Especialistas destacam a importância da educação inclusiva

Para educadores, interação entre crianças com deficiência e as demais auxilia no desenvolvimento das competências cognitivas e socioemocionais

Flavia Perez.
Foto Capa/Divulgação

Desde a década de 1940, educadores e professores vêm trabalhando pela educação inclusiva. Isso porque a interação entre crianças com deficiência e as demais auxilia no processo de aprendizagem e no desenvolvimento das competências cognitivas e socioemocionais. Contudo, um decreto publicado no dia 01º de outubro pelo presidente Jair Bolsonaro, que tornou pública a Política Nacional de Educação Especial (PNEE), incentiva a segregação de estudantes com deficiência. Educadores que convivem com a realidade refletem que a nova medida pode significar um retrocesso nas conquistas que pautam a inclusão.

De acordo com Claudia Feijó, psicóloga e especialista em Educação Especial, a luta não é de hoje. Desde que ingressou na Educação Especial, ela percebe  avanços neste processo de inclusão, mas aponta que são necessárias ações efetivas das políticas públicas. “É como uma máquina: a engrenagem não funciona com uma peça faltando. É necessário que haja uma rede de trabalho formada pelas Secretarias de Saúde, Educação, Trabalho. Todos trabalhando com um mesmo objetivo. Atender as demandas, incluindo e integrando o cidadão em uma sociedade igualitária”, explica.

Estudantes da Sala de Recursos Multifuncionais da E. M. José de Alencar apresentaram projeto, no ano passado, durante encontro no NAVE (Núcleo Avançado em Educação), no Rio. Foto: Divulgação

Com mais de vinte anos de experiência com a inclusão no ensino regular, Claudia é professora e requisitada pelo Instituto Helena Antipoff para Atendimento Educacional Especializado (AEE) na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) da Escola Municipal José de Alencar, em Laranjeiras, na cidade do Rio de Janeiro. Considerado como centro de referência em Educação Especial no Brasil, o instituto é um estabelecimento público de ensino especializado em Educação Especial, integrado à Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

“Com o trabalho desenvolvido na Sala de Recursos Multifuncionais no ensino regular, atendemos a alunos com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e espectro autista buscando desenvolver aspectos cognitivos e socioemocionais, e recebemos estudantes com altas habilidades e superdotação. No caso dos superdotados, o objetivo é a suplementação pedagógica, tendo como objetivo estimulá-los a serem mais produtivos e participativos em suas relações sociais”, detalha Claudia.

O ponto de partida para o atendimento a alunos da Educação Especial foi a necessidade de promover e entender a sociedade e a própria educação pública de forma mais justa e acolhedora. Implantada desde os anos 2000 de forma extraclasse nessa unidade, no contraturno e até por meio de assistência domiciliar, a Sala de Recursos Multifuncionais no ensino regular está fundamentada em uma política educacional de medidas previstas pela Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB 9394/95).

Segundo a pedagoga Ana Paula Carvalho, diretora da Escola Municipal José de Alencar, os impactos socioemocionais da educação inclusiva são ganhos imensuráveis, não só pelos alunos integrados e incluídos, mas também para suas famílias e com aqueles que interagem no processo de desenvolvimento humano com todos os alunos, incluindo professores e demais colaboradores que atuam na escola.

“Precisamos dar oportunidade de aprendizagem a todos; isso é igualdade. A aprendizagem, de fato, vai muito além dos conteúdos formais, muito além do espaço de escolas regulares, classificatórias ou tradicionais. Quando falamos em dar oportunidades, falamos, também, em disponibilizar meios, ferramentas, ambientes e estruturas que facilitem e promovam a aprendizagem do indivíduo: equidade”, aponta a diretora.

De acordo com Ana Paula, trabalhar a educação inclusiva no ambiente escolar requer uma adaptação de conteúdos que envolve toda a equipe pedagógica; professores regentes, professora regente de Sala de Recursos, Coordenação Pedagógica e Gestão Escolar. “O objetivo vai além do pedagógico; é político, social, econômico e pedagógico. Buscamos promover oportunidades, humanizar todo processo de ensino e socialização. Ajudamos cada indivíduo a escrever suas histórias, com protagonismo, formando futuros trabalhadores e cidadãos capazes de praticar o exercício de lembrar do outro e se colocar no lugar do outro”, revela.

Para a pedagoga, a nova lei requer vigilância e responsabilidade social de toda a comunidade escolar. Hoje, a Rede Pública Municipal do Rio de Janeiro é a maior da América Latina e conta com diversas Salas de Recursos Multifuncionais espalhadas em diferentes bairros e coordenadorias, além dos atendimentos das Classes Especiais que atendem alunos com comprometimentos cognitivos severos. As Salas de Recursos e as Classes Especiais são extensões ligadas às escolas municipais regulares. O atendimento se dá a toda Educação Básica. 

Vamos conversar? Liberdade de expressão: com a palavra, Patrícia Blanco

Revistapontocom entrevista presidente do Instituto Palavra Aberta

Flavia Perez.
Foto Capa/Instituto Palavra Aberta

No ambiente informacional tumultuado, no qual vivemos, o debate acerca da desinformação e das fakenews é urgente e necessário para a educação de crianças, jovens e da sociedade como um todo.

Neste contexto, o Instituto Palavra Aberta, organização sem fins lucrativos que tem como causa a defesa da liberdade de expressão, lançou neste ano a websérie Conhecer para Defender. O objetivo é tornar mais claro o processo de produção da notícia junto a sociedade como um todo.

Outra iniciativa do instituto, voltada à educação sobre os meios de comunicação, foi a publicação, em outubro, do e-book Guia de Educação Midiática, disponível para download gratuito. Assinado pelas jornalistas Ana Claudia Ferrari e Daniela Machado, juntamente com a designer e educadora Mariana Ochs, o título é um material de apoio conectado ao Educamídia, programa de educação midiática do Palavra Aberta.

Para saber mais sobre a criação e estruturação desses conteúdos, a Revistapontocom entrevistou Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta. Leia a entrevista na íntegra:

Patrícia Blanco fala sobre as ações conduzidas pelo Instituto Palavra Aberta para combater a desinformação e as fake news. Foto: Divulgação

Revistapontocom – O que motivou o Instituto Palavra Aberta a desenvolver o projeto Conhecer para Defender, que detalha etapas de produção da notícia para combater desinformação?

Patrícia Blanco – no cenário atual em que vivemos, no Brasil, existe uma incompreensão sobre o papel do jornalismo. A partir dessa percepção surgiu o projeto, uma vez que ele vai ao encontro da necessidade de termos uma atitude crítica em relação à imprensa. A proposta busca despertar a atenção das pessoas para uma cobertura mal feita, por exemplo, ou que esteja tendendo para um lado ou para outro, pois está sendo muito comum vermos narrativas com um só lado das questões. Para criar a websérie, contamos com o apoio da Daniela Machado, coordenadora do programa Educamídia, que ficou à frente da produção do Conhecer para Defender.

O objetivo da websérie é alcançar não só crianças e jovens, mas sim a sociedade como um todo, permitindo que as pessoas possam entender que, além do papel do jornalismo e de seu processo de produção, a transformação da forma de consumir informação é capaz de mudar tudo na palma da pão, atualmente, por meio do amplo uso do celular em nosso cotidiano. Antes, partíamos de um pressuposto de que as pessoas entendiam o processo de produção jornalístico e não explicávamos, por exemplo, enquanto sociedade as nuances de cada gênero, seja um artigo, crônica, matéria, post patrocinado, entre outros formatos.

Começamos então a idealizar a proposta da websérie e, em janeiro desse ano, iniciamos a produção em parceria com a Jabuticaba Produções. Para trazer realidade ao conteúdo, convidamos cinco jornalistas brasileiros, propondo a eles que contassem o seu dia a dia; cada um trazendo sua experiência profissional do ponto de vista do jornalista.

Composta por 5 episódios, a websérie (inserir link https://www.palavraaberta.org.br/atuacao/webserie-jornalismo) detalha práticas e métodos adotados por jornalistas, desde a elaboração da pauta até a publicação da notícia. Participam da série os jornalistas Walmir Salaro, repórter da TV Globo; Thaís Folego, editora da Revista Azmina; Carolina Ercolin, âncora da Rádio Eldorado; André Borges, repórter do jornal O Estado de São Paulo; e Antônio Gois, colunista do jornal O Globo.

A proposta é que o conteúdo possa ser usado como material de apoio para planos de aula relacionados ao campo jornalístico-midiático da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e outras discussões sobre checagem de informações, desinformação e fontes, entre outros temas.

Revistapontocom – O projeto da websérie está conectado ao EducaMídia, programa lançado em 2019 para capacitar e engajar educadores no processo de educação midiática de crianças e jovens? Como os projetos se integram?

Patrícia Blanco – O Instituto Palavra Aberta nasceu de uma inquietude coletiva de pessoas que buscam defender a liberdade de expressão.Neste contexto,a educação midiática, leitura crítica da informação, e a atuação pelo combate à desinformação e às fakenews, que resultou no projeto Conhecer para Defender, estão entre nossos propósitos.

Revistapontocom – De que forma a websérie se conecta à educação inovadora?

Patrícia Blanco – a educaçãomidiática é um caminho para a inovação no ambiente educacional e uma forma de leitura crítica que precisamos trilhar de todos os lados, envolvendo estudantes, jornalistas e a sociedade como um todo, a fim de que eles possam desenvolver as competências necessárias para os tempos atuais. Portanto, é fundamental que as pessoas tenham abrangência informacional para entender esses ambientes, permitindo a elas diferenciar conteúdo patrocinado de uma notícia jornalística por exemplo.

Vivenciamos, hoje, a inquietação de ver tantas pessoas que não compreendem o papel da imprensa. Por isso, pensamos em dar transparência a esse tema complexo neste websérie, usando numa linguagem clara e transparente.

Revistapontocom – Como foi criado o Guia de Educação Midiática? De que forma o Instituto Palavra Aberta participou ou apoiou a produção da obra?

Patrícia Blanco – o Guia de Educação Midiática, assinado pelas jornalistas Ana Claudia Ferrari e Daniela Machado e pela designer e educadora Mariana Ochs, é um material de apoio conectado ao Educamídia, programa de educação midiática do Instituto Palavra Aberta, instituição sem fins lucrativos que atua para defender a liberdade de expressão.

O download do material é gratuito. Trabalhamos juntos para chegar a esse resultado, tendo como objetivo que o conteúdo seja utilizado em sala de aula por educadores e professores de forma interdisciplinar. Por esse motivo, buscamos utilizar uma linguagem clara e de fácil acesso, tanto nos textos quanto no design, a fim de que a linguagem visual também propicie a leitura e a compreensão das informações contidas no e-book.

Além de criarmos o guia, estamos formando professores multiplicadores em todas as regiões do Brasil. Hoje, temos 700 educadores inscritos que participam de formações on-line periódicas.

Revistapontocom – Por que, na sua opinião, é preciso refletir sobre a importância e a urgência de prepararmos crianças e jovens para uma relação rica e fortalecedora com as mídias?

Patrícia Blanco – atualmente a educação midiática é, sobretudo, inclusão e cidadania. Estamos em um mundo conectado e não vamos retroceder. Cada vez mais, vamos intensificar a atuação em um mundo no qual a comunicação é extremamente importante. Será preciso ultrapassar o conteúdo e saber usar as tecnologias para se expressar e participar ativamente de um mundo digital com a comunicação mais ampla.

Informação é poder. Por essa razão, é preciso que o indivíduo saiba consumir bem a informação e separar o que é desinformação, podendo assim exercer a cidadania de forma plena. Portanto, a educação midiática é uma camada que não precisa estar em uma caixa fechada e, sim, ser usada como ferramenta de questionamento e investigação em qualquer disciplina. Hoje, para desenvolver de forma plena as competências críticas e as habilidades socioemocionais, a educação não deve ter como foco transmitir somente o que é um outro conceito e, sim, desenvolver a análise crítica não só da mídia, mas também da informação em si.

Em matemática, o professor pode usar a educação midiática para ensinar o aluno a interpretar um infográfico. Já um professor de Ourinhos, cidade do interior de São Paulo, criou os “checadores de fakenews” na área de ciências. Nas aulas de geografia, o professor tem a oportunidade de usar a mídia para expor a polêmica acerca do terraplanismo, colocando em sala de aula as questões científicas envolvidas. Por isso, o Guia de Educação Midiática apresenta no quarto bloco essas possibilidades demostrando como a educação midiática pode ser tratada nas diferentes disciplinas curriculares, a fim de que educadores e professores tenham segurança para trabalhar o tema em sala de aula.

Revistapontocom – Quais os próximos desafios da educação midiática ou midiaeducação no Brasil e no mundo?

Patrícia Blanco – no Brasil, temos hoje um cenário propício para que a educação midiática chegue à sala de aula, uma vez que há oportunidades trazidas pela BNCC que abrem espaço para a inclusão dessa habilidade. Entre as dez competências básicas, estão presentes a cultura digital para o Ensino Fundamental II, integrando a criação do campo de jornalismo midiático ao ensino e aprendizagem da língua portuguesa, além de incluir também o Ensino Médio nessa área de conhecimento.

O desafio, portanto, é formar professores aptos a entender e aplicar a educação midiática na sala de aula diante das desigualdades sociais do Brasil. Outros países, como Finlândia, país que é referência em Educação, Estônia, Lituânia e nos Estados Unidos, a inclusão dos estudos de mídia no projeto pedagógico vem sendo desenvolvida. Hoje, com a BNCC, temos no Brasil possibilidades de ampliar a integração da educação midiática ao currículo, contribuindo para uma transformação estrutural no processo de ensino e aprendizagem em todo o país.

Para fazer o download gratuito do Guia de Educação Midiática, acesse o link (https://educamidia.org.br/guia).

Dupla colombiana conquista o primeiro lugar na competição Go Green 2020

Inscrições para a próxima competição, abertas em setembro, seguem até março de 2021

Foto Capa – Dupla colombiana vencedora do Go Green 2020 (Divulgação Schneider)

Líder em transformação digital e gerenciamento e automação de energia, a Schneider Electric lança a nova edição de seu concurso universitário Go Green, que está com as inscrições abertas. Os vencedores da competição poderão escolher uma viagem para um dos seguintes países: Boston, Londres, Nova Delhi, Paris ou Xangai, onde poderão conhecer lideranças, fábricas e polos de inovação da Schneider.

Primeiramente, os participantes fazem uma pré-inscrição pelo site e, após a etapa de triagem, os projetos selecionados têm até o dia 26/03/21 para serem enviados. Podem participar da competição estudantes que estejam cursando o segundo ano de graduação ou cursos de pós-graduação, MBA ou mestrado.

Em sua última edição, de 2020, a equipe vencedora foi a Groon, da Universidade Nacional da Colômbia. O Brasil também teve destaque no Go Green 2020 conquistando o segundo lugar na final regional com o projeto GreenShare. A tecnologia, apresentada pela equipe brasileira, é um sistema inteligente de gerenciamento e comércio energético que permite aos usuários armazenar energia renovável para usá-la durante os horários de pico. Além disso, torna possível compartilhar o excedente de energia com seus vizinhos por meio de um aplicativo. Fazem parte da equipe Daniele Kuchenbecker, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Levi Faria, da Universidade de Campinas.

Mayara Viana, líder do Go Green na América do Sul. Foto: Divulgação Schneider

“O principal objetivo do concurso é estimular e apoiar o desenvolvimento de projetos que tenham propósitos voltados a resolver as necessidades das comunidades locais, associando tecnologia ao exercício da cidadania. Um dos indicadores de performance da competição é como a empresa recruta esses estudantes, uma vez que uma de nossas metas é atuar como marca empregadora”, destaca Mayara Viana, líder do Go Green na América do Sul.

Em 2020 aconteceu a 20ª edição do Go Green na América do Sul. Foram 2000 ideias apresentadas, 175 países representados, proporcionando networking e aprendizado. A final de 2020, inicialmente marcada para acontecer em Las Vegas, nos Estados Unidos, foi realizada pela primeira vez, virtualmente, devido à pandemia da Covid-19, durante a edição deste ano do evento global de negócios Innovation Summit.

Dupla vencedora de 2020
Os ganhadores foram Angie Redondo, da cidade de Antioquia, e Jorge Polo, de Medellín. Eles apresentaram um projeto de pesca sustentável, com foco na comunidade de Bojayá, que vive no Rio Atrato, próximo à costa do Pacífico da Colômbia. A economia da região é baseada em pesca e agricultura, e hoje 22% da produção pesqueira local é desperdiçada por insuficiência de refrigeração elétrica. A ideia da equipe Groon oferece uma solução inovadora de acesso à energia e um modelo de negócios sustentável para os pescadores de Bojayá.

Além disso, os estudantes apresentam uma abordagem circular de seis etapas, que inclui o uso de técnicas tradicionais de pesca, aplicação de cotas sustentáveis e reciclagem de resíduos de peixes como biocombustível. Abrange ainda a instalação de refrigeração movida a energia solar e desenvolvimento de cadeias de abastecimento locais. Além do acesso confiável à energia renovável, o projeto Groon reduz as emissões de CO2 da indústria pesqueira local em 4,3 toneladas e preserva as tradições culturais da área.

A tecnologia é um sistema inteligente de gerenciamento e comércio energético que permite aos usuários armazenar energia renovável para usá-la durante os horários de pico. Além disso, torna possível compartilhar o excedente de energia com seus vizinhos por meio de um aplicativo. Fazem parte da equipe Daniele Kuchenbecker, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Levi Faria, da Universidade de Campinas.

Ideias ousadas para remodelar o futuro
Por causa da pandemia da covid-19, os 16 finalistas do Go Green 2020, inclusive equipes da China, Colômbia, Egito, Hong Kong, Índia, Indonésia, Rússia e EUA, apresentaram suas ideias de maneira remota a um júri de executivos da Schneider Electric. Para a edição de 2021, os estudantes sulamericanos interessados podem se registrar pelo site, acessando (https://gogreen.se.com/en/challenges/2021-south-america).

Segundo Mayara, “desde 2011, incentivamos a identificação de líderes regionais com o objetivo de promover o desenvolvimento de lideranças locais que possam transformar a realidade nas quais estão inseridas. A competição preza ainda pela equidade de gênero. Um dos critérios é que em cada dupla tenha uma mulher, uma vez que entendemos a importância de uma atuação consciente para incentivar a inserção das mulheres no setor de tecnologia e engenharia”, aponta.

O Schneider Go Green atrai estudantes de todo o mundo. Mais de 117.400 alunos enviaram 21.700 ideias de projetos. Só em 2020, mais de 24.400 alunos de 172 países participaram da competição, com quebra de todos os recordes anteriores.

Signatária do Pacto Global da ONU, a Schneider desenvolve ações relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por isso, busca uma atuação engajada pelas causas de igualdade de gênero, energia limpa e acessível, cidades e comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis e parcerias e meios de implementação.

“Match” tecnológico
Um novo recurso adicionado à plataforma da competição permite que os inscritos encontrem outras pessoas e se conectem. A triagem das duplas selecionadas é feita por colaboradores da empresa, que selecionam as dez melhores equipes da América do Sul. Mais de cem países participam da competição.

Após a formação das duplas, mentores da empresa vão se conectando a elas de acordo com a categoria do projeto inscrito. Conheça as categorias: https://gogreen.se.com/en/challenges/2021-south-america/pages/categories?lang=en. O objetivo é proporcionar suporte ao desenvolvimento dos projetos até a etapa final.

Em 2021, uma parceria com a AVEVA, líder global em software para engenharia e indústria, dará aos participantes a oportunidade de apresentar suas soluções aos principais líderes da indústria e receber orientação de especialistas e profissionais, principalmente nas áreas de tecnologia, engenharia, matemática, administração e marketing. Posteriormente, as soluções selecionadas podem ser incubadas pela Schneider por meio de parcerias.

Na era digital, educação midiática combina com todas as disciplinas

Especialistas explicam por que as competências necessárias para um bom uso das mídias digitais são fundamentais em qualquer área do conhecimento e como favorecem o exercício da cidadania. Baixe novo ebook gratuitamente

Por Vir/Maria Victória Oliveira – 20/10/2020
Foto Capa – Instituto Palavra Aberta

Mensagens de texto quase 24 horas sem parar, memes, posts nos perfis de redes sociais, publicidade e muito mais. Hoje isso cabe na palma da mão e segue um fluxo rápido, afinal é só apertar encaminhar ou compartilhar. Em um mundo no qual uma quantidade infinita de conteúdo é produzida por segundo – a chamada Era da Informação –, a educação midiática apoia e encoraja a leitura crítica, a escrita com responsabilidade e a participação ativa na sociedade.

Para Mariana Ochs, coordenadora do programa EducaMídia, essas são habilidades fundamentais para um exercício pleno da cidadania. “Em um mundo onde todos produzem conteúdo, esse não passa mais por um filtro que fala se a informação foi checada e se é de qualidade. Portanto, podemos consumir algo enviesado ou mal intencionado. Enquanto produtores, também temos uma responsabilidade quanto à qualidade daquele conteúdo e consequentemente a manutenção de um ambiente saudável”, afirma.

Cada vez mais, a educação midiática se torna fundamental para a alfabetização. “A definição de alfabetização precisa ser atualizada a cada vez que muda o contexto tecnológico ou social de produção e circulação de informação na sociedade. Ser alfabetizado, hoje em dia, passa por ter as habilidades necessárias para saber encontrar a informação que você precisa, decodificar textos em vários formatos e linguagens, ler criticamente e entender sua natureza, de onde vem, quem publicou, com qual intenção, e saber se é confiável ou não. Tudo isso faz parte das habilidades necessárias para construir conhecimento.”

Esse debate é tema central do livro Guia da Educação Midiática (https://educamidia.org.br/guia), publicação organizada por Mariana Ochs, Daniela Machado e Ana Claudia Ferrari. Destinado a gestores e educadores, o material apresenta o contexto e definição da educação midiática, além de verbetes, conceitos e exemplos práticos de atividades.

Mariana explica que o livro foi pensado de forma a orientar educadores a trabalhar a construção das habilidades com os alunos como uma camada junto dos objetivos curriculares de qualquer disciplina. O Guia tem um conjunto de 15 sugestões de atividades e planos de aula de vários componentes curriculares. “Essa foi uma tentativa de demonstrar como, ao planejar uma aula, o educador pode pensar no objetivo curricular e também no objetivo midiático a ser trabalhado, seja ele discussão sobre fontes, confiabilidade, o papel das hashtags na sociedade, discurso de ódio, diversidade e representação na mídia e muitos outros”.

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A educação midiática de forma transdisciplinar na escola

Na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), documento que define os objetivos de aprendizagem ao longo da educação básica, as práticas de linguagem estão organizadas por campos de atuação de modo a favorecer o trabalho com a educação midiática: o campo jornalístico-midiático, práticas de estudo e pesquisa, atuação na vida pública e artístico-literário.

Por mais que os nomes dos campos pareçam restringir o trabalho ao professor de língua portuguesa, é importante pensar a educação midiática como um conjunto de ferramentas capaz de alcançar diferentes áreas conhecimento, de forma a conectá-la a trabalhos e projetos desenvolvidos em cada disciplina, e não como um componente à parte. “É um movimento de, dentro da proposta da disciplina, seja ela qual for, ensinar o aluno como trabalhar, ler e perceber o midiático naquele tema ou contexto. Não é algo separado, mas sim sobre a forma como o professor dá a aula usando as mídias disponíveis e todas as estratégias de educação midiática”, diz Carla Arena, cofundadora do Amplifica, que apoia a formação de professores em educação midiática.

No contexto educacional, professores precisam pensar em atividades que possibilitem que os alunos desenvolvam essas habilidades e, nesse sentido, o docente atua não como um detentor de conhecimento, mas como um orientador da aprendizagem do estudante. Portanto, antes de os alunos colocarem em prática essas habilidades, é preciso que o professor compreenda o conceito e as estratégias para trabalhar a educação midiática.

“O professor precisa de modelos para ter por onde começar. Além disso, nas nossas formações, sempre criamos comunidades de aprendizagem para que busquem e troquem informações e novas formas de fazer, sempre focado em como podem ajudar o aluno”, explica Carla. Além disso, a especialista pontua que, da mesma forma como o conceito de educação midiática deve ser aplicado em várias disciplinas, é importante que todos os professores tenham a oportunidade de participar de formações para se familiarizar com essa nova forma de ensinar.

Educação midiática com distanciamento social

Mesmo que professores e alunos estejam fisicamente distantes, impossibilitando a supervisão de pesquisas, por exemplo, é possível praticar a educação midiática fazendo uso amplo e criativo das ferramentas digitais disponíveis. Nesse processo, Carla reforça a importância de os alunos tornarem sua pesquisa o mais visível possível, de forma que o professor consiga acompanhar o processo de aprendizagem de forma online.

“Se estão trabalhando essa parte de investigação e pesquisa, o aluno pode usar o editor de textos e formulários, vídeos, representações visuais, textos, sínteses ou qualquer ferramenta para sistematizar o conhecimento que está pesquisando. A partir do momento que faz esse registro, o professor pode ir acompanhando. Ao mesmo tempo que fica mais visível para o aluno, fica também para o docente.”

Mariana, por sua vez, frisa que a pandemia e o ensino remoto acentuaram ainda mais a necessidade de a educação para o século 21 ir além da entrega de conteúdo. “Todo esse trabalho de construção da fluência digital nas escolas teve que ser muito acelerado e precisamos estar atentos, porque podemos cristalizar uma coisa muito errada, que é transpor para o online as aulas meramente expositivas, ou podemos aproveitar para construir um tipo de educação que dá mais autonomia para que alunos possam investigar, explorar e criar aprendizagem baseada em investigação, problemas e projetos.”

Ela conta que um dos especialistas ouvidos para a elaboração do conteúdo do Guia do EducaMídia afirma que, atualmente, não é apenas uma vantagem ter um letramento digital e midiático – mais do que isso, é uma desvantagem debilitante não ter. “Hoje em dia, a inclusão não está só no acesso à tecnologia, mas também na qualidade da experiência que você tem ao acessar a informação no ambiente digital. A construção dessas habilidades é a diferença entre você ter ou não ter uma experiência fortalecedora e construtiva no ambiente digital, que representa sua inclusão e a possibilidade do exercício da cidadania plena”, ressalta Mariana.

Na prática

Em um exemplo prático, a educação midiática permite um trabalho transdisciplinar envolvendo geografia e interpretação de dados e contextos. “Podemos trabalhar a questão das queimadas da Amazônia, por exemplo, fazendo investigação de gráficos divulgados por veículos noticiosos, uma vez que são elementos das narrativas. Dependendo de como são criados em seus eixos e como apresentam as informações, os gráficos podem passar mensagens diferentes”, afirma Mariana.

Ela cita também o caso da professora Gislene Lacerda, que depois de um curso do EducaMídia, se sentiu inspirada a unir o trabalho sobre peste negra, coronavírus e fake news (notícias falsas). “Quando fala-se vírus chinês, é possível interpretar a escolha de palavras e entender como isso está relacionado a xenofobia. A educação midiática também pode ser trabalhada quando você trata de conceitos relacionados a astronomia, física, gravidade e planetas. É possível introduzir a questão do terraplanismo e falar sobre teorias da conspiração ou sobre falsa equivalência, quando teorias que não têm a mesma representatividade dentro da comunidade científica recebem tratamento equivalente na mídia, por exemplo.”

Carlos Lima, coordenador do núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, explica que a rede oferece formação continuada ao longo de todas as etapas de ensino, de forma a possibilitar que os educadores consigam visualizar o poder de produção dos estudantes. “Nas formações, não chegamos falando que vamos ensinar sobre educomunicação, porque quase ninguém sabe do que se trata. Nós partimos do princípio que os professores já desenvolvem alguma relação com as mídias, seja no trabalho ou para consumo pessoal. Partindo do que eles já sabem, vamos apresentando essa nova cultura, que é o uso da comunicação, das linguagens midiáticas e de suas tecnologias no fazer pedagógico. Assim, começamos a abrir as possibilidades para esse professor poder trabalhar a educomunicação”.

Devido a sua atuação na SME, Carlos tem contato com inúmeros projetos relacionados a educação midiática. Um deles é o telejornal Espaço Criança. “Algumas famílias de crianças não estavam deixando os filhos tomarem vacina pois viram alguma notícia no Facebook sobre o perigo das vacinas. Conversando com as professoras, as crianças chegaram a conclusão sobre a importância de desenvolver uma campanha, liderada pelos alunos, na qual iriam produzir vídeos conversando com agentes de saúde no posto médico. As próprias crianças deram uma definição de fake news, falando que é como se fosse uma notícia que diz que o Saci Pererê tem duas pernas”, exemplifica Carlos.

O coordenador também cita a experiência de estudantes da Escola Municipal Henrique Souza Filho, no bairro de Jardim Marilu (SP), que criaram um canal no YouTube no âmbito do projeto HENFILMES – Oficina de Cinema. Além de tratar temas de interesse das crianças e jovens, os vídeos também endereçam notícias da escola e assuntos da atualidade.

Além de crianças e jovens, o trabalho de educação midiática também é desenvolvido na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nesse caso, Carlos cita a experiência do Centro de Integração de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) Perus (SP). “O projeto envolve, inclusive, estudantes estrangeiros, pois a região conta com famílias haitianas. A proposta trabalha a questão da pluralidade  inclusão dessas pessoas, produzindo mídia comunitária com um blog, rádio e um projeto de leitura crítica da mídia e combate a desinformação e fake news.”

Sobre ideias e sonhos

Mariana Amado Costa

Meus sonhos costumam ser recheados de sensações, que alcançam todos os sentidos. Sinto cheiros, dor e prazer, tristeza, medo — que na infância era pavor —, vejo cores em diferentes paletas, ouço músicas, exerço (com excelência inaudita) meu parco poliglotismo. Sei, por me contarem, que, enquanto durmo, eu canto, rio, choro, grito e, até mesmo, falo elfo.

São sonhos muitas vezes complexos, com diferentes formas narrativas, em que me encontro como personagem (ou personagens) ou como observadora — intrigada, confusa ou onisciente. Às vezes, eles se sucedem como se fossem vários episódios ou releituras de uma estória. Lembro de muitos sonhos por anos, a alguns dos mais marcantes dou títulos, como Pérola negra e Vovó é uma lagarta de fogo.

Recordá-los em maior ou menor quantidade, assim como o nível do detalhamento, depende muito do ambiente e da rotina: no mato é sempre mais intenso do que na cidade, e acordar sem despertador permite aplicar um método que fui aprimorando ao longo da vida, mas no qual estou, infelizmente, muito enferrujada. Difícil explicar, é ir acordando devagar, sem deixar que se vão as sensações e acolhendo de bom grado os pensamentos confusos do momento híbrido entre sono e vigília. Assim, vou puxando um fio que vem trazendo as lembranças.

Noite passada, mamãe, eu e mais duas ou três pessoas desconhecidas estávamos num elevador, quando ouvimos um barulho de estouro, seguido de cheiro de queimado, e o elevador começou a cair. Procurei me agachar para evitar que a espinha perfurasse o cerebelo no momento do impacto e tentei explicar isso à mamãe, para que ela fizesse o mesmo, mas não consegui, porque a situação exigia muita atenção, não dava para falar ao mesmo tempo. Percebi depois de um pouco que a queda era muito lenta (embora fosse queda livre), o que trouxe dúvida sobre se a morte seria ou não certa. Estancamos de repente, sem maior problema, e as portas se abriram — curto alívio. O edifício estava pegando fogo, devido a uma explosão, e a situação era de “salvese quem puder”. Não chegou a ser interessante, o despertador tocou e interrompeu abruptamente a experiência.

Vejo dessa forma os sonhos, como experiências vividas, bem reais. Enfim, um prato cheio num processo psicanalítico. Mas queria mesmo falar da livre associação de ideias e não sei como os sonhos se impuseram. Ou melhor, sei sim, por uma livre associação de ideias (como queríamos demonstrar, haha), já que ambos servem à interpretação do inconsciente.

Pois, hoje é dia das crianças, o que não me interessa minimamente e provavelmente nem teria lembrado do fato se nas Lojas Americanas, onde fui comprar chocolate meio amargo para fazer cookies semana que vem, não estivessem tocando músicas infantis das mais horrorosas, tipo “não maltrate o gati-nho-nho”. Pensei se a moça do caixa seria obrigada a ouvir aquilo todos os dias, então me dei conta de que é feriado e, apesar disso se dever ao dia de Nossa Senhora Aparecida, não é o que importa ao comércio.

Mais tarde, recebi uma mensagem com uma foto e um textinho, como se fosse o Bozo escrevendo sobre a infância dos filhos. Achei a piada fraca, mas a fotografia, que já tinha visto, trouxe à mente, pela segunda vez, a mesma comparação. A esposa de Bolsonaro na época, mãe dos seus filhos mais velhos, está muito parecida com a Mia Farrow quando mais jovem. Parece mais com ela, por exemplo, em Hannah e suas irmãs, um de meus preferidos dentre os que fez com Woody Allen, perdendo na minha estima, talvez, para Sombras e neblina.

Mas não pensei nos filmes de Allen na hora. Só depois, quando comecei a pesquisar fotos da atriz. O que veio na hora, assim como havia vindo da vez anterior em que vi a bela imagem de papai, mamãe e os três pimpolhos, foi a lembrança de que Farrow protagonizou um dos filmes sombrios do Polanski de que mais gosto, O bebê de Rosemary, em que a personagem título tem um filho com o Rabudo. Um dos poucos filmes de terror que vi e revi.

Perde para A morte e a donzela, este com Sigourney Weaver como uma ex-torturada pela ditadura argentina (ou chilena, não lembro) que reencontra, por acaso, seu algoz. O título vem da peça de Schubert, que era a trilha sonora das sessões de tortura. Pensando bem, engravidar do demônio e ser torturada talvez não passem de variações sobre o mesmo tema. Certamente, ambas passíveis de uma associação bem clara com o facínora que hoje preside o Brasil.

Coincidentemente, muitas presas políticas da ditadura militar brasileira ficaram na chamada Torre das donzelas, ala feminina no Presídio Tiradentes. Uma amiga querida foi encarcerada lá, assim como a ex-presidente Dilma Roussef.

O percurso foi do Planalto ao Planalto, passando pelas Americanas da esquina, Nova Iorque, Europa, América Latina, São Paulo, numa rápida viagem. Isso me faz pensar que as idéias (ainda) são livres. E que a arte nos alimenta e nos irmana, talvez a maneira mais fraterna de compartilharmos ideias e sonhos.

A água fala

Resultado de uma autoria coletiva, os escritores Maria Helena, Aparecida e Maurício Andrés lançam livro infantil no qual a protagonista e narradora é a água

Para as próximas gerações será cada vez mais vital ter não apenas conhecimento especializado, mas sim uma consciência holística e integral sobre a água. Resultado de uma autoria coletiva composta por Maria Helena, Aparecida e Maurício Andrés, o livro A água fala traz a água como primeira pessoa do singular, como se a narrativa fosse contada por ela.

Dividido em cinco partes, o título descreve uma viagem pelo ciclo completo da água no ambiente, seu movimento, sua presença nos corpos vivos, na cultura e as questões relacionadas com o seu uso. A obra, permeada por ilustrações da artista Maria Helena Andrés, uma das autoras, é dirigida aos jovens numa linguagem sintética e poética. 

Na primeira parte, o leitor é convidado a se aproximar da água e a conhecer suas viagens pelo universo e pela Terra. Em primeira pessoa, ela descreve como circula no meio ambiente e mostra os diversos estados que assume diante do calor e do frio e das mudanças de temperatura que a tornam vapor, líquida ou sólida. Além disso, mostra que pode ser doce, salobra ou salgada e como é um sinal que indica a existência de vida.

Já na segunda parte, o leitor é convidado a acompanhar a água em seu movimento, vivenciando as formas que ela assume e os diversos lugares que ocupa nos céus, na terra, no subsolo como granizo, chuva, flocos de neve. Ao longo da narrativa, a água então descreve seu ciclo, com a precipitação, a evaporação, a infiltração no solo, mostrando como surge em nascentes e provoca a erosão dos solos, as enchentes, as inundações e as secas.

A terceira parte descreve o caminho da água nos corpos vivos de seres humanos, animais e plantas e ressalta seu papel e importância para a vida. Ela está na seiva que transporta sais minerais nas plantas que a transpiram para o ambiente, nos líquidos dos corpos vivos, como as lágrimas, o suor, o sangue, a urina, no líquido em que os bebês vivem no útero das mães, na limpeza dos corpos nos banhos, entre outras tantas possibilidades.

Por ser tema frequente na cultura, nas religiões e nas artes, a quarta parte do livro aponta a água como ela é cantada, falada e mostrada nas diversas manifestações culturais e artísticas, seja na música, na poesia, na dança, no urbanismo e no paisagismo. Em muitas tradições espirituais ela é sagrada e está presente em rituais, como o batismo cristão, e nas narrativas bíblicas, como a do dilúvio. Em outras tradições, há deuses e deusas ligados à água e rituais como a dança da chuva dos índios. Muitas palavras em diferentes idiomas se referem a ela e muitos lugares e cidades têm nomes relacionados com as águas.

O livro realça ainda alguns dos múltiplos usos da água na quinta e última parte: para o abastecimento humano e para matar a sedes dos animais, para a agricultura na irrigação, para a geração de energia, para o transporte, para a pesca, a recreação, o lazer e o turismo. Dessa forma, a obra ressalta a necessidade dos indivíduos pelos recursos hídricos para manter a saúde e o bem-estar.

Além disso, o livro denuncia os desperdícios que acontecem acerca do consumo da água, enfatizando os problemas e a insegurança decorrentes de sua escassez ou excesso, com as secas e as inundações. Paralelamente, mostra a importância de se construírem obras tais como açudes, canais, aquedutos, estações de tratamento de água e de esgotos e de conservar os solos e promover sua proteção como uma riqueza de grande valor. A importância de se desenvolver a cooperação em torno da água também está presente, incluindo a necessidade do diálogo e da crítica direcionada a rivalidades, conflitos e violência entre aqueles que dela precisam e que a disputam.

Com versões em quatro idiomas (português, inglês, francês e italiano), o livro já está disponível em formato eletrônico e a tradução para a versão em espanhol se encontra em fase de revisão.

Para saber mais sobre o processo de criação do livro A água fala, entrevistamos o escritor Maurício Andrés, um dos autores do livro. Leia abaixo:

Revistapontocom – Quais fatores motivaram a criação do livro A água fala? 

Maurício Andrés – para as próximas gerações será cada vez mais vital ter não apenas conhecimento especializado, mas uma consciência holística e integral sobre a água. Motivados por isso escrevemos o livro A água fala na primeira pessoa do singular, como se a narrativa fosse feita pela própria água.

Revistapontocom – Qual o público-alvo do livro?

Maurício Andrés – a obra é dirigida aos jovens, numa linguagem sintética e poética, permeada por ilustrações da artista Maria Helena Andrés.

Revistapontocom – Quando começou o projeto?

Maurício Andrés – o projeto de criação do título começou há mais de dez anos, enquanto trabalhei profissional e institucionalmente com o tema da água e senti necessidade de transmitir esse conhecimento numa linguagem comunicativa para promover a hidroconsciencia e dissolver a hidroalienação.

Revistapontocom – Quais os pilares da narrativa?

Maurício Andrés – as cinco partes do livro tratam de vários aspectos da água: seu movimento no cosmos e no ambiente; sua importância como substância em que se origina a vida; sua importância nas culturas e nas artes; seus múltiplos usos e os conflitos entre usuários quando ela escasseia; e os modos de gerir e compartilhar a água para que ela esteja disponível a todos os que dela necessitam. Além disso, o livro apresenta um glossário com palavras importantes no universo da água e perguntas voltadas para uma leitura dirigida, além de exercícios para atividades escolares.

Revistapontocom – Quais as principais fontes de pesquisa para o desenvolvimento do livro?

Maurício Andrés – a minha vivência e experiência durante mais de uma década numa instituição que cuida das águas, hoje chamada de Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, me colocou em contato com especialistas de várias formações disciplinares e acadêmicas altamente qualificados e com publicações, eventos e estudos técnicos e científicos que  foram fontes valiosas para ampliar meu aprendizado sobre esse tema fascinante. Complementei esses conhecimentos com pesquisas no campo da agenda cultural das águas e sua presença na história das civilizações humanas.

Revistapontocom – Como os autores se dividiram para construção do roteiro?

Maurício Andrés – O roteiro foi concebido por mim, que elaborei o texto base. Em seguida, Aparecida adaptou esse texto base para uma linguagem poética e sintética a fim de facilitar sua comunicação com o público jovem e com os leitores, em geral. Por fim, Maria Helena criou as cerca de cem ilustrações correspondentes a cada segmento do texto.

Revistapontocom – Qual mensagem o livro quer passar e por quê?

Maurício Andrés – o livro quer passar para os jovens uma mensagem sobre a importância de conhecer bem a água, elemento vital e essencial que precisará ser cada vez mais bem gerenciado e cuidado, para que não falte a todos aqueles que dela precisam em suas vidas.

Sobre os autores
Maria Helena Andrés é artista plástica, arte-educadora e escritora. Foi uma das primeiras alunas do pintor e artista plástico francês Alberto da Veiga Guignard. Premiada em vários salões e bienais, expôs na França, Itália, no Chile, nos Estados Unidos e tem obras em museus no Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos. Fez inúmeras viagens de estudos à Índia. Escreveu vários livros (Vivência e Arte; Encontros com mestres no Oriente; Oriente-Ocidente – integração de culturas; Os Caminhos da Arte) e ilustrou outros tantos (escritos por Pierre Weil, Marco Antonio Coelho, Aparecida Andrés). Publica artigos e textos sobre artes, sua vida de artista e suas memórias e viagens nos blogshttp://mariahelenaandres.blogspot.com/ 
http://memoriaseviagensmha.blogspot.com/

Da esquerda para a direita, as escritoras Aparecida e Maria Helena Andrés

Aparecida Andrés é graduada e mestre em Filosofia, cursou o mestrado em Ciência Política e é médica. Foi professora de Filosofia, pró-reitora de Extensão na UFMG e Consultora Legislativa na Câmara dos Deputados. Escreveu o livro infanto-juvenil Pepedro nos caminhos da Índia, que narra as viagens de um menino brasileiro àquele país. Tem vários artigos e textos acadêmicos e literários publicados.

Os escritores Maurício e Maria Helena Andrés, uma das mais importantes artistas
plásticas brasileiras que compôs a “A água fala” em autoria coletiva com seu filho e nora

Maurício Andrés é arquiteto, fotógrafo e escritor. Escreveu vários livros sobre Ecologia e sobre a Índia.  Foi gestor ambiental em Belo Horizonte e no Estado de Minas Gerais. Em Brasília foi diretor do Ministério do Meio Ambiente e conselheiro no Conselho Nacional de Meio Ambiente e no Conselho Nacional de Recursos Hídricos, assessor na Agência Nacional de Águas e palestrante no Programa de Pós -Graduação em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos- ProfÁgua. Participa de ONGs pela paz e pelo federalismo mundial. Publica no blog http://ecologizar.blogspot.com/ 

Ficha técnica:
Edição: Instituto Maria Helena Andrés
 Produção Editorial: Maurício Andrés
Revisão: Aparecida Andrés
Layout e capa: João Diniz
Primeira edição publicada em português, inglês e francês e italiano em 2020

Copyright Instituto Maria Helena Andrés – toda a receita desse livro é destinada ao Instituto Maria Helena Andrés, para atividades no campo da arte e do desenvolvimento humano.

Link para o livro A água fala. em português:

Link para o livro Water Speaks. em inglês

Tradução de Jane Roberta Lube.

Link para o livro L’eau parle em francês

Tradução de Anne-Sophie de Pontbriand Vieira.

Link para o livro L’acqua parla em italiano:

Tradução de Giorgio De Antoni – revisão de Alberto Sica.

Educação inclusiva na prática

Obra traz seis relatos de experiências práticas

Conexão Escolas – 05/10/2020

O Instituto Rodrigo Mendes acaba de disponibilizar, gratuitamente, a publicação “Educação Inclusiva na Prática – Experiências ilustram como podemos acolher a todos e perseguir altas expectativas para cada um”. Trata-se de uma obra que traz experiências reais de estudantes com deficiência em sala de aula com o objetivo de promover diálogo e reflexão entre professores e suas escolas. A organização é de Rodrigo Hübner Mendes, superintendente do instituto.

O livro traz seis relatos. Todos são brasileiros – cinco de escolas públicas e um de escola particular – e fazem parte do acervo de boas práticas do Diversa, portal idealizado pelo Instituto Rodrigo Mendes. As iniciativas são apresentadas em seu contexto, expostas com seus problemas e modos como foram enfrentados, envolvendo cinco esferas sociais: políticas públicas, gestão escolar, estratégias pedagógicas, famílias e parcerias.

Ao final de cada um dos casos, o leitor encontra “notas de ensino”, sínteses dos aspectos considerados mais relevantes pelos autores dos textos, para apoiar profissionais que pretendem explorá-­los em iniciativas de formação sobre Educação Inclusiva. O objetivo é que sirvam como fonte de inspiração e pesquisa para outros projetos educacionais comprometidos com a educação inclusiva. A recomendação é que não devem ser encarados, portanto, como receitas prontas a serem replicadas com expectativas de se chegar ao mesmo resultado, conforme explica Rodrigo Hübner Mendes, organizador da obra: “Pensar em educação inclusiva exige romper radicalmente com algumas das referências que herdamos e inventar novas formas de educar. Para que isso seja possível, é fundamental que estejamos abertos ao questionamento permanente e aceitemos nossas incertezas como parte natural do processo de ‘reinvenção’.”

Foto: Conexão Escolas

Com prefácios assinados por Fernando Reimers, professor da Universidade de Harvard, e Lino de Macedo, professor da Universidade de São Paulo (USP), a obra conduz o leitor, portanto, pelo universo da relação entre ensino e aprendizagem de pessoas com deficiência na escola comum, apresentando nuances sensíveis dos desafios e das conquistas de professores, gestores escolares, equipes de secretarias de Educação, familiares de estudantes e outros profissionais cotidianamente desafiados a educar todos e cada um, apostando na proposta inclusiva para a Educação Especial.

O livro é recomendado aos educadores, estudiosos, profissionais de áreas diversas envolvidos com a Educação Inclusiva e pessoas com deficiência e seus familiares, além disso é uma referência para pesquisa, obtenção de informações conceituais e exemplo de análise de vivências que investiram na certeza de que todos podem aprender e de que a diversidade é um valor fundamental para a educação. A obra pode ser acessada em mod.lk/edinclus. O download do arquivo é gratuito na versão Epub e PDF. A publicação é um lançamento da Moderna e da Fundação Santillana.

Cursos on-line para professores: Capes abre 300 mil vagas gratuitas

As atividades são voltadas a educadores da educação básica e estudantes de licenciatura

Revista Educação/Redação – 21/10/20

Estão abertas as inscrições para 300 mil vagas em cinco novos cursos gratuitos, totalmente online, para professores e estudantes de licenciatura em todo o país lançados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), com o objetivo de preparar os profissionais da educação básica para utilizar ferramentas on-line em sala de aula ao retornarem às atividades presenciais, ou dentro de novos ambientes virtuais de ensino e aprendizagem.

Com isso, o intuito é que os atuais e futuros professores aprendam a produzir seus próprios materiais audiovisuais e a aperfeiçoar suas práticas de sala de aula de maneira presencial ou a distância.

Organizados para serem realizados a partir de novembro de 2020 e durante 2021, os cursos têm carga horária diferenciada e buscam atender às necessidades específicas de cada interessado. Aliás, o investimento na formação continuada de professores faz parte da diretriz da Capes em buscar a valorização e a formação de professores da educação básica.

Valorização docente

Benedito Aguiar, presidente da Capes, considera que “uma nação se desenvolve à medida em que investe em educação, e as atualizações metodológicas são fundamentais no processo de ensino e aprendizagem”. Segundo ele, “o uso de metodologias mediadas por novas tecnologias de informação e comunicação, mais do que nunca, precisa ser incentivado e não se pode pensar em melhoria do processo de ensino e aprendizagem sem investir na qualificação contínua do professor”.

A saber, fruto de uma parceria entre a Capes e a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), as 300 mil vagas foram disponibilizadas graças ao empenho para formatar a estrutura dos cursos e deixá-los acessíveis ao público-alvo. “A formação de professores é um tema que deve ser tratado de forma prioritária, principalmente se considerarmos o cenário atípico em que estamos vivendo no momento. A pandemia e as suas consequências forçaram profissionais da educação a uma rápida e intensa adaptação. Dessa forma, a parceria com a Capes se torna muito valiosa pela oportunidade de crescimento e atualização que proporciona, dentro desta nova realidade em que estamos”, observa Gustavo Costa, reitor da UEMA.

Inscrições

As inscrições estarão abertas até 15 de novembro ou até preenchimento das vagas. Podem participar professores em exercício e estudantes de licenciatura. A formação de turmas se dará por meio de ordem de inscrição. (clique aqui para se inscrever).

A abertura destes novos cursos culminará com a oferta de quase 500 mil vagas em cursos online oferecidos pela Capes, desde março de 2020. Nesse sentido, depois de oferecer 145 mil vagas em cursos gratuitos de português, matemática, estatística e tecnologias da informação e da comunicação, a estratégia da Coordenação está direcionada ao processo de ensino e aprendizado de conteúdo, materiais e ferramentas tecnológicas para o novo ambiente educacional virtual.

Cronograma de início dos cursos

Novembro/2020

Como produzir videoaulas

Mediação em EAD

Desenho didático para o ensino online

Fevereiro/2021

Multimeios em educação

Psicologia na educação

Cursos

Os cinco cursos da Capes para professores começam em Como produzir videoaulas. Com 25 horas de duração, ele ensina as técnicas básicas para produção de aulas em vídeo, mostrando a importância do planejamento e da construção de um bom roteiro na criação de vídeos educacionais.  Em seguida, a Mediação em EAD, com 30 horas.

Nesse curso são apresentados os aspectos que envolvem a tutoria na educação a distância, as funções do professor/tutor, competências e habilidades imprescindíveis para trabalhar em cursos mediados por tecnologias, bem como os diversos ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) e as ferramentas utilizadas no processo ensino e aprendizagem.

O terceiro curso, Desenho didático para o ensino online, é destinado a qualificar os participantes em planejamento e mediação e instrumentos avaliativos para educação Online. Sua carga é um pouco maior: 50 horas-aula.

Por fim, o quarto e o quinto curso – Multimeios em educação e Psicologia na educação – terão 60 horas de duração. O primeiro trata do uso da tecnologia como recurso didático e apresenta ao futuro professor, tecnologias que foram utilizadas na educação, mostrando formas de inovar e se apropriar dessa ferramenta, instigando assim, a melhoria na aprendizagem. O último curso é voltado para o estudo científico proporcionado pela psicologia aplicada à educação e seu papel na formação do profissional. Nele, o participante terá a oportunidade de compreender a evolução histórica da psicologia, identificando alguns dos seus principais conceitos e aplicando-os em suas atividades.

1ª Bienal Virtual do Livro de São Paulo, em dezembro, estima receber um milhão de visitantes

Evento acontece entre os dias 7 a 13 de dezembro

Conexão Escolas – 02/10

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anuncia a 1ª Bienal Virtual do Livro de São Paulo, de 7 a 13 de dezembro de 2020. Com o conceito Conectando Pessoas e Livros, o evento acontecerá em uma plataforma digital de fácil acesso tanto para o expositor como para público em geral.

O primeiro grande evento virtual do segmento será totalmente on-line e deve reunir leitores, escritores, parceiros, editores, distribuidores, livrarias e tantos outros profissionais do mercado editorial, em encontros com as portas abertas para o mundo. Na plataforma vai ser possível assistir a palestras, comprar livros e realizar negócios.

“Pela primeira vez, pessoas de todos os lugares do Brasil e do mundo poderão participar dessa grande festa, conhecendo as novidades, fazendo bons negócios e aproveitando as palestras que jamais estariam disponíveis de outra forma. Nossa expectativa é receber 150 expositores e mais de 1 milhão de visitantes on-line.”, destaca Vitor Tavares, presidente da CBL.

Alguns espaços culturais da Bienal de SP, que fazem muito sucesso na feira física, terão uma versão digitalizada: a Arena Virtual e o Salão de Ideias irão trazer temas contemporâneos e muito bate-papo com autores. Durante o evento, acontecerá também a 2ª edição da Jornada Profissional, com rodadas de negócios entre players nacionais e internacionais. Esses encontros também promovem discussões sobre os panoramas atuais do setor e as perspectivas para o mercado editorial mundial.

As rodadas de negócios serão exclusivas para empresas apoiadas pelo Brazilian Publishers, projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a CBL e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A Jornada Profissional contará com 30 compradores internacionais previamente selecionados. As mesas e discussões serão abertas e poderão ser acompanhadas por todos os interessados.

Prêmio Educador Nota 10 divulga finalistas

Professor Luiz Felipe Lins é o educador do ano do Prêmio Educador Nota 10 e seu projeto, Geometria e Construção, foi o mais votado em #esseprojetoé10

Os vencedores representam Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Dos 10 projetos campeões, cinco são trabalhos realizados com alunos do Ensino Fundamental (somando anos iniciais e finais), três com turmas do Ensino Médio, um de gestão e outro com crianças bem pequenas.

Já entre as disciplinas, são dois projetos de Língua Portuguesa, um trabalho de gestão escolar e um com crianças bem pequenas. Completam a lista iniciativas de Artes, Educação Física, Filosofia, Matemática, Geografia e Física.

Os 50 finalistas, selecionados por trabalhos de excelência que servem de inspiração para todos os educadores do Brasil, realizaram projetos em 19 estados desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Participaram da edição 2020 do prêmio 3.761 educadores. A iniciativa reforça a importância da valorização do professor no Brasil.

Sobre o prêmio

O Prêmio Educador Nota 10 foi criado em 1998 pela Fundação Victor Civita que, desde 2014, realiza a premiação em parceria com Abril, Globo e Fundação Roberto Marinho.

Reconhece e valoriza professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país.

O Prêmio tem o patrocínio da Fundação Lemann, SOMOS Educação e BDO, e o apoio da Nova Escola, Instituto Rodrigo Mendes e Unicef. Desde 2018, o Prêmio Educador Nota 10 é associado ao Global Teacher Prize, prêmio global de Educação.

Ao longo das últimas 22 edições foram recebidos mais de 75 mil projetos, e foram premiados 241 educadores, entre professores e gestores escolares, que receberam aproximadamente R$ 2,6 milhões.

De mãos dadas, unidos por um mesmo propósito: valorizar a Educação
Essa foi a mensagem da 22ª edição do Prêmio Educador Nota 10, maior e mais importante prêmio da Educação Básica brasileira que, entre quase cinco mil inscritos, elegeu dez professores vencedores, um Educador do Ano de 2019 e um projeto escolhido pelo voto popular.

Em uma Sala São Paulo lotada, a cerimônia de premiação realizada na noite desta segunda-feira (30) consagrou a Coordenadora Pedagógica Joice Lamb, de Novo Hamburgo (RS), como Educadora do Ano. Já Patrícia Barreto, professora de Nova Cruz (RN), recebeu uma homenagem por ter seu projeto eleito pela votação popular #Esseprojetoé10, promovida pelo site do Prêmio.

O mundo da língua portuguesa nas telas do Fliaraxá

Festival colocará na tela cerca de 100 autores de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, São Tomée Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Esta edição homenageia Conceição Evaristo e JoséEduardo Agualusa e tem como patronos João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector e Calmon Barreto. 24 por dia

“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português” – a frase de José Saramago, extraída do documentário “Língua – Vidas em Português”, de Victor Lopes, é o tema/conceito da nona edição do Fliaraxá – Festival Literário de Araxá –, que segue até o dia 1º de novembro nas telas do site www.fliaraxa.com.br, em programação contínua, 24 horas por dia.

Sem perder o sentido de geolocalização, a transmissão será de forma virtual, direto do palco do Teatro Tiradentes, no Grande Hotel de Araxá, alternando momentos híbridos, mas sem público presente. Inovando, tudo acontecerá sob a âncora e a batuta do criador e curador do Festival, o jornalista Afonso Borges, também ao vivo. A curadoria inclui também o cientista político e escritor Sérgio Abranches, a historiadora, escritora e professora Heloísa Starling e o escritor Tom Farias.

Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto, que comemoram centenário de nascimento, serão os Patronos; e Conceição Evaristo e José Eduardo Agualusa, os autores homenageados. Calmon Barreto será o patrono local; e o ator Antonio Fagundes, a personalidade literária do ano. O patrocínio é da CBMM e o apoio cultural do Itaú, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Secretaria Nacional de Cultura, do Ministério do Turismo.

Estarão reunidos na tela das redes sociais do Fliaraxá cerca de 100 autores de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. A ideia é criar um processo de sinergia entre os autores que falam e escrevem em língua portuguesa por todo o mundo, inclusive os que moram fora, como Lucrécia Zappi e Adriana Lisboa, ambas nos Estados Unidos.

A lista de autores inclui, de Angola, Ondjaki e José Eduardo Agualusa; de Cabo Verde, Germano Almeida; de Moçambique, Ungulani Ba Ka Khosa, Mbate Pedro e Mia Couto; de Portugal, Valter Hugo Mãe, Bruno Vieira Amaral, Gonçalo M. Tavares, António Araújo, João Luís Barreto Guimarães, José Luís Peixoto, Tânia Ganho, Teolinda Gersão, Onésimo Teotónio de Almeida, Afonso Cruz e Yara Monteiro; de São Tomé e Príncipe, Olinda Beja; do Timor Leste, Luís Cardoso; da Guiné-Bissau, Abdulai Silá; do Brasil, Victor Lopes, Pasquale Cipro Neto, Monja Coen, Antônio Fagundes, Paulo Scott, Luiz Ruffato, Lira Neto, Ronaldo Correia de Brito, Sérgio Rodrigues, Elisa Lucinda, Heloisa Starling, Lilia Schwarcz, Tom Farias, Milton Hatoum, Joca Terron, Noemi Jaffe, Sérgio Abranches, Jeferson Tenório, Nélida Piñon, Marina Colasanti, Simone Paulino, Antonio Carlos Secchin, Schneider Carpeggiani, Conceição Evaristo, Itamar Vieira Júnior, Santiago Nazarian, Raphael Montes, Eliana Alves Cruz, Ignácio de Loyola Brandão, Ailton Krenak, Djamila Ribeiro, Xico Sá e as brasileiras que vivem nos Estados Unidos, Lucrécia Zappi e Adriana Lisboa.

Afonso Borges, empreendedor cultural e criador do Fliaraxá, fala sobre a produção desta edição on-line. Foto: Daniel Biachini

Para desenhar esta edição, o idealizador e diretor do Fliaraxá, Afonso Borges, construiu uma parceria com a The Book Company, de Portugal, empresa responsável pelos principais festivais literários em Portugal e na África. “Ao final do evento, vamos soltar um manifesto pela sinergia da língua portuguesa e tentar fazer o que a Lusofonia não alcançou”, diz Afonso. “Acredito que ninguém tenha reunido nomes tão importantes da literatura portuguesa num mesmo festival como estamos fazendo este ano. É um momento duro em todo o mundo, em que a cultura deve cumprir seu papel de alento, conforto e inspiração para todos que estão em casa ou em situação de restrição por causa da pandemia de Covid-19.” 

Para as crianças

Em 2020, a programação infantil do Fliaraxá traz diversas atividades em tempo real, com escritores como Rosana Rios, Paula Pimenta, Tino Freitas, Daniel Munduruku, José Santos,   Rosana Montalverne e Otávio César Jr. Serão apresentações, em vídeo, de contação de histórias, making of de ilustrações, músicas e encontros lúdicos, nos cinco dias de festival. A curadoria é do escritor e professor mineiro Leo Cunha.

Autores de Araxá

Valorizar a produção literária da região onde o festival é realizado sempre esteve no escopo da programação do Fliaraxá. Nesta nona edição, sob a curadoria dos escritores Luiz Humberto França, Rafael Nolli e Rodrigo Feres, 20 autores locais lançarão seus livros e participarão de debates, incluindo José Otavio Lemos, Glaura Teixeira, Vilma Cunha Duarte, João Victor Idaló, Marinez Gotelip, Michelle Clos, Esther Ferreira,

Leticia Braga, Lilian Natal, Idelma da Costa, Lisa Alves, Luciano Rodrigues, Flávia Guerra, Thiago Melo, Melina Costa, Simone Alves Fraga e César Campos.

Sobre o Fliaraxá

O Fliaraxá – Festival Literário de Araxá – foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural Afonso Borges, diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto, e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Nestes 8 anos de existência, cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival, mais de 400 autores participaram da programação e 130 mil livros foram comercializados na livraria do evento.

IX Fliaraxá Festival Literário de Araxá 28 de outubro a 1º de novembro de 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

 www.youtube.com/fliaraxá  eFacebook e pelo site

 www.fliaraxa.com.br