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Ainda sobre o professor

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23out

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom
Artigo inicialmente publicado no JORNAL O DIA

Não dá para deixar passar em branco o Dia do Professor, comemorado no último dia 15. Desculpem os profissionais indiretamente envolvidos com a educação que analisam o tema sem estar em sala de aula, mas somente o professor conhece o tamanho da responsabilidade e do ofício que exerce todos os dias. E sobretudo no Brasil, em 2015. Não é uma profissão como outra qualquer. É muito mais complexa do que parece. É um somatório do conhecimento e aprimoramento profissional do indivíduo e do entendimento e bagagem de vida que este carrega.

Nos dias de hoje, ser professor vai muito além do conhecimento técnico especializado de uma determinada área, que deve ser exigido e aprimorado continuamente. Ser professor envolve competências e habilidades para lidar com crianças, jovens e até mesmo adultos em diferentes contextos políticos, sociais, culturais e econômicos. Realidades, por vezes, muito duras, tristes e chocantes.

Com a ausência cada vez maior da presença da família – seja ela qual for – no dia a dia dos estudantes, é o professor que acaba vivenciando muito mais de perto momentos de intensa transformação emocional e corporal dos alunos, participando, inclusive, dos ritos de passagem. E, nestas horas, o que conta e o que se pede não é conteúdo nem conhecimento. É presença. E mais: valores humanos.

Em que aula, por exemplo, mesmo que nas entrelinhas, não se discute ética, moral, solidariedade, respeito? Direitos e deveres? Professor – de sala de aula – sabe disso. E não foge do embate, da polêmica, da crítica, da cara feia. Sabe ouvir, ponderar e, principalmente, se posicionar. Como também sabe que não é – nem pode ser – o pai ou a mãe. Que não é psicólogo nem médico, muito menos babá. É um mediador que, ao contrário do que pensam, sofre pressões internas e externas para melhorar não só o ensino, mas o cidadão de hoje e do amanhã. Ou seja: o seu filho, o meu, o dele: os nossos.

Que outra profissão tem este desafio nas mãos? Nenhuma. E posso garantir que muitos dos professores lutam para que este desafio não escorra pelas mãos. Como seria bom que a sociedade de fato e de direito se unisse a este coro. Como seria bom que as políticas públicas se somassem a este propósito. Como seria bom vivenciar isto tudo dentro da sala de aula.

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