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A linguagem do videoclipe

4 comentários
18jul

Guilherme Bryan, especialista no tema, fala sobre a importância do videoclipe

Guilherme Bryan (foto de Kodiak Bachine) 

Por Marcus Tavares

Com a recente morte de Michael Jackson, vários de seus videoclipes voltaram às paradas de sucesso. Thriller, o mais famoso de todos os tempos, foi resgatado, assim como Black or White, Bad e They Don’t Care About Us. Trabalhos ricos em produção e conteúdo. O astro pop revolucionou a conjugação entre música e cinema. Segundo o jornalista e escritor Guilherme Bryan, o cantor mostrou que valia a pena investir na produção, contratando grandes profissionais da indústria de mídia. A fórmula deu certo.

Sucesso entre jovens, os videoclipes, na verdade, conquistaram o mercado mundial com o surgimento da Music Television, a MTV. “No Brasil, localizo três fases: os videoclipes do programa Fantástico, da TV Globo; os videoclipes do videomakers com suas produtoras; e a fase posterior ao surgimento da MTV Brasil”, conta Bryan, autor do livro Quem tem um sonho não dança – cultura jovem brasileira dos anos 80.

Foi com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre os videoclipes, sua história e influência, que a revistapontocom resolveu entrevistar Bryan, especialista no assunto e doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). O título de sua tese é A autoria no videoclipe brasileiro.

Acompanhe:
 
revistapontocom – Michael Jackson e videoclipe: o que isso tem a ver?
Guilherme Bryan
– O Michael Jackson revolucionou os videoclipes e fez deles algo realmente fundamental não só para a divulgação de uma canção e seu disco, mas também de um estilo, postura e modo de comportamento. Além disso, foi o primeiro artista negro a ser exibido no horário nobre da MTV. Com Thriller, ele demonstrou que valia a pena investir muito e contratar grandes profissionais para realizar videoclipes. Em Black or White, o diretor John Landis consagrou a técnica do morphing, em que rostos se transformam em outros. Em Bad, o diretor Martin Scorsese realizou uma espécie de West Side Story dos anos 80. Isso sem esquecer, é claro, que Spike Lee filmou Michael Jackson no Morro Dona Marta, no Rio, e no Pelourinho, em Salvador, com o Olodum, para o clipe They Don’t Care About Us.

revistapontocom – Como você definiria a estética do videoclipe?
Guilherme Bryan
– Sinceramente, não sei se essa estética realmente existe. Acho que cada videoclipe possui a sua própria estética. De maneira mais ampla, é possível dizer que o videoclipe é um gênero audiovisual relativamente curto – dura, em média, de 2 a 3 minutos – e gira em torno de uma única canção específica. Ou seja, são criadas imagens para ilustrar uma única canção. Geralmente, nos videoclipes, os cortes são secos e muitos. Possui o que se denomina como “edição picotada”, que, posteriormente, viria a influenciar o cinema, a publicidade e outros gêneros televisivos.

revistapontocom – Esse formato ainda é uma característica das produções atuais?
Guilherme Bryan
– O videoclipe mostrou-se, ao longo dos anos, ser o gênero que melhor se adapta aos diferentes espaços de divulgação, seja na televisão, no cinema, no telefone celular e na internet, por ser relativamente curto e encantar em poucos segundos. Ou seja, é possível ver um videoclipe em qualquer lugar sem que isso implique em muita perda de qualidade. Por outro lado, imagine ver um filme de longa-metragem no telefone celular. É praticamente impossível.

revistapontocom – A história do videoclipe pode ser dividida em etapas?
Guilherme Bryan
– A história do videoclipe mundial com certeza se divide em antes e depois do surgimento da MTV, em 1981, pois ela se tornou o espaço por excelência para exibição dele. Outra etapa importante aconteceu no início dos anos 90, com a entrada em cena de diretores que fizeram do videoclipe um excelente espaço para experimentações, radicalizando nessas experiências mais do que os diretores anteriores. Esse é o caso de Michel Gondry, Spike Jonze, David Cunningham e Valerie Faries e Jonathan Dayton. Outra mudança ocorreu na metade dessa década, quando o videoclipe passou a ser realizado com orçamentos menores, destinado à exibição principalmente pela internet. No Brasil, localizo três fases: os videoclipes do programa Fantástico, da TV Globo; os videoclipes do videomakers com suas produtoras; e a fase posterior ao surgimento da MTV Brasil.

revistapontocom – O videoclipe ainda exerce influencia sobre os jovens?
Guilherme Bryan
– O videoclipe sempre influenciou e acredito que continuará influenciando os jovens do mundo todo, pois eles podem se identificar com o estilo de um determinado artista ali, seja pela indumentária utilizada, seja pelos gestuais.

revistapontocom – Qual é a função dos videoclipes?
Guilherme Bryan
– Os videoclipes continuam com a mesma função. Eles possuem, em si, duas vertentes complementares: a vertente promocional, que visa a divulgar uma canção e seu artista para atrair mais compradores para o disco do qual ele faz parte; e a vertente artística, que serve de espaço de experimentação para realizadores de audiovisuais.

revistapontocom – A cultura digital modificou a produção dos videoclipes?
Guilherme Bryan
– A cultura digital revolucionou toda a produção audiovisual e, portanto, também o videoclipe, a partir do momento em que modificou completamente a maneira de se realizar, principalmente na edição, esse tipo de produção.

revistapontocom – Você arriscaria alguma projeção dos videoclipes para daqui a alguns anos?
Guilherme Bryan
– Acredito que cada vez mais os videoclipes serão exibidos na televisão, no celular, na internet etc. Acho que ele continuará influenciando o comportamento dos jovens no mundo todo.

4 thoughts on “A linguagem do videoclipe

  1. Bacana a entrevista. Esta semana, em uma reunião de organização de uma pesquisa que vai investigar alguns aspectos didáticos do cinema nas salas de aula, uma aluna envolvida no projeto perguntou exatamente sobre os videoclipes e ficamos de pensar oportunamente nisso também. Achei interessante que uma jovem aluna, do curso de Pedagogia, tivesse lembrado desse tipo de produção como também cinematrográfica. Então, ver a com Guilherme Bryan entrevista reforçou a importância desta lembrança.

    Prof. Aristóteles Berino
    Departamento de Educação e Sociedade/Instituto Multidisciplinar/UFRRJ
    PPGEduc/UFRRJ

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