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Cinema infantil – texto de Marialva Monteiro

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13jan

Por Marialva Monteiro
Educadora e fundadora do Cineduc – Cinema e Educação

Filme infantil, o filho pobre do cinema brasileiro

Todos sabemos que a questão da distribuição sempre foi o calcanhar de Aquiles do cinema brasileiro. Muitos filmes são realizados, e de ótima qualidade, mas não chegam às salas de exibição ou permanecem muito pouco tempo nas telas grandes. No caso do filme infanto-juvenil, o problema se agrava porque também não há produção. Qual a causa? A competição com o cinema estrangeiro? A falta de recursos? Este é um tema que já foi discutido em vários encontros, congressos e seminários. Mas a situação continua a mesma.

Gostaria de relatar um fato curioso que presenciei na cidade de Ilhéus, Bahia, onde moro atualmente. No mês de novembro, o filme Capitães da Areia foi lançado na cidade com a presença da realizadora, Cecília Amado, neta de Jorge Amado, autor do livro e morador da cidade durante vários anos. O filme permaneceu apenas uma semana em cartaz. Qual a causa? Falta de divulgação? E as escolas da cidade não estão lendo os livros de Jorge Amado e, portanto, não poderiam aproveitar para levar seus alunos para ver o filme? No entanto, a produção norte-americana O Gato de Botas permaneceu em cartaz durante três semanas no mês de dezembro na mesma cidade.

Outra triste constatação: nestas férias escolares de janeiro de 2012 nenhum filme brasileiro foi lançado. Nem as costumeiras produções de Renato Aragão ou da apresentadora de TV Xuxa. Não esqueci a Professora Muito Maluquinha, mas este não é propriamente um filme para criança. Nos anos anteriores, tivemos ótimos filmes infanto-juvenis, reconhecidos pela crítica e pelo público como: Antes que o mundo acabe (2009), de Ana Luiza Azevedo; As melhores coisas do mundo (2010), de Laís Bodanzky; O ano em que meus pais saíram de férias (2006), de Cao Hamburger; Pequenas histórias (de 2008 e só lançado em 2010), de Helvécio Ratton; e Eu e o meu guarda-chuva (2010), de Toni Venturi. Por que estes diretores não realizaram outros filmes infanto-juvenis? Não são rentáveis? Preferem investir mais no cinema para adultos?

E o Tainá 3 – A origem, de Rosane Svartman, terminado em 2011, quando será lançado? Vale lembrar que o Tainá 2 – A aventura continua, de Mauro Lima, foi realizado em 2005. O produtor Pedro Rovai levou seis anos, portanto, para conseguir o outro.

Várias soluções pensadas nos diversos debates realizados sobre o assunto recaem no mesmo chavão: faltam leis de incentivo. Quando isto irá acontecer? Qual o ministro de cultura que realmente se interessará pelo assunto? Será que a criança brasileira não merece ver a cara do seu próprio país e conhecer a qualidade e importância do nosso cinema e dos nossos cineastas?

É bom nem lembrar o que acontece em outros países da Europa, como a Dinamarca, que destina 25% da verba governamental para a produção de filmes para crianças, porque a nossa tristeza será maior.

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