Parabéns, professor(a)!

Comemora-se o Dia do Professor no próximo dia 15. Mas você sabia que há uma data anterior que também homenageia todos os mestres. É o dia 5 de outubro, Dia Mundial do Professor.  A data foi criada pela Unesco em 1994 com o objetivo de chamar atenção para o papel fundamental que os professores têm na sociedade e na instrução da população.

Por ocasião, os dirigentes divulgaram uma espécie de carta aberta a todos os professores do mundo, com o objetivo de ratificar a importância do magistério e prestar uma singela e valiosa homenagem. A revistapontocom aproveita e também parabeniza cada um dos professores de cada canto do planeta e, em especial, do nosso país. Parabéns!

Eis o documento divulgado:

Liberdade para ensinar, empoderar os professores

Os professores são um fundamento essencial da força de longo prazo de todas as sociedades – fornecer a crianças, jovens e adultos o conhecimento e as habilidades que necessitam para realizar seu potencial.

Porém, em todo o mundo, muitos professores não têm a liberdade e o apoio de que precisam para desempenhar seu trabalho de vital importância. É por isso que o tema do Dia Mundial dos Professores deste ano – “Liberdade para ensinar, empoderar os professores” – reafirma o valor de professores com autonomia e reconhece os desafios que muitos enfrentam em sua vida profissional em todo o mundo.

Ser um professor empoderado significa ter acesso a uma formação de alta qualidade, salários justos e oportunidades contínuas para o desenvolvimento profissional. Também significa ter liberdade para apoiar o desenvolvimento dos currículos nacionais – e autonomia profissional para escolher as abordagens e os métodos mais apropriados e que possibilitem uma educação mais efetiva, inclusiva e igualitária. Além disso, significa ser capaz de ensinar em segurança, em tempos de mudanças políticas, instabilidades e conflitos.

No entanto, em muitos países, a liberdade acadêmica e a autonomia docente se encontram sob pressão. Por exemplo, nos níveis primário e secundário de alguns países, sistemas rigorosos de responsabilização colocam uma enorme pressão para que as escolas entreguem resultados em testes padronizados, ignorando a imprescindibilidade de se garantir um currículo de base ampla que satisfaça as diferentes necessidades dos estudantes.

A liberdade acadêmica é fundamental para os professores de todos os níveis educacionais, mas é especialmente essencial para os professores do ensino superior, para apoiar suas habilidades de inovar, explorar e atualizar-se quanto às mais recentes pesquisas pedagógicas. Na educação superior, com frequência, os professores são empregados com contratos temporários de forma contingencial. Isso, por sua vez, pode resultar em mais insegurança e carga de trabalho, assim como menores salários e perspectivas profissionais – fatores que podem restringir a liberdade acadêmica e enfraquecer a qualidade da educação que os professores podem oferecer.

Em todos os níveis educacionais, as pressões políticas e os interesses comerciais podem limitar a capacidade dos professores de ensinar com liberdade. Frequentemente, professores que vivem e trabalham em comunidades e países afetados por conflitos e instabilidades enfrentam desafios ainda maiores, incluindo intolerância e discriminação crescentes, assim como restrições relacionadas ao ensino e à pesquisa.

Este ano marca o 20º aniversário da Recomendação de 1997 da UNESCO relativa ao Estatuto do Pessoal do Ensino Superior, que complementa a Recomendação da OIT/UNESCO de 1966 relativa ao Estatuto dos Professores. Juntos, esses instrumentos constituem o principal marco legal de referência para tratar dos direitos e das responsabilidades dos professores e dos educadores. As duas recomendações enfatizam a importância da autonomia docente e da liberdade acadêmica para a construção de um mundo no qual a educação e a aprendizagem sejam realmente universais.

Enquanto o mundo trabalha em conjunto para realizar a visão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nós chamamos nossos parceiros, nos governos e nos setores educacional e privado, para que se comprometam com a construção de uma força de trabalho educacional altamente qualificada, valorizada e empoderada. Isso constitui um caminho fundamental para o alcance do ODS 4, que prevê um mundo no qual todos – meninas, meninos, mulheres e homens – tenham acesso a uma educação de qualidade e a oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.

Isso significa assegurar condições de trabalho dignas e salários justos para todos os professores, inclusive os de nível superior. Significa oferecer aos professores formação e desenvolvimento. Significa aumentar a quantidade de professores qualificados, em especial nos países com altas taxas de pessoal docente sem qualificação. Significa retirar restrições desnecessárias ao ensino e à pesquisa, assim como defender a liberdade acadêmica em todos os níveis educacionais. Finalmente, significa elevar o status dos professores em todo o mundo, de uma maneira que honre e reflita o impacto que eles têm na força das sociedades.

Neste Dia Mundial dos Professores, junte-se a nós no empoderamento dos professores, para que eles tenham liberdade para ensinar e para que, por sua vez, todas as crianças e todos os adultos sejam livres para aprender – em benefício de um mundo melhor.

Programa para bebês

Por Luanna Tavares

A proposta é ousada: promover uma atividade lúdica e interessante para pais e seus bebês. Esta é a proposta do grupo Conexão do Bem, que está em cartaz até o dia 28 de outubro, no Museu das Telecomuncações, Oi Futuro – Flamengo, Zona Sul do Rio. Unindo teatro e música através de jogos e cenas teatrais, a trupe recebe bebês de 6 meses a 2 anos para uma visita guiada pelo museu. A experiência lúdica e interativa abrange música, histórias e atividades de psicomotricidade. Gostou? Basta se inscrever. E o que é melhor:  gratuitamente pelo e-mail programaeducativo.oifuturo@gmail.com.

A revistapontocom conversou com o Conexão do Bem, com André Dale e Laura de Araújo, produtores e atores do Conexão do Bem.

revistapontocom – Qual é o desafio deste novo trabalho?
André Dale e Laura Araújo – O trabalho no Oi Futuro é um desafio diferente de todos os que já vivemos. Toda a trajetória do Conexão do Bem, seja em hospitais, empresas ou eventos, é sempre motivada pela adrenalina dos desafios porque lidamos diretamente com as pessoas, olhando no olho no público, e isso gera um ambiente onde não se sabe o que pode acontecer. Essa sensação fantástica do abismo cênico é absolutamente presente no novo trabalho, porque fazemos teatro incluindo as crianças e bebês como se eles fossem atores da história, onde eles participam de forma totalmente ativa. Mas, além disso, nos deparamos também com desafios completamente diferentes já que existe outra magia em estar dentro de um museu, resignificando os objetos e suavizando com arte a missão de educar e refletir sobre o nosso passado ao lado das crianças.

revistapontocom – Como é apresentar um espetáculo para espectadores tão pequenos?
André Dale e Laura Araújo –  É fantástico. Se as crianças mais velhas já são espontâneas, os bebês mais ainda. O teatro e a música precisam estar ininterruptamente amparados por toda a nossa entrega como artistas. Se deixarmos de estar inteiros por um segundo, eles encontram outros estímulos mais envolventes e abandonam a história. Para nós é muito rico trabalhar com esses seres ‘humaninhos’ que percebem o mundo de uma forma tão diferente da nossa, mas que se conectam conosco através do lúdico e da musicalidade de corpo e alma.

revistapontocom – Qual é a importância de bebês lidarem com a arte desde cedo?
André Dale e Laura Araújo – É essencial que a arte seja vista como ferramenta pedagógica para as crianças. É o campo ideal para que elas possam experimentar o mundo de forma envolvente e agradável. A pedagogia ganha força quando é verdadeiramente envolvente e sensorial. Se desde cedo as pessoas são estimuladas pela música, pelo teatro e por qualquer outro veículo poético, elas crescem tendo uma relação profunda e íntima com a própria subjetividade. Adultos que não têm clareza sobre a própria subjetividade correm sérios riscos de passarem a vida condicionados a padrões e verdades impostos, que não lhe dizem respeito. A arte nos estimula a perceber que o mundo é plural e cheio de possibilidades, passamos a reconhecer e valorizar nossa autoexpressão no mundo e a do outro e essa percepção nos ensina a viver não só aceitando, mas celebrando as diferenças.

revistapontocom – A visita guiada acontece dentro do Museu das Telecomunicações. Como funciona?
André Dale e Laura Araújo – A visita dos bebês é acompanhada pelos pais durante todo o processo e os jogos são propostos incluindo-os o para que seja divertido para toda a família, através de muita música. A ideia é facilitar uma experiência do espaço, dos sons e, principalmente, da relação entre o bebê e seu acompanhante, seja ele sua mãe, pai ou avó. A visita com as crianças mais velhas é diferente. Quando elas chegam não sabem ainda que entraram numa peça de teatro ambulante, são normalmente recebidas por um arte-educador que os conduz até a porta do museu onde se deparam com uma carta misteriosa convidando a uma aventura. As portas só se abrem quando as crianças concordam em mergulhar nessa investigação teatral. Já dentro do museu, são convidadas a participar de uma história que acontece em outra dimensão onde os objetos antigos do planeta Terra estão armazenados. Quando as crianças menos esperam estamos, atores e público, fazendo jogos corporais e lúdicos enquanto refletimos juntos sobre o nosso passado e o futuro que desejamos criar.

Sementes do Xingu

A Rede de Sementes do Xingu (Mato Grosso – Cerrado e Amazônia) conquistou o primeiro lugar no Desafio Ambiental: inovação e empreendedorismo em restauração florestal, promovido pelo WWF, recebendo um incentivo de R$ 5.000. A Rede é uma articulação que produz sementes nativas para o processo de restauração ecológica nas cabeceiras do Xingu através da inclusão socioeducativa e cultural de povos indígenas e agricultores familiares. Ela busca apoio para aprimorar o plano de negócios e a preparação para crescer e disseminar a iniciativa em vários territórios, além da formação em gestão de negócios de impacto na Amazônia.

Com dez anos de existência, a Rede, ao todo, já viabilizou a recuperação de mais de 5 mil hectares de áreas degradadas, utilizando 75 toneladas de sementes nativas, coletadas e beneficiadas por 450 coletores.

“É um reconhecimento muito importante para a Rede. Reconhecimento do trabalho que faz a diferença, valoriza a floresta e gera recursos para as comunidades locais no Xingu e Araguaia. Além disso, o prêmio abre um leque de novas possibilidades, novos mercados e novas parcerias institucionais”, disse Bruna Dayanna, diretora da Associação, ao site do WWF-Brasil.

O segundo lugar ficou com a iniciativa do Instituo Auá de Empreendedorismo Socioambiental (São Paulo – Mata Atlântica) que recebeu R$ 3.000. E o projeto escolhido pelo júri popular, com 755 votos válidos, foi o Zoneamento Climático (Minas Gerais – múltiplos biomas).

A finalidade do Desafio era reconhecer organizações, grupos, comunidades e startups que estão atuando no campo da restauração, promover colaboração entre iniciativas, gerando uma onda de impacto positivo, além de apoiar e impulsionar o desenvolvimento e o impacto de projetos existentes e de inovações, ferramentas e modelos sustentáveis.

Ópera infantil

Na semana do Dia das Crianças, que tal levar a garotada para uma ópera infantil? Pais, professores e responsáveis fiquem atentos: entre os dias 10 e 14 de outubro, a UFRJ apresenta a ópera “O Menino Maluquinho”. Serão cinco apresentações: duas exclusivas para alunos de escolas públicas e particulares e três abertas ao público.
A peça faz parte do projeto “A Escola Vai à Ópera”, que já recebeu mais de dez mil alunos da rede pública e particular de ensino no Salão Leopoldo Miguez. A iniciativa da Escola de Música possibilita a crianças, jovens e adultos de todas as classes sociais a oportunidade de conhecer e se emocionar com a riqueza artística do espetáculo.

Com direção cênica de José Henrique Moreira e regência de Ernani Aguiar e Kaique Stumpf, a montagem é inspirada na obra de Ziraldo, sucesso editorial que já vendeu mais de 3 milhões de exemplares e foi traduzido para vários idiomas. Os personagens ganham vida com um elenco formado por 10 cantores do Coral Brasil Ensemble (adulto), 50 crianças do Coral Infantil da UFRJ, com as músicas do compositor Calimério Soares e libreto de Nilson Nunes.

A peça foi escrita originalmente em inglês com o título “Crazy Boy”. A recente versão é cantada em português, em um ato dividido em dez cenas. O personagem Menino Maluquinho é conhecido por suas travessuras e pela panela na cabeça. Ele é esperto, amigo e lidera sua turma em muitas brincadeiras e confusão no palco.
Com duração de 50 minutos e entrada franca, as escolas interessadas deverão se inscrever através do email: aescolavaiaopera@gmail.com. As récitas para os colégios serão nos dias 10 e 11 de outubro, às 14h30. Já as récitas abertas ao público acontecerão nos dias 10 de outubro, às 18h30, 12 e 14 de outubro, às 16h. Informações pelo telefone (21) 2240-1441

Audiovisual: preservação

Áudios e vídeos em seus diversos formatos contam a história dos últimos quase dois séculos em todo o mundo. No entanto, a salvaguarda e a preservação desses materiais ainda são um desafio. Com o objetivo de contribuir para o debate sobre a melhor forma de preservar arquivos audiovisuais e consequentemente promover o acesso a esses materiais, o Programa Memória do Mundo da Unesco acaba de publicar o livro Arquivística audiovisual: filosofia e princípios. A versão em português da publicação foi lançada durante o I Seminário O Programa Memória do Mundo da Unesco e o Patrimônio Documental Brasileiro, que aconteceu na Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG), nos dias 3 e 4 de outubro.

Acesse o livro na íntegra

O coordenador de Comunicação e Informação da Unesco no Brasil, Adauto Soares, acredita que “a tradução do livro, Arquivística audiovisual: filosofia e princípios, irá fornecer aos países lusófonos, um guia de boas práticas sobre preservação audiovisual que traz experiências de instituições que detém arquivos de áudio e vídeo em todo o mundo, em busca de formas eficazes de arquivar e fornecer acesso a esses documentos”.

Para o autor do livro, Ray Edmondson, que esteve presente no Seminário, a preservação e o futuro acesso dos diversos formatos de arquivos audiovisuais irão ajudar a contar nossa história. Por isso, a arquivística audiovisual é tão importante.  Para ele a preservação deve ter o objetivo de garantir o acesso futuro aos documentos. Edmondson explica que o assunto ainda está em evolução e que a publicação “documenta como está a situação, mais do que inventa ou impõe teorias ou construções por analogia com outras profissões de memória. Procura ser mais descritivo do que prescritivo”.

A arquivística audiovisual é uma área amplamente reconhecida entre as instituições de memória, indústrias e universidades, e apresenta uma gama de políticas de governança para o desenvolvimento de coleções, sua preservação e acesso a elas. Entretanto, o volume crescente de documentos audiovisuais e a rápida obsolescência das tecnologias utilizadas para criá-los são fatores que impõem desafios imensos para os arquivos e os arquivistas de coleções audiovisuais. Esta publicação trata desses desafios e examina as questões levantadas pela migração de imagens e sons do analógico para o digital, além de conceitos mais amplos de preservação e acesso.

 

Festival de Berlim

As inscrições para a 68ª edição do Festival Internacional de Berlim, na Alemanha, já estão abertas. O festival, um dos mais tradicionais eventos cinematográficos do mundo, recebe inscrições de longas-metragens até o dia 1º de novembro e de curtas até o dia 15 de novembro. O evento vai acontecer na capital alemã entre os dias 15 e 25 de fevereiro de 2018.

Os amantes do cinema deverão preencher um cadastro prévio no site oficial do evento (www.berlinale.de/en/HomePage.html), além de efetuar o pagamento da taxa de inscrição. Para longas o valor é de 150 euros e para curtas-metragens é de 60 euros. Uma cópia física da obra em DVD, Blu-Ray ou DCP, por via postal; ou uma cópia digital, por meio de upload, para um link fornecido após o final da inscrição, também devem ser enviados.

A exigência é que os filmes tenham sido concluídos a partir de fevereiro de 2017 e a prioridade será dada para produções inéditas. Filmes brasileiros podem ser inscritos na Competição Internacional, nas seções Panorama, Fórum e Geração, e na Competição de Curtas-Metragens, cada uma com regulamento específico.
Os cinéfilos têm outra opção. A 40ª edição do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, que acontece na França entre os dias 2 e 10 de fevereiro do próximo ano, também estão com inscrições abertas e gratuitas. Os interessados têm até o dia 10 de outubro para registrar suas obras de ficção, animação, documentário e experimentais, com até 40 minutos de duração finalizadas em 2017.

Filmes brasileiros podem participar da Competição Internacional e da Competição Lab, dedicada a obras com caráter inovador e experimental. As produções inscritas devem ter, no máximo, 40 minutos de duração. A lista das produções selecionadas será divulgada no site do festival até o dia 5 de dezembro.

Conversa franca, em Coelho Neto

Por Fernanda Fernandes
Do Portal da Multirio

Depois de observar o número crescente de alunas grávidas na E.M. Coelho Neto (6ª CRE), em Ricardo de Albuquerque, a professora Márcia Freire não teve dúvidas: era preciso ouvir, informar e orientar as meninas. Foi, então, que ela propôs à Direção da escola a disciplina eletiva Conversa Franca, voltada apenas para meninas do 8º e 9º anos – o que foi aceito prontamente.

A eletiva é semestral e já está em seu quarto ano. Os encontros acontecem uma vez por semana, no contraturno, e abordam temas como drogas – destaque para o álcool e o ecstasy, os mais comuns nos relatos –, racismo, empoderamento feminino, métodos contraceptivos, transtornos alimentares, homossexualidade, entre outros. “Começamos pela gravidez, mas abriu-se um leque enorme de assuntos. Elas escolhem sobre o que querem falar e, às vezes, ficamos duas ou três semanas no mesmo tema”, explica Márcia, que é professora da Sala de Recursos.

A turma é formada por cerca de 30 alunas, que se inscrevem no início do semestre. Então, a professora envia um documento sobre o que será abordado e solicita a autorização dos pais das alunas interessadas. “Montamos uma rede com o Programa Saúde na Escola (PSE Carioca), a Clínica da Família, o Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas (Proinape), mas precisamos do apoio e da participação da família”, reforça Márcia.

A professora conta que, normalmente, escuta mais do que fala. “Todo mundo quer ter alguém com quem se abrir, não ser apontado ou julgado pelo que fez e ter um auxílio. Juntas, formamos uma rede: o que eu falo elas podem falar para todos. Mas o que elas contam não pode sair daqui, senão vira fofoca. Tem dado muito certo e até os meninos ficam curiosos para saber o que se passa na sala.”

Segundo Márcia, os relatos são os mais variados. “Já tivemos depoimentos de meninas que sofreram abuso sexual, inclusive em casa, do pai. A automutilação é muito frequente, e até já perdemos uma aluna, que acabou se suicidando, no primeiro ano da eletiva. Além dos casos de violência, namorados que foram presos, colegas mortos em conflitos…”, diz a professora, ao ressaltar que a maior parte dos alunos da escola vive no Complexo do Chapadão. “Os responsáveis matriculam as crianças aqui porque essa escola é mais distante da comunidade. Então, é menor o risco de eles perderem aulas.”

Depois que os casos são expostos, a professora parte para uma conversa individual. “Pergunto com quem da família poderíamos falar sobre o ocorrido, para que elas não se sintam sozinhas em casa. Busco conscientizá-las e orientar sobre onde buscar ajuda e informações.”

Em sala, Márcia também organiza sessões de cinema seguidas de debate, propõe encenações teatrais e estimula que as alunas escrevam sobre o que estão sentindo. “Elas passam a se expressar melhor. Durante as aulas, descobrimos talentos, tanto no teatro como na poesia. Muitas integrantes do grupo de poesia da escola saíram daqui, inclusive. Também incentivo que escrevam diários e, caso queiram, me mostrem. Assim, consigo trabalhar até o texto.”

Outra prática adotada é a proposição de dinâmicas. “Uma vez, pedi que as meninas, durante um dia, cuidassem de um ovo, sem esquecê-lo, deixá-lo quebrar ou abandoná-lo. No final, uma esqueceu no banheiro, a outra deixou cair no chão e, a partir disso, eu perguntei: será que vocês estão preparadas para ter filhos? É isso que vocês querem?”, relembra.

Na visão das alunas, a eletiva é também uma oportunidade de trocar confidências. “Já aprendi muito sobre gravidez, a aula é muito boa, ensina coisas sobre o adolescente. E é mais legal ser só com meninas porque posso desabafar tudo o que eu quiser!”, conta Kellen Gonçalves, 13, aluna do 8º ano.

“É um diálogo entre meninas, conseguimos nos identificar umas com as outras e tudo o que falamos aqui fica aqui. Estamos expondo nossa vida, né? Quando tenho um problema, não consigo guardar para mim. Então, quando venho para cá, é a minha chance de desabafar. E as pessoas me dão conselhos. Tem gente que a mãe não orienta, mas aqui temos conversas para nos orientar”, comenta Janaína Cunha, 14, do 9º ano.

Em dois momentos no semestre, cerca de dez rapazes são convidados a participar de uma aula. “Elas escolhem os meninos que querem chamar e contam a eles como se sentem diante de várias situações. Eles, claro, têm o direito de resposta. As queixas são as mais variadas. Elas reclamam que eles são ‘galinhas’, eles dão a entender que elas são interesseiras e só querem voltar do baile com quem tem moto…”, exemplifica Márcia.

O sucesso da eletiva é tão grande que, ao final do semestre, ninguém quer sair da turma. “Tem até fila de espera para participar da eletiva!”, conta a professora, que até hoje participa de um grupo no WhatsApp com as alunas da primeira turma formada.

Outras escolas da região também se mostraram interessadas em replicar a ideia, criando eletivas similares, voltadas apenas para meninas e também para grupos mistos.

Clubinho de leitura: participe

Por Luanna Tavares

Acontece neste sábado, dia 14 de outubro, a primeira edição do Clubinho de Leitura, no Observatório do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, Centro do Rio. O primeiro encontro vai abordar o seguinte tema: medo, tendo como base a leitura do livro “A princesinha Medrosa”, de Odilon Moraes. O objetivo é estimular a reflexão sobre atitudes geradas a partir do medo e seus impactos, utilizando abordagens acessíveis para crianças a partir de 7 anos.

Quem se interessou pode fazer as inscrições, gratuitas, através do e-mail noz@museudoamanha.org.br. O evento é aberto para pais, responsáveis e suas crianças. É importante colocar no corpo do e-mail o nome e idade da criança, assim como o nome e telefone do responsável.

O Clubinho da Leitura é uma parceria entre o NOZ (Programa de Amigos do Museu do Amanhã), a Livraria da Travessa e a Equipe de Educação do Museu do Amanhã, que visa estimular os participantes a discutirem mais a fundo alguns dos temas presentes na programação do Museu. Para saber mais sobre a proposta, a revistapontocom conversou com a Gerente de Educação do Museu do Amanhã, Melina Almada. Confira a entrevista.

revistapontocom – De onde surgiu a ideia de criar um Clube da Leitura dentro do Museu do Amanhã?
Melina Almada – O Clube de Leitura surge a partir da troca de ideias e desenvolvimento de projetos entre as gerências de Educação e Engajamento de Públicos do Museu do Amanhã. Entre eles, a parceria do NOZ Amigos do Amanhã com a Livraria da Travessa. Mas mais do que isso, a ideia surge do desejo de reforçarmos espaços de reflexão coletivos sobre os temas que se relacionam com o Museu. É uma oportunidade de escutar mais diretamente o público e suas percepções. O Clube de Leitura é um espaço horizontal e aberto para o debate de ideias e percepções, fomentar a livre proposição de ideias e constituirmos um amanhã mais diverso e plural.

revistapontocom – O que as crianças podem esperar desse primeiro encontro?
Melina Almada – O primeiro Clubinho é especial! Integrado com várias contações de histórias que têm o medo como temática, vamos conhecer, brincar e conversar sobre os medos da Princesinha Medrosa com atividades lúdicas (e alguns sustos!) que conversam com todos os públicos.

revistapontocom – Por que o medo foi o tema escolhido para a primeira edição?
Melina Almada – O medo é uma força motivadora da ação humana. Ele pode nos proteger de vários perigos, mas pode também gerar atitudes intolerantes e autoritárias. Falar sobre o medo é algo pouco incentivado e os medos acabam muitas vezes ficando engavetados, causando reações violentas encadeadas. Falar sobre medo é fundamental para atuar de forma alinhada com os eixos éticos do Museu do Amanhã, em prol da equidade, do respeito e de escolhas cada vez mais sustentáveis e tolerantes no mundo.

Nova animação

Em novembro estreia “Mundo Ripilica: As Aventuras de Lilica, a coala” na grade do Discovery Kids e também no Youtube Kids. A série, que será lançado no dia 10 de outubro para a imprensa e formadores de opinião, é realizada pela Marisol S.A. A animação conta com uma equipe de currículo de qualidade inquestionável: Beth Carmona, da Singular Mídia & Conteúdo, além de fazer parte da equipe de criação é a produtora executiva da série. Ela já foi diretora de programação da TV Cultura, do DKids America Latina e Disney Brasil, e esteve envolvida em produções como “Castelo Rá-tim-bum”, “Mundo da Lua” e “Um Menino Muito Maluquinho”. Vanessa Fort, autora, roteirista e produtora criativa de projetos infantojuvenis para canais de televisão, soma a equipe criativa ao lado de Bruno Bask e Eduardo Nakamura, que já tiveram ilustrações e animações destacadas e premiadas , sempre realizadas pela Mono Estúdios de Animação.

Integram também a equipe o cineasta de animação, Humberto Avelar, como diretor geral da série. Helio Ziskind, que entre diversos trabalhos também é o criador da trilha sonora do “Cocoricó”, também faz parte do time, ao lado da Ultrassom, que desenvolveu toda a parte musical, vozes e trilha, sob a direção do Ruben Feffer. A produtora é conhecida, entre outros trabalhos, por ter desenvolvido a parte musical do longa “O Menino e o Mundo”, que representou o Brasil no Oscar 2016, na categoria animação.

Na animação, a coala Lilica ganha vida na companhia de Donna – sua amiga inseparável – e juntas viverão aventuras, tendo a amizade sempre como tema central. Todas as brincadeiras, desejos e sonhos infantis permeiam a série, que nesta primeira temporada conta com 10 episódios, de sete minutos cada, além de clipes musicais.

Além da exibição no Discovery Kids e no Youtube Kids, o “Mundo Ripilica: As aventuras de Lilica, a coala” também contará com hotsite (mundoripilica.com), além dos perfis nas redes sociais.