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Encontros e desencontros

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06jun

Por Mariléa da Cruz
Ex-secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro
Coordenadora do Centro de Cidadania Artes e Cultura (CIdadaniarte) 

É rotina do Centro de Cidadania Artes e Cultura (Cidadaniarte), que coordeno, levar crianças e adolescentes para visitarem exposições e participarem de oficinas na Caixa Cultural, no CCBB, no Centro Cultural dos Correios, para percorrerem roteiros turísticos da cidade ou para assistirem a uma peça teatral. O interesse e curiosidade são imensos. São crianças que vivem penduradas nos aparelhos eletrônicos de que dispõem e sonham com os equipamentos de última geração, mas que, ao vivenciarem estes momentos, os curtem de tal forma que chegam a perguntar quando vai ter outro. Divertem-se fazendo brinquedos infantis, improvisando com o material que lhes vem às mãos.

Além das crianças, os idosos são os que mais se beneficiam das atividades. Sempre que a programação permite a integração de gerações, lá estão eles dispostos a curtir sem constrangimentos os prazeres que lhes foram negados na época de sua infância e adolescência, quando era impensável, não só por razões econômicas, mas também por razões que restringiam a liberdade do indivíduo no sentido de classificá-lo pejorativamente, se mulher (questionando-lhe a castidade) e se homem (questionando a masculinidade se demonstrassem algum interesse pela atividade artística).

A integração é total e, mesmo havendo divergências na leitura que cada geração faz daquilo que vê, há os pontos comuns entre eles, como a convivência pura e simples que a natureza proporciona e que o homem tende a destruir. É mágico presenciar momentos tão pueris: o idoso relembrando situações vividas e a criança se divertindo, mas todos fazendo descobertas com a mesma naturalidade.

Há um vácuo entre esta e aquela geração. Geração de adultos/pais que, na infância, não teve acesso à cultura, privilégio da elite. Essa geração é vítima da transição que vivenciam. Um período de transformação da sociedade em que predomina a valorização da tecnologia e que o referencial de valor é o ter e não o saber e o ser. São raros os adultos/pais que participam dessas atividades. Mas é frequente a surpresa e a alegria que experimentam com seus filhos.

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