Os desafios da educação durante a pandemia

Flávia Perez

Dois meses após a chegada da pandemia do novo coronavírus ao Brasil, que provocou a suspensão das aulas presenciais em escolas públicas e privadas de todo o país, é possível perceber o empenho de professores e gestores escolares em disponibilizar aos estudantes conteúdos pedagógicos que possibilitem a manutenção de uma rotina de estudos em casa. Contudo há diferentes realidades de acesso a recursos tecnológicos para educar de forma remota, tanto por parte das escolas, quanto dos estudantes.

Dados recentes divulgados pelo IBGE revelam que 45 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet, em 2018. Diante desse cenário, é preciso refletir sobre os desafios da educação durante a pandemia, considerando fatores como a disponibilidade de pacotes de dados, redes Wi Fi, dispositivos eletrônicos, além do conhecimento necessário para lidar com essas ferramentas. Como, então, professores e estudantes vêm se adaptando aos desafios da educação remota? 

Na Escola Municipal Anne Frank, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o ensino remoto começou a ser oferecido aos estudantes logo na primeira semana depois da implantação das medidas de isolamento social.

Segundo André Santos, diretor da escola, “sabemos que existem restrições de acesso, mas precisamos propiciar aos alunos uma rotina de estudos, pois essa é uma forma de manter o contato deles com a escola. Assim que recebemos a notícia sobre a suspensão das aulas, criamos um grupo em um aplicativo de mensagens e, em pouco tempo, já tínhamos a grande maioria dos pais inserida nele. Em seguida, definimos a adoção de uma ferramenta para inserção dos conteúdos pedagógicos a serem compartilhados, montamos as salas virtuais e buscamos tutoriais a fim de orientar os professores para uso da plataforma”, explica o diretor.

Educar de forma remota durante o período de isolamento social significa que, mesmo de portas fechadas, a escola pode continuar funcionando. “Estamos vivendo um momento peculiar que envolve inúmeras questões. Ao mesmo tempo, temos consciência da nossa responsabilidade enquanto educadores e, por isso, buscamos levar aos alunos vídeos explicativos, atividades de artes, contação de histórias, aulas de capoeira, links de livros, músicas e HQs, além dos conteúdos curriculares”, detalha André.  

Disponibilizar conteúdos para que os alunos possam estudar em casa é fundamental. Por outro lado, é preciso considerar questões como as limitações de acesso a esses conteúdos on-line e, em muitos casos, a falta de um ambiente e espaço adequados para estudar.

Para a neuropsicopedagoga Bianca Fagundes, neste momento de isolamento social, no qual crianças e jovens estão afastados da escola, o foco da atenção deve estar voltado ao fomento das competências socioemocionais, como colaboração, solidariedade e humanismo. Portanto, nas situações em que não houver possibilidade de acesso próprio ou compartilhado à internet, pais e familiares podem usar a criatividade para incentivar o desenvolvimento no ambiente familiar.

“Hoje, com os avanços da neurociência, sabemos que os aspectos emocionais estão atrelados ao aprendizado. Por isso, no contexto atual, é essencial estabilizar o emocional dos estudantes. Resgatar memórias afetivas, brincadeiras infantis, como pular corda e amarelinha, jogos pedagógicos, filmes, sentar em roda para conversar com crianças e adolescentes, visando trabalhar aspectos lúdicos que contribuam para o desenvolvimento de habilidades e da cognição. A leitura também deve ser incentivada em todas as faixas etárias”, aponta.

É preciso incentivar cada avanço e praticar a comunicação não violenta em casa. Somente dessa forma a tríade formada por escola, família e indivíduo poderá se fortalecer durante o período de isolamento social. Implantar uma rotina com horários para estudo, alimentação e entretenimento também é necessário, uma vez que todos esses aspectos influenciam o aprendizado.  

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mostram que cerca de 95% dos alunos matriculados na América Latina e no Caribe, ou seja, 154 milhões de crianças estão temporariamente fora da escola devido à Covid-19. Por meio de seus canais digitais, a instituição compartilha informações sobre ferramentas gratuitas de educação e entretenimento para famílias e educadores, além de dicas e exemplos de boas práticas de saúde e higiene. https://www.unicef.org/brazil/

Vamos conversar?

Entrevista com Alexandre Le Voci Sayad

Uma campanha lançada por profissionais e organizações de saúde de vários países direcionou às gigantes da web um apelo por ações de combate a informações falsas sobre a pandemia do novo coronavírus e à disseminação de desinformação sobre saúde na internet. O manifesto, publicado neste mês, chama atenção para o fato de que existe hoje além da pandemia da Covid-19 uma infodemia global com desinformações viralizando nas redes sociais e ameaçando vidas ao redor do mundo.  

Para entender melhor o impacto da desinformação e das fake news para a sociedade, a equipe da revistapontocom entrevistou o jornalista e escritor Alexandre Le Voci Sayad, coordenador da área de Alfabetização para as Mídias pela Unesco, e autor de Idade Mídia, livro que nasceu de mais de 20 anos de experiência com educação midiática, entre outras publicações.

As gigantes da Web vêm se posicionando na direção do combate às fake news, mas o que falta nesse sentido?
Vivemos hoje um cotidiano de desinformação. Só que há uma diferença entre desinformação e fake news, notícias mentirosas propositadamente inseridas para prejudicar a imagem de um grupo, ou seja, uma mentira que é propagada para parecer que é verdade. O resto é notícia mal apurada, desinformação e ironia. É preciso dissociar as fake news do grande guarda-chuva da desinformação.

Para combater a desinformação, a educação não é suficiente. São necessárias ações coordenadas por vários agentes sociais. Um desses agentes é a mídia, isto é, os veículos de comunicação. As ações realizadas por eles para limitar a desinformação e as fake news devem ter como foco resguardar o receptor para a criação de um ambiente menos confuso e mais claro.

Além da mídia, as iniciativas de combate às notícias falsas devem envolver políticos para regulamentação de leis e diretrizes, escolas incorporando a educação midiática em suas grades curriculares, bibliotecas com acervo para pesquisa e as famílias estabelecendo o diálogo com crianças e jovens.

Apesar de serem um fenômeno relativamente recente, as fake news vêm causando impactos na construção do pensamento crítico. Como educar diante desse cenário?

O pensamento crítico tem uma raiz na Grécia Antiga, quando as pessoas faziam leitura crítica e respondiam a questões. Isso vem se traduzindo de diferentes maneiras. Se pensarmos no próprio conceito de pensamento crítico, podemos perceber que não é uma abstração, pode perfeitamente ser considerado compatível ao termo “cidadania”.

Não há como haver pensamento crítico se você está pensando em uma escola off-line, pois hoje convivemos no universo virtual tanto quanto no real. Não há pensamento crítico se não absorvermos a tecnologia e as redes.

A Unesco vem abordando há alguns anos junto às escolas a necessidade de promover a análise crítica dos meios, contemplando nos projetos pedagógicos a educação midiática. O objetivo é propiciar o desenvolvimento de habilidades e competências para que o indivíduo possa analisar e exercer a cidadania

Esse olhar crítico vem sendo discutido há pelo menos 100 anos. Com o surgimento do rádio, surge a comunicação de massa. Ninguém para de aprender. É um processo contínuo. Na Base Nacional Comum Curricular há uma oportunidade de educação sobre a mídia no Ensino Fundamental II, que contempla o campo do jornalismo midiático.

A Educação midiática não deve ser conteúdista e, sim, voltada ao desenvolvimento de habilidades.

Pode falar um pouco do livro Idade Mídia?

O livro, lançado em 2012, reúne uma trajetória de 20 anos de experiências e vivências práticas com a educação para os meios. O projeto nasceu de uma mistura de estudos em escolas públicas e particulares com experimentos de educação comunitária fazendo rádio e TV nas escolas.

A novidade é que será lançada este ano uma nova edição da obra, que está em fase de finalização.

Qual o papel das escolas para a formação dessa visão crítica em relação às fake news?

Hoje existem no Brasil cerca de 300 mil escolas, somando instituições públicas e particulares. A educação midiática já é presente em exemplos, projetos, mas não de forma sistêmica. Essa é uma questão que precisa ser pensada para que seja possível proporcionar a estudantes da rede pública e privada oportunidades para o desenvolvimento de análise crítica para os meios de comunicação.

Como as famílias podem tratar o assunto?
O diálogo é a base da construção do pensamento crítico em casa. Qual o gatilho motivador? Se a escola disponibiliza material, o assunto pode virar conversa na hora do jantar. É importante que as famílias recuperem o papel de formação do indivíduo e que estejam abertas para conversar com os filhos em todas as etapas do desenvolvimento.

Educação infantil em tempos de isolamento social: como inovar e resgatar práticas

Flávia Perez

São muitos os desafios da Educação com a interrupção das aulas presenciais durante o período de isolamento social, causado pela pandemia do novo coronavírus. Um deles é a Educação Infantil, etapa da vida escolar em que são desenvolvidos os aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e sociais das crianças. Dois meses após a interrupção das aulas presenciais nas escolas brasileiras, é preciso refletir: como inovar e resgatar práticas para manter o processo de aprendizagem em casa?

Para a psicóloga e psicanalista Fátima Amorim, diretora da creche e escola Curiosa Idade, no Rio de Janeiro, um dos principais desafios da Educação Infantil remota é associar a rotina de atividades educativas ao suporte afetivo que precisa ser dado a crianças e famílias. “Neste momento em que as aulas presenciais estão interrompidas, é preciso reafirmar os laços de afeto de forma diferente, propiciando a construção de valores morais e éticos. Por isso, em cada atividade, buscamos dar foco ao lúdico, estimulando a criatividade e a participação da criança”, destaca.

Logo após a interrupção das aulas, a escola fez uma adaptação das propostas pedagógicas a fim de disponibilizar conteúdos on-line às crianças. A partir deste planejamento, a equipe começou a gravar vídeos sobre temáticas diversas. Cada conteúdo gravado aborda um tema, desde contação de histórias e música até orientações sobre higiene, nutrição e cuidados com a horta, entre outras atividades. Um caderno de tarefas é usado para o registro das atividades.

Além de publicar vídeos com atividades em suas redes sociais, a escola busca também motivar as crianças a interagir, mesmo à distância. “Criamos o Encontrinhos, um momento de interação dos professores com cada turma realizado por meio de uma ferramenta de videoconferência. Além disso, pedimos que aos pais que nos enviem fotos e vídeos mostrando atividades e brincadeiras que as crianças estão fazendo em casa”, detalha Fátima.

Creche e Escola Curiosa Idade promove o Encontrinhos, momento de interação entre professores e alunos

Já para dar suporte aos pais neste processo de aprendizagem em casa, a escola implantou o projeto Dialogue, um espaço de diálogo entre pais e coordenadores pedagógicos, no qual é possível tirar dúvidas e compartilhar orientações. Um dos temas trabalhados foi “Educação das crianças em tempos de pandemia – o que realmente importa?”. Reuniões individuais também são realizadas com os pais, visando estabelecer um canal contínuo de contato entre escola e família.

Segundo a educadora, é importante destacar que os modelos criados para oferecer conteúdo escolar aos alunos neste período de isolamento social são formatos de educação remota, emergencial, que ainda não estão integralmente alinhados a todos os critérios requeridos pelos padrões de educação à distância, que precisam de um planejamento amplo para sua implantação adequada.

Incluir as crianças em tarefas da família contribui para o desenvolvimento

Antes de existirem as escolas de Educação Infantil, as crianças aprendiam com a natureza, descascando frutas, subindo em árvores e, também, no cotidiano com a família. “Estamos vivendo um momento no qual é preciso repassar algumas experiências do passado para viver o futuro de forma diferente. É preciso resgatar formas antigas de educar que contribuem com o desenvolvimento”, aponta Fátima.

Segundo a educadora, é fundamental inserir as crianças nas tarefas diárias da família, de acordo com cada faixa etária, estimulando-as, por exemplo, a colocar a mesa, dobrar o pijama, molhar plantas, fazer lista de compras com desenhos, entre outras atividades do dia a dia da casa, sem uma preocupação específica com o resultado final e, sim, em proporcionar o senso de utilidade e produtividade, tomando ainda cuidado para não estressar a criança.

“Ao incluir as crianças nas atividades, trabalhamos habilidades como coordenação motora ampla e fina e a organização do pensamento. Ao convidá-las a participar das tarefas, sugerindo, perguntando e as escutando, estimulamos também o raciocínio, a cognição e a fala. Hoje, sabemos que a criança deve ser incluída nas conversas com o adulto, pois essa interação a ajuda a alcançar autonomia, de acordo com a idade, e é fundamental despertar o interesse da criança pelo aprendizado de diferentes maneiras”, explica. 

Do EAD aos aplicativos: educação comunicativa e interativa

“Para que a sociedade da informação seja uma sociedade plural, inclusiva e participativa, hoje, mais do que nunca, é necessário oferecer a todos os cidadãos, principalmente aos jovens, as competências para saber compreender a informação, ter o distanciamento necessário à análise crítica, utilizar e produzir informações e todo tipo de mensagens. Maria Luiza Belloni PHD in Media literacy – Universidade de Lisboa

CEBEDS – Silvana Gontijo

Quando na década de 70 Jean Baudrillard desenvolveu suas teorias sobre a sociedade pós-moderna -“organizada em torno da simulação, cuja ruptura radical com as sociedades modernas tem como demiurgos os modelos, os códigos, a comunicação, as informações e a mídia”- ele afirmava que nesse delirante circo as subjetividades estariam fragmentadas e perdidas. As classes sociais, os sexos, as diferenças políticas e as diversidades culturais e religiosas implodiriam uns sobre os outros apagando as fronteiras e as diferenças num caleidoscópio pós-moderno.

Seria esse pensamento um vaticínio para a polarização reducionista que vivemos hoje?

Na visão de Baudrillard a hiper-realidade desse mundo pós-moderno seduziria muito mais do que a realidade. Os indivíduos abandonariam o “deserto do real” pelo êxtase da hiper-realidade e pelo novo reino do computador, da mídia digital e da tecnologia. 

Uma visão inquietante sobre a sociedade do simulacro. Se na perspectiva moderna as tecnologias eram uma extensão dos seres humanos, que as usavam para dominar e controlar a natureza, os pós-modernos, ao contrário. Esses acreditavam, inicialmente, que as tecnologias preponderariam e que cada vez mais viveríamos sob a tensão de ter os meios para acessar qualquer tipo de informação e o medo de sermos dominados. Não mais pelas tecnologias, mas pela tirania da compulsão por essas informações.

Empanturrados de imagens, conceitos, valores e verdades navegamos com nossas frágeis convicções por áreas de saberes indecifráveis, polarizações intermináveis e tempestades cerebrais extenuantes. O rumo vem sendo dado pelo canto das sereias que, via de regra imersas na deep internet, espalham suas vozes nas redes sociais e nos grupos de whatsapp. Suas mensagens nos alcançam e surgem em nossos devices invadindo nossa privacidade com uma intimidade sobre a qual não somos sequer consultados.

— Olá, cara Silvana, quais as novidades? Respondo atônita parafraseando o velho Sérgio Cabral, a uma mensagem de remetente desconhecido: — Por enquanto a nossa amizade. Mas não abandonamos o barco. Seguimos conectados, presos a essa miríade de experiências fascinantes às quais nos agarramos, para evitar o naufrágio do não pertencimento. Como descobrir uma rota mais segura e um processo de interação social menos angustiante?

Na era da incerteza muitas perguntas e poucas respostas. A escola, as famílias e as empresas precisam repensar suas práticas educativas para formar cidadãos autônomos, críticos, criativos, solidários e independentes. É imprescindível garantir aos nossos jovens as competências para avaliar, selecionar e discriminar o joio do trigo nesse mundo em comunicação.

A midiaeducação vem se transformando em uma ferramenta poderosa para ajudar docentes, gestores e líderes de grupos a recriarem seus espaços e suas metodologias de ensino e aprendizagem. No planetapontocom nossa missão é desenvolver soluções inovadoras para a educação pública e a midiaeducação é nossa principal base teórica e o campo de conhecimento que estrutura cada experiência inovadora. 

Do EAD, passando pelas salas de bate-papo virtual e os ambientes e aplicativos cada vez mais sofisticados de identificação de fake news e de conteúdos impróprios, não nos faltam ferramentas para uma interação mais comunicativa. Assumimos a abordagem midiaeducativa, na qual a ação educacional dá ênfase ao exercício da comunicação, mediada por diferentes tecnologias e suportes, apoiada por valores de convivência sustentável e sistematizada pela apropriação crítica e criativa dos diferentes meios e linguagens.

Propomos, dessa forma, a implementação de ações em comunidades educacionais que incorporam os meios e linguagens de comunicação como ferramenta pedagógica e como exercício de atualização permanente. Se política se faz nas mídias, relações sociais idem e conhecimento e produção cada vez mais, como ignorar esses fenômenos? A saída é incorporá-los ao fazer pedagógico. Só então estaremos provendo a cada indivíduo as condições essenciais para o exercício pleno da cidadania.

CEBDS lança nova edição do Guia de Comunicação e Sustentabilidade

Um movimento antagônico marca a sustentabilidade atualmente. Enquanto o espaço nas editorias dos jornais diminui, o tema ganha força dentro das empresas e direciona, inclusive, decisões de investimentos de grandes grupos empresariais. Então, como comunicar a sustentabilidade, concorrendo com outras pautas e fazendo a correlação entre a agenda do desenvolvimento sustentável e temas do dia-a-dia, que vão desde a atual pandemia, até a falta de água e saneamento, transição energética, educação e saúde pública?

De olho na necessidade de comunicar as melhores práticas e engajar a sociedade em torno de produtos e serviços mais sustentáveis, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lança, em junho, a segunda edição do Guia de Comunicação e Sustentabilidade. A publicação será lançada em uma série de webinares entre os dias 8 e 10 de junho, das 10h às 11h30. Os debates abordarão como a comunicação da sustentabilidade vem sendo tratada pelas empresas e organizações para comunicar causas e gerir riscos de reputação, além de garantir que os negócios sejam mais resilientes.

O objetivo é auxiliar tanto as grandes empresas a se comunicarem melhor, como orientar estudantes de comunicação interessados no tema, e servir de bússola para jornalistas não especializados a se ambientar com o tema e fazer a conexão da pauta diária com essa agenda.

Essa edição do guia renova a que havia sido lança em 2009, quando ainda não existiam nem os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela ONU em 2015, ou mesmo o Acordo de Paris, quando Nações e empresas se comprometeram a reduzir as emissões de Gases do Efeito Estufa.

“Falar de sustentabilidade não é apenas falar de ecologia e preservação, mas de como a sociedade opera e sobre como garantir que as pessoas tenham qualidade de vida, respeitando os limites do planeta, para que as próximas gerações possam receber um mundo melhor. No futuro, as empresas mais bem-sucedidas, serão as mais sustentáveis, principalmente em um cenário de consumidores cada vez mais engajados e preocupados com o impacto das atividades empresariais”, diz a presidente do CEBDS, Marina Grossi.

Nesse cenário, sustentabilidade e reputação são indissociáveis, mensagem já compreendida por 84% das empresas participantes da pesquisa realizada para compor a nova edição do Guia de Comunicação e Sustentabilidade. A publicação também apresenta dados de levantamento e de entrevistas feitas com jornalistas de diversos veículos da grande mídia, apontando as principais lacunas para uma comunicação mais efetiva por parte das empresas.

O Guia de Comunicação e Sustentabilidade tem patrocínio da Toyota, BRK Ambiental, CBA, Diversa, Ecolab, Heineken, Michelin, Eletrobras e apoio da Aberje, Agência Lupa, Projeto Colabora e WayCarbon.

Conheça a programação completa dos webinares e saiba como se inscrever:

08/06 – Comunicação de Causas – INSCRIÇÃO

ABERTURA: Marina Grossi, Presidente do CEBDS, e Aberje

APRESENTAÇÃO DO GUIA: Kelly Lima, Gerente de Comunicação do CEBDS

ORIENTAÇÃO DO TEMA: Germana Moura, Diretora da Approach Comunicação

DEBATE

Carlos Almiro de Melo – Head de Sustentabilidade da BRK Ambiental

Ornella Guzzo – Gerente Sênior de Sustentabilidade da Heineken Brasil

Ricardo Voltolini – Ideia Sustentável

Silvana Gontijo – Planetapontocom

MODERAÇÃO: Flávia Oliveira, Colunista do Jornal O Globo

09/06 – Resiliência e Inovação – INSCRIÇÃO

ORIENTAÇÃO DO TEMA: Karla Melo – Casa da Moeda

DEBATE

Viviane Mansi – Diretora Regional de Comunicação e Sustentabilidade da Toyota e Presidente da Fundação Toyota do Brasil

Andréia Coutinho – Coordenadora de Comunicação do Instituto Clima e Sociedade

Orson Ledezma – CEO da Ecolab

Agostinho Vieira – Projeto Colabora

MODERAÇÃO: Ana Carolina Amaral, Jornalista da Folha de São Paulo

10/06 – Risco e Reputação – INSCRIÇÃO

ORIENTAÇÃO DO TEMA: Tatiana Maia Lins, fundadora da Makemake

DEBATE

Sonia Favaretto, Jornalista e SDG Pioneer pelo Pacto Global da ONU

Lucia Casasanta – Diretora de Governança, Riscos e Conformidade da Eletrobras

Michelin

CBA

MODERAÇÃO: Gilberto Scofield, Diretor da Agência Lupa

SOBRE O CEBDS

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável por meio da articulação junto aos governos e a sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. Fundado em 1997, reúne cerca de 60 dos maiores grupos empresariais do país, responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos. Representa no Brasil a rede do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países e de 22 setores industriais, além de 200 grupos empresariais que atuam em todos os continentes. Mais informações: https://cebds.org/.

Sobre fatos e argumentos

Mariana Amado Costa

Comentaristas de jornais, escritos e televisivos, têm repetido com frequência, nos últimos dias, o dito “contra fatos, não há argumentos”. Em geral, o emprego tem sido relativo a constatações científicas quanto à pandemia de Sars-Cov-2 ou a alegações e denúncias do presidente da República ou contra ele.

Nunca vou esquecer do comentário de um assessor palaciano de administração passada, diante de um embate entre políticos interessados na redução da área de uma unidade de conservação e técnicos do Instituto Chico Mendes. Os primeiros diziam “estivemos pessoalmente lá e comprovamos que há 200 famílias de pequenos agricultores dentro da unidade, que precisam ter seus direitos garantidos”, enquanto, por sua vez, o ICMBio retorquia “fizemos um levantamento de toda a área e temos tudo mapeado, há apenas sete famílias, os demais ficaram fora dos limites da unidade”.

Não lembro dos números exatos, mas era mais ou menos essa ordem de grandeza. Com cada lado agarrado nas informações que afirmava reais, verificadas in loco, segundo eles, a discussão não avançava. O assessor, encarregado de mediar a reunião, teve que encerrá-la sem resolver o impasse: “bem, senhores, há divergências fáticas”.

Adorei a expressão, aparentemente paradoxal, mas muito precisa, “divergência fática”. Desse mesmo assessor, inteligente e preparado, embora nada alinhado com minhas convicções pessoais, ouvi outra expressão encantadora, que não conhecia e anseio por uma oportunidade de usar. Para falar sobre algo irremediavelmente decidido ou encerrado: “é prego batido com a ponta virada”. Há muito a se aprender com quem pensa diferente de nós.

Por outro lado, na falta total de argumentos (e de fatos, e de pensamentos), sempre se pode apelar para o velho truque de culpar o adversário daquilo de que se é acusado. E colocar-se no papel de vítima.

Desde bebês, aprendemos, por repetidas experiências, que o choro é uma grande ferramenta de manipulação. Usado por quem é indefeso e desarmado e, por isso mesmo, diante de quem nos desarmamos. Mas as crianças crescem e desenvolvem afetos, percebem que o mundo não gira em torno delas, e conquistam outras ferramentas cognitivas, que as ajudam na busca de um equilíbrio entre responsabilidade e liberdade. Um amadurecimento, durante o qual aprendemos as dificuldades e as delícias de viver em sociedade.

Talvez o grande trunfo do atual presidente do Brasil seja justamente sua oligofrenia cavalar, que faz com que pareça (para alguns) inimputável. Assim como minha geração mima seus filhos únicos, e ele próprio mima sua prole, a sociedade e suas instituições resistem a impor-lhe limites, a cobrar-lhe responsabilidade, a puni-lo — mostrando que malfeitos têm consequências. A palmada foi proibida (que bom!) e essa criança é pequena demais para entender uma conversa séria. Assim vamos tocando, deixando colocar o dedo no nariz — o que é inevitável, com o clima de Brasília, que resseca a meleca —, falar palavrão, desrespeitar os mais velhos, negligenciar os estudos, comer porcaria, rasgar a Constituição, e tudo mais.

Toleramos o que não toleraríamos de um adulto. Num passado longínquo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2018, amigos queridos explicavam como iam votar: “as coisas que ele diz são fanfarronices, e se tentar fazer, o Congresso e o Supremo não deixam”.

Mas as instituições parecem não querer se responsabilizar pelo monstrinho. Ele aparece com a cara toda lambuzada de leite condensado — menino, você foi comer besteira na hora do almoço? — responde que não, esconde desajeitadamente a lata nas costas. Temos agido como pais que fingem que não vêem.

Os que se deleitaram durante a campanha com elogios à tortura e ameaças de eliminação dos adversários estão voando em céu de brigadeiro, navegando em mar de almirante. Isso metaforicamente, porque, na real, estão lutando em guerra de generais, guerra falsa, diversionista, com todos sob uma louca hierarquia de comando, que atribui super poderes a um capitão indisciplinado. São os inamovíveis 30% que vivem num mundo paralelo, onde a vontade vale mais do que o bom senso.

Então, o que fazer, se chamamos à razão quem não quer pensar, quem tapa as orelhas com as mãos e fica cantarolando lá-lá-lá bem alto, para não ouvir o contraponto? Lidar com a materialidade dos fatos pode não ser tão simples quando a verdade é construída a posteriori, para encaixar-se em argumentos fluidos.

Por mais que se mostre o absurdo, é difícil ter uma discussão produtiva em tal situação. Aliás, com falas tão exdrúxulas que desafiam a gramática e a lógica, é impossível interpretar com precisão, o que já é um primeiro desafio a ser superado. Apesar disso, da ambiguidade acidental ou intencional, o discurso é claramente autoritário e de desprezo pelo povo. Os defensores do descalabro contra qualquer argumento, representados por milicianos acampados na Esplanada, dão medo. Mantenho, no entanto, a confiança de que o prego foi cravado, mas sua ponta ainda não foi virada.

Dois livros me feriram muito, O senhor das moscas e Ensaio sobre a cegueira. O romance do  Saramago foi mais importante em minha vida do que gostaria de admitir, pois volta e meia reaparece em sonhos e já foi tema de algumas sessões de análise. O que me irrita nas duas obras é que partem do que, no meu entender, são falsas premissas sobre o caráter humano. Os fatos e argumentos narrados, porém, são construídos com primor.

Esta semana, no meio do furacão de péssimas notícias, li uma matéria linda (no Guardian) sobre “o verdadeiro senhor das moscas”. O historiador alemão Rutger Bregman que, pelo que conta, desenvolveu o mesmo desgosto que eu pelo livro de William Golding, relata um caso real — expondo fatos, em toda a sua materialidade — ocorrido nos anos 60. Seis meninos de Tonga, um reino insular no Pacífico, haviam roubado um barco e fugido numa aventura, quando naufragaram. Depois de oito dias à deriva no mar, com fome e sede, chegaram a uma ilha deserta, onde viveram por quinze meses, até serem resgatados por um navegador australiano.

Foram encontrados em boa forma. Dividindo o trabalho diário, haviam conseguido manter-se abrigados e com uma fogueira permanentemente acesa, cultivaram inhame selvagem, improvisaram instrumentos musicais, e montaram, até mesmo, espaços para se exercitar. Desde o início, decidiram não brigar. Quando acontecia de discutirem, davam um tempo, para a zanga passar. Um deles quebrou a perna e foi tratado pelos amigos, que assumiram suas tarefas durante a convalescência. Mais tarde, quando voltaram para casa, exames mostraram o osso perfeitamente recuperado.

Bregman diz que a estória mostra o quanto somos mais fortes se podemos contar uns com os outros. Entendo que, além de mais fortes, nos tornamos, sobretudo, mais humanos. Um osso da perna, que é longo, quebrado e consertado em condições selvagens de luta cotidiana pela sobrevivência, revela compaixão, solidariedade e cuidado, é um marco da civilização.

Estudo busca rastrear a presença do coronavírus no esgoto

Alexandre Pessoa, professor e pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz

Flávia Perez

Com o objetivo de acompanhar a disseminação do vírus ao longo da pandemia de Covid-19, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou um estudo, em parceria com a prefeitura de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. O propósito é rastrear a presença de material genético do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em amostras do sistema de esgotos do município. As primeiras coletas, iniciadas em 15 de abril, detectaram material genético do novo coronavírus em amostras de esgotos em cinco dos 12 pontos de coleta. As amostras coletadas posteriormente estão em fase de processamento.

Segundo Alexandre Pessoa, professor e pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, “com os dados levantados até o momento atual, podemos afirmar que se existe o coronavírus no esgoto sanitário isso quer dizer que naquele território existem pessoas infectadas. Esse levantamento é fundamental para identificar as áreas nas quais pessoas estão contaminadas e podem estar com coronavírus em seus dejetos. Contudo não há evidências até o momento se houve caso de contaminação pela via feco-oral e que, quando excretado nas fezes, o vírus ainda seja viável para contaminar outras pessoas, entretanto é necessário aprofundar as pesquisas ”, analisa.

A pesquisa, que faz parte dos estudos no campo da Virologia Ambiental da Fiocruz, visa promover a vigilância epidemiológica do meio ambiente, permitindo identificar regiões com presença de casos da doença, mesmo aqueles ainda não notificados no sistema de saúde.

Dados de um estudo internacional, recém-publicado na revista científica Lancet Gastroenterol Hepatol, mostraram que pacientes com a Covid-19 analisados pelo Hospital Universitário de Sun Yat-sen, em Zhuhai, na China, apresentaram em suas fezes o material genético do vírus.

Acesso à água e prevenção de doenças

O acesso à água é fundamental para o controle do avanço da Covid 19, uma vez que a lavagem das mãos é uma das medidas mais importantes para a prevenção do contágio pelo novo coronavírus. Contudo, esse acesso precisa abranger toda a população para que o impacto para a saúde seja efetivo.

Diante dessa necessidade, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em conjunto com a Defensoria Pública do Estado, ajuizou neste mês uma ação pública para que a Cedae adote medidas que garantam o abastecimento de água à população. A decisão da 26ª Câmara Cível foi parcialmente favorável à causa.  

De acordo com a deliberação, os réus devem providenciar a regularização do fornecimento de água em todas as áreas do município. Além disso, a decisão também determina que sejam adotadas medidas para o abastecimento adequado e regular de água nas regiões não abrangidas pela rede de abastecimento da Cedae, priorizando as comunidades carentes, mediante caminhões-pipa ou outros meios adequados, provendo o acesso à água.  

Para o professor e pesquisador Alexandre Pessoa, “em um cenário de pandemia e contaminação, ou você protege todos ou você não protege ninguém, de acordo com as diretrizes epidemiológicas. O acesso humano à água é um direito essencial e tem que incluir as habitações, os moradores de rua, casas de repouso, pensões, habitações com banheiros comunitários, sendo disponível a toda a população”.

Game lançado pelo canal Futura dialoga com educadores e estudantes

Durante a pandemia, o Canal Futura acelerou a entrega de uma série de serviços e produtos educacionais previstos para 2020. Entre videoaulas, podcasts, cursos on-line, o CDF (Clube Desafio Futura) ganhou atualizações importantes, com a criação de salas e jornadas customizadas para parceiros e usuários. Agora, o game oferece a experiência para que professores possam colocar seu conteúdo desenvolvido em sala de aula para uma nova dinâmica com os estudantes. Dessa forma, o jogo responde a mais uma demanda do seu público de educadores e investe na ampliação de conteúdo no contexto da pandemia. Mais perguntas sobre a Covid-19 foram inseridas nas salas de atualidades.

Para conhecer a dinâmica do game, a revistapontocom conversou com José Brito, publicitário, jornalista, mestre em Ciências Sociais e gerente do Canal Futura na Fundação Roberto Marinho (FRM). Leia a entrevista!

José Brito, gerente do Canal Futura na FRM

O que motivou a criação do game CDF?

O Clube Desafio Futura surgiu como uma oportunidade para o Canal Futura dialogar mais com parte importante do seu público de educadores e estudantes, que já o acompanhavam pela TV e passaram a ter a oportunidade de interagir conosco por múltiplas plataformas. Começou como uma iniciativa na web, em 2013. A partir de 2016, acompanhando a convergência de meios, lançou a versão para dispositivos móveis, como smartphones e tablets. A partir daí encontrou uma oportunidade de ampliar o relacionamento com jovens interessados em aplicativos de perguntas e respostas.

Com mais de 10 mil perguntas na plataforma, o CDF permitiu que diversas ações de marketing direto fossem realizadas, como ativação de eventos online, produção de vídeos tutoriais no Youtube para jogadores e ainda a organização de concursos culturais. O jogo educativo é dividido em diversas salas e jornadas, onde os usuários podem responder perguntas sobre temas como educação, cultura, tecnologia, esportes, música, entretenimento, direitos, ciências, sustentabilidade e outros temas associados às práticas do Futura em todas as suas telas. Há também um conteúdo no game desenvolvido especialmente para quem vai fazer o ENEM, o exame nacional do ensino médio. A partir da escuta com professores e estudantes, o jogo vai ganhando atualizações importantes, capazes de melhorar a experiência com foco em uma relação mais próxima com o público e a oferta de soluções digitais para aprendizagem de jovens e adultos.

Quais os públicos a serem alcançados?

Em breve, o CDF lançará sua versão em desktop para que professores possam acessar o game em regiões com menos acesso a tecnologias móveis. O objetivo do Futura é seguir desenvolvendo soluções com a Fundação Roberto Marinho, educadores, estudantes e parceiros para auxiliar a aceleração de aprendizagem entre os estudantes da educação básica e aqueles que ficaram ou estão ficando para trás no Brasil.

O que foi e está sendo feito durante a pandemia?

O jogo tem cerca de mais de 70.000 downloads, o tempo médio de permanência dos jogadores é de 11 minutos com uma média de 200 a 300 jogadores on-line por dia.  Durante a pandemia, o download do game cresceu 117% em comparação ao mesmo período do ano passado (março a maio).

Quais os principais desafios?
O desafio do CDF é ganhar escala entre redes de educação. Por isso, nossas ações contam com o apoio de educadores super engajados que estão utilizando o jogo com seus alunos e nos auxiliando a criar salas e jornadas com conteúdo do fundamental II e médio para incentivar outros jogadores.

Posso dizer que o CDF é uma das experiências mais gratificantes em minha jornada pelo Canal Futura. Trabalho há quase 15 anos na FRM e ele pode ser considerado um projeto fantástico que nos estimula a visitar o novo sempre, desenhando ajustes e soluções que fazem sentido para os usuários.

David Hospinal, coordenador do game CDF no canal Futura

Finlândia se tornará o primeiro país do mundo a abolir todas as disciplinas escolares

Pensar contemporâneo – 23/05/2020

Em uma era de tecnologia e informações de fácil acesso, nossas escolas ainda esperam que saibamos tudo dos livros, sem considerar se isso será o que realmente precisamos no nosso desenvolvimento profissional.

Quantas vezes você se perguntou se precisaria de matérias para aprender porque o currículo dizia isso? A Finlândia decidiu mudar isso em seu sistema educacional e introduzir algo adequado para o século XXI.

Em 2020, em vez de aulas de física, matemática, literatura, história ou geografia, a Finlândia introduzirá uma abordagem diferente da vida através da educação. Bem-vindo ao aprendizado baseado em fenômenos!

Como a Phenomenal Education (Educação Fenomenal em tradução livre) declara em seu site, “Na Aprendizagem Baseada em Fenômenos (PhenoBL) e no ensino, os fenômenos holísticos do mundo real fornecem o ponto de partida para a aprendizagem. Os fenômenos são estudados como entidades completas, no contexto real, e as informações e habilidades relacionadas a eles são estudadas através do cruzamento das fronteiras entre os sujeitos. ”

Isso significa que, em vez de aprender física (ou qualquer outro assunto) para aprendê-la, os alunos terão a oportunidade de escolher entre fenômenos de seu ambiente real e do mundo, como Mídia e Tecnologia ou a União Europeia.

Esses fenômenos serão estudados por meio de uma abordagem interdisciplinar, o que significa que os sujeitos serão incluídos, mas apenas aqueles (e apenas partes deles) que contribuem para se destacar no tópico.

Por exemplo, um aluno que deseja estudar um curso profissional pode fazer “serviços de cafeteria” e o fenômeno será estudado através de elementos de matemática, idiomas, habilidades de escrita e comunicação. Outro exemplo é a União Europeia, que incluiria economia, idiomas, geografia e a história dos países envolvidos.

Agora tome sua profissão como exemplo e pense em todas as informações que você precisa saber conectadas a ela – agora você está pensando da maneira PhenoBL!

Esse tipo de aprendizado incluirá sessões presenciais e on-line, com forte ênfase no uso benéfico da tecnologia e da internet através do processo de eLearning.

No processo de aprendizagem, os alunos poderão colaborar com seus colegas e professores, compartilhando informações e explorando e implementando coletivamente novas informações como uma ferramenta de construção.

O estilo de ensino também vai mudar!

Em vez do estilo tradicional de aprendizado centrado no professor, com os alunos sentados atrás de suas mesas e gravando todas as instruções dadas pelo professor, a abordagem mudará para um nível holístico. Isso significa que todo fenômeno será abordado da maneira mais adequada e natural possível.

No entanto, como afirma o Phenomenal Learning, “o ponto de partida do ensino fenomenal é o construtivismo, no qual os alunos são vistos como construtores ativos de conhecimento e as informações são construídas como resultado da solução de problemas, como ‘pedacinhos’ em um todo que se adapte à situação em que é usado no momento. ”

Esse sistema educacional tende a incluir a inclinação em um ambiente colaborativo (por exemplo, trabalho em equipe), no qual eles gostariam de ver as informações sendo formadas em um contexto social, em vez de serem vistas apenas como um elemento interno de um indivíduo.

Essa abordagem apoiará o aprendizado baseado em perguntas, a solução de problemas e o aprendizado de projetos e portfólio. O último passo será a implementação prática, sendo vista como o resultado de todo o processo.

Essa reforma exigirá muita cooperação entre professores de diferentes disciplinas e é por isso que os professores já estão passando por um treinamento intenso.

De fato, 70% dos professores em Helsinque já estão envolvidos nos trabalhos preparatórios, de acordo com o novo sistema.

O co-ensino está na base da criação do currículo, com a participação de mais de um especialista em disciplinas e os professores que adotarem esse novo estilo de ensino receberão um pequeno aumento em seu salário como sinal de reconhecimento.

Do ponto de vista do ensino, esse estilo também é muito gratificante e vale a pena para os professores. Alguns professores, que já implementaram esse estilo em seu trabalho, dizem que não podem voltar ao estilo antigo.

Isso de fato não surpreende, pois a interação nesse estilo de ensino é algo com que todos os professores sempre sonharam.

Atualmente, as escolas são obrigadas a introduzir um período de aprendizado fenomenal pelo menos uma vez por ano. O plano é implementar completamente a abordagem PhenoBL até 2020.

Uma abordagem semelhante chamada Centro de Aprendizagem Lúdica está sendo usada no setor pré-escolar e servirá como ponto de partida para a aprendizagem fenomenal.

Fonte: Phenomenal Education http://www.phenomenaleducation.info/change-with-digital.html

Crédito da foto de capa: Gabby Orcutt

Fundação Joaquim Nabuco lança o FestCurtas Fundaj 2020

O Cinema da Fundação Joaquim Nabuco lança o FestCurtas Fundaj 2020 – I Festival Nacional de Curtas do Cinema da Fundação On-line, que acontecerá na primeira semana de julho sendo aberto a realizadores de todo o Brasil. Podem participar do festival filmes de até 30 minutos sejam ficção, documentário ou animação. As inscrições vão até o dia 15 de junho.

Este é o primeiro festival de cinema realizado pela Fundação Joaquim Nabuco e acontecerá totalmente on-line, desde as inscrições, seleção, exibição e premiação. Os interessados devem conferir o regulamento, se inscrever e enviar seus filmes pelo site http://festcurtasfundaj.com.br

O festival é mais uma ação da Fundaj (Fundação João Nabuco), que visa manter as atividades nessa época de isolamento social, levando ao público a força e a beleza do cinema brasileiro.

Serão aceitos curtas produzidos a partir de junho de 2018. Os filmes selecionados serão anunciados depois do dia 25 junho de 2020. O FestCurtas também terá sua versão presencial no Cinema da Fundação logo após a reabertura das suas salas após o período de isolamento social.

Par ou Ímpar, um espetáculo musical, teatral e circense

Depois de vários anos fazendo sucesso entre os adultos, a dupla de músicos Kleiton & Kledir resolveu fazer música para as crianças e lançou com o Grupo Tholl e a atriz Fabiana Karla o CD/DVD “Par ou Ímpar”, reconhecido como o “Melhor Álbum Infantil” no 24º Prêmio da Música Brasileira.

Imagine uma Maria Fumaça enorme e colorida entrando pelo palco, levando Kleiton & Kledir até um lugar encantado, cheio de bichos divertidos, mágicos, bruxas, pirulitos esquisitos e brincadeiras de rua. Agora, imagine esse lugar construído pela exuberância cênica do Grupo Tholl: malabares, trapezistas, bailarinos, clowns, pernas de pau, patins, bicicletas, coreografias acrobáticas, figurinos deslumbrantes e muita alegria.

“Par ou Ímpar” é um espetáculo fascinante, um musical para toda a família, que traz a divertidíssima participação da atriz Fabiana Karla, interpretando uma menina petulante que enfrenta de igual para igual o desaforo dos moleques K&K, além de fazer também o papel de Baliza da Banda no desfile final.

Para criar as canções de “Par ou Ímpar”, Kleiton & Kledir dizem que foi preciso “desenvelhecer um pouco até chegar àquele estado de pureza em que a fantasia se confunde com a realidade. Foi uma oportunidade de resgatar um monte de coisas boas que a gente vai perdendo pelo caminho. Nos divertimos muito, lembrando o tempo em que éramos dois guris do interior, jogando bolinha de gude no meio da rua”. Assista ao show completo pelo link, abaixo, ou ouça o álbum “Par ou Ímpar” acessando https://orcd.co/parouimparaovivo

Movimento criado por Sebastião Salgado recebe apoio da Unesco

Estado de Minas – Luiz Henrique Campos* – 12/05

O movimento em apoio à população indígena que vive na Amazônia, liderado pelo fotógrafo mineiro Sebastião Salgado, ganhou o suporte da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Nessa segunda-feira (11), o titular da cátedra da Unesco de Filosofia da Cultura e das Instituições, Jaques Poulain, assinou a carta endereçada aos cidadãos da sociedade civil mundial, que convoca à população a se mobilizar para que não ocorra o que chamou de “genocídio anunciado”, devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) nas aldeias indígenas.

A ação organizada por Salgado teve início na semana passada e diversas celebridades aderiram ao manifesto lançado por ele e sua esposa, Lélia Wanick Salgado, sobre a situação de risco de contaminação pela COVID-19 a que os povos indígenas estão expostos. Luciano Huck, Gisele Bündchen, Paul McCartney, Madona, Brad Pitt, Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso foram alguns dos artistas que compartilharam mensagens sobre o assunto em suas redes sociais.

O fotógrafo lançou uma petição no portal Avaaz.com com o objetivo de reunir 300 mil assinaturas para pressionar o poder público para que, assim, haja à proteção das comunidades indígenas contra o vírus. A ação já tinha mais de 230 mil assinaturas recolhidas na tarde desta terça-feira (para assinar, acesse aqui).

“Diante da urgência e da seriedade dessa crise, com amigos do Brasil e admiradores de seu espírito, cultura, beleza, democracia e biodiversidade, apelamos ao presidente da República, Sua Excelência Sr. Jair Bolsonaro, e aos líderes do Congresso e do Judiciário a adotarem medidas imediatas para proteger as populações indígenas do país contra esse vírus devastador”, destacou a carta.

Tanto na carta quanto em um vídeo divulgado no Instagram, o fotógrafo relaciona os riscos à saúde dos indígenas com a atuação ilegal de desmatamento e queimadas na Amazônia.

“Os indígenas brasileiros têm sido vítimas de epidemias há mais de 500 anos, mas agora se junta a essa ameaça o relaxamento da vigilância no estado. A invasão de garimpeiros, madeireiros e fazendeiros ilegais e os incêndios criminosos que aumentaram nas últimas semanas”, afirmou.

De acordo com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a pandemia do coronavírus avança sobre os povos indígenas e causa muitos óbitos devido à falta de assistência e atendimento do governo. Segundo os dados levantados pela instituição, até esta terça-feira (12), foram 127 casos de infecção pela doença e 62 mortes na região amazônica, 46 óbitos a mais do que contabiliza a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa

Justiça manda instalar pias em praças e dar água em favelas e periferias

Agência de Notícias das Favelas – 08/05

O desembargador Wilson do Nascimento Reis, da 26ª Câmara Cível do Rio, determinou, na tarde dessa sexta-feira, 8, que estado, município e a Companhia de Saneamento e Abastecimento do Estado (Cedae) providenciem medidas para sanar a falta de abastecimento de água em comunidades e áreas de vulnerabilidade.

A ação é da Defensoria Pública do Rio e do Ministério Público Estadual, que pede providências para a regularização do serviço de água em “áreas não abrangidas por rede de abastecimento”. Na decisão, o desembargador cita a necessidade de “caminhões-pipa ou outros meios adequados; garantindo o acesso à água, e consequente higiene básica, à população carente afetada e residente nestas localidades e à população em situação de rua (…)”. Reis determina ainda a “instalação de pontos de água ou pias e torneiras comunitárias em praças e logradouros públicos”.

Em caso de descumprimento, a determinação prevê multa de R$ 50 mil por réu. Registro de reclamação sobre a falta de água por parte de consumidor, associação de moradores ou de autoridades, implicará à Cedae a obrigatoriedade de restabelecer o abastecimento para toda a área afetada, com a oferta de 20 litros por pessoa, seja por meio de caminhões pipa, ou através da instalação de torneiras públicas.

(Com informações do Blog do Ancelmo Góis)

Sebastião Salgado lança manifesto por proteção de povos indígenas contra COVID-19

AFP – 04/05/2020

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado enviou uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro, assinada por celebridades como Brad Pitt e Madonna, pedindo “medidas urgentes” para salvar os povos indígenas da Amazônia da pandemia de coronavírus.

“Os povos indígenas do Brasil enfrentam uma séria ameaça à sua própria sobrevivência com o surgimento da pandemia do COVID-19”, diz a carta, apoiada por uma petição on-line que até agora reuniu cerca de 50.000 assinaturas.

O fotógrafo de 76 anos ganhou vários prêmios internacionais. Em seu trabalho mais recente, retratou povos da Amazônia.

“Cinco séculos atrás, esses grupos étnicos foram dizimados por doenças trazidas por colonizadores europeus”, lembra a carta, assinada por uma lista de celebridades, incluindo Paul McCartney, Richard Gere e Meryl Streep.

“Hoje, com esse novo flagelo se espalhando rapidamente por todo o Brasil”, o povo indígena da Amazônia “pode desaparecer completamente, pois não tem como combater o COVID-19”.

As estrelas aparecem em um vídeo do diretor brasileiro Fernando Meireles, que mostra Salgado pedindo a Bolsonaro que ponha um fim à intromissão econômica na vida dos povos da Amazônia e que “garanta sua proteção”.