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Publicado em Artigos
22jan

Em tempos de redes sociais, narrativas e personagens em novos perfis

Por Isa Ferreira Martins
Professora da Rede Pública de Ensino do Estado do Rio de Janeiro / Doutoranda em Educação da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ / Mestre em Literatura Brasileira e Teorias de Literatura pela Universidade Federal Fluminense – UFF

O que transforma aquelas crianças com olhos brilhantes e ouvidos atentos a uma história em alguém que diz: “Eu não gosto de ler.”?  Aaaah!… a Narrativa, não vivemos sem ela. Desde que acordamos, até adormecermos, falamos ou pensamos, quase sempre de forma narrativa, sobre o que fizemos durante o dia, o que conversamos, com o que concordamos, como vamos resolver tal problema, o que vivemos…
Então, quando alguém que teve acesso à Educação diz que “não gosta de ler”, precisamos pensar em como evitar este triste desfecho. Fico me perguntando se a fantasia, o colorido, as imagens e, principalmente, o faz de conta e a interação tão necessários ao ser humano, talvez, não sejam deixados de lado muito cedo quando o assunto é a formação do leitor. Como vou “formar um leitor” que não lê ou lê somente para fazer uma prova ou teste e, neste contexto, muitas vezes, até recorre à internet para ler, mas… “o resumo do livro.” Mas será que esta mesma internet não poderia envolver nosso estudante nas redes, também, da leitura? 

Compreendemos que a “obrigação” tira de muitos estudantes o desejo de ler e consequentemente as possibilidades de ampliar suas ideias, interpretações, gramática, ortografia, vocabulário, compreensão da sociedade, de si mesmo e do outro. Mas não podemos desistir porque “navegar é preciso”. Esta expressão, aqui popularizada por Caetano Veloso com a música “Argonautas” e em Portugal pelo poeta Fernando Pessoa, teria sido dita há vários séculos pelo general romano Pompeu aos marinheiros temerosos de enfrentar o mar. Não! Não podemos privar nossos estudantes da navegação por narrativas que nos fazem rir, chorar, nos revoltar, amar, mudar… Pois, sabemos que por meio da leitura podemos experimentar diferentes e incríveis mundos que somente nossa própria vida não nos permitiria conhecer. 

Proponho que a internet da “busca de resumos literários” e sedutoras redes sociais seja palco virtual das “leituras escolares”. Poderíamos formar grupos e a cada um deles indicar um livro, conto etc. Cada componente seria responsável em criar um perfil no Orkut, por exemplo, do “seu” personagem. Comunidades, álbuns, músicas, descrições do perfil e recados (diálogos) trocados entre os personagens teriam de ser a expressão da personalidade e comportamentos lidos/presentes na obra. A turma acompanharia as histórias na “rede”. E, em uma aula semanal (conectado ao site e projetado), os grupos apresentariam os acontecimentos das “vidas” dos seus personagens e explicariam o que motivou no livro e na criatividade deles as “novidades” da semana. Nesta proposta, não há como ler somente o “resumo do livro”. É preciso mergulhar na fantasia, nas vivências, experimentar as emoções e interagir com os demais personagens e com o colega.

Fico imaginando como seria o “perfil” da Emília, de que “comunidades” a Cuca faria parte? E o Saci Pererê? E quem eu, educadora, gostaria de ser? Dona Benta, que conquista pela sabedoria com as palavras? Não, acho que eu gostaria mesmo é de ser a Tia Nastácia. Assim, ao menos no Sítio virtual dos estudantes, eu experimentaria o delicioso prazer de um elogio por cozinhar bem! E você, que personagem gostaria de ser? E que tal deixar seus alunos te sugerirem?

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