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Profissão Repórter

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03maio

Por Emanuelle Najjar
Publicado pelo Observatório da  Imprensa

Contrariando todas as expectativas a respeito da relação atual entre os jovens e o jornalismo, parece que um programa está se tornando bem popular. O Profissão Repórter, que há pouco tempo voltou à programação em nova temporada, mostrou a que veio em reportagens que nada lembravam os velhos motes do jornalismo do horário nobre. Para quem estava acostumado ao velho ciclo vicioso estilo Globo
Repórter, deve ter sido uma grande surpresa ninguém ter mencionado a importância de se alimentar bem ou as constantes viagens com destino às matas virgens de sei-lá-onde. Cá pra nós, francamente, não sei mais de onde ainda conseguem arrumar mata virgem…

O programa comandado por Caco Barcellos já passou por uma ou outra reformulação em tons sutis. Antes, havia um tom mais professoral, em fazer não apenas o seu time de repórteres mas também os telespectadores entenderem o que era feito ali. Agora atende a algo sutil, talvez uma questão de atender público-alvo mais amplo, porém foram mudanças que vieram para o bem, tornando-os mais próximos à suas histórias, aperfeiçoando o que já parecia impecável.

Sempre gostei do programa. Volta e meia via uma movimentação com hashtags sobre os temas na minha timeline no Twitter, mas nunca foi adequado falar disso como um gosto popular, no amplo sentido da expressão. Um universo particular de gostos e interesses pode ser pequeno demais quando pensamos na amplitude de opiniões que nem sempre concordam com as nossas. Tomar o próprio universo como sendo familiar a todos é um grande risco, porém na última edição, ao falar sobre a relação dos jovens com o álcool, ele teve repercussão suficiente entre os usuários da rede a ponto de ser digno de nota e tal movimento até mesmo ser considerado uma tradição, como foi citado no site Comunique-se.

Esse foi um feito digno dos grandes, considerando que seu horário não seja nada confortável para uma audiência expressiva, como tantos gostam de cobrar, e também não fala de assuntos considerados banais, ou agradáveis. Um programa que se chegou até mesmo a cogitar em grandes portais que pudesse chegar ao fim. A verdade é que ainda há esperanças, seja para a mídia ou para sua audiência.
Apesar de ser uma bobagem querer exigir que a televisão somente eduque e seja exemplo de conduta moral de milhões de brasileiros, gosto de crer que os tais jovens não sejam tão alienados quanto parece conveniente pensar.

Se o Profissão Repórter foi capaz de tal façanha, de falar com esse público sobre temas tão sérios sem aparentar ter grandes pretensões, o que mais não poderia ser feito caso o exemplo fosse seguido? Ah, minha cara amiga televisão… Você ainda consegue me surpreender: para o mal e para o bem.

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