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Por que os sábios vivem mais?

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16abr

Do El País
Por Maria Talavera

O que têm em comum Michelangelo, Verdi e Picasso? Não é apenas a genialidade que os une. Os três viveram muitos anos e estiveram criando até o final de suas vidas. Michelangelo, já em sua nona década, projetou a cúpula da basílica de São Pedro. Verdi, aos 80, compôs Falstaff, uma das suas melhores óperas. Picasso continuou trabalhando de modo incansável praticamente até o dia da sua morte, aos 91 anos. Há muitas outras referências de longevos famosos que labutaram até o final. Como o escritor e economista francês Stéphane Hessel, que aos 93 anos – três antes de morrer – escreveu Indignai-vos! (Leya Brasil, 2011), um livro com enorme repercussão na sociedade, especialmente entre os jovens; ou a sobrevivente mais idosa dos campos de extermínio nazistas, Alice Herz-Sommer, que viveu 110 anos e nunca deixou de tocar piano. O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer continuou na ativa mesmo depois de centenário; a bailarina Martha Graham dançou, aos 90, a coreografia de A Sagração da Primavera, de Stravinski; a cientista italiana Rita Levi-Montalcini, ganhadora do Nobel de Medicina, continuou fazendo pesquisas até os 100 anos; e o cineasta português Manoel de Oliveira, que morreu no ano passado aos 106, rodou seu último filme um ano antes. Incrível, não?

Segundo a filóloga e coach Gloria Méndez, não é preciso ter qualidades especiais para gozar de uma vida plena: “É totalmente democrático, não há exceções. Todo mundo pode fazer com que sua vida tenha mais vida dentro dela. Estar 100% vivo depende só de nós mesmos.” O psiquiatra Fraiz recolheu ao longo de mais de 20 anos uma base de dados documentais com aproximadamente 6.000 centenários famosos.

Perguntado sobre qual é o segredo para uma vida longa, Fraiz responde que, apesar de os hábitos saudáveis, a genética e os cuidados médicos influírem, o principal fator comum entre todos os centenários é a capacidade de recuperação, a disposição para se manterem ativos enquanto for possível, o otimismo e um forte senso de propósito em suas vidas. “Há pessoas que aos 70 anos começam a pintar, escrever, fazer fotografia, passear pelo campo… Tem a ver com as inquietações. Muitos morrem porque não sabem aproveitar. E há casos de gente que passa por situações terríveis e mesmo assim consegue se recuperar, como os centenários que pesquisei e que haviam estado em campos de concentração. A mera esperança de sair dali já era um incentivo para eles. Como se dissessem a si mesmos: ‘Hoje não me rendo, talvez amanhã ou depois, mas hoje não”.

Independentemente da longevidade de cada um, a filósofa e consultora Mónica Cavallé observa que as pessoas que vivem de forma mais plena são aquelas movidas pelo amor, não pelo medo; movidas pelo afã de crescer, de se aventurar e de descobrir; as que assumem que as perdas e ganhos são indissociáveis do fato de estar vivo, e experimentaram o poder transformador das perdas; as que perseguem sua felicidade individual, mas também se entregam a valores e causas maiores que si mesmas. E aquelas que são espiritualmente ricas e não temem o passar do tempo, despedindo-se com elegância de tudo aquilo que os anos levam consigo.

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