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A água fala

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31out

Resultado de uma autoria coletiva, os escritores Maria Helena, Aparecida e Maurício Andrés lançam livro infantil no qual a protagonista e narradora é a água

Para as próximas gerações será cada vez mais vital ter não apenas conhecimento especializado, mas sim uma consciência holística e integral sobre a água. Resultado de uma autoria coletiva composta por Maria Helena, Aparecida e Maurício Andrés, o livro A água fala traz a água como primeira pessoa do singular, como se a narrativa fosse contada por ela.

Dividido em cinco partes, o título descreve uma viagem pelo ciclo completo da água no ambiente, seu movimento, sua presença nos corpos vivos, na cultura e as questões relacionadas com o seu uso. A obra, permeada por ilustrações da artista Maria Helena Andrés, uma das autoras, é dirigida aos jovens numa linguagem sintética e poética. 

Na primeira parte, o leitor é convidado a se aproximar da água e a conhecer suas viagens pelo universo e pela Terra. Em primeira pessoa, ela descreve como circula no meio ambiente e mostra os diversos estados que assume diante do calor e do frio e das mudanças de temperatura que a tornam vapor, líquida ou sólida. Além disso, mostra que pode ser doce, salobra ou salgada e como é um sinal que indica a existência de vida.

Já na segunda parte, o leitor é convidado a acompanhar a água em seu movimento, vivenciando as formas que ela assume e os diversos lugares que ocupa nos céus, na terra, no subsolo como granizo, chuva, flocos de neve. Ao longo da narrativa, a água então descreve seu ciclo, com a precipitação, a evaporação, a infiltração no solo, mostrando como surge em nascentes e provoca a erosão dos solos, as enchentes, as inundações e as secas.

A terceira parte descreve o caminho da água nos corpos vivos de seres humanos, animais e plantas e ressalta seu papel e importância para a vida. Ela está na seiva que transporta sais minerais nas plantas que a transpiram para o ambiente, nos líquidos dos corpos vivos, como as lágrimas, o suor, o sangue, a urina, no líquido em que os bebês vivem no útero das mães, na limpeza dos corpos nos banhos, entre outras tantas possibilidades.

Por ser tema frequente na cultura, nas religiões e nas artes, a quarta parte do livro aponta a água como ela é cantada, falada e mostrada nas diversas manifestações culturais e artísticas, seja na música, na poesia, na dança, no urbanismo e no paisagismo. Em muitas tradições espirituais ela é sagrada e está presente em rituais, como o batismo cristão, e nas narrativas bíblicas, como a do dilúvio. Em outras tradições, há deuses e deusas ligados à água e rituais como a dança da chuva dos índios. Muitas palavras em diferentes idiomas se referem a ela e muitos lugares e cidades têm nomes relacionados com as águas.

O livro realça ainda alguns dos múltiplos usos da água na quinta e última parte: para o abastecimento humano e para matar a sedes dos animais, para a agricultura na irrigação, para a geração de energia, para o transporte, para a pesca, a recreação, o lazer e o turismo. Dessa forma, a obra ressalta a necessidade dos indivíduos pelos recursos hídricos para manter a saúde e o bem-estar.

Além disso, o livro denuncia os desperdícios que acontecem acerca do consumo da água, enfatizando os problemas e a insegurança decorrentes de sua escassez ou excesso, com as secas e as inundações. Paralelamente, mostra a importância de se construírem obras tais como açudes, canais, aquedutos, estações de tratamento de água e de esgotos e de conservar os solos e promover sua proteção como uma riqueza de grande valor. A importância de se desenvolver a cooperação em torno da água também está presente, incluindo a necessidade do diálogo e da crítica direcionada a rivalidades, conflitos e violência entre aqueles que dela precisam e que a disputam.

Com versões em quatro idiomas (português, inglês, francês e italiano), o livro já está disponível em formato eletrônico e a tradução para a versão em espanhol se encontra em fase de revisão.

Para saber mais sobre o processo de criação do livro A água fala, entrevistamos o escritor Maurício Andrés, um dos autores do livro. Leia abaixo:

Revistapontocom – Quais fatores motivaram a criação do livro A água fala? 

Maurício Andrés – para as próximas gerações será cada vez mais vital ter não apenas conhecimento especializado, mas uma consciência holística e integral sobre a água. Motivados por isso escrevemos o livro A água fala na primeira pessoa do singular, como se a narrativa fosse feita pela própria água.

Revistapontocom – Qual o público-alvo do livro?

Maurício Andrés – a obra é dirigida aos jovens, numa linguagem sintética e poética, permeada por ilustrações da artista Maria Helena Andrés.

Revistapontocom – Quando começou o projeto?

Maurício Andrés – o projeto de criação do título começou há mais de dez anos, enquanto trabalhei profissional e institucionalmente com o tema da água e senti necessidade de transmitir esse conhecimento numa linguagem comunicativa para promover a hidroconsciencia e dissolver a hidroalienação.

Revistapontocom – Quais os pilares da narrativa?

Maurício Andrés – as cinco partes do livro tratam de vários aspectos da água: seu movimento no cosmos e no ambiente; sua importância como substância em que se origina a vida; sua importância nas culturas e nas artes; seus múltiplos usos e os conflitos entre usuários quando ela escasseia; e os modos de gerir e compartilhar a água para que ela esteja disponível a todos os que dela necessitam. Além disso, o livro apresenta um glossário com palavras importantes no universo da água e perguntas voltadas para uma leitura dirigida, além de exercícios para atividades escolares.

Revistapontocom – Quais as principais fontes de pesquisa para o desenvolvimento do livro?

Maurício Andrés – a minha vivência e experiência durante mais de uma década numa instituição que cuida das águas, hoje chamada de Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, me colocou em contato com especialistas de várias formações disciplinares e acadêmicas altamente qualificados e com publicações, eventos e estudos técnicos e científicos que  foram fontes valiosas para ampliar meu aprendizado sobre esse tema fascinante. Complementei esses conhecimentos com pesquisas no campo da agenda cultural das águas e sua presença na história das civilizações humanas.

Revistapontocom – Como os autores se dividiram para construção do roteiro?

Maurício Andrés – O roteiro foi concebido por mim, que elaborei o texto base. Em seguida, Aparecida adaptou esse texto base para uma linguagem poética e sintética a fim de facilitar sua comunicação com o público jovem e com os leitores, em geral. Por fim, Maria Helena criou as cerca de cem ilustrações correspondentes a cada segmento do texto.

Revistapontocom – Qual mensagem o livro quer passar e por quê?

Maurício Andrés – o livro quer passar para os jovens uma mensagem sobre a importância de conhecer bem a água, elemento vital e essencial que precisará ser cada vez mais bem gerenciado e cuidado, para que não falte a todos aqueles que dela precisam em suas vidas.

Sobre os autores
Maria Helena Andrés é artista plástica, arte-educadora e escritora. Foi uma das primeiras alunas do pintor e artista plástico francês Alberto da Veiga Guignard. Premiada em vários salões e bienais, expôs na França, Itália, no Chile, nos Estados Unidos e tem obras em museus no Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos. Fez inúmeras viagens de estudos à Índia. Escreveu vários livros (Vivência e Arte; Encontros com mestres no Oriente; Oriente-Ocidente – integração de culturas; Os Caminhos da Arte) e ilustrou outros tantos (escritos por Pierre Weil, Marco Antonio Coelho, Aparecida Andrés). Publica artigos e textos sobre artes, sua vida de artista e suas memórias e viagens nos blogshttp://mariahelenaandres.blogspot.com/ 
http://memoriaseviagensmha.blogspot.com/

Da esquerda para a direita, as escritoras Aparecida e Maria Helena Andrés

Aparecida Andrés é graduada e mestre em Filosofia, cursou o mestrado em Ciência Política e é médica. Foi professora de Filosofia, pró-reitora de Extensão na UFMG e Consultora Legislativa na Câmara dos Deputados. Escreveu o livro infanto-juvenil Pepedro nos caminhos da Índia, que narra as viagens de um menino brasileiro àquele país. Tem vários artigos e textos acadêmicos e literários publicados.

Os escritores Maurício e Maria Helena Andrés, uma das mais importantes artistas
plásticas brasileiras que compôs a “A água fala” em autoria coletiva com seu filho e nora

Maurício Andrés é arquiteto, fotógrafo e escritor. Escreveu vários livros sobre Ecologia e sobre a Índia.  Foi gestor ambiental em Belo Horizonte e no Estado de Minas Gerais. Em Brasília foi diretor do Ministério do Meio Ambiente e conselheiro no Conselho Nacional de Meio Ambiente e no Conselho Nacional de Recursos Hídricos, assessor na Agência Nacional de Águas e palestrante no Programa de Pós -Graduação em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos- ProfÁgua. Participa de ONGs pela paz e pelo federalismo mundial. Publica no blog http://ecologizar.blogspot.com/ 

Ficha técnica:
Edição: Instituto Maria Helena Andrés
 Produção Editorial: Maurício Andrés
Revisão: Aparecida Andrés
Layout e capa: João Diniz
Primeira edição publicada em português, inglês e francês e italiano em 2020

Copyright Instituto Maria Helena Andrés – toda a receita desse livro é destinada ao Instituto Maria Helena Andrés, para atividades no campo da arte e do desenvolvimento humano.

Link para o livro A água fala. em português:

Link para o livro Water Speaks. em inglês

Tradução de Jane Roberta Lube.

Link para o livro L’eau parle em francês

Tradução de Anne-Sophie de Pontbriand Vieira.

Link para o livro L’acqua parla em italiano:

Tradução de Giorgio De Antoni – revisão de Alberto Sica.

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