Ler é a maior diversão

Por Luanna Tavares

O último final de semana foi marcado por poesias em Brasília. O Uniduniler Todas as Letras, que visa estimular a leitura e tem como público alvo os bebês, os pais, cuidadores e idosos, promoveu o IV Festival Itinerante de Leitura (FIL).  O evento foi composto por três frentes: leitura partilhada com mulheres e crianças vítimas de violência, leitura sensorial com os cegos do projeto “Deficientes Visuais na Trilha” e ainda uma oficina de leitura e memória com idosos. Além da escritora e jornalista Alessandra Roscoe, idealizadora do FIL, (finalista do Prêmio Jabuti 2013), outros dois autores participaram do projeto: João Carrascoza (Prêmio Jabuti de Literatura em 2015) e Luciano Pontes.

Pensando em dar continuidade às outras etapas do Festival, Alessandra acaba de lançar uma campanha de financiamento coletivo. Através do site benfeitoria.com/unidunilerIVFestival, os interessados podem contribuir. Se a segunda meta da campanha for atingida, haverá outra etapa com mais três eventos, com o escritor Alexandre Castro Gomes e a ilustradora Cris Alhadeff, ambos do Rio de Janeiro. E por fim, se a terceira meta for alcançada haverá ainda a revoada poética, com pipas ilustradas e o Concerto Literário com autores, ilustradores e mediadores de leitura, em um show com histórias, cantigas e performances de leitura e ilustração.

A revistapontocom conversou com a coordenadora do evento, Alessandra Roscoe, para saber um pouco mais sobre o Festival e as próximas etapas. Confira a entrevista!

revistapontocom – Qual é o objetivo do Uniduniler?
Alessandra Roscoe – Espalhar o bom de ler, partilhar leituras e afetos e mostrar que, seja com que público for, um livro aberto pode fazer maravilhas!

revistapontocom – Como funciona esse festival itinerante?
Alessandra Roscoe – Desde 2013 com escritores, ilustradores, mediadores de leitura, músicos e contadores de histórias, a caravana poética do Uniduniler Todas as Letras percorre creches, escolas, asilos, hospitais e casas abrigo, levando ações de incentivo à leitura literária e com públicos nem sempre acostumados aos livros.

revistapontocom – De onde surgiu a sua paixão pela literatura e a ideia de criar o Uniduniler?
Alessandra Roscoe – Desde 1997, quando grávida da minha primeira filha, comecei a criar grupos específicos de leitura para o ventre. Eu nem imaginava ser escritora naquela época, era leitora ávida e já sonhava em dividir leituras. Quando nasceram os bebês daquele grupo, veio a vontade de experimentar a palavra lida também com os bebês, a busca pelas leituras sensoriais e as pesquisas sobre a leitura na primeira infância. Em 2007, já com alguns livros publicados, fui convidada para um momento de leituras e histórias no Hospital Universitário de Brasília e achei que iria me encontrar com um grupo de crianças em tratamento, mas para minha surpresa fui recebida por idosos em tratamento de Alzheimer e seus acompanhantes. Em 2009, já respaldada por anos de pesquisas e trabalhos focados na leitura com bebês, criei na creche onde minha caçula estudava o Uniduniler, um clube de bebês leitores com encontros permanentes de troca de livros e leituras partilhadas. Tínhamos um acervo próprio carregado numa dessas pequenas malas de mão, que toda terça-feira na hora da saída da creche, eu abria no chão mesmo, para que pais e bebês de 0 a 3 anos pudessem explorar juntos ali mesmo, sentados no chão e escolher um título para ler em casa. A cada terça todos devolviam o que tinham levado e pegavam outro livro. O clubinho durou quase quatro anos e se cotizava para renovar o acervo e realizar ações com escritores e ilustradores convidados, piqueniques literários e todo tipo de evento, tendo sempre os livros como ponto de partida. Em 2012, resolvi, respaldada pelas experiências das oficinas de leitura com bebês e também com idosos, escrever um projeto para concorrer em editais de cultura e poder realizar um Festival de incentivo ao prazer de ler em qualquer idade. Assim nasceu o Uniduniler Todas as Letras – Festival Itinerante de Leitura. Na maioria dos eventos literários os leitores vão ao encontro dos escritores e dos livros, mas o FIL sempre se voltou para aqueles que quase nunca têm acesso aos livros e quis inverter um pouco essa lógica do “quem quer tem que correr atrás”. A proposta é fazer com que os escritores e ilustradores estejam nos locais onde nem sempre há livros e leituras. O objetivo principal é partilhar histórias e leituras e mostrar o quanto uma voz afetiva, uma leitura dedicada ao outro, um livro aberto, podem estimular potencialidades e mudar realidades. No festival, as leituras acontecem de maneiras inusitadas, como por exemplo, nas pipas ilustradas, para incentivar nas crianças o prazer de ler e de descobrir nas leituras também muitas formas de brincar.

revistapontocom – Por que escolheu trabalhar com fases tão extremas: bebês e idosos?
Alessandra Roscoe – Exatamente porque estão sempre meio afastados do público que os grandes e tradicionais eventos literários buscam. A primeira infância ainda é muito negligenciada no Brasil em termos de cidadania e direitos culturais e a população idosa também é sempre muito esquecida. A ideia do FIL é chegar com livros, leituras e afetos onde os livros sequer estão presentes. Nos asilos, abrigos e hospitais, os eventos de formação e preparatórios do Festival mostram que mesmo com um acervo pequeno, desde que de qualidade, é possível estimular momentos de bem estar e até melhoras na saúde geral dos internos. Entendi que mais do que leitora e escritora, meu caminho é o da mediação. Como dizia o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós, com quem tive a alegria de conviver, “Do bonito, a gente não dá conta sozinho. Sempre que nos vemos diante de algo incrivelmente maravilhoso, pensamos: puxa, porque fulano não está aqui para ver isso comigo?”. A beleza que os livros trouxeram em minha vida, não cabe só em mim, nas páginas que escrevo. Escrevo para dar conta do tanto de dor, espanto e maravilha que carrego comigo, mas isso não basta. Preciso mais que ler e escrever, dividir esse amor aos livros e a tudo o que eles podem nos permitir! O Festival Itinerante de Leitura é essa beleza dividida!

revistapontocom – O Uniduniler também estimula a leitura entre bebês especiais. Como é essa experiência?
Alessandra Roscoe – A cada edição do FIL, fomos agregando experiências. Como já havia feito a leitura sensorial com bebês no primeiro Festival, quando estávamos pensando na programação do segundo perguntaram-me se eu não poderia realizar com bebês cegos, autistas e com outras necessidades especiais. Disse que nunca tinha feito, mas decidi tentar. E foi incrivelmente maravilhoso perceber o quanto livros e afetos podem ser mesmo a antítese das impossibilidades. Na última edição, perguntaram-me se eu não podia fazer as leituras sensoriais que eu já fazia com bebês especiais, com deficientes visuais adultos. Fiquei imaginando o que poderia fazer com eles, já que meu material sensorial era todo pensado para os bebês e, certamente, não faria sentido para os adultos. Resolvi aprimorar as formas de ler sensorialmente e buscar respaldo também nas associações do trabalho de leitura e memória realizado com os idosos e outra vez foi um sucesso. Este ano, o Festival perdeu o patrocínio institucional e estamos com uma campanha de financiamento coletivo (https://benfeitoria.com/unidunilerIVFestival ), para tentar realizar mais ações. Se todas as metas forem atingidas na campanha, conseguiremos outra inovação: um trabalho com bebês de mães encarceradas no sistema prisional.

revistapontocom – E com os idosos… 
Alessandra Roscoe – O que me levou a começar o trabalho mais constante de leitura e memória com idosos foi uma situação que eu vivenciei no dia em que fui ao HUB achando que iria encontrar um grupo de crianças. Levei malas de histórias, violão e até um arco-íris gigante que usava para contar a história de um dos meus livros, O Jardim Encantado. Quando me deparei com o grupo de idosos (e nem sabia que eles estavam ali num projeto do próprio hospital que no contra turno das consultas incentivava a arte como parte do tratamento do Alzheimer), não vi sentido em contar aquela história, como costumava contar e cantar para as crianças. Por sorte, estava com meu último texto escrito à mão mesmo, numa folha de caderno e era um texto sobre o tempo, a falta que o tempo faz e o cofre precioso das nossas memórias. Como não tinha o livro publicado (o que só aconteceu anos depois), levei o conto, que se chamava Caixinha de guardar o tempo, dentro de uma caixa. Fiz a leitura em voz alta para eles. Disse que se pudesse ter uma caixa para guardar o tempo, a primeira coisa que colocaria nela, seria o jardim da casa dos meus avós em Minas e contei (aí sim, exatamente como sempre contava para as crianças) a história do meu segundo livro publicado e fiz a leitura do Jardim Encantado. Quando terminei de ler, resolvi passar de mão em mão, a Caixinha que guardava o conto, perguntando a cada um o que gostariam de guardar ali pra sempre. Muitos guardaram momentos da própria infância, experiências como a primeira vez diante do mar, o nascimento dos filhos… Até que um senhor guardou na Caixinha, o cheiro do café da avó em dia de chuva e deu detalhes de como era a casa da avó, da convivência com irmãos e primos e das histórias que dividiam nos dias de chuva saboreando café em xícaras coloridas. A senhora que estava ao lado dele na roda, abriu a caixa e chorou dentro dela, copiosamente sem dizer uma palavra. Depois fiquei sabendo que era a esposa dele. Ele, já num estágio muito adiantado da doença, não falava há seis anos e não mais reconhecia familiares, mas depois de ouvir as leituras e histórias ali, voltou a falar e disse que se eu voltasse na semana seguinte, levaria a xícara de ágata azul que guardava desde a infância como uma relíquia. Claro que voltei na outra semana e em várias outras!

revistapontocom – Nesta quarta edição do Festival há alguma novidade?
Alessandra Roscoe – A principal delas é a forma de realizá-lo. Quando saiu o resultado do edital do Fundo de Apoio que garantiu a realização das três primeiras edições e o FIL não havia sido contemplado, bateu uma tristeza enorme e até um certo desânimo. Eu sabia que não podia deixar de realizar a IV edição e deixar Brasília sem o Festival Itinerante de Leitura. Apesar da crise e muito incentivada pelo Orlando Neto, que além de parceiro na vida, é também parceiro na realização e na construção do Festival, fez e refez várias contas e disse que faríamos com recursos próprios, nem que fosse uma única etapa, o IV FIL. Arregaçamos as mangas e decidimos fazer. A equipe do Festival, amigos e apoiadores das primeiras edições se juntaram a nós para fazer acontecer este sonho e decidimos colocar no ar uma campanha de financiamento coletivo. A campanha fica no ar até dia 9 de outubro. Dependendo de quanto arrecadar, realizaremos outras etapas ao longo de 2017 e também no primeiro semestre de 2018.

revistapontocom – O festival só acontece em Brasília?
Alessandra Roscoe – Ainda não me arrisco a caminhar por outros estados e países, até porque não temos uma logística que nos permita mobilizar públicos em outras cidades. A equipe do Festival é super reduzida: eu que coordeno e faço a curadoria, Orlando Neto que faz a produção, a Direção artística e musical dos eventos, Adriana Franzin, que cuida da fotografia e da Assessoria de Imprensa, Ronaldo Rosa, que filma e edita os vídeos do FIL, Daniela Gonçalves que é a designer e Tiana Oliveira, que faz a Assistência de Produção. Todos os outros que integraram o Festival participaram como convidados dentro da programação oficial. Com seis pessoas cuidando de tudo e apoiadores maravilhosos realizamos em três edições 60 eventos de incentivo à leitura, alguns grandiosos como a revoada poética na semana da criança em 2016, em que levamos para a esplanada do Ministérios, no coração político do país, mais de centenas de crianças da Ceilândia para empinar versos e ilustrações e “ler pipas ilustradas”.

Crise no aprendizado

Cerca de 617 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo não estão alcançando níveis mínimos de proficiência em leitura e matemática. Segundo novo relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a situação sinaliza “uma crise de aprendizado” que pode ameaçar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, consequentemente, o progresso mundial.

“Os números são surpreendentes em termos de desperdício de potencial humano e para as perspectivas de alcançar o desenvolvimento sustentável”, disse Silvia Montoya, diretora do Instituto de Estatística da UNESCO, em um comunicado à imprensa. O relatório sugere que cerca de 387 milhões de crianças em idade escolar primária (56%) e 230 milhões de adolescentes em idade equivalente ao ensino fundamental (61%) não alcançarão níveis mínimos de proficiência em leitura e matemática.

Em toda a África Subsaariana, 202 milhões de crianças e adolescentes não têm conhecimento desses assuntos fundamentais. São quase 90% de crianças entre as idades de 6 e 14 anos que não terão a chance de aprender. O sul e o centro da Ásia tem a segunda maior taxa, com 81%. Isso significa 241 milhões que não estão aprendendo nessa região.

Surpreendentemente, dois terços das crianças que não estão aprendendo se encontram nas salas de aula. Dos 387 milhões de crianças em idade primária incapazes de ler com eficiência, 262 milhões estão matriculadas nas escolas. Há também cerca de 137 milhões de adolescentes no ensino fundamental que estão nas salas de aula, mas não conseguem atingir os níveis mínimos de proficiência em leitura. O relatório indica que, juntamente com a falta de acesso à escola e a falta de retenção de crianças na escola, a má qualidade da educação nas salas de aulas é um dos problemas comuns.

Para Montoya, os novos dados são um “alerta” para um investimento muito maior na qualidade da educação. Os objetivos globais para a educação são claros: o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 sinaliza o compromisso dos governos de garantir uma “educação de qualidade inclusiva e igualitária, além de promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

Fil está no ar

Performances artísticas e espetáculos nacionais e internacionais, happy hours e ações interativas. Tudo isso faz parte da programação da edição comemorativa aos 15 anos do Festival de Intercâmbio de Linguagesn (Fil). Com curadoria e direção geral de Karen Acioly, o festival tem o objetivo de integrar a família inteira com atrações curiosas, inovadoras e divertidas. De 29 de setembro a 15 de outubro, o Fil recebe artistas da França, Espanha, Argentina, Uruguai, Bélgica, Canadá, Romênia e claro, do Brasil. Além de surpresas criativas nas ruas do Rio, as apresentações vão acontecer no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro Cultural Correios e no Canastra Bar.

O espetáculo francês Frères (+ 9 anos) fará a abertura oficial do FIL no Espaço Cultural Sérgio Porto, dia 29 de setembro, às 21h. Na apresentação, dois irmãos contam com cubos de açúcar e pó de café, a história do avô, que vivia na Espanha em guerra, em 1936. Ainda na sexta, às 22h30, a cantora e acrobata Silvia Machete se apresenta no Cabaret FIL, no Canastra Bar. Em um ambiente intimista com comidinhas e drinques temáticos, é o melhor programa para os adultos fecharem a noite pós-teatro.

Confira a programação completa

Uma das novidades deste ano é o Palco aberto Fil Petrobras, criado para apresentar artistas inovadores que normalmente não têm espaço. A atividade receberá números?, performances? e curiosidades de diversas linguagens, vindas de qualquer pessoa e de artistas em geral. O palco está aberto para todos: amadores e profissionais que amam arte. O objetivo é mostrar o que há de mais inovador no mundo criativo das artes cênicas e visuais. Serão três dias intensos com mais de 40 artistas revelados e pré-selecionados pelo exigente júri do FIL. Para se inscrever, é necessário preencher o formulário no site do festival (www.fil.art.br) e enviar um vídeo – de celular mesmo – de até quatro minutos gravado em algum local inusitado da cidade. Os candidatos pré-selecionados se apresentarão durante dois dias do festival e o preferido pelo voto popular ganhará o Prêmio Fil Petrobras Inovação: uma viagem com acompanhante para Mulhouse e Kingersheim, na França, onde acontece um dos mais importantes eventos de artes para o público jovem: o Festival Momix, parceiro internacional do FIL. As inscrições estão abertas e vão até dia 29 de setembro.

Nos dias do Palco Aberto Fil Petrobras, que acontecerá no Teatro 1 do CCBB e no Pátio Aberto dos Correios , performances, Desfil de body painting da artista uruguaia Gabriela Kolto Sáez e a participação mais que especial do Coletivo Abrigo, composto de músicos, artistas visuais e circenses, garantem a divertida mistura de públicos e linguagens. A proposta do grupo Coletivo Abrigo é atuar no direito à arte nos espaços públicos, através de intervenções artísticas de urbanismo tático e instalação de mobiliário urbano.

Espetáculos aclamados internacionalmente e inéditos no Brasil são alguns dos destaques da programação: “Frères”, da França, “Grettel e Hansel” (+ 9 anos), do Canadá; “Gulliver” (+ 5 anos), da Romênia; o espanhol “A Gruta da Garganta” (+3 anos), os belgas “Eu Sou Uma Dançarina Estrela” (+ 4 anos) e “Como a Chuva” (+ 8 anos). Crianças de todas as idades têm lugar garantido no FIL, mas os pequenos a partir dos dois anos são o público-alvo do ESCUTA FIL , que trará espetáculos pockets de música para a primeira infância. O ESCUTA FIL traz em seu cardápio o Sarauzinho Musical (+ 18 meses) e o Manaká Passarinheiro (+ 18 meses). Para pais e crianças acima de 8 anos, O Livro dos Acalantos, aula espetáculo de José Mauro Brant com participação especial de Janaína Azevedo. Confira a programação completa no site.

A edição deste ano traz ainda a exposição “Destino: Casa”, da artista mineira Lu Lessa Ventarola. Através da repetição de signos e palavras, ela nos faz perceber o quanto é longo o caminho para o autoconhecimento . Um encantamento que faz da linguagem visual um portal de acesso para o mundo íntimo do olhar. No Centro Cultural Correios, o público poderá provar as ‘delícias FIL’, comidinhas criadas especialmente para o festival. “Para tornar a experiência ainda mais saborosa, o chef Josival Silva vai preparar tapiocas coloridas e saudáveis e a Laranja Vegana apresenta seus brigadeiros sem lactose, para serem apreciados antes ou após as performances”, conta Karen.

Para os adolescentes

O Fil convida os adolescentes a participarem do processo criativo do espetáculo “Quando As Pessoas Andam Em Círculos” (+ 16 anos), da Cia Artesanal, e a ouvirem a leitura do texto e roda de conversa de “As 3 Irmãzinhas” (+ 10 anos), de Suzanne Lebeau (Canadá) , uma das mais importantes autoras dedicadas aos novos públicos. Em processo o solo da bailarina francesa Eleonore Guisnet, Ô Boca, com co-direção de Dani Lima e musica original de Roberto Burgel.

Bom filme!

Rafael Kaweh, um menino de 8 anos, apaixonado por cinema e animações teve uma ideia pra lá de genial e criou o “Cine Oportunidades”, na cidade do Povo, em Rio Branco, no Acre. Tudo começou quando o garoto saiu de uma sessão, no shopping local, e disse aos seus pais que adoraria ver outras crianças que não têm esse tipo de acesso à cultura e entretenimento se divertir tanto quanto ele assistindo filmes.

O pai do menino, Rafael Almeida, que é assistente social, entendeu a importância desse olhar para o público infantil menos privilegiado e deu uma ajudinha na proposta do filho. Contando com uma equipe de profissionais voluntários que trabalham em projetos sociais, Rafael e sua família começaram a colocar em prática o “Cine Oportunidades”. Eles arrecadaram dinheiro suficiente para a compra de um banner, de um projetor e algumas caixas de som.

Com direito a pipoca e refrigerante, as sessões acontecem quinzenalmente com entrada franca na Rua Guajará. Além disso, após o fim de cada sessão, acontece uma roda de conversa para ouvir o que cada criança achou do filme e ainda há sorteio de dois ingressos para quem nunca foi a um cinema de verdade.

“Fazemos esse sorteio e levamos os ganhadores ao cinema. Para mim, como pai, é muito emocionante ver essa atitude. Fico muito feliz, isso mostra que eu e a mãe dele somos um exemplo para ele com o nosso trabalho social. Ele ter esse espírito de compartilhar é muito importante para nós”, disse Almeida, ao portal de notícias G1.

Com isso, o “Cine Oportunidades”, além de transformar um espaço físico em um ambiente no qual se dissemina a arte, a cultura e o diálogo, ajuda e colabora com um convívio entre as crianças.

Participe do Tela Verde

As inscrições para a 9ª Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente do Circuito Tela Verde (CTV) vão até o dia 7 de novembro. O objetivo da Mostra é divulgar e estimular atividades de educação ambiental, participação e mobilização social por meio da produção independente audiovisual, bem como atender a demanda de espaços educadores por materiais pedagógicos multimídias.

Quem pode participar? Pessoas físicas sem vínculo com instituições, escolas, redes de meio ambiente, ONGs, espaços educacionais, sociedade civil organizada, comunidades produtoras e afins. Os vídeos podem ser curtas metragens, vinhetas, animações, produzidos com filmadoras, câmera de celular ou câmera digital. Aquele trabalho que utilizar recursos de inclusão, como legendas em língua portuguesa e outros idiomas, linguagem de libras e áudio adaptado a portadores de deficiência auditiva, e que forem produzidos nos últimos dois anos, vão ganhar pontos. O impacto dos vídeos, a abordagem crítica, a qualidade técnica (áudio e vídeo) e o potencial para o aproveitamento em processos de educação ambiental não formais serão julgados.

Para participar os candidatos devem preencher um formulário de cadastramento para cada vídeo inscrito e encaminhar os trabalhos para o e-mail circuitotelaverde@mma.gov.br ou se preferirem pode encaminhar pelos Correios. Nesta opção, a pessoa deve fazer a postagem de cópia em mídia DVD em formato MPEG-4/, MP4, MOV ou AVI, identificadas com o nome do responsável e o nome do vídeo. O endereço para envio é: Departamento de Educação Ambiental – 9° Circuito Tela Verde, Esplanada dos Ministérios, Bloco B, 9°Andar, salas 926/936, Ministério do Meio Ambiente – MMA CEP 70.068-901.

Os trabalhos selecionados serão exibidos nas salas verdes em todo o território nacional. O CTV é uma iniciativa do Departamento de Educação Ambiental (DEA), da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (SAIC) do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Fici completa 15 anos

Desde o dia 21 de setembro, a capital paulista recebe a 15ª edição do Festival Internacional de Cinema Infantil (Fici). Esse ano a programação reúne 120 filmes de 25 países, concentrando mais que o triplo de lançamentos do gênero no Brasil em um só evento. Em Sampa, a programação vai até o dia 1º de outubro. Depois o Fici desembarca em Salvador, Aracaju, Natal e Rio de Janeiro, de 24 de novembro a 3 de dezembro.

Confira a programação completa

No Festival Internacional de Cinema Infantil, que é dirigido por Carla Camurati e Carla Esmeralda, são exibidos curtas, médias e longas-metragens, brasileiros e internacionais, mostras especiais além de oficinas e debates. O Fici terá meia-entrada para todos no Cinemark.  Para valorizar e revelar o que há de melhor na produção audiovisual brasileira direcionada ao público infanto-juvenil, o Fici também exibe curtas-metragens selecionados durante a 10ª edição do Prêmio Brasil de Cinema Infantil, que fomenta o reconhecimento de novos cineastas brasileiros e suas obras. Os 22 curtas concorrentes serão exibidos em sessões no Cinemark Eldorado, no dia 29 de setembro. A etapa final da premiação, em novembro, contará com um júri formado exclusivamente por crianças da cidade de Natal, elegendo os melhores curtas de live-action, animação e da Mostra Teen.

Dentre os títulos de destaque Internacional está à produção alemã “Do Meu Tamanho”, onde conta a história de um menino que mora em um orfanato e sonha em conhecer seu pai.

72 horas Rio Festival

Você jovem cineasta têm até o dia 20 de outubro para se inscrever no 72 Horas Rio Festival de Filmes 2017. Você se inscreve com sua equipe e tem 72 horas para criar e produzir um curta-metragem que pode ser documentário, ficção ou animação. Os filmes devem ter duração máxima de 6 minutos, incluindo os títulos e créditos do próprio filme. O prazo do desafio tem início às 19 horas do dia 01 de novembro e vai até as 19 horas do dia 04 de novembro.

Todos os filmes produzidos devem incluir os chamados ‘elementos criativos’ que serão anunciados na largada do festival. Esses elementos podem ser uma frase, um objeto ou cortes de edição, por exemplo, com a finalidade de garantir que os filmes serão produzidos durante o prazo. O júri, que é composto por cineastas, produtores e profissionais de audiovisual, irá julgar as categorias de primeiro, segundo e terceiro melhor filme, ficção, documentário, filme pelo celular, direção, roteiro, entre outras. O filme acima foi o vencedor da última edição.

Leia o regulamento completo

Edital compostagem

Você sabe o que é a compostagem? É uma alternativa tecnológica de reciclagem de resíduos orgânicos ainda pouco explorada no Brasil. Trata-se de um processo natural em que os micro-organismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica. A técnica de compostar ajuda na redução das sobras de alimentos, tornando-se uma solução fácil para reciclar os resíduos gerados em nossa residência. Foi pensando exatamente nisso que o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo Socioambiental da Caixa lançaram um edital de apoio a projetos de compostagem que atuem na gestão de resíduos sólidos. As propostas podem ser enviadas até o dia 11 de outubro, por municípios ou consórcios públicos intermunicipais em todo o território nacional. No total, serão R$ 10 milhões para projetos no valor mínimo R$ 500 mil e máximo de até R$ 1 milhão.

Os produtos da compostagem são largamente utilizada em jardins, hortas, substratos para plantas e na adubação de solo para produção agrícola em geral, como adubo orgânico devolvendo à terra os nutrientes de que necessita. Os materiais mais utilizados no processo de compostagem são resíduos orgânicos em geral, cinzas, penas, lixo doméstico orgânico, aparas de grama, rocha moída e conchas, feno ou palha, podas de arbustos e cerca viva, resíduos de cervejaria, folhas, resíduos de couro, jornais, turfa, acículas de pinheiro, serragem, algas marinhas, ervas daninhas e quaisquer outros resíduos orgânicos agrícolas e de agroindústrias em geral.

Acesse o edital e participe

Educação digital: uma necessidade

Por Luanna Tavares

O Instituto iStart, criado há 7 anos pela advogada especialista em Direito Digital, Patrícia Peck Pinheiro, vem desenvolvendo um projeto de educação digital em cerca de 450 escoas públicas de todo o país. Por meio de palestras, atividades e criações de produtos, o programa investe na formação de indivíduos mais bem preparados para lidar com os profundos desafios do mundo do século XXI. O projeto apoia alunos, pais e professores no processo de educar no uso ético, seguro e saudável da tecnologia.

Para saber mais sobre o projeto, a revistapontocom entrevistou a advogada Andréia Santos, advogada especialista em Direito Digital e atual coordenadora do iStart. Confira e conheça mais um pouco sobre a atuação da instituição.

revistapontocom – Qual o objetivo do Instituto iStart?
Andréia Santos – O Instituto iStart foi fundado com a missão de promover o uso ético, seguro e legal da tecnologia e o desenvolvimento das novas competências da escola da Era Digital, disseminando campanhas educativas sobre o uso responsável e saudável das novas tecnologias por crianças e adolescentes. Um dos principais é atuar diretamente junto às escolas para formar educadores que possam ensinar os alunos e os respectivos responsáveis legais quanto aos limites éticos do uso das ferramentas, dentro e fora da sala de aula, além de aplicarem novos recursos digitais para o aprimoramento do ensino-aprendizagem.

revistapontocom – Como o Instituto capacita professores e alunos a lidarem com os novos desafios da Sociedade Digital e com o uso crescente das novas?
Andréia Santos – O iStart desenvolve projetos próprios, como o Movimento Família Mais Segura na Internet e a Certificação Selo “Escola Digital Segura”, e o “Escolas Associadas iStart”, por meio do qual as instituições recebem conteúdos especiais, participam de webinários de capacitação e comitês de discussão temática. É importante lembrar que o Instituto conta com profissionais voluntários que ministram palestras sobre o uso ético, seguro e legal dos recursos tecnológicos, para alunos, professores e familiares. Além disso, atua no acompanhamento da elaboração e tramitação de novas leis e regulamentações para o segmento educacional, apoia o combate ao Bullying e ao Cyberbullying bem como na implementação dos Programas de Inclusão.

revistapontocom –  Pensando na segurança digital, o que o iStart desenvolve para auxiliar pais e responsáveis?
Andréia Santos – Acreditamos que os pais e os responsáveis são essenciais para a construção de um ambiente digital seguro. Sabemos que, muitas vezes, é difícil compreender as tecnologias. Por isso, realizamos atividades como webinários e palestras; criamos cartilhas, artigos, vídeos e outros conteúdos orientativos; lançamos campanhas de conscientização em nossas redes sociais, como a série “É Bullying, Sim!”, a qual teve como objetivo conscientizar que nem tudo é uma brincadeira. Conjuntamente, temos o nosso aplicativo iStartcare, gratuito e acessível para todos! Abaixo seguem alguns links dos nossos conteúdos e campanhas:

 Série de animação do iStart estreia nos cinemas do país
Aplicativo iStartcare: ajuda usuários a criarem hábitos éticos e seguros na Internet
Cartilha Orientativa de Ética e Segurança Digital
Lei antibullying determina medidas de conscientização nas escolas

revistapontocom – O instituto foi criado em 2010. De lá pra cá, quais foram os desafios e as conquistas?
Andréia Santos – O primeiro desafio é acompanhar a evolução da própria Sociedade Digital, cada vez mais complexa e imediatista. O segundo é desmistificar a ideia de que a internet é uma terra sem lei e que precisamos estar cada vez mais atentos ao uso ético, seguro e legal dos recursos tecnológicos. Por fim, fazer com que a sociedade, como um todo, entenda a importância e a urgência da educação digital. Acreditamos que incentivar o diálogo é a forma mais eficaz de prevenção. Tem sido uma experiência interessante poder dialogar com as instituições de ensino e ver que temos conquistado gradativamente a confiança e a atenção das escolas. Além disso, ver os próprios alunos participando das atividades pedagógicas e apoiando a causa.

revistapontocom – Qual a importância de se pensar educação digital nos dias de hoje?
Andréia Santos – O Instituto defende que deveria haver uma disciplina obrigatória nas Escolas sobre Ética e Segurança Digital. Qualquer uso de recurso tecnológico nas instituições de ensino tem que estar associado a uma finalidade educativa, para estimular a aprendizagem. A utilização indevida pode gerar desde dispersão do aluno até a ocorrência de outros incidentes como exposição demasiada de intimidade. É muito comum dizerem que há uma vida real e outra virtual. Mas, é uma ideia equivocada. Temos que ter a ciência de que nossas ações no ambiente digital são extensões do ambiente físico. É real também e, por isso, há consequências positivas ou negativas! Devemos garantir que os direitos e garantias de todos sejam preservados, inclusive, no digital. Além disso, diante de tanta informação disponível, ao mesmo tempo em que são publicadas notícias falsas, é essencial que ensinemos como selecioná-la e utilizá-la, viabilizando conhecimento.

Game Criança Segura

Por Luanna Tavares

Pais, responsáveis e professores: vocês já ouviram falar do jogo “Criança Segura”? Ele foi lançado, pela OSCIP Criança Segura, com o objetivo de disseminar a cultura de prevenção de acidentes de forma lúdica e prazerosa junto ao público infantil. O game, que conta com 10 atividades e é indicado para meninos e meninas com mais de seis anos de idade, apresenta situações nas quais as crianças aprendem a identificar os perigos em ambientes domésticos ou no trânsito, dando dicas de como evitar acidentes.

A iniciativa é bem-vinda, afinal, para quem não sabe, a principal causa de morte de crianças – de zero a 14 anos no Brasil – é por algum tipo de acidente em casa ou na rua, como atropelamento, afogamento e queimadora.  Todos os anos, mais de 4 mil crianças dessa faixa etária morrem e outras 122 mil são hospitalizadas. Os dados são da plataforma de dados do Ministério da Saúde, o Datasus.

Para jogar, basta acessar o site: http://criancasegura.org.br/game/.  O jogo já está disponível. Apresenta dez atividades/desafios.  Foi lançado no dia  30 de agosto, data em que se comemora o Dia Nacional da Prevenção de Acidentes.

Para entender mais sobre a proposta do game, a revistapontocom conversou com Carla Lerner, responsável pela área de mobilização da OSCIP Criança Segura e pelo desenvolvimento do game.

Acompanhe:

revistapontocom – Como surgiu a ideia de criar um jogo com intuito de ensinar e entreter as crianças ao mesmo tempo?
Carla Lerner – A partir da necessidade de termos uma ferramenta direcionada para o público infantil, de forma a ensinar os pequenos desde cedo identificarem e reconhecerem algumas situações de risco, o que pode contribuir na redução dos acidentes. No entanto, ainda entendemos que o adulto é o responsável pela segurança das crianças e o game vem como um complemento para a geração da autonomia e desenvolvimento de algumas noções de um comportamento seguro para a criança. Outro ponto é proporcionarmos aos nossos cursistas, que participam das nossas formações à distância, mais uma atividade para suas ações, que poderão ser utilizadas em sala de aula.

revistapontocom – Você acha que aprender brincando é mais fácil?
Carla Lerner – Sem dúvidas. Sabemos que a educação por meio do jogo e da descoberta resulta em uma real e significativa aprendizagem para a criança. O lúdico é sempre o melhor caminho para ensinarmos as crianças.

revistapontocom – Qual a importância desse game para a família toda?
Carla Lerner – Ensinar as crianças desde pequenas a cuidarem do seu próprio corpo e desenvolverem algumas noções de um comportamento seguro, o que tornará adultos mais conscientes em relação à segurança. Além do mais, o game pode ser utilizado pelas crianças acompanhadas pelo adulto, que ajudará a reforçar ainda mais os conhecimentos trabalhados nas atividades.

revistapontocom – Quais são as situações que as crianças vão encontrar no game?
Carla Lerner – Desde cenas no ambiente doméstico que apresentem algum tipo de risco, como queimaduras, intoxicações, afogamentos, quedas, sufocações etc, e também situações no trânsito. O retorno já é muito bom. Tivemos uma boa procura grande por parte da mídia e muitos elogios dos nossos parceiros e das pessoas que acompanham o nosso trabalho. O jogo pode ser vivenciado por meio do site. O aplicativo estará disponível gratuitamente a partir do início de outubro.

revistapontocom – O Criança Segura já pensa em novos projetos como este?
Carla Lerner –  Sim. A Criança Segura sempre está com um olhar voltado para novos projetos que envolvam a educação, pois acreditamos na tecnologia aliada a educação. Logo mais, teremos novidades para os familiares e responsáveis por crianças.

Formar para o futuro

Por Érica Fraga
Jornalista com mestrado em Economia Política Internacional no Reino Unido. Venceu os prêmios Esso, CNI e Citigroup. Escreve sobre educação, às quartas, na Folha de S. Paulo
Artigo originalmente publicado na Folha de S. Paulo

Seis em cada dez alunos do ensino fundamental no município de São Paulo acreditam que trabalhos em grupo, debates e o uso de tecnologia pelo professor facilitam a aprendizagem. Os dados revelados em reportagem do jornalista Paulo Saldaña, no Jornal Folha de S. Paulo, mostram que os estudantes brasileiros estão de alguma forma antenados com o que será esperado deles no mercado de trabalho.

Segundo uma nota recente do FMI sobre educação, assinada por Nagwa Riad, a geração nascida entre 1980 e 2000 — mesmo os que já estão empregados — enfrentará mudanças constantes e profundas em seu universo profissional. O documento ressalta que isso “significa que muitos, se não a maioria, precisarão se ‘reequipar’ e aprender novas habilidades diversas vezes durante sua vida laboral”.

Um estudo do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro do trabalho, publicado em 2016, cita uma estimativa de Karl Fisch e Scott McLeod segundo a qual 65% dos alunos que iniciam a educação primária trabalharão em ocupações hoje inexistentes.

Por isso os estudantes paulistanos estão certos em querer maior interação com colegas e a aplicação da tecnologia como apoio pedagógico. São ferramentas que aumentam a atratividade do conteúdo escolar, claro, mas que, além disso, serão essenciais para a necessidade de frequente reciclagem ao qual serão expostos no futuro.

Uma pista de como isso ocorrerá está na lista de dez habilidades que serão mais valorizadas em 2020 em comparação com as mais buscadas em 2015. Segundo profissionais de RH de dezenas de países —incluindo o Brasil— ouvidos pelo Fórum, a criatividade, que estava no pé da lista de 2015, será a terceira característica mais importante para o candidato a uma vaga daqui a três anos. A tecnologia é aplicada de forma crescente em processos criativos das mais diversas áreas.

Inteligência emocional —capacidade de se relacionar bem com os outros, de superar problemas e de persistir em desafios— que nem aparecia no ranking de dois anos atrás surge em sexto lugar no de 2020.

Aí surgem perguntas como: fala-se tanto agora dessas habilidades não cognitivas, de sua importância, de como empregadores darão enorme valor a elas, isso significa que a formação nas disciplinas tradicionais perderá valor?

Não, dizem os entendidos. O mercado continuará à busca de indivíduos que dominem muito bem o básico, a matemática, o raciocínio lógico, as ciências, a língua. Uma evidência disso é que resolução de problemas complexos aparece no topo da lista de habilidades mais demandadas em 2015 e não é desbancada por nenhuma outra em 2020.

Tanto o FMI quanto o Fórum ressaltam que as profissões ligadas a ciência, tecnologia, engenharia e matemática – classificados em inglês como “Stem” – continuarão a prosperar. A diferença em relação ao passado é que haverá menos espaço para o profissional genial com números que não gosta muito de conversa e passa a maior do tempo isolado. Um trabalho muito interessante do economista David Deming, de Harvard, analisou o crescimento das profissões – tanto em termos de vagas quanto de remuneração – considerando o grau de “habilidades sociais” exigido nas mesmas.

O pesquisador concluiu que cargos que exigem muita matemática, mas baixa interação com pessoas, estão em declínio no mercado norte-americano. Mas os que exigem muita matemática combinada com grande interface social estão em alta. Um exemplo: será cada vez mais esperado que programadores de computação interajam com clientes para entender suas necessidades especificas. A adoção de estruturas menos verticais nas empresas também é outra mudança que terá impacto nas habilidades exigidas dos profissionais.

Cargos intermediários como gerentes administrativos devem ser drasticamente reduzidos. Uma série de reportagens que fiz com as jornalistas Mariana Carneiro e Ingrid Fagundez em 2014 mostrava que isso já começava a ocorrer no Brasil. Essa tendência, diz o Fórum Econômico Mundial, vai exigir mais comunicação direta entre funcionários em níveis hierárquicos mais baixos e chefes em cargos importantes que talvez antes nem se encontrassem. Ou seja, as pessoas vão precisar falar bem, se expor bem, se comunicar bem, com públicos diferentes. Isso valerá para empregados e chefes.

Todas essas mudanças significam que a escola e os formuladores de políticas educacionais precisam pensar em conteúdos e estratégias pedagógicas que olhem mais para o futuro. Ouvir os alunos —como parece estar fazendo o município de São Paulo —é essencial.

Estar antenado com o mundo empresarial e acadêmico para entender o que vem pela frente também. Escolas, empresas e academia ainda são separadas por enormes muros que não beneficiam ninguém.

Júri popular: participe

A Rede de Sementes do Xingu (Mato Grosso – Cerrado e Amazônia) é uma das oito iniciativas finalistas do Desafio Ambiental: inovação e empreendedorismo em restauração florestal, promovido pelo WWF. A rede é uma articulação que produz sementes nativas para o processo de restauração ecológica nas cabeceiras do Xingu através da inclusão socioeducativa e cultural de povos indígenas e agricultores familiares. Com isso, ela busca apoio para aprimorar o plano de negócios e a preparação para crescer e disseminar a iniciativa em vários territórios, além da formação em gestão de negócios de impacto na Amazônia.

Gostou da proposta? Então até o dia 21 de setembro, o público poderá votar no melhor projeto inscrito no Desafio Ambiental: ação da WWF que busca identificar e fortalecer experiências inovadoras e modelos de negócio e de produção que promovam a restauração florestal no Cerrado, na Caatinga, na Mata Atlântica e na Amazônia.

A finalidade é reconhecer organizações, grupos, comunidades e startups que estão atuando no campo da restauração, promover colaboração entre iniciativas, gerando uma onda de impacto positivo, além de apoiar e impulsionar o desenvolvimento e o impacto de projetos existentes e de inovações, ferramentas e modelos sustentáveis

O Laboratório de silvicultura tropical (São Paulo – Mata Atlântica); Viveiro Lua Nova – Nucleário (Rio de Janeiro – múltiplos biomas), Instituto Auá (São Paulo – Mata Atlântica), Idesam (Amazonas – Amazônia), Associação Caatinga (Ceará – Caatinga) e o Zoneamento Climático (Minas Gerais – múltiplos biomas) completam a lista dos finalistas.

A premiação vai acontecer no dia da árvore. As melhores propostas vão participar de um processo de imersão em grupo, com troca de experiências, consultoria e workshops para melhoria das práticas. O 1º lugar ganhará R$ 5.000. O 2º colocado, R$ 3.000. A iniciativa escolhida pelo júri popular levará R$ 2.000.

Assista aqui aos vídeos que trazem os outros finalistas

Tempo de qualidade

Por Rodrigo Ratier
Editor da revista Nova Escola, Dr. Educação e professor da Faculdade Cásper Líbero
Artigo originalmente publicado pela Nova Escola

O conceito é conhecido na Psicologia. “Tempo de qualidade” é um período em que dedicamos exclusivamente nossa atenção a alguém, com o objetivo é estreitar a relação com essa pessoa. Me parece uma noção interessante, mas que tem sido desvirtuada quando se trata do contato com os filhos. Navegue na internet em busca de sugestões para “tempo de qualidade” com os pequenos e encontre as seguintes atividades: artesanato, piquenique, cabana na sala, imitação, sombras e por aí vai.

Fiquei na dúvida. Estamos falando de pais ou de animadores de circo? Me incomoda essa associação entre qualidade e diversão. Um sinônimo que me parece falso.

Pensei bastante nisso durante o fim de semana. Estive na casa dos meus sobrinhos. Bernardo tem quatro anos e Tomás, um e meio. O menorzinho é um menino adorável e muito energético. Sua rotina é um grande circuito de crossfit. Corre, sobe escadas, chuta bola, abre porta – e sai correndo de novo, sobe escada, chuta bola, abre porta.

Naturalmente, depois de algumas horas ele está exausto. Aconteceu lá pelo meio dia no sábado. Esgotado, começou a chorar e se debater – e aí entrou naquela espécie de piloto automático em que o choro realimenta a agressividade e assim por diante.

Coloquei-o no carrinho. Ele resistiu. Deitei-o, pus a mão com força em seu peito. Disse: “Calma. Calma. Calma”. Ele foi parando de chorar. Pus o carrinho em movimento. Em dois minutos, ele estava dormindo.

Nada mais trivial. Foi nessa simplicidade – e não numa rotina com atividades mirabolantes, ditas “divertidas” – se deu o momento de maior conexão, até agora, entre mim e o pequeno. Por alguns
instantes, ele confiou em mim. E relaxou.

Penso também na Luiza e nossos momentos cotidianos. Quando volto com ela da escola a pé. Quando ela está no banheiro e me pede para contar uma historinha. Quando jantamos eu, ela e a Marina. Quando ela pede “me nana”. São as horas mais prosaicas e também as mais profundas. É quando nos olhamos nos olhos, fazemos carinho, conversamos e até brigamos.

As relações afetivas crescem com tempo e dedicação. Isso independe de sua natureza. A vida é suficientemente rica para nos trazer qualidade em suas atividades diárias. Refeições. Trocas de roupa. Banho. Caminhadas. Supermercado. E até o médico.

Pensando bem, tempo de qualidade, no fundo, é só tempo.

Cinema negro

Zózimo Bulbul, o Jorge da Silva, foi o grande homenageado da 10ª edição do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe. Ator, cineasta, produtor, roteirista e fundador do Centro Afrocarioca de Cinema Zózimo Bulbul, ele completaria 80 anos no próximo dia 21 de setembro. Jorge da Silva se tornou o primeiro negro a ser protagonista de uma novela brasileira, “Vidas em Conflito” da extinta TV Excelsior.

Com recorde de inscrições, o evento terminou no último dia 9, e a programação ocupou os espaços do Cinema Odeon e Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, e Museu de Arte do Rio, na Praça Mauá. Foram mais 80 filmes, sendo 66 nacionais e 22 internacionais, todos feitos por cineastas negros e também jovens revelações. Destes, 5 curtas infantis foram apresentados.

“Lá do alto”, com duração de 8 minutos, conta a história de um menino sonhador que sente saudades de sua avó que morreu. Ele tenta convencer o pai a levá-lo para o alto de uma pedra, na comunidade do Vidigal. O garoto acredita que chegando lá, ficará mais perto do céu e poderá se comunicar com a avó. O filme ganhou vários prêmios em Festivais. Além do curta dirigido por Luciano Vidigal, também estiveram na programação: “Nana e Nilo e o tempo de brincar”, de Sandro Lopes, “Òrun Àiyé”, de Jamile Coelho e Cintia Maria, “Esconde-Esconde” de Don Felipe e Luciana Bollina e “El Reflejo”, de Everlane Moraes.

Desde 2014, a convite de Zózimo Bulbul, o premiado cineasta Joel Zito Araújo realiza a curadoria do evento. Na edição de 10 anos, o encontro recebeu cineastas da África do Sul, Nigéria, Guadalupe, Senegal, Burkina Faso, Etiópia, Camarões, Gana e Ruanda.

Organizado pelo Centro Afrocarioca de Cinema, o encontro é referência no Brasil e no mundo e mantém o objetivo do fundador cumprindo o papel de fortalecer a identidade negra através de processo formativo com exibições, debates, seminários e diferentes ações.

Brasil e China

Por mais de uma década o acordo de coprodução cinematográfica entre Brasil e China vinha sendo negociado pelo Ministério da Cultura, através da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Mas foi no inicio deste mês, que finalmente um dos maiores mercados do mundo se abriu para o cinema brasileiro. O objetivo do acordo bilateral, assinado pelos dois países, é impulsionar o setor cinematográfico.

Na prática como isso irá funcionar? Na vigência do acordo, as coproduções realizadas por empresas do Brasil e da China vão possuir tratamento nacional em ambos os territórios. Os filmes realizados em conjunto terão acesso aos mecanismos públicos de financiamento disponíveis nos dois países, como o Fundo Setorial do Audiovisual, no Brasil. Além disso, serão considerados produtos nacionais nos respectivos mercados e também será possível a participação de produtores de países com os quais Brasil ou China tenham firmado acordo de coprodução.

“Espero que haja num futuro próximo um grande número de coproduções envolvendo produtoras brasileiras e chinesas. Será um grande estímulo ao crescimento do setor audiovisual do Brasil, que hoje já responde por cerca de 0,46% do PIB e apresenta um vasto potencial de expansão e de contribuição para o desenvolvimento do país.”, afirmou o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

O MinC acredita que o acordo vai contribuir para uma efetiva cooperação entre os setores produtivos dos dois países, em sintonia com a proposta de estimular a circulação das obras brasileiras no mercado internacional e de promover a realização de coproduções internacionais envolvendo criadores e produtores brasileiros.

Filme e debate

Nunca me sonharam: esse é o nome do documentário que retrata depoimentos de jovens e aborda o Ensino Médio brasileiro. Dirigido por Cacau Rhoden, com duração de 80 minutos, o longa-metragem tem o objetivo de destacar o valor da educação, tendo como base os relatos e opiniões de estudantes e especialistas de diversas áreas. O filme será exibido durante a quarta edição do encontro internacional Educação 360, que será realizado nos dias 21 e 22 de setembro, na Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. No encontro internacional, que será gratuito, experiências e reflexões sobre temas importantes no dia a dia de professores e estudantes serão discutidas.

Confira a programação do evento

Nunca me sonharam mostra os desafios do presente, as expectativas para o futuro e os sonhos de quem vive essa realidade e prova que os adolescentes têm voz e iniciativa para promover mudanças que podem transformar o Brasil em um país melhor e menos desigual.

“Ao começar a desenvolver o filme, fui investigar em que condições se dá o Ensino Médio nas escolas públicas do Brasil e porque os jovens estão abandonando a escola. Os obstáculos que os estudantes enfrentam no convívio em sociedade impactam diretamente não só suas vidas particulares, mas a escola e a educação como um todo, o que gera um ciclo vicioso. Ao dar voz aos jovens, percebemos que, apesar de todas as adversidades enfrentadas, eles estão se autoproclamando protagonistas de seus caminhos, da sua educação, em busca de seus sonhos”, disse Cacau Rhoden, em entrevista a Rádio Brasil Atual.

Teatro Universitário

Voltado para jovens estudantes que desejam um espaço para mostrar e desenvolver trabalhos, a 7ª edição do Festival de Teatro Universitário apresenta uma maratona teatral de esquetes e espetáculos, passando por gêneros como drama, musical, teatro-dança e palhaçaria. O evento, que promove uma intensa troca entre as escolas de artes cênicas e revela novos talentos, foi criado, em 2010, pelo produtor Miguel Colker e pelo diretor e ator Felipe Cabral.

Até o dia primeiro de outubro a programação da mostra de espetáculos acontecerá no Teatro Cesgranrio, onde serão apresentados 13 espetáculos selecionados de universidades do Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

Veja a programação

No  dia 4 de outubro, será realizada a Mostra Competitiva Nacional, no Teatro SESI. Vinte e sete esquetes foram selecionadas. O público poderá acompanhar todas as apresentações e votar na melhor. As produções concorrem em dez categorias: Melhor Esquete, Melhor Ator, Melhor Atriz, Esquete pelo Júri popular, Melhor Direção, Melhor Direção de Movimento, Texto Original, Melhor Iluminação, Melhor Cenografia e Melhor Figurino. O grande vencedor recebe um patrocínio de R$ 40 mil para montar um espetáculo que já tem sua participação garantida no Festival de Curitiba, em 2018.

Prêmio Shell

Com um projeto sobre a eletroquímica, o professor de ciências Saulo Paschoaletto, do CIEP 456 Marco Polo, localizado no bairro Cantagalo, em Três Rios, município do Rio de Janeiro, ficou em primeiro lugar na categoria Ensino Médio da última edição do Prêmio Shell de Educação Científica. Com seus alunos, ele produziu, por meio de componentes químicos, equipamentos que geram corrente elétrica. Trabalhou com pilhas, celulares, tablets e produtos de limpeza.

Quem tem algum trabalho na área ou que contemple Matemática, Ciências, Biologia ou Física pode fazer que nem o professor Saulo: participar do Prêmio, só que da edição deste ano. É preciso apenas que o projeto de sala de aula tenha sido desenvolvido no ano letivo de 2016 ou 2017.  As inscrições vão até o dia 13 de outubro.

O Prêmio, que é dividido nas categorias Ensino Fundamental II (professores de Ciências e Matemática) e Ensino Médio (professores de Biologia, Física, Química e Matemática), busca contemplar educadores que pensam diferente, que transformam a sala de aula em um ambiente inovador e criativo, tornando os estudantes interessados pelo conhecimento científico.

Os três primeiros colocados de cada categoria vão ganhar um prêmio em dinheiro e uma viagem educativa para Londres, na Inglaterra, onde farão uma imersão ao mundo das ciências, com atividades, palestras e visitas a museus e diversas organizações educacionais.

Além disso, as escolas dos professores premiados também ganharam prêmios. Escolas dos primeiros colocados levarão um kit de robótica, um laptop e um projetor multimídia. Já as os segundos colocados ficarão com um laptop e um projetor multimídia, e por fim, as escolas dos terceiros colocados ganharão um projetor multimídia.

Para mais informações acesse o site: www.premioshelldeeducacaocientifica.com/