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Tecnologias e cidade

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14mar

“Adicionar tecnologia da informação a uma cidade com capital social baixo, onde os cidadãos não confiam em si mesmos e não têm a habilidade de organizar-se, não resulta em nada”, Clay Shirky

clayshirky

Conforme noticiado, semana passada, pela revistapontocom, a cidade de Curitiba foi palco da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras, realizada entre os dias 10 e 13 de março. Mais de 80 especialistas de todo o mundo analisaram caminhos para a construção de realidades urbanas mais inovadoras, prósperas e humanizadas.

O americano Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York, era um dos destaques do encontro. Estudioso dos efeitos econômicos e sociais das tecnologias da internet, Clay é autor do livro Here Comes Everybody (“Aí vem todo mundo”, em inglês), ainda sem edição em português. Na obra, ele debate a produção coletiva de conhecimento na era digital e analisa como as tecnologias de informação e comunicação influem no cotidiano das cidades.

Shirky é um dos pensadores que criou o conceito de crowdsourcing, termo que une as palavras “multidão” e “fonte” e serve para definir qual o papel das populações em um mundo à beira de uma grande transformação, motivada pelo desenvolvimento tecnológico.

Durante sua participação, Shirky falou um pouco a respeito de como essas tecnologias contribuem para uma vida melhor nas cidades. A equipe de imprensa do evento fez uma entrevista com ele. A revistapontocom reproduz abaixo.

Confira:

Conferência Internacional Cidades Inovadoras – Que tipo de tecnologias da informação colaboram para que nós tenhamos uma vida melhor nas cidades?
Clay Shirky –
A maior tecnologia de todas é fazer as pessoas atentas às oportunidades. As cidades oferecem um número enorme de oportunidades, mas ao mesmo tempo é difícil descobri-las porque as cidades são muito densas. Muitas tecnologias em uso ajudam as pessoas a enxergar através dos muros, ou seja, permitem enxergar melhor oportunidades de trabalho ou mesmo de entretenimento. O indivíduo que tem um retrato de sua vista da cidade tem apenas uma pequena parte da informação. O ideal seria fazer com que todos aproveitássemos nossas informações juntos.

Conferência Internacional Cidades Inovadoras – No futuro, que tecnologias vão melhorar nosso modo de viver?
Clay Shirky – No que diz respeito às cidades, não é muito difícil prever o futuro, porque algumas dessas tecnologias estão sendo desenvolvidas no presente. É a popularização do telefone celular como um utensílio para uso de grupos. O celular deixou de ser um telefone sofisticado para tornar-se um pequeno computador. O que temos agora é uma plataforma crua que comunica a vida das pessoas. Ainda não temos serviços desenhados para essa plataforma. Nos próximos cinco anos, as inovações não serão novas peças de hardware, mas serviços para essas plataformas, que permitirão que grupos se coordenem no mundo real. Em cinco anos haverá serviços que vão nos fazer pensar: “É difícil imaginar que há cinco anos eu vivia sem um serviço como esse”.

Conferência Internacional Cidades Inovadoras  – Tecnologias da informação são suficientes para engajar a população em ações de desenvolvimento local?
Clay Shirky – Não. Uma comparação que uso em meu livro Here Comes Everybody é: se você construir um abrigo melhor, as pessoas não vão precisar correr para cavar mais trincheiras. Comportamento é motivação filtrada pela oportunidade. O que a tecnologia faz é criar novas oportunidades. O que o elevador faz é dar a oportunidade de construirmos edifícios mais altos. Mas o desejo de criar edifícios altos deve vir da natureza humana. Adicionar tecnologia da informação a uma cidade com capital social baixo, onde os cidadãos não confiam em si mesmos e não têm a habilidade de organizar-se, não resulta em nada. Mas numa cidade em que há grupos de pessoas tentando trabalhar juntas e você adiciona a isso tecnologias da informação, dá às pessoas novas ferramentas para que realizem suas antigas motivações. É preciso enfrentar a questão de porque as pessoas querem colaborar, quais são suas motivações, saber quais são os obstáculos – não os tecnológicos, mas sociais – para que não colaborem. Se você não enfrentar esses problemas e apenas espalhar tecnologia, nada acontece.

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