiovisual sobre palhaças, com canal on line e exibições públicas. Mais informações no site https://www.palhacasdomundo.com/videos

Ciclo de educação e leitura

A Academia Brasileira de Letras abre, no mês de março, seus ciclos de conferências do ano de 2017, o primeiro dos quais tem com o tema Educação e Leitura, novos paradigmas, sob coordenação da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL. A palestra de abertura, com a ensaísta, pesquisadora, crítica literária, autora de literatura juvenil e professora universitária Marisa Lajolo, será Literatura? Leitura! Com certeza uma rima a talvez uma solução. O evento está programado para terça-feira, dia 7 de março, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

O ciclo terá mais três palestras, sempre às terças-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 14, Luís Augusto Fischer, Literatura Brasileira: nova história, novo ensino; 21, Claudia Costin, Ensinando a pensar. O papel da leitura na educação brasileira; e 28, Tania Zagury, Porque fracassa o ensino no Brasil.

Fotografia em pauta

A “rede_grafo”, grupo integrado de pesquisa sobre teoria e análise da fotografia, vai realizar sua 2ª Jornada de Estudos sobre Teorias da Fotografia, nos dias 10, 11 e 12 de abril. Pesquisadores interessados em participar do encontro, que acontecerá na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ), podem enviar resumos expandidos com base nos temas “Teoria e crítica da fotografia: pensando para além do cânone” e “Regimes expressivos da fotografia na contemporaneidade” até o dia 17 de março, pelo e-mail redegrafo@gmail.com.

Estabelecida em 2015, a partir da articulação de projetos de pesquisa e ensino sobre a história e as teorias da fotografia, a “rede_grafo” reúne pesquisadores de quatro diferentes programas de pós-graduação em comunicação no país: UFF, UFS, UFOP e UTP. Mais informações estão disponíveis em www.redegrafo.com.br.

App para viralizar

É possível erradicar a pobreza? A resposta é sim e o caminho, para grande parte dos especialistas, é a solidariedade e a Biologia. Pensando nisso, a Novozymes – multinacional dinamarquesa que desenvolve enzimas e micro-organismos com foco em sustentabilidade – fez uma série de parcerias com o objetivo de disseminar tais práticas e conceitos. Uma das primeiras ações é o livro-aplicativo Como a Biologia pode erradicar a pobreza?, conto de Frrit-Flacc de Júlio Verne, que busca sensibilizar os jovens sobre os grandes desafios humanitários da atualidade e engajá-los com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da ONU.

A iniciativa é do Colégio Sesi, em parceria com a startup StoryMax e com a Novozymes, conta com o apoio do Conselho de Biologia do Paraná (CRBio-07). O app enfatiza, através da história de uma cidade dominada por pensamentos incompatíveis com a sustentabilidade e sobre a importância dos ODS para a sociedade.

Além da história, o app contém dicas e instruções para experimentos que visam aproximar os conceitos de como a Biologia pode transformar o mundo para melhor e outras atividades lúdicas para os alunos. O projeto atualmente está disponível em três idiomas interessados em temas como a sustentabilidade. Ele deseja que a Biologia seja percebida como uma ciência que pode transformar o mundo para melhor, e afirmou que foram encontrados os parceiros ideais para publicar app books de alta qualidade, bonitos, emocionantes, engajadores e cheios de informação e aprendizado.

O aplicativo Frritt-Flacc pode ser encontrado nas app stores:
iOS: http://bit.ly/fritt-flacc-apple
Android: http://bit.ly/frrit-flac-android

Viva mais: leia livros

Com informações da Revista Galileu

Mais uma boa razão para não deixar de ler: estudo publicado no periódico Social Science and Medicine, no final do ano passado, revelou que quem lê livros regularmente consegue viver por muito mais tempo.  Cientistas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, Estados Unidos, pesquisadores perceberam que aqueles que dedicam mais tempo à leitura — cerca de 3 horas por semana — tendem a viver pelo menos dois anos a mais do que os participantes que não costumam ler. O resultado parece ter relação principal com a melhoria cognitiva adquirida durante a leitura. Outros fatores, como idade, sexo e nível de escolaridade, não representaram mudanças na pesquisa.

Durante 12 anos, foram acompanhados três grupos: quem nunca lia nada, quem lia por até 3,5 horas semanais ou menos e aqueles que liam por mais de 3,5 horas toda semana. Mesmo no segundo grupo, a probabilidade dos leitores ocasionais morrerem nos anos seguintes já era 17% menor do que entre aqueles que não costumavam ler.

“Ao ler livros, parece que criamos uma vantagem de sobrevivência maior do que entre aqueles que não dedicam tempo a esse tipo de atividade”, observaram os cientistas. “A leitura envolve processos cognitivos que promovem a inteligência emocional, empatia e percepção social, características que sempre favoreceram a longevidade e sobrevivência humana.”

O estudo ainda ressalta que, por alguma razão, revistas e jornais não apresentaram os mesmos avanços cognitivos capazes de prolongar os anos de vida do leitor.

Realidade do magistério

Recentemente, as redes sociais viralizaram um vídeo em que estudantes prestam uma homenagem ao professor Luiz Antônio Jarcovis, da Escola Estadual Almirante Custódio José de Mello, localizada em São Paulo, que estava ministrando sua última aula, antes de se aposentar.  O caso emocionou muitas pessoas que, na verdade, desconhecem uma série de obstáculos que os profissionais da Educação vivencia durante a carreira.

Foi o que divulgou a BBC Brasil. Em um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que agrega 34 economias avançadas ou emergentes, o Brasil desponta como um dos países mais hostis para professores de escolas públicas. Segundo a pesquisa Um Olhar sobre a Educação 2016, que compara a situação da educação em 45 países, professores brasileiros dos ensinos médio e fundamental recebem menos da metade do que a média dos países membros da OCDE

O salário médio da categoria no Brasil é de US$ 12,3 mil ao ano (R$ 38,6 mil), valor também inferior ao de outras nações latino-americanas como Chile, Colômbia e México. Além disso, professores brasileiros são, entre todos os países do estudo, os que trabalham mais semanas ao ano. No Brasil, eles lecionam em média 42 semanas anuais, enquanto a média da OCDE são 40 semanas no pré-primário e 37 nos cursos técnicos.

Em compensação, professores universitários em instituições federais públicas no Brasil recebem entre US$ 40 mil e US$ 76 mil ao ano (de R$ 125,5 mil a R$ 238,6 mil), valor mais elevado do que em vários países da OCDE e equivalente ao de países escandinavos, como Finlândia, Suécia e Noruega. O Brasil gasta US$ 13,5 mil (cerca de R$ 42,4 mil) por aluno universitário ao ano, índice próximo à média da OCDE (US$ 15,8 mil).

Por outro lado, o gasto do Brasil com cada aluno do ensino fundamental ou médio, US$ 3,8 mil ao ano (cerca de R$ 11,9 mil), é menos da metade da média da OCDE (US$ 8,5 mil no fundamental e US$ 9,8 mil no médio).
Agressões e intimidações

Outra pesquisa da OCDE pôs o Brasil na liderança de um ranking sobre violência nas escolas. Em 2014, a organização entrevistou mais de 100 mil professores e diretores de escola em 34 países. No Brasil, 12,5% dos educadores ouvidos disseram sofrer agressões verbais ou intimidações de alunos ao menos uma vez por semana.
A média entre todos os países foi de 3,4%. Em alguns deles, como Coreia do Sul, Malásia e Romênia, o índice foi zero.

O estudo revelou ainda que 12,6% dos professores no Brasil acreditam que sua profissão é valorizada. A média geral foi de de 31%. Nesse indicador, o Brasil ficou à frente de países tidos como mais avançados em educação, como França e Suécia. Nas duas nações, apenas 4,9% dos professores disseram que são devidamente valorizados.
Os líderes da lista foram Malásia (83,8%), Cingapura (67,3%) e Coreia do Sul (66,5%).

Pelo direito de brincar

Por Vanessa Anacleto
Co- fundadora do Milc
Artigo originalmente publicado no site do Milc

Esses dias recebi a imagem abaixo no Facebook e ela me fez pensar um pouco. Com mais de 130.000 compartilhamentos em poucos dias, sua boa aceitação demonstra muita coisa. Em primeiro lugar, as pessoas compartilham imagens no Facebook sem pensar muito e isso os administradores de páginas já sabem. Afinal, a tecnologia já assumiu tudo há milênios em nossa civilização e todas as brincadeiras na imagem, exceto a amarelinha possuem algo de tecnológico. Ah, mas não foi isso o que a imagem quis dizer, né? Ela se refere à tecnologia digital. E, segundo seus criadores antes da tecnologia digital “assumir tudo” foi possível ter uma infância feliz. Será?

Será mesmo? Bem, não duvidamos que todas as 130.000 pessoas que compartilharam a imagem tenham sido imensamente felizes na infância ocorrida antes da tecnologia – digital – assumir tudo. Mas, será que a culpa pela alegada inviabilização da infância é da tecnologia digital ?

Fico me perguntando onde moravam essas pessoas com infâncias tão felizes ocorridas antes da tecnologia digital assumir tudo. Terá sido em uma grande cidade repleta de perigos e violência? Uma cidade carente de espaços abertos onde as crianças pudessem brincar? Será que essas crianças tão felizes das gerações anteriores à tecnologia digital tinham que brincar dentro de apartamentos pequenos? E as praças próximas às casas dessas crianças tão felizes, seriam mal cuidadas ou quando recuperadas invadidas por moradores de rua?

A imagem questionada dá a entender que as crianças de hoje não gostam mais de brincadeiras ao ar livre e em grupo. Quem lida com crianças todos os dias sabe que isto não é verdade. Se nossos pais nos garantiram uma infância melhor do que a que proporcionamos aos nossos filhos, não adianta culpar Steve Jobs. A responsabilidade por  uma Cidade cada vez menos oferecem às crianças espaços para brincadeiras é exclusivamente nossa.

A tecnologia digital, que nos permite escrever este artigo para logo ser compartilhado em todo o mundo, coisa que na época da minha infância era inimaginável, não é a culpa da pela falta de brincadeiras ao ar livre das crianças de hoje. O que nos falta são políticas públicas que acolham sem teto para que não precisem invadir as praças, mantenham a cidade limpa e segura, aumentem e democratizem os espaços públicos em todo país. O direito ao brincar é garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos que estabelece “o direito ao repouso e ao lazer” ( art. 24), pela Declaração dos Direitos da Criança, que confere aos meninos e meninas o “direito à alimentação, à recreação, à assistência médica” e a “ampla oportunidade de brincar e se divertir”(artigos 4 e 7) e pelo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece o direito a “brincar, praticar esportes e divertir-se” ( art. 16). Novos prefeitos e vereadores acabaram de assumir seus mandatos. Que tal deixarmos de culpar a tecnologia digital e começarmos a cobrar das prefeituras políticas públicas que permitam que a infância seja vivida como deve?

Foto de capa de Michael Potyomin.