Adolescência saudável

Por Felipe Jannuzzi
Jornalista, editor executivo da Revista Adolescência & Saúde, publicação oficial do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da UERJ.

Hoje somos todos cidadãos digitais. A cada dia, inovações, com novos canais e recursos. As potencialidades de comunicação são enormes. Mas precisamos criar e preservar o uso responsável e apropriado desta tecnologia. Tudo o que colocamos na internet deixa uma pegada, denominada como impressão digital. É como se fosse um rastro associado à sua identidade, que ficará registrado para sempre. Por isso, é aconselhável termos isso sempre em mente. Então, antes de qualquer ação, é imprescindível refletirmos bem sobre as consequências e o respeito envolvendo todos, mas, principalmente, a si mesmo. E, conscientes, materializarmos essa responsabilidade através da utilização de valiosas “peneiras”: O que vou produzir, publicar ou compartilhar é ético? É educativo? É proibido? É prejudicial? É saudável?

Esse cuidado é vital, sobretudo quando se trata de crianças e adolescentes, que ainda não atingiram uma maturidade emocional suficiente para entender peso e consequências da sua exposição na rede social e digital. Hoje falamos muito em uso inapropriado das tecnologias por criança e adolescentes. Mas não podemos culpabilizar nossas crianças e adolescentes por um possível mau uso se não ensinamos a elas – e, sobretudo, vivenciamos – o que consideramos apropriado, saudável e ético. Então, num conceito de ajuda e educação a estas crianças e adolescentes, faz-se imprescindível profissionais de saúde, pais e educadores entenderem quais são as questões relevantes não somente sobre a internet, mas sobre todas as tecnologias. Somente desse modo, poderá haver cultura digital, que é um direito de todos.

Para reflexão nesse campo, conversamos com Evelyn Eisenstein, médica e professora associada de pediatria e clinica de adolescentes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM-UERJ). Membro da Society for Adolescent Health and Medicine (SAHM), e do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Também coordenadora do SIG, Grupo de Interesse Especial em Saúde & Medicina de Crianças e Adolescentes da Rede Universitária de Telemedicina, RUTE, e coordenadora da Rede ESSE Mundo Digital.

BVS Adolec – Hoje, vemos muita incitação à violência, intolerância e desequilíbrios por meio das redes digitais. Informações recentes sobre jogos e séries trouxeram à mídia a questão do suicídio juvenil. Como tudo isso repercute nos adolescentes?
Evelyn Eisenstein – Precisamos analisar as questões que envolvem infância e adolescência de uma forma mais ampla, sempre indo além do aparente. Hoje vemos realmente muita propaganda, marketing e canais com mensagens de incitação ao suicídio juvenil na rede digital. Mas precisamos sair do superficial e refletir mais profundamente. Não somente com relação ao jogo Baleia Azul, por exemplo, muito falado hoje, que já veio, já foi, mas, certamente, daqui a pouco, haverá outro jogo, com novos riscos, novas teias…. Precisamos, primeiro, entender bem o que é a adolescência e como tudo isso está impactando nos adolescentes.

BVS Adolec – E o que é a adolescência?
Evelyn Eisenstein – Antes de falar do tema em si, violência e vulnerabilidades nas redes digitais, acho profundamente necessário falar do adolescente em si, pois ele é o sujeito de direitos. Trabalho com a população de adolescentes. Quem é o adolescente? É um indivíduo em todos os seus direitos, numa fase importante de crescimento, desenvolvimento e maturação – cerebral, mental, emocional, social. O adolescente está dentro desse processo evolutivo. Está numa fase de transformações, a chamada fase da puberdade (aumento de peso, aumento de ganho de massa muscular, desenvolvimento sexual); mas, não podemos esquecer-nos que, paralelamente, também está havendo desenvolvimento mental e emocional. Os chamados fenômenos da puberdade e, nesta fase de intensas transformações, os adolescentes tornam-se um grupo social mais vulnerável, inclusive às influências dos contextos da mídia, do seu entorno social e da pressão dos grupos dos próprios adolescentes.

BVS Adolec – Há, portanto, uma construção biopsicossocial…
Evelyn Eisenstein – Sim, e no que tange à construção social, devemos lembrar que ela varia entre culturas, grupos sociais. Aí entra um importantíssimo viés: a comunicação. A maneira como as pessoas comunicam esse fenômeno. Varia entre as populações, varia entre as gerações…. Eu posso aqui te indagar: Como foi sua adolescência? E como foi a adolescência de seus pais? Certamente, você não vivenciou a adolescência deles, mas foi influenciado por questões ligadas à adolescência deles, concordando ou confrontando acerca de determinados valores.

BVS Adolec – Então, a adolescência é também um momento de ressonância de gerações anteriores em interface com experimentações e o contexto atual do adolescente…
Evelyn Eisenstein – É uma fase de mudanças e transformações significativas. Está sendo criada uma teia de vínculos com o ambiente que o cerca. E, nesse processo, são extremamente importantes o núcleo familiar e o núcleo de amigos. É importante para o adolescente estar no grupo de amigos. Definimos isso como pertencimento ao grupo, seja família, amigos, grupos religiosos, entre outros. Há diversos grupos, em sociedade, que exercem várias influências, positivas ou negativas, sobre o adolescente.

BVS Adolec – Nesse campo, vislumbramos também a atuação da mídia…
Evelyn Eisenstein – Sim, e o estudo deste campo específico, a mídia, requer uma grande atenção. Há uma dita “indústria de entretenimento”, com uma enorme profusão de filmes, vídeos, programas de televisão, séries, aplicativos, enfim, mídias diversas. Mídia é meio de transmissão. Mas precisamos refletir: Quem produz esses vídeos? Filmes? Programas? Quem cria a estrutura dessas mídias? Não são os adolescentes que fazem esses programas e aplicativos. São adultos que estruturam esses conteúdos, e o fazem com suas perspectivas, que advém de suas próprias adolescências, com suas percepções. E querem expressar o quê? Vender o quê? Certamente um “produto”.

BVS Adolec – Fale-nos, por favor, sobre este “produto”…
Evelyn Eisenstein – Ele pode ser exagerado, simplificado ou distorcido. Aí está um ponto para o qual devemos aguçar muito os nossos sentidos. Esse “produto” pode estar sendo distorcido ou glamourizado nas redes sociais e, o mais grave, patologizando, adoecendo o adolescente. Aí nos perguntamos: Mas por que ele é distorcido? Por que a gente não vende saúde? Infelizmente, a realidade é que hoje estamos vendendo doença. Filmes de violência, guerras, terrorismo, muitas mortes, intolerâncias. “Heróis” contra “vilões”. O “bem” contra o “mal”.

BVS Adolec – E, nesse contexto, então o que é saúde do adolescente?
Evelyn Eisenstein – Saúde do adolescente é um bem-estar – físico, mental, emocional -, é relaxar, é sentir-se bem, sentir-se acolhido, sempre construindo algo melhor. É prevenção. É cidadania. É estímulo com relação às potencialidades a serem desenvolvidas durante a fase da adolescência, que vai dos 10 aos 20 anos de idade, segunda década da vida, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS).

BVS Adolec – A mídia então vem traçando uma imagem equivocada de uma fase tão significativa para o ser humano…
Evelyn Eisenstein – Basta observar: em grande parte dos programas televisivos, dos filmes e vídeos, veicula-se, massificando, o adolescente sexualizado, drogado, abusado, distorcido, sempre o adolescente problemático. Com a exposição ele até recebe sim alguma atenção, mas uma atenção negativa…. Por que a sociedade não coloca esse adolescente com uma atenção positiva? Saudável? Por que não se investe nesse adolescente? Em sua saúde, ao invés de ressaltar doença. Isso ocorre porque o adulto que fez esse filme, ou vídeo, ou mídia, ele não refletiu sobre a sua própria adolescência, sobre seus problemas…dificuldades… Ele não vivenciou a fase, ou seus traumas passados, com reflexão. Esse adulto, que materializa esses “produtos”, ele tem uma visão distorcida do processo. E vai continuando a patologizar a sociedade com tanta violência, intolerância, ódio, desequilíbrio. Pesquisa recente, TIC Kids Online Brasil-2015, realizada pelo CGI, Comitê Gestor da Internet, mostrou que 40% de um grupo de adolescentes já receberam mensagem de ódio, cyberbullying, entre outras formas de contato com violência, discriminação e intolerância nas redes… Hoje, por exemplo, se ofertam aos adolescentes esses tantos “produtos” sob a forma de videogames, jogos online, aplicativos, com clara incitação à violência, ao ódio e com o agravante de dar “recompensa”, como, por exemplo, ganhar pontos se matar tantos adversários…passar de fase… adquirir bônus… Isso tudo cria um efeito cerebral, mental da dependência online.

BVS Adolec – Fale-nos mais, por favor, sobre esse efeito…
Evelyn Eisenstein – Na tensão, na concentração do jogo, o adolescente vai liberando um neurotransmissor chamado dopamina. Pesquisas mostram que, quimicamente, em, aproximadamente, 8 a 10 minutos participando de jogo violento online, você libera dopamina na mesma proporção que, por exemplo, o ato de estar cheirando cocaína. Aí muitos falam: O adolescente está dependente… Ele não larga o jogo…. Mas precisamos entender todo um processo corporal, bioquímico, cerebral, mental, emocional. E repercutido no social a no âmbito lucrativo dos meios…

BVS Adolec – Falta, sobretudo, a mensagem de saúde…
Evelyn Eisenstein – Sim. Todos estes materiais, vídeos, jogos, filmes, eles não têm a mensagem principal: Como o adolescente está se sentindo. Como superar as dificuldades. Como procurar uma ajuda. Recentemente, um jogo e uma série trouxeram à mídia a questão do suicídio juvenil. Houve muita polêmica se deveríamos ou não abordar tema tão delicado na mídia. Vale ressaltar, a Society for Adolescent Health and Medicine (SAHM) ou a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) não são contra a mídia refletir sobre o tema. Mas o que ambas as sociedades científicas recomendam é que não pode faltar, em hipótese alguma, como contraponto, esta mensagem principal de ajuda e acolhimento ao adolescente. E, à época, faltou, e continua faltando, esta mensagem, em muitos programas televisivos e digitais, inclusive. É vital o adolescente ser orientado e encaminhado a buscar uma ajuda, ser ouvido, entender a razão da massificação da violência. Refletir sobre a razão de estar “se distraindo” com um jogo violento, de guerra, ao invés de estar, por exemplo, jogando bola com amigos, praticando alguma atividade ao ar livre, dando vida a alguma atividade efetivamente educativa, cultural, esportiva ou musical, por exemplo.

BVS Adolec – Então, temos o adolescente preso em uma teia. Como desvinculá-lo dessa teia?
Evelyn Eisenstein – Conscientizando-o. Aqui estamos falando de alfabetização ou cidadania digital. O adolescente precisa aprender o que é uma mídia, quem faz essa mídia, com quais intuitos se estrutura uma mídia, qual o seu alcance, o que fazer para preserva-se, o adolescente precisa discernir o que ele está vendo ali naquela mídia. Refletir sobre o vídeo que acessa, sobre o jogo que o prende, sobre o produto que está sendo “consumido” ou mesmo escravizando-o ao consumo de querer mais, mais e mais produtos.

BVS Adolec – Estamos então falando de educação e de um processo de alfabetização mesmo, como o de uma criança, juntar as “letras”, formando sentido, despertando a percepção, intuindo os riscos, caminhando com segurança…
Evelyn Eisenstein – Isso. Um filme, um vídeo, um jogo online, eles atuam como um “espelho” para o adolescente. Mas, como ressaltamos anteriormente, nossa mídia está colocando para o adolescente um espelho distorcido… E não uma praia, uma trilha a ser percorrida na natureza, um pôr de sol… Um espelho que reflita saúde. Não se mostra uma perspectiva de ajuda, uma mensagem de saúde e de que há sempre uma saída para os problemas e inquietudes que afligem o adolescente, não há um estímulo a desenvolver suas potencialidades…. Não são ofertados caminhos e oportunidades saudáveis a esse adolescente, os chamados valores de resiliência.

BVS Adolec – A prevenção, sempre o melhor caminho…
Evelyn Eisenstein – Por que não utilizar a mídia para mensagens do tipo: Vamos fazer uma banda de música…. Cantar juntos…. Criar uma música…. Construir uma ação de paz ou ecológica de limpeza na comunidade, apenas para citarmos alguns exemplos. Assim realizando, estaremos aliviando a tensão do adolescente, que ocorre em meio a uma sociedade lucrativa e patologizante. O adolescente está muito vulnerável. Precisamos abordar questões como suicídio juvenil e automutilação com uma enorme ética e responsabilidade. Inclusive a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu parecer sobre a importância de a mídia não trabalhar tais questões sem colocar os contrapontos: como procurar ajuda, sinais de alerta, como a família ter e ser suporte efetivo. Enfim, precisamos hoje veicular e massificar preceitos de prevenção de riscos e mesmo da valorização da vida. A mídia precisa ter essa responsabilidade. Não é só falar sobre a patologia, mas mostrar alternativas saudáveis de evitar essa patologia. Prevenção sim. Sempre.

BVS Adolec – Precisamos então gerar mais oportunidades para o adolescente criar, se expressar…
Evelyn Eisenstein – Sem dúvida. Cito aqui um recente exemplo, o projeto Caminho Melhor Jovem, propiciado pelo Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (NESA/UERJ), com adolescentes de comunidades do Rio de Janeiro, em um trabalho de produção de vídeos criados pelos próprios adolescentes. Foram, por meio desta mídia, efetivadas significativas mensagens, com criatividade, articulação e comprometimento. Inclusive, recentemente mostrei os vídeos em uma viagem que fiz ao Canadá… O material fez muito sucesso em Vancouver, em um centro comunitário para adolescentes, o qual tive a oportunidade de visitar. Foi fantástico ver os adolescentes do Canadá entendendo e se interando, numa parceria ativa, acerca da mensagem dos adolescentes do Rio de Janeiro. Enfim, precisamos construir trabalhos e “pontes”, onde o fator lucrativo não seja o preponderante. Precisamos de mais apoio para desenvolver projetos e alternativas saudáveis, propor políticas de saúde.

BVS Adolec – Fale-nos um pouquinho sobre a visão canadense acerca de cidadania digital…
Evelyn Eisenstein – O Canadá é um país que recebe e acolhe muitos imigrantes, muitas culturas. A alfabetização digital é um valor que eles já despertaram e praticam. Lá, ensina-se aos adolescentes como produzir vídeos, a comunicar-se, com segurança, através dos meios, a entender o poder e papel de uma mídia. Por aqui, ainda que bem lentamente, estamos começando a despertar para esses valores. Estamos iniciando e gerando para o adolescente projetos com toda essa vertente do mundo digital. Mas precisamos de mais apoio, de mais recursos, inclusive dos responsáveis pelas mídias. Cidadania digital é responsabilidade social, requer a participação de todos e todas.

BVS Adolec – Trata-se, portanto, de uma mudança de paradigma…
Evelyn Eisenstein – Em nossa sociedade atual há muita glamourização da violência, muita gamificação e uma excessiva monetização dos produtos, como jogos online ou performances de youtubers nas redes digitais para os adolescentes. Mas o adolescente não é essa “máquina de problemas”, conforme espelhado pela mídia. Ele precisa é de estímulo positivo, de incentivo, precisa de uma escuta mais atenta, de oportunidades mais saudáveis de participação, o que chamamos de protagonismo juvenil. Por isso a importância de profissionais engajados implementarem novos projetos e trabalharem pelo fortalecimento de redes positivas nos campos sociais da comunicação e saúde. Temos que pensar nos desdobramentos futuros. Há que termos consciência para a necessidade de alfabetização digital e perseverar no desenvolvimento desse trabalho. Temos o Artigo 227 de nossa Constituição Federal, que ressalta ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida e à saúde. Precisamos vivenciar essa prioridade, isso sim, é exercer a cidadania plena e com dignidade.

#queméresponsável

O Relatório de Monitoramento Global de Educação (GEM) da Unesco lançou a campanha #QueméResponsável, voltada para o público jovem e que tem como objetivo apoiar que o direito das pessoas à educação seja respeitado. Atualmente, cidadãos de quase metade dos países do mundo são incapazes de levar seus governos à justiça se violado o direito à educação, embora todos os países tenham ratificado pelo menos um tratado de direitos humanos que garante algum aspecto do direito à educação. Este direito também é garantido por 82% das constituições nacionais do mundo, mas apenas 55% dos países permitem que cidadãos levem seus governos aos tribunais por violar o direito à educação. Os cidadãos recorreram a ações legais em apenas 41% dos países até a presente data.

Clique aqui e conheça a campanha (em inglês)

“Os jovens desempenham um papel vital na responsabilização dos governos por uma educação equitativa de qualidade “, disse o Dr. Koumbou Boly Barry, Relator Especial das Nações Unidas sobre o Direito à Educação. “O Relatório GEM mostra que podemos trabalhar juntos para melhorar os sistemas educacionais e desempenhar nosso papel em atingir nosso objetivo de educação. Junte-se a nós para ajudar a pedir aos governos para que eles assegurem que o direito à educação seja cumprido”.

Ação legal contra governos, nos países onde ela é possível, provocou mudanças em leis e políticas injustas. Dessa maneira, o judiciário levou a Colômbia a estabelecer ensino primário e secundário gratuito. Na Argentina, obteve-se um aumento nos gastos com educação pré-primária. Na Índia, foi permitida a inclusão na educação de crianças com HIV/AIDS, enquanto nos tribunais da África do Sul foram obtidas melhorias na infraestrutura escolar.

“Os governos são responsáveis pelo direito à educação”, disse Manos Antoninis, diretor do Relatório GEM. “Se os governos não estão fazendo como prometeram, deveríamos ser capazes de reivindicar legalmente nosso direito à educação. Sem isso, os tratados de direito internacional não valem mais do que o papel no qual estão escritos”.

A campanha é lançada em conjunto com uma versão do Relatório GEM 2017/8 voltada para o público jovem sobre Responsabilização, que demonstra o poder da juventude na responsabilização de seus governos pela educação equitativa e de qualidade.

Professores do Brasil

Práticas pedagógicas de professores das redes públicas de ensino de todo o país foram reconhecidas nacionalmente na 10º Prêmio Professores do Brasil, organizado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com diversas outras organizações. A cerimônia de entrega da premiação ocorreu na tarde da última segunda-feira, dia 18, na capital paulista. O objetivo da premiação é dar destaque aos profissionais que, no exercício da atividade docente, contribuem de forma relevante para a qualidade da educação básica no Brasil, valorizando e estimulando seu papel na formação das novas gerações. Ao todo, foram inscritos 3.494 projetos.

Para o secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares, o prêmio valoriza as experiências inovadoras e que servem de exemplo e inspiração para outros professores. “A gente fala tanto dos nossos indicadores ruins, daquilo que falta na escola, e é importante que a gente fale sobre o que temos dentro da escola, grandes professores capazes de transformar a vida dos jovens. Que vocês voltem para suas escolas contaminados cada vez mais por este brilhantismo e que possam levar aos colegas de vocês um incentivo de participarem desse momento”.

Durante a cerimônia, foram conhecidos os seis vencedores nacionais de cada uma das categorias da premiação. Os vencedores saíram da lista dos 30 ganhadores regionais. Na categoria Educação Infantil/Creche recebeu o prêmio a professora Alessandra Silva de Assis de Siqueira Pinto, de São Paulo, com o relato A escuta das vozes infantis; na Educação Infantil/Pré-escola a premiada foi Lidiane Pereira da Silva, do Rio Grande do Sul, com o relato Como nossos pais e com o jeito da nossa gente. Já na categoria Ensino Fundamental/Ciclo de Alfabetização, a vencedora foi Kátia Bomfiglio Espíndola, também do Rio Grande do Sul, com o projeto Conta uma história? Para a categoria Ensino Fundamental/Quarto ao Quinto Ano o prêmio foi para Fernanda Nicolau Nogueira, de Rondônia, com o relato Ler, escrever…crescer! Com projetos para o Ensino Fundamental/Sexto ao Nono Ano foi vencedor o professor Adalgésio Gonçalves Soares, de Minas Gerais, com o relato Festival de curtas, e na categoria Ensino Médio o prêmio foi para Rodrigo Nobrega Martins, do Ceará, com o projeto Revista Discentes: um sentido para a produção textual no ensino médio no estado do Ceará. Cada um dos premiados recebeu R$ 5 mil.

O valor do prêmio se somará aos R$ 7 mil pagos a cada um dos 30 vencedores da etapa regional, a uma viagem à Irlanda, para participação em programa de capacitação apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), além de troféu e equipamentos de informática com conteúdo educativo para as escolas em que trabalham. Participaram do concurso educadores de escolas públicas de todo o Brasil. Durante a cerimônia, também foi lançado um livro em comemoração às dez edições do prêmio.

Temáticas especiais

Durante a cerimônia também foram premiados cinco professores em cada uma das categorias temáticas especiais. Com a temática O esporte como estratégia de aprendizagem, o prêmio será uma visita ao Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo para vivenciar a rotina de treino, interagir com atletas de renome nacional e participar de uma oficina de capacitação esportiva. Para a temática Uso de Tecnologias de Informação e Comunicação no processo de inovação educacional, os ganhadores receberam o prêmio de R$ 5 mil, além de troféu/símbolo de reconhecimento, oferecidos pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira. Já o tema Estímulo ao conhecimento científico por meio da inovação premiou com uma viagem de uma semana, em janeiro de 2018, para Londres, na Inglaterra, onde os ganhadores participarão de atividades educativas, interativas, palestras e visitas a museus, junto com os seis vencedores do Prêmio Shell de Educação Científica. Para a temática Conservação e uso consciente da água, os vencedores vão participar do Fórum Mundial da Água, em março de 2018 em Brasília, com espaço para apresentação dos trabalhos premiados.