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Desenhos que valem ouro

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06out

Por Jaqueline Sordi
Zero Hora

As araras e paredes de uma famosa loja de roupas de Porto Alegre vão exibir 30 desenhos produzidos por um menino de sete anos. A inusitada exposição quer arrecadar fundos para melhorar a biblioteca do local onde sua mãe trabalha. O Dia da Criança do Bem, que será realizado a partir das 15h do dia 10, na loja A Mulher do Padre (Rua Padre Chagas, 300), tem como protagonista Theodoro Saueressig Hackner, o Theo. Filho da assessora de imprensa Debora Saueressig, 38 anos, ele acostumou-se a passar algumas horas por semana no trabalho da mãe, um instituto de psicanálise — ela o leva junto quando precisa participar de alguma reunião. O guri acabou se afeiçoando ao lugar. Virou amigo do auxiliar de biblioteca, Francis Gomes, 34 anos, e seguidamente o ajuda com a máquina de xerox.

— Ele é um menino incrível, que sempre tem atitudes muito humanas. Trata todos como grandes amigos e faz questão de ter uma relação próxima — diz Francis.

Nos últimos meses, Theo começou a achar que as prateleiras da biblioteca estavam velhas e muito cheias. Ficou preocupado: seria possível preenchê-las com mais livros? Também sentiu a necessidade de colocar um novo mapa na parede, criando um ambiente mais amigável para quem quer ler e estudar. Na última terça-feira, decidiu pôr as mãos à obra.

— Como é um lugar onde eu gosto de desenhar, achei que poderia usar desenhos para ajudar a biblioteca. Então, criei esse projeto beneficente. Como garantia a quem comprar, fiz um contrato de “compra e venda”, assinado até pelo Francis, informando que todo o lucro será revertido para lá. E logo comecei a produzir as obras — conta Theo, que, desde então, gasta entre folhas e canetinhas o tempo livre.

A mãe achou graça, mas no mesmo dia viu que o assunto era sério. Os dois foram à Mulher do Padre para escolher o presente de aniversário do pai de Theo, o professor de história Thiago Hackner. Com os desenhos embaixo do braço, Theo contou à dona da loja, a empresária Joana Henrich, sobre seu projeto. Ofereceu um de seus desenhos, por R$ 1. Joana comprou e o mostrou aos demais funcionários. Em poucos minutos, Theo já tinha R$ 6. Só o estagiário não comprou.

— Os colegas brincaram que estagiário não tem dinheiro para comprar obra de arte. Comovido com a situação, Theo foi até sua mãe e disse que daria um desenho de graça a ele: “Seria injusto todos terem um, menos o estagiário”. Mas quem acabou comovida fui eu, e, por isso, decidi contar essa história no Facebook — relata Joana.

A mistura de empreendedorismo e sensibilidade do menino geraram centenas de curtidas, compartilhamentos e comentários.

— Comecei a receber pedidos de filiais da loja em outras cidades e até em outros Estados para enviar os desenhos do Theo e ajudar no projeto — revela Joana.

Para organizar a venda — e já no clima de Dia das Crianças —, Joana, Debora e Theo resolveram montar um vernissage. A partir das 15h do dia 10, o menino estará a postos na loja do Moinhos de Vento para falar sobre cada um de seus desenhos e explicar o contrato de compra e venda. Até lá, vai criando novos. O que não parece ser esforço:

— Eu gosto tanto de desenhar porque é uma forma de colocar para fora todas as minhas ideias, todas as minhas imaginações. Desenho desde os dois anos. Quando era menor, desenhava nas paredes e até no meu corpo. Gosto de desenhar monstros, batalhas e tudo o que se passa na minha cabeça. Espero que as pessoas gostem.

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