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A publicidade de bebidas alcoólicas

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Publicado em Artigos
08jun
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Por João Lopes Guimarães Júnior e Ilana Pisnky

Entre as cinco intervenções propostas em artigo recente da publicação “The Lancet” para lidar com a crise mundial de doenças não transmissíveis está a redução do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. No Brasil, dados divulgados pelo Ministério da Saúde em abril mostram o aumento do percentual dos que bebem em excesso.

Diversos especialistas em saúde pública alegam ser impossível conceber uma política pública para reverter essa alarmante situação sem combater o estímulo exercido pela publicidade, especialmente a de cerveja, que associa seu consumo a imagens e situações atraentes, divertidas, bonitas ou eróticas.

Veiculada com impressionante frequência, especialmente na TV, a publicidade é capaz de interferir na liberdade de decisão de adolescentes e jovens adultos, por serem eles mais vulneráveis. No entanto, a proposta de proibir a publicidade de cerveja como medida útil para reduzir o alcoolismo vem provocando reação de setores publicitários e de mídia, que alegam tratar-se de cerceamento de sua liberdade de expressão ou censura.

Será que esses setores corporativos têm razão? A interferência do Estado na economia não é novidade nem arbitrária; é bem-vinda como resultado da evolução do direito para conciliar o capitalismo com a promoção do bem-estar social.

Ora, como promover a saúde e o meio ambiente, por exemplo, sem controlar (quando possível) certas atividades que comprovadamente causam doenças ou poluem?

A imposição de algumas restrições às empresas se justifica, portanto, quando orientadas a proteger eficientemente e na justa medida interesses sociais valiosos. A lógica é simples: o sacrifício de um direito passa a ser aceitável quando resultar na proteção de outro considerado mais relevante.

Parece-nos legítimo questionar se as cervejarias devem ter direito irrestrito a bombardear crianças e adolescentes com todo tipo de assédio publicitário – altamente sofisticado e persuasivo-, quando argumentos consistentes demonstram a gravidade dos problemas de saúde pública causados pelo álcool e a influência da publicidade sobre esses consumidores. Será que interesses empresariais devem, nesse caso, se sobrepor a interesses sanitários?

Ainda que se reconheça sua importância, a publicidade não pode gozar da mesma proteção legal que merecem as manifestações artísticas, literárias, políticas ou jornalísticas, pois os valores que justificam a defesa intransigente destas absolutamente não estão presentes na mensagem de fim comercial.

Cabe lembrar que, desde 1996, restringiu-se a propaganda de bebidas de alto teor alcoólico, sem que fosse abalado o prestígio de nossa democracia (quem não se lembra do famoso slogan que espalhava pelos meios de comunicação de massa o conceito de que beber cachaça era “uma boa ideia”?).

O que é inadmissível, em uma sociedade verdadeiramente democrática, é a prevalência de interesses econômicos quando está em jogo a saúde de jovens que são persuadidos diariamente a consumir bebidas alcoólicas.

Um comentário sobre... “A publicidade de bebidas alcoólicas

  1. Gostaria de relembrar que a bebida alcóolica é considerada uma droga lícita, da mesma forma que o cigarro. Num passado não muito longínquo a propaganda de cigarros era abusiva e fazia uso até de recursos florais para que as meninas adolescentes ficasem atraídas pela beleza das flores rosa bebê estampadas nas embalagens e nos cigarros. Eu era adolescente nessa época e quase experimentei o cigarro por conta disso. Se a indústria do cigarro foi contida , por que não as cervejarias? Os jovens com certeza não têm limites bem estabelecidos, sao muitas vezes inconsequentes. É característico da idade, não precisa de propaganda para que eles experimentem e façam uso regularmente, mas a propaganda intensifica a vontade e acelera o uso de forma desmedida. Da mesma forma que acontecia com o cigarro , agora acontece com as bebidas alcóolicas.

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