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Referência: lançamento em BH

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21jul

A animação brasileira vai bem, obrigado. Na verdade, muito bem. Que o digam os longas animados nacionais. Sucesso de crítica e de público no exterior. Um exemplo? O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. O longa já participou de mais de 150 festivais internacionais. Na bagagem, 37 prêmios. Exibido em cerca de 80 países, é o terceiro filme brasileiro mais vendido para o estrangeiro. Os dados foram apresentados pelo próprio diretor da obra no Festival Internacional de Animação – Anima Mundi, no Rio de Janeiro.

Na carona do crescimento da animação brasileira, será lançado no dia 25 deste mês, na Livraria Ouvidor, e Belo Horizonte, o livro Maltida Animação, uma coletânea de textos, entrevistas e bastidores da animação. Segundo Sávio Leite, organizador do título, a intenção da publicação foi mapear no Brasil o que de mais significativo se produziu em termos de cinema de animação com a preocupação de abranger todo o território nacional e lançar luz para vários realizadores brasileiros.

“A animação brasileira vive uma boa fase com a produção de longas metragens premiados em importantes festivais internacionais como O menino e o mundo,de Alê Abreu,e ‘Uma história de Amor e Fúria’,de Luiz Bolognesi. Para o livro, convidamos pesquisadores de todo o Brasil paa refletir sobre o cinema de animação. Da produção alternativa do paulista Roberto Miller até a criação de uma escola em Goiânia, passano pelas produções feitas com e para crianças em um rico painel de experiências e realizações bem como as produções de conteúdo de dispositivos móveis e inserções de artistas plásticos na área de animação,como o caso do recifense Paulo Bruscky”.

Na primeira parte da obra, Leonardo Ribeiro, cineasta de animação mineiro com Mestrado em Design pela PUC-Rio, apresenta o texto “Bambi no ponto de ônibus”, no qual analisa a animação independente, experimental e marginal como meio de expressão e linguagem. Roberto Maia comenta sua aproximação afetiva como filho de Roberto Miller, um dos nomes mais conceituados na animação brasileira e dono de uma potente obra experimental premiada em Cannes.

O cearense Diego Akel analisa a produção experimental em animação a partir dos dispositivos móveis, numa experiência pessoal e autoral. O realizador Caó Cruz Alves trata sobre a produção baiana, seus principais realizadores, a importância dos festivais de cinema local como divulgadores dessa produção e dos editais específicos como incentivador, tanto em curtas como em longas-metragens autorais e criação de séries animadas.

Cristiane Quaresma e Marcos Buccini, pesquisadores ligados à Universidade Federal de Pernambuco, analisam a produção de animação e Super-8 no Recife da década de 1970, onde um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros, Paulo Bruscky, fez duas incursões no cinema de animação.

Márcio Jr., criador da Monstro Discos, do Goiânia Noise e da Trash – Mostra Goiânia de Filmes Independentes – e ainda Mestre em Comunicação pela UnB, fala da criação da Escola Goiânia de Desenho Animado e da MMarte Produções, cujas realizações andam movimentando o cinema de animação independente e revelando nomes como Wesley Rodrigues.

Patrícia Alves Dias, Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), formada em Cinema de Animação pela National Film Board do Canadá e fundadora dos Estúdios da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio), volta seu olhar para várias iniciativas e pessoas cujo trabalho tem foco em animação feita com crianças, tanto no Brasil quanto no exterior.

Quiá Rodrigues debruça-se sobre o trabalho fronteiriço de Sávio Leite e Clécius Rodrigues, bem como dos parceiros que permitem a essa obra vir à luz.

A segunda parte do livro é composta por entrevistas com Marcelo Marão, Eduardo Perdido, Clécius Rodrigues, Otto Guerra, Arnaldo Galvão, César Cabral, Wilson Lazaretti, Mauricio Squarisi, Pedro Stilpersen Stil e Allan Sieber, nomes que também foram citados nos textos da primeira parte, criando uma conexão na eleição dos entrevistados. Na terceira parte, há fotos dessa produção.

“Creio que o nosso esforço, apesar do recorte estreito escolhido, venha a contribuir para o enriquecimento de nossa cultura, o reconhecimento de uma arte e de artistas que, mesmo premiados internacionalmente, ainda são invisíveis para a grande maioria da população”, destaca Sávio.

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