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Inovação na sala de aula

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27abr

Por Marcus Tavares

À procura de inovações na sala de aula, políticas públicas educativas algumas vezes deixam de prestar atenção no seu principal protagonista: o estudante. Há dez anos, o planetapontocom pesquisa e investe seu conhecimento em diferentes projetos e públicos, com o objetivo de contribuir de forma contundente para o desenvolvimento pleno dos alunos. No ano passado, a instituição lançou um desafio para sua equipe de professores e comunicadores que trabalha diretamente com jovens do Ensino Médio: promover uma educação na qual o aluno seja o protagonista da sua transformação e do meio em que vive.

“É uma forma de fazer com que o estudante se interesse pelo conhecimento de uma maneira participativa. Nos dias de hoje, quando desafiamos os jovens a resolver um problema social ou a lutar por uma causa, eles se mobilizam. E se associarmos esse desafio ao conteúdo curricular temos um contexto muito mais propício para o aprendizado. Os neurocientistas ensinam que, a cada dia, nosso quociente de atenção fica menor. Isso quer dizer que temos menos espaço no nosso hard disk. Nossos sentidos são bombardeados por milhares de estímulos e nossa atenção é disputada o tempo todo. Temos menos disponibilidade para direcionar e manter nosso foco a menos que nosso interesse esteja em sintonia com o apelo. O protagonismo inverte essa lógica. Trabalhamos com o estudante como parte integrante de um processo social, como sujeito de transformação de si e dos que estão em seu entorno e, portanto, como ser político”, destaca Silvana Gontijo, presidente do planetapontocom.

No segundo semestre do ano passado, quando o Brasil estava às voltas com as eleições para presidente da República e governador de Estado, a turma 3004, do curso de Roteiro para Mídias Digitais, do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave, cuja área técnica é de responsabilidade do planetapontocom, se envolveu com a temática.

Em um primeiro momento, estudantes passaram cerca de dois meses pesquisando e se aproximando por diferentes ângulos do assunto política. Nas aulas de Projeto e Conteúdo, escolhiam, de uma lista de cinco atividades, a cada aula semanal, qual delas gostaria de fazer: assistir a um longa metragem sobre publicidade e política; pesquisar o movimento estudantil brasileiro; produzir uma matéria jornalística sobre o papel dos partidos políticos; entrevistar especialistas em políticas públicas; ou realizar uma pesquisa com seus pares sobre a importância do voto aos 16 anos. Depois, foram instigados a criar uma ação social política que, não apenas englobasse os conhecimentos técnicos apreendidos durante os três anos do curso técnico, bem como os conteúdos do núcleo comum, mas que também fosse capaz de transformá-los e transformar outras pessoas.

Um dos grupos criou o projeto Vista-se. Com o mote Qual é a sua camisa?, a ação tinha o objetivo de chamar a atenção de jovens e adultos para a importância da consciência política e do exercício da cidadania e, por outro lado, provocar a necessidade de se posicionarem, defendendo de forma ética suas ideias e sonhos. “Produzimos duas cartilhas explicativas sobre o processo eleitoral, fizemos dois vídeos para fazer com que adolescentes e adultos refletissem sobre o tema e criamos uma página no Facebook”, recorda Larissa Maia, hoje estudante do curso de Cinema, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

veja um dos vídeos produzidos:

E não foi só isso. O grupo idealizou e promoveu uma ação social dentro da própria escola, convidando outros estudantes, professores e responsáveis para criarem a sua camisa. “Apresentamos o projeto e depois distribuímos camisas brancas para que os cidadãos brasileiros registrassem suas ideias, desejos. Foi uma ode à democracia”, conta Larissa.

“O Vista-se foi maravilhoso. Fazer com que as pessoas reflitam sobre política é uma experiência um tanto diferente. Nos surpreendemos e aprendemos bastante sobre as formas de se pensar política. O projeto provocou não só em nós, organizadores, mas em todos que participaram, uma transformação, seja a respeito do voto, dos políticos ou da politica em geral”, comemora Amanda Brum, que ingressou no curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

confira o evento:

2015: a ‘causa’ é a questão da água

Neste ano, avisa Silvana Gontijo, a ideia é trabalhar com a questão da água, mais especificamente com o projeto O rio do Rio. “A água é uma causa planetária. Dela dependem a subsistência e sobrevivência da espécie humana. Estive em 2014, na Dinamarca e constatei que o país conseguiu despoluir todos os rios, lagos e enseadas. E tudo começou com a Educação. Por que não replicar isso aqui no Brasil, no Rio, em nossas escolas? Mas como transformar uma utopia em algo tangível para os estudantes cariocas? Como até hoje nenhum rio urbano foi recuperado no Brasil, pensamos no Rio Carioca, um rio que nasce e deságua no mar dentro de um único município: o Rio de Janeiro. Além disso, devemos a esse rio o nosso gentílico, a preservação da maior floresta urbana do mundo – a da Tijuca e uma série de patrimônios materiais e imateriais de nossa história. Recuperá-lo tem tudo a ver com a cidade que está celebrando os seus 450 anos”.

Para quem não sabe, a história do rio é curiosa e rica. Por exemplo: foi às margens do rio que Mem de Sá abastecia os navios de água potável e que a primeira grande obra de engenharia urbana da América Latina, os Arcos da Lapa, envolveu o próprio rio.

“É um desafio. Já começamos o processo com a aproximação dos estudantes com o tema. Inclusive com o incentivo de eles participarem de encontros e discussões que estão acontecendo pela cidade. Recentemente, participaram de um ciclo de palestras sobre a preservação da água no Sesc, unidade Tijuca”, destaca o coordenador do curso, Tiago Dardeau.

Mas, a proposta do planetapontocom vai além da educação formal e do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave. Na verdade, o projeto O rio do Rio acabou se transformando, no início deste ano, numa iniciativa da sociedade civil organizada, capitaneada pelo planetapontocom, que visa mobilizar de toda a cidade do Rio – seus moradores – para a recuperação e a renaturalização do rio.

“Neste sentido, uma série de ações voltadas para o público infanto-juvenil, mas que propõe uma interação com os adultos, nos diferentes ambientes de ensino aprendizagem, como a escola, a família e a comunidade, está sendo planejada. Já fizemos caminhadas, eventos culturais e reconhecimento do leito do rio. Mais do que ouvir o barulho da água, gostaríamos que o carioca pudesse entrar no rio, pescar e ter aulas vivas de ciência da natureza. E principalmente, começasse a reconhecer que tudo que ele faz, gera impacto na vida que está ali”, conta Silvana.

Acompanhe as ações na fanpage do projeto

Grupo do planetapontocom está entrando em contato com as escolas que estão localizadas no curso do rio, que nasce no Alto da Boa Vista e desemboca na Praia do Flamengo, para conhecerem o projeto e trazerem seus estudantes para a causa. Mas todas estão convidadas. “Afinal essa causa é de todos nós”, finaliza Silvana.

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