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Via.internet

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12jul

Por Artur Melo, 13 anos
Estudante do 8º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Via.internet
(História de hoje inspirada em dois textos: “Ponto.com.ponto”, de Marcelino Freire e “José”, de Carlos Drummond de Andrade).

Marcamos nesta praça, pertinho da minha casa. Onde? Ali, no terceiro banco, olhei um, dois, três. Neste sol, que mal dá para olhar, muito forte. Que felicidade! Marcamos. Dentro da tarde, distante da cidade, dos carros. Qual? São Paulo. Conheço bem o caminho, vou me apressar. Moro pertinho. De onde? Da praça, olhei um, dois três bancos. Longe da cidade. Marcamos. Esse chafariz, vou me refrescar. Do quê? Deste sol, muito forte, brilhante. Olhei um, dois, três. Terceiro banco, perto do chafariz. Ali pertinho da minha casa. A cada passo, essa felicidade. Não saio de casa, nunca, nunquinha. Que felicidade! Este sol muito forte, brilhante, escaldante. Marcamos. Ali, terceiro banco. Olhei um, dois, três. Nos conhecemos na rede.

Esqueci o perfume. Ele vai perceber? Pertinho da minha casa. Marcamos, terceiro banco. Como? Via internet. Neste sol, muito forte, brilhante, escaldante, ardente. Marcamos. Aqui pertinho da minha casa. Dentro da tarde. O que cabe na tarde? Sonhos, olhares, conversas, beijos, romance. Distante da cidade, dos carros. Qual? São Paulo – agitada, abafada, cansada, lotada. Esse sol, mal dá para olhar, muito forte, brilhante, escaldante, ardente, desejante. Marcamos. Como? Via Internet. Aqui estamos. Olhei um, dois, três. Perto do chafariz. Me refresco. Esse sol, mal dá para olhar, muito forte, brilhante, escaldante, ardente, desejante, insinuante. Que felicidade!

Ele chegou. E agora? Ele sabe que sou eu? Que felicidade! O que eu faço? Ele é cego. Que alívio! Esqueci o perfume. Ele vai perceber? Vou conversar. Ele me evita. E agora? Vou continuar. Marcamos. Como? Via internet. Esqueci o perfume. Ele vai perceber? Ele não me reconhece. Vou conversar. É de nascença? Pergunto. Ele me evita. Quem você espera? Quer ajuda? Parece estar perdido em pensamentos. O que eu faço? E agora? O que eu faço? E tudo o que dissemos via internet? E agora? “Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum… Se você gritasse, se você gemesse…” E agora ele vai embora. Saí de casa. Encontrei alguém. Nunca faço isso, nunca, nunquinha, e agora “sozinha no escuro qual bicho-do-mato, sem cavalo preto que fuja a galope”, eu marcho.

Para onde?

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