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No prato dos adolescentes

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16jun

 

Por Erika Suzuki
Da Secretaria de Comunicação da UnB

Para saber o que os adolescentes brasileiros andam comendo e entender os hábitos alimentares desses jovens, a nutricionista Sumara de Oliveira decidiu avaliar alunos do 9º ano do Ensino Fundamental de várias escolas no país. Em pouco mais de um ano, ela e um grupo de pesquisadores do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília coletaram e analisaram dados sobre a alimentação de mais de 25 mil estudantes. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2011 e novembro de 2012. “Sou nutricionista da Secretaria de Educação do DF e fico preocupada com o estado nutricional dos adolescentes, uma vez que a prevalência de excesso de peso e obesidade nessa população é crescente e representa sérios riscos à saúde”, justifica.

Além de descrever o tipo de comida que esse grupo de jovens tem consumido, o estudo feito por Sumara analisa hábitos que podem influenciar na escolha de alimentos saudáveis, como refeições em casa com a família, tempo gasto na frente da TV e do computador e prática de atividades físicas. O aspecto comportamental chama a atenção da pesquisadora. Ela destaca a influência da TV e cita os efeitos nocivos da propaganda. “Nossa investigação mostrou que quanto maior o número de horas assistindo à televisão, maior o consumo de alimentos como salgados fritos, embutidos, guloseimas e refrigerante”.

Orientado pela professora Natacha Toral, o trabalho “Caracterização do consumo alimentar e seus fatores determinantes entre adolescentes de escolas públicas e privadas das capitais brasileiras e do Distrito Federal” foi apresentado no ano passado na Faculdade de Ciências da Saúde da UnB no programa de pós-graduação em Nutrição Humana. A dissertação, segundo a autora, resulta de estudo mais amplo desenvolvido pelas professoras do Departamento de Nutrição Muriel Gubert, Raquel Botelho, Renata Monteiro e Natacha Toral que mapeia a cultura alimentar dos adolescentes nas capitais brasileiras.

“Estudos nessa área ainda são escassos”, afirma. “Acredito que a pesquisa traz importantes contribuições sobre o consumo alimentar dos adolescentes e mais ainda sobre seus determinantes, possibilitando o direcionamento de políticas públicas voltadas para esse público”, diz.

A pesquisa reforça a tese de que, para se ter uma vida saudável, os hábitos cultivados são tão importantes quanto a combinação dos alimentos. “Se uma pessoa se alimenta de junk food no carro, correndo entre um compromisso e outro, ou enquanto assiste TV ou trabalha no computador, não está dando à alimentação o espaço que ela realmente merece em sua vida, e as consequências negativas disso na saúde são evidentes”, diz a professora Natacha.

Além dos resultados esperados, como o fato de os adolescentes nas capitais brasileiras comerem poucas frutas e hortaliças e muitos alimentos com alto teor de gordura e açúcares, o estudo de Sumara destaca aspectos pouco explorados na literatura atual, no caso, que a alimentação está associada ao comportamento da pessoa, àquilo que fazemos habitualmente, e ao modo de comer.

Adolescentes que tinham uma alimentação mais saudável faziam mais refeições em casa com a família, praticavam pelo menos 4 horas de atividade física por semana e comiam com menos frequência na frente da TV e do computador, verificaram as pesquisadoras. “Essas práticas, aliás, são recomendadas pelo Guia Alimentar da População Brasileira, lançado no ano passado pelo Ministério da Saúde”, diz Natacha. Entre as recomendações, a professora cita refeições caseiras que usem alimentos naturais ou minimamente processados, feitas em locais tranquilos e na companhia de outras pessoas.

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