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Em defesa do computador na mão do aluno

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28jul

“Da mesma maneira que não se questiona o papel alfabetizador da escola, não podemos mais abrir mão da presença dos computadores na rotina escolar”, Denise Vilardo

Por Marcus Tavares

Para quem ainda tem dúvidas sobre a importância de os alunos estarem munidos, em sala de aula, de computadores conectados à internet, Denise Vilardo destaca: “O sucesso escolar não depende das máquinas, mas certamente o uso que se fará delas nos trará inúmeras possibilidades de novos conhecimentos, de circulação de informação mais atualizada e de uma ressignificação da aprendizagem com mais sentido”.

Professora e supervisora escolar da Secretaria Municipal de Educação do Rio e coordenadora pedagógica do Colégio Graham Bell, Denise Vilardo é uma das defensoras do Programa Um Computador por Aluno, que funciona como um projeto piloto do Governo Federal em algumas cidades do país há pelos menos três anos e que acaba de ser lançado oficialmente, como programa, de fato, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Denise conhece o assunto. É dela a iniciativa de promover o chamado Encontro sobre Laptop na Educação. Já foram realizadas duas edições. A terceira está prevista para setembro ou outubro deste ano. Aberto a todos os interessados, o encontro tem um único objetivo: socializar as informações sobre o projeto.

Acompanhe a entrevista que a professora concedeu à revistapontocom:

revistapontocom – A senhora acha que demorou muito para que o Programa Um Computador por Aluno, de fato, saísse do papel?
Denise Vilardo
– O UCA (Um Computador por Aluno) já saiu do papel há pelo menos três anos. Ele tem sido implementado em algumas escolas brasileiras que formaram o projeto piloto. O PROUCA (Programa Um Computador por Aluno) que chega agora – com uma abrangência bem maior – chega com “atraso” para nós, educadores e alunos ansiosos. Do ponto de vista do governo, é o momento possível. A trama burocrática “amarra” os processos, mas também nos dá alguma pista sobre os cuidados e a seriedade dos mesmos.

revistapontocom – Qual a avaliação que a senhora faz do programa nas cidades em que foi implantado como projeto piloto?
Denise Vilardo
– Não tenho muitos dados para responder. Sei que aé orientação contínua aos professores é mais efetiva em alguns locais que em outros. Sei que as questões técnicas tornam-se mais ou menos problemáticas – dependendo da marca do laptop utilizado.

revistapontocom – O programa está, de fato, transformando o dia a dia das escolas? De que forma?
Denise Vilardo
– A rotina escolar é transformada pela presença das próprias máquinas. Cada escola e, às vezes cada segmento dentro da mesma escola, dispõe de dinâmica diferenciada. O que é comum é o interesse despertado nos alunos; a freqüência; a baixa evasão e os currículos se organizando por projetos.

revistapontocom – Aposta-se muito em computadores/internet como forma de promover o tão sonhado sucesso escolar. É indispensável mesmo?
Denise Vilardo
– Apostar em computadores/internet nas escolas, hoje, é indispensável para o desenvolvimento do espaço escolar em todos os aspectos. Da mesma maneira que não se questiona o papel alfabetizador da escola, não podemos mais abrir mão da presença dos computadores na rotina escolar. O sucesso escolar não depende das máquinas, mas certamente o uso que se fará delas nos trará inúmeras possibilidades de novos conhecimentos, de circulação de informação mais atualizada, de uma ressignificação da aprendizagem com mais sentido. A utilização de computadores traz ainda uma visão de atitude que deve ser muito explorada que é a do compartilhamento de ideias, de produção de projetos coletivos, de colaboração entre os diferentes alunos.

revistapontocom – Como funciona o cotidiano da escola que participa do programa? Cada aluno tem o seu laptop? Leva pra casa? Como são dadas as aulas?
Denise Vilardo
– As rotinas são variadas, em função dos planejamentos de trabalho das diferentes escolas. Também variam de acordo com a faixa etária e ano de escolaridade dos alunos. Não há uma receita única. Em algumas escolas, cada aluno tem o seu próprio laptop. Em outras, as máquinas são compartilhadas por dois e até três alunos de turnos diferentes. Os laptops têm permanecido nas escolas. As aulas também não seguem um único modelo de utilização das máquinas. Dependendo dos objetivos que se queira alcançar em uma determinada aula, pode ser utilizado algum software educativo, ou a elaboração de um texto coletivo, num editor de textos compartilhado, ou uma pesquisa na internet, ou a visualização de um filme, uma experiência fotográfica etc

revistapontocom – O que vem dando certo com o programa?
Denise Vilardo
– Creio que a questão do interesse dos alunos pelas aulas é fundamental. A maneira como passam a se relacionar com o conhecimento, com curiosidade e buscando respostas e alternativas e criando novas situações desafiadoras.

revistapontocom – O que não vem dando certo? O que precisa ser revisto?
Denise Vilardo
– As questões que envolvem uma manutenção mais efetiva das máquinas e a conexão com a internet ainda precisam de mais atenção.

revistapontocom – Quando se fala em computador/internet nas escolas públicas… o Brasil não está muito atrasado?
Denise Vilardo
– Está muito atrasado em relação a outros países que também estão trabalhando com a idéia original da OLPC (One Laptop per Child)? Talvez, mas desconheço outro país participante do tamanho e com a complexidade do nosso. Creio que o momento é o que está se apresentando e devemos aproveitá-lo da melhor maneira possível. Para mim, significa acompanhar, divulgar e colaborar à medida em que estamos tendo a oportunidade de testemunhar um momento histórico para a Educação do país.

Mais informações no site: http://www.uca.gov.br/institucional/

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