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Direito de permanecer calado

5 comentários
Publicado em Artigos
17abr

Por Júlia Gabriele Araújo da Costa
Ex-aluna do curso Roteiro para Mídias Digitais (Nave)

Penso que, atualmente, cresce cada vez mais uma (auto)limitação sobre as opiniões e críticas que queremos/podemos expor através de um jornal, redes sociais e outras mídias. Mesmo com o direito de manifestar livremente nossos pensamentos, o que eu, você e todos escrevem/falam pode ter uma consequência não positiva em nosso local de trabalho, em nossa família, na escola ou na conquista de um emprego. Do jeito que as coisas andam, dificilmente conseguiríamos, por exemplo, um cargo público ou uma vaga numa empresa particular após fazer críticas políticas.

Acredito que as críticas deveriam servir para a construção de melhores ações, atitudes e encaminhamentos. Mas elas não são vistas desta forma. Quase sempre o autor das críticas é julgado – e muitas vezes condenado – quando não coloca a sua opinião de acordo com o desejado, tanto pelas empresas quanto pela maioria dos cidadãos. Nos dias de hoje, a imagem transmitida é mais importante do que o serviço prestado.

Neste sentido, venho observando que o jornalismo está cada vez mais limitado a reportar acontecimentos do dia a dia, muitas vezes, sem importância social, focando muitas vezes em celebridades e novelas. Partindo do princípio de que o jornalista tem compromisso com a informação e que desempenha de certa forma um papel de formação de opinião pública, o contexto deixa a desejar. A população está cada vez mais alienada pelas diversas mídias, muitas vezes controladas por pessoas do próprio poder público, o que gera uma sociedade sem grande conhecimento e com opiniões rasas. Uma sociedade tão limitada não tem muito para onde correr. Retratos fantasiosos do nosso dia a dia e reality shows ditam o ritmo do país.

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5 thoughts on “Direito de permanecer calado

  1. Ótimo texto Júlia!
    Atualmente passamos exatamente por essas questões quando vamos expor nossas opiniões. Na verdade até um tempo atrás somente percebiamos essa “restrição” ou não as nossas opiniões, quando estávamos em nossos círculos sociais, mas agora nós cada vez mais estamos presos a problemas do tipo “- Será que fulano vai me achar assim ou assado, se eu disser isso, ou compartilhar essa post ou curtir ciclano…”
    Enfim, percebemos hoje porque vivemos 24h conectados e as respostas ou apoio aos nossos pensamentos chegam mais rápidos do que o tempo que levamos para bolar algo para dizer em nossos post, rsrs… E não tô nem falando da manipulação da grande massa, que faz de nós literalmente seres subversivos por conseguirmos ler textos como o que vc escreveu e nós dos comentários aqui e em tantos outros lugares, e acharmos que algo precisa ser feito pois há um grande erro nessa tentativa de sermos manipulados e alienados para aonde quer que olhemos.

  2. Muito boa reflexão, tenho pensado que a inclusão digital nos deixa com uma falsa liberdade, onde na verdade, somos livres para fazer aquilo que desejam que façamos, correndo o risco de sermos rechaçados caso o contrário!

  3. Legal o seu texto, Júlia!
    Qual a sua idade?
    Tudo de bom pra você e que a gente consiga aprender mais com as críticas 🙂

    1. Muito obrigada, Bia!
      Eu tenho 18 anos.
      O mesmo para você. Fico feliz em saber que o que penso pode influenciar em algum acontecimento bom de mudança!

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