Educação no mundo de hoje

Por Luanna Tavares

O escritor e educador americano Mark Prensky foi o principal palestrante do evento “Educação 360º Tecnologia”, realizado, na semana passada, no Museu do Amanhã, no Centro do Rio. O autor do conceito “nativos digitais” falou para uma plateia atenta de professores e estudantes que lotou o auditório do espaço. Propondo um novo modelo para a escola do século 21, Prensky defendeu o empoderamento de crianças e jovens no mundo de hoje.

“Precisamos reimaginar a educação, mas, antes, pensar nas crianças que estão nascendo, que estão chegando. Daqui há alguns anos, elas serão os nossos estudantes”, anunciou.

Diante desta nova geração, a Educação tem de ser vista de forma mais ampla. Não apenas como áreas de conhecimento, englobando Matemática, Língua Portuguesa e ou Ciências. Na avaliação de Prensky, a Educação de hoje deve contemplar novos objetivo, currículo, ensino e tecnologia.

Para Prensky, o ritmo acelerado imposto pela tecnologia, algo nunca experimentado pelo ser humano, vem impactando a criação e o desenvolvimento das crianças. “Neste contexto, elas têm, hoje, uma maior capacidade. São empoderadas e muito mais poderosas do que antigamente”, destacou.

Neste sentido, a educação deve ter um objetivo mais amplo, muito além de medir conhecimentos e aprendizagem. Precisa instigar os estudantes a construírem um mundo melhor. Para isso, a problematização do mundo real tem de fazer parte do dia a dia da escola como forma de provocar a reflexão das crianças e jovens.

Em linhas gerais, o currículo deve passar por uma profunda transformação. Não faz mais sentido os alunos estudarem todas as disciplinas com a mesma intensidade. “É preciso trabalhar as habilidades e criar novas maneiras de ensino-aprendizagem. E, em paralelo, os professores precisam ajudar os estudantes a realizarem seus sonhos”, afirmou.

Todos devem estar comprometidos neste processo, inclusive os pais e ou responsáveis pelas crianças e jovens. Segundo o palestrante, os pais também devem ver o mundo com outras perspectivas: “Sou otimista sobre o futuro. Todas as crianças têm sonhos e devemos ouvi-las cada vez mais: a escola, os professores e os pais. Uma nova educação”, finalizou.

Escola no cinema

A mostra Escola: Cidade Aberta termina nesta quarta-feira, dia 16, na Caixa Belas Artes, em São Paulo. O nome remete diretamente ao clássico “Roma, Cidade Aberta” (Roma, Città Aperta, 1945), de Roberto Rossellini. Nele, comunistas e católicos italianos se unem para combater os alemães e as tropas fascistas que haviam ocupado a capital do país. O filme foi considerado um dos maiores da história do cinema pela crítica mundial.

O objetivo da mostra é fomentar reflexões em torno do sistema educacional demarcado, nos últimos tempos, por processos de contestação. Leonardo Amaral, curador da mostra, explica que “a escola representada pelos filmes escolhidos é um lugar propício para o confronto de ações, instituição em que as relações de dominação e resistência são impulsionadas por diferentes instâncias de poder e luta”.

Foi exibido um conjunto de longas, médias e curtas de vários países e épocas que traz a instituição escolar como foco central de representação. No último dia da mostra, em cartaz desde o dia 3 de agosto, o público poderá conferir “Nº27”, de Marcelo Lordello (Brasil, 2008); “Crianças” (Children), de Terence Davies (Reino Unido, 1976); e “Entre os Muros da Escola” (Entre lês murs), de Laurent Cantet (França, 2008).

O curta de Lordello retrata as desventuras de Luís, o número 27 da chamada. Típico adolescente tímido e com espinhas no rosto, Luís passa mal no meio de uma prova. Ele se tranca no banheiro e clama pelo coordenador da escola. O curta foi exibido em alguns festivais de cinema do país e ganhou vários prêmios.

Em “Crianças”, Robert Tucker é um jovem gay de família católica em Liverpool. Fica em várias salas de espera, onde se lembra de eventos de sua infância. Ele é intimidado na escola e tem um pai violento que morre enquanto ainda é jovem. O curta faz parte de uma trilogia de Terence Davies. “Madona e Menino” e “Morte e Transfiguração”, completam a obra do autor.

Já o “Entre os Muros da Escola” retrata a difícil tarefa que um professor de língua francesa, em uma escola na periferia de Paris, tem de lidar com alunos rebeldes. François Marin e outros professores se juntam para achar uma solução. A escola enfrenta violência e tensões étnicas entre os jovens.

Celular na sala de aula

Pela primeira vez, a utilização de celulares por alunos em atividades escolares foi investigada pela pesquisa TIC Educação 2016, divulgada no dia 3 de agosto, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O uso desse tipo de dispositivo em atividades escolares foi citado por 52% dos alunos de escolas com turmas de 5º ano, 9º ano, do Ensino Fundamental, e/ou 2º ano, do Ensino Médio, localizadas em áreas urbanas. Esse percentual atingiu 74% entre os estudantes do Ensino Médio.

Por outro lado, 91% dos professores utilizaram a Internet pelo telefone celular para uso pessoal (no primeiro ano do levantamento, em 2011, esse número era de apenas 15%). Além disso, 49% dos professores usuários de Internet declararam utilizar o celular em atividades com os alunos, um crescimento de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior (39%).

Apesar do avanço no uso do celular enquanto ferramenta pedagógica, apenas 31% dos estudantes afirmaram utilizar a Internet pelo telefone celular na escola, sendo 30% entre os alunos de escolas públicas e 36% nas instituições privadas. As restrições ao acesso de estudantes à rede WiFi da escola estão entre os aspectos que explicam a baixa utilização do equipamento no ambiente escolar: enquanto 92% das escolas possuíam rede WiFi, 61% dos diretores afirmaram que o uso dessa conexão não é permitido aos alunos.

Segundo a pesquisa, 40% dos docentes de escolas públicas usuários de Internet afirmam utilizar o computador em sala de aula para atividades com os alunos, sendo que somente 26% dizem que se conectam a Internet quando realizam essas atividades. Em escolas particulares, esses percentuais são de 58% e 54%, respectivamente. “Apesar dos avanços registrados na conexão à Internet que chega às escolas, ainda existem muitos espaços educativos em que não há acesso ou esse acesso é limitado. É fundamental, portanto, a ampliação do uso da Internet nos espaços pedagógicos mais utilizados por professores e alunos, como as salas de aula, bibliotecas e salas de estudo”, ressalta Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Percepção dos professores

A pesquisa TIC Educação 2016 também traz indicadores sobre a percepção de professores, coordenadores pedagógicos e diretores sobre o uso das tecnologias nas práticas pedagógicas. “Essas percepções contribuem para subsidiar ações ainda necessárias para o aprimoramento deste uso no processo de ensino e aprendizagem”, explica Barbosa.

Para 94% dos professores, o uso das TIC permitiu acesso a materiais didáticos mais diversificados ou de melhor qualidade. Além disso, grande parte dos docentes concordaram que a adoção de novos métodos de ensino (85%) e o cumprimento de tarefas administrativas com maior facilidade (82%) é um resultado do uso das TIC.

Segundo diretores (36%) e coordenadores pedagógicos (35%) de escolas particulares, o desenvolvimento de novas práticas de ensino baseadas no uso de computador e Internet é a ação prioritária para a integração das TIC na escola. Nas escolas públicas, o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas também é relevante, mas aparecem com maior destaque as ações na área da infraestrutura. Para 32% dos diretores e 22% dos coordenadores pedagógicos o aumento do número de computadores por aluno deve ser a ação prioritária.

Em sua 7ª edição consecutiva, a pesquisa TIC Educação 2016 foi realizada entre os meses de agosto e dezembro de 2016 e contemplou 1.106 escolas públicas e privadas, com turmas do 5º ou 9º ano do Ensino Fundamental e/ou 2º ano do Ensino Médio localizadas em áreas urbanas. A pesquisa entrevistou 935 diretores, 922 coordenadores pedagógicos, 1.854 professores de Língua Portuguesa e Matemática ou multidisciplinares e 11.069 alunos de 5º e 9° ano do Ensino Fundamental e 2° ano do Ensino Médio. Realizado anualmente desde 2010, o levantamento tem como objetivo investigar o acesso, o uso e a apropriação das tecnologias de informação e comunicação nas escolas públicas e privadas brasileiras de Ensino Fundamental e Médio, localizadas em áreas urbanas.

Áreas úmidas e sua importância

Em tempos de sustentabilidade, cada dia se aprende mais e mais. Por exemplo, você sabe o que significa a área úmida ou zonas úmidas e a importância que elas têm para nosso ecossistema? Elas são áreas de pântano, charco, turfa ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo áreas de água marítima com menos de seis metros de profundidade na maré baixa. Elas podem estar secas durante uma parte do ano, mas o período em que se encontram inundadas é suficiente para manter o ecossistema vivo. Ao todo, são classificados 42 diferentes tipos de zonas úmidas. E, em linhas gerais, elas fornecem serviços ecológicos fundamentais para as espécies de fauna e flora e para o bem-estar de populações humanas. Além de regular o regime hídrico de vastas regiões, essas áreas funcionam como fonte de biodiversidade em todos os níveis. Ao mesmo tempo, atendem necessidades de água e alimentação para uma ampla variedade de espécies e para comunidades humanas, rurais e urbanas.

A definição do conceito de área úmida surgiu na Convenção de Ramsar. O tratado intergovernamental celebrado no Irã, em 1971, marcou o início das ações nacionais e internacionais para a conservação e o uso sustentável das zonas úmidas e de seus recursos naturais. Atualmente, 150 países são signatários do tratado, incluindo o Brasil.

É por esta razão que foi criado o Prêmio Ramsar para Conservação das Áreas Úmidas. As iniciativas brasileiras podem ser inscritas até o dia 30 de setembro. Os vencedores serão anunciados na 13ª Reunião das Partes da Convenção de Ramsar, que ocorrerá, em outubro de 2018, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

São três categorias e o ganhador de cada uma delas receberá o Prêmio Especial Evian, no valor de US$ 10 mil.
As categorias são: uso racional das áreas úmidas – reconhecendo uma contribuição de longo prazo sobre o uso sustentável das áreas úmidas; inovação em áreas úmidas – reconhecendo técnicas de inovação que contribuíram para o uso racional das áreas úmidas; e jovens e as áreas úmidas – reconhecendo o trabalho de um jovem ou de um grupo de jovens com idade entre 18 e 30 anos que contribuíram para o uso racional das áreas úmidas.

A proposta deve ser enviada para o e-mail award@ramsar.org após o preenchimento dos formulários, que podem ser encontrados no site www.ramsar.org/activities/2018-awards.

 

Assim vivemos – 8ª edição

Por Luanna Tavares

A história da menina Ngu Wah Hlaing, de Myanmar, país que fica no sul da Ásia, é comovente. Ela foi abandonada por sua mãe quando era bebê por causa de sua deficiência. Por sorte, uma monja e seu filho, transgênero, a adotaram. Mas, hoje, com 11 anos, Hlaing, ainda não sabe ler nem escrever. Ela não é aceita pelas escolas devido à deficiência que apresenta. A história de Hlaing virou documentário e, agora, faz parte da 8ª edição do Festival Internacional de Filmes sobre Deficiências, o Assim Vivemos. A mostra composta por 32 documentários de 20 países está em cartaz no Rio de Janeiro, de 16 a 28 de agosto, no Centro Cultural do Banco do Brasil.

Todos os filmes, que são inéditos, trazem histórias protagonizadas por pessoas com diversas deficiências, como síndrome de Down, autismo, paralisia cerebral, atrofia muscular espinhal, deficiência física, visual, auditiva e intelectual. “Dois Mundos”, da Polônia, “Onde está você/Eu estou aqui”, da Ucrânia, “Ordem do Woody!” e “Vida e Atrofia”, dos Estados Unidos, são alguns dos filmes que retratam jovens em algum tipo de limitação. Também consta da programação, quatro debates: A visão e os sentidos da arte; Corpo e movimento; Tecnologia assistiva de ponta e Amor e relacionamento.

Realizado a cada dois anos, desde 2003, o “Assim Vivemos” é o primeiro festival de cinema no Brasil a oferecer acessibilidade para pessoas com deficiência visual (audiodescrição em todas as sessões e catálogos em Braile) e para pessoas com deficiência auditiva (legendas Closed Caption nos filmes e interpretação em LIBRAS nos debates).

Confira a entrevista concedida pela curadora do Festival, Lara Pozzobon, à revistapontocom:

revistapontocom – Qual é o objetivo do Festival ao longo de todos estes anos?
Lara Pozzobon – O festival é antes de tudo um evento transformador. A intenção é trazer filmes que mostrem as pessoas com deficiência em variados lugares do mundo, inseridas nas diferentes sociedades e encontrando formas de diminuir o preconceito e ampliar a inclusão e a acessibilidade. O Assim Vivemos tornou-se a maior celebração da inclusão e da acessibilidade no Brasil, pois tudo isso está presente tanto na tela quanto no público do festival. Desde a primeira edição, o festival oferece Audiodescrição em todas as sessões para o público com deficiência visual, além de catálogos em Braille, legendas LSE em todos os filmes, inclusive nos brasileiros, e ainda interpretação em LIBRAS nos debates.

revistapontocom – O que a 8ª edição traz de novidade?
Lara Pozzobon – A 8º edição do festival tem um perfil mais maduro, com a maioria dos filmes retratando pessoas adultas. Entendemos que já há uma maturidade na discussão do tema em todo o mundo. Os filmes colaboram com um entendimento mais amplo e plural do ser humano, tanto do ponto de vista físico, emocional quanto existencial, já que alguns filmes se aprofundam em questões mais complexas dos indivíduos retratados.

revistapontocom – Como funciona a seleção dos documentários?
Lara Pozzobon – Eu e Gustavo Acioli assistimos a todos os filmes inscritos e escolhemos aqueles que enfocam a pessoa com deficiência como protagonista e que abordam de modo adequado as questões das pessoas com deficiência. Os filmes variam em estilo e gênero. Temos comédias, dramas e documentários mais informativos, mas sempre filmes com formato de cinema.

revistapontocom – Quais são os filmes que falam de crianças com deficiência?
Lara Pozzobon – Este ano, temos muitos jovens retratados e apenas dois filmes com crianças: “Uma menina em 10 X 10”, de Myanmar, e “Vida e atrofia”, dos Estados Unidos. Os jovens retratados são muitos e bem variados. Temos adolescentes com Síndrome de Down nos excelentes filmes “Amor aos 20” e “Luis Luis”, da Espanha, “Sobre Arif”, da Turquia e “Onde está você/Eu estou aqui”, da Ucrânia, um menino com paralisia cerebral em “Virando Super-humano”, da Austrália, um rapaz com deficiência física em “Filho do Homem”, da Rússia e uma jovem com deficiência intelectual no curta brasileiro “Luíza”. Temos ainda uma jovem suíça em “Bucéfalo” e um rapaz em “O olho do Minotauro”, da Bulgária.

revistapontocom – A mostra também é competitiva?
Lara Pozzobon – Sim, desde a primeira edição, premiamos há o mais votado do público nas três cidades e mais cinco destaques dados pelo Júri, que este ano é composto por Sara Bentes, cantora, compositora, bailarina e atriz com deficiência visual; Teresa Taquechel, bailarina e coreógrafa do Grupo Pulsar; e Wilson Marx, poeta e consultor sobre o tema do autismo.

Pais-helicóptero

Por Marcia Sirota
Psiquiatra, palestrante e coach

Artigo originalmente publicado no site HuffPost Canada e traduzido do inglês.

‘Pais-helicóptero’ são os pais que estão sempre girando em torno dos filhos. Praticamente os embrulham em plástico-bolha, criando uma corte de jovens adultos que têm dificuldade de ter um desempenho satisfatório no trabalho e em suas vidas.

‘Pais-helicóptero’ pensam que estão fazendo o melhor, mas, na verdade, estão prejudicando as chances de sucesso dos filhos. Em particular, estão arruinando as chances de que os filhos consigam um emprego e consigam mantê-lo.

‘Pais-helicóptero’ não querem que seus filhos se machuquem. Querem suavizar cada golpe e amortecer cada queda. O problema é que essas crianças superprotegidas nunca aprendem como lidar com a perda, com o fracasso ou com o desapontamento — aspectos inevitáveis da vida de todos.

A superproteção torna quase impossível que esses jovens desenvolvam a tolerância em relação à frustração. Sem esse importante atributo psicológico, os jovens entram na força de trabalho em grande desvantagem.

‘Pais-helicóptero’ fazem coisas demais pelos filhos, portanto, essas crianças crescem sem uma ética de trabalho saudável e sem habilidades básicas. Sem essa ética de trabalho e habilidades necessárias, o jovem não será capaz de realizar muitas das tarefas exigidas pelo local de trabalho.

‘Pais-helicóptero’ superprotegem seus filhos e os privam de qualquer consequência significativa por suas ações. Com isso, eles perdem a oportunidade de aprender lições de vida valiosas a partir dos erros que cometem; as lições de vida que iriam contribuir para sua inteligência emocional.

‘Pais-helicóptero’ protegem suas crianças de qualquer conflito que possam ter com seus colegas. Quando essas crianças crescem, não sabem como resolver dificuldades entre eles e um colega ou supervisor.

As pessoas resolvem problemas tentando coisas, cometendo erros, aprendendo e tentando novamente. Esse processo cria confiança, competência e autoestima. ‘Pais-helicóptero’ impedem que seus filhos desenvolvam todos esses importantes atributos que são necessários para uma carreira de sucesso.

‘Pais-helicóptero’ pensam que seus filhos devem vencer qualquer coisa. Todo mundo que participe de um evento esportivo deve ganhar um troféu. Todos devem conseguir uma nota de aprovação, mesmo que sua tarefa esteja atrasada ou malfeita.

Em um local de trabalho funcional, há apenas um vencedor de uma competição, e apenas um trabalho de alta qualidade é recompensado. Se as crianças crescem pensando que independentemente do que façam irão vencer, não perceberão que, na verdade, têm de trabalhar duro para conseguir ter sucesso.

Esses jovens mimados ficarão arrasados quando continuarem perdendo competições, se saindo mal em entrevistas ou sendo demitidos de seus empregos. Não entenderão quanto esforço é realmente necessário para ser um vencedor no mundo do trabalho.

Esses jovens carecem de competência e ação por nunca terem tido de resolver um problema ou completar um projeto sozinhos. Esperam que outros façam essas coisas para eles, assim como seus pais sempre fizeram. Em essência, não podem pensar ou agir por si mesmos.

A criação-helicóptero inculca uma série de atitudes negativas nas crianças. Elas crescem com grandes expectativas de sucesso, independentemente de quanto tempo ou energia investem, e sentem que merecem tratamento preferencial — sendo que nenhum dos dois comportamentos cai bem com seus colegas ou chefes.

Em uma entrevista de emprego, os futuros empregadores podem ser dissuadidos pela atitude excessivamente egocêntrica de um jovem ou alarmados por sua falta de habilidades básicas.

A aura de ignorância e incompetência de um jovem, combinada com expectativas de recompensas imediatas e substanciais sem relação com o desempenho, pode ser o beijo da morte em qualquer entrevista para um bom emprego.

Quando os pais decidem acompanhar seu filho de 20 e poucos anos em uma entrevista de emprego, isso mina qualquer confiança que um empregador possa ter nesse funcionário em potencial. “Por que”, os empregadores podem se perguntar, “alguém procurando emprego precisaria trazer a mamãe ou o papai na entrevista, a menos que esse jovem seja mais uma criança do que um adulto?”.

Mesmo de pequenas maneiras, os ‘pais-helicóptero’ paralisam seus filhos. A criança adulta de ‘pais-helicóptero’ vai fazer sua pausa para o café e então sair da copa sem ter limpado sua sujeira ou lavado sua xícara. Podemos imaginar como isso causará ressentimento entre seus colegas.

Esses jovens esperam que “alguém” limpe sua coisas, da mesma forma que sua sujeira foi sempre limpada quando eram crianças. Não percebem que já não há ninguém os seguindo, limpando sua sujeira, seja física, interpessoal ou profissional.

Barb Nefer, em um artigo publicado no site WebPsychology, diz que a geração do “milênio está sendo fortemente atingida pela depressão no trabalho. Um em cada cinco trabalhadores [20%] já sofreu de depressão no trabalho, comparado a 16% da Geração X [nascidos entre 1960 e final dos anos 70] e dos ‘baby boomers’ [nascidos entre 1943 e 1960]”.

Nefer destaca que, de acordo com um “‘white paper’ da Bensinger, DuPont & Associates, os ‘millennials’ têm desempenho inferior no trabalho e índices mais altos de absenteísmo, bem como mais conflitos e incidentes de advertência por escrito”, fatores que “podem afetar o desempenho no trabalho”.

De acordo com um artigo de Brooke Donatone publicado pelo Washington Post, uma nota de 2013 na revista “Journal of Child and Family Studies revelou que universitários que tiveram criação-helicóptero relataram níveis mais altos de depressão”.

O artigo do Washington Post também destaca que uma “criação intrusiva interfere no desenvolvimento da autonomia e da competência. Por isso, a criação-helicóptero leva a uma maior dependência e menor habilidade de completar tarefas sem supervisão dos pais”.

Os artigos acima deixam claro que a ‘criação-helicóptero’ está contribuindo para um crescente índice de depressão entre jovens bem como para uma incapacidade de ter um desempenho otimizado no local de trabalho.

Se você é um pai ou uma mãe que quer que seus filhos sejam bem-sucedidos na carreira quando adultos, precisa estar ciente de quaisquer tendências relacionadas à criação-helicóptero em você ou em seu parceiro.

Amar seus filhos significa guiá-los, protegê-los e apoiá-los. Não significa sufocá-los, superprotegê-los ou fazer tanto por eles que nunca aprendam a pensar por si mesmos, a lidar com desafios ou com o desapontamento e fracasso.

A coisa mais amorosa que você pode fazer como pai ou mãe é dar um passo atrás e deixar seu filho cair, se preocupar e resolver as coisas sozinho. Às vezes, a melhor forma de “estar presente” na vida de seu filho é não estar. É assim que você os capacita a desenvolver confiança, competência, autoestima e inteligência emocional.

Hoje os jovens precisam de pais que os ajudem a se tornar adultos úteis. Isso significa girar menos em torno deles e embrulhá-los menos em plástico-bolha e empoderá-los mais para que façam coisas por si mesmos, resolvam coisas por si mesmos e aprendam a lidar com as dificuldades, tudo por si mesmos.

Selo Unicef

As inscrições para a o Selo Unicef – Edição 2017-2020 foram prorrogadas e continuam abertas. Podem se inscrever 2.278 municípios do Semiárido e da Amazônia Legal Brasileira até o dia 31 de agosto. A iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimula que os municípios implementem políticas públicas para a garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes. Os documentos para a inscrição podem ser acessados em http://www.selounicef.org.br

Nos próximos quatros anos, os municípios inscritos deverão investir em ações para melhorar a oferta e a qualidade de serviços de saúde, educação, assistência social e participação, visando produzir impactos reais e positivos na vida de crianças e adolescentes. O Selo Unicef é uma certificação internacional com objetivo de mobilizar a sociedade, poder público e parceiros em reconhecimento aos avanços registrados pela infância e adolescência.

“O Unicef capacita os gestores municipais e define os indicadores que ajudarão a monitorar os resultados das ações. Mas esses resultados só aparecem em consequência de um trabalho intersetorial no município”, diz o representante do Unicef no Brasil, Gary Stahl.

Quem pode se inscrever
Podem aderir ao Selo os municípios localizados em nove Estados do Semiárido (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e nos nove Estados que compõem a Amazônia (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins).

Sucesso no YouTube

Com mais de 25 milhões de visualizações no Youtube, o filme de quatro minutos chamado “In a Heartbeat” (Em uma batida de coração) já viralizou na Internet. O curta-metragem conta a história de um menino e seu primeiro amor. Sem falas, a história mostra o jovem que tem medo de ser rejeitado pelo garoto dos seus sonhos, até que seu coração escapa do peito para agir por conta própria. A preocupação dos criadores, Esteban Bravo e Beth David, estudantes de animação digital da Ringling College of Art and Design, nos EUA, era mostrar os desafios de um jovem homossexual. “O tema LGBT é o foco, mas, em última análise, é uma história sobre uma paixão. É algo que quase todo mundo experimentou e pode entender”, disse David em entrevista à “NBC News.

Para os diretores, curta-metragem é tão adequado para o público infantil quanto um romance entre um garoto e uma garota. Segundo eles, contar a história de In a Heartbeat foi um desafio e uma busca de equilibrar emoções que são completamente universais para todos e experiências LGBTQ. “Nós tentamos contar esta história de um lugar genuíno e que fosse tão emocionalmente honesto”, acrescentou David.

O projeto do curta In a Heartbeat começou por meio de uma campanha de financiamento coletivo. Eles lançaram um trailer de 24 segundos e pediram ajuda de custos para produzir o filme. A campanha tinha o objetivo de arrecadar U$ 3 mil. Mas a arrecadação foi além: U$ 14 mil.

Vencedor do Anima Mundi

Realizado em stop motion, o curta francês “Negative Space (Espaço Negativo)” foi o vencedor do Grande Prêmio Anima Mundi da edição deste ano. Dirigido por Ru Kuwahata e Max Porter, o filme é uma adaptação do poema homônimo de Ron Koertge. Mostra a vida de um jovem e o relacionamento com seu pai que vive constantemente viajando.

“Um colega nosso postou o poema de Ron no Facebook e nos tocou o humor e a honestidade do texto. O poema traz apenas 150 palavras. Por ser tão mínimo, sentimos que havia espaço suficiente para trazer algo para a história com animação. Ainda assim, foi um ato de equilíbrio difícil de honrar: a simplicidade do texto e trazer algo para ele”, disse Ru em entrevista à revista digital Skwigly.

Nos segundos iniciais, o curta dá uma verdadeira aula de como organizar uma mala perfeita. A maior interação do protagonista com seu pai acontecia em volta de uma muda de roupas e de uma mala vazia, diferentemente da relação de outros meninos que jogam futebol, brincam de carro ou soltam pipa. Seu pai lhe incumbiu a tarefa de arrumar as malas dele sempre que fosse viajar a trabalho. Com uma simples mensagem no celular posteriormente: “perfeita”, o jovem ficava muito feliz.

Entretanto, o dia mais triste do filho foi o velório de seu pai. Onde destacam-se o uso das cores e a frieza do protagonista diante da morte daquele que foi a figura mais importante em seus anos de formação. O final gélido deixa um sentimento melancólico e um espaço vazio feito propositalmente pelos diretores.

O curta-metragem, que utilizou fantoches como uma das técnicas, foi eleito pelo júri profissional e pelos diretores do festival Aída Queiroz, Cesar Coelho, Lea Zagury e Marcos Magalhães, e também venceu o prêmio de Melhor Técnica de Animação. Esse ano o Anima Mundi celebrou o centenário da animação brasileira, reuniu 182 produções entre curtas e longas-metragens.

#paternidaderesponsável

Muitos de nós quando pequenos sonhávamos fazer a diferença no mundo. Idealizávamos profissões como bombeiro, policial, astronauta ou jogador de futebol para ganhar a Copa do Mundo e fazer a felicidade do nosso país. Eu, por exemplo, quis ser Lixeiro. Achava bárbaro poder subir e descer do caminhão em movimento, além de poder ajudar a manter a cidade limpa, uma questão que sempre me incomodou desde criança. Uma profissão até hoje que valorizo muito. Há também aqueles que viam a oportunidade de salvar o mundo se adquirissem superpoderes, como Superman, batman, Homem de Ferro, Flash, Homem-Aranha, entre outros.

Crescemos e, no mundo real, pouco daqueles sonhos e idealismos permaneceram vivos. A maioria de nós sobrevive entre o trabalho e a casa, o supermercado e a padaria, e, quem sabe, uma caminhada no parque de vez em quando. Até nos tornamos pais! A paternidade é um dos caminhos para se revelar o que temos de mais profundo em nossa construção individual. Como pais vislumbramos a chance de preencher aquele anseio que, desde a infância, incita-nos a ser grandes. A paternidade não acontece somente na geração de uma nova vida, mas em toda formação desse outro ser humano. A cada fase da criança, há uma nova oportunidade de o pai se reinventar enquanto “cuidador” e se melhorar como ser humano.

A importância da figura paterna

A paternidade e o envolvimento nas tarefas domésticas e de cuidado, independente de gênero, importam sim! É o que revela o crescente conjunto de estudos produzidos no mundo inteiro sobre o tema ao longo das últimas duas décadas. Existem evidências claras sobre o impacto positivo do envolvimento do pai no cuidado, especialmente para a saúde materno-infantil, desenvolvimento cognitivo da criança, empoderamento da mulher, além de apresentar consequências positivas para a saúde e bem-estar dos próprios pais.

A ONG ProMundo lançou em 2016 o primeiro relatório Situação da Paternidade no Brasil , que também pretende realçar a limitação desses dados e estimular a sua produção por agências do governo, instituições acadêmicas, pesquisadores independentes, ONGs e demais interessados.

Diz a Constituição Federal do Brasil, no Capítulo VII, artigo 266, parágrafo 7º: “Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.”

A construção do conceito de “paternidade responsável” exige uma desconstrução do modelo anterior (pai responsável = pai provedor) para uma visão moderna que ressalta o fenômeno na sua integralidade. A discussão em torno da promoção da paternidade e do cuidado também se relaciona diretamente com a luta pela superação das desigualdades entre homens e mulheres.

Desconstruindo um modelo

Estudos realizados por redes como Rede Nacional Primeira Infância e de Organizações como Instituto Papai, apontam que o investimento em políticas de valorização da paternidade e do papel do homem como cuidador tem o potencial de desconstruir um modelo dominante de masculinidade – patriarcal e machista – que reforça a desigualdade de gênero, abrindo caminho para a construção de outros modelos não violentos, baseados no afeto e no cuidado.

Na psicanálise, a função paterna, é um conjunto de funções/ações que podem ser exercidas por qualquer pessoa que assuma esse papel/figura perante a criança, independentemente do gênero e da sua ligação sanguínea. Por esse motivo, a plataforma de formação paterna 4daddy levanta as bandeiras da paternidade ativa baseada numa criação afetiva, social e cidadã, e visa reposicionar a figura paterna nessa nova dinâmica.

Uma causa

Queremos aqui formalizar o nosso manifesto: #paternidaderesponsável – Um ato, um direito, uma escolha! Um ato, pois queremos chamar a sociedade civil para “exercerem” a função paterna baseada numa criação afetiva, social e cidadã de nossas crianças e adolescentes. Trata-se de atitude/ato social e político de conscientização. Um direito, por que ser e ter um “pai” é um direito. Seja homem ou mulher, toda criança tem o direito de ter a figura paterna presente em sua vida. E todo cuidador(a) adulto tem o direito de exercer essa função assistido(a) pelo Estado.

Uma escolha, já que as funções paternas podem ser exercidas por qualquer adulto que tenha sob sua responsabilidade uma criança e/ou um adolescente. Independente do gênero ou orientação sexual, grau de parentesco biológico ou afetivo desse adulto. Ser pai, cumprindo suas obrigações legais, não é necessariamente exercer essa paternidade de forma afetiva e social. Ser cuidador, seja mãe ou pai, afetivo ou biológico, é uma escolha!

Apoie essa ideia, compartilhando esse manifesto! Convidamos a todos e todas, Estado, organizações privadas e públicas a se juntarem conosco para continuarmos construindo essa nova ideia. Estamos abertos para conversas e debates sobre o tema, e todos os assuntos a ele correlatos.

Ficção científica do Japão

Por Janete da Silva Oliveira
Doutora pela PUC-RJ na área de literatura, cultura e contemporaneidade. É professora assistente do setor de japonês do Instituto de Letras da UERJ.

Artigo originalmente publicado no Jornal da Unicamp

Talvez seja um paradoxo do imaginário ocidental: o Japão ter uma produção significativa que não é identificada imediatamente como ficção científica.

A tradição literária da ficção científica data do século XIX, do Bakumatsu (últimos anos do período Edo), segundo o pesquisador de ficção científica Yasuo Nagayama (2009), e acredita-se que teve início com a chegada do almirante Perry e o contato com os artefatos industriais do ocidente. Segundo Nagayama, a partir de 1959, quando começou a ser publicada a revista SF Magazine, traçou-se um novo limite para classificar a ficção científica japonesa. Antes, esse limite era fixado no final da guerra (1945), e tudo que podia ser classificado no gênero, antes dessa data, era comumente chamado de “SF clássica”.

Autores como Unno Juza, ?shita Uda, entre outros representantes dessa época, permaneceram ativos mesmo depois da guerra, e seus sucessores imediatos, Tezuka Ossamu, Kayama Shigeru, entre outros, apesar de terem recebido influências da ficção científica estrangeira, já tinham sido fortemente influenciados pela chamada ficção científica clássica japonesa, de antes da guerra.

Por esse motivo, podem também ser enquadrados no conceito de ficção científica clássica, pois mesmo sendo escrita em um período no qual o gênero ainda não estivesse definido, a ficção clássica está presente nas obras desses novos autores (Tezuka, Kayama) e trazem em si a força que recorda os autores mais antigos, de um tempo em que ficção científica ainda era um “conceito inexistente”.

Nesse período de ficção científica clássica podemos incluir até mesmo Taketori monogatari (1987, do diretor Kon Ishikawa), que recentemente teve uma versão em animação feita pelo diretor do Studio Ghibli, Isao Takahata, chamado O conto da princesa Kaguya (2013). Ambos derivam de O conto do cortador de bambu, um relato que data do século X e já trazia elementos do que hoje chamamos de ficção científica, uma vez que a princesa é uma alienígena, vem da lua.

No entanto, só no ano de 1988 a atenção do ocidente foi conquistada por uma animação japonesa de ficção científica, Akira, que completa trinta anos de lançamento em 2018. O mangá original (1982 a 1990), mais complexo, já havia completado trinta e cinco anos em 2017. Mas, mesmo hoje, se perguntarmos a um público com algum conhecimento sobre a produção audiovisual japonesa o que seria a “ficção científica japonesa”, provavelmente obteríamos como resposta Akira ou Ghost in the shell (1995). Contudo, a produção japonesa dentro do gênero possui vários outros filmes e séries com repercussão no ocidente, mas cujo imaginário, como falamos anteriormente, não evoca imediatamente o conceito.

Apesar da influência forte da animação, há filmes significativos live-action e os tokusatsus (efeitos especiais). A ficção científica nunca esmoreceu no Japão, principalmente graças à animação, à tradição de transposição recorrente de mangás para a tela grande e ao sucesso de grandes franquias de tokusatsu, como (apontaremos adiante).

Uma das principais características da ficção científica japonesa quando se fala em animação ou cinema é a distopia. Vamos apontar algumas produções e suas peculiaridades de enredo.

Gojira (1954, do diretor Ichir? Honda) aborda testes nucleares feitos pelos americanos que revivem um réptil de 50 metros que lança raios radioativos. Chamados de kaiju eiga (filmes de monstros), surgiram como forma de protesto contra as explosões nucleares, segundo Novielli (2007). O monstro era uma mistura de gorila e baleia (kujira, em japonês), por isso Gojira. Em 2016 teve uma nova versão (Shin Gojira/Godzilla resurgence), lançada pelo famoso diretor Hideaki Anno (Neon genesis evangelion) e um dos mais prestigiados supervisores de efeitos especiais Shinji Higuchi (Shingeki no kyojin/Attack on titan).

Gojira e Ultraman ainda mantêm uma carreira de sucesso no Japão pois, através da metáfora de monstros, representam o imaginário dos perigos reais que circundam o arquipélago japonês (China, Coreia do Norte) e o pesadelo nuclear.

Outro filme (na verdade, trilogia), já na linha da distopia, seria Nij?seki sh?nen/20th century boy (do diretor Yukihiko Tsutsumi). A primeira parte é de 2008 e as duas seguintes são de 2009 (janeiro e agosto), baseadas no mangá homônimo de bastante sucesso dentro e fora do Japão. O enredo gira em torno de amigos que, na década de 1960, escrevem um livro sobre uma gangue que dominaria o mundo e registram essa história em um caderno, o “livro da profecia”. Anos depois, o que foi previsto começa a acontecer, e eles se unem para descobrir quem está usando o livro.

Com uma temática alienígena, temos Kiseij? (2014, do diretor Takashi Yamazaki), uma história de um adolescente com um parasita alienígena no corpo, que é a solução para acabar com a invasão alien responsável por assassinatos pelo mundo. Baseado também em um mangá.

Já Casshern (2004, do diretor Kazuaki Kiriya) é também uma distopia e baseada em mangá, passada no final do século XXI. O mundo encontra-se devastado e à beira de extinção por conta das guerras química, biológica e nuclear. Um cientista faz uma descoberta que pode ser tanto a salvação como a destruição do que resta da raça humana.

E, recentemente, também destacamos a adaptação para o cinema, não muito bem recebida pela crítica, do mangá Terra formars (2016, do diretor Takashi Miike), que descreve a tentativa de colonização de Marte por conta da superpopulação da Terra, mas cria uma super-raça de insetos que pode destruir a raça humana.

Há também o que podemos chamar de um “lado B” da ficção científica japonesa, exemplificado por Tokyo gore police/T?ky? zankoku keisatsu (2008, do diretor Yoshihiro Nishimura). Esse é um filme co-escrito por japoneses e americanos, situado em um futuro no qual o Japão está caótico e um cientista louco cria um vírus que transforma as pessoas em mutantes monstruosos. A polícia japonesa foi privatizada e cria-se um esquadrão especial ? quase militar ? para exterminar os mutantes, utilizando-se de métodos pouco convencionais como sadismo, muita violência e execuções em plena rua.

No terreno da animação, a produção é farta, começando pelos já citados Akira e Ghost in the shell. Acrescentaríamos ainda Metropolis (2001, do diretor Rintaro), baseado no mangá homônimo de Ossamu Tezuka, Tetsuwan atomo (Astro boy) e Cyborg 009, também criações de Tezuka que abordavam as aventuras de máquinas tentando se adaptar ao mundo. Alia-se aí a própria história pessoal de Tezuka, que sofreu bullying quando criança, somada ao fascínio pela ficção científica ocidental.

Podemos destacar também Toki o kakeru sh?jo/A garota que conquistou o tempo (2006, do diretor Mamoru Hosoda), baseado em famoso escritor de ficção científica do Japão, Tsutsui Yasutaka, também autor de Paprika (2006, dirigido por Satoshi Kon), Summer wars (2009, do diretor Mamoru Hosoda), Cowboy bebop (2001, de Shinichiro Watanabe, Hiroyuki Okiura e Yoshiyuki Takei). Sem contar a criação (inacabada) de Hideaki Anno, o complexo Neon genesis evangelion (1995) que trouxe a distopia na ficção científica para um novo patamar com sua trama religio-político-psicológica envolta pela tecnologia.

Outras produções audiovisuais que mereceriam destaque seriam os doramas (nosso equivalente das novelas) e os tokusatsus. No primeiro caso, assim como os filmes, há muita inspiração em livros e games. Podemos citar Mirai Nikki (inspirado no mangá homônimo exibido na primavera de 2012/Japão – 11 episódios) contando a história de um garoto desajustado que ganha de um deus o poder de prever o futuro no seu diário; Zettai Kareshi (inspirado no mangá homônimo de Y? Watase- a mesma autora de Fushigi Y?gi – exibido na primavera de 2008/Japão – 11 episódios) que conta a história de uma jovem que ganha um protótipo de um namorado andróide ideal; e Andou roido (Ando lloyd) ~A.I. knows love? (criação original para a TV – exibido no outono de 2013/Japão – 10 episódios) no qual um cientista morre e deixa um andróide para proteger a esposa; e a série médica JIN (2009 a 2011- 22 episódios em duas temporadas) no qual um médico é transportado para a era Edo. Um dos poucos que não envolve diretamente romance dos protagonistas.

No caso do tokusatsu, uma abreviação de duas palavras, tokushu satsuei (efeitos especiais), daí surgiram as séries chamadas de super sentai (super esquadrões) como Changeman e Flashman. No Japão até hoje são franquias de grande sucesso e apresentam um filme anualmente com o crossover da equipe que termina com a sucessora.

O mesmo acontece com a “família Kamen Rider” (Kamen Rider Den-O, Kuuga, Black, Kabuto, entre outros, através das décadas) que têm, desde Black Kamen Rider, uma relação com as motocicletas e as máscaras (em muitos casos, similar a inseto) e os “metal hero”, como Metalder, Spielvan, Jaspion, Sharivan, Jiban, Gaban, Shaider e Jiraya, por exemplo.

E existem ainda os outros heróis como Cybercops, Machine man e Patrine, que não se encaixam nas categorias acima. Utopias construídas em cima de alguma distopia iniciada por algum vilão extra-terrestre ou não, ou vindo de outro tempo, apresentam ensinamentos de valores da sociedade japonesa, como trabalho em equipe, proteção do meio ambiente, entre outros.

Toda ficção é metáfora. Ficção científica é metáfora. O que a diferencia de outras formas de ficção parece ser seu uso de novas metáforas, tiradas de certos grandes dominantes da nossa vida contemporânea ? ciência, todas as ciências e tecnologia, e a perspectiva relativista e histórica entre elas. A viagem espacial é uma entre essas metáforas; então é uma sociedade alternativa, uma biologia alternativa; o futuro é outro. O futuro, em ficção é uma metáfora. (Le Guin, 1979, p. 159, tradução nossa).

Como Le Guin diz, qualquer ficção é uma metáfora, o futuro é uma ficção (pois ainda não o é) e, portanto, é uma metáfora. A questão é: uma metáfora de quê? Ou a serviço de quê? No caso da ficção japonesa, olhando quantitativa e qualitativamente, muito tem a ver com uma utopia-distópica. Segundo Takahashi Taketomo no livro O pensamento utópico no Japão (tradução nossa), a palavra carrega uma ambiguidade e uma contradição, pois coloca que a palavra utopia pode ser derivada tanto do grego ou (não) + topos (lugar) ou do conceito platônico de “eutopia” (lugar ideal). Logo, poderia ser um lugar que, por ser ideal/bom, não estaria em lugar nenhum.

Essa reflexão é útil porque, na contemporaneidade, as utopias deram lugar às distopias, mais de acordo com o mal-estar e vazio dessa “pós-modernidade” atual. O recente anime da Netflix, Blame, parece querer recuperar o “espírito cyberpunk” quando coloca um lobo solitário, Killy, para lutar contra a extinção da raça humana em um mundo controlado por máquinas. Uma outra indicação de que seria um momento de repensar a retroalimentação de influências e do Japão como um inspirador de um talvez “renascimento” do cyberpunk, seria o remake americano do cultuado Ghost in the shell. Sub-gênero da ficção científica que parece também retomar fôlego com a sequência de Blade runner (Blader runner 2049) com lançamento previsto para outubro de 2017.

Depois desses exemplos – poucos, pois a produção japonesa é muito vasta –, podemos tentar traçar um certo “perfil” nas produções audiovisuais japonesas de ficção científica para incentivar e sugerir discussões. Apresentamos quatro segmentos dessas produções: cinema live, animação (cinema e séries), doramas (novelas) e tokusatsus. A tecnologia, a ciência, desempenham papéis diferentes no desenvolvimento dos enredos e das tendências e, contrariamente ao ocidente, muito raramente apresentam um final “redondo”, feliz ou até mesmo sequer um “fim”.

O cinema segue a tendência distópica de apresentar, via metáfora de ciência, críticas e protestos (como nos primórdios dos Kaiju eiga) com relação à sociedade atual. Os animes exploram muito mais as possibilidades tecnológicas, como em Psycho-pass, Ghost in the shell ou Blame, ou ainda um mundo físico totalmente modificado, como em Berserk, mas com ênfase na distopia – o site anime planet tem como filtro para busca de animes a categoria “distopia”, e aparecem mais de trinta com esse filtro, entre os demais destaques.

No gênero doramas, a ênfase é positiva, assertiva de como a tecnologia pode ajudar, principalmente em relacionamentos humanos do homem/mulher com a máquina, relativizando o conceito de humano em termos afetivos. A máquina não ameaça, mas tem uma imagem de companheirismo e até de amor, como em Zettai kareshi e Ando roido, e também aparece dessa forma em séries como Chobits e Saber marionette, como se a máquina, em si, não carregasse o bem ou mal, mas fosse corrompida pelas grandes corporações, como metáfora do próprio Japão.

E, por fim, no gênero tokusatsu, temos uma visão assertiva da tecnologia como uma ferramenta para combater o mal, seja ele tecnológico ou não, pois ao contrário dos super-heróis ocidentais, os heróis do tokusatsu precisam de algum gadget (cinto, telefone etc) que acione o seu poder, ou esses foram recebidos de alguma divindade (Garo, Patrine etc), resgatando uma tradição do kojiki (registro dos contos antigos – livro de história/mitologia mais antigo do Japão), no qual os deuses Sukunahiko no Mikoto e Oomunaji no Mikoto trazem do outro mundo (Tokoyo) técnicas agrícolas e ajudam o Japão primitivo a prosperar.

Ou seja, a relação do Japão com o “estrangeiro” vem de longa data, e atualiza-se no pós-guerra com a tragédia da bomba atômica, desastre que transformou o país na primeira nação pós-apocalipse nuclear, e esse fato foi e é determinante na relação com a tecnologia. Por esse motivo, como Nagayama destaca no início deste texto, a ficção científica antes e depois da guerra tem significativas diferenças.

A narrativa do pós-guerra, com Ossamu Tezuka como impulsionador desse imaginário tecnológico no terreno da animação, adquire ares sombrios. Não exatamente com a tecnologia, pois podemos ver que a “máquina”, em si, não é um fator de medo, como na narrativa ocidental (Eu, robô, Matrix, entre outros). Pelo contrário, com uma tradição xintoísta que reverencia o inanimado, o metal da máquina, por si só, não representa ameaça, mas sim “a corporação”.

Tanto que no mangá de Ghost in the shell, logo no início, diz-se que o Japão não é um país, mas uma corporação. Pode-se tentar entender isso pelo viés do coletivismo da sociedade japonesa, mas também por um viés do pós-guerra no qual os EUA exerceram grande coerção na condução da política, sociedade e economia. Talvez por isso, tenhamos tantas utopias (porque em última instância a “máquina” não é ameaça) distópicas (as corporações, a sociedade e o governo representam a ameaça) tão presentes na produção audiovisual japonesa.

Esperamos ter despertado interesse pela ficção científica japonesa em todas as suas vertentes e suscitado questões para pesquisa e reflexão.

Educação e tecnologia

Diante de várias questões sobre mídia e educação na escola é notório que ao longo desses anos as novas tecnologias vêm modificando a aprendizagem. Antigamente os alunos eram educados para que usassem a tecnologia, hoje professores estão tendo que se apropriar dessa tecnologia para educar os alunos. Com base nisso, no próximo dia 7 de agosto, vai acontecer mais uma edição do evento “Educação 360 Tecnologia”, no Museu do Amanhã, na Praça Mauá, Centro do Rio.

No evento, jovens entre 13 e 18 anos vão participar de uma roda de conversa sobre os diversos olhares do uso de tecnologia no ambiente escolar. O “Painel Jovem” é um espaço onde a garotada pode ter voz e compartilhar as diversas maneiras que utiliza as novas ferramentas tecnológicas para aprender e ensinar. O que se propõe é uma escola contextualizada, que se situe na dinâmica dos novos processos de ensino e aprendizagem colaborativa, com o uso da internet como mecanismo de desenvolvimento, de criticidade, de colaboração mútua que transforma as informações em conhecimentos sistematizados. Os alunos se tornaram mais autônomos, pois os recursos e plataformas interativos, são dinâmicos e disponíveis a qualquer hora e em qualquer lugar. No entanto, é claro que a tecnologia por si só não substitui o professor, ela simplesmente o empodera.

Especialistas nacionais e internacionais de diferentes áreas de conhecimento estarão presentes.
Confira a relação completa

Destaque especial para o pesquisador Marc Prensky. Escritor americano e especialista no tema educação, Prensky é mais conhecido como o inventor e disseminador dos termos “Nativo Digital” e “imigrante digital” que descreveu em um artigo de 2001 em “On the Horizon”. Começou como professor no Harlem em Nova York e hoje é autor de vários livros em que se dedica a mostrar os desafios dos professores e das escolas a ensinarem as novas gerações, batizadas por ele de nativos digitais, com as novas tecnologias.

Clique aqui e leia entrevista concedida pelo escritor para o jornal O Globo.

Vídeo fórum: inscrições abertas

Crianças e jovens com até 18 anos já podem inscrever seus filmes no Vídeo Fórum 2017. Trata-se de um espaço dentro da Mostra Geração do Festival do Rio, onde crianças e adolescentes mostram suas produções e trocam impressões sobre a linguagem audiovisual.

É importante enfatizar que os inscritos estejam comprovadamente matriculados na escola ou participando de algum projeto educativo. Os filmes que serão apresentados deverão ser produzidos a partir de 2016 e podem ter sido realizados em qualquer formato com até 13 minutos de duração. No entanto, a inscrição para a seleção vai funcionar da seguinte maneira: uma cópia em DVD Vídeo; DVD Dados; HD externo ou pendrive.

Os filmes brasileiros têm até o dia 25 de agosto para apresentarem suas cópias para a seleção, que deverá ser feita por meio de links na internet, cópias de trabalho (ainda não finalizadas, ou seja: sem os créditos finas ou sem as cartelas de abertura) ou ainda em DVD. Já as produções estrangeiras o prazo é até o dia 18 de agosto. Os links na internet devem ser encaminhados em e-mail específico para videoforum@festivaldorio.com.br e mostrageracao@festivaldorio.com.br.

A divulgação do resultado da seleção será no dia 31 de agosto.  O limite para cada criança e adolescente realizador ou grupo produtor é de no máximo 5 trabalhos, onde cada um deverá ter uma ficha de inscrição preenchida.

Para ler o regulamento completo  clique aqui.  A curadoria da Mostra Geração é formada por profissionais altamente qualificados, reconhecidos nacional e internacionalmente, por atuarem há mais de 45 anos na área de Cinema e Educação e no mercado audiovisual.

Menino prodígio

Você sabe quem é Jenk Oz? Ele é um empreendedor britânico que criou um portal de conteúdo para crianças e adolescentes entre 8 e 15 anos. Até aí tudo muito natural, não acha? O que diferencia Oz das outras pessoas é a idade. Ele é um menino de apenas 12 anos que vive em Oxford, pouco mais de 90 Km de Londres.

Tudo começou quando ele tinha 8 anos. Diferentemente dos outros meninos, Oz escrevia uma peça de teatro, fazia curso de grafite e treinava para ser DJ nas horas vagas, enquanto as outras crianças jogavam futebol ou videogame. Foi quando ele compartilhou suas ideias com os amigos da escola e foi um sucesso. Três anos depois nascia o “iCoolKid”.

O objetivo de Jenk Oz é tornar “o iCoolKid o lar de uma nova geração de crianças curiosas e realmente apaixonadas por seus interesses e passatempos preferidos, não importa o quão estranho e maravilhoso”, disse.

Além do site, a garotada pode acompanhá-lo também em seus canais de mídia social. No “iCoolKid”, há música, vídeos e temas diversos como ciência e arte. Oz conta com 13 pessoas na equipe, incluindo sua mãe.

Em seu portal, Jenk Oz deixa uma dica para crianças e jovens e porque não dizer para adultos também: “Tente seguir suas paixões em cada momento e pensar nas suas ideias todas as noites antes de ir dormir. Então sonhe com elas até ficarem tão grandes e tão coloridas que você não pode mantê-las dentro ou você vai explodir. Nenhuma ideia é muito boba, fale com todos à sua volta e um dia, com muito trabalho e persistência, você pode torná-la realidade”, sugeriu o fundador do “iCoolKid”.

Para conhecer o portal acesse www.icoolkid.com

À procura de jovens

Jovens de qualquer nacionalidade serão escolhidos para participar da próxima Conferência sobre Mudança do Clima da ONU (COP 23), que será realizada, em novembro, na cidade de Bonn, na Alemanha. Dois adolescentes vão entrar no time por meio da participação de um concurso de vídeo promovido pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a TVE da Espanha. Os jovens selecionados atuarão como repórteres, produzindo vídeos, artigos e postagens para a mídia social.

Com os temas “cidades amigáveis e resilientes à mudança do clima” e “oceanos e mudanças climáticas”, os interessados, que precisam ter entre 18 e 30 anos, devem criar um vídeo de até três minutos e enviar até o dia 18 de agosto. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai lançar o portal EducaClima. A previsão é que a página esteja disponível antes da Conferência sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas.

O objetivo é oferecer informações recebidas de qualquer ente do governo ou instituição da sociedade civil que tenha envolvimento com o assunto. Portanto, o MMA convida a população a contribuir com conteúdos para o portal.

Para desenvolver o portal, o MMA recebe sugestões de diversos conteúdos sobre mudança do clima: ações de educação e conscientização pública; legislação; publicações e sites; cursos e eventos; infográficos; instituições existentes; e foros de discussão. Os formulários podem ser acessados aqui

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Matemática no Brasil

André Yuji Hisatsuga, 17 anos, e Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 18 anos, de São Paulo; Bruno Brasil Meinhart, 16 anos, e George Lucas Alencar, 18 anos, do Ceará; João César Campos Vargas, 19 anos, de Minas Gerais; e Davi Cavalcanti Sena, 17 anos, de Pernambuco, são os meninos que fizeram parte da equipe brasileira da 58ª edição da Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), realizada pela primeira vez no Brasil. O Brasil ficou em 37º lugar. A equipe da Coréia do Sul ficou em primeiro, China e Vietnã completaram o pódio, respectivamente.

Os seis brasileiros, que foram selecionados pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), conseguiram duas medalhas de prata, uma de bronze e três menções honrosas. Destes, três são veteranos da edição anterior: João César, Pedro Henrique e George Lucas. A Olimpíada de Matemática é a mais antiga e prestigiada competição científica no nível do ensino médio. Participaram do evento 623 estudantes de 112 países, vindos dos cinco continentes.

Durante a premiação, também foi distribuído, pela primeira vez, o prêmio Meninas Olímpicas, para as atletas que mais fizeram suas seleções subirem no ranking em relação aos anos anteriores. Foram premiadas atletas de Botsuana, Colômbia, Coreia do Sul, Canadá e Bulgária. A 59ª edição da Olimpíada Internacional de Matemática será realizada na Romênia, de 3 a 14 de julho de 2018.

A grande Diva

Do El País

Ao levantar ofegante, já emocionada, tremendo pela coragem repentina que lhe fez erguer o dedo e pedir a fala na manhã desta sexta-feira, dia 29 de julho, durante uma mesa na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Diva Guimarães, 77, estava – como ela própria diz durante um almoço neste sábado, dia 30 – esconjurando, compartilhando e vingando-se de uma história que lhe perseguia há 72 anos. Em sua intervenção, acompanhada de aplausos e choro dos palestrantes Lázaro Ramos e Joana Gorjão Henriques, falou sobre o dia em que, aos seis anos, deixou de ser criança depois do sermão de uma freira do colégio interno em que estudava.

Deus, na fantasia da religiosa, havia criado um rio para que todos se abençoassem. Uns, laboriosos, teriam chegado primeiro e, ao se banharem, ficaram brancos. Outros, preguiçosos, demoraram-se e encontraram um rio já atolado em lama escura. Estes, puderam apenas lavar as palmas das mãos e as plantas dos pés, ficando com todo o resto do corpo preto. O que a freira dizia é que a cor da pele de Diva era um verdadeiro estigma, a denunciar lassidão, moleza, falta de moral. Tudo poderia ser resumido em uma palavra: racismo. Mas uma palavra não basta.

“O racismo é para além da pele. O racismo nos adoece, porque é muito difícil a gente se manter emocionalmente. Você ter chorado naquela hora [em que fazia a intervenção] é porque nossas vozes estão engasgadas desde sempre”, disse a escritora Conceição Evaristo em um encontro com Diva pouco antes da hora do almoço deste sábado. Lembrando da conversa com a autora e de tudo que está acontecendo na Flip, Diva ressalta que não havia se preparado para falar coisa alguma na sexta-feira. “Mas ao ver Lima Barreto homenageado, ao ouvir a fala do Edmilson Pereira [autor que abordou a questão racial no evento], ao conhecer a história da moça de Ruanda [a autora Scholastique Mukasonga] que perdeu toda sua família no genocídio, eu senti que precisava dizer algo também”.

A ideia inicial, diz enquanto espera seu spaghetti bolonhesa, era conseguir falar apenas com Lázaro Ramos, mas, ao ter a oportunidade de fazer uma pergunta durante a mesa do ator, acabou usando o espaço para dizer tudo que precisava. “Foi minha oportunidade, meu momento”. Menos de 24 horas depois, a filmagem de sua intervenção já tinha sido assistida mais de 5 milhões de vezes. Na rua, ela tem sido reconhecida por todos. Diva é paciente. Está feliz. Para, conversa, abraça, tira sefiles. As pessoas querem dizer que o que ela fez foi fundamental, que ela é, de fato, uma diva. E, desde sexta-feira, ela tem uma palavra para todos. Mas quer deixar bem claro: “Não sou boazinha assim, eu tenho raiva, ódio mesmo, e falei o que falei também por causa disso”, diz ao explicar que detesta ser vista com comiseração.
Até a manhã desta sexta-feira, a diversidade da 15ª Flip ainda era algo mais aferível por números do que concretamente. Sabia-se, por exemplo, que pela primeira vez havia mais autoras convidadas do que autores. Sabia-se também que 30% dos escritores da programação oficial eram negros e negras. Ao falar, Diva Guimarães fez de tudo isso algo palpável. O resultado é que deixou uma cidade emocionada, mas, mais do que isso, desorientada. Foi como se tivesse oferecido um espelho para uma pessoa que nunca vira seu reflexo. “Parece que deu um erro, uma tela azul do Windows na cara das pessoas. A Diva contou a nossa história, a história de todos os negros, e deixou claro como os brancos não sabem lidar com isso”, disse uma ativista do movimento negro em uma conversa informal com a reportagem do EL PAÍS.

“O escritor moçambicano Luís Bernardo Honwana tem um conto chamado ‘As Mãos dos Pretos’ em que narra a história de uma criança que quer saber porque as palmas das mãos dos negros são brancas e recebe como resposta diferentes variações da história que Diva ouviu da freira”, diz Claudia Fabiana, professora e pesquisadora de literaturas de língua portuguesa, que está na Flip. Em uma delas, relembra, um professor da personagem explica que é porque os negros, até pouco, andavam de quatro, como os bichos. “O que a Diva fez foi contar uma história comum a todos. Quando você dá o microfone para a Diva, dá o lugar de fala para ela. Se só tiverem autores brancos, só vai ter uma história e, por isso mesmo, só uma literatura, um conhecimento”, argumenta Claudia.

Em um ambiente quente e polarizado no país, há uma crítica que reverberou na internet nos últimos dias que diz que essa edição da Flip teria se esquecido da literatura para se tornar só política. Claudia rejeita a ideia. Para ela, a literatura está no centro de todo o debate da Festa e o argumento contrário ao evento parte do princípio de que a experiência compartilhada do negro, que está presente muito mais na oralidade, é menor ou pior. “O que a Diva fez foi contar uma história que poderia ou não estar em um livro, mas que é um conhecimento oral e não é por ser oral que é menor”, diz. Em entrevista ao EL PAÍS nesta sexta-feira, Conceição Evaristo disse algo semelhante: “Não nasci rodeada de livros, mas de palavras”. Tudo pode dar em literatura ou ser literatura.

No almoço, Diva conta que ainda criança chegou à cidade de Cornélio Procópio, no interior do Paraná, com a mãe, que era lavadeira em diferentes casas do município. Pouco depois, aos cinco anos, foi recolhida por uma missão católica para estudar em colégio interno. A coisa, diz, funcionava assim: a Igreja dava educação, as crianças, em paga, trabalhavam para a instituição. Tudo muito mascarado de boas intenções. Aos 21 anos, pegou um trem que demorou 24 horas para chegar a Curitiba. Lá, passou frio com uma manta “corta febre” – “dessas que o prefeito de São Paulo anda distribuindo para os mendigos da cidade” – arranjou trabalho, estudou, entrou no curso de educação física na Universidade Federal do Paraná. Foi a única negra da instituição. Virou “cobra” no atletismo, jogou basquete, arremessou peso, nadou, formou-se. Tornou-se professora. Nunca esqueceu a freira.

E a freira, explica, não está apenas na história de sua infância, mas na diretora da escola que um dia lhe disse que “se negro não faz sujeira na entrada, faz na saída”. Está no fato de que no Sul do país muitos negros aprenderam alemão em suas escolas por causa dos imigrantes europeus, mas que os brasileiros não aprenderam sequer uma vírgula sobre a África. Está também em todos os olhares de desconfiança que já recebeu. Está até mesmo nestes dias em Paraty, quando uma mulher lhe disse “talvez achando que me elogiava, que meu coração é branco”. Ou ainda na pergunta de um repórter que queria saber quanto Diva ganhava. “Eu não sou vítima! Porque estão me perguntando do meu salário? O que isso tem a ver?”.

Na rua do Fogo, distante algumas quadras do restaurante, onde está a casa da editora Malê – termo usado no Brasil no século XIX para designar a população negra de origem mulçumana que sabia ler e escrever em árabe –, Vagner Amaro, seu fundador, também comenta a intervenção de Diva. “Eu venho à Flip desde o começo e não via meus pares. Vivi essa situação inúmeras vezes. Por que essa edição tem muito mais presença de negros no público? Porque nós nos reconhecemos nessa programação. Ela chamou as pessoas”, comenta. A Malê, fundada em 2015, é dedicada à literatura afro-brasileira e é o selo de autores como a própria Conceição Evaristo. “Acho que a Diva falou porque se sentiu empoderada pelas palestras e pela presença de seus pares”, reflete Amaro.

Formada em educação física, Diva, contudo, sempre foi uma apaixonada por literatura e Conceição é uma de suas preferidas. Não à toa, ficou tão emocionada quando recebeu a visita da escritora neste sábado. “Sempre procurei ler literatura de autores negros, mas também ouvir suas histórias”, conta. O que faz lembrar que desde que a programação da Flip foi anunciada, há um comentário recorrente que diz que mais importante do que “trazer autores negros é formar leitores negros”. Uma variante da mesma ideia diz que “não faltam só autores negros em Paraty, mas também público negro”. Para Amaro, Diva é a prova viva da mentira dos argumentos. “O leitor negro no Brasil, a literatura negra no Brasil, não nasceu agora”, argumenta

Segundo o editor, as pessoas se sentem livres para falar sem conhecimento, como se o mundo em que elas vivem, fosse todo o mundo. “A Malê, por exemplo, tem livros em terceira, quarta edição, outros esgotados, e temos pouco tempo de vida. Não há leitores negros ou os eventos, como a própria Flip fazia, não dão espaço para que esses leitores possam se reconhecer?”, diz Amaro. Para ele, há gerações anteriores de leitores e escritores, como a da própria Conceição, além de uma juventude nova que teve mais acesso à formação, e que está tão bem representada em mobilizações na internet e projetos que não param de surgir – como sua própria editora.

Cabelos curtos presos em tranças, Diva contou, enquanto se equilibrava com sua bengala nas pedras das ruas históricas da cidade fluminense – “toda construída por meus antepassados escravos” –, que só perdeu a raiva de Deus quando compreendeu que Jesus não era o da freira de sua infância. “Ele não tinha olhos azuis e nem cabelo loiro, seria impossível”. No espaço de um quarteirão entre o restaurante e a casa para onde foi à tarde para participar do lançamento de um catálogo de intelectuais negras, organizado por pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Diva foi parada mais umas tantas vezes para tirar fotos e conversar. Chegando ao evento, encontrou um espaço completamente lotado, com mais de 300 pessoas se espremendo. Ao passar a soleira da porta, foi ovacionada e, mais uma vez, se emocionou.

América verde

Com o objetivo de encontrar soluções para os problemas ambientais locais e globais, o XVI Encontro Verde das Américas (Greenmeeting 2017) vai acontecer entre os dias 25 e 26 de setembro, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro. Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o evento reunirá lideranças nacionais e internacionais nas áreas ambientais e de desenvolvimento sustentável, tanto de instituições públicas quanto de organizações não governamentais.

O Greenmeeting busca trabalhar o conceito de desenvolvimento sustentável na tomada de decisão dos atores dos pilares econômico, social e ambiental, de forma a alcançar maior importância, coordenação e integração entre as três dimensões do desenvolvimento sustentável, com vistas a superar a prevalência de visões ainda setoriais, mais de duas décadas após a definição do desenvolvimento sustentável como prioridade mundial, através da Rio 92.

De acordo com a coordenação, os interessados em participar devem preencher o formulário que está disponível na página do evento. As vagas são limitadas. Inscrição gratuita. Será conferido um certificado de participação aos inscritos.

O Greenmeeting acontece anualmente desde 2001. No ano passado, o Encontro Verde das Américas ocorreu em Brasília, onde foi entregue o Diploma Verde das Américas para quatro personalidades: Irmã Suely Gomes Nunes, do Projeto AJAM/Jaíba-MG, o Secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Antônio Stroski, a professora da UNB, Thérése Hofmann Gatti, e a embaixadora de El Salvador, Diana Vanegas.