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‘Pokemon Go’ não é para criança

1 comentário
17ago

Por Rosely Sayão
Psicóloga e consultora em educação
Artigo publicado pela Folha de S. Paulo

Muitos pais se afetam tanto com os caprichos dos filhos. O capricho atual é jogar “Pokemon Go”. Então vamos enfrentar a fera, já que inúmeros pais querem saber se deixam o filho ter o jogo, qual a idade para começar, se pode prejudicar, se pode beneficiar, qual o tempo que se deve permitir que a criança se dedique ao jogo, como fazer para ela aceitar o limite de tempo etc.

Um pai pegou um táxi só para que o filho conseguisse caçar uma determinada criatura do jogo, outro deixou a filha de 11 anos ir até um lugar que considera perigoso porque ela estava acompanhada de outras colegas e “precisava” muito ganhar um ovo virtual. O pai ficou preocupado, mas permitiu. Assim fica difícil!

Meus caros pais, um jogo é um jogo, apenas isso. As características desse em particular revelam que ele não é destinado às crianças. Quantas delas saem para o espaço público desacompanhadas de um adulto na “vida real”? Como nossas crianças são jovens desde os primeiros anos de vida, porém, foram capturadas pela sensação do momento. Mas os pais devem ter suas referências, e não abdicar delas só porque a atividade virou febre social.

O primeiro passo é conhecer o jogo: como funciona, quais as metas, o que o filho deve fazer para alcançá-las. Se, para a família, ele não é inconveniente, não transgride os princípios priorizados, não apresenta imagens ou atos que ela não aceite, ela pode permitir que o filho brinque. Não é preciso aprender a jogar ou apreciar, mas é necessário conhecer os princípios básicos do aplicativo antes de permiti-lo.

O segundo passo é avaliar o tempo que o filho tem em seu cotidiano para ajudá-lo a administrar isso entre todas as atividades e ainda ter tempo para ficar sem fazer nada. Como há crianças mais rápidas e outras que dedicam mais tempo a cada atividade, não é possível determinar um tempo padrão. Aqueles que fazem tudo mais rapidamente não podem dedicar tanto tempo ao jogo; os que fazem tudo mais tranquilamente, porém, podem brincar mais, por exemplo.

Uma coisa é certa: a criança e o jovem têm muito o que fazer e pensar, por isso não podem se limitar a uma atividade específica. Caros pais, observem o tamanho e a complexidade do mundo que eles precisam conhecer!

Quando uma criança ou jovem gosta muito de algo, seja por iniciativa pessoal ou por adesão do grupo, é fácil para ele ficar horas e horas só naquilo, prejudicando todo o resto. Os pais não devem permitir. Para tanto, devem fazer valer sua autoridade, dizendo “agora chega”. Isso vale para tudo, porque os mais novos ainda não têm ou estão desenvolvendo seu índice de saciedade. E o “agora chega” dos pais ajuda muito a estabelecer esse limite.

Os filhos vão reclamar, choramingar, brigar, implorar, insistir, tentar negociar, seduzir, propor trocas, chantagear. São as estratégias que têm para alcançar o que querem. E são, portanto, legítimas.

Os pais precisam bancar tudo isso e firmar sua decisão, mesmo que seja para aguentar cara feia. Aliás, os filhos sabem muito bem que isso costuma funcionar. Mas cara feia passa, lembram disso?

Por fim, é importante ensinar, nas entrelinhas, que não é bom se tornar escravo de um capricho, de um gosto, de uma diversão. É muito melhor prepará-los para que sejam autônomos e livres, não é?

Um comentário sobre... “‘Pokemon Go’ não é para criança

  1. A avaliação dos pais é importantíssima! Em geral, preferem contornar situações do que se posicionar, pois não conseguem lidar com as frustrações e reclamações das crianças.
    O texto é bem claro e prático!
    Acrescento também que decidir onde a criança pode levar ou não o celular com o aplicativo é uma tarefa dos pais. Vejo crianças e jovens em passeios bacanas em praças e parques que ao invés de usufruir da natureza estão conectadas no tal jogo.

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