Ação coletiva coletará resíduos na Baía de Guanabara neste sábado

Mutirão de limpeza tem como objetivo recolher mais de 20 toneladas de resíduos nas águas da Baía e em seu entorno

Foto: Divulgação/OEOO Rio

Preocupada com a crescente poluição que afeta a Baía de Guanabara, a ONG One Earth One Ocean (OEOO Rio), que atua no território fluminense há cinco meses, decidiu unir forças para realizar um grande mutirão de limpeza das águas e do entorno da Baía. O evento, batizado de Guaná-Pará (seio-mar, em tupi), acontece no dia 19 de dezembro, a partir das 6h, em diversos pontos: Ilha do Governador (Zumbi, Bancários, Tubiacanga, e praias da Bica, Cocotá e da Onça), Magé, Itaboraí e Ramos.

O objetivo é recolher mais de 20 toneladas de resíduos nas águas da Baía e em seu entorno. Todos os resíduos recolhidos serão separados e destinados de acordo com as especificidades de cada material. Haverá reciclagem, coprocessamento, e destinação adequada, como unidade de tratamento de resíduos perigosos.

“Estimativas apontam que cerca de 90 toneladas de resíduos são despejadas por dia nas águas da Baía de Guanabara.  É urgente readaptar a estrutura de coleta de resíduos às necessidades da população e aumentar a conscientização da população do entorno e das empresas que ali atuam. Com esta ação, queremos mostrar que juntos podemos transformar esta realidade”, conta Laura Kita Kejuo, diretora da OEOO no Brasil.

Divulgação/OEOO

Ao todo, 160 pescadores artesanais de diferentes colônias participarão do mutirão atuando no mar. Já em terra, voluntários da ONG Limpar o Mundo e Route Brasil trabalharão na coleta de resíduos. A ação conta ainda com outros parceiros: Black Forest Solutions, Projeto Uçá, Instituto BVRio, Cleanhub, Oceano Resíduos, Wolven, Coletivo Lixo Zero Rio de Janeiro e coprocessamento nos fornos de cimento da LafargeHolcim – Geocycle, como forma de recuperação da energia térmica e matérias-primas contidas no resíduo.

“Ações individuais são importantes, mas só o coletivo faz a diferença. Coletivo une e pressiona. Essa ação é importante para a história da Baía de Guanabara, pois une projetos de diferentes frentes e beneficia a todos os moradores e moradoras da cidade do Rio”, afirma Thaiane Maciel, fundadora do movimento Limpar o Mundo. 

“Queremos mostrar ao poder público, ao setor privado e à população em geral que com cooperação e esforço coordenado é possível limpar a Baía. Uma ação com vários integrantes gera mais impacto do que dados no papel. Se podemos tirar 20 toneladas de lixo manualmente, imaginem o quanto ainda não está na Baía?”, conclui Laura.

A ação acontece ao ar livre e segue todas as recomendações de higiene e isolamento. Máscaras e álcool gel estarão disponíveis para todos os participantes e seu uso será obrigatório. Cada colônia de pescadores trabalhará entre pares, assim como os grupos de voluntários espalhados pelas praias para evitar qualquer forma de aglomeração e/ou contato com desconhecidos.

Sobre a OEOO
A One Earth One Ocean é uma ONG de origem alemã que lida com a proteção do meio ambiente, sobretudo com a proteção costeira e das águas. A associação atua em três frentes de ação: limpeza de oceanos e rios, educação e pesquisa sobre o lixo marinho, tanto nacionalmente como internacionalmente, a fim de alcançar uma mudança no comportamento global em relação ao lixo (plástico).

Atuando no Rio de Janeiro desde agosto, a OEOO Rio está desenvolvendo um projeto de coleta de resíduos flutuantes e costeiros em parceria com os pescadores da Colônia Z10, na Ilha do Governador, além de atuar na gestão de resíduo domiciliar e educação ambiental na mesma região. Todo o material coletado é sempre separado e enviado para destino ambientalmente adequado. Em paralelo, a equipe da OEOO pretende aprofundar projetos de educação ambiental, além de estreitar parcerias com outras ONGs e institutos de pesquisa da região.

Plataforma educacional estimula protagonismo infantil

Projeto já transformou mais de 800 mil crianças em autores de seus próprios livros

Flavia Perez.
Foto Capa: Estudante do Centro Educacional Recriando, no Rio de Janeiro, mostra livro escrito por ele. Divulgação/Estante Mágica.

Despertar o interesse pela leitura e pela escrita é essencial, mas como fazer? Esse desafio motivou os criadores da plataforma educacional Estante Mágica a buscar soluções que permitissem desenvolver as habilidades de letramento das crianças. Com mais de dez anos de trajetória, o projeto já transformou mais de 800 mil crianças em autores de seus próprios livros em mais de 4 mil escolas públicas e privadas em todo o Brasil, e em outros países, como Colômbia, Argentina, México e Chile.

Diante da pandemia da Covid-19 e dos desafios da educação remota, o grupo de professores que integra a equipe desenvolvedora dos projetos pedagógicos da plataforma percebeu a necessidade de inovar. Um dos recursos lançados neste ano busca auxiliar professores para a criação das aulas no ambiente digital e também no processo de produção dos livros, entre outras possibilidades. Os conteúdos são gratuitos e estão disponíveis na plataforma.

De acordo com Jayse Ferreira, professor de Artes Visuais que integra o time de educadores da Estante Mágica, ao lado da alfabetizadora Mara Mansani e do diretor de Educação Willman Costa, “nosso objetivo enquanto educadores é compartilhar de forma clara e didática as melhores formas de otimizar o processo de aprendizagem, buscando estimular o protagonismo do aluno em cada ferramenta desenvolvida. Dividir as práticas que estão funcionando em sala de aula é como multiplicar o conhecimento adquirido”, aponta.

Acreditar no potencial transformador da educação foi e continua sendo a mola propulsora da dupla de advogados formada por Robson Melo e Pedro Concy, fundadores da Estante Mágica, criada em 2009. Após testarem diferentes ferramentas pedagógicas, eles encontraram no protagonismo o caminho para conduzir novos leitores e escritores à descoberta do universo literário.

O estudante, ao tornar-se autor de seu próprio livro, desenvolve um olhar mais interessado pela leitura, criando um hábito. Além disso, o ato de compor um livro propicia a autoestima e o potencial cognitivo e criativo das crianças, desenvolvendo competências socioemocionais e proporcionando autonomia para que elas escrevam suas próprias histórias. A meta é que, até 2030, um bilhão de crianças tenham escrito seus livros.

Divulgação/Estante Mágica.

Para criar os livros
O processo de inscrição para criação dos livros é simples. A escola (da educação Infantil e ensino fundamental I) se cadastra na plataforma, inscreve a proposta de conteúdo que quer adotar e, a partir daí, cada aluno cria sua própria história, com textos e desenhos.

Em seguida, os conteúdos e ilustrações são enviados pela plataforma, que edita o material e cria um e-book digital, distribuído gratuitamente. Professores e pais acompanham todo o processo de confecção do livro, acessando a plataforma pela internet.

A versão impressa pode ser encomendada, quando há interesse dos familiares e amigos, por um custo que varia entre R$ 39 e R$ 59 (dependendo do acabamento), forma como a empresa gera receita para viabilizar os projetos.

De acordo com pais e educadores, a oportunidade de escrever a própria história motiva a criança a ir a bibliotecas com maior frequência. Além disso, as crianças começam a pedir livros de presente aos familiares, despertando a descoberta de novos títulos e a leitura compartilhada no ambiente familiar.

Novos recursos
O Mural Mágico é um novo espaço da plataforma dedicado ao professor que pode ser acessado remotamente por qualquer dispositivo. Nele, é possível inserir (sem nenhum custo) conteúdos como aulas, bibliografias, entre outras possibilidades, permitindo que o educador possa organizar de várias formas, inclusive por data, os registros por turma e reúna em um único lugar as atividades realizadas com seus alunos. Para criar seu mural, basta acessar o link.

Entre os recursos, lançados neste ano, estão também a Estante TV, que disponibiliza cursos de formação e videoaulas, além da indicação de materiais complementares à sala de aula para apoio pedagógico e capacitação contínua dos gestores escolares, e o Magic Play, um aplicativo gratuito que permite ao aluno escanear textos e desenhos criados e enviar para a plataforma pelo próprio celular para a produção dos livros.

Vamos conversar? Leia entrevista sobre primeira etapa do projeto Esse Rio é Meu

Ana Lucia Barros, coordenadora do programa na Secretaria Municipal de Educação (SME-RJ), fala sobre resultados e próximos desafios

Flavia Perez.

Com atividades que incluem aproximar os estudantes da importância ecológica e estratégica dos rios dentro do contexto socioambiental da cidade, o projeto Esse Rio é Meu concluiu, neste ano, sua fase inicial de implantação na rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. A primeira, das quatro etapas envolvidas, traz como desafio o diagnóstico dos rios mais próximos das escolas. O ciclo de formação dos docentes teve como ponto de partida um encontro realizado na sede da Prefeitura do Rio, em dezembro do ano passado, que oficializou o lançamento do projeto.

Após a suspensão das aulas presenciais em escolas públicas e privadas de todo o Brasil, devido à pandemia da Covid-19, a equipe gestora do projeto precisou adaptar seus materiais para o ambiente digital. Na sequência, foram promovidos encontros on-line com mais de 200 professores, alunos e gestores das 23 escolas participantes dessa primeira etapa.  

Durante a formação, os docentes receberam informações acerca do conceito e da estrutura metodológica do programa, preparando-os para aplicá-lo com os alunos. Na prática, a iniciativa integra educação ambiental e midiática ao currículo e à BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a partir de sua metodologia interdisciplinar.

As ações conduzidas pelo projeto estão apoiadas na Lei nº 6.535 (instituída em 22/04/2019), que regulamentou a criação do Esse Rio é Meu no âmbito das escolas da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. A lei prevê que a Secretaria Municipal de Educação (SME-RJ) realize parcerias com outros órgãos da administração pública municipal, estadual e federal e instituições da sociedade civil para o cumprimento das diretrizes contidas no projeto.

Para entender mais sobre a implementação do projeto, entrevistamos a professora Ana Lucia Barros, coordenadora do Esse Rio é Meu, em parceria com a MultiRio (Empresa Municipal de Multimeios) e a SME-RJ.

Revistapontocom – Como está sendo implantar o projeto Esse Rio é Meu em meio à pandemia?

Ana Lucia Barros – as medidas de isolamento causadas pela pandemia do novo coronavírus chegaram ao país no período previsto para o início da formação com os professores nas escolas municipais do Rio. Com a interrupção das aulas presenciais, foi preciso então adaptar os conteúdos para o ambiente digital e agendar as formações em formato de webinar, iniciadas em junho.

O ciclo de encontros on-line, realizados mensalmente, alcançaram mais de 200 professores, alunos e gestores das 23 escolas participantes dessa primeira etapa. Paralelamente, a equipe gestora do projeto manteve reuniões periódicas para coordenar as ações conduzidas remotamente, bem como para mensurar e analisar avanços e resultados.

Revistapontocom – Quais as ações já realizadas?

Ana Lucia Barros – o projeto envolve quatro etapas: diagnóstico, planejamento, ações e mensuração de resultados. Além das reuniões com professores e gestores das escolas, foram promovidos encontros com alunos do ensino fundamental I e II que já estão participando do projeto nesse período de implementação.

O objetivo do diagnóstico envolve mapear a história e a situação do rio mais próximo à escola, conduzindo professores, gestores e alunos a se apropriarem do projeto e dos territórios do entorno para que, assim, possam se sentir culturalmente integrados aos patrimônios hídricos da cidade, gerando mudança e aprendizagem.  

Outra ação realizada foi a aproximação dos professores da E. M. Ceará e do Ciep Operário Vicente Mariano, escolas envolvidas nessa primeira etapa do projeto, com representantes do Comitê de Bacias da Baía de Guanabara. Em conjunto, foi possível alinhar propostas de parceria e apoio técnico para medidas que serão implantadas a partir do próximo ano, na segunda etapa, que envolve o planejamento das ações de recuperação dos rios estudados no diagnóstico.

Revistapontocom – De que forma o projeto se integra ao currículo e à comunidade escolar?

Ana Lucia Barros – as ações do Esse Rio é Meu se integram ao currículo uma vez que os conteúdos do projeto se relacionam com as bases das disciplinas, conectando os componentes curriculares em todas as áreas do conhecimento a serem ensinadas nas escolas.

Além disso, o programa extrapola a escola e o território no qual está inserida, chamando a atenção da sociedade para a solução de um problema comum a todos. Ao envolver professores, gestores escolares, alunos, pais, familiares e moradores do entorno em torno da causa da recuperação dos rios, a escola proporciona um aprendizado prático de exercício da cidadania, gerando senso de pertencimento entre os integrantes da comunidade escolar.

Revistapontocom – Quais as bases metodológicas e como o projeto contempla diretrizes da BNCC?

Ana Lucia Barros – uma das bases do projeto é a interdisciplinaridade, que promove uma mudança metodológica na forma de ensinar e aprender.

Neste cenário, ao motivar professores, gestores e alunos a desenvolverem as atividades propostas de forma integrada, o projeto ultrapassa o conceito de educação ambiental e engloba, ainda, a midiaeducação, que consiste no estudo e no uso da mídia, outra base metodológica do projeto que também está presente nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.

Isso porque, ao solicitar que o estudante apresente suas pesquisas e descobertas em diferentes mídias, o professor estabelece outro tipo de interação com o estudante, estimulando-o a usar ferramentas digitais e a refletir sobre os possibilidades dos meios de comunicação, o que por si só já transforma a dinâmica do processo de ensino e aprendizagem.

Revistapontocom – Quais os próximos passos?

Ana Lucia Barros – entre as próximas ações, estão programadas a divulgação do diagnóstico no território, atividade que envolve criação de conteúdo e uso de recursos e plataformas de mídia, e em seguida o início do planejamento, segunda etapa do projeto, com as escolas participantes da fase de implantação.

Paralelamente, serão conduzidas as ações iniciais de diagnóstico com as novas escolas da rede municipal do Rio de Janeiro a serem integradas ao projeto. O projeto Esse Rio é Meu é a versão carioca do programa Cidades, Salvem seus Rios, sistematizado a partir da experiência da organização social Planetapontocom com o Carioca, o rio do Rio. O movimento possibilitou a restauração da parte visível do Rio Carioca e, como consequência, o seu tombamento pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), em 2019, sendo o primeiro curso d’água urbano tombado no Brasil. Conheça mais sobre o projeto carioca acessando a plataforma Esse Rio É Meu no portal da MultiRio.

Congresso virtual debate ensino de Geografia e a influência da mídia

Evento, que acontece entre os dias 16 e 19 de dezembro, contará com palestras, lançamento de livros, programação cultural e minicursos

Flavia Perez.

O Congeo (Congresso Virtual de Geografia), que acontecerá entre os dias 16 e 19 de dezembro, será destinado não apenas a estudantes e profissionais de Geografia, mas a todos que se interessam por essa ciência. Com o tema Ensinar e Aprender Geografia no século XXI, o evento contará com palestras, lançamento de livros, programação cultural e minicursos.

Entre as temáticas trabalhadas nas palestras do I Congeo, evento realizado pela Editora Vicenza, destacam-se as relações entre diferentes artefatos midiáticos e Geografia Escolar, a formação inicial de professores, e também a ludicidade e a criatividade no ensino de Geografia.

Coordenado por Francisco Fernandes Ladeira, mestre em Geografia, e Márcia Santos, doutoranda em Educação, o evento destacará ainda outros pontos de atenção, como a educação espacial em turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos), alfabetização e letramento com ênfase na Cartografia Escolar e as práticas de ensino de Geografia mediadas pelo espaço virtual, que também serão discutidas durante o congresso.

“Entre as disciplinas presentes na matriz curricular da educação básica, a Geografia é uma das que mais se relacionam com o cotidiano do aluno. Isso significa que não aprendemos Geografia apenas na escola, pois o conteúdo dessa matéria dialoga constantemente com outras linguagens, entre elas, a midiática. Diante dessa realidade, é importante refletirmos sobre o ensino de Geografia na contemporaneidade, levando em conta que temos uma geração hiperconectada, ávida por aulas mais atrativas e condizentes às novas formas de aprendizagem. Esse é o propósito de nosso congresso: debater como se “ensina” e se “aprende” Geografia nesse efervescente início de século XXI”, detalha Francisco.

Seguindo a tendência da ciência geográfica em dialogar constantemente com outros campos do conhecimento, também serão levantadas questões relacionadas a Agroecologia, Midiaeducação, até o conceito de Felicidade Interna Bruta e o ensino interdisciplinar das disciplinas de História e Geografia.      

Serviço
Evento: Congresso Virtual de Geografia (Congeo);
Data: de 16 a 19 de dezembro;
Informações e inscrições: inscrições gratuitas, sem emissão de certificado, e pagas acessando o link. A programação do evento será enviada após a confirmação da inscrição.

Os desafios do retorno gradual às aulas

Especialista indica caminhos para a retomada, como a importância do acolhimento e um documento para nortear os secretários municipais de Educação

Revista Educação – Por Mozart Ramos/30.11.2020

Com a queda da curva da Covid-19 na maioria das regiões e dos estados brasileiros, escolas de todo o país começam a receber seus estudantes, mesmo que de forma gradual, em conformidade com as recomendações sanitárias locais e orientações das redes de ensino pautadas pelos pareceres e resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Os últimos meses foram, em resumo, de grande aprendizado para professores, estudantes e famílias — todos procurando trabalhar de maneira harmoniosa em busca de um objetivo comum: o aprendizado mediante o chamado “ensino remoto”.

Nesse cenário, ficou muito evidente a enorme desigualdade educacional vigente em nosso país em relação ao acesso a tais atividades, por conta da conectividade ao mundo digital. Por outro lado, foi muito gratificante verificar os esforços de professores para que seus alunos não deixassem de ter acesso às tarefas escolares. Muitos chegaram a levá-las pessoalmente a cada um de seus alunos, usando diferentes meios de transporte.

Proximidade
Também foi relevante nesse processo a maior participação dos pais na supervisão dessas tarefas.

A pandemia fez com que os pais voltassem a assumir o papel de educar junto com a escola, seguindo antigo provérbio africano: para educar uma criança é preciso toda uma aldeia, e em consonância com o Artigo 2° da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

O processo de retorno às aulas presenciais, como disse, está sendo feito gradualmente, escalonando a participação dos alunos por série escolar. Enquanto a vacina não chega, torna-se relevante manter os cuidados higiênicos e as recomendações sanitárias, e fortalecer os vínculos entre a escola e a família. No ambiente escolar, é fundamental estabelecer um programa de acolhimento socioemocional para apoiar professores e alunos nessa retomada, dando a devida atenção à saúde mental da comunidade escolar.

Em uma pesquisa com cerca de 1,4 mil professores de redes privadas e públicas de ensino no período de julho e agosto de 2020, realizada pela Mind Lab, edtech que é referência mundial em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias educacionais inovadoras, ficou constatado que 31% dos professores disseram acreditar que o maior desafio ao retornarem às salas de aula será o de lidar tanto com as emoções pessoais quanto com as dos alunos.

Além disso, muitos deles falaram da importância do acolhimento, principalmente em um cenário no qual cada um vivenciou a pandemia de forma diferente. Eles também mencionam o desafio de ensinar as crianças e os pais a lidarem com a ansiedade e com as diferentes sequelas deixadas pela pandemia.

Atenções
Outro aspecto que merece uma atenção especial dos gestores escolares, nesse momento de retomada, é fazer uma avaliação diagnóstica para saber o que foi ou não aprendido pelos alunos nesse período de ensino remoto. Nesse sentido, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), enquanto bússola das aprendizagens essenciais, exercerá um importante papel.

Importante ainda lembrar que 2021 vai ser um ano em dois, pela necessidade de integrar as atividades escolares regulares às deste ano, no que está sendo chamado de um continuum curricular. Isso vai exigir um forte trabalho de planejamento e de foco para que as aprendizagens escolares sejam efetivadas para todas as crianças.

O ano de 2021 se apresenta até aqui como um período de grandes restrições orçamentárias, em decorrência dos estragos provocados pela Covid-19 na economia do país. Por isso, entendemos que as parcerias público-privadas (PPPs) poderão ser essenciais para colocar em prática as políticas públicas da educação.

Por fim, é bom lembrar que a Prova Brasil será realizada no próximo ano em um ambiente fortemente impactado pela pandemia. Não será fácil para os gestores educacionais assegurar que os municípios alcancem a meta prevista do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para 2021, cuja divulgação acontecerá em 2022.

Não é hora de inventar a roda. Por isso, recomendo a todos os secretários municipais de Educação que leiam o documento Educação Já Municípios, elaborado pelo movimento Todos pela Educação, que indica, em resumo, um caminho seguro para começar a fazer a coisa certa em prol da educação.

*Mozart Neves Ramos é titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP-Ribeirão Preto, membro do Conselho Nacional de Educação e membro do conselho consultivo da Mind Lab.

A importância de conversar com as crianças sobre preservação ambiental

Economia de recursos e horta em casa devem ser estimuladas desde cedo

Folha Vitória – José Renato Campos/02.12.2020

Qual a melhor maneira de ensinar a preservação do meio ambiente para as crianças? Quanto mais cedo essa questão for discutida, maiores são as chances de despertar a consciência ambiental nelas.

Os responsáveis têm o papel de educar os seus filhos e a preservação é um dos temas que devem ser ensinados. O mundo todo vive com problemas de poluição, desmatamento e aquecimento global, então precisamos mudar o atual cenário para garantirmos um futuro aos mais jovens.

A tecnologia em excesso e a conectividade exagerada muitas vezes limitam os jovens a desenvolverem seu lado emocional e racional. Por isso, é importante que os responsáveis mostrem às crianças um mundo além das telas digitais. Sendo assim, elas poderão entender melhor a importância da preservação ambiental.

Conceito dos 3 R’s
O consumo sustentável deve ser uma prática de todo o cidadão e as crianças devem entender desde cedo o conceito dos 3 R’s. As diretrizes são reduzir, eliminando a geração de resíduos tóxicos; reutilizar, utilizando os bens de consumo o máximo possível antes de descartá-los; e reciclar, reaproveitando todo tipo de material que possa servir como matéria-prima para um novo objeto.

Consequências do desperdício
As crianças precisam entender sobre o impacto das suas atitudes no mundo. Assim, é preciso que elas compreendam que ao desperdiçar recursos naturais ou descartar e trocar seus bens por outros mais novos, a natureza será impactada negativamente e, no futuro, podemos viver problemas como a falta de água, excesso de lixo e aquecimento global.

Economia de recursos
É difícil para uma criança entender que com lagos, rios e mares tão extensos é possível que a água do mundo acabe. Por isso, é preciso que os pais deem o exemplo de economia de recursos em casa, não desperdiçando água, apagando as luzes dos cômodos e desligando tomadas. Com essas atitudes e muita conversa, as crianças entenderão que cada um é responsável por manter e preservar a natureza.

Passeios ao ar livre
Só conseguimos valorizar aquilo que conhecemos. Por isso, as crianças precisam ter contato com a natureza e prezar por tudo que vem dela: água, alimentos, animais e plantas. Com um contato direito, as crianças entenderão como o ecossistema funciona e qual a importância dele para a vida humana.

Horta em casa
Muitas crianças sequer conhecem o nome de frutas e verduras ou entendem como eles chegam até a mesa. Por isso, uma das formas de ensinar a preservação é criar uma horta em casa. Mesmo que sejam pequenos vasos de manjericão, alecrim ou cebolinha, as crianças entenderão que é preciso cuidar, regar e preservar para que sempre exista o alimento.

Portanto, estimular a preservação do meio ambiente para crianças é muito importante e essa atitude faz com que elas sejam mais responsáveis e conscientes sobre suas atitudes e como elas impactam todo o mundo.