Dia da reciclagem

Dia 17 de maio: o Dia Internacional da Reciclagem. A data foi instituída pela Unesco  (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência, e a Cultura). É uma data de reflexão sobre as questões ambientais e sobre o consumismo. Para celebrar o dia e chamar a atenção de todos os cidadãos, a revistapontocom publica, abaixo, algumas sugestões para você, também, ajudar a reciclar.

– Reutilizar embalagens de margarina e doces para guardar restos de comida, tupperware grátis!

– Reciclar a correspondência. Páginas com um lado em branco podem ser usadas como rascunho, e envelopes podem ser reaproveitados apenas cobrindo-se o endereço original.

– Em casa, usar guardanapos de pano em vez de papel.

– No trabalho, certificar-se de ter versões eletrônicas de documentos e diretrizes importantes, evitar imprimi-los.

–  Em vez de jogar fora, reutilizar camisetas e cortinas velhas (que não estejam em condições de doação) como panos de limpeza.

– Guardar a água das chuvas para regar plantas e lavar calçadas.

– Armazenar e descartar corretamente óleo de cozinha usado. Além de poder ser usado na produção de ração animal, detergentes biodegradáveis e lubrificação de máquinas agrícolas, descartar o óleo corretamente (em vez de jogar no ralo) impede contaminação da água e entupimento de esgotos.

– Doar objetos sem uso para instituições de caridade, ao invés de jogá-los fora.

– Usar a criatividade; latas e vidros de conserva, garrafas e até a parte externa de eletrônicos podem virar luminárias, vasos de plantas e revisteiros.

– No restaurante, preferir sucos naturais feitos na hora, servidos no copo (não em uma embalagem industrializada).

– Não utilizar canudinho para beber.

– No restaurante, utilizar o mesmo prato para servir-se uma segunda vez.

– Não embrulhar presentes.

– No lixo do banheiro, utilizar um saco de papel em vez de um saco de plástico.

– Carregar na bolsa, no bolso ou na mochila uma eco-bag.

– Informar-se sobre coleta seletiva na sua cidade.

– Descartar lixo eletrônico (pilhas, baterias, celulares, computadores, câmeras) corretamente.

Palhaços em Brasília

É para rir e muito. Do dia 17 a 21 de maio, a Fundação Nacional de Artes (Funarte), em Brasília (DF), abre as portas para receber palhaços dos mais diversos cantos do Brasil e do mundo. Trata-se da 15ª edição do Sesc Festclown, um dos mais importantes festivais de arte circense do país, que traz uma ampla programação cultural, gratuita e aberta ao público. A abertura oficial será às 20h, na Sala Plínio Marcos do Complexo Cultural da Funarte em Brasília. “Este evento é um dos maiores festivais de palhaços do Brasil, com uma programação muito rica, que recebemos com muita alegria”, destaca o coordenador de Difusão Cultural da Funarte em Brasília, João Carlos Corrêa.

Promovido pelo Serviço Social do Comércio no Distrito Federal (Sesc -DF), o festival traz 31 apresentações de 21 companhias (oito internacionais, sete nacionais e seis locais). Em comemoração aos 15 anos de Sesc Festclown, o evento contará com os principais artistas destaques nas edições anteriores. Nomes como Leris Colombaioni, Leo Bassi, Palhaço Xuxu, conhecido como Luis Carlos Vanconcelos, Márcio Libar e Cia Carroça de Mamulengo são algumas das atrações. Todos os espetáculos têm entrada franca, mas solicita-se que o público leve 1kg de alimento não perecível para colaborar com o Programa Mesa Brasil, do Sesc.

As atividades serão realizadas no Complexo da Funarte (palco principal), Teatro Sesc Paulo Gracindo (Gama), Teatro Sesc Paulo Autran (Taguatinga Norte), Teatro Sesc Newton Rossi (Ceilândia), Torre de TV, Hospital da Criança e asilos.

Além dos espetáculos, serão realizadas seis oficinas com os artistas participantes do Sesc Festclown. As atividades ocorrerão na unidade do Sesc no Setor Comercial Sul (Edifício Presidente Dutra). Nos dias 18 e 19 de maio, das 9h às 12h, as oficinas serão ministradas pelo palhaço argentino Tomate e pelo diretor teatral de formação e palhaço por especialização Marcio Libar (RJ). No horário das 14h às 18h, será a vez do palhaço argentino Chacovachi e do italiano Leris Colombaioni. Já nos dias 20 e 21, das 9h às 13h, o palhaço Avner (USA) comandará a oficina. Durante todos os dias do festival, o Projeto Sesc Dramaturgias terá uma oficina no evento, que será ministrada pelo mágico Rapha Santacruz (PE).

Quem quiser se inscrever em alguma oficina deve enviar um e-mail para teatrosescsilviobarbato@gmail.com e colocar no assunto o nome do artista relacionado.

Bebês e afins

Nos dias 27 e 28 de maio, será realizado o I Encontro Linguagens Artísticas para bebês e afins, o evento que vai celebrar a criação e o nascimento do NANÁ – Núcleo de Artes para Nenéns e Afins. O objetivo é reunir projetos culturais voltados para a primeira infância e iniciativas pensadas para bebês, pais e educadores de bebês e crianças pequenas. A proposta central é fortalecer esse núcleo para que os fazedores de cultura para a primeira infância troquem informações, saberes e conhecimentos e possam divulgar os seus trabalhos de uma maneira mais coletiva, pensando também no público e não apenas nos trabalhos isoladamente.

O I encontro acontecerá no Museu Internacional de Arte Naif do Brasil. Literatura, música, movimento e artes visuais são as linguagens que estarão presentes no encontro que contará também com um Jardim Sensorial para os bebês, degustação de papinhas orgânicas e comidinhas orgânicas. Veja a programação:

Dia 27 de Maio, Sábado
– Sarau Cirandinhas Bebê e Cia. [Música]
com Grupo Cirandinhas Bebê e Cia.
10h e 11h

– EntreArteirinhos [Artes Plásticas]
com Lícia Gomes
15h e 16h

Dia 28 de Maio, Domingo
– Era uma Vez Bebês [Literatura]
com Roberta Consort e Marcela Terry
10h e 11h

– Conversa de Corpo [Movimento]
com Erika Reis e Rafaela Hermeto
15h e 16h

Tecnologia e elite

Professor de História na Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Harari estuda o passado para olhar para o futuro. Autor de dois best-sellers, Sapiens: Uma breve história da humanidade (editora L&PM)e Homo Deus: Uma breve história do amanhã (editora Companhia das Letras), Harari foi entrevistado pelo programa The Inquiry, da BBC, sobre a possibilidade de a tecnologia alterar o mundo e a espécie humana.

Leia o depoimento do professor à BBC:

“A desigualdade existe há no mínimo 30 mil anos. Os caçadores-coletores eram mais igualitários do que as sociedades subsequentes. Eles tinham poucas propriedades, e propriedade é um pré-requisito para desigualdade de longo prazo. Mas até eles tinham hierarquias.

Nos séculos 19 e 20, porém, algo mudou. Igualdade tornou-se um valor dominante na cultura humana em quase todo o mundo. Por quê? Foi em parte devido à ascensão de novas ideologias como o humanismo, o liberalismo e o socialismo. Mas também se tratava de mudanças tecnológicas e econômicas – que estavam ligadas a essas novas ideologias, claro.

De repente, a elite começou a precisar de um grande número de pessoas saudáveis e educadas para servir como soldados nos exércitos e como trabalhadores nas fábricas. Os governos não forneciam educação e vacinação porque eram bondosos. Eles precisavam que as massas fossem úteis. Mas agora isso está mudando novamente.

Os melhores exércitos da atualidade demandam poucos soldados, mas altamente treinados e com equipamentos de alta tecnologia. As fábricas também estão cada vez mais automatizadas. Esse é um dos motivos pelos quais poderemos – num futuro não tão distante – ver a criação das sociedades mais desiguais que já existiram na história humana. E há outros motivos para temer esse futuro.

Com rápidos avanços em biotecnologia e bioengenharia, nós podemos chegar a um ponto em que, pela primeira vez na história, desigualdade econômica se torne desigualdade biológica. Até agora, humanos tinham controle sobre o mundo ao seu redor. Eles podiam controlar rios, florestas, animais e plantas. Mas eles tinham muito pouco controle do mundo dentro deles. Eles tinham capacidade limitada de manipular seus próprios corpos, cérebros e mentes. Eles não podiam evitar a morte. Talvez esse não seja sempre o caso.

Há duas maneiras principais de aprimorar humanos: ou você altera algo em sua estrutura biológica por meio de alteração de seu DNA, ou – o jeito mais radical – você combina partes orgânicas e inorgânicas, talvez conectando diretamente cérebros e computadores. Os ricos – ao adquirir tais melhorias biológicas – poderiam se tornar literalmente melhores que os demais: mais inteligentes, saudáveis e com vidas mais longas.

Nesse ponto, será facil que essa classe “aprimorada” tenha poder. Pense desta forma: no passado, a nobreza tentou convencer as massas que eles eram superiores a todos os outros e que deveriam deter o poder. No futuro que estou descrevendo, eles realmente serão superiores às massas. E como eles serão melhores que nós, fará mais sentido ceder a eles o poder e a prerrogativa de tomada de decisões.

Podemos também constatar que a ascensão da inteligência artificial – e não apenas automação – pode significar que grandes contingentes de pessoas, em todos os tipos de emprego, simplesmente perderão sua utilidade econômica. Os dois processos casados – aprimoramento humano e ascensão de inteligência artificial – podem resultar na separação da humanidade em uma pequena classe de super-humanos e uma gigantesca subclasse de pessoas “inúteis”.

Eis um exemplo concreto: pense no mercado de transporte. Há centenas de motoristas de caminhões, táxis e ônibus no Reino Unido. Cada um deles comanda uma pequena parte do mercado de transporte, e todos ganham poder político em função disso. Eles podem se sindicalizar e, se o governo faz algo que não gostam, eles podem fazer uma greve e travar todo o sistema. Agora, avance 30 anos no tempo. Todos os veículos conduzem a si próprios e uma corporação controla o algoritmo que comanda todo o mercado de transporte. Todo o poder econômico e político previamente compartilhado por milhares agora está nas mãos de uma única corporação.

Depois que você perde sua importância econômica, o Estado perde ao menos um pouco do incentivo de investir em saúde, educação e bem-estar. Seu futuro dependeria da boa vontade de uma pequena elite. Talvez haja boa vontade mas, em tempo de de crise – como uma catástrofe climática -, seria muito fácil te descartar.

Tecnologia não é determinista. Ainda podemos fazer algo para lidar com tudo isso. Mas acho que deveríamos estar cientes de que descrevo um futuro possível. Se não gostamos dessa possibilidade, precisamos agir antes que seja tarde. Existe mais um passo possível no caminho rumo à desigualdade previamente inimaginável.

A curto prazo, a autoridade pode se centrar em uma pequena elite que detenha e controle os algoritmos e os dados que os alimentam. A longo prazo, porém, a autoridade poderá se transferir completamente dos humanos aos algoritmos. Quando uma inteligência artificial for mais inteligente que nós, toda a humanidade poderá se tornar inútil. O que aconteceria depois disso? Não temos nenhuma ideia – literalmente não podemos imaginar. Como poderíamos? Estamos falando de uma inteligência muito maior do que a que a humanidade possui.”

Projeto Semear, no Recife

No dia 6 de maio, cerca de 250 estudantes da Zona Sul do Recife participaram do Projeto Semear na Escola Técnica Estadual (ETE) Cícero Dias, localizada em Boa Viagem. Eles representaram 46 escolas ligadas à Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Sul, no evento promovido pelos alunos das unidades de ensino EREM João Bezerra; EREM Professor Fernando Mota; EREM Santos Dumont; e ETE Cícero Dias. O dia foi de muitas oficinas, palestras, apresentações culturais e depoimentos emocionantes de ex-alunos da Rede. O objetivo do projeto, criado pela Secretaria Estadual de Educação (SEE) em parceria com as GREs, é fortalecer o protagonismo juvenil desses estudantes.

Todo o evento foi elaborado pelos adolescentes, que há cerca de um mês trabalham fortemente na criação de atividades em cima da temática “O futuro pertence aqueles que acreditam nos seus sonhos”. Durante toda amanhã, eles colocaram em prática todas etapas de um grande evento de formação: fizeram desde o cerimonial a oficinas. Já a gestão da escola ficou responsável para dar uma oficina sobre o protagonismo para os gestores de escola.

“Eles (alunos) trabalharam a proposta de disseminar para os colegas de outras escolas o protagonismo juvenil que tanto estimulamos na Rede. Aqui, eles explicaram como atua um jovem protagonista na sua escola, como ele pode colaborar para o melhor funcionamento dela, entre outros atributos que abrem um leque de possibilidades para esse adolescente terem autonomia e se tornarem protagonista da sua própria vida”, explicou Aldineide de Queiroz, gestora da ETE Cícero Dias.

Após assistirem às apresentações culturais e depoimentos de ex-alunos, os protagonistas das escolas convidadas participaram das oficinas sobre identidade e projetos de vida. “Cada unidade de ensino traz quatro estudantes protagonistas para participar do evento, e, posteriormente, eles se tornam multiplicadores de todo o conteúdo dado aqui. Esperamos que eles semeiem esta ideia, pois não é só uma política da Secretaria Estadual de Educação, mas uma prática que eles podem levar para o resto da vida”, contou Martha Lira, gestora da Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Sul.

“Estávamos numa expectativa muito grande desde que fomos informados sobre o Projeto Semear. Chegando aqui, recebi muitas ideias de como ser mais ativa na minha vida, como ajudar nas atividades da minha escola e as pessoas, e como crescer como ser humano. Abracei toda a ideia, aprendi que posso ser alguém melhor em todos os aspectos e que posso praticar tudo isso na sociedade. Agora, vou levar tudo que aprendi para o restante do meu colégio”, disse a estudante Maysa Kelly de Holanda, 14 anos, da EREM Senador Paulo Pessoa Guerra.

Além da GRE Recife Sul, a gerência regional de educação do Agreste Meridional, com sede em Garanhuns, também realizou o Projeto Semear, no sábado.

 

Semana de museus

Começa nesta segunda, dia 15, e vai até domingo, dia 21, a 15a edição da Semana de Museus. Evento que tem contribuído para aproximar a população brasileira dos espaços. O número de visitação em museus brasileiros tem crescido, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Em 2015, os museus receberam 675.140 visitantes a mais do que em 2014, subindo de 24.853.648 pessoas para 25.528.788. Os dados se referem a uma amostra (25%) do universo de 3.743 museus existentes no país, referente aos museus brasileiros que responderam pesquisa feita pelo Ibram. Em 2014, responderam 837 museus. Em 2015, 720. Os dados de 2016 ainda estão sendo coletados.

De acordo com o Ibram, em 2016, a Semana de Museus gerou para as instituições participantes um aumento de 79% no número de visitantes no período do evento. A semana também contribui para a movimentação da economia. Houve um crescimento de 21% na geração de emprego e renda no campo museal durante a Semana de Museus de 2016.

O tema da edição de 2017 é Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus, proposto para ser trabalhado em atividades diversificadas pelos 1.070 museus inscritos em 485 municípios, que trarão uma programação especial com mais de 3 mil atividades como palestras, workshops, saraus culturais de artesanato, artes plásticas, literatura e música, peças de teatro, contação de histórias e “garimpo” de objetos antigos junto a colecionadores. Dentre as instituições participantes na edição deste ano não estão apenas museus, mas também casas e centros de cultura, universidades, memoriais, arquivo histórico, escolas e até um hospital.

Confira aqui a programação completa

Música como solução

Estreia, dia 17, no Rio de Janeiro, o filme “#BXD – Baixada Nunca Se Rende”, documentário sobre o projeto-piloto “Música para Avançar o Desenvolvimento Sustentável” — uma parceria entre a ONU e o coletivo aberto de músicos Baixada Nunca Se Rende. A exibição da produção cinematográfica acontece às 18h30 no Cine-Odeon, que também receberá artistas da Baixada Fluminense para apresentações.

A iniciativa “Música para Avançar o Desenvolvimento Sustentável” tem sido implementada desde junho do ano passado pelo coletivo e pelo Centro RIO+ das Nações Unidas. O objetivo do projeto é transformar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em algo familiar para a sociedade civil, além de querer mudar a imagem da Baixada Fluminense, de lugar violento para polo disseminador de cultura e sustentabilidade.

O documentário “#BXD – Baixada Nunca Se Rende” foi produzido pelo italiano Christian Tragni e pela brasileira Juliana Spinola. Com duração de 66 minutos, o filme conta como a música pode ser uma poderosa ferramenta para incentivar a mudança e engajar a sociedade.

Após a exibição da produção, haverá um show do Baixada Nunca Se Rende, que apresentará ao vivo, pela primeira vez, as músicas gravadas no primeiro CD da rede local de músicos comprometida com a sustentabilidade.

Ação para as crianças

Como parte de seu programa “FOX por Você” de responsabilidade social, a Fox Networks Group (FNG) Latin America, anunciou o lançamento da “Liga Antipirataria” na América Latina, a primeira campanha educativa do grupo voltada às crianças, que busca gerar consciência sobre o valor das criações e a importância de respeitar a propriedade intelectual em todos os âmbitos.

A iniciativa, que tem como eixo a “Liga Antipirataria” – quatro crianças que lutam contra a reprodução ilegal de criações artísticas- terá início nas próximas semanas em várias escolas de distintos países da América Latina e contempla no marco da oficina, diversas atividades práticas educativas e interativas com crianças do 4° e 5° ano de colégios primários.

Através dessas atividades, a crianças refletem sobre o valor da produção original e o prejuízo que produzem as cópias não autorizadas para então se expressarem artisticamente. Os desenhos serão exibidos em cada uma das escolas e farão parte de uma galeria virtual que todas as crianças da região podem participar, para estender ainda mais o alcance da mensagem, não apenas à comunidade escolar e grupos familiares, mas também para a região.

Segundo o vice-presidente sênior da FOX Networks Latin América, Guadalupe Lucero, a pirataria não é um flagelo restrito de uma indústria determinada, mas sim um problema social e cultural.

Alfabetização digital

Do site Porvir

De arara até zebra, misturar bichos e letras não é uma novidade para quem trabalha com alfabetização. Aproveitando essa combinação, a startup brasileira 4Dmais decidiu usar a tecnologia para dar uma nova cara ao conhecido ‘bichodário’. Com 23 cartas e um aplicativo móvel que não requer conexão à internet, ela desenvolveu o jogo de realidade aumentada Alfabeto 4Dmais Reino Animal, que pretende tornar o aprendizado lúdico por meio da interação com animações em três dimensões.

Lançado durante a feira Bett Educar 2017, realizada entre 11 e 13 de maio, em São Paulo, o jogo usa realidade aumentada para incentivar que as crianças aprendam os nomes e sons dos bichos enquanto reconhecem as letras do alfabeto. Ao direcionar a câmera de um aparelho móvel para as cartas do jogo, uma animação em 3D surge na tela do dispositivo. Tudo isso com a possibilidade de interagir com a projeção e tirar fotos dos animais.

Comercializado na internet pelo valor de R$ 35,90, o jogo de cartas é uma aposta da startup brasileira para ingressar no mercado de realidade aumentada e virtual, que começa a se popularizar no país, mas ainda segue pouco explorado no campo educacional. “Nós identificamos que essas tecnologias eram usadas apenas para games, mas não tinham uma aplicação na linha educativa. Vimos [na realidade aumentada] uma grande oportunidade de agregar valor ao conteúdo escolar”, disse Kedma Tolentino, cofundadora da 4Dmais.

De forma simples, o jogo busca captar a atenção das crianças e ao mesmo tempo incentivar que elas tenham contato com novos recursos digitais. Enquanto relacionam os animais com letras de A até Z, no verso das cartas também existe a opção de ouvir a pronúncia das palavras.

Para Guilherme Robles Junior, também cofundador da 4Dmais, a proposta de usar a tecnologia de forma divertida nesta etapa surge em um momento oportuno, com a antecipação da alfabetização para o segundo ano do ensino fundamental, conforme a última versão Base Nacional Comum Curricular entregue ao Conselho Nacional de Educação.

“Para uma criança de 6 anos, o celular já não é mais novidade. Vai ser lúdico aprender e reter esse ensinamento. A experiência vale muito mais do que ficar ouvindo ou tentando entender um conteúdo fixo”, defende Guilherme.

O jogo de cartas pode ser adquirido pelo site da startup 4Dmais. Para visualizar as animações em 3D na tela de smartphones ou tablets, basta instalar o aplicativo 4Dmais, disponível de forma gratuita para Android e IOS.

Ernesto: o exterminador

Quando as crianças não conseguem dormir e gritam de medo do monstro debaixo da cama, da sombra da árvore que ganha vida e do boneco inerte, mas assustador, seus pais já sabem a quem chamar: Ernesto, o exterminador de seres monstruosos (e outras porcarias). Com 13 episódios de 26 minutos, a série nacional “Ernesto, o exterminador de seres monstruosos (e outras porcarias)” estreou na TV Brasil, no dia 24 de abril. Ela vai ao ar, em dois horários, às 12h e às 16h, de segunda a sexta.

Produzida pela 3 Tabela Filmes, Ernesto é um exterminador de seres monstruosos que a cada episódio vai resolver um caso diferente. Com a ajuda de seu fiel escudeiro Bartolomeu, usando um método nada convencional, Ernesto ajuda seus clientes a enfrentarem seus “monstros”.

A série de TV Ernesto é uma adaptação do livro homônimo do escritor uruguaio Roy Berocay. Ernesto é um anti-herói cativante. Acima do peso, fã de rock pesado e junk food, ele não é politicamente correto, mas tem um enorme coração. Usando de muita ironia e referências a cultura pop contemporânea, Ernesto é promessa de diversão para toda a família. A produção é voltada para crianças na faixa etária de 6 a 12 anos, a série em live action conta com intervenções em animação e efeitos especiais.

Dentro da aldeia indígena

Você já teve vontade de conhecer uma aldeia indígena na Amazônia? Pensando exatamente em socializar esta experiências, o Instituto Socioambiental (ISA) acaba de lançar Fogo na Floresta, um curta-metragem de 7 minutos que transporta o espectador direto para o meio de uma aldeia do povo Waurá, no Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso. O lançamento mundial do filme, uma coprodução do ISA com a Academia de Filmes, aconteceu, no dia 27 de abril, durante o Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade”.

Dirigido por Tadeu Jungle e narrado pela atriz Fernanda Torres, o filme é composto por cenas em 360 graus que levam o espectador para dentro do cotidiano da comunidade indígena e apresenta uma ameaça que paira sobre os Waurá e sobre todos os povos da Amazônia: o fogo fora de controle. Manejado há milênios pelos povos indígenas na abertura de suas roças de subsistência, o fogo agora avança sobre as matas de maneira descontrolada, em razão do desmatamento do entorno do Xingu e das mudanças climáticas.

“Chegamos na aldeia focados em mostrar a rotina dos índios, mas de cara flagramos um incêndio poucos metros de uma maloca. O filme ganhou uma urgência imediata”, diz Tadeu Jungle. “O Parque Indígena do Xingu, casa dos Waurá e de outros 15 povos, é hoje uma ilha de floresta cercada por fazendas de soja por todos os lados”, explica André Villas Bôas, secretário executivo do ISA. “O descontrole do fogo é o resultado direto dos desmatamentos no entorno do Xingu que alteram os padrões de chuva, mudando o clima da região, causando o ressecamento da floresta, tornando-a mais inflamável”, complementa.

A pesca, o futebol, a arte da cerâmica e a produção da farinha de mandioca são algumas das atividades rotineiras da comunidade que o filme exibe de maneira imersiva. O curta ainda mostra uma sala de aula, a “casa dos homens” e o interior de uma maloca, compondo um cenário atual no qual cultura tradicional e hábitos modernos coexistem no cotidiano dos índios. “Os Waurá, como muitos povos do Xingu, transitam entre costumes e tecnologias da nossa sociedade sem deixar de valorizar os aspectos mais importantes da sua tradição cultural”, diz Paulo Junqueira, coordenador do ISA que trabalha diretamente no Xingu.

Quem quiser conferir o resultado deve aguardar mais um pouco. Segundo os produtores, o filme estará disponível em meados de junho para exibição em 360 graus na internet, no canal do ISA no YouTube, bem como via aplicativos Fogo na Floresta (português) e Fire in the Forest (inglês) na Apple Store e na Google Play Store, gratuitamente.

Menos sono

Crianças que passam horas brincando com smartphones e tablets dormem menos do que os que não interagem com tecnologia. É o que afirma o estudo publicado na Scientific Reports, site da revista científica Nature. O levantamento diz que para cada hora que crianças pequenas  – entre seis meses e três anos – passam usando aparelhos eletrônicos, elas têm 15 minutos a menos de sono.

O estudo foi conduzido pela Birkbeck, que faz parte da Universidade de Londres, com 715 pais de crianças com até três anos de idade. Perguntou-se a frequência com a qual os bebês brincavam com smartphones e tablets e também detalhes do padrão de sono das crianças. Concluiu-se que 75% das crianças usavam aparelhos do tipo diariamente. Essa porcentagem era de 51% entre crianças de seis e 11 meses e de 97% entre crianças de 25 e 36 meses de idade.

Tim Smith, um dos pesquisadores que participou do estudo, afirma que o tempo de sono perdido não é muito quando se dorme um total de 10, 12 horas por dia. “Mas cada minuto importa no desenvolvimento infantil por causa dos benefícios do sono”, afirma. As conclusões do estudo não são definitivas, mas Smith diz que a pesquisa indica que telas de toque podem estar associadas a problemas do sono.

Mas afinal, crianças devem, ou não brincar com aparelhos eletrônicos interativos? “É muito complicado responder isso agora. A ciência ainda está imatura, estamos realmente atrasados em relação à tecnologia e é muito cedo para fazer afirmações definitivas”, diz Smith.

Para ele, no momento, a melhor aposta é seguir as mesmas regras usadas para estabelecer o tempo que as crianças passam em frente à televisão. Isso significa que os pais devem impor limites para o uso de aparelhos com telas de toque, assegurando que o conteúdo seja adequado à idade e evitando que o uso seja feito antes da hora de dormir.

Também é preciso estimular que as crianças façam atividades físicas, na avaliação do especialista. “Como é o primeiro estudo a investigar as associações entre o sono e o uso de telas de toque na infância, trata-se de uma pesquisa oportuna”, afirma Anna Joyce, pesquisadora de desenvolvimento cognitivo da Universidade de Coventry, na Inglaterra.

“Com base nesses achados e no que sabemos por meio de outros estudos, talvez valha a pena limitar o uso de telas de toque ou o uso de outros aparelhos eletrônicos nas horas anteriores ao momento que a criança vai para a cama dormir”, completa Joyce. Para a pesquisadora, “até que se saiba como as telas de toque afetam o sono, esses aparelhos não deveriam ser banidos por completo”.

O professor Kevin McConway, da Open University, prefere encarar os resultados dessa pesquisa com desconfiança. “Eu não perderia o sono por conta desses resultados se eu ainda tivesse bebês. As crianças dessa pesquisa usavam telas de toque por 25 minutos por dia e por isso dormiriam seis minutos a menos”, avalia.

Participe do voto popular

A Comissão Julgadora do Prêmio Nacional de Biodiversidade selecionou os 17 trabalhos finalistas para a segunda edição do evento, que tem o objetivo de reconhecer as atividades e projetos do setor público, privado, organizações sociais e profissionais que se destacam por buscarem a melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira. Os trabalhos concorrem às seguintes categorias: sociedade civil, empresas, academia, órgãos públicos, imprensa e Ministério do Meio Ambiente. A exemplo da primeira edição, todas as iniciativas finalistas também concorrerão ao prêmio especial “Júri Popular”. O vencedor será eleito por meio de votação eletrônica, que começa no dia 2 de maio, no site do Prêmio. Acesse o site aqui.

Segundo o diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ugo Vercillo, o prêmio também tem como finalidade chamar a atenção da sociedade brasileira para os projetos, programas e iniciativas que tem levado à melhoria do estado da conservação das espécies. “Existe um baixo conhecimento da sociedade brasileira quanto à diversidade de espécies existentes no Brasil e sua importância para o nosso dia a dia, e, até mesmo, do risco que elas estão correndo. O prêmio nos dá a chance de mostrar tudo isso para sociedade e, mais do que isso, temos a chance de aproximá-la do tema e até estimular novas iniciativas”, destacou o diretor.

Vercillo ressalta que “chamar a atenção da sociedade para biodiversidade é um tema de discussão global, não é uma meta somente do ministério”. De acordo com ele, os países membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) concordam que uma das principais ações para reduzir a perda de biodiversidade é o aumento do conhecimento da sociedade sobre a importância da biodiversidade. “A Meta 1 de Aichi é exatamente aumentar esse conhecimento. E o prêmio vem contribuindo para esse processo”, informou.

A cerimônia de entrega do prêmio ocorrerá em Brasília, no dia 22 de maio, data em que se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade. Na ocasião, serão divulgados os vencedores de cada categoria: sociedade civil, empresas, academia, órgãos públicos, imprensa e Ministério do Meio Ambiente.

Todos os 17 finalistas receberão um certificado e uma viagem a Brasília para participar da solenidade. Os vencedores receberão o troféu do II Prêmio Nacional de Biodiversidade, feito pelo artista plástico Darlan Rosa, em reconhecimento às ações em prol da biodiversidade.

Jovens, drogas e web


Por Geraldo Mendes de Campos e Edilaine Moraes
Geraldo é psicólogo clínico, especialista em dependência química. Diretor técnico de CAPSad, professor e gestor em políticas públicas no segmento de Álcool, Tabaco e Outras Drogas. Edilaine  é psicóloga clínica,  pós-doutora em psiquiatria e psicologia médica pela Unifesp. Coordenadora de cursos de pós-graduação a distância (EaD).
Artigo originalmente publicado na revista ComCiência


Talvez o tema “drogas” venha sendo um dos mais polêmicos das últimas décadas, o que pode estar relacionado à discussão sobre a legitimidade institucional de interferência nas escolhas das pessoas, ou às diferentes visões que se possa ter sobre o direito de cada indivíduo conduzir a sua vida do jeito que quiser.

Nessa área, as polêmicas e discordâncias vão se avolumando a cada nova ação que se proponha implantar. Isso ocorre, possivelmente, pelo fato de as duas grandes perspectivas que direcionam tais estratégias serem vistas como antagônicas.

De um lado, a perspectiva proibicionista busca erradicar todo e qualquer uso de substâncias psicoativas, ao passo que a perspectiva da redução de riscos defende o direito das escolhas individuais, sem interferência institucional.

Partindo de pressupostos tão divergentes, é compreensível que qualquer ação, de uma ou outra perspectiva, gere discussões ideológicas. Um dos pontos de maior discordância entre esses dois modelos se concentra nas propostas de ações de prevenção ao uso de substâncias.

Falar sobre adolescentes e drogas já se torna algo um tanto polêmico, visto as mais variadas linhas de pensamento que se debruçam sobre um e outro aspecto. Juntando-se esses dois aspectos, as discussões giram em torno do que poderia levar o adolescente ao uso, quais estariam mais propensos ao uso abusivo e dependência, qual modelo de tratamento seria recomendado para cada caso, quais estratégias preventivas seriam mais eficazes, quais poderiam provocar reação contrária etc .

Então, aquilo que foi planejado para ser uma ação preventiva pode, ao contrário, despertar curiosidade e estimular o uso? Nesse aspecto em particular, gostaríamos de trazer à reflexão a proposta de um canal do YouTube chamado Drugslab, lançado no final de 2016 que, segundo seus criadores, tem por meta “informar e reduzir os danos gerados pelas drogas”.

Para isso, consideramos necessária uma rápida passagem por questões importantes que caracterizam a adolescência, público alvo da maioria das ações em prevenção. Essa fase da vida é um importante momento de transição, caracterizado por diversas transformações, tanto hormonais quanto psicológicas. A busca pelo distanciamento de tudo o que possa estar relacionado à vida infantil acarreta a necessidade de constituição de uma nova identidade, de novas crenças, novas preferências, novas experiências. A afirmação dessa nova identidade necessariamente passa pela aceitação em um novo grupo de iguais e reconhecimento de si como membro dessa “tribo”.

Isso tudo acontece em uma etapa do desenvolvimento neurológico em que algumas estruturas cerebrais ainda se encontram em amadurecimento. Justamente aquelas responsáveis pela percepção temporal, planejamento, controle de impulsos e raciocínio, o que faz do adolescente um ser imediatista, com grande valorização do presente, em detrimento das possíveis consequências futuras.

Ele pouco utiliza o pensamento crítico, age impulsivamente, não reconhece os riscos aos quais está exposto e testa limites sem grande discernimento, justamente por não ter tais estruturas cerebrais completamente desenvolvidas.

Nas últimas décadas do século XX, a oferta em ambientes escolares de palestras e depoimentos de dependentes químicos em recuperação era uma estratégia de prevenção largamente utilizada e considerada suficiente, por si só. A ideia por trás dessa estratégia proibicionista, era que os adolescentes não usariam drogas se temessem as consequências desse uso.

Tempos depois, passou-se a questionar a eficácia dessa intervenção. Embora inovadora no que se referia a levar informações sobre as drogas para dentro de um ambiente de grande influência em suas formações (o ambiente escolar), o que se observava, diferente do previsto, era que quem já fazia uso continuava a fazê-lo, pois não se reconhecia no testemunho prestado, ao passo que alguns dos que ainda não haviam experimentado, de certa forma, sentiam-se atraídos, curiosos e desejosos pelos efeitos descritos pelo palestrante.

Voltamos, então, ao canal Drugslab e sua proposta de “informar e reduzir os danos gerados pelas drogas”, utilizando linguagem e mídia extremamente atraentes aos jovens: Uma das diferenças existentes entre a atual geração de adolescentes e as anteriores é a facilidade que os de hoje têm em obter as mais variadas informações, devido à velocidade com que se propagam. Excetuando-se raras exceções, os adolescentes “de hoje” já se acostumaram a buscar na mídia eletrônica toda e qualquer informação que sua curiosidade desejar. Claro que isso apresenta um aspecto altamente positivo, no que se refere à instrução e busca pelo conhecimento. No entanto, todo e qualquer tipo de informação está acessível a um click, o que pode se tornar um risco, uma vez que caberá ao próprio adolescente – com aquelas características citadas acima – avaliar determinado conteúdo como sendo bom ou ruim para si.

O Drugslab é um canal do YouTube, criado por uma emissora pública da Holanda, em que jovens apresentadores se propõem a experimentar diferentes drogas, ao vivo, em frente às câmeras, e relatar os efeitos observados, tanto aqueles considerados negativos quanto os positivos. Em pouco mais de 7 meses no ar já atingiu quase 13 milhões de visualizações e 390 mil inscritos [números atualizados em 5 de abril de 2017].

A proposta do canal é apresentar, a cada semana, uma substância diferente, trazendo informações sobre formas de administração, consumo seguro, efeitos, possíveis danos, possibilidade de aplicação medicinal quando houver etc. Três apresentadores se revezam em duplas, a cada novo episódio. Enquanto um deles consome a droga e relata os efeitos percebidos, o outro o observa, tece comentários, controla alguns sinais vitais e apresenta algumas informações baseadas em evidências.

Alinhados à perspectiva da redução de riscos, o canal utiliza mídias e linguagens acessíveis e de interesse para jovens e adolescentes, a fim de divulgar informações e prestar esclarecimentos, como uma forma de evitar acidentes durante e após o consumo e assim reduzir os danos causados pelo consumo de substâncias.

A informação é prestada de jovens para jovens, provocando um impacto e aceitação maiores, visto a identificação com os apresentadores: não se trata de um “estranho ao grupo” falando o que aconteceu consigo, mas “um igual” mostrando o que acontece, “na real”, ao vivo.

Não há intenção de amedrontar os jovens quanto aos efeitos de determinada droga, mas fornecer informações imparciais e científicas para que eles possam tomar suas próprias decisões, de forma racional e bem fundamentada. Mas, como vimos acima, é possível esperar dos adolescentes decisões racionais e fundamentadas?

Uma das críticas que se faz ao Drugslab é a mesma que se fazia às antigas palestras de dependentes químicos nas escolas: alguns jovens, ao obterem informações que possam desmistificar os males causados por determinadas drogas, podem se sentir menos temerosos, mais curiosos e atraídos para a experimentação.

Além disso, outras estratégias preventivas adotadas pelo canal, embora adaptadas à Era Digital, são bastante semelhantes às adotadas pelas antigas palestras nas escolas: a) também procuram levar aos jovens informações sobre o uso de substâncias e suas consequências, prestadas por quem já as usou (no caso atual, isso acontece no momento do uso, sob efeito da substância) ; e b) também utilizam um ambiente de grande influência na formação dos jovens (neste caso, a internet e a comunicação virtual).

Nesse aspecto, outra questão precisa ser ponderada: a influência da mídia nas decisões das pessoas, principalmente de jovens e adolescentes. Mídias eletrônicas propagam seus conteúdos de forma imediata e isso deve ser visto como um grande avanço no compartilhamento e democratização do conhecimento. Aquilo que é divulgado, rapidamente ecoará em grupos alvo.

Por outro lado, qualquer tipo de conteúdo, uma vez na rede, irá chegar a milhares de mentes ávidas por novas informações. Se, de certa forma, os adolescentes encontrarão “canais” com o propósito de esclarecer e informar, também encontrarão “na rede” tantos outros com claro propósito de incentivar práticas perigosas e autodestrutivas. A internet passou a ser a principal mentora das atuais gerações, entre 7 e 70 anos. Dos mais velhos, podemos esperar crítica e discernimento. Mas, e dos mais novos?

É certo que cada jovem pode responder de forma diferente aos estímulos que recebe ao longo da vida. Na questão das drogas isso também ocorre. Vários outros fatores interferem em suas escolhas: aspectos psicológicos individuais, o modelo parental, a rede de fatores de proteção existente ao redor, os fatores de risco e as vulnerabilidades as quais está exposto (entre outros).

Propostas como a do canal Drugslab trazem o claro propósito de esclarecimento imparcial. Mas será que todo esse esclarecimento, assim como as antigas palestras em escolas, não poderá reduzir temores e despertar interesse pelo uso? Prevenção ou estímulo? Cabe a reflexão!

Publicidade, jovem e álcool

Quanto mais cedo os jovens são expostos à publicidade de bebidas alcoólicas, mais chances eles têm de começar a beber precocemente ou de ingerirem uma maior quantidade de álcool, caso já bebam. A conclusão é de estudos reunidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) em publicação divulgada nesta semana. Documento propõe regulações no marketing de produtos nocivos à saúde.

Acesse a publicação (texto em inglês)  clicando aqui.

Estimativas compiladas pelo organismo regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam uma alta incidência do consumo episódico e excessivo de bebidas alcoólicas entre indivíduos de 15 a 19 anos nas Américas — 29,3% entre os homens e 7,1% entre as mulheres. A região tem, em média, índices de ingestão de álcool maior do que as outras partes do mundo.

Os jovens são cinco vezes mais propensos a beber marcas de álcool que anunciam na televisão nacional e tem 36% mais probabilidade de comprar produtos anunciados em revistas nacionais. O álcool é considerado pela OPAS o principal fator de risco de morte e incapacidade entre pessoas de 15 a 49 anos vivendo nas Américas. O consumo abusivo da substância é também um dos quatro fatores de risco mais comuns — e evitáveis — para as principais doenças não transmissíveis.

Atualmente, quase 40% dos países das Américas não têm restrições ao marketing de bebidas alcoólicas e nenhum deles conta com uma proibição total de comercialização. Sete países relataram ter códigos de autorregulação, apesar das evidências de que essas medidas não são eficazes em reduzir a exposição dos consumidores menores de idade à propaganda sobre álcool.

A publicação da OPAS observa que interdições abrangentes ao marketing de produtos alcoólicos é provavelmente a única maneira de eliminar as possibilidades de que os meios de comunicação influenciem os que mais precisam de proteção — como adolescentes e outros grupos vulneráveis. Para ajudar Estados-membros, a agência da ONU apresenta no documento elementos que podem ser usados pelos governos para fortalecer marcos legais e regulatórios sobre publicidade.

A OPAS lembra ainda que a publicidade sobre bebidas alcoólicas é bastante difundida nas Américas, usando algumas das técnicas mais modernas de publicidade, para além dos usos tradicionais de mídias impressas e eletrônicas. Estratégias incluem o patrocínio de equipes e eventos esportivos, descontos especiais, presença nas redes sociais e vendas ou fornecimento para instituições de ensino e de saúde.

Fonte: ONU Brasil

Festival comKids-Prix Jeunesse

O Festival comKids – Prix Jeunesse Iberoamericano 2017 já tem data marcada.  Em sua oitava edição, o evento será realizado de 14 a 19 de agosto. As atividades vão acontecer no Sesc Consolação e no Goethe-Institut São Paulo. O encontro reúne amostra representativa da produção audiovisual infantojuvenil recente da América Latina, Península Ibérica e conta também com a participação de representantes dos demais países de língua portuguesa. As inscrições estão disponíveis  no portal comKids .

Os interessados em inscrever conteúdos para participar das categorias do Festival têm até o dia 8 de maio. O regulamento traz todos os detalhes. Há seis categorias. São elas:

– Até 6 anos (ficção e não ficção)
– De 7 a 11 anos – ficção
– De 7 a 11 anos – não ficção
– De 12 a 15 anos – ficção
– De 12 a 15 anos não ficçã
– Conteúdos curtos (conteúdos com duração entre 20 segundos e 3 minutos e 59 segundos, ficção e não ficção)

Acesse aqui o formulário de inscrição

‘Não trabalho para dar tudo’

Por Silvia Adrião
Pedagoga, especialista em Construtivismo/Educação e Mestre em Sociologia da Educação.
Artigo originalmente publicado no site da Rebrinc

Não, eu não trabalho para dar tudo o que você quer. Não seria justo com você. Não seria bom para você. Dar a você o poder de conseguir “tudo” o que quiser (falando de bens materiais) seria uma forma de deixá-lo sempre insatisfeito com o que tem. Uma forma de esvaziá-lo de valores fundamentais. Seria uma forma de enganar você sobre as dificuldades da vida. Seria injusto porque lhe tiraria o direito de sentir aquela realização prazerosa quando conquistamos algumas coisas que foram demoradas para conquistar. Seria injusto porque o transformaria em um indivíduo cheio de coisas e vazio de experiências e de sensações que enriquecem verdadeiramente a vida. Não seria positivo para você conseguir tudo assim, tão facilmente, pois lhe tiraria o poder transformador que só as adversidades e a capacidade de criar e se adaptar com o que temos trazem. Eu não quero isso para você.

Acima de tudo, trabalhar para poder dar tudo o que uma criança quer é em si uma grande inversão de valores. Porque, se chegarmos bem perto, se nos permitirmos escutar o que a criança realmente quer, saberíamos que não estamos falando de coisas. Criança, na sua essência, não quer telefone, vídeo game ou bonecas caras. Criança quer companhia, quer natureza. Criança quer encontrar com outras crianças. Crianças querem a chuva e o bolinho de chuva. Querem o vento, folhas, gravetos e muita lama. Querem um mergulho no mar, cavoucar a na areia e comer pipoca. Criança quer histórias de medo, lamber a massa do bolo e brincar de pega-pega. Quer colo e cafuné.

Se eu pudesse, trabalharia menos, aí sim poderia lhe dar exatamente tudo o que você quer. Mas esta é uma outra reflexão que fica para um outro dia.

Sem notícias falsas

Por Ana Cláudia Vargas
Jornalista

Lembra quando seus antepassados da era anterior à internet/redes sociais compravam jornais nas bancas, diziam que gostavam do cheiro do papel impresso e liam com prazer evidente as notícias ali estampadas? Lembra quando as pessoas diziam “eu li no jornal X” como se isso recobrisse a notícia com um selo de credibilidade ou algo parecido?

Pois hoje isso parece algo longínquo demais, hoje o que torna uma notícia válida é sua capacidade de ser compartilhada o maior número possível de vezes. Hoje é preciso somente que uma “notícia” renda muitos cliques, acessos e compartilhamentos e só.

Se é verdade ou mentira o que a tal “notícia” agrega, se sua elaboração foi feita de forma cuidadosa (este aspecto antes primordial) isto parece ter perdido toda a importância.

E é bom que você saiba: tem muita gente lucrando com sites que publicam “notícias”, quer dizer, mentiras, como se fossem “verdades”. Talvez você pense, com certa razão: mas que problema há nisso se a imprensa dita séria publica tantas notícias que se revelam ou se revelaram inverdades? Sim, mas tais notícias se foram produzidas por veículos de imprensa que prezam a informação apurada com rigor, poderão ser questionadas por quem quer que seja, e nesse processo, ficarão evidentes aspectos que ainda fazem o jornalismo valer a pena. Em outras palavras: quando uma notícia pode ser questionada, quando o jornalista que a produziu pode defendê-la e tem argumentos para tal, é sinal de que apurou, pesquisou e agiu de forma profissional.

Outra coisa é o fato de que jornais sérios ou veículos de comunicação sérios não agem de forma leviana. Não, eu não nasci ontem e sei muito bem que jornais ditos sérios também podem agir de forma leviana e/ou manipuladora, mas ainda assim, espera-se (esperamos) que, até certo ponto, o que está noticiado ali, nas folhas, estadões e diários da vida, tenha sido escrito por gente que se preocupa com a informação que entrega ao leitor.

Um próspero mercado

Mas o discurso acima, que pode parecer dramático demais ou piegas e antiquado, não interessa em nada aos donos dos tais sites que prosperam inventando mentiras, boatos, inverdades e outras “notícias” que muitos de nós já compartilhamos.

Sim, você e eu já devemos ter (em algum momento das recentes e acaloradas discussões politicas, por exemplo) compartilhado matérias dos tais sites* e saiba que este nosso compartilhamento contribuiu para que os donos deles enriquecessem mais um pouquinho.

Recentemente o jornal Folha de S.Paulo fez uma matéria muito necessária sobre estes sites e a mim pareceu terrível (embora nada mais pareça mais tão terrível assim) constatar o quanto é natural e simples e aceitável e normal, este lucrativo mercado de notícias falsas. O quanto o que interessa é somente (e tão somente e unicamente e exclusivamente) que este processo seja lucrativo e só.

Ora, é claro que ninguém abre negócios para vê-los falidos, mas entenda: neste caso, não existe nenhuma preocupação com a construção da notícia, qualquer “coisa” pode se tornar digna de cliques se no centro dela tiver algo digno de cliques e este algo pode ser uma pessoa famosa, um acontecimento que tenha apelo popular (uma morte, um espetáculo, muitas mortes espetaculares, uma subcelebridade ou uma celebridade etc.).

Comida estragada  notícia deturpada

Tudo isto pode parecer bem confuso porque afinal, os jornais “de verdade” também podem produzir boatos ou divulgar informações inverídicas, como mencionei acima, certo? Então, talvez seja melhor pensarmos assim: você come qualquer porcaria em qualquer lugar? Ou: você acha normal saber que tem gente que revira lixo em busca de comida? Eu nunca acharei isto normal como também não acho normal que exista tanta informação falsa circulando na internet como se fosse verdadeira. Mas o que uma coisa tem a ver com outra? É que para mim as notícias que se inventam ao sabor do número de cliques são exatamente como o lixo que nós geramos (e que antes foi comida fresca e saborosa, ou seja, de verdade) e que, horrivelmente, será vasculhado por pessoas que são como nós, humanamente falando, mas reviram o lixo porque não têm dinheiro para comprar comida que preste.

Ouso pensar até que talvez a internet tenha virado apenas isto para quem a vê como uma fábrica de cliques: uma forma de se lucrar com esta grandiosa máquina que produz informação de forma instantânea e veloz. Só que ao final do processo de fabricação de informações, todo o “lixo” existente ali, ou seja, todos os restos das notícias verdadeiras e apuradas que circularam intensamente, já foi compilado (reciclado?) por estes “inventores” de notícias que garimpam uma frase aqui, outra ali e vão montado suas notícias falsas como se construíssem zumbis ou coisas que me lembram “frankensteins”: na verdade, as tais “notícias” não passam de montagens de palavras ditas em outros contextos ou sequer faladas em contexto algum. Mas isso, como já se sabe, não importa, e sim que as invenções saídas destas imaginações assustadoramente férteis angariem mais e mais cliques!

A morte do jornalismo?

E o que se segue depois é que as tais invenções criadas, as tais aberrações espalhafatosas (como aquela que circulou há pouco e dizia que dona Marisa Letícia estaria bem viva, lá na Itália) chamam a atenção de pessoas ingenuamente curiosas (como somos todos nós em certos momentos) e elas clicam, compartilham e daí a “notícia” se espalha de forma absurdamente rápida!

Diante disso, não custa nada ficarmos mais atentos antes de clicarmos e compartilharmos o que temos lido aqui e ali na web. Perceba agora a analogia, rasa admito, entre a “comida” (notícia apurada e fresca) e o lixo (notícia fabricada/reciclada/inventada): enquanto veículos sérios realmente produzem notícias e serão capazes de responder por elas, se questionados, como já dito antes, os tais sites que vivem de regurgitar o que sobrou das notícias velhas, requentadas ou estragadas deliberadamente ganham dinheiro com o que iria para o lixo, mas o problema é que vendem este lixo como se fosse algo novo, fresco e digno de se “saborear”.

Sei o quanto minha “tese” pode parecer louca ou ridícula mas pare para pensar e não perca seu valioso e cada vez mais escasso tempo compartilhando lixos noticiosos. Lembre-se que, apesar dos pesares (da manipulação midiática, sobretudo, que muito contribuiu para esse cenário, que esvaziou o jornalismo do sentido e do valor que ele deveria preservar), o bom jornalismo é um dos pilares da democracia. Países com democracias sólidas e respeitáveis se importam tanto com a educação quanto com o trabalho de uma imprensa verdadeiramente comprometida com valores que hoje nos fazem tanta falta (a nós, brasileiros, e ao mundo todo, enfim).

Para terminar: o Brasil oferece um cenário bastante atraente para que os tais sites fabricantes de notícias falsas prosperem, pois nossa suposta democracia está se fragmentando a olhos vistos, como sabemos. Nem bem floresceu e já decaiu…

No meio disso tudo, desse verdadeiro caos oficializado, somente uma imprensa atenta pode, ao menos, tentar iluminar os cantos obscuros que vão se revelando entre as sombras dessa fase tenebrosa que vamos (lentamente) atravessando.

Agora imagine que no meio dessa vagarosa e caótica travessia surgissem pessoas que agissem de forma leviana, chantagista, abertamente manipuladora e que ainda (!!) se gabassem de agir dessa forma e que se aproveitassem da situação para lucrar. Pois penso que estes são como aqueles comerciantes que aumentam o preço da água, de forma abusiva, em época de racionamento.

Lembre-se: notícia bem apurada também é item de primeira necessidade, agora, lixo – de qualquer natureza, seja “orgânico” ou noticioso – deve ir para o lixo e ponto.

*Estes são, segundo a Folha, alguns dos sites que “fabricam” notícias: Pensa Brasil; Brasil Verde e Amarelo; Jornal do País; Diário do Brasil; Folha Digital; Juntos pelo Brasil; Jornal do País; Você precisa saber, entre outros.