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Volta às aulas, não ao consumo

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Publicado em Artigos
04fev

Por Lais Fontenelle
Psicóloga do Instituto Alana
Texto do blog Infância de Clarice – http://infanciadeclarice.wordpress.com/ 

As deliciosas férias estão, infelizmente, chegando ao fim. Tomara que nesse período o sol e o calor do verão tenham oferecido a nossas crianças a possibilidade de fugir de shoppings lotados para brincar mais e comprar menos. Espero também que os pais tenham pensado em bastantes programas ao ar livre para afastar as crianças das telinhas e aproximá-las da sua natureza exercitando sua imaginação e criatividade.

E agora é hora de recomeçar… Difícil mesmo será fazer com que os pequenos consigam entrar novamente na rotina, dormindo mais cedo para ter energia para encarar o dia a dia escolar. Uma boa dica é começar a volta à rotina uma semana antes para que as crianças comecem a se acostumar novamente com os horários e atividades sem esquecermos, claro, de conversar com eles sobre a volta às aulas como, por exemplo, quem será sua professora esse ano e sobre os amigos que vão reencontrar.

A volta às aulas pode, sem dúvida, ser um momento muito prazeroso e esperado pelas crianças que estão ansiosas para rever os amigos, saber quem são os novos colegas e aprender muitas novidades. Já para os pais esse retorno às aulas pode significar gastos acima do esperado em razão das monstruosas listas de material pedidas pelas escolas com apelo ao consumo desenfreado. Sem falar do bombardeio de publicidade de material escolar como mochilas, estojos, cadernos e outros produtos que entra em cena nos dando a ideia de que, para começar bem o ano, é preciso estar com tudo novo.

Além disso, as campanhas mercadológicas muitas vezes induzem a compra dos produtos da moda, frequentemente acompanhados de personagens licenciados. E os produtos com personagens licenciados são os mais visados e caros. Desenhos animados e ícones juvenis estão nas capas dos cadernos e nas estampas das mochilas, provocando, na maioria das vezes, gastos acima do esperado para os pais, já que quase sempre esses produtos chegam a custar 100% a mais que aqueles sem personagens.

Sem contar que são poucas as escolas, hoje, que tem uma política voltada para sustentabilidade e que incentivam a reutilização do material escolar e dos uniformes ou que orientem os pais com relação a essa questão. Usar a mochila ou o estojo do ano passado que estão em bom estado não deveria ser vergonhoso e sim um exemplo de sustentabilidade a ser seguido. A comunidade escolar deveria incentivar a reutilização de materiais e uniformes pelas famílias como uma forma de inclusão incusive. Ou seja, usar o livro do amigo da série anterior ou o uniforme do colega mais velho que cresceu poderia entrar na moda e, assim, além de repensar o consumo, estaríamos ensinando nossas crianças a cuidar de suas coisas para que pudessem ser reutilizadas.

Pensando nessas questões não temos, portanto, como não achar que esse momento de retorno para escola pode ser também uma boa época de repensarmos os valores consumistas que têm sido transmitidos aos nossos filhos. Eis a questão: será que precisamos comprar tudo novo? Mochila, estojo, lápis e lancheira para que nossos pequenos sejam aceitos na turma da escola? Claro que não! Podemos só repor algumas coisas que faltam e reaproveitar e reciclar outras.  Que tal tirar um dia para arrumar o material com as crianças? Limpar a mochila e até customizá-la dando uma marca original, apontar os lápis, arrumar o estojo e reaproveitar um caderno antigo, mas com folhas boas fazendo uma nova capa com recorte de fotos, desenhos e afins podem ser boas ideias. Você vai ver que muitos materiais ainda devem estar bons para usar e que essa experiência, além de rica, pode ser divertida.

Outra dica é mostrar aos pequenos que podemos voltar às aulas com novidades diferentes e não só com materiais novos. Voltar às aulas pode significar muitas histórias para contar… Então que tal produzir com seu filho um diário de férias cheio de fotos e registros de momentos divertidos para que ele possa compartilhar essas novidades com os amigos? Assim, as crianças vão começando a entender que não precisamos somente de objetos para sermos aceitos e nos socializarmos.

E não se esqueça: as férias estão acabando, mas as brincadeiras devem continuar sempre. Porque brincar é coisa séria. É importantíssimo ao longo de todo ano oferecermos tempo e espaço na rotina das crianças para possam brincar livremente. Brincando elas aprendem, exercitam comportamentos adultos, sua capacidade criativa e se socializam.

Dica de leitura: matéria do site IG que destaca o que as escolas não podem pedir na lista de materiais

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