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A educação com um olhar para o futuro

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Publicado em Artigos, Destaques
01abr

Por Felipe Ribbe

Não é possível prever com certeza quantos e quais empregos serão criados ou eliminados nas próximas décadas. Porém, é certo que haverá mudanças significativas no mercado de trabalho, especialmente em função do avanço de novas tecnologias, como inteligência artificial e robótica. Por conta disso, é fundamental que os países adaptem seus modelos educacionais e currículos para conseguir preparar as novas gerações de forma adequada para o futuro.

O “The Economist” e a Yidan Prize Foundation criaram o Worldwide Educating for the Future Index (WEFFI), cuja missão é avaliar a efetividade de sistemas educacionais em deixar estudantes – de 15 a 24 anos – aptos a encarar as demandas pessoais e profissionais de um mundo em constante transformação. A segunda edição do relatório, referente a 2018, foi publicada no início deste mês. Nela, 50 países foram analisados, representando 89% e 93% da população e do PIB mundiais, respectivamente.

O índice é composto por 21 critérios, separados em três pilares principais, com pesos diferentes: ambiente político, ambiente de ensino e ambiente socioeconômico. O ambiente de ensino tem o maior peso (50%) e envolve não só pontos relacionados aos professores – qualidade da formação e média salarial, por exemplo -, como também gastos do governo em educação, atividades extracurriculares, colaboração entre universidades e indústria, e acesso à tecnologia em sala de aula. O ambiente político tem peso de 30% e engloba critérios como estratégia nacional para ensino de habilidades do futuro, existência de estrutura curricular que apoie o ensino dessas habilidades e até o índice de desemprego entre jovens. Por último, o ambiente socioeconômico (20% de peso) foca em critérios variados, que vão desde igualdade de gêneros, gestão ambiental, liberdade econômica e de imprensa, e índices de corrupção.

Finlândia, Suíça e Nova Zelândia ficaram nas três primeiras colocações, nesta ordem. O Brasil ficou na 31ª posição, atrás de outros países da América Latina, como Chile (13º), México (19º), Colômbia (20º) e Costa Rica (21º). Entre os pilares, o Brasil teve seu melhor desempenho no ambiente socioeconômico, ficando em 21º lugar. Porém, como o relatório não disponibiliza o ranking de cada critério, o que considero uma falha, não é possível analisar a colocação brasileira de forma mais profunda. Mesmo assim o WEFFI traz considerações interessantes.

A primeira é que riqueza ajuda, claro, mas não é fundamental. Provas disto são países como Gana, Cazaquistão e Filipinas, que superaram EUA e Japão no pilar de ambiente político, além do Chile, em 13º no ranking geral, a frente dos EUA e Coreia do Sul. Outro ponto é que estratégias nacionais em educação, estrutura curricular e métodos de avaliação de estudantes devem ser flexíveis e revisados periodicamente, para conseguir acompanhar as mudanças constantes no mercado de trabalho e na sociedade. A terceira consideração é a importância do aprendizado constante e durante toda a vida (em inglês conhecido como lifelong learning) não só para os alunos, como para os professores, uma vez que eles também precisam estar atualizados em relação aos métodos de ensino mais modernos e eficazes.

O WEFFI ressalta ainda que diversidade e tolerância deveriam ser valores universais, por promoverem uma visão de mundo mais liberal em relação a assuntos como imigração, religião, igualdade de gênero e direitos LGBT. Por último, o relatório afirma que o sistema educacional rígido, baseado em provas, não se encaixa com as demandas para o futuro e que os países deveriam buscar novas formas de avaliação e ensino mais modernos, inclusive melhorando o alinhamento entre escolas/universidades e empresas privadas, para aproximar o que é ensinado aos estudantes do que de fato é requerido no mercado de trabalho.

Como se pode ver, o Brasil ainda tem muito a melhorar, mas pode se mirar em exemplos próximos de sua realidade, de nações com até menor poder de investimento que conseguem bons resultados em educação. Só assim conseguiremos evoluir como país.

Felipe Ribbe é jornalista, pós-graduado em gestão de negócios pela Fundação Dom Cabral. Atualmente é colunista de inovação e novas tecnologias no Jornal do Brasil e autor do site Renova Inova e da newsletter Semana Renova Inova.

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