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Responsabilidade e diversão

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21ago

Centenas de estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro participaram do Desafio Atitude Rock in Rio e ganharam ingressos para a edição deste ano do festival. Instigados a pensar sobre o desperdício de água, os estudantes se envolveram e produziram textos e projetos com o objetivo de conscientizar outros jovens e os adultos.

O concurso contava com três categorias: a) Notícia (texto e foto), os alunos (individualmente ou em grupo) enviaram texto ou fotos que retratam boas práticas, novidades, projetos inovadores, pessoas que implementem boas práticas ou ainda denúncias de maus exemplos; b) Foto, estudantes mandaram imagens pertinentes ao tema; c) Sensibilização da comunidade, os jovens idealizaram campanhas; e d) Paródia, onde os estudantes (em grupo ou individualmente) criaram novas letras para músicas já existentes, que representem o movimento e estimulem o uso consciente da água.

Os estudantes Mayara Maciel da Costa, Pedro Henrique França de Aguiar e Vanessa Bezerra dos Santos foram alguns dos contemplados. Alunos do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave, eles concorreram na categoria Notícia.

Confira a produção do trio:foto64Rio, 29.05.2015.

De quem é a água? Com a privatização desse bem comum, empresas têm lucrado com este recurso essencial à vida. Há cerca de dois anos, um vídeo se tornou viral e polêmico. Nele, o atual presidente da Nestlé, Peter Brabeck-Letmathe, diz que “o acesso à água não é um direto público”. Com a grande repercussão do vídeo, a Nestlé declarou que houve uma má interpretação da fala do presidente, o que o levou a se explicar em seu blog.

Com fatos como este e a gritante crise hídrica que estamos enfrentando, vem à tona a seguinte questão: de quem é a água? É inegável que, para a vida humana, a água é um recurso indispensável. Através de privatizações, grandes empresas têm tentado ao máximo tornar esse recurso público como um bem valioso.

De acordo com Monique Costa, advogada ambientalista, um bem público é “toda coisa material ou imaterial pertencente ou não as pessoas jurídicas de direito público e pertencente a terceiros quando vinculados à prestação de serviço público. A água é um bem público, dotado de valor econômico, segundo a lei 9.433. Por isso deve ser paga.

Além disso, o pagamento pelo uso da água tem um caráter de prevenção de poluição hídrica e também de gestão do manejo da água nas bacias hidrográficas”. Para discorrer sobre como a crise hídrica e a privatização podem afetar a população, conversamos com o geógrafo Eloír Bravim. Ele atribui, entre muitos outros fatores, a crise hídrica ao crescimento e urbanização desordenados das cidades. “Cada vez mais, tenho a convicção que as cidades cresceram de modo desordenado e as obras de saneamento básico, como tratamento de esgoto e o tratamento e distribuição da água, não acompanharam”, defende o geógrafo, afirmando ainda que tratar a água como mercadoria em tempos de crise faz seu valor aumentar, tornando-a um “privilégio das classes superiores, fazendo com que milhares de pessoas menos favorecidas não tenham acesso a esse bem precioso”, diz ele.

Estudante de Economia, Jeniffer Souza, reforça o que os outros dois entrevistados disseram: a crise é um reflexo de um crescimento irregular e falta de planejamento. Para ela, o povo deve ter total direito sobre a água tendo em vista sua importância para nossa vida, e a cobrança sobre seu uso é uma maneira de incentivar o consumo moderado, pois, infelizmente, se fosse gratuito, não haveria zelo. Jeniffer, no entanto, é otimista e acredita que nem tudo está perdido e diz qual deveria ser a raiz e solução do problema. “Isso tudo volta para parte de você investir no capital humano, se o governo fizer com que as pessoas tenham um certo nível educacional, elas veriam isso de um jeito bem mais abrangente. Isso vai acabar um dia”.

Matéria desenvolvida por Mayara Maciel da Costa, Pedro Henrique França de Aguiar e Vanessa Bezerra dos Santos.

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