A educação não cabe numa tela

Por Maria Thereza Marcílio, Presidente da Avante – Educação e Mobilização Social – 09/11//2020

Vivemos um ano atípico nas escolas: elas estão fechadas desde março devido a pandemia da Covid-19. No enfrentamento à situação desafiadora, muitas instituições se organizaram para atividades não presenciais, enquanto outras, na impossibilidade de garantir que seus estudantes tivessem acesso aos recursos digitais, mantêm algum tipo de contato com os alunos e os responsáveis para não perder o vínculo. Uma situação que reforça o que já sabíamos – a educação é muito maior do que o ensino; este pode ser adaptável ao novo momento, mas a educação, que visa o desenvolvimento integral do sujeito e é acolhimento, proteção, cuidado e formação, não. Por isso, é tão estratégica neste momento de crise que vivemos.

Sim, o fechamento das escolas foi plenamente justificável, pois conhecíamos muito pouco sobre a transmissão do vírus e queríamos proteger a comunidade escolar dessa crise de saúde sem precedentes. No entanto, não podemos deixar de considerar o impacto da pandemia do novo coronavírus sobre as famílias, que estão sobrecarregadas – especialmente as mães, que na maioria das vezes acumulam a rotina de dona de casa, trabalhadora e tutora dos filhos; sobre os professores, que estão esgotados, trabalhando arduamente e em condições tão precárias. É importante também lembrar que o Brasil é o país que vem vivenciando o período mais longo de fechamento de escolas, um ano inteiro.

A ausência da escola desvelou o abismo de desigualdades que existe desde sempre e muitos resistiam em perceber. Escancarou o papel social da educação, que vai muito além da aprendizagem, afetando, também, as condições de alimentação, o suporte às famílias e segurança das crianças e adolescentes. A falta que a escola faz ficou muito evidente com o caso do menino Miguel, do Recife, que vivenciou circunstâncias comuns a muitas famílias brasileiras cujos filhos, sem o suporte da escola e impossibilitados de ficar em casa sós, precisam ser levados, geralmente com a mãe, para o ambiente de trabalho. Lá, Miguel encontrou-se com a negligência de outros e com a morte. Como tantas outras crianças, ele foi privado de um ambiente de segurança e acolhimento.

É preciso reconhecer os esforços que foram empreendidos até aqui por muitas redes e instituições de ensino para a manutenção da saúde da comunidade escolar, do currículo e do emprego neste setor que, além do papel social, movimenta a economia. Mas não é possível prolongar indefinidamente o fechamento e admitir que este modelo essencialmente virtual se estenda como solução. A realidade não cabe numa tela, pois empobrece o aprendizado e aliena os estudantes do convívio que torna a educação tão rica.

A Avante – Educação e Mobilização Social participa da articulação e é signatária do Manifesto Ocupar escolas, proteger pessoas, recriar a educação, resultado de uma convocação da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped). Com esta iniciativa, queremos pensar em soluções intersetoriais que dialoguem com múltiplos saberes como a saúde e o planejamento urbano, e que contribuam para garantir a centralidade do papel da escola neste momento de crise.

Cabe a nós – professores, alunos, sociedade civil, gestores públicos – pensarmos a escola como um serviço essencial à sociedade. É preciso se apropriar da proximidade com as famílias que esta adversidade trouxe de forma a integrar os múltiplos saberes em benefício das crianças, adolescentes, jovens e adultos Brasil afora.

É possível e necessário pensar a escola para além do cumprimento do calendário e retomada do currículo. O ambiente escolar deve ser capaz de articular a formação cidadã, as aprendizagens curriculares, o acesso à cidade e a integração socioambiental. É essencial e urgente que a comunidade escolar se articule, forme comitês de crise e discuta a reabertura da escola com segurança para os profissionais da educação, trabalhadores da escola, estudantes e famílias. Na perspectiva de gestão democrática, que esta comunidade se articule com outros setores e representações. Da mesma forma, que os governos e responsáveis pela coordenação e oferta dos serviços de educação se organizem buscando soluções e escutando todos os envolvidos. É preciso ainda que na impossibilidade da presença física se equacione como a escola continuará dando suporte para a integridade física e mental de seus alunos, dos professores, gestores e demais trabalhadores.

Ainda vivemos um momento de incertezas: um governo federal omisso e negacionista, descomprometido com esta grave situação, evidências científicas insuficientes, uma possível segunda onda de contágios por vir, muitas dúvidas sobre o momento em que uma vacina estará disponível. Mas não podemos esperar. Algumas pessoas falam do “retorno às condições pré-pandemia”. Penso que nada será como antes, por isso precisamos começar a planejar o futuro que queremos agora. A educação não pode ficar de fora.





Maria Thereza Marcílio é fundadora da Avante – Educação e Mobilização Social e atual presidente da instituição, mestra em Educação pela Harvard Graduate School of Education e licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal da Bahia.

Rede de educação ambiental discute defesa dos oceanos e mares

PREFORUM com transmissão gratuita e on-line acontece no dia 17 de dezembro

Com o tema “A Defesa dos Oceanos e Mares”, a Rede de Educação Ambiental Costeira e Marinha (REACOMAR) realizará no dia 17 de dezembro, das 18h às 21h, o PREFORUM do X Fórum Brasileiro de Educação Ambiental de 2021(ou 2020?). O evento terá transmissão on-line e gratuita pelo canal da REACOMAR no YouTube.

Para congregar educadores ambientais interessados na zona costeira e marinha, a REACOMAR debate problemáticas de interesse comum de seus integrantes e propõe soluções para as demandas da sociedade em que está inserida. A base conceitual da rede contempla os documentos norteadores da Rede Brasileira de Educação Ambiental e as políticas públicas críticas em vigor no país.

A iniciativa conta com o apoio da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA). Os certificados serão enviados via e-mail aos inscritos que assinarem a lista de presença no início e no término do evento.

Serviço
Evento:
Preforum do X Fórum Brasileiro de Educação Ambiental de 2021;
Data: 17/12, das 18h às 21h;
Inscrições: os interessados podem se inscrever gratuitamente, acessando o link
Mais informações: transmissão pelo canal do YouTube da REACoMar
Redes Sociais: Facebook/REACoMar

A geração superconetada e o conteúdo infantojuvenil

Crianças nascidas na era digital olham o mundo – e as mídias audiovisuais e interativas – com lentes diferentes das gerações anteriores. Como educar, proteger e empoderar essa nova infância?

Reportagem: Priscila Crispi/10.11.20

Esta é a segunda reportagem da série realizada pelo comKids sobre a relação entre a primeira infância e as mídias no contexto da pandemia da Covid-19. A matéria foi realizada com apoio da Rede Nacional Primeira Infância, no âmbito do projeto Primeira Infância é Prioridade, tendo sido contemplada com um prêmio para sua produção. Além da questão da qualidade dos conteúdos disponibilizados para o público infantil, a série trata também do uso das telas (leia aqui) e a problemática da educação infantil à distância (confira aqui).

Quando lançou seu livro The ABC of XYZ: Understanding the Global Generations, em 2009, o sociólogo australiano Mark McCrindle cunhou o termo “geração alpha” para designar as crianças que iriam nascer nos 15 anos seguintes. A ideia era recomeçar a contagem, dessa vez com o alfabeto grego, para designar, de fato, o começo de algo novo. Um milênio havia chegado ao fim, assim como a era da incorporação do digital na vida dos seres humanos. A partir dali, os bebês nasceriam em um mundo não só com acesso à internet, mas onde pessoas estão conectadas a dispositivos móveis todo o tempo e onde o digital organiza o mercado, as políticas e as relações.

Quando todos os alpha já tiverem nascido, em 2025, eles serão em torno de 2 bilhões – a maior geração na história da humanidade. Segundo McCrindle, eles são a geração mais rica de todos os tempos – ainda que dentro de um contexto de grandes desigualdades sociais, a mais experiente tecnologicamente e irão desfrutar de uma vida útil mais longa do que qualquer geração anterior.

“Essa nova geração faz parte de um experimento global não intencional em que as telas são colocadas na frente deles desde a mais tenra idade, exercendo papéis de cuidado, entretenimento e educação. O encurtamento da capacidade de atenção, a gamificação da educação, a maior alfabetização digital e uma formação social prejudicada são questões que afetam quase todos nós, mas transformam mais fortemente aqueles que vivem seus anos de formação”, explica o estudioso.

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Inteligência em Pesquisa de Mercado do canal Gloob agrupou uma série de influências que fazem a infância de hoje ser tão única – o estudo sugere que o mundo será recriado pelos Alpha e, depois, conquistado pelas gerações posteriores. Confira mais no quadro abaixo:

Mídias e desigualdade
Segundo a pesquisa Papagaio Pipa 2019, realizada pelo instituto de inteligência de mercado brasileiro MultiFocus, os Alphas, brasileiros costumam ficar no celular entre duas e três horas por dia e o mesmo tempo é dedicado à TV, o que pode significar até seis horas de telas diárias. Fazendo um recorte socioeconômico, mais de 68% das crianças brasileiras entre quatro e seis anos que são de famílias de baixa renda estão na internet. Na classe C esse percentual sobe para 81% e nas classes A e B é de 90%.

Com o fechamento das escolas em 2020 e a dependência do ensino remoto, ficou evidente de que forma esse acesso ou não-acesso à internet reforça a desigualdade social no Brasil e influencia na garantia de outros direitos de crianças e adolescentes, como a educação. Segundo o Chefe de Educação da UNICEF Brasil, Ítalo Dutra, o total afastamento da cultura digital é problemático porque implica na construção do nosso futuro enquanto sociedade, que não pode mais se dissociar do entendimento e uso das tecnologias.

“É absolutamente salutar que as escolas, independente do contexto da pandemia, tragam no seu planejamento a inclusão das diferentes infâncias no mundo midiático e digital, para que elas possam aprender com isso em um ambiente seguro e ter igualdade de oportunidades”, afirma Dutra.

Para além da educação formal, que passou a ser on-line, a abrangência do repertório cultural das crianças brasileiras também varia de acordo com o seu acesso às mídias. “Os aparelhos de televisão, muito antes da internet, estiveram no centro da vida doméstica, como meio de entretenimento e fonte de informação permanente para toda família, atualizando diariamente o mundo conhecido por cada telespectador. Nesse sentido, considero a TV, assim como mais contemporaneamente a internet, um veículo indiscutível de expansão dos espaços de aprendizagem que a sociedade moderna oferece”, defende Zelia Cavalcanti, educadora e consultora pedagógica em produções como o Castelo Rá-Tim-Bum, clássico da TV educativa brasileira.

Mas se o acesso ao aparelho de TV no Brasil é quase universal, isso não significa que a qualidade do conteúdo distribuído é a mesma – canais infantis, por exemplo, estão restritos às TVs por assinatura. E apesar de 68% das crianças de classe D e E terem acesso à internet, “estar na internet” também é relativo para elas. Cerca de 100% não têm disponível um computador com internet em casa; 52% têm acesso a um celular, porém em 35% dos casos ele é de uso compartilhado e 89% desses celulares são pré-pagos, ou seja, o consumo de conteúdos longos ou mais pesados depende muito do acesso a uma boa rede wi-fi.

Nesse cenário, redes como o WhatsApp e o Youtube comandam: 75% das crianças declaram assistir vídeos na plataforma sempre, o que demanda mediação imprescindível dos cuidadores. Considerando todas as classes sociais, 49% das crianças durante sua primeira infância acessam os conteúdos na internet acompanhados dos pais, mas 27% delas navegam normalmente sozinhas. Esse índice sobe para 39% na classe D e E, o que significa que essas crianças estão muito mais vulneráveis a conteúdos não apropriados para sua idade.

Boas práticas
A presença massiva das mídias na vida das crianças de hoje e seu papel na superação de desigualdades sociais apontam novamente para a necessidade de se discutir a qualidade dos conteúdos oferecidos. De que forma a mídia feita para crianças pode empoderar seu público, gerar melhorias sociais e atuar em conjunto com a escola na promoção da aprendizagem? O Brasil coleciona algumas boas práticas nesse sentido.

Zelia Cavalcanti conta que, com a produção do Castelo Rá-Tim-Bum, a ideia da TV Cultura era colaborar, como meio de comunicação de massa, para a melhoria das condições de aprendizagem das crianças que, por razões diversas, chegavam ao Ensino Fundamental sem terem frequentado classes de educação infantil.

Assim, o programa passou a veicular conteúdos que pudessem diminuir a defasagem de aproveitamento escolar entre crianças de diferentes níveis sociais. “Abria-se um novo espaço educacional no horário da programação infantil, em que crianças podiam se divertir e aprender sobre diversos temas, muitos deles facilmente relacionáveis ao chamado ‘mundo infantil’, outros dos quais frequentemente as crianças pequenas são excluídas, como a arte, a música, a história, as ciências”, explica.

Pioneira no desenvolvimento de conteúdos audiovisuais para suporte à aprendizagem, a Sésamo, organização social sem fins lucrativos americana que produz o tradicional programa de TV Vila Sésamo, atualmente trabalha no Brasil em colaboração com representantes do governo, educadores e organizações da sociedade civil para garantir que o currículo educacional de suas produções esteja alinhado com os objetivos de desenvolvimento e aprendizagem previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

“Nosso processo de criação e desenvolvimento de conteúdo está fundamentado na aprendizagem das crianças. A maior parte do nosso conteúdo tem uma intencionalidade educativa muito evidente. Isso não significa que o conteúdo da Sésamo seja didático ou que substitua as experiências de aprendizagem formal, mas sim que estamos somando esforços e sendo coerentes com a jornada pedagógica das crianças brasileiras”, explica Julia Tomchinsky, diretora de educação e impacto social na organização. A ideia da organização é que, ao assistir a seus conteúdos, a criança possa assumir uma postura ativa que se desdobre em ações práticas além da tela, de forma que as aprendizagens propostas ali sejam transportadas para situações reais vivenciadas pelas crianças e suas famílias. Durante a pandemia da Covid-19, eles realizaram parceria com várias redes públicas de ensino do país para apoiar a aprendizagem remota por meio do uso de seus recursos de aprendizagem. Os materiais, disponibilizados de graça, podem ser acessados por este link.

Mídia e educação
“Independentemente da escola ou não, as crianças têm acesso a conteúdos midiáticos, porque eles fazem parte da vida delas. A questão é o que a escola vai fazer com isso. Eu acho que eles são uma oportunidade – uma excelente oportunidade para iniciar um processo reflexivo”, afirma Valdenise Nogueira, coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental José Albino Pimentel, no interior da Paraíba, que atende principalmente a comunidades quilombolas do Gurupi-Ipiranga.

Antes da pandemia, a escola exibia mensalmente curtas nacionais para as crianças da educação infantil em um cineclube que contava com a curadoria de educadores e dos próprios alunos. Após as sessões, os professores conversavam com as crianças sobre os vídeos exibidos e os conteúdos abordados. “A mídia pode ser um espaço rico para muitas trocas e experiências, para ter acesso a coisas que não conhecemos, para criar vínculos e se aproximar de um outro que até então estava muito distante. Mas esse bom uso depende muito mais do adulto que faz a mediação dos conteúdos para a criança”, defende Valdenise.

Em função das limitações de acesso à internet pela comunidade, o cineclube teve que ser interrompido com o fechamento da escola, mas a direção diz que a meta para 2021 é tentar disponibilizar os conteúdos on-line e viabilizar o acesso das famílias para que a atividade aconteça à distância.

O clube faz parte de um projeto mais amplo, desenvolvido pela escola em parceria com a startup social Semente Cinematográfica, que faz uso da tecnologia e da arte no processo de ensino-aprendizagem, desenvolvendo as potencialidades pedagógicas do cinema nas escolas. Além da exibição de vídeos, que visa sensibilizar alunos e professores para a linguagem cinematográfica e ampliar seu repertório, a metodologia envolve também a produção de conteúdos pelas próprias crianças.

“A ideia é introduzir o audiovisual nas práticas educativas como uma espécie de jogo. Esses jogos têm regras e isso faz com que as crianças se engajem em algum tipo de criação ou investigação estética”, explica Felipe Barquete, fundador do Semente Cinematográfica. Os temas, a captação de imagens e outros processos de produção são feitos dentro das oficinas que acontecem em horário escolar. A Escola Experimental de Cinema da José Albino Pimentel resultou em sete filmes e capacitou professores a darem continuidade às atividades de produção audiovisual com os alunos.

“A aprendizagem significativa é o que todo professor busca, um conhecimento que não só contribua para o estudante em seu desenvolvimento individual, mas para a sociedade. Nesse sentido, o audiovisual pode contribuir de várias formas”, defende Felipe. Em sua visão, o cinema e outras mídias permitem o acesso a outras maneiras de ver o mundo, o que contribui diretamente para a construção da cidadania e promoção da diversidade.

Mas, para além da fruição das obras, o cineasta ressalta o poder empoderador das mídias para uma geração que já se entende como produtora de conteúdos e conhecimentos.

“Quando a câmera vai para a mão da criança, aí ela se torna uma metodologia ativa. A criança vai buscar no mundo a relação com o conhecimento que ela pode ter adquirido numa aula, no livro didático. Esse movimento de articular o saber da escola com o saber que está no mundo, não só estimula a criatividade, como o protagonismo na aquisição do conhecimento”, explica o fundador do Semente Cinematográfica.

Conteúdo com qualidade
Especialistas concordam que a qualidade do conteúdo e da interação do que se acessa nas telas é tão importante quanto o tempo que se dedica a elas. Segundo o International Central Institute for Youth and Educational Television, organização internacional que estuda a relação da TV com crianças e jovens, um conteúdo de qualidade para crianças na primeira infância deve respeitar as habilidade cognitivas e as preferências dessa faixa etária, o que se expressa na velocidade da narração – que deve ser mais lenta; na estrutura dramatúrgica – que deve ser simples; e nas conexões que faz com as experiências cotidianas – que devem fazer alusão ao mundo conhecido da criança pequena.

Além disso, o conteúdo não pode apresentar tensões que causem danos emocionais ou trazer personagens que têm caráter antissocial ou atitudes destrutivas, antes deve influenciar a construção da identidade das crianças pequenas com o reforço positivo. Por fim, um bom programa, filme ou jogo para a primeira infância inspira a participação, a interação, a atividade motora, a comunicação e a fala.

A pesquisa MídiaQ, criada pela Midiativa – Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes, originou uma série de postulados sobre qualidade audiovisual infantil, usados amplamente como parâmetros norteadores para os produtores de conteúdo, mas também como critérios de avaliação para a leitura crítica de qualidade, seja na TV ou na tela do celular e tablet.

Diante das dificuldades impostas pelo isolamento social e a maior centralidade que as telas assumiram na vida das crianças, saber como selecionar bons conteúdos infantojuvenis tornou-se ainda mais essencial para a proteção da infância.

Livro aborda empreendedorismo em narrativa para crianças e adultos

“Teresa, a vaca que voa”, uma fábula sobre perseverança e resiliência. Leia entrevista com o autor

Escrito por Alfredo Behrens e ilustrado por Diego Ingold, o livro Teresa, a vaca que voa é uma fábula que ensina crianças e adultos que, para darem asas à curiosidade, à perseverança e à resiliência na realização dos seus anseios, devem ouvir os conselhos, mesmo dos menos poderosos.

A narrativa recria a estrutura da mitológica jornada dos heróis fazendo referência à força dos empreendedores. Publicado pela editora Edições Esgotadas Porto neste ano, em Portugal, o título conquistou primeiro lugar, na categoria infantojuvenil, no ILBA, Califórnia (2018). Assista ao vídeo com a sinopse!

Na história, Teresa é mãe e enquanto pasta em terras secas sonha com um mundo melhor para seu bezerrinho João Francisco. O pardal Twitter convencerá Teresa a aprender a voar para chegar ao Mall de Washington, D.C., onde Teresa e João Francisco poderão pastar à vontade e em segurança. Os pardais herdaram dos grandes navegantes portugueses a noção de que para chegar às Américas é preferível avançar na direção Sul para surfar nos ventos alísios.

Capa de “Teresa, a vaca que voa”, publicado neste ano

Assim orientam a vaca Teresa que enfrentará muitos desafios, inclusive furacões, mas realizará seu sonho, evitando voar contra o vento! A obra é uma fábula para crianças e também para adultos. A vida da Teresa no Alentejo até que não é ruim, mas deve ter coisa melhor, inclusive grama mais verde e húmida para alimentar melhor o bezerrinho dela.

Logo no início da narrativa, o pardal Twitter sopra no ouvido da vaca que tem mais e melhor sim, em Washington, capital dos Estados Unidos. Mas que para chegar lá a Teresa deverá aprender a voar porque fica longe, na direção onde o Sol se põe. Assim foi lançado o desafio: se queres melhorar terás de acreditar que é possível vencer obstáculos, mesmo que insólitos.

Dar ouvidos a quem sabe, mesmo não sendo poderoso, como os pardais, talvez seja o principal desafio. Mas, a vaca Teresa acredita e tentará, isso faz dela uma vaca empreendedora. Esta é uma outra leitura da história da vaca. Para empreender a vaca terá de aprender a voar. Os pardais ensinarão a ela, como os pais ensinam às crianças a andar de bicicleta: nas descidas macias, e com rodinhas auxiliares. Assim é que a vaca será orientada pelos pardais a descer correndo por uma ladeira, com lenços amarrados nas patas a cada lado!

Mas, não se trata apenas de aprender a voar, que já é difícil para uma vaca; agora ela terá de apreender a navegar enquanto voa! Os pardais são herdeiros dos grandes navegantes portugueses e orientam Teresa a não voar diretamente a Washington, para evitar voar contra o vento. Assim é que a vaca decola na direção Sul e durante as noites se orientará pela constelação do Cruzeiro do Sul e pela estrela Polar, e pelo Sol durante os dias.

Naturalmente que os desafios serão muitos. A vaca enfrentará furacões, e será descoberta pelos radares da defesa aérea norte americana, que despachará caças para entender o que era que se aproximava de Washington! O que acontecerá com a Teresa e o seu bezerrinho?

Para entender melhor o processo de criação do livro, conversamos com Alfredo Behrens, autor da obra e professor na IME, escola de negócios da Universidade de Salamanca, na Espanha.

Leia entrevista com Alfredo Behrens, autor do livro:

Revistapontocom – O que inspirou você a escrever o livro?

Alfredo Behrens – escrevi o livro “A vaca Teresa” a partir de um conto oral que fiz para as minhas filhas quando tive que viajar do Panamá para Washington, nos Estados Unidos, quando então trabalhava no Banco Mundial há cerca de 30 anos.

A ideia era dar um olhar de otimismo sobre a distância e as superações envolvidas com a vida profissional, algo como ressaltar a grama verde do vizinho ou, ainda, a face positiva das mudanças.

Revistapontocom – Qual o foco principal da narrativa? Do que o livro trata?

Alfredo Behrens – a narrativa conta a história de uma vaca que aprende a voar com os pardais e aterrissa em Washington, trazendo para a literatura uma aventura cercada de desafios que tem o empreendedorismo como eixo principal.

Sempre temos que procurar um mundo melhor para nós e para os nossos filhos. E essa ideia de que um mundo melhor pode ser encontrado em outro lugar nem sempre é tão verdadeira. Às vezes, o voo tem que ser interior.

Em momentos atuais, como a situação de pandemia que vivemos hoje, não tem na verdade um mundo melhor porque a ameaça do vírus está em todos os lugares. Mas a ideia de que é preciso fazer um esforço para chegar em um lugar mais atraente; isso sim é relevante.

Revistapontocom – Qual o desafio de escrever um livro para crianças e adultos?

Alfredo Behrens – o livro traz para uma criança que vai crescer e pensa o que vai ser da sua vida uma mensagem de superação.

O título é indicado a crianças a partir de 7 anos e também para a leitura de jovens e adultos, pois a obra é, sobretudo, uma história de perseverança e resiliência.

Serviço
Livro: Teresa, a vaca que voa.
Autor e ilustrador: escrito por Alfredo Behrens e ilustrado por Diego Ingold
Informações e links para compra:
Para adquirir uma cópia autografada, clique aqui.
Para comprar diretamente da editora, acesse.
Clique aqui para comprar nas livrarias Bertrand e na FNAC.

Science Film Festival 2020 exibe filmes que abordam os objetivos de desenvolvimento sustentável

A segunda edição do SFF no país vai exibir pela internet 14 vídeos internacionais sobre sustentabilidade, mudanças climáticas, inovação e energias limpas

Foto Capa: Dino Dana, o filme/Divulgação SFF Internacional

O Science Film Festival, festival de cinema dedicado à promoção da ciência e da educação científica por meio do audiovisual, traz uma seleção de filmes voltados a professores, estudantes e público geral, que podem ser assistidos gratuitamente até o dia 18 de dezembro. Neste ano, foram inscritos 161 filmes de 34 países. Destes, 92 foram selecionados para exibição internacional e concorrerão a seis prêmios que serão anunciados em janeiro de 2021.

Em sua segunda edição, o festival, promovido pelo Goethe Institut em parceria com o Midiativa, traz como tema deste ano os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). No Brasil, a mostra traz 14 vídeos de países como Tailândia, Alemanha, Chile e Canadá, todos dublados ou legendados para o português brasileiro, sendo destinados a crianças e adolescentes.

Com diferentes temáticas, os filmes abordam questões que duramente afetam o planeta, hoje, como mudanças climáticas, biodiversidade, inovação e tecnologia, energias limpas, entre outras. Além disso, o SFF também fornece materiais didáticos que relacionam os vídeos com cada uma das ODSs, trabalho realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Um dos destaques é Dino Dana, o filme. Inédito no Brasil, o longa-metragem de ficção canadense conta a história de Dana, menina de 10 anos que parte em um experimento para encontrar crianças dinossauros no mundo real.

Entre os filmes exibidos, estão produções como Experimenta – a ciência das crianças’, que mostra a aventura de Yilesca e Manuel ao acompanhar um eclipse total do sol ao lado de Alvaro Rojas, astrônomo chileno; Meu robô e eu, que acompanha estudantes de todo o planeta na Olimpíada Mundial de Robôs, na Tailândia; e Nove e meio Repórter: sextas-feiras para o futuro, documentário que conta o que há por trás do protesto de crianças e jovens europeus pelas mudanças climáticas.

Neste ano, devido à pandemia de Covid-19, outros países também optaram por exibir os filmes apenas virtualmente ou em salas de exibição adequadas às medidas de distanciamento. Para saber mais sobre os vídeos, suas sinopses, assistir os trailers dos filmes e baixar os materiais didáticos ligados às ODSs, visite o site do evento.

Me & My Robot. Foto Divulgação SFF Internacional

Como se conectar e assistir

Os vídeos serão disponibilizados gratuitamente e de forma livre, sem horário marcado, na plataforma Vimeo. O acesso é gratuito, porém é preciso que os interessados se inscrevam no SFF para receber as informações de como ingressar na plataforma, que é controlada.

No conteúdo de cada filme, o festival disponibiliza um guia didático de acompanhamento que pode ser usado por pais e professores que tenham interesse que seus filhos ou estudantes conheçam mais sobre esses assuntos tão estratégicos para o mundo atual. Ou seja, neste momento de isolamento, o SFF apresenta em vídeo questões científicas de forma acessível para um público amplo, demonstrando que a ciência pode ser divertida.

Os conteúdos também podem ser exibidos por educadores e mediadores culturais em sessões educacionais, mediante o uso de suas senhas de acesso obtidas na inscrição.

A edição brasileira do Science Film Festival conta também com três lives formativas que têm como o objetivo de debater a relação entre educação, ciência, sustentabilidade e produção audiovisual. (para acessar, clique aqui).

Desde sua primeira edição em 2005, o Science Film Festival já contabilizou 1,2 milhão de espectadores em mais de 20 países da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina.

Serviço
Evento: Science Film Festival Brasil 2020;
Data: até 18 de dezembro;
Informações e acesso aos vídeos, clique aqui.

Sonho, morte e compaixão, num país de maricas

Por Mariana Amado Costa – 20 de novembro de 2020.

Sempre tive sonhos vívidos e intensos. Nos últimos anos, porém, com a rotina de trabalho, despertador fazendo pular da cama cedo, sem tempo de espreguiçar o corpo e a cabeça, a lembrança deles foi se tornando cada vez mais rara. Agora, com a pandemia e a reclusão que vem dela, a memória dos sonhos tem voltado com força.

Desde o tigre fêmea que nadava na piscina do Sesc Pompéia dentro do meu olho, semana passada, tenho sonhado com muita gente reunida, inclusive pessoas já mortas, literalmente ou simbolicamente. Sinto falta de um analista para me ajudar a entender. Mas tenho papel e lápis à mão. Na real, menos romântico e mais prático, tenho um tablet com teclado acoplado (ops, acho que inventei um trava-língua!).

Procuro pensar o que, na véspera, pode ter influenciado, coisas prosaicas, como uma música que ouvi, uma imagem, um copo que quebrou. Ontem, logo antes de dormir, estava lendo jornais online — coisa altamente temerária, aliás, por potencialmente causadora de pesadelos — e a última notícia contava que o Trump tinha quase admitido a possibilidade de não ser reeleito. A foto que ilustrava a matéria mostrava o presidente americano com os cabelos brancos. Ocorreu-me que assim, sem aquela pintura laranja que o faz parecer uma lagosta ensandecida, abstraindo o personagem e vendo apenas a imagem do retrato, a aparência era de uma pessoa normal.

Alguns fatos históricos tornam inesquecíveis momentos mundanos da nossa vida, como a roupa usada no dia que o homem pisou na lua, ou o local em que se estava  durante o ataque às torres gêmeas, para citar acontecimentos marcantes relacionados aos Estados Unidos. Pois eu nunca vou esquecer de quando soube que o Trump havia vencido as eleições americanas de 2016. Chorei como um bezerro desmamado — já ouvi os mugidos de bezerros apartados das mães para o desmame, por isso uso essa figura de linguagem não de forma reles, mas com todo o sofrimento que carrega.

Não lembro se chorei quando tive certeza da eleição do Bolsonaro. Não significa que não tenha chorado, é provável que tenha. Só que na hora foi irrelevante, estava passando a noite no hospital, acompanhando uma pessoa amada que estava doente, em estado terminal, com a morte e o sofrimento muito mais palpáveis ao meu lado, fisicamente e emocionalmente. A verdade é que desde muito antes, para mim, Bozo estava relacionado à morte e, muito pior, à tortura.

Sim, porque a morte nem sempre é má, pode ser bem vinda, quando acaba ou muda um estado de coisas ruins. Na leitura do tarô, por exemplo, a morte pode representar recomeço e ser uma carta de esperança. Sem falar que tanta gente, religiosa ou não, crê em outra existência (ou múltiplas) depois da morte. Às vezes lamento não estar entre esses.

A tortura, por sua vez, violenta a vida de forma muito pior do que a morte, pois além da dor, do sofrimento, do desespero, da humilhação, da solidão, a tortura é a negação da dignidade, da humanidade. Lembro bem de onde estava em outro momento horroroso, durante a votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma. Naquela noite, em que um golpe se consumou no próprio Parlamento, estava lá, não no Plenário, mas na torre da Câmara (a mais à direita para quem olha de frente o Congresso Nacional). Acompanhei todos os votos, um a um, cada voto ‘sim’ carregado, simbolicamente, de morte, e o mais odioso de todos, exultando um torturador.

Esta semana, pela enésima vez, o bandido que enunciou aquele voto e foi premiado com a Presidência da República por uma sociedade profundamente dividida e cheia de ódio (em vez de perder o mandato de deputado e ser, em seguida, julgado e condenado por incitação à violência), desonrou nosso país com a defesa de posições obscenas. Dessa vez, conseguiu a proeza de, além de demonstrar desprezo pelo sofrimento do povo — o que já se tornou corriqueiro —, ainda acenar com idéias de guerra.

Mais uma vez, rimos do absurdo que seria uma guerra, com a impotência brasileira diante do poderio bélico americano. O argumento de que a pandemia não é tão grave porque “todo mundo vai morrer um dia, tá ok?” é tão primário e já foi tão debatido que nem chegou a causar pruridos. Ri, como todo mundo, das árvores do Central Park pintadas de branco até a metade, depois da conquista pelo nosso exército. Mas não tem graça! Como podemos, pessoas e instituições, aceitar de braços cruzados o autoritarismo genocida que se instala no Brasil, à luz do dia, escancarado?

Resolvi ler na íntegra o discurso do “país de maricas”, para escrever sobre as afrontas aos princípios fundamentais da Constituição, como a solução pacífica dos conflitos e a autodeterminação dos povos, entre tantos, a começar pela dignidade da pessoa humana, e aos direitos e garantias fundamentais. Acontece que cheguei a ver a transcrição da fala mas, quando procurei para baixar o arquivo, não encontrei mais.

Resolvi, então, degravar eu mesma. Durante longas horas, ouvi incontáveis vezes trechos daquele “desabafo”, como o próprio orador definiu no final. Os 20 minutos resultaram em horas de trabalho por uma série de dificuldades: a dicção, a pobreza vocabular, com a preferência por monossílabos como “né” e “pô”, a falta de concordância, os muitos outros erros semânticos e sintáticos, a descontinuidade das ideias na sucessão das frases. Queria ser precisa, por isso, a cada dúvida, voltava e ouvia de novo, de novo e de novo. Foi penoso.

Ao final, já não tinha a motivação para cotejar aquilo com o texto constitucional. A repetição do áudio causou-me grande impressão. Esperava que a tônica fosse a bravata e a ignorância. Estavam lá, sem nenhuma dúvida, mas o que me pareceu mais significativo foi a insegurança, o desespero, o abuso do apelo aos ministros e amigos para corroborar suas afirmações, muleta bem comum em pronunciamentos.

Fui deitar bem cansada e vi a tal fotografia de que falei, de um Trump grisalho e abatido. Foi uma noite agitada, com sonhos povoados por muita gente. Acordei surpresa com a quantidade de mortos que estavam lá: meu avô já velhinho e com dificuldade de andar, que também era, no mesmo personagem, um primo querido, morto há muitos anos.

Em outro sonho, minha vó Nazoca guardava lugar para a nossa grande família, juntando mesinhas num bar lotado, num espaço aberto, como uma praça de alimentação. No meio da multidão, um ex-namorado com quem ainda estava (no sonho) se interessava por outra mulher, o que me dava grande alívio, pensando, em italiano hiperbólico, o quanto já estava de saco cheio, que na minha vida ele não existia mais. Depois ia ao banheiro do prédio (não sei se era um shopping, mas tinha enormes escadas rolantes), onde vi um homem, figura pública que sabia querida, mesmo sem reconhecer. Ficava surpresa em vê-lo vivo. Quando acordei, relembrei a imagem e era, claramente, o Chico Mendes.

Antes de tudo isso, do bar com a vovó, do término do namoro, do banheiro, fiquei um tempo sentada numa sala de espera, com poltronas, mesas e cadeiras, uma espécie de sala vip, mas para pessoas não necessariamente tão importantes assim. Ao contrário do bar, estava bem vazia. Chegaram e se espalharam Bolsonaro e seus filhos. Dava para perceber que ainda se achavam muito importantes, mesmo tendo perdido a eleição de 2022. Junto com isso, havia um certo temor, indefinido, uma desmoralização. Eles, que acham que ter medo da morte é coisa de maricas, talvez tenham medo de ter medo. São covardes. Ter coragem não é não ter medo, é enfrentar, lidar com o medo.

Ficava olhando e imaginando a pior ofensa que poderia dizer para os cretinos. Um dos filhos me encarava. O pai, que estava de costas para mim, virou-se e disse seu nome, apresentando, em seguida, os filhos. Eu levantei, disse meu nome e inclinei a cabeça sutilmente, à guisa de cumprimento, antes de sair dali.

Pouco depois, quando encontrei vovó, procurava por uma das minhas irmãs, a quem queria contar o sucedido, animada pela derrota da família Bozo e, ao mesmo tempo, meio encabulada por desperdiçar o encontro, a oportunidade de dizer um monte de desaforos. Quando acordei, estava me sentindo aliviada por não ter conseguido xingar.

Certa vez, uma amiga me perguntou “Mari, por que você não manda as pessoas para a puta que pariu, como eu faço?”. Pensei um pouco e respondi, meio na dúvida “Por… educação?”. Agora, acho que é (e espero que seja) mais do que por educação. Continuava, no sonho, a detestar os Bolsonaros, mas eles não podiam mais nos fazer mal. E eu não quis fazê-los sofrer. Pensando bem, honestamente, até quis, mas o não querer foi mais forte. Talvez tenha sido por isso que de manhã pensei tanto na Hannah Arendt, satisfeita com meu sonho, de morte e compaixão.

Encontro discute saúde ambiental e conservação da biodiversidade

Redação, 30 de novembro de 2020.

Começa, hoje, o Encontro Saúde Ambiental e Conservação da Biodiversidade. O objetivo é debater estudos recentes e novos conhecimentos sobre a saúde do meio ambiente e a conservação da biodiversidade a fim de fortalecer parcerias e discussões. O evento, que terá transmissão on-line e gratuita pelo canal do evento entre os dias 30 de novembro e 5 de dezembro, reunirá professores e pesquisadores com atuação ativa nas regiões hidrográficas do rio Piabanha e da Baía de Guanabara, do Mosaico Central Fluminense e do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

A programação será aberta com a participação de Leandro Goulart, chefe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), seguido por Selma Vianna, coordenadora da Câmara Temática de Cultura e Educação Ambiental.

Na sequência, a conferência de abertura trará como tema “Reflexões sobre conexão com a natureza, saúde e conservação”, com apresentação de Eliseth Leão, pesquisadora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. Logo após, Alexandre Pessoa Dias, professor e pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, fala sobre “Os caminhos das águas, da promoção da saúde e da justiça ambiental”. Haverá, ainda, uma palestra sobre “Biodiversidade, saúde e impactos das doenças na conservação”, apresentada por Fabiana Lopes Rocha, coordenadora da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Em tempos de distanciamento social e atividades remotas, é preciso abrir cada vez mais espaço para troca de ideias e experiências sobre biodiversidade, mesmo que virtualmente. Na programação, cinco eventos acontecerão em conjunto:

XVIII Encontro de Pesquisadores do Parque Nacional da Serra dos Órgãos

XII Encontro de Educação Ambiental da Serra dos Órgãos

V Encontro de Pesquisadores do CBH Piabanha

IV Encontro de Pesquisadores do Mosaico Central Fluminense

I Encontro de Educação Ambiental, Pesquisa e Extensão do Comitê de Bacias da Baía de Guanabara 

Serviço:
Evento: Encontro Saúde Ambiental e Conservação da Biodiversidade
Data: de 30/11 a 05/12
Inscrições e informações: https://www.even3.com.br/encontro2020saudeambientalconservacaobiodiversidade/