“News” vs “Fake News” e no meio, as crianças

Dicas metodológicas e sugestões de atividades para otimizar a relação das crianças com a enxurrada de notícias às quais estão expostas

Em pleno século XXI, no ápice da tecnologia digital, em maior ou menor grau, a mídia faz parte da vida das crianças. Assim como a escola ou a família, os diferentes meios digitais participam da formação dos seus filhos e alunos direta ou indiretamente.

As crianças são, naturalmente, curiosas e atentas às informações ao redor delas. Além disso, é nessa fase da vida que elas começam a formar suas perspectivas, seus valores, suas crenças e, acima de tudo, sua interpretação de mundo. Por isso, a relação das crianças com as notícias deve ser objeto constante de reflexão e aprimoramento conforme as tecnologias de informação vão se tornando mais abrangentes e instantâneas.

Um artigo da professora portuguesa Patrícia Silveira, da Universidade do Minho, destaca alguns desafios metodológicos importantes no empoderamento das crianças frente ao turbilhão de notícias e informações que chegam até elas.

A primeira preocupação deve ser ainda com as crianças mais novas: como se distingue fato e ficção?

Não é difícil a gente perceber que até para os adultos essa fronteira entre ficção e realidade parece bem tênue nos últimos tempos. Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) afirma que as notícias falsas (ou as “fake news”, conforme termo popularizado pelo presidente americano Donald Trump) têm até 70% mais chance de serem espalhadas do que notícias verdadeiras.

Isso mostra que um ponto muito importante na alfabetização moderna é ajudar as crianças na formação de suas ideias sobre verdade e informação crível. Tão cedo quanto possível, é importante que as crianças desenvolvam a capacidade de analisar e criticar os conteúdos para então distinguirem o que é verdadeiro do que é falso.

Ainda de acordo com o artigo, é importante que a formação intelectual das crianças seja acompanhada de conhecimentos sobre o funcionamento da comunicação e das mídias. Conforme as crianças crescem, conceitos como jornalismo, opinião editorial, fonte de informação e imparcialidade são cada vez mais imprescindíveis ao desenvolvimento da autonomia para fazer escolhas, concordar ou discordar das notícias às quais estão expostas.

Algumas atividades são sugeridas para as crianças, tanto na sala de aula quanto dentro de casa. Que tal expor notícias de diferentes fontes para a criança, e conduzir um exercício em que ela enxerga as diferenças de abordagem de um mesmo fato? Perguntas simples sobre o conteúdo podem desenvolver a competência de análise crítica, como: esse tema é do seu
interesse? Ele influencia algo em sua vida?

Outro tipo de atividade construtiva é dar às crianças um assunto e pedir que elas mesmas levantem informações relacionadas. Notícias, artigos, vídeos,enfim, todo formato ao qual elas tenham acesso, fazendo essa pesquisa sem supervisão ou orientação. A parte fundamental deste exercício é ajudar os alunos a verificar a credibilidade das fontes, a aprofundar suas pesquisas para além de manchetes e a pensar criticamente sobre o conteúdo que a internet disponibiliza.

Redes sociais na sala de aula?

Não é sempre que a sala de aula pode estar ao redor dos alunos, mas ela pode estar ao alcance de um clique no celular

De acordo com os termos de uso das principais redes sociais usadas no mundo, as crianças já podem criar suas contas e participar da vida social online a partir dos 13 anos. Ao mesmo tempo em que elas passam a ter acesso a infinitas informações, também ficam expostas a um volume de dados muito maior do que normalmente estão preparadas para processar. Um grande poder, uma grande possibilidade de exposição e, por isso mesmo, uma grande responsabilidade para os adultos responsáveis por sua segurança e bem estar.

De dentro da sala de aula, fica a pergunta: como a rotina pedagógica do aluno pode fazer com que ele use as redes sociais da melhor maneira possível? Como podemos fazer uma ferramenta tão poderosa ajudar na educação, em vez de ser apenas uma distração a mais?

É um desafio do professor estar sempre atento às novas ferramentas e às novas tendências de comportamento, principalmente dos adolescentes. Entretanto, não é fácil dar conta de planejar atividades totalmente integradas com todas as novidades o tempo todo.

Para ajudar, a professora britânica Manuela Willbold dá algumas dicas sobre como usar as redes sociais na formação educacional de jovens e adolescentes. Ela é especialista em aprendizagem digital e responsável por uma série de publicações sobre a relação dos alunos com a tecnologia e o uso das redes sociais em sala de aula.

Uma vantagem de participar das primeiras experiências é ajudar a se habituar com bons conteúdos, que sejam construtivos e confiáveis. Além dos memes e das notícias, existem páginas de ciências e assuntos gerais que fazem postagens educativas atrativas.

Cada vez mais há um investimento das grandes instituições em transmitir conteúdos engajantes, principalmente com viés de conhecimento. É uma ótima oportunidade para expandir o contato do estudante com a educação para além da sala de aula. Valem dicas de instituições educacionais, páginas de curiosidades e fontes confiáveis de informação educativa.

Ainda de acordo com a professora, outra facilidade que a rede social traz é ser um ambiente mais engajante para praticar a comunicação e a escrita dos alunos. Uma alternativa é criar grupos da turma no Facebook para trocar informações dentro e fora da sala de aula.

Escolher uma série com propósito educativo e incentivar debates sobre o conteúdo pode ser um benefício duplo: usa o entretenimento para ajudar os alunos a enxergarem temas construtivos nos produtos midiáticos e, ao mesmo tempo, incentiva o debate crítico e a comunicação escrita.

São iniciativas simples, que ao mesmo tempo também ajudam o professor motivado a se manter integrado ao universo das redes sociais. Usar a zona de conforto dos alunos de forma natural e orgânica pode ser o diferencial entre uma turma apática e uma turma engajada.

Alunos querem professores desenvoltos no uso das tecnologias

Mais de 1/3 dos estudantes acredita que a falta de confiança do professor ao usar a tecnologia é uma barreira na aprendizagem

O desenvolvimento da tecnologia digital foi um verdadeiro maremoto na rotina das pessoas. E como não poderia deixar de ser, essa onda transbordou também para dentro da sala de aula: projetores, computadores, quadros digitais, aplicativos, softwares especiais e tanta
coisa. Há alguns anos as ferramentas tecnológicas ainda nem eram realidade, mas hoje em dia são vistas como indispensáveis na condução de uma aula moderna.

É normal professores de uma outra geração terem algumas dúvidas sobre como funcionam as ferramentas. São muitas as habilidades digitais que fomos obrigados a adquirir em pouquíssimo tempo. Além disso, é comum a falta de desenvoltura abalar a confiança do professor na hora de aplicar a tecnologia em sala de aula. E é aí que mora o perigo.

Uma pesquisa conduzida pela Education and Training Foundation (em inglês) apontou que, de acordo com os alunos, a falta de confiança dos professores no uso da tecnologia é uma das maiores barreiras para seu uso na educação. 38% dos alunos afirmam que aprenderiam melhor se o professor transmitisse maior confiança na própria habilidade de usar as ferramentas digitais.

O professor e escritor americano Daniel Scott, especialista em
aprendizado digital, dá algumas dicas que podem ser extremamente valiosas para os professores que sentem que poderiam melhorar sua autoconfiança quando lidam com a tecnologia.

Uma dica simples e bastante eficaz é, dependendo da idade dos seus alunos, eleger um “monitor de tecnologia” da turma. Recrutar um voluntário dentro da sala de aula aumenta o potencial de engajamento da classe e, ao mesmo tempo, destaca um anjo da guarda para te ajudar a driblar imprevistos. O aluno também sai ganhando, na medida em que é incentivado a solucionar problemas, pesquisar providências e tomar decisões.

Outra dica simples que o professor Scott compartilha é a de simular o uso das ferramentas na sua zona de conforto. Criar o passo-a-passo de um novo projetor ou de um novo computador em sua casa ou com a sala de aula vazia pode fazer toda a diferença. Parece bem óbvio, mas é muito importante dedicar parte do seu tempo de estudo e auto-capacitação no aprendizado de uma nova ferramenta ou um recurso com o qual você não
tem muita intimidade.

Além disso, é importante dizer que nem tudo está nas costas dos professores: ainda de acordo com a mesma pesquisa, a maior barreira é um problema muito bem conhecido pelos educadores do Brasil. 45% dos alunos e 44% dos professores apontam que a maior barreira para um melhor uso da tecnologia é a falta de estrutura nas salas de aula. Falta de wi-fi, softwares obsoletos, tomadas insuficientes e toda a sorte de problemas de infra-estrutura que muitas vezes atrapalham até o uso analógico do espaço educacional.

De qualquer forma, os dados da pesquisa mostram que os professores também têm um caminho importante para trilhar em direção a uma aprendizagem com menos obstáculos. E aumentar a sua autoconfiança ao lidar com a tecnologia faz toda a diferença. Por isso, sugerimos aos nossos mestres leitores levar cada dica em consideração, por mais simples que elas possam parecer.

Seminário do CEBDS discute caminhos para desenvolvimento econômico sustentável

Evento do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) gerou ideias para a nova versão do Visão 2050

A Amazônia tem estado nos trending topics do Brasil nos últimos meses. Com ela, debates importantes como desmatamento e desenvolvimento sustentável ganharam destaque para o debate sobre nosso futuro.

Futuro. Essa palavra tão cheia de significado e ao mesmo tempo tão abstrata. O futuro do meio-ambiente, dos negócios, das relações de trabalho, do empreendedorismo. O futuro da vida no planeta.

E foi com esse espírito que aconteceu em São Paulo, no dia 5 de setembro, o Seminário CEBDS Visão 2050: O Futuro é feito agora. Não por coincidência, o evento aconteceu exatamente no Dia da Amazônia. Quase como um pacto simbólico da prosperidade dos negócios com o ecossistema e a sustentabilidade.

Participaram cerca de 180 profissionais de 60 empresas associadas ao CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). Dentre eles, representantes de gigantes do mercado como Shell, Siemens, Neoenergia, Alcoa, Braskem, Itaú e Cofco. Completando uma escalação de altíssimo nível, também participaram instituições como a
Abag, o planetapontocom e a Abrafrutas.

Foram vários painéis ao longo do dia, com debates sobre temas prioritários para o desenvolvimento sustentável do Brasil: clima, água, biodiversidade, impacto social, agricultura, transição energética, finanças sustentáveis, economia circular e vários outros.

Entretanto, não só para debates serviu o evento: também foram planejados pactos concretos. Houve um consenso claro de que o empresariado brasileiro precisa enfrentar desafios extremamente urgentes no curto e no médio prazo. Mais do que isso: é importante que os empreendedores sejam a vanguarda da transição para um mercado mais eficiente no uso da tecnologia, para otimizar os negócios e minimizar os impactos ambientais.

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, fez questão de ressaltar o protagonismo dos empresários nesse movimento: “Os empresários devem se comprometer com esses valores. Eles é que farão a diferença para o cliente e acabarão afetando os resultados das empresas que lideram”, afirmou.

Marina Grossi, presidente da CEBDS

Além das reflexões e do aprendizado, as ideias planejadas nesse evento devem ser transformadas em um plano de ações concretas em breve. O documento Visão 2050, lançado em 2012, vai ser atualizado ao longo do próximo ano com os insights e colaborações feitas pelos participantes da edição de 2019. O texto fala de caminhos para um desenvolvimento econômico próspero e sustentável, pensando nos diferentes objetivos dos diferentes segmentos para as próximas décadas.

E o que a educação ganhou? Na perspectiva dessas empresas o maior problema que o Brasil precisa enfrentar para crescer de forma sustentável é a qualidade da educação, principalmente a pública. De diferentes maneiras a maioria dos empresários quer atuar contribuindo para a melhoria da educação. Aguardem nossas matérias sobre o que está por vir.

Um dos painéis do evento

Mudanças climáticas e sala de aula

O assunto é uma oportunidade para abordar questões presentes no dia-a-dia como consumo e cadeia produtiva

De acordo com estudos das Nações Unidas (ONU), até 2030 a temperatura média do planeta vai ter subido 1,5ºC, com consequências graves para o ecossistema, a agricultura e o dia-a-dia das pessoas. A menos, é claro, que cada um de nós aja para evitar que isso aconteça.

A ONU enfatiza que o combate às mudanças climáticas é um esforço que deve ser conjunto e contar com a participação de todos os setores da sociedade. Empresariado, sociedade civil, voluntariado e classe política devem agir juntos para minimizar os impactos ambientais que um aquecimento acima da média pode causar.

Pensando nisso, existem ações que podem ser incentivadas dentro das salas de aula. A CNN publicou um artigo que traz algumas medidas simples, e muito mais eficazes na luta contra as mudanças climáticas do que a gente pensa.

Uma atitude simples e que faz muita diferença é ajudar a diminuir o desperdício de comida. De acordo com a ONG Project Drawdown, 8% das emissões globais de gases do efeito estufa é fruto do desperdício de comida em todas as etapas da cadeia produtiva. Esse é um assunto fácil de abordar em sala de aula, já que todos concordam que desperdiçar comida é inadmissível num planeta com tanta fome.

Além disso, o assunto é um gancho simples e intuitivo para uma introdução aos conceitos básicos de cadeia produtiva. De onde a comida veio e para onde ela vai? Falar sobre práticas como a compostagem pode abrir os olhos dos alunos para a relação entre consumo e meio-ambiente.

Mudar de lâmpadas fosforescentes e fluorescentes para lâmpadas de LED também pode ser uma iniciativa boa de incentivar na sala de aula. Também segundo a Project Drawdown, lâmpadas de LED são mais caras na aquisição, mas economizam dinheiro na conta de luz e na durabilidade do produto.

O impacto ambiental também é muito grande: o LED consome muito menos energia, o que poupa eletricidade e economiza recursos naturais. E é essa semente de informação que as crianças podem levar para dentro de casa através de dinâmicas de conscientização ou deveres de casa sobre o consumo médio da energia elétrica das residências. Economizar água, proteger nossos rios e demais recursos hídricos e reciclar lixo são questões que rendem aprendizado sobre os impactos no meio ambiente e mudança de atitude.

Discutir mudanças climáticas em sala de aula abre margem para uma série de assuntos relevantes da formação das crianças como o impacto ambiental das ações do dia-a-dia, hábitos saudáveis para o planeta, consumo consciente e cadeia produtiva de bens de consumo.

Neuroplasticidade, o fitness mental

Malhar o cérebro pode melhorar o aprendizado. As ferramentas utilizadas deixam uma turma inteira de estudantes mais engajada.

A ciência sempre nos ensinou que praticar exercícios físicos regularmente é um hábito saudável. Seu sangue passa a oxigenar melhor, sua disposição aumenta e seus músculos ficam mais fortes.

Estudos mostram que, assim como os nossos músculos, o cérebro também cresce quando é estimulado repetitivamente. Isso se chama neuroplasticidade: a capacidade do nosso cérebro de aumentar a força das áreas responsáveis por determinadas faculdades cognitivas.

Essa é uma habilidade que pode ajudar muito no tratamento de doenças cerebrais. Estimular funções específicas como a memória ou a concentração é muito importante para quem sofre alguma deficiência. Os impactos de doenças como Alzheimer ou TDAH podem ser significativamente reduzidos.

Segundo artigo disponibilizado pela Secretaria de Saúde dos EUA, a plasticidade do cérebro é uma oportunidade de “intervenção cognitiva” na vida das pessoas portadoras de demência.

Além de ser importante para combater problemas de saúde mental, a neuroplasticidade também é um ótimo recurso para otimizar o processo de aprendizagem. Um “aquecimento” diário para o cérebro pode fazer toda a diferença entre uma turma que retém o conteúdo e uma turma em que a aula entra por um ouvido e sai pelo outro.

O foco e a memória são dois atributos cognitivos muito importantes na hora de estudar, e a neuroplasticidade é um grande recurso para melhorar as duas coisas. Exercícios de atenção dividida, jogos de memória e meditação são recursos que podem melhorar a performance do aluno no médio prazo – além de tornar as aulas mais inovadoras e interessantes.

Uma dinâmica simples que pode funcionar é incentivar os alunos a escreverem com a mão não-dominante: é uma boa maneira de exercitar, ao mesmo tempo, coordenação e concentração. Yoga também é uma atividade que estimula a neuroplasticidade em múltiplos aspectos. Para quem tem uma veia musical, fazer a turma entrar em uma sincronia rítmica
também é uma boa alternativa.

Alguns sites em inglês especializados em psicologia e educação sugerem várias atividades, e dão boas dicas de aplicação. Cuidado ao tentar ser muito diversificado: a repetição é um dos fatores mais importantes para a neuroplasticidade funcionar. A cada dia revezar entre os exercícios mantém a turma engajada e interessada, mas um exercício deve ser repetido muitas vezes para ser mais eficaz!

Se não pode vencê-los, use a seu favor

Outro recurso que pode ajudar muito no exercício da neuroplasticidade é o celular. Aplicativos orientados para exercitar o cérebro são uma excelente oportunidade de incentivar o bom uso das ferramentas digitais.

Diferentes aplicativos estão à disposição para os principais sistemas operacionais, com vários recursos que podem otimizar a experiência dos estudantes com a neuroplasticidade. Recursos como pontuação, ferramentas de avaliação, jogos e sistemas de conquistas engajam os alunos e mostram que o celular não é feito só para usar as redes sociais.

Não existem muitos aplicativos disponíveis em português, mas o Peak, o Elevate e o Lumosity são as maiores referências nas lojas de aplicativos. O Peak e o Lumosity têm um modelo “freemium” – contendo a opção de assinar ou não o plano pago. A versão gratuita tem limitações, mas ainda é bem aproveitável.