Pipa e literatura

Se ler faz a imaginação voar, por que não dar um empurrãozinho? No mês passado, em comemoração ao Dia Internacional do Livro (23 abril), o Instituto Pró-Livro (IPL) e a agência Salles Chemistri promoveram uma campanha original: soltaram 500 pipas na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro, que estampavam contos e fragmentos de obras de importantes autores nacionais, como o escritor e cartunista Ziraldo, o novelista Benedito Ruy Barbosa, e os escritores Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, Roseana Murray, Silvia Orthof e Leo Cunha.

Os 11 modelos de pipas com diferentes ilustrações foram criados em parceria com alguns dos principais estúdios do Brasil, o que tornou os textos ainda mais atraentes. As pipas invadiram e coloriram o céu da comunidade, estimulando as crianças a pegarem as que tinham suas linhas cortadas para que tivessem a chance de ler as histórias que elas traziam.

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“A pipa é um dos principais passatempos das crianças em comunidades carentes. Nossa ideia foi trazer histórias para serem lidas em pipas empinadas por diversas dessas crianças, incentivando a leitura e despertando uma representação positiva e prazerosa em relação ao livro e a literatura”, comenta Antonio Luis Rios, presidente do IPL.

Alisson Patrick Cardoso Dias, de 12 anos, e Alicia Vitória, de 8 anos, aprovaram a ideia.  Os dois ficaram curiosos pelos livros pipa. Segundo eles, a ação despertou o interesse pelos livros. “Geralmente, só leio o livro que o colégio manda. E só pego um livro para ler quando não tenho nada para fazer”, disse Alicia.

De acordo com o Instituto Pró-Livro, Alicia é o retrato das crianças brasileiras. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, meninos e meninas leem principalmente para cumprir uma exigência escolar. Na faixa etária de 5 a 13 anos se lê, em média, em um período de três meses, 3.2 livros. Destes 2.4 são indicados pela escola.