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04ago

Fonte – BBC

Imagine um botão que permita apagar o passado – seu passado online, na verdade. Na Grã-Bretanha acaba de ser lançada uma campanha pedindo que crianças e adolescentes possam fazer exatamente isso. A iniciativa iRights se baseia na ideia que jovens devem ter a possibilidade de editar ou deletar facilmente conteúdo de internet que tenham criado que possa ter ficado obsoleto ou inapropriado. Apoiada pelo Ministério de Segurança na Internet britânico, o projeto visa a dar poder às gerações que cresceram no mundo virtual.

“Menores e jovens passam por tantas mudanças sociais e de desenvolvimento que há algo profundamente injusto em serem julgados depois por coisas que fizeram quando tinham 14 ou 15 anos”, disse a BBC a baronesa Beeban Kidron, que está à frente da iniciativa. Também deveria ser “fácil e simples” se livrar de “pegadas digitais” embaraçosas e até incriminatórias – aqueles erros de julgamento e provas inquietantes que ficam na rede muito depois de terem sido esquecidas por amigos e família. A infância, diz Kidron, não deveria deixar uma marca permanente na internet. “Experimentação pessoal é uma parte essencial do desenvolvimento na infância, mas a internet nunca esquece e nunca corrige.”

Mudanças mais profundas

O “direito a remover” que a Grã-Bretanha quer dar aos menores de 18 anos reflete mudanças mais profundas na sociedade. “Estamos passando por um uma “mudança monumental na era digital, de uma padrão de esquecimento a um padrão de lembrança”, diz o professor de Oxford Viktor Mayer-Schonberger, autor de Delete: The Virtue of Forgetting in the Digital Age (“Apague: a virtude de esquecer na era digital”, em tradução livre).

Enquanto, no passado, a informação tendia a ser arquivada ou descartada, a internet criou uma memória coletiva permanentemente acessível. Embora seja possível retirar postagens de redes sociais como Twitter e Facebook, elas podem aparecer novamente em buscas online – e não apenas fotos que causem vergonha ou sejam atrevidas como também informações sobre condenações criminais e disputas legais. A tensão é particularmente grande para vítimas de violência sexual, bullying ou outros tipos de abuso.

A “opção por remover” da iniciativa do iRights é parte de uma série maior de propostas para crianças e adolescentes que estão sendo promovidas pelos apoiadores do direito à privacidade. Elas incluem o direito a saber quem detém suas informações ou o direito a ser protegido para não ter que fornecer dados pessoais quando as implicações disso não forem completamente conhecidas. Além disso, o “direito a remover” foi inspirado pela iniciativa mais ampla do “direito ao esquecimento” que as cortes europeias têm defendido nos últimos cinco anos.

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