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Do EAD aos aplicativos: educação comunicativa e interativa

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31Maio

Por Silvana Gontijo/CEBEDS

“Para que a sociedade da informação seja uma sociedade plural, inclusiva e participativa, hoje, mais do que nunca, é necessário oferecer a todos os cidadãos, principalmente aos jovens, as competências para saber compreender a informação, ter o distanciamento necessário à análise crítica, utilizar e produzir informações e todo tipo de mensagens. Maria Luiza Belloni PHD in Media literacy – Universidade de Lisboa

Quando na década de 70 Jean Baudrillard desenvolveu suas teorias sobre a sociedade pós-moderna -“organizada em torno da simulação, cuja ruptura radical com as sociedades modernas tem como demiurgos os modelos, os códigos, a comunicação, as informações e a mídia”- ele afirmava que nesse delirante circo as subjetividades estariam fragmentadas e perdidas. As classes sociais, os sexos, as diferenças políticas e as diversidades culturais e religiosas implodiriam uns sobre os outros apagando as fronteiras e as diferenças num caleidoscópio pós-moderno.

Seria esse pensamento um vaticínio para a polarização reducionista que vivemos hoje?

Na visão de Baudrillard a hiper-realidade desse mundo pós-moderno seduziria muito mais do que a realidade. Os indivíduos abandonariam o “deserto do real” pelo êxtase da hiper-realidade e pelo novo reino do computador, da mídia digital e da tecnologia. 

Uma visão inquietante sobre a sociedade do simulacro. Se na perspectiva moderna as tecnologias eram uma extensão dos seres humanos, que as usavam para dominar e controlar a natureza, os pós-modernos, ao contrário. Esses acreditavam, inicialmente, que as tecnologias preponderariam e que cada vez mais viveríamos sob a tensão de ter os meios para acessar qualquer tipo de informação e o medo de sermos dominados. Não mais pelas tecnologias, mas pela tirania da compulsão por essas informações.

Empanturrados de imagens, conceitos, valores e verdades navegamos com nossas frágeis convicções por áreas de saberes indecifráveis, polarizações intermináveis e tempestades cerebrais extenuantes. O rumo vem sendo dado pelo canto das sereias que, via de regra imersas na deep internet, espalham suas vozes nas redes sociais e nos grupos de whatsapp. Suas mensagens nos alcançam e surgem em nossos devices invadindo nossa privacidade com uma intimidade sobre a qual não somos sequer consultados.

— Olá, cara Silvana, quais as novidades? Respondo atônita parafraseando o velho Sérgio Cabral, a uma mensagem de remetente desconhecido: — Por enquanto a nossa amizade. Mas não abandonamos o barco. Seguimos conectados, presos a essa miríade de experiências fascinantes às quais nos agarramos, para evitar o naufrágio do não pertencimento. Como descobrir uma rota mais segura e um processo de interação social menos angustiante?

Na era da incerteza muitas perguntas e poucas respostas. A escola, as famílias e as empresas precisam repensar suas práticas educativas para formar cidadãos autônomos, críticos, criativos, solidários e independentes. É imprescindível garantir aos nossos jovens as competências para avaliar, selecionar e discriminar o joio do trigo nesse mundo em comunicação.

A midiaeducação vem se transformando em uma ferramenta poderosa para ajudar docentes, gestores e líderes de grupos a recriarem seus espaços e suas metodologias de ensino e aprendizagem. No planetapontocom nossa missão é desenvolver soluções inovadoras para a educação pública e a midiaeducação é nossa principal base teórica e o campo de conhecimento que estrutura cada experiência inovadora. 

Do EAD, passando pelas salas de bate-papo virtual e os ambientes e aplicativos cada vez mais sofisticados de identificação de fake news e de conteúdos impróprios, não nos faltam ferramentas para uma interação mais comunicativa. Assumimos a abordagem midiaeducativa, na qual a ação educacional dá ênfase ao exercício da comunicação, mediada por diferentes tecnologias e suportes, apoiada por valores de convivência sustentável e sistematizada pela apropriação crítica e criativa dos diferentes meios e linguagens.

Propomos, dessa forma, a implementação de ações em comunidades educacionais que incorporam os meios e linguagens de comunicação como ferramenta pedagógica e como exercício de atualização permanente. Se política se faz nas mídias, relações sociais idem e conhecimento e produção cada vez mais, como ignorar esses fenômenos? A saída é incorporá-los ao fazer pedagógico. Só então estaremos provendo a cada indivíduo as condições essenciais para o exercício pleno da cidadania.

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