Para Drummond…

Por Artur Melo, 12 anos
Estudante do 7º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Ao ler o poema Verbo Ser, de Carlos Drummond de Andrade, o menino Artur Melo ficou intrigado e pensativo. O poema mexeu com ele. Não pensou duas vezes e resolveu dar um retorno ao poeta. Confira abaixo:

Verbo Ser – Drummond 
Que vai ser quando crescer? 
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. 
Que vou ser quando crescer? 
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo. 
Sem ser Esquecer.

Resposta do menino Artur Melo ao poeta Carlos Drummond de Andrade

Prezado Drummond, li o seu poema Verbo Ser e fiquei com vontade de responder a algumas de suas perguntas em forma de um poema, porém me falta o seu talento, então, resolvi escrever uma carta mesmo.

Que vai ser quando crescer? desse primeiro verso, você criou todo o poema e, pelo jeito, percebi que você também não gosta muito dessa pergunta, eu não gosto mesmo. Nenhuma criança deve viver pensando no que vai ser quando for adulto, nem pode, nem dá para pensar nisso, mesmo que os adultos queiram. Se insistirem, nós inventamos e nos livramos.

A cabeça de uma criança está sempre pensando em outras coisas, como você disse, ela já tem um corpo e um jeito. O coração de uma criança está sempre mais acelerado, o corpo de uma criança está sempre em movimento, o pensamento de uma criança está sempre onde tem brincadeira e alegria.

Acho que, mesmo se ela estiver sofrendo, se tiver um jeito, ela vai querer brincar e se alegrar. Pensando bem, acho que é por isso que faz travessura: o coração acelera o corpo, o corpo acorda os pensamentos para as melhores traquinagens.

Eu acho que o ser de uma criança só pode ter a ver com isso, o restante “não dá para entender”. Vamos ver, deixar acontecer… “Tenho de mudar quando crescer?” Você pergunta. Uma vez criança, sempre criança , bem poderia ser. Mesmo bem velhinho, como você, não esteve criança para escrever? Eu também quero “crescer assim mesmo, sem ser. Esquecer”