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Revistapontocom entrevista Bernardo Egas, secretário municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro

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18ago

Por Flavia Perez. Foto: Marcelo Fonseca/Arquivo.

Implantar uma visão multidisciplinar de gestão. Esse tem sido um dos principais desafios de Bernardo Egas, secretário municipal do Meio Ambiente, que assumiu a administração da pasta propondo uma mudança conceitual para gerir e coordenar ações ambientais na cidade do Rio de Janeiro.

“A integração da pasta de Meio Ambiente com as Secretarias de Cultura e de Educação é fundamental para a adoção de medidas efetivas que contribuam para a conscientização ambiental da população e das empresas, a fim de que seja possível levar esse legado para as futuras gerações”, aponta.

Entre as principais frentes de atuação da Secretaria, estão a educação e a conscientização acerca das questões ambientais, bem como a fiscalização de condutas que ferem a legislação municipal. Além disso, a pasta gerencia o programa de manejo de resíduos sólidos e de saneamento de áreas específicas da cidade pois, em quase todo o Estado, a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) é a responsável pelo fornecimento da água e tratamento do esgoto.

Segundo Egas, o planejamento das atividades é realizado em parceria com o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) e Rio Águas (Fundação Instituto das Águas do Município do Rio de Janeiro). “A sinergia com outras esferas do governo e instituições ambientais torna o trabalho mais eficiente”, explica.  

1. Quais ações estão sendo conduzidas pela Secretaria do Meio Ambiente para preservação e recuperação dos recursos hídricos no município do Rio?

O programa Conservando Rios, implantado pela Secretaria de Meio Ambiente há três anos, atua de forma planejada retirando resíduos sólidos das margens dos rios, das calhas, entre outras frentes.

Atualmente o programa monitora 35 rios da cidade, em parceria com a Fundação Rio Águas, com técnicos especializados para fiscalizar a rede de esgoto e todo o processo envolvido.

Ao todo, a cidade do Rio de Janeiro contempla 267 rios, sendo que alguns são integrados com outros municípios. A previsão é ampliar gradualmente o programa para o monitoramento das nascentes e de todos os rios que atravessam a cidade.  

2. Criar caminhos para a recuperação do rio Carioca e de seu legado histórico por meio das ações do movimento Carioca, o Rio do Rio, que partiu de uma motivação da organização social Planetapontocom e inspirou o projeto Esse Rio é Meu, foi um passo importante para o resgate da valorização do patrimônio hídrico do Rio de Janeiro. Como você percebe a participação das escolas e da comunidade escolar no resgate e no cuidado dos recursos hídricos da cidade?

A educação ambiental é uma vertente fundamental da nossa administração. Por isso há uma área específica na Secretaria de Meio Ambiente para coordenar projetos alinhados a essa proposta. Na rede municipal de ensino, há cerca de 30 escolas sustentáveis, atualmente, com aulas sobre mudanças climáticas, cultivo de horta e reciclagem.

O projeto Esse Rio é Meu, que integra o Cidades, Salvem seus Rios, programa desenvolvido pela organização social Planetapontocom, vem ao encontro da linha de valorização do meio ambiente que a Secretaria vem conduzindo. Apoiamos o combate à poluição dos rios e a extensão do programa de monitoramento dos recursos hídricos no município.

3. Desde o início da pandemia da Covid-19, muitas pessoas publicaram vídeos mostrando a recuperação do meio ambiente em alguns pontos da cidade. Há estudos sobre o impacto da pandemia para o meio ambiente no município do Rio?

Há controvérsias sobre isso, pois muitos desses sinais de recuperação são causados por fatores naturais nesta época do ano. Fizemos um levantamento que apontou redução de cerca de 70% na poluição do ar. Já nos parques municipais, também foi observado que alguns animais voltaram a circular em áreas comuns, o que demonstra que as medidas de isolamento social contribuíram para a restauração da natureza sob determinados aspectos.

Contudo pouco se fala sobre a relação da pandemia com o meio ambiente. Em mercados de animais vivos, comuns na China, espécies que raramente se aproximariam na natureza ficam amontoadas, em adensamentos mistos, possibilitando contaminações exponenciais que podem favorecer o surgimento de vírus letais para a saúde humana. Outra questão intrínseca a esse contexto é a crescente devastação de habitats, que provoca o aumento da exposição a diferentes tipos de vírus.

Os gestores públicos precisam ter visão multidisciplinar para lidar com este mundo interconectado e o meio ambiente é disciplina fundamental nesta equação. Precisamos cuidar melhor do meio ambiente para preservarmos a saúde da população mundial e das gerações futuras.

Bernardo Egas, é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pós-graduado pelo Master em Liderança e Gestão Pública – MLG. Atualmente é Secretário de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro e Presidente do Fórum de Secretários de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras – CB27.

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