A educação transformada

Artigo de Priscylla Spencêr. Revisão de Denis Zanini Lima.

“Somos incentivados ao pensamento livre.”

Gabriel, 15 anos, aluno da Escola Monteiro Lobato.

“Não somos preparados apenas para o ENEM, sabe? Somos preparados para o mundo lá fora”

Samara, 14 anos, aluna da Escola Monteiro Lobato.

Visitamos a EMOL – Escola Monteiro Lobato, situada em Diadema, em São Paulo. Eu, Priscylla Spencêr, representando o Pensar a 2, juntamente com minhas parceiras de projeto, Tânia Iorillo e Milene Lamarca, da ONG Espaço Ser – Casa Matheus Campos.

Primeiro impacto positivo: fomos recebidos por dois alunos, Gabriel e Samara. Eles não só nos apresentaram a escola, como nos falaram dos projetos desenvolvidos por eles. Era perceptível a felicidade de ambos ao nos contar sobre o funcionamento da EMOL.

Ao contrário das escolas tradicionais nas quais as turmas possuem salas de aula fixas e os professores vão até os alunos, na EMOL os professores é que têm salas fixas e os alunos vão até os professores.

As cadeiras não são enfileiradas, os alunos sentam-se em rodas ou em grupos para discutirem os projetos. Eles são incentivados ao poder da fala e da empatia, através de apresentações dos projetos que eles mesmo escolhem. “Não é a matéria que enriquece a gente, é o pensamento e a conscientização”, diz Gabriel.

Marcia Braghini, diretora da escola EMOL, conta que “no começo foi muito difícil, os alunos reclamavam e tinham dificuldades com os trabalhos em equipe, mas aos poucos foram se adaptando ao novo formato. Trabalhamos muito a empatia e o acolhimento entre eles”.

Marcia fez um trabalho de formação com os professores, da educação infantil até o oitavo ano, sobre a inteligência emocional para que eles possam trabalhar juntos aos alunos. Esse trabalho começou a ser desenvolvido também do nono ao ensino médio.

A EMOL não tem semanas de provas. As provas podem acontecer a qualquer momento. Não existe uma regra. O professor é livre para avaliar o aluno da forma quiser, com atividades individuais, em grupo, para casa. Mas tem que usar critérios muito claros e bem estabelecidos com os alunos.

“Os resultados são muito gratificantes. Os alunos do terceiro ano, que iniciaram o projeto quando estavam do oitavo para o nono ano, falam para os menores o quanto eles são melhores hoje, o quanto eles aprenderam a acolher os amigos”.

A EMOL é uma constatação de que sim, podemos transformar a educação deste País.

Transformem a escola em um ambiente onde os estudantes sintam-se em casa, confortáveis para falar, expor ideias, criar, compartilhar, trabalhar em conjunto. E, acima de tudo, permitam a liberdade do ser para esses seres em formação.