Concurso para o Ensino Médio

A Samsung abriu as inscrições para a quarta edição do Prêmio Respostas para o Amanhã. Alunos do ensino médio de escolas públicas de todo o Brasil poderão, até o dia 14 de agosto, inscrever seus projetos para melhoria de suas comunidades. Os interessados devem se cadastrar por meio do site www.respostasparaoamanha.com.br.

A proposta do concurso é incentivar estudantes a aplicar na prática conceitos de Ciências da Natureza e Matemática, por meio do desenvolvimento de projetos que realmente possam ajudar as regiões em que vivem, buscando identificar, estimular e difundir práticas educativas com impactos positivos no dia a dia.

Na edição de 2016, mais de 2.100 inscrições foram realizadas, envolvendo cerca de 37 mil alunos, sob a orientação de aproximadamente 2.600 professores de todo o Brasil.

Para a realização do programa, a Samsung conta com a coordenação geral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – Cenpec. A empresa conta também com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e com o apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da Rede Latino-americana de Organizações Sociais para a Educação (Reduca), entre outros parceiros regionais e locais para dar visibilidade aos projetos.

“Os esforços globais de cidadania da Samsung abrangem uma variedade de áreas que incluem assistência social, cultura, artes, serviços voluntários, educação e proteção ambiental”, explica Helvio Kanamaru, gerente sênior de Cidadania Corporativa da Samsung América Latina. “No Brasil o nosso foco é a educação. O prêmio Respostas Para o Amanhã traduz bem esse nosso compromisso. No ano passado, a ETEC Eng. Agrônomo Narciso de Medeiros, em Iguape (SP), por exemplo, criou um projeto que visa gerar renda para a comunidade indígena da aldeia Itapuã-Tupi Guarany, localizada no Vale do Ribeira, a partir do cultivo e da comercialização de palmitos. A proposta ajuda em um meio de subsistência dos índios, além de preservar as áreas desmatadas da aldeia. Algo completo e integrador, assim como a Samsung é em seus mercados de atuação”, complementa Helvio.

Para Maria Amábile Mansutti, coordenadora técnica do Cenpec, o diferencial do concurso é a sua proposta pedagógica integradora, que, além de engajar todos os alunos e alunas da classe, pretende valorizar a prática dos educadores e gerar benefícios para a comunidade em que as escolas estão inseridas. “É um programa que proporciona uma educação conectada com a realidade e mostra aos estudantes resultados concretos originados por seus projetos, baseados totalmente no aprendizado que obtiveram em sala de aula”, afirma.

Premiação

A comissão julgadora, constituída por especialistas em educação, selecionará os melhores trabalhos apresentados. Todos os classificados receberão um certificado de participação no prêmio. Os 25 projetos de destaque serão contemplados com um notebook para a escola e um selo de vencedor regional da edição do prêmio. Para os cinco vencedores eleitos pelo público, um de cada região, será entregue um troféu “Projeto Vencedor pelo Júri Popular”. Já os cinco vencedores nacionais, selecionados pela banca julgadora, receberão dois notebooks Samsung – um para o professor e outro para o diretor – e tablets da marca para cada aluno da sala, além de troféu de Vencedor Nacional e medalha.

Criança e natureza

O objetivo  geral do programa é viabilizar o caminho de volta das crianças para a natureza. Trata-se de um projeto que cresce a cada dia mais e que conta com uma série de estratégias e ações que envolvem famílias, educadores e o poder público para materializar os sonhos de uma infância mais rica, onde o brincar não seja estruturado e as crianças, tal como diz a canção, “cantem livres sobre os muros”.

Promovido pelo Instituto Alana, o programa Criança e Natureza defende: cidades mais verdes e amigáveis para as crianças; famílias realizando atividades de lazer na natureza; espaços escolares mais verdes e desafiadores; e mais tempo para brincar livremente na natureza.

De acordo com os organizadores, todas as ações do programa querem instigar as crianças a perambular livremente pelas cidades; dar vazão à sua pulsão expansiva; reconhecer experiências estéticas na natureza; encontrar refúgio, aconchego e privacidade; realizar suas ideias e os desejos de seus gestos; e alegrar o corpo e a alma, vinculando-se positivamente com a vida.

No site do programa, é possível se inteirar e participar de algumas iniciativas interessantes, como o Grupo Natureza em Família, uma reunião de um grupo de pessoas interessadas em proporcionar às crianças tempo ao ar livre, em contato com a natureza. “Essas experiências levam as famílias a desenvolver um senso de pertencimento à cidade e ao bairro em que moram, a criar vínculos de afeto entre si, além de levá-las a conhecer e valorizar as áreas naturais protegidas de sua vizinhança. Os Grupos Natureza em Família engajam as famílias em hábitos saudáveis para si mesmas e para suas comunidades”, explica o projeto.

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Qual é o seu trajeto?

Quais são os seus trajetos dentro da cidade? Que deslocamentos você realiza? Passa sempre pelos mesmas ruas e bairros? Vai de bike, ônibus, metrô ou carro? Quantas horas do dia fica ali? Ficou instigado em responder cada uma das perguntas? Responda por meio de um vídeo de um minuto e participe do Festival do Minuto. A organização está convidando interessados a produzirem um vídeo-trajeto de até um minuto. Pode ser seu trajeto corriqueiro ou um que nunca fez. As inscrições dos vídeos podem ser feitas entre o início de abril e 31 de julho. Os melhores trabalhos, selecionados pela curadoria do Minuto, ganharão o Troféu Minuto. O Festival do Minuto – Trajetos Urbanos conta com o patrocínio da TicketLog através da Lei Rouanet.

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Sucesso de público

Se você ainda não viu, com certeza, seu filho, sobrinho ou neto já.  Os números não deixam mentir. Com a estreia dos novos episódios da temporada de 2017, a série de TV animada “Irmão do Jorel”, exibida pelo Cartoon Network e coproduzida pelo canal e o Copa Studio, foi o programa mais assistido por crianças de 4 a 11 anos na TV paga em fevereiro. Historicamente, a série fica entre cinco primeiros programas dentro da faixa etária, com picos de liderança.

De acordo com o site Tela Viva News, o sucesso consolida o Copa Studio como um dos maiores estúdios de animação da América Latina. Entre os conteúdos originais se destacam ainda “Tromba Trem” e “Historietas Assombradas (para Crianças Malcriadas)”. A produtora passou a atuar em outra modalidade de trabalho, o serviço de produção (production service). A série “O Mundo de Anya e Kin”, exibida pelo canal Discovery Kids e produzida pela El Comercio, do Peru, contou com os serviços da Copa.  Além disso, a produtora vem trabalhando em um longa em parceria com uma empresa de animação canadense.

João Köpke, precursor de Monteiro Lobato

Do Jornal da Unicamp

O nome dele é lembrado por pesquisadores da área da educação, mas pouco citado na história da literatura infantil. O educador e escritor brasileiro João Köpke, no entanto, pode ser considerado um dos precursores de Monteiro Lobato, a quem foi atribuída, de fato, a inauguração da literatura infantil brasileira. As contribuições de Köpke, nesta área, agora estão mais ao alcance dos olhos. Em tese de livre docência, a professora da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, Norma Sandra de Almeida Ferreira estudou o manuscrito Versos para os pequeninos, guardado pela família do educador por mais de um século. Digitalizado, o manuscrito foi publicado pela Fapesp em versão online, em uma edição fac-similar, que preserva suas características originais.

Bacharel formado em Direito pelo Largo São Francisco e filho de educador, João Köpke nasceu em Petrópolis (RJ), em 1852, mas trabalhou por muitos anos no Estado de São Paulo, tendo sido inclusive professor em duas escolas de Campinas (SP). Além de Versos para os pequeninos, o grupo Alfabetização, Leitura e Escrita (Alle), coordenado por Norma, também pesquisou outro manuscrito de Köpke, A cartilha de Hilda. Methodo de leitura pelo processo analytico. Ambos foram emprestados à Unicamp pela bisneta do educador, Maria Lygia Köpke dos Santos, que estudou a cartilha analítica em sua tese de doutorado defendida em 2013, na Faculdade de Educação.

A Cartilha de Hilda traz, em sua capa, a data de 1902, enquanto Versos para os pequeninos foi, provavelmente, elaborado entre 1886 a 1897. De acordo com a docente, Köpke se sobressai na história da educação pela sua atuação como intelectual brilhante, “mestre escola” e pelos seus livros de leitura, reeditados até meados do século XX. O que o manuscrito Versos para os Pequeninos confirma é a irreverência do autor no trato com a linguagem, com a forma e temáticas inscritas na maioria de seus poemas. Na entrevista a seguir, Norma destaca a importância dos manuscritos do educador, sobretudo aquele estudado por ela, para a história da literatura infantil no país.

Jornal da Unicamp ­– O método analítico de alfabetização defendido pelo João Köpke era polêmico na época dele ou é polêmico ainda hoje?
Norma Ferreira – Como sabemos, a discussão sobre o melhor método de alfabetização oscila entre aqueles denominados de “tradicionais”, que partem da menor unidade da língua (letra ou fonema) compondo depois as sílabas, palavras, frases, textos, como vemos até hoje em algumas cartilhas, e os que têm, como ponto de partida, o todo (texto, frase, palavra). Köpke, ainda que tenha iniciado no magistério como autor aderido ao método sintético, no final do século XIX, elaborou também cartilhas seguindo o método analítico da leitura, tornando-se reconhecido pela defesa desse método. O Livro de Hilda, manuscrito, do qual não conhecemos nenhuma edição, é a concretização do modo como “aplicava” o método analítico, conforme mostram os estudos de Maria Lygia. Essa obra encanta, não só porque se encontra em versão manuscrita, mas pela riqueza e variedade dos recursos visuais e textuais – jogo de cores, de tamanho e de forma das letras – calcados no método intuitivo; pela quantidade e diversidade de exercícios propostos em torno da oralização e visualização da escrita; pela alternância e combinação entre escrita e desenho; e pelo número de histórias que a compõem em seus diversos gêneros (poemas, peça de teatro, narrativas, trava-línguas) e tamanhos de linhas. Embora Köpke seja autor reconhecido pelos seus livros de leitura, adotados para uso nas escolas do país, é realmente lastimável constatarmos que O Livro de Hilda ficou “perdido” em sua versão manuscrita por mais de cem anos. Os motivos que levaram a não publicação desta obra têm sido investigados por pesquisadores, como por exemplo, o fez Maria Lygia.

Jornal da Unicamp – O manuscrito trabalhado pela senhora sugeria que tipo de publicação?
Norma Ferreira – Em Versos para os pequeninos, não temos informações sobre os usos previstos para este material. Levantamos como hipóteses de que poderia tanto ser um material indicado para trabalhar em sala de aula, como um boneco de livro a ser apresentado para a publicação. Na minha tese, acabo defendendo que é um boneco de livro diante dos vestígios deixados pelo autor, como: capricho dado ao todo da obra; a presença de uma epígrafe, de uma página de rosto cuidadosamente trabalhada, de um espaço em branco, como se fosse para nele se inscrever uma apresentação posteriormente; a proposta de divisão do caderno em dois conjuntos de poemas, entre outros.

Jornal da Unicamp – Köpke faz sugestões de diagramação?
Norma Ferreira – Eu costumo dizer que o manuscrito, de certa forma, nos faz lembrar a poesia concreta, em que a forma traz o desenho do conteúdo dos poemas. Já no título, com o desenho das letras, Joao Köpke está brincando com o leitor pressuposto para a obra: a criança. Algumas delas têm formato de uma espada, outras ganham pernas, como se estivessem andando, se esparram pela página, os traços das letras são engordados ou afinados. Nós não sabemos se, caso o livro fosse publicado, o autor o manteria dessa forma. Mas há um projeto estético-pedagógico intencionalmente traçado que provavelmente seria mantido. Os poemas vêm sempre numa página única, à direita e à esquerda há uma imagem a eles relacionada. A disposição dos versos na folha também não é tradicional. Vemos o uso da régua a orientar a disposição dos versos, acompanhando, por exemplo, o assunto do poema: uma lua decrescente ou um rabo de gato enrolado. Um jogo entre uma letra cursiva caprichada e um ato criativo na temática e na visualidade dos versos. Vamos imaginar que, num tempo no qual a cultura digital é predominante, esse trabalho chama atenção porque nos traz a memória da cultura manuscrita, da letra cursiva, caligrafia própria dos homens que a usaram durante séculos. A obra é reveladora de um cuidado e capricho desse autor, que com uma irreverência – ainda que comedida para a época – brinca com seu leitor.

Jornal da Unicamp – Como a senhora trabalhou com a autoria desse material?
Norma Ferreira – Pedi um exame grafotécnico para comprovar se a letra era realmente de João Köpke. No Arquivo Nacional do Rio de Janeiro existe uma carta do educador, de próprio punho, solicitando para o Imperador que seus livros fossem adotados nas escolas. Também foi usada uma outra carta escrita por ele para seu neto e que está no IEB-USP. As anotações a lápis, ao lado dos poemas, também foram examinadas e foram atribuídas a um dos filhos dele, Winckelmann Köpke, também bacharel e escritor como o pai. Comparando com documentos cedidos pela família Köpke, pudemos comprovar a autoria de ambos, diferenciando a escrita e também a finalidade prevista para este material.

Jornal da Unicamp – Como eram os livros didáticos nessa época?
Norma Ferreira – Os livros escolares (de leitura para fruição e distração) traziam sempre a preocupação dos autores em educar as crianças, ensinando noções de higiene, bom comportamento, moral e religioso. Formar e educar as crianças segundo os valores que os adultos consideravam importantes na época: cidadãs, religiosas, com ideais republicanos, obedientes, generosas etc. O ler se transformava em instrumento de ilustração e sinal de civilidade na convivência das crianças com muitos livros (escolares).

Jornal da Unicamp – A senhora menciona a irreverência de Köpke, como isso aparece no conteúdo dos poemas?
Norma Ferreira – Köpke não está preocupado em “formar” a criança, apenas de acordo com o modelo de bom comportamento, da época. Em um dos poemas, por exemplo, as crianças mandam a lua “plantar batatas”, em outro, a filosofia é representada por uma gata que está mais preocupada com a comida do que com as ideias, ou seja, em Versos para os pequeninos, os gatos fazem travessuras, jogam tinteiro e cadernos no chão, as crianças bagunçam a casa e questionam os adultos, e a escola que ensina “ba, be, bi, bo, bu” aparece como “uma amolação”.

Jornal da Unicamp – Ele se preocupa com o lúdico também?
Norma Ferreira – Sim. Divertido e bem-humorado. Se alguns poemas civilizam, segundo valores concernentes ao modelo de obediência, generosidade e retidão moral de caráter, a maioria deles relativiza a cisão entre a ficção e a realidade, a seriedade e o humor e põe como centralidade uma criança viva, esperta, curiosa. É um autor que dá a voz para a criança. Ele traz a fala da criança para o poema, em um trabalho com a linguagem que é totalmente original e diferente do que era produzido na época para as crianças. Aparecem por exemplo, o título do poema “Ato Ílis”, em vez de “Arco-Íris”, as expressões, como “ti massada”, “fazeu”, “adola”; “ti bintá” etc. Uma transcrição da representação da modalidade oral da língua, tal como as crianças o fazem. Por esses mesmos motivos, quando Monteiro Lobato lança, na década de 1930, Reinações de Narizinho, a crítica afirma que ele inaugura a literatura infantil brasileira porque é o primeiro que traz uma irreverência com a boneca/Emília. O que a Emília faz? Ela fala “errado”, inventa palavras, critica os adultos, ela inventa “modas”. Comumente, os livros produzidos para crianças são ciosos no uso correto da língua (narrador e personagens) com o temor de que a criança possa aprender também a escrita na forma “errada”. Na época de João Köpke, os livros para crianças, mesmo aqueles que reproduziam os contos populares e de tradição oral, eram reescritos no uso correto da modalidade escrita padrão. Köpke, em Versos para os pequeninos, rompe com esta visão. Köpke ainda inova trazendo a música, a cantiga popular e a cultura oral para os poemas, com rimas simples, no gênero lírico, que nos fazem lembrar nossa literatura de cordel. Trata-se de um texto musicado, com refrões, onomatopeias, trocadilhos, que sugerem um efeito sonoro, ritmo, melodia muito a gosto do universo infantil. A facilidade da leitura ou a intenção de aguçar o interesse da criança não se constituem apenas do assunto – com animais e pessoas que são do seu mundo – também explorado na gravura, mas principalmente de um “ajuste”, com simplicidade, do uso da linguagem que se coloca, frequentemente, de forma direta, econômica, com versos curtos recheados de exclamação, interrogação, reticências e vírgulas.

Pequeno cineasta

Estão abertas as inscrições da 7a edição do Festival Internacional Pequeno Cineasta – FIPC. O objetivo é promover o debate sobre o universo infantil, discutindo os conceitos educacionais atuais e os valores dentro da diversidade
cultural, através de um panorama da produção audiovisual realizada por crianças e jovens do mundo inteiro.  Os interessados têm até o dia 7 de julho para enviar suas produções.

Para participar é preciso que os filmes sejam realizados por crianças e jovens entre 8 e 17 anos. Os atores dos filmes não precisam ser obrigatoriamente crianças ou jovens, mas os filmes devem refletir as opiniões e pensamentos das crianças e jovens envolvidos na sua criação. Jovens de diferentes idades podem trabalhar juntos em um filme, contanto que os membros do grupo estejam entre as idades de 8 a 17 anos. Nesse caso, a categoria na qual o filme
concorrerá será definida pela idade do participante mais velho. Educadores, professores e instrutores podem orientar os jovens em assuntos relacionados a suporte técnico, como edição, operação de equipamentos, produção, etc., sem que haja, no entanto, interferência no processo criativo.

Os filmes devem ter no mínimo 1 minuto de duração e no máximo 10 minutos, incluindo o título e créditos finais, podendo ser do gênero ficção, documentário, experimental e animação. As inscrições deverão ser realizadas através do nosso formulário eletrônico disponível no site do concurso, que também traz mais detalhes do certame.

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Punição e educação

Por Áurea M. Guimarães e Carolina Roig Catini
Áurea é professora do Departamento de Ensino e Práticas Culturais da Faculdade de Educação da Unicamp; Carolina, do Departamento de Ciências Sociais e Educação da Faculdade de Educação da Unicamp.

Artigo originalmente publicado pelo site ComCiência

Escrever sobre a história das punições na educação não é uma tarefa fácil, pois não há uma única forma de contá-la. Vários caminhos podem ser escolhidos. Um deles seria nos embrearmos pela historiografia tradicional, buscando a gênese da punição no decorrer linear do tempo histórico da educação. Um outro percurso seria nos apoiarmos em autores que nos mostrem como a disciplina das crianças e dos jovens foi e continua sendo construída. Escolhemos o caminho de expor momentos emblemáticos que podem trazer à tona diferentes aspectos para a compreensão da atualidade, porque são as práticas da punição na educação que irão nos dar pistas para situá-las enquanto elementos que sintetizam as contradições de relações sociais, políticas e econômicas.

As práticas de punição aparecem com maior evidência enquanto forma de poder estatal, sobretudo pelo caráter maciço de suas práticas de gestão dos conflitos sociais e pelo uso de seus aparatos de repressão, encarceramento, comunicação, educação etc. Mas não se limita a essa esfera, uma vez que a prática punitivista abrange uma multiplicidade de formas de governo no tecido das relações sociais das famílias, escolas, locais de trabalho, prisões, igrejas etc. Isto é, depende da ação de atores sociais empenhados em aplicar punições e castigos para a manutenção da ordem social ou para “civilizar costumes” sobre os sujeitos aos quais impõe submissão, e que tanto podem viver um processo de alienação, dobrando-se sem questionar os castigos recebidos, quanto desviar-se, reapropriar-se, resistir de maneiras variadas aos componentes opressivos. As práticas punitivas, desse modo, não se referem somente à execução objetiva de prescrições normativas impostas pelo Estado, mas respondem a uma série de determinações advindas do jogo das relações de poder.

Para o campo da educação é fundamental observar a emergência de relações modernas entre sujeitos da prática educativa, desnaturalizando a noção de infância e juventude e, consequentemente, a produção histórica e social de práticas distintas de inserção social e formação entre as gerações. Um largo processo histórico é percorrido desde a inexistência da particularidade infantil do século XV, quando a criança ingressa cedo na “vida dos adultos”, separando-se completamente deles no século XX e percorrendo um longo preparo para a vida social até ser considerada como “sujeito de direitos” e objeto privilegiado da educação. Dentre outros elementos fundamentais que alteraram o modo de estudar a história da educação, Ariès (1981) demonstra que a “a família e a escola retiraram juntas a criança da sociedade dos adultos”, enclausurando-a, privando-a da circulação e impondo a ela “o chicote, a prisão, em suma, as correções reservadas aos condenados das condições mais baixas (Ariès, op.cit., p. 277-278).

Mas é necessário destacar que havia imensa diferença entre a formação da infância nas diferentes classes sociais que, a partir do século XVIII, marcam mais fortemente a distinção. Para Varela e Alvarez-Uria (1992, p. 75-76) é preciso relacionar o estatuto da infância com um projeto político de dominação, uma vez que a infância “rica” será submetida à autoridade e aos regulamentos para assumir melhor, no futuro, as funções de mando, de governo, enquanto que a infância pobre ou “rude” só virá efetivamente a existir como objeto público de intervenção do Estado nas “táticas empregadas no recolhimento e moralização dos meninos pobres”. Assim, se as práticas punitivistas na educação vão se diferenciando para cada segmento da população, é crucial a percepção de que a formação da burguesia com a privatização da vida pela organização familiar de um lado e, de outro, com a socialização especializada pela escola, confere um caráter particular para a infância a ser educada que se difunde entre outras classes sociais no decorrer do tempo, por diversas relações de força, sobretudo pela intervenção estatal. A consolidação das instituições disciplinares conta com o processo de aprimorar a noção da “criança bem-educada” diferenciando-a dos moleques, desordeiros, vagabundos, foras da lei, filhos de trabalhadores e trabalhadoras.

Neste ponto, é necessário destacar o papel do Estado no processo de consolidação do capitalismo diante dos processos de expropriação e organização do trabalho livre, que ocorreu em momentos distintos e com “coloridos diferentes” em cada nação, mas que demandou muita violência numa história “inscrita nos anais da humanidade com traços de sangue e fogo”, como diz Marx n’O capital. Para que o trabalhador e seus filhos, que se tornavam “livres” de outras formas de servidão que marcaram outros modos de produção, mas também “livres” dos meios de produção que lhes foram expropriados, se submetessem às exigências do trabalho assalariado foi necessário muito investimento na mudança de hábitos com repressão, punição, violência física e disciplinamento.

Não é por acaso que as instituições disciplinares que já existiam foram transformadas, de tal modo que “as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação” (Foucault, 2002, p. 118), desenvolvendo técnicas em função de uma necessidade de produção de “utilidade dos indivíduos”. Por meio de formas de sujeição constante, passa a se criar uma relação na qual o emprego do poder disciplinar “fabrica” os indivíduos, tomando-os “ao mesmo tempo como objetos e como instrumentos de seu exercício” (Foucault, op.cit., p. 143), cindindo-os na sua aptidão e obediência.

Assim, “se a exploração econômica separa a força e o produto do trabalho, digamos que a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada” (Foucault, op.cit., 119). Com isso são transformadas as práticas jurídicas, penais, punitivas, escolares, militares etc., na medida em que se consolidam as “novas formas de acumulação de capital, de relações de produção e de estatuto jurídico da propriedade” (Foucault, op.cit., p. 74). Tornar os corpos dóceis e aplicar todo o tempo da vida institucional em atividades úteis, de maneira minuciosa e constantemente vigiada, eram alguns dos objetivos dessa prática. Note-se que a organização do tempo com caráter disciplinar é fundamental, já que o tempo de trabalho é a substância da produção de valor e a forma econômica de uso do tempo, um tempo individual que precisa estar em conexão com o tempo social e conta com a prática escolar para sua difusão (Thompson,1998). O tempo passa a ser elemento de punição pelo atraso e descumprimento de metas estabelecidas por prazos, como na organização fabril. Inicia-se, com isso, a prática de organizar o trabalho no interior das escolas populares e das casas de detenção que abrigavam os “vagabundos” com o intuito de realizar efetivamente uma “pedagogia universal do trabalho”, com diversas vantagens para o Estado, que contribuiria para formar os trabalhadores, fazendo de cada instituição disciplinar “uma pequena sociedade reduzida, simplificada e coercitiva onde aparecerá claramente a máxima: quem quer viver tem que trabalhar” (Foucault, op.cit., p. 101).

Essa forma disciplinar se articula a uma outra tecnologia, que Foucault denomina como poder biopolítico, já que se generaliza como mecanismo de gestão e se exerce sobre a massa da população. Os corpos são observados, analisados, modificados por uma administração calculista que visa o controle e a gestão mais efetiva das populações. A demografia, o cálculo de faixas etárias, taxas de mortalidade, o estudo das relações entre crescimento da população e da riqueza, o desenvolvimento de formas de educação e os treinamentos profissionais exercem um papel de extrema importância nesse processo no qual a população passa a ser o objeto privilegiado de atuação do poder. Afirma-se não somente a sujeição dos corpos, como também o ajustamento dos fenômenos da população aos processos econômicos. Seu alvo é atingir os corpos e as forças dos membros da população, como também a subjetividade dos indivíduos que a compõem, tornando-os sujeitos governáveis. Aqui a lógica do liberalismo como forma de governo se manifesta na instauração da meritocracia e competição também nas instituições escolares, nas quais a punição se desloca para o fracasso, exclusão, estigmatização daqueles que não alcançam os objetivos no tempo previsto e mensurado pelas avaliações. As práticas de dominação ajustam regras “para um jogo econômico em que os únicos parceiros e os únicos agentes reais devem ser os indivíduos ou, digamos, se preferirem, as empresas” (Foucault, 2008, p.238). Todos os riscos que possam ameaçar esse complexo esquema empresarial estarão na mira dos dispositivos de segurança. Em nome dessa segurança é que a população exigirá maior rigor da lei, intervenção policial nos espaços públicos, punições mais severas para os suspeitos de não se adequarem à racionalidade dominante.

Na metade do século XIX e princípios do XX, com a institucionalização da escola pública obrigatória, parte de seus objetivos se volta para transformar os filhos das classes populares em trabalhadores dóceis e submissos. Práticas médico-pedagógicas influenciarão os educadores a considerar perigosos e nefastos os modos de vida das crianças pobres e a valorizar o contexto familiar e social das classes poderosas.

É preciso destacar que os castigos físicos demoram a ser deixados como método principal de dominação – sobretudo nas sociedades escravocratas nas quais as escolas e instituições disciplinares herdam uma larga tradição de tortura e mesclam a dominação da posição econômica com o racismo, que se manifesta de modos distintos –, perpassam toda a história da educação e permanecem na atualidade.

À medida que os castigos corporais passaram a ser questionados mais veementemente, outras modalidades de punição o substituíram, adquirindo características menos físicas e mais psicológicas, porém não menos violentas. Não iremos desenvolver aqui a gestação de novas formas de se empregar práticas punitivas, ocorrida principalmente nos períodos de governança mais democráticos, quando uma nova concepção de educação passou a exigir mais atenção à higiene, à saúde, à socialização da vida escolar, a uma formação mais sistemática e oferecida em etapas. Gostaríamos de analisar um outro momento emblemático, o nosso tempo, e com isso tentarmos delinear mais elementos para a reflexão sobre essa articulação entre punição e educação, uma relação que permanece inacabada.

É preciso traçar, em linhas gerais, diversos mecanismos que parecem configurar novas formas de penalização das camadas populares na atualidade. Essas penalidades estão conectadas às necessidades do Estado, e de outras instâncias fundamentadas em tecnologias de regulação, fortalecedoras da atuação do Estado, de gerir os conflitos sociais e produzir modelos de “pacificação social” e, ao mesmo tempo, atender às demandas da própria população por programas de assistência social relacionados à maior precarização do trabalho e dificuldades de reprodução da vida social. Tudo isso num tempo de maior recrudescimento das punições pela judicialização dos conflitos sociais e das próprias relações escolares, colocados em funcionamento em nome da “ordem” política, econômica e da “segurança” individual.

Não se pode deixar de mencionar aqui as formas de controle voltadas ao conteúdo da educação e desejos de punição de educadores e educadoras que se manifestam em projetos de lei como o “escola sem partido”, dentre outras medidas que estão sendo alvo de disputas e indicam uma tendência de inserção de maior controle sobre os processos formativos. Mas centremo-nos em uma nova lógica que tem se desenhado no último período e que recoloca um caráter punitivo relacionado à criminalização da pobreza, num tempo de expressivos confrontos os quais fazem retornar a necessidade de controle social e produção de nova estabilidade.

Embora o sistema de ensino ainda deixe crianças, jovens e adultos excluídos, o fato é que até hoje a escolarização nunca havia atingido quantidade tão grande de pessoas. Apesar da média do tempo de escolarização ter se ampliado e das sociedades, cada vez mais, terem expandido os anos que a população passa dentro de relações escolares, paradoxalmente a ampliação do acesso não significou o crescimento da qualidade da educação pública e da formação de crianças e jovens, gerando necessidade de qualificação para além da escola, muitas vezes travestida na fórmula de “educação integral” com a promessa de qualificação profissional e pessoal. É como se houvesse um esvaziamento dos conteúdos educativos e um alargamento do tempo de socialização escolarizada, mas que se desenvolve em conjunto com a criação de todo um sistema paralelo de educação. E como esse processo se relaciona com práticas de punição?

Pela articulação de programas de assistência social com o ensino público, em grande medida, se transformam as práticas de punição em medidas de proteção social orientadas, segundo estudo de Marília Spósito (2008), por um “novo paradigma” de educação para camadas populares a partir de novas formas de interação da educação escolar e não escolar. Muitos desses programas assistenciais se sustentam num tripé que articula transferência de renda, frequência obrigatória na escola e nas atividades de educação não formal e contrapartidas dos educandos em programas de “engajamento em atividades comunitárias” (Spósito, op.cit., p.89), submetendo crianças e jovens a uma tutela em tempo integral, pela “ação intencional de duas redes educativas” (Spósito, op.cit., p. 90). Não obstante, ambas se desenvolvem de maneira precarizada, com parcos recursos e com fortes indícios de que as atividades não contribuem muito para a melhoria da qualidade da formação, mas certamente para um enclausuramento expandido no tempo. Ainda associam atividades voltadas para o “empreendedorismo” e formas de inculcar a responsabilidade por empregar-se em projetos que geram renda para a autossubsistência, com a obrigatoriedade de realizar trabalhos comunitários, num modelo que se assemelha muito à aplicação de medidas socioeducativas a jovens em situação de “liberdade”.

Aqui, a lógica punitivista de criminalização da pobreza, como forma de gerir suas demandas por meio de políticas focais para população em situação de vulnerabilidade social, conforme Loïc Wacquant apresenta em Punir os pobres (2003), parece fazer sentido. Sobretudo se considerarmos que essa mesma juventude pobre e negra das periferias, alvo das políticas de assistência social no Brasil, é a parcela mais punida pelo desemprego advindo da crise econômica, pelo encarceramento em massa, pelas novas ondas de espoliação e pelo índice alarmante de violência policial e mortes que caracterizam um verdadeiro genocídio praticado pela Estado na figura da polícia militar.

Hoje assistimos processos claramente punitivistas que incluem novas formas de violência evidente do Estado e do conjunto de instituições abrigadas por ele contra a população pobre, contando com o retorno às diversas formas de militarização das relações sociais, seja diretamente, com presença militar nos morros e favelas e com ressurgimento de escolas militares, seja indiretamente, com práticas disciplinares rígidas que vão se redesenhando em diversos espaços. Contamos também com formas de punição menos visíveis que se consolidam, mesmo que a punição não se desenvolva no próprio espaço educativo, mas na circulação dos sujeitos da educação em diversos espaços sociais.

E aqui, novamente, a noção de biopolítica tem concretude exacerbada, tanto pelos mecanismos de controle, pela produção de dados objetivos através do cadastro de todos os usuários de benefícios sociais, que auxiliam a organização das políticas públicas; quanto pelas práticas educativas que necessariamente impõem formas de engajamento individual, contribuindo para manter o funcionamento de um sistema meritocrático e punitivo. A “máquina disciplinar” não cessa de se reorganizar por estratégias de biopoder, com formas de subjetivação das relações neoliberais, expandindo-se em diferentes tecidos societários. Mas as cartas do jogo de poder só estarão colocadas todas à mesa quando consideramos os mecanismos de resistência, que também não cessam de ser produzidos pela organização da não submissão e criação de outras formas de sociabilidade.

Animação em alta

A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis chega aos 16 anos com um retrato da produção de curtas metragens nacionais para crianças. Dos 202 filmes inscritos, em torno de 80% são de animação. Foram 58 filmes selecionados: 45 brasileiros e 13 internacionais. São Paulo mais uma vez é o estado que lidera a lista com supremacia, com 15 títulos. A Mostra acontece entre os dias 1 e 9 de julho, no Teatro Governador Pedro Ivo, em Florianópolis, e também posteriormente em várias cidades catarinenses, através do Circuito de Cinema Infantil.

De acordo com Luiza Lins, diretora da Mostra, a liderança paulista deve-se principalmente às políticas de incentivos dos governos estadual e municipal. Depois de São Paulo, entre os estados com mais filmes selecionados, estão o Rio de Janeiro e Distrito Federal, com cinco; Rio Grande do Sul e Santa Catarina com quatro; Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais com dois; Ceará, Goiás, Pará, Paraíba e Pernambuco com 1. Na categoria internacional, há curtas da Espanha ( 4), Alemanha (2), Argentina (1) , Chile (1) , Eslovênia (1) , Geórgia (1), Irã (1), Nigéria (1) e Reino Unido (1).

Ainda conforme Luiza, as crianças praticamente desconhecem a cinematografia de alguns destes países, e por isso a Mostra Competitiva Internacional apresentará duas sessões de curtas, uma para crianças com dublagem ao vivo, e outra para jovens, que abordam temas contemporâneos como guerra, imigração e tecnologia.

Para as produções nacionais, em parceria com a TV Futura, o festival concederá quatro prêmios no valor de R$ 5 mil: Melhor Animação e Melhor Ficção, escolhidos pelo Júri Oficial; Prêmio Júri Popular, concedido pelo voto do público; e o Prêmio Especial, apontado por um júri formado por crianças. Os melhores filmes estrangeiros recebem troféu da Mostra.

Além das janelas competitivas, o festival apresenta sessões de filmes de curta e longa-metragem de todo mundo e oficinas para crianças. Integra a programação para adultos uma oficina de roteiro para audiovisual, voltada para realizadores interessados neste público. Na programação do Fórum de Cinema e Educação, haverá capacitação para a valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro por meio do projeto “A Cor da Cultura”, em parceria com o Canal Futura.

Se por um lado o cinema de animação vem ganhando força no país, impulsionado por incentivos federais, a ficção para meninos e meninas não acompanhou este crescimento. Para a diretora, a inconstância do Edital Curta Criança, lançado em 2003 para premiar projetos de curtas metragens de todo o país, influenciou diretamente neste panorama. “O curta metragem é um formato que as crianças adoram e é muito usado nas escolas. É urgente a retomada deste edital.”

A tática da omissão

Por Anna Helena Altenfelder
Presidente do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – Cenpec. Artigo originalmente publicado pela Carta Educação

Insultos, exclusão, agressões verbais e físicas de colegas e omissão ou conivência de professores, gestores e funcionários. Essas são memórias que a maior parte da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) têm de sua trajetória escolar, de acordo com pesquisa realizada em 2015 pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

O estudo, que ouviu 1.016 estudantes com idades entre 13 e 21 anos de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal, aponta que 73% dos entrevistados foram agredidos verbalmente dentro da escola e 27%, fisicamente, por causa de sua orientação sexual. Entre pessoas trans, 68% declararam terem sido agredidos verbalmente e 27%, fisicamente. Nos casos em que denunciaram ameaças e agressões, 36% consideraram as atitudes dos profissionais da Educação ineficazes para impedir novas agressões.

Conforme aponta outra pesquisa, realizada por Miriam Abramovay, as violências cotidianas no ambiente de aprendizado “podem ter como consequência, ainda, constantes trocas de estudantes de sala, mudanças de escola, abandono e reprovações, com impacto direto no fracasso escolar”. Ou seja, resultam na sonegação do direito humano à Educação a uma parcela da população brasileira para a qual o Estado tem se mostrado omisso ao não implementar políticas de combate à homo/lesbo/bi/transfobia.

Exemplos dessa omissão estão em todas as esferas e em governos de diferentes matizes políticos. É ao que assistimos quando o MEC retira a diversidade sexual e de gênero da Base Nacional Comum Curricular; quando estados e municípios se negam a incluir políticas de combate à homo/lesbo/bi/transfobia em seus planos decenais de Educação; quando o governo federal veta a distribuição do kit anti-homofobia nas escolas; quando vereadores e deputados aprovam projetos de lei inconstitucionais que visam impedir educadores de discutirem essas temáticas; quando professores, gestores e funcionários praticam ou se calam diante da violência.

Todas essas atitudes, é importante que se diga, contrariam a Constituição Brasileira, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Plano Nacional de Educação (PNE), as Diretrizes Nacionais de Educação e Diversidade, além de tratados internacionais de que o Brasil é signatário. Não à toa, o Estado brasileiro já foi questionado sobre esse tema pelo Comitê dos Direitos da Criança da ONU, pelas relatorias especiais do Alto Comissariado de Direitos Humanos e por outros Estados-membros da organização.

Enfrentar essa situação é urgente e requer políticas públicas capazes de garantir um currículo que contemple expressamente uma abordagem científica e de direitos humanos sobre as questões de gênero e sexualidade; a formação inicial e continuada de professores para abordar a questão em sala de aula; a inclusão dessas temáticas nos materiais didáticos e a atenção constante ao chamado “currículo implícito”, ou seja, aos aprendizados subjacentes às ações ou omissões de colegas e profissionais da educação; bem como a consolidação de canais de denúncia de violações, abusos e violência.

Os prejuízos com o silenciamento sobre as temáticas de gênero e sexualidade em sala de aula não são apenas da população LGBT: são de todos os alunos e alunas, que deixam de acessar conhecimentos científicos importantes sobre a diversidade humana e a realidade social. São também da sociedade como um todo, que perde bons alunos, profissionais e cidadãos para a violência e a intolerância. Desde 1990, no mundo todo, o 17 de maio – dia em que a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças – virou sinônimo de luta por direitos e contra a violência e o preconceito. No Brasil, porém, o Estado ainda não foi capaz de adotar políticas de combate à homo/lesbo/bi/transfobia que modifiquem essa dura realidade.

Dia da reciclagem

Dia 17 de maio: o Dia Internacional da Reciclagem. A data foi instituída pela Unesco  (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência, e a Cultura). É uma data de reflexão sobre as questões ambientais e sobre o consumismo. Para celebrar o dia e chamar a atenção de todos os cidadãos, a revistapontocom publica, abaixo, algumas sugestões para você, também, ajudar a reciclar.

– Reutilizar embalagens de margarina e doces para guardar restos de comida, tupperware grátis!

– Reciclar a correspondência. Páginas com um lado em branco podem ser usadas como rascunho, e envelopes podem ser reaproveitados apenas cobrindo-se o endereço original.

– Em casa, usar guardanapos de pano em vez de papel.

– No trabalho, certificar-se de ter versões eletrônicas de documentos e diretrizes importantes, evitar imprimi-los.

–  Em vez de jogar fora, reutilizar camisetas e cortinas velhas (que não estejam em condições de doação) como panos de limpeza.

– Guardar a água das chuvas para regar plantas e lavar calçadas.

– Armazenar e descartar corretamente óleo de cozinha usado. Além de poder ser usado na produção de ração animal, detergentes biodegradáveis e lubrificação de máquinas agrícolas, descartar o óleo corretamente (em vez de jogar no ralo) impede contaminação da água e entupimento de esgotos.

– Doar objetos sem uso para instituições de caridade, ao invés de jogá-los fora.

– Usar a criatividade; latas e vidros de conserva, garrafas e até a parte externa de eletrônicos podem virar luminárias, vasos de plantas e revisteiros.

– No restaurante, preferir sucos naturais feitos na hora, servidos no copo (não em uma embalagem industrializada).

– Não utilizar canudinho para beber.

– No restaurante, utilizar o mesmo prato para servir-se uma segunda vez.

– Não embrulhar presentes.

– No lixo do banheiro, utilizar um saco de papel em vez de um saco de plástico.

– Carregar na bolsa, no bolso ou na mochila uma eco-bag.

– Informar-se sobre coleta seletiva na sua cidade.

– Descartar lixo eletrônico (pilhas, baterias, celulares, computadores, câmeras) corretamente.

Palhaços em Brasília

É para rir e muito. Do dia 17 a 21 de maio, a Fundação Nacional de Artes (Funarte), em Brasília (DF), abre as portas para receber palhaços dos mais diversos cantos do Brasil e do mundo. Trata-se da 15ª edição do Sesc Festclown, um dos mais importantes festivais de arte circense do país, que traz uma ampla programação cultural, gratuita e aberta ao público. A abertura oficial será às 20h, na Sala Plínio Marcos do Complexo Cultural da Funarte em Brasília. “Este evento é um dos maiores festivais de palhaços do Brasil, com uma programação muito rica, que recebemos com muita alegria”, destaca o coordenador de Difusão Cultural da Funarte em Brasília, João Carlos Corrêa.

Promovido pelo Serviço Social do Comércio no Distrito Federal (Sesc -DF), o festival traz 31 apresentações de 21 companhias (oito internacionais, sete nacionais e seis locais). Em comemoração aos 15 anos de Sesc Festclown, o evento contará com os principais artistas destaques nas edições anteriores. Nomes como Leris Colombaioni, Leo Bassi, Palhaço Xuxu, conhecido como Luis Carlos Vanconcelos, Márcio Libar e Cia Carroça de Mamulengo são algumas das atrações. Todos os espetáculos têm entrada franca, mas solicita-se que o público leve 1kg de alimento não perecível para colaborar com o Programa Mesa Brasil, do Sesc.

As atividades serão realizadas no Complexo da Funarte (palco principal), Teatro Sesc Paulo Gracindo (Gama), Teatro Sesc Paulo Autran (Taguatinga Norte), Teatro Sesc Newton Rossi (Ceilândia), Torre de TV, Hospital da Criança e asilos.

Além dos espetáculos, serão realizadas seis oficinas com os artistas participantes do Sesc Festclown. As atividades ocorrerão na unidade do Sesc no Setor Comercial Sul (Edifício Presidente Dutra). Nos dias 18 e 19 de maio, das 9h às 12h, as oficinas serão ministradas pelo palhaço argentino Tomate e pelo diretor teatral de formação e palhaço por especialização Marcio Libar (RJ). No horário das 14h às 18h, será a vez do palhaço argentino Chacovachi e do italiano Leris Colombaioni. Já nos dias 20 e 21, das 9h às 13h, o palhaço Avner (USA) comandará a oficina. Durante todos os dias do festival, o Projeto Sesc Dramaturgias terá uma oficina no evento, que será ministrada pelo mágico Rapha Santacruz (PE).

Quem quiser se inscrever em alguma oficina deve enviar um e-mail para teatrosescsilviobarbato@gmail.com e colocar no assunto o nome do artista relacionado.

Bebês e afins

Nos dias 27 e 28 de maio, será realizado o I Encontro Linguagens Artísticas para bebês e afins, o evento que vai celebrar a criação e o nascimento do NANÁ – Núcleo de Artes para Nenéns e Afins. O objetivo é reunir projetos culturais voltados para a primeira infância e iniciativas pensadas para bebês, pais e educadores de bebês e crianças pequenas. A proposta central é fortalecer esse núcleo para que os fazedores de cultura para a primeira infância troquem informações, saberes e conhecimentos e possam divulgar os seus trabalhos de uma maneira mais coletiva, pensando também no público e não apenas nos trabalhos isoladamente.

O I encontro acontecerá no Museu Internacional de Arte Naif do Brasil. Literatura, música, movimento e artes visuais são as linguagens que estarão presentes no encontro que contará também com um Jardim Sensorial para os bebês, degustação de papinhas orgânicas e comidinhas orgânicas. Veja a programação:

Dia 27 de Maio, Sábado
– Sarau Cirandinhas Bebê e Cia. [Música]
com Grupo Cirandinhas Bebê e Cia.
10h e 11h

– EntreArteirinhos [Artes Plásticas]
com Lícia Gomes
15h e 16h

Dia 28 de Maio, Domingo
– Era uma Vez Bebês [Literatura]
com Roberta Consort e Marcela Terry
10h e 11h

– Conversa de Corpo [Movimento]
com Erika Reis e Rafaela Hermeto
15h e 16h

Tecnologia e elite

Professor de História na Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Harari estuda o passado para olhar para o futuro. Autor de dois best-sellers, Sapiens: Uma breve história da humanidade (editora L&PM)e Homo Deus: Uma breve história do amanhã (editora Companhia das Letras), Harari foi entrevistado pelo programa The Inquiry, da BBC, sobre a possibilidade de a tecnologia alterar o mundo e a espécie humana.

Leia o depoimento do professor à BBC:

“A desigualdade existe há no mínimo 30 mil anos. Os caçadores-coletores eram mais igualitários do que as sociedades subsequentes. Eles tinham poucas propriedades, e propriedade é um pré-requisito para desigualdade de longo prazo. Mas até eles tinham hierarquias.

Nos séculos 19 e 20, porém, algo mudou. Igualdade tornou-se um valor dominante na cultura humana em quase todo o mundo. Por quê? Foi em parte devido à ascensão de novas ideologias como o humanismo, o liberalismo e o socialismo. Mas também se tratava de mudanças tecnológicas e econômicas – que estavam ligadas a essas novas ideologias, claro.

De repente, a elite começou a precisar de um grande número de pessoas saudáveis e educadas para servir como soldados nos exércitos e como trabalhadores nas fábricas. Os governos não forneciam educação e vacinação porque eram bondosos. Eles precisavam que as massas fossem úteis. Mas agora isso está mudando novamente.

Os melhores exércitos da atualidade demandam poucos soldados, mas altamente treinados e com equipamentos de alta tecnologia. As fábricas também estão cada vez mais automatizadas. Esse é um dos motivos pelos quais poderemos – num futuro não tão distante – ver a criação das sociedades mais desiguais que já existiram na história humana. E há outros motivos para temer esse futuro.

Com rápidos avanços em biotecnologia e bioengenharia, nós podemos chegar a um ponto em que, pela primeira vez na história, desigualdade econômica se torne desigualdade biológica. Até agora, humanos tinham controle sobre o mundo ao seu redor. Eles podiam controlar rios, florestas, animais e plantas. Mas eles tinham muito pouco controle do mundo dentro deles. Eles tinham capacidade limitada de manipular seus próprios corpos, cérebros e mentes. Eles não podiam evitar a morte. Talvez esse não seja sempre o caso.

Há duas maneiras principais de aprimorar humanos: ou você altera algo em sua estrutura biológica por meio de alteração de seu DNA, ou – o jeito mais radical – você combina partes orgânicas e inorgânicas, talvez conectando diretamente cérebros e computadores. Os ricos – ao adquirir tais melhorias biológicas – poderiam se tornar literalmente melhores que os demais: mais inteligentes, saudáveis e com vidas mais longas.

Nesse ponto, será facil que essa classe “aprimorada” tenha poder. Pense desta forma: no passado, a nobreza tentou convencer as massas que eles eram superiores a todos os outros e que deveriam deter o poder. No futuro que estou descrevendo, eles realmente serão superiores às massas. E como eles serão melhores que nós, fará mais sentido ceder a eles o poder e a prerrogativa de tomada de decisões.

Podemos também constatar que a ascensão da inteligência artificial – e não apenas automação – pode significar que grandes contingentes de pessoas, em todos os tipos de emprego, simplesmente perderão sua utilidade econômica. Os dois processos casados – aprimoramento humano e ascensão de inteligência artificial – podem resultar na separação da humanidade em uma pequena classe de super-humanos e uma gigantesca subclasse de pessoas “inúteis”.

Eis um exemplo concreto: pense no mercado de transporte. Há centenas de motoristas de caminhões, táxis e ônibus no Reino Unido. Cada um deles comanda uma pequena parte do mercado de transporte, e todos ganham poder político em função disso. Eles podem se sindicalizar e, se o governo faz algo que não gostam, eles podem fazer uma greve e travar todo o sistema. Agora, avance 30 anos no tempo. Todos os veículos conduzem a si próprios e uma corporação controla o algoritmo que comanda todo o mercado de transporte. Todo o poder econômico e político previamente compartilhado por milhares agora está nas mãos de uma única corporação.

Depois que você perde sua importância econômica, o Estado perde ao menos um pouco do incentivo de investir em saúde, educação e bem-estar. Seu futuro dependeria da boa vontade de uma pequena elite. Talvez haja boa vontade mas, em tempo de de crise – como uma catástrofe climática -, seria muito fácil te descartar.

Tecnologia não é determinista. Ainda podemos fazer algo para lidar com tudo isso. Mas acho que deveríamos estar cientes de que descrevo um futuro possível. Se não gostamos dessa possibilidade, precisamos agir antes que seja tarde. Existe mais um passo possível no caminho rumo à desigualdade previamente inimaginável.

A curto prazo, a autoridade pode se centrar em uma pequena elite que detenha e controle os algoritmos e os dados que os alimentam. A longo prazo, porém, a autoridade poderá se transferir completamente dos humanos aos algoritmos. Quando uma inteligência artificial for mais inteligente que nós, toda a humanidade poderá se tornar inútil. O que aconteceria depois disso? Não temos nenhuma ideia – literalmente não podemos imaginar. Como poderíamos? Estamos falando de uma inteligência muito maior do que a que a humanidade possui.”

Projeto Semear, no Recife

No dia 6 de maio, cerca de 250 estudantes da Zona Sul do Recife participaram do Projeto Semear na Escola Técnica Estadual (ETE) Cícero Dias, localizada em Boa Viagem. Eles representaram 46 escolas ligadas à Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Sul, no evento promovido pelos alunos das unidades de ensino EREM João Bezerra; EREM Professor Fernando Mota; EREM Santos Dumont; e ETE Cícero Dias. O dia foi de muitas oficinas, palestras, apresentações culturais e depoimentos emocionantes de ex-alunos da Rede. O objetivo do projeto, criado pela Secretaria Estadual de Educação (SEE) em parceria com as GREs, é fortalecer o protagonismo juvenil desses estudantes.

Todo o evento foi elaborado pelos adolescentes, que há cerca de um mês trabalham fortemente na criação de atividades em cima da temática “O futuro pertence aqueles que acreditam nos seus sonhos”. Durante toda amanhã, eles colocaram em prática todas etapas de um grande evento de formação: fizeram desde o cerimonial a oficinas. Já a gestão da escola ficou responsável para dar uma oficina sobre o protagonismo para os gestores de escola.

“Eles (alunos) trabalharam a proposta de disseminar para os colegas de outras escolas o protagonismo juvenil que tanto estimulamos na Rede. Aqui, eles explicaram como atua um jovem protagonista na sua escola, como ele pode colaborar para o melhor funcionamento dela, entre outros atributos que abrem um leque de possibilidades para esse adolescente terem autonomia e se tornarem protagonista da sua própria vida”, explicou Aldineide de Queiroz, gestora da ETE Cícero Dias.

Após assistirem às apresentações culturais e depoimentos de ex-alunos, os protagonistas das escolas convidadas participaram das oficinas sobre identidade e projetos de vida. “Cada unidade de ensino traz quatro estudantes protagonistas para participar do evento, e, posteriormente, eles se tornam multiplicadores de todo o conteúdo dado aqui. Esperamos que eles semeiem esta ideia, pois não é só uma política da Secretaria Estadual de Educação, mas uma prática que eles podem levar para o resto da vida”, contou Martha Lira, gestora da Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Sul.

“Estávamos numa expectativa muito grande desde que fomos informados sobre o Projeto Semear. Chegando aqui, recebi muitas ideias de como ser mais ativa na minha vida, como ajudar nas atividades da minha escola e as pessoas, e como crescer como ser humano. Abracei toda a ideia, aprendi que posso ser alguém melhor em todos os aspectos e que posso praticar tudo isso na sociedade. Agora, vou levar tudo que aprendi para o restante do meu colégio”, disse a estudante Maysa Kelly de Holanda, 14 anos, da EREM Senador Paulo Pessoa Guerra.

Além da GRE Recife Sul, a gerência regional de educação do Agreste Meridional, com sede em Garanhuns, também realizou o Projeto Semear, no sábado.

 

Semana de museus

Começa nesta segunda, dia 15, e vai até domingo, dia 21, a 15a edição da Semana de Museus. Evento que tem contribuído para aproximar a população brasileira dos espaços. O número de visitação em museus brasileiros tem crescido, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Em 2015, os museus receberam 675.140 visitantes a mais do que em 2014, subindo de 24.853.648 pessoas para 25.528.788. Os dados se referem a uma amostra (25%) do universo de 3.743 museus existentes no país, referente aos museus brasileiros que responderam pesquisa feita pelo Ibram. Em 2014, responderam 837 museus. Em 2015, 720. Os dados de 2016 ainda estão sendo coletados.

De acordo com o Ibram, em 2016, a Semana de Museus gerou para as instituições participantes um aumento de 79% no número de visitantes no período do evento. A semana também contribui para a movimentação da economia. Houve um crescimento de 21% na geração de emprego e renda no campo museal durante a Semana de Museus de 2016.

O tema da edição de 2017 é Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus, proposto para ser trabalhado em atividades diversificadas pelos 1.070 museus inscritos em 485 municípios, que trarão uma programação especial com mais de 3 mil atividades como palestras, workshops, saraus culturais de artesanato, artes plásticas, literatura e música, peças de teatro, contação de histórias e “garimpo” de objetos antigos junto a colecionadores. Dentre as instituições participantes na edição deste ano não estão apenas museus, mas também casas e centros de cultura, universidades, memoriais, arquivo histórico, escolas e até um hospital.

Confira aqui a programação completa

Música como solução

Estreia, dia 17, no Rio de Janeiro, o filme “#BXD – Baixada Nunca Se Rende”, documentário sobre o projeto-piloto “Música para Avançar o Desenvolvimento Sustentável” — uma parceria entre a ONU e o coletivo aberto de músicos Baixada Nunca Se Rende. A exibição da produção cinematográfica acontece às 18h30 no Cine-Odeon, que também receberá artistas da Baixada Fluminense para apresentações.

A iniciativa “Música para Avançar o Desenvolvimento Sustentável” tem sido implementada desde junho do ano passado pelo coletivo e pelo Centro RIO+ das Nações Unidas. O objetivo do projeto é transformar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em algo familiar para a sociedade civil, além de querer mudar a imagem da Baixada Fluminense, de lugar violento para polo disseminador de cultura e sustentabilidade.

O documentário “#BXD – Baixada Nunca Se Rende” foi produzido pelo italiano Christian Tragni e pela brasileira Juliana Spinola. Com duração de 66 minutos, o filme conta como a música pode ser uma poderosa ferramenta para incentivar a mudança e engajar a sociedade.

Após a exibição da produção, haverá um show do Baixada Nunca Se Rende, que apresentará ao vivo, pela primeira vez, as músicas gravadas no primeiro CD da rede local de músicos comprometida com a sustentabilidade.

Ação para as crianças

Como parte de seu programa “FOX por Você” de responsabilidade social, a Fox Networks Group (FNG) Latin America, anunciou o lançamento da “Liga Antipirataria” na América Latina, a primeira campanha educativa do grupo voltada às crianças, que busca gerar consciência sobre o valor das criações e a importância de respeitar a propriedade intelectual em todos os âmbitos.

A iniciativa, que tem como eixo a “Liga Antipirataria” – quatro crianças que lutam contra a reprodução ilegal de criações artísticas- terá início nas próximas semanas em várias escolas de distintos países da América Latina e contempla no marco da oficina, diversas atividades práticas educativas e interativas com crianças do 4° e 5° ano de colégios primários.

Através dessas atividades, a crianças refletem sobre o valor da produção original e o prejuízo que produzem as cópias não autorizadas para então se expressarem artisticamente. Os desenhos serão exibidos em cada uma das escolas e farão parte de uma galeria virtual que todas as crianças da região podem participar, para estender ainda mais o alcance da mensagem, não apenas à comunidade escolar e grupos familiares, mas também para a região.

Segundo o vice-presidente sênior da FOX Networks Latin América, Guadalupe Lucero, a pirataria não é um flagelo restrito de uma indústria determinada, mas sim um problema social e cultural.

Alfabetização digital

Do site Porvir

De arara até zebra, misturar bichos e letras não é uma novidade para quem trabalha com alfabetização. Aproveitando essa combinação, a startup brasileira 4Dmais decidiu usar a tecnologia para dar uma nova cara ao conhecido ‘bichodário’. Com 23 cartas e um aplicativo móvel que não requer conexão à internet, ela desenvolveu o jogo de realidade aumentada Alfabeto 4Dmais Reino Animal, que pretende tornar o aprendizado lúdico por meio da interação com animações em três dimensões.

Lançado durante a feira Bett Educar 2017, realizada entre 11 e 13 de maio, em São Paulo, o jogo usa realidade aumentada para incentivar que as crianças aprendam os nomes e sons dos bichos enquanto reconhecem as letras do alfabeto. Ao direcionar a câmera de um aparelho móvel para as cartas do jogo, uma animação em 3D surge na tela do dispositivo. Tudo isso com a possibilidade de interagir com a projeção e tirar fotos dos animais.

Comercializado na internet pelo valor de R$ 35,90, o jogo de cartas é uma aposta da startup brasileira para ingressar no mercado de realidade aumentada e virtual, que começa a se popularizar no país, mas ainda segue pouco explorado no campo educacional. “Nós identificamos que essas tecnologias eram usadas apenas para games, mas não tinham uma aplicação na linha educativa. Vimos [na realidade aumentada] uma grande oportunidade de agregar valor ao conteúdo escolar”, disse Kedma Tolentino, cofundadora da 4Dmais.

De forma simples, o jogo busca captar a atenção das crianças e ao mesmo tempo incentivar que elas tenham contato com novos recursos digitais. Enquanto relacionam os animais com letras de A até Z, no verso das cartas também existe a opção de ouvir a pronúncia das palavras.

Para Guilherme Robles Junior, também cofundador da 4Dmais, a proposta de usar a tecnologia de forma divertida nesta etapa surge em um momento oportuno, com a antecipação da alfabetização para o segundo ano do ensino fundamental, conforme a última versão Base Nacional Comum Curricular entregue ao Conselho Nacional de Educação.

“Para uma criança de 6 anos, o celular já não é mais novidade. Vai ser lúdico aprender e reter esse ensinamento. A experiência vale muito mais do que ficar ouvindo ou tentando entender um conteúdo fixo”, defende Guilherme.

O jogo de cartas pode ser adquirido pelo site da startup 4Dmais. Para visualizar as animações em 3D na tela de smartphones ou tablets, basta instalar o aplicativo 4Dmais, disponível de forma gratuita para Android e IOS.

Ernesto: o exterminador

Quando as crianças não conseguem dormir e gritam de medo do monstro debaixo da cama, da sombra da árvore que ganha vida e do boneco inerte, mas assustador, seus pais já sabem a quem chamar: Ernesto, o exterminador de seres monstruosos (e outras porcarias). Com 13 episódios de 26 minutos, a série nacional “Ernesto, o exterminador de seres monstruosos (e outras porcarias)” estreou na TV Brasil, no dia 24 de abril. Ela vai ao ar, em dois horários, às 12h e às 16h, de segunda a sexta.

Produzida pela 3 Tabela Filmes, Ernesto é um exterminador de seres monstruosos que a cada episódio vai resolver um caso diferente. Com a ajuda de seu fiel escudeiro Bartolomeu, usando um método nada convencional, Ernesto ajuda seus clientes a enfrentarem seus “monstros”.

A série de TV Ernesto é uma adaptação do livro homônimo do escritor uruguaio Roy Berocay. Ernesto é um anti-herói cativante. Acima do peso, fã de rock pesado e junk food, ele não é politicamente correto, mas tem um enorme coração. Usando de muita ironia e referências a cultura pop contemporânea, Ernesto é promessa de diversão para toda a família. A produção é voltada para crianças na faixa etária de 6 a 12 anos, a série em live action conta com intervenções em animação e efeitos especiais.

Dentro da aldeia indígena

Você já teve vontade de conhecer uma aldeia indígena na Amazônia? Pensando exatamente em socializar esta experiências, o Instituto Socioambiental (ISA) acaba de lançar Fogo na Floresta, um curta-metragem de 7 minutos que transporta o espectador direto para o meio de uma aldeia do povo Waurá, no Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso. O lançamento mundial do filme, uma coprodução do ISA com a Academia de Filmes, aconteceu, no dia 27 de abril, durante o Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade”.

Dirigido por Tadeu Jungle e narrado pela atriz Fernanda Torres, o filme é composto por cenas em 360 graus que levam o espectador para dentro do cotidiano da comunidade indígena e apresenta uma ameaça que paira sobre os Waurá e sobre todos os povos da Amazônia: o fogo fora de controle. Manejado há milênios pelos povos indígenas na abertura de suas roças de subsistência, o fogo agora avança sobre as matas de maneira descontrolada, em razão do desmatamento do entorno do Xingu e das mudanças climáticas.

“Chegamos na aldeia focados em mostrar a rotina dos índios, mas de cara flagramos um incêndio poucos metros de uma maloca. O filme ganhou uma urgência imediata”, diz Tadeu Jungle. “O Parque Indígena do Xingu, casa dos Waurá e de outros 15 povos, é hoje uma ilha de floresta cercada por fazendas de soja por todos os lados”, explica André Villas Bôas, secretário executivo do ISA. “O descontrole do fogo é o resultado direto dos desmatamentos no entorno do Xingu que alteram os padrões de chuva, mudando o clima da região, causando o ressecamento da floresta, tornando-a mais inflamável”, complementa.

A pesca, o futebol, a arte da cerâmica e a produção da farinha de mandioca são algumas das atividades rotineiras da comunidade que o filme exibe de maneira imersiva. O curta ainda mostra uma sala de aula, a “casa dos homens” e o interior de uma maloca, compondo um cenário atual no qual cultura tradicional e hábitos modernos coexistem no cotidiano dos índios. “Os Waurá, como muitos povos do Xingu, transitam entre costumes e tecnologias da nossa sociedade sem deixar de valorizar os aspectos mais importantes da sua tradição cultural”, diz Paulo Junqueira, coordenador do ISA que trabalha diretamente no Xingu.

Quem quiser conferir o resultado deve aguardar mais um pouco. Segundo os produtores, o filme estará disponível em meados de junho para exibição em 360 graus na internet, no canal do ISA no YouTube, bem como via aplicativos Fogo na Floresta (português) e Fire in the Forest (inglês) na Apple Store e na Google Play Store, gratuitamente.