Elas na matemática

O Comitê de Mulheres na Matemática (CWM) da União Internacional de Matemática (IMU) lançou chamada para financiamento de eventos em 2018. Cada iniciativa poderá receber até 3 mil euros. O objetivo é apoiar: a) Eventos com o propósito de estabelecer e/ou fortalecer redes regionais e continentais de mulheres em Matemática. A ajuda financeira pode incluir, por exemplo, financiamento de reuniões, viagens para fins de consulta ou conselho e suporte na criação de sites. O CWM não subsidiará atividades semelhantes no local ou em regiões próximas às beneficiadas nos anos anteriores — 2015, 2016 e 2017. Confira a lista no site www.mathunion.org/cwm/; b)  Escola aberta a todos, mas só com mulheres como palestrantes e/ou mini-cursistas. Este tipo de atividade pode ser uma maneira eficaz de mostrar as contribuições de mulheres matemáticas e criar oportunidade para que estudantes do sexo feminino estejam em contato com mulheres líderes, sem excluir os estudantes homens. As despesas cobertas pela CWM podem incluir custos para palestrantes, organizadoras e mulheres participantes; e c) Outras ideias para pesquisar e/ou abordar problemas enfrentados pelas mulheres na Matemática poderão ser consideradas.

Os proponentes têm até 15 de dezembro de 2017 para enviar um pedido curto (não mais do que duas páginas) com explicação sobre a atividade e como ela atende a um dos objetivos descritos acima, bem como indicações sobre como o dinheiro da CWM será gasto. Só haverá uma chamada para aplicações relacionadas às atividades em 2018. As candidaturas devem ser enviadas para o e-mail: applications-for-cwm@mathunion.org. O resultado dos pedidos acolhidos será anunciado em 31 de janeiro. De acordo com a demanda, as aplicações bem sucedidas poderão não ser financiadas na íntegra. Para mais informações, acesse: http://www.mathunion.org/cwm/.

Mostra Crítica e Cinema

Entre os dias 24 e 29 de outubro, cineastas, críticos e espectadores terão a oportunidade de interagir e se aprofundar sobre os aspectos relativos do mundo cinematográfico. Isso porque, o SESC RJ promove a “Mostra Crítica e Cinema” nas unidades de Ramos, Niterói, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Madureira e Engenho de Dentro.

A “Mostra Crítica e Cinema” terá entrada gratuita e exibição de filmes, em sua maioria brasileiros e latino-americanos, como o documentário “Crítico”, além das ficções “Acima das Nuvens”, “No meu lugar”, “TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva”, “A Vida dos Peixes” e “La Vida Útil: um Conto de Cinema”. O objetivo do evento é destacar a importância do papel dos críticos como mediadores entre as obras e o público.

O público também vai poder participar de debates. Sempre com mediação do crítico Marcelo Muller, serão abordados a responsabilidade desses profissionais na caracterização das obras, ressaltando suas particularidades e relacionando-as a outros títulos, resgatando a história da sétima arte e propondo caminhos que ampliem a percepção do público.

A programação conta ainda com as masterclasses de Crítica Cinematográfica, com os críticos Carlos Alberto Mattos, que também é pesquisador, e Neusa Barbosa, também jornalista, e com a escritora, pesquisadora e roteirista Susana Schild. Os ministrantes apresentam os preceitos e procedimentos que sustentam as análises e compartilham suas experiências pessoais como críticos de cinema, a partir de trechos de filmes e referências teóricas. O propósito das aulas é levar os participantes a  uma reflexão sobre a linguagem audiovisual, desenvolvendo seu olhar crítico e ampliando sua capacidade de se relacionar com a produção cinematográfica.

Você pode conferir a programação completa no site do SESC RJ

CF News: conheça

Você conhece o jornal “CF News”? Ele é produzido por alunos da Escola Municipal Carneiro Felipe, em Marechal Hermes, zona Norte do Rio. A professora de Ciências, Lorena Pereira, levou o desafio para a turma, que realiza o trabalho todas as segundas-feiras, sempre nos dois primeiros tempos de aula no laboratório de Informática, onde acontecem as aulas da matéria eletiva. O principal objetivo do jornal impresso é levar informação até a comunidade escolar.

Saindo um pouco da rotina, pelo menos 40 estudantes são estimulados a elaborar idéia e colocar a criatividade em prática. A professora divide em grupos de quatro integrantes cada para discutir as pautas das próximas reportagens. A produção de cada edição do jornal, que é realizada durante um bimestre, conta com a participação de todos desde a escolha do nome aos integrantes de cada editoria, assuntos que serão abordados e o layout final.

A Escola Municipal Carneiro Felipe dispõe de outras opções de eletivas: matemática, xadrez, música, sustentabilidade, jornal e dança, entre outras. No entanto, as turmas do 9º ano escolheram as duas últimas alternativas.

Como todo jornal impresso, o “CF News” também é dividido por editorias, como de: esporte, beleza e saúde, eventos, séries, piadas e carta dos leitores, onde nesta última editoria, professores e funcionários ganham espaço para avaliar, criticar e elogiar a unidade escolar. Os alunos realizam buscas na internet, pesquisando fontes e referências para o conteúdo. A criação do texto é feito por todos. A revisão dos conteúdos fica a cargo da professora de Língua Portuguesa, Vanessa Gouveia, e a montagem do layout é realizada pelo agente educador, Thiago Xavier.

Depois do trabalho todo finalizado, as páginas diagramadas são mostradas em um telão, para aprovação da turma. Após isso, os exemplares são impressos e distribuídos na reunião dos pais. Murais de cada sala de aula e corredores também ganham a edição do jornal “CF News”.

Festival do Rio: os melhores

“Sobre Rodas, de Mauro D’Addio, foi eleito o melhor filme da Mostra Geração do Festival do Rio. Mas duas menções honrosas também foram concedidas pelo júri: uma para “Historietas assombradas”, de Vitor-Hugo Borges, e “Altas expectativas”, de Pedro Antonio Paes e Álvaro Campos. O júri foi formado pela professora Simone Monteiro, da Prefeitura do Rio, por Maria Costa Rodrigues, gerente de cultura do Departamento Nacional do SESC, e por Cavi Borges, produtor e cineasta.

O filme de Mauro D’Addio, produzido por Beatriz Carvalho, conta a história do menino Lucas, de 13 anos, que passa a depender de uma cadeira de rodas após sofrer um acidente, e de Laís, 12 anos, que ajuda sua mãe na barraca de café da manhã. A garota adoraria conhecer seu pai, um caminhoneiro que deixou a cidade quando ela ainda era criança. Laís e Lucas tornam-se amigos na escola e, quando ela descobre o possível paradeiro do pai, os dois partem em uma viagem.

O evento de premiação da 19a edição do Festival do Rio, aconteceu no Cine Odeon NET Claro, no último dia 15. Foram apresentados quase 280 filmes, entre longas e curtas de ficção e documentários de mais de 60 países, durante dez dias. Durante a premiação, um vídeo resumiu os melhores momentos do festival: o RioMarket, os show do “Rio, Pipoca e Biscoito”, as sessões gratuitas, galas, diretores estrangeiros que vieram prestigiar o evento, a Sinfônica da Petrobras em um concerto com músicas de Tim Burton entre outros.

A novidade desse ano ficou por conta da parceria do Vídeo Fórum, programa da Mostra Geração, onde crianças e jovens apresentam e debatem os filmes, com a TV ESCOLA, do Ministério da Educação. Alguns dos trabalhos selecionados pelo Festival serão exibidos na programação da TV ESCOLA..

 

 

Sucesso da Colômbia

“El Libro de Lila” estreou este ano nas telas de cinema da Colômbia. A parte curiosa disso tudo é que as mulheres cada vez mais estão ganhando seus espaços. Sabe por quê? Este é o primeiro filme de animação infantil dirigido por uma mulher no país mais colorido das Américas. Da produtora colombiana Fosfenos Media, em coprodução com a Palermo Studio, do Uruguai, as irmãs Marcela e Maritza Rincón trabalharam durante quase oito anos na direção e produção do longa metragem. Elas também são criadoras do programa de TV infantil “Guillermina y Candelario” (Señal Colombia), série exibida em vários países da América Latina, inclusive aqui no Brasil, pela TV Brasil, onde ganhou o primeiro lugar no Festival comKids Prix Jeunesse 2017 – categoria até 6 anos ficção e não ficção.

O filme, que conta a história de Lila, uma menina que vive no mundo mágico de um livro e sai, por acidente, para o mundo real, já ganhou sete prêmios de fundos públicos nacionais e internacionais. As produtoras colocaram um pouco da infância delas na história, onde o mundo real é inspirado em Cali, cidade em que cresceram. Já o mundo fantástico de papel tem referências das paisagens da Colômbia. “El Libro de Lila”, dirigido por Marcela e produzido por Maritza, traz uma metáfora sobre o valor da memória, dos livros e do crescimento em meio às novas tecnologias.

Confira abaixo a entrevista que Marcela Rincón, diretora do filme, concedeu ao site comKids sobre todo o processo do filme.

comKids – “El Libro de Lila” é uma coprodução entra a Fosfenos Media e Palermo Estúdio, do Uruguai. Como foi essa experiência? Como essa coprodução contribuiu com respeito ao financiamento e ao processo criativo?
Marcela Rincón – Para nós, foi uma grande honra ter tido Palermo como coprodutores, foi uma equipe que aportou muito ao projeto, especialmente na etapa de desenvolvimento, já que o Alfredo Soderguit e toda sua equipe realizaram um grande trabalho de desenho de produção, que incluiu o design de personagens, concept art, acompanhamento do processo de storyboard e os demais processos que foram realizados ao cabo da pré-produção do longa. Graças a essa coprodução obtivemos um prêmio da Ibermedia para cobrir alguns dos custos do processo de produção.

comKids – A produção levou mais de sete anos de trabalho e foi feita na Colombia, mais especificamente em Cali, onde está a Fosfenos Media. Cali é um lugar de tradição cinematográfica, mas como foi a tarefa de formar uma equipe de talento local para um filme de animação feito fora de Bogotá?
Marcela Rincón – Esse foi um dos maiores desafios desse projeto. Em Cali não existem escolas de animação, de forma que tivemos que fazer algo como um “casting de talentos” na cidade, onde encontramos grandes artistas visuais, gráficos, plásticos etc. os quais gostavam de animação e contavam com alguma experiência, identificamos os seus pontos fortes e formamos uma equipe em um esquema de produção muito singular. Foi um trabalho muito interessante, como uma oficina de criação coletiva, onde em conjunto íamos buscando a forma de abordar e resolver os desafios artísticos que o filme nos trazia.

comKids – “El libro de Lila” fala da importância da memória e da leitura. Mas também fala do crescimento. São temas transformadores para as infâncias. Como falar deles para as crianças com fantasia e de uma forma atraente?
Marcela Rincón – Falar de temas profundos nos conteúdos dirigidos ao público infantil significa um grande desafio, no caso de “El libro de Lila”, o principal foi planejar a aventura e a memória. Foi algo muito orgânico fazer com que esses temas se desenvolvessem na trama. Não é algo forçado nem muito menos, didático, sinto que as mensagens que o filme deixa são poéticas e apontam a diferentes níveis de reflexão. A partir da estreia do filme nas salas de cinema da Colômbia, foi muito emocionante receber uma quantidade de mensagens nas quais crianças, jovens e adultos se sentiram tocados pelos temas que a história aborda. Isso nos deixa muito feliz.

comKids – O filme foi produzido com o apoio de bolsas e reconhecimentos oferecidos por fundos de financiamento públicos, desde a etapa de roteiro. Vocês poderiam nos contar um pouco mais a respeito do orçamento?
Marcela Rincón – O orçamento do filme foi de um milhão e meio de dólares, uma parte significativa dessa cifra foi obtida por meio de fundos locais, nacionais e internacionais que estimulam o desenvolvimento do cinema e das artes. Outra importante cota se conseguiu por meio de apoios em sua maioria institucionais, que aportaram ao projeto de uma forma ou de outra.

comKids – Vocês já desenvolvem um projeto muito conhecido de programa infantil de TV, a série Guilhermina e Candelario. Quais são as principais diferenças entre o ato de se fazer TV e produzir para as telas de cinema?
Marcela Rincón – Temos diferenças em todos os sentidos. No narrativo, o cinema te dá muitas possibilidades. Houve um grande trabalho de exploração e busca tratando de encontrar a melhor maneira de contar a história. Isso é um trabalho árduo quando se trata de um longa-metragem, é muito dispendioso e rigoroso, mas, ao mesmo tempo, te dá certas liberdades, é uma obra mais autoral em nosso caso. Em um nível artístico, há uma exigência muito maior, o cinema é uma linguagem mais sofisticada, mais poética, mais cuidadosa. Em um nível técnico, um projeto dessas dimensões é um monstro, é preciso solucionar muitos detalhes que atravessam transversalmente todo o processo e que são definitivos para conseguir bons resultados. Finalmente, em termos de produção, administração e temas jurídicos, a produção de um longa-metragem demanda um grande esforço, nesse projeto participaram 160 pessoas, e fazer o manejo de uma equipe tão numerosa é um grande esforço.

América Latina: diversidade

A importância da diversidade no audiovisual latino-americano
Por Liliana de la Quintana, comunicadora, roteirista e escritora de literatura infantil, artigo publicado originalmente em MaguaRed.

A América Latina é debatida em uma permanente crise de identidade. Enquanto os grandes meios de comunicação exaltam um modelo vindo de fora, ao qual a grande maioria deseja alcançar, a produção independente em geral luta para sustentar um olhar mais próximo àquilo que somos de verdade.

A sociedade está consciente da má qualidade da televisão, mas são poucos os governos que apostaram em mudar essa situação e menos frequentes ainda são os que se dispõem a alterar a programação dirigida aos meninos e às meninas. É na última década que vemos uma transformação na qualidade e na quantidade de programas para o público infantil, em alguns países. Na Argentina, com o programa Pakapaka, que em seguida se tornou um canal, abre-se em um exemplo digno de uma excelente produção que abarca diversos gêneros para tratar temas urgentes para a infância, de uma forma muito suave. Brasil, através de alguns canais e programas especiais incorpora uma programação que insiste na diversidade. Chile, que tem um importante fomento econômico anual à produção e que se destaca com alguns programas de alta qualidade. Señal Colombia, com uma forte posição desde o Estado, é outro dos referentes de qualidade extraordinária. Nos demais países de nossa América, há esforços privados muito importantes, mas pouco sustentáveis a longo prazo.

A atual produção latino-americana para o público infantil tem em comum a urgência de mostrar a diversidade como uma riqueza. Por muito tempo, tanto os povos indígenas como os afrodescendentes estiveram renegados nas telas, ou presentes com personagens estereotipados. A nova produção não está somente na capital, ela viaja ao grande território e, lá, encontra gente e histórias com um grande potencial. E assim as câmeras descobrem países diversos e permitem um melhor conhecimento de quem somos, como vivemos, o que pensamos, o que contamos, com o que sonhamos…

Programas latino-americanos destacados com títulos muito sugestivos nos introduzem na diversidade cultural, no interior dos países. Desde os documentários, como, por exemplo, “Con qué sueñas?”, série de televisão de Paula Gómez e Pichintún, série em animação de Patrício Veloso, ambos do Chile. Também há o salto para conhecer outros países e culturas como “La lleva”, em coprodução com quatro países para reconhecer famílias de meninos e meninas da mais ampla diversidade cultural. Destaca-se a produção do canal Pakapaka da Argentina, que impulsionou a série “Cuentos para no dormir”, animação baseada nas lendas indígenas dos povos, produto da narração oral. “Medialuna”, uma princesa indígena com muitas aventuras, seres mitológicos e com contexto cultural. O tema das migrações e o impacto sobre as crianças na série “Migrópolis”, mostrando a diversidade e as consequências de seus movimentos em uma produção colombo-espanhola. “Mi voz mi mundo”, série equatoriana que nos permite chegar a diversos lugares para conhecer as atividades de meninos e meninas indígenas.

Os povos indígenas e afro-descentedentes estão deixando de ser invisíveis nas telas, apesar de estar tão presentes na cotidianidade e em nossa história. Há um esforço real na produção de programas que tomaram como protagonistas meninos e meninas indígenas, ainda que
seja menos frequente a ênfase no caso dos afro-descendentes.

Um caso particular é a série de televisão colombiana “Guillermina e Candelario”, dirigida por Marcela e Maritza Rincón, da Fosfenos Media. Duas crianças afro-descendentes que vivem com seus avós em uma praia do Pacífico. Essa série tem muito méritos, primeiro pelo protagonismo de meninos negros que vivem no seio de uma família diferente com os avós. São crianças alegres, que enfrentam problemas e buscam soluções. A música, que é parte de sua cultura, abarca numerosos instrumentos e respondem com criatividade os poucos recursos materiais de que dispõem. A natureza, o mar e a praia são os cenários encantadores e uma casinha sensível mas cálida, com os elementos necessários, ambientes nos quais se desenrolam histórias muito humanas. O respeito e a consideração com os avós, a solidariedade e a amizade com os vizinhos e a cumplicidade positiva dos irmãos estão presentes a cada capítulo, reforçando esses valores.
“Guilhermina e Candelario” receberam muitos prêmios, sendo o seu melhor atributo a grande recepção da série, ou programas soltos em muitos países. Já estão na televisão brasileira, traduzidos ao português. Mas se vê que é uma grande exceção, pois há uma ausência de programas que tenham como protagonistas meninos e meninas negras, ao passo que nossas ruas e cidades estão cheias de crianças negras que querem ser reconhecidas e consideradas como cidadãs com todos os direitos!

Durante o Prix Jeunesse Iberoamericano 2017, realizado em São Paulo, em setembro, tivemos a oportunidade de ver duas obras especiais, que nos mostram o rosto de um valente menino indígena guarani, “Kunumi”, em meio a sua luta por território, e “Respeito”, uma obra que trata a intolerância religiosa da sociedade contra uma menina afro-descendente que foi ferida por praticar o culto do candomblé. Os dois troncos fundamentais da nossa identidade. O indígena e o afro estão sendo revelados nos produtos audiovisuais e também sendo retratados com bastante rigor e respeito.

A produção de programas para crianças com o tema da diversidade na América Latina está em um dos seus melhores momentos. O compromisso dos realizadores, diretores, casas produtoras, talentosos animadores, grandes documentaristas e engenhosos atores nos mostram um caminho de êxito. Mas a difusão segue sendo um ponto muito problemático, apenas alguns canais de televisão abrem suas portas a essa maravilhosa produção que demonstra sua grande qualidade. Não é casual a falta de interesse em difundir programas que fortaleçam nossas identidades. Vamos encontrando novas plataformas nas quais esses programas estão expostos de forma extensa e isso nos devolve a esperança de um audiovisual latino-americano profundo e coerente com nossas realidades diversas.

Prêmio Serviço Florestal

Estão abertas até o dia 1º de dezembro as inscrições para o V Prêmio Serviço Florestal Brasileiro em estudos de Economia e Mercado Florestal. O Prêmio, realizado anualmente, traz uma novidade nesta edição: será concedida uma menção honrosa para os trabalhos das categorias Graduando e Profissional que abordarem o subtema “Água e Floresta”, dando destaque a um dos principais serviços ambientais promovidos pelas florestas, a manutenção dos recursos hídricos.

O concurso, que visa incentivar estudos que evidenciem o valor das florestas e suas diversas interfaces com a economia, vai conceder R$ 53 mil em premiação para os três melhores trabalhos inscritos nas categorias Graduando e Profissionais.
Quem pode concorrer? Trabalhos individuais ou em grupo sobre mercado florestal, concessões, sistema tributário, florestas plantadas, PIB Verde, comércio internacional, Código Florestal ou outros subtemas relacionados.

Para o diretor de Concessão Florestal e Monitoramento do SFB, Marcus Vinicius Alves, apesar de nem sempre ser evidente para a maior parte da população, as florestas têm papel estratégico na economia do país. “Além de gerar matéria-prima, emprego e renda pelo processamento direto dos seus produtos, as florestas também prestam serviços ambientais que são essenciais para o desenvolvimento de qualquer atividade econômica”, disse ele à comunicação da SFB.

A premiação faz referência ao 8º Fórum Mundial da Água, que acontecerá em março de 2018, em Brasília. O evento é considerado o maior evento global sobre o tema e deverá reunir representantes de mais de cem países. O V Prêmio SFB em estudos de Economia e Mercado Florestal é realizado em parceria com a Escola Nacional de Administração Fazendária (Esaf) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Pequeno cineasta em cartaz

Com entrada franca, o 7º Festival Internacional Pequeno Cineasta termina no dia 29 de outubro, quando acontecerá a cerimônia de encerramento, no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, no Centro do Rio, com sessão homenagem, entrega da premiação das mostras competitivas e exibição dos filmes premiados. Os vencedores vão levar para casa o troféu Pequeno Cineasta e a Claquete Kodak.
Mas até lá a programação continua. O festival acontece simultaneamente no CCBB, no Instituto Cervantes, em Botafogo, no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico e na Arena Dicró, na Penha. Você vai encontrar um panorama das produções cinematográficas feitas por crianças e jovens do mundo todo, com cerca de 70 curtas do Brasil e de diversos outros países, como Espanha, Dinamarca, Bélgica, Taiwan e Polônia.

Os curtas em competição serão avaliados por um júri composto por crianças e jovens, com idade entre 8 e 17 anos, que já tenham a experiência na realização de obras audiovisuais. O público também elege o seu preferido nas competitivas nacional e internacional. São quatro categorias no total, todas com dois vencedores cada (um selecionado pelo júri oficial e outra pelo júri popular): Competitiva Nacional – categoria filmes feitos por crianças (8 a 12 anos); Competitiva Nacional – categoria filmes feitos por jovens (13 a 17 anos); Competitiva Internacional – categoria filmes feitos por crianças (8 a 12 anos); e Competitiva Internacional – categoria filmes feitos por jovens (13 a 17 anos).

Criado pela atriz e produtora Daniela Gracindo, o Festival Internacional Pequeno Cineasta, que acontece anualmente no Rio de Janeiro desde 2010, tem por objetivo mostrar o olhar das crianças e jovens através das lentes do cinema. A iniciativa, que é pioneira e única no Brasil, também oferece outras atividades como Workshops, Mesa Redondinha, entre outras oportunidades para o desenvolvimento através da sétima arte.

Videoteca sustentabilidade

Resíduos sólidos, unidades de conservação e saneamento básico são algumas das temáticas abordadas nos vídeos do 8º Circuito Tela Verde do Ministério do Meio Ambiente (MMA), já disponíveis na plataforma Videocamp, do Instituto Alana. São 13 vídeos, de animação e documentário, que têm como objetivo facilitar o acesso a produções audiovisuais que podem transformar a realidade ao levantar discussões sobre questões socioambientais.

Através de um cadastro no site (videocamp.com/pt/playlists/para-preservar-a-natureza-7-circuito-tela-verde), o usuário poderá assistir e terá acesso ao conteúdo da plataforma, podendo organizar mostras em todo o território nacional e em alguns lugares do exterior. Além dos filmes, o site oferece um guia prático para conduzir discussões e outras orientações aos interessados.
“A parceria entre o MMA e o Instituto Alana amplia o acesso aos vídeos do Circuito Tela Verde, permitindo que qualquer instituição promova debates sobre as questões socioambientais em suas localidades”, disse a diretora de Educação Ambiental do MMA, Renata Maranhão, ao site do Ministério do Meio Ambiente.

A edição anterior do Tela Verde alcançou 24 mil pessoas por meio do Videocamp. Esta plataforma é uma maneira alternativa de distribuição, facilitando o acesso a produções audiovisuais que podem transformar a realidade ao levantar discussões sobre questões socioambientais.

Para a coordenadora do Videocamp, Josi Campos, “Disponibilizar filmes com argumentos que debatem temas como sustentabilidade, recursos hídricos, proteção dos mangues e educação ambiental, só reforçam a nossa missão, que é divulgar causas e promover a reflexão por meio do audiovisual”, afirmou.

Parabéns, professor(a)!

Comemora-se o Dia do Professor no próximo dia 15. Mas você sabia que há uma data anterior que também homenageia todos os mestres. É o dia 5 de outubro, Dia Mundial do Professor.  A data foi criada pela Unesco em 1994 com o objetivo de chamar atenção para o papel fundamental que os professores têm na sociedade e na instrução da população.

Por ocasião, os dirigentes divulgaram uma espécie de carta aberta a todos os professores do mundo, com o objetivo de ratificar a importância do magistério e prestar uma singela e valiosa homenagem. A revistapontocom aproveita e também parabeniza cada um dos professores de cada canto do planeta e, em especial, do nosso país. Parabéns!

Eis o documento divulgado:

Liberdade para ensinar, empoderar os professores

Os professores são um fundamento essencial da força de longo prazo de todas as sociedades – fornecer a crianças, jovens e adultos o conhecimento e as habilidades que necessitam para realizar seu potencial.

Porém, em todo o mundo, muitos professores não têm a liberdade e o apoio de que precisam para desempenhar seu trabalho de vital importância. É por isso que o tema do Dia Mundial dos Professores deste ano – “Liberdade para ensinar, empoderar os professores” – reafirma o valor de professores com autonomia e reconhece os desafios que muitos enfrentam em sua vida profissional em todo o mundo.

Ser um professor empoderado significa ter acesso a uma formação de alta qualidade, salários justos e oportunidades contínuas para o desenvolvimento profissional. Também significa ter liberdade para apoiar o desenvolvimento dos currículos nacionais – e autonomia profissional para escolher as abordagens e os métodos mais apropriados e que possibilitem uma educação mais efetiva, inclusiva e igualitária. Além disso, significa ser capaz de ensinar em segurança, em tempos de mudanças políticas, instabilidades e conflitos.

No entanto, em muitos países, a liberdade acadêmica e a autonomia docente se encontram sob pressão. Por exemplo, nos níveis primário e secundário de alguns países, sistemas rigorosos de responsabilização colocam uma enorme pressão para que as escolas entreguem resultados em testes padronizados, ignorando a imprescindibilidade de se garantir um currículo de base ampla que satisfaça as diferentes necessidades dos estudantes.

A liberdade acadêmica é fundamental para os professores de todos os níveis educacionais, mas é especialmente essencial para os professores do ensino superior, para apoiar suas habilidades de inovar, explorar e atualizar-se quanto às mais recentes pesquisas pedagógicas. Na educação superior, com frequência, os professores são empregados com contratos temporários de forma contingencial. Isso, por sua vez, pode resultar em mais insegurança e carga de trabalho, assim como menores salários e perspectivas profissionais – fatores que podem restringir a liberdade acadêmica e enfraquecer a qualidade da educação que os professores podem oferecer.

Em todos os níveis educacionais, as pressões políticas e os interesses comerciais podem limitar a capacidade dos professores de ensinar com liberdade. Frequentemente, professores que vivem e trabalham em comunidades e países afetados por conflitos e instabilidades enfrentam desafios ainda maiores, incluindo intolerância e discriminação crescentes, assim como restrições relacionadas ao ensino e à pesquisa.

Este ano marca o 20º aniversário da Recomendação de 1997 da UNESCO relativa ao Estatuto do Pessoal do Ensino Superior, que complementa a Recomendação da OIT/UNESCO de 1966 relativa ao Estatuto dos Professores. Juntos, esses instrumentos constituem o principal marco legal de referência para tratar dos direitos e das responsabilidades dos professores e dos educadores. As duas recomendações enfatizam a importância da autonomia docente e da liberdade acadêmica para a construção de um mundo no qual a educação e a aprendizagem sejam realmente universais.

Enquanto o mundo trabalha em conjunto para realizar a visão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nós chamamos nossos parceiros, nos governos e nos setores educacional e privado, para que se comprometam com a construção de uma força de trabalho educacional altamente qualificada, valorizada e empoderada. Isso constitui um caminho fundamental para o alcance do ODS 4, que prevê um mundo no qual todos – meninas, meninos, mulheres e homens – tenham acesso a uma educação de qualidade e a oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.

Isso significa assegurar condições de trabalho dignas e salários justos para todos os professores, inclusive os de nível superior. Significa oferecer aos professores formação e desenvolvimento. Significa aumentar a quantidade de professores qualificados, em especial nos países com altas taxas de pessoal docente sem qualificação. Significa retirar restrições desnecessárias ao ensino e à pesquisa, assim como defender a liberdade acadêmica em todos os níveis educacionais. Finalmente, significa elevar o status dos professores em todo o mundo, de uma maneira que honre e reflita o impacto que eles têm na força das sociedades.

Neste Dia Mundial dos Professores, junte-se a nós no empoderamento dos professores, para que eles tenham liberdade para ensinar e para que, por sua vez, todas as crianças e todos os adultos sejam livres para aprender – em benefício de um mundo melhor.

Programa para bebês

Por Luanna Tavares

A proposta é ousada: promover uma atividade lúdica e interessante para pais e seus bebês. Esta é a proposta do grupo Conexão do Bem, que está em cartaz até o dia 28 de outubro, no Museu das Telecomuncações, Oi Futuro – Flamengo, Zona Sul do Rio. Unindo teatro e música através de jogos e cenas teatrais, a trupe recebe bebês de 6 meses a 2 anos para uma visita guiada pelo museu. A experiência lúdica e interativa abrange música, histórias e atividades de psicomotricidade. Gostou? Basta se inscrever. E o que é melhor:  gratuitamente pelo e-mail programaeducativo.oifuturo@gmail.com.

A revistapontocom conversou com o Conexão do Bem, com André Dale e Laura de Araújo, produtores e atores do Conexão do Bem.

revistapontocom – Qual é o desafio deste novo trabalho?
André Dale e Laura Araújo – O trabalho no Oi Futuro é um desafio diferente de todos os que já vivemos. Toda a trajetória do Conexão do Bem, seja em hospitais, empresas ou eventos, é sempre motivada pela adrenalina dos desafios porque lidamos diretamente com as pessoas, olhando no olho no público, e isso gera um ambiente onde não se sabe o que pode acontecer. Essa sensação fantástica do abismo cênico é absolutamente presente no novo trabalho, porque fazemos teatro incluindo as crianças e bebês como se eles fossem atores da história, onde eles participam de forma totalmente ativa. Mas, além disso, nos deparamos também com desafios completamente diferentes já que existe outra magia em estar dentro de um museu, resignificando os objetos e suavizando com arte a missão de educar e refletir sobre o nosso passado ao lado das crianças.

revistapontocom – Como é apresentar um espetáculo para espectadores tão pequenos?
André Dale e Laura Araújo –  É fantástico. Se as crianças mais velhas já são espontâneas, os bebês mais ainda. O teatro e a música precisam estar ininterruptamente amparados por toda a nossa entrega como artistas. Se deixarmos de estar inteiros por um segundo, eles encontram outros estímulos mais envolventes e abandonam a história. Para nós é muito rico trabalhar com esses seres ‘humaninhos’ que percebem o mundo de uma forma tão diferente da nossa, mas que se conectam conosco através do lúdico e da musicalidade de corpo e alma.

revistapontocom – Qual é a importância de bebês lidarem com a arte desde cedo?
André Dale e Laura Araújo – É essencial que a arte seja vista como ferramenta pedagógica para as crianças. É o campo ideal para que elas possam experimentar o mundo de forma envolvente e agradável. A pedagogia ganha força quando é verdadeiramente envolvente e sensorial. Se desde cedo as pessoas são estimuladas pela música, pelo teatro e por qualquer outro veículo poético, elas crescem tendo uma relação profunda e íntima com a própria subjetividade. Adultos que não têm clareza sobre a própria subjetividade correm sérios riscos de passarem a vida condicionados a padrões e verdades impostos, que não lhe dizem respeito. A arte nos estimula a perceber que o mundo é plural e cheio de possibilidades, passamos a reconhecer e valorizar nossa autoexpressão no mundo e a do outro e essa percepção nos ensina a viver não só aceitando, mas celebrando as diferenças.

revistapontocom – A visita guiada acontece dentro do Museu das Telecomunicações. Como funciona?
André Dale e Laura Araújo – A visita dos bebês é acompanhada pelos pais durante todo o processo e os jogos são propostos incluindo-os o para que seja divertido para toda a família, através de muita música. A ideia é facilitar uma experiência do espaço, dos sons e, principalmente, da relação entre o bebê e seu acompanhante, seja ele sua mãe, pai ou avó. A visita com as crianças mais velhas é diferente. Quando elas chegam não sabem ainda que entraram numa peça de teatro ambulante, são normalmente recebidas por um arte-educador que os conduz até a porta do museu onde se deparam com uma carta misteriosa convidando a uma aventura. As portas só se abrem quando as crianças concordam em mergulhar nessa investigação teatral. Já dentro do museu, são convidadas a participar de uma história que acontece em outra dimensão onde os objetos antigos do planeta Terra estão armazenados. Quando as crianças menos esperam estamos, atores e público, fazendo jogos corporais e lúdicos enquanto refletimos juntos sobre o nosso passado e o futuro que desejamos criar.

Sementes do Xingu

A Rede de Sementes do Xingu (Mato Grosso – Cerrado e Amazônia) conquistou o primeiro lugar no Desafio Ambiental: inovação e empreendedorismo em restauração florestal, promovido pelo WWF, recebendo um incentivo de R$ 5.000. A Rede é uma articulação que produz sementes nativas para o processo de restauração ecológica nas cabeceiras do Xingu através da inclusão socioeducativa e cultural de povos indígenas e agricultores familiares. Ela busca apoio para aprimorar o plano de negócios e a preparação para crescer e disseminar a iniciativa em vários territórios, além da formação em gestão de negócios de impacto na Amazônia.

Com dez anos de existência, a Rede, ao todo, já viabilizou a recuperação de mais de 5 mil hectares de áreas degradadas, utilizando 75 toneladas de sementes nativas, coletadas e beneficiadas por 450 coletores.

“É um reconhecimento muito importante para a Rede. Reconhecimento do trabalho que faz a diferença, valoriza a floresta e gera recursos para as comunidades locais no Xingu e Araguaia. Além disso, o prêmio abre um leque de novas possibilidades, novos mercados e novas parcerias institucionais”, disse Bruna Dayanna, diretora da Associação, ao site do WWF-Brasil.

O segundo lugar ficou com a iniciativa do Instituo Auá de Empreendedorismo Socioambiental (São Paulo – Mata Atlântica) que recebeu R$ 3.000. E o projeto escolhido pelo júri popular, com 755 votos válidos, foi o Zoneamento Climático (Minas Gerais – múltiplos biomas).

A finalidade do Desafio era reconhecer organizações, grupos, comunidades e startups que estão atuando no campo da restauração, promover colaboração entre iniciativas, gerando uma onda de impacto positivo, além de apoiar e impulsionar o desenvolvimento e o impacto de projetos existentes e de inovações, ferramentas e modelos sustentáveis.

Ópera infantil

Na semana do Dia das Crianças, que tal levar a garotada para uma ópera infantil? Pais, professores e responsáveis fiquem atentos: entre os dias 10 e 14 de outubro, a UFRJ apresenta a ópera “O Menino Maluquinho”. Serão cinco apresentações: duas exclusivas para alunos de escolas públicas e particulares e três abertas ao público.
A peça faz parte do projeto “A Escola Vai à Ópera”, que já recebeu mais de dez mil alunos da rede pública e particular de ensino no Salão Leopoldo Miguez. A iniciativa da Escola de Música possibilita a crianças, jovens e adultos de todas as classes sociais a oportunidade de conhecer e se emocionar com a riqueza artística do espetáculo.

Com direção cênica de José Henrique Moreira e regência de Ernani Aguiar e Kaique Stumpf, a montagem é inspirada na obra de Ziraldo, sucesso editorial que já vendeu mais de 3 milhões de exemplares e foi traduzido para vários idiomas. Os personagens ganham vida com um elenco formado por 10 cantores do Coral Brasil Ensemble (adulto), 50 crianças do Coral Infantil da UFRJ, com as músicas do compositor Calimério Soares e libreto de Nilson Nunes.

A peça foi escrita originalmente em inglês com o título “Crazy Boy”. A recente versão é cantada em português, em um ato dividido em dez cenas. O personagem Menino Maluquinho é conhecido por suas travessuras e pela panela na cabeça. Ele é esperto, amigo e lidera sua turma em muitas brincadeiras e confusão no palco.
Com duração de 50 minutos e entrada franca, as escolas interessadas deverão se inscrever através do email: aescolavaiaopera@gmail.com. As récitas para os colégios serão nos dias 10 e 11 de outubro, às 14h30. Já as récitas abertas ao público acontecerão nos dias 10 de outubro, às 18h30, 12 e 14 de outubro, às 16h. Informações pelo telefone (21) 2240-1441

Audiovisual: preservação

Áudios e vídeos em seus diversos formatos contam a história dos últimos quase dois séculos em todo o mundo. No entanto, a salvaguarda e a preservação desses materiais ainda são um desafio. Com o objetivo de contribuir para o debate sobre a melhor forma de preservar arquivos audiovisuais e consequentemente promover o acesso a esses materiais, o Programa Memória do Mundo da Unesco acaba de publicar o livro Arquivística audiovisual: filosofia e princípios. A versão em português da publicação foi lançada durante o I Seminário O Programa Memória do Mundo da Unesco e o Patrimônio Documental Brasileiro, que aconteceu na Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG), nos dias 3 e 4 de outubro.

Acesse o livro na íntegra

O coordenador de Comunicação e Informação da Unesco no Brasil, Adauto Soares, acredita que “a tradução do livro, Arquivística audiovisual: filosofia e princípios, irá fornecer aos países lusófonos, um guia de boas práticas sobre preservação audiovisual que traz experiências de instituições que detém arquivos de áudio e vídeo em todo o mundo, em busca de formas eficazes de arquivar e fornecer acesso a esses documentos”.

Para o autor do livro, Ray Edmondson, que esteve presente no Seminário, a preservação e o futuro acesso dos diversos formatos de arquivos audiovisuais irão ajudar a contar nossa história. Por isso, a arquivística audiovisual é tão importante.  Para ele a preservação deve ter o objetivo de garantir o acesso futuro aos documentos. Edmondson explica que o assunto ainda está em evolução e que a publicação “documenta como está a situação, mais do que inventa ou impõe teorias ou construções por analogia com outras profissões de memória. Procura ser mais descritivo do que prescritivo”.

A arquivística audiovisual é uma área amplamente reconhecida entre as instituições de memória, indústrias e universidades, e apresenta uma gama de políticas de governança para o desenvolvimento de coleções, sua preservação e acesso a elas. Entretanto, o volume crescente de documentos audiovisuais e a rápida obsolescência das tecnologias utilizadas para criá-los são fatores que impõem desafios imensos para os arquivos e os arquivistas de coleções audiovisuais. Esta publicação trata desses desafios e examina as questões levantadas pela migração de imagens e sons do analógico para o digital, além de conceitos mais amplos de preservação e acesso.

 

Festival de Berlim

As inscrições para a 68ª edição do Festival Internacional de Berlim, na Alemanha, já estão abertas. O festival, um dos mais tradicionais eventos cinematográficos do mundo, recebe inscrições de longas-metragens até o dia 1º de novembro e de curtas até o dia 15 de novembro. O evento vai acontecer na capital alemã entre os dias 15 e 25 de fevereiro de 2018.

Os amantes do cinema deverão preencher um cadastro prévio no site oficial do evento (www.berlinale.de/en/HomePage.html), além de efetuar o pagamento da taxa de inscrição. Para longas o valor é de 150 euros e para curtas-metragens é de 60 euros. Uma cópia física da obra em DVD, Blu-Ray ou DCP, por via postal; ou uma cópia digital, por meio de upload, para um link fornecido após o final da inscrição, também devem ser enviados.

A exigência é que os filmes tenham sido concluídos a partir de fevereiro de 2017 e a prioridade será dada para produções inéditas. Filmes brasileiros podem ser inscritos na Competição Internacional, nas seções Panorama, Fórum e Geração, e na Competição de Curtas-Metragens, cada uma com regulamento específico.
Os cinéfilos têm outra opção. A 40ª edição do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, que acontece na França entre os dias 2 e 10 de fevereiro do próximo ano, também estão com inscrições abertas e gratuitas. Os interessados têm até o dia 10 de outubro para registrar suas obras de ficção, animação, documentário e experimentais, com até 40 minutos de duração finalizadas em 2017.

Filmes brasileiros podem participar da Competição Internacional e da Competição Lab, dedicada a obras com caráter inovador e experimental. As produções inscritas devem ter, no máximo, 40 minutos de duração. A lista das produções selecionadas será divulgada no site do festival até o dia 5 de dezembro.

Conversa franca, em Coelho Neto

Por Fernanda Fernandes
Do Portal da Multirio

Depois de observar o número crescente de alunas grávidas na E.M. Coelho Neto (6ª CRE), em Ricardo de Albuquerque, a professora Márcia Freire não teve dúvidas: era preciso ouvir, informar e orientar as meninas. Foi, então, que ela propôs à Direção da escola a disciplina eletiva Conversa Franca, voltada apenas para meninas do 8º e 9º anos – o que foi aceito prontamente.

A eletiva é semestral e já está em seu quarto ano. Os encontros acontecem uma vez por semana, no contraturno, e abordam temas como drogas – destaque para o álcool e o ecstasy, os mais comuns nos relatos –, racismo, empoderamento feminino, métodos contraceptivos, transtornos alimentares, homossexualidade, entre outros. “Começamos pela gravidez, mas abriu-se um leque enorme de assuntos. Elas escolhem sobre o que querem falar e, às vezes, ficamos duas ou três semanas no mesmo tema”, explica Márcia, que é professora da Sala de Recursos.

A turma é formada por cerca de 30 alunas, que se inscrevem no início do semestre. Então, a professora envia um documento sobre o que será abordado e solicita a autorização dos pais das alunas interessadas. “Montamos uma rede com o Programa Saúde na Escola (PSE Carioca), a Clínica da Família, o Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas (Proinape), mas precisamos do apoio e da participação da família”, reforça Márcia.

A professora conta que, normalmente, escuta mais do que fala. “Todo mundo quer ter alguém com quem se abrir, não ser apontado ou julgado pelo que fez e ter um auxílio. Juntas, formamos uma rede: o que eu falo elas podem falar para todos. Mas o que elas contam não pode sair daqui, senão vira fofoca. Tem dado muito certo e até os meninos ficam curiosos para saber o que se passa na sala.”

Segundo Márcia, os relatos são os mais variados. “Já tivemos depoimentos de meninas que sofreram abuso sexual, inclusive em casa, do pai. A automutilação é muito frequente, e até já perdemos uma aluna, que acabou se suicidando, no primeiro ano da eletiva. Além dos casos de violência, namorados que foram presos, colegas mortos em conflitos…”, diz a professora, ao ressaltar que a maior parte dos alunos da escola vive no Complexo do Chapadão. “Os responsáveis matriculam as crianças aqui porque essa escola é mais distante da comunidade. Então, é menor o risco de eles perderem aulas.”

Depois que os casos são expostos, a professora parte para uma conversa individual. “Pergunto com quem da família poderíamos falar sobre o ocorrido, para que elas não se sintam sozinhas em casa. Busco conscientizá-las e orientar sobre onde buscar ajuda e informações.”

Em sala, Márcia também organiza sessões de cinema seguidas de debate, propõe encenações teatrais e estimula que as alunas escrevam sobre o que estão sentindo. “Elas passam a se expressar melhor. Durante as aulas, descobrimos talentos, tanto no teatro como na poesia. Muitas integrantes do grupo de poesia da escola saíram daqui, inclusive. Também incentivo que escrevam diários e, caso queiram, me mostrem. Assim, consigo trabalhar até o texto.”

Outra prática adotada é a proposição de dinâmicas. “Uma vez, pedi que as meninas, durante um dia, cuidassem de um ovo, sem esquecê-lo, deixá-lo quebrar ou abandoná-lo. No final, uma esqueceu no banheiro, a outra deixou cair no chão e, a partir disso, eu perguntei: será que vocês estão preparadas para ter filhos? É isso que vocês querem?”, relembra.

Na visão das alunas, a eletiva é também uma oportunidade de trocar confidências. “Já aprendi muito sobre gravidez, a aula é muito boa, ensina coisas sobre o adolescente. E é mais legal ser só com meninas porque posso desabafar tudo o que eu quiser!”, conta Kellen Gonçalves, 13, aluna do 8º ano.

“É um diálogo entre meninas, conseguimos nos identificar umas com as outras e tudo o que falamos aqui fica aqui. Estamos expondo nossa vida, né? Quando tenho um problema, não consigo guardar para mim. Então, quando venho para cá, é a minha chance de desabafar. E as pessoas me dão conselhos. Tem gente que a mãe não orienta, mas aqui temos conversas para nos orientar”, comenta Janaína Cunha, 14, do 9º ano.

Em dois momentos no semestre, cerca de dez rapazes são convidados a participar de uma aula. “Elas escolhem os meninos que querem chamar e contam a eles como se sentem diante de várias situações. Eles, claro, têm o direito de resposta. As queixas são as mais variadas. Elas reclamam que eles são ‘galinhas’, eles dão a entender que elas são interesseiras e só querem voltar do baile com quem tem moto…”, exemplifica Márcia.

O sucesso da eletiva é tão grande que, ao final do semestre, ninguém quer sair da turma. “Tem até fila de espera para participar da eletiva!”, conta a professora, que até hoje participa de um grupo no WhatsApp com as alunas da primeira turma formada.

Outras escolas da região também se mostraram interessadas em replicar a ideia, criando eletivas similares, voltadas apenas para meninas e também para grupos mistos.

Clubinho de leitura: participe

Por Luanna Tavares

Acontece neste sábado, dia 14 de outubro, a primeira edição do Clubinho de Leitura, no Observatório do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, Centro do Rio. O primeiro encontro vai abordar o seguinte tema: medo, tendo como base a leitura do livro “A princesinha Medrosa”, de Odilon Moraes. O objetivo é estimular a reflexão sobre atitudes geradas a partir do medo e seus impactos, utilizando abordagens acessíveis para crianças a partir de 7 anos.

Quem se interessou pode fazer as inscrições, gratuitas, através do e-mail noz@museudoamanha.org.br. O evento é aberto para pais, responsáveis e suas crianças. É importante colocar no corpo do e-mail o nome e idade da criança, assim como o nome e telefone do responsável.

O Clubinho da Leitura é uma parceria entre o NOZ (Programa de Amigos do Museu do Amanhã), a Livraria da Travessa e a Equipe de Educação do Museu do Amanhã, que visa estimular os participantes a discutirem mais a fundo alguns dos temas presentes na programação do Museu. Para saber mais sobre a proposta, a revistapontocom conversou com a Gerente de Educação do Museu do Amanhã, Melina Almada. Confira a entrevista.

revistapontocom – De onde surgiu a ideia de criar um Clube da Leitura dentro do Museu do Amanhã?
Melina Almada – O Clube de Leitura surge a partir da troca de ideias e desenvolvimento de projetos entre as gerências de Educação e Engajamento de Públicos do Museu do Amanhã. Entre eles, a parceria do NOZ Amigos do Amanhã com a Livraria da Travessa. Mas mais do que isso, a ideia surge do desejo de reforçarmos espaços de reflexão coletivos sobre os temas que se relacionam com o Museu. É uma oportunidade de escutar mais diretamente o público e suas percepções. O Clube de Leitura é um espaço horizontal e aberto para o debate de ideias e percepções, fomentar a livre proposição de ideias e constituirmos um amanhã mais diverso e plural.

revistapontocom – O que as crianças podem esperar desse primeiro encontro?
Melina Almada – O primeiro Clubinho é especial! Integrado com várias contações de histórias que têm o medo como temática, vamos conhecer, brincar e conversar sobre os medos da Princesinha Medrosa com atividades lúdicas (e alguns sustos!) que conversam com todos os públicos.

revistapontocom – Por que o medo foi o tema escolhido para a primeira edição?
Melina Almada – O medo é uma força motivadora da ação humana. Ele pode nos proteger de vários perigos, mas pode também gerar atitudes intolerantes e autoritárias. Falar sobre o medo é algo pouco incentivado e os medos acabam muitas vezes ficando engavetados, causando reações violentas encadeadas. Falar sobre medo é fundamental para atuar de forma alinhada com os eixos éticos do Museu do Amanhã, em prol da equidade, do respeito e de escolhas cada vez mais sustentáveis e tolerantes no mundo.

Nova animação

Em novembro estreia “Mundo Ripilica: As Aventuras de Lilica, a coala” na grade do Discovery Kids e também no Youtube Kids. A série, que será lançado no dia 10 de outubro para a imprensa e formadores de opinião, é realizada pela Marisol S.A. A animação conta com uma equipe de currículo de qualidade inquestionável: Beth Carmona, da Singular Mídia & Conteúdo, além de fazer parte da equipe de criação é a produtora executiva da série. Ela já foi diretora de programação da TV Cultura, do DKids America Latina e Disney Brasil, e esteve envolvida em produções como “Castelo Rá-tim-bum”, “Mundo da Lua” e “Um Menino Muito Maluquinho”. Vanessa Fort, autora, roteirista e produtora criativa de projetos infantojuvenis para canais de televisão, soma a equipe criativa ao lado de Bruno Bask e Eduardo Nakamura, que já tiveram ilustrações e animações destacadas e premiadas , sempre realizadas pela Mono Estúdios de Animação.

Integram também a equipe o cineasta de animação, Humberto Avelar, como diretor geral da série. Helio Ziskind, que entre diversos trabalhos também é o criador da trilha sonora do “Cocoricó”, também faz parte do time, ao lado da Ultrassom, que desenvolveu toda a parte musical, vozes e trilha, sob a direção do Ruben Feffer. A produtora é conhecida, entre outros trabalhos, por ter desenvolvido a parte musical do longa “O Menino e o Mundo”, que representou o Brasil no Oscar 2016, na categoria animação.

Na animação, a coala Lilica ganha vida na companhia de Donna – sua amiga inseparável – e juntas viverão aventuras, tendo a amizade sempre como tema central. Todas as brincadeiras, desejos e sonhos infantis permeiam a série, que nesta primeira temporada conta com 10 episódios, de sete minutos cada, além de clipes musicais.

Além da exibição no Discovery Kids e no Youtube Kids, o “Mundo Ripilica: As aventuras de Lilica, a coala” também contará com hotsite (mundoripilica.com), além dos perfis nas redes sociais.