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Homossexualidade na escola

4 comentários
25jun

Leia a entrevista com a professora Mônica Pereira dos Santos

servletrecuperafoto

Por Marcus Tavares

Quando é hora de falar sobre homossexualidade com as crianças e os jovens? Afinal, homossexualidade deve ser tema de sala de aula? E em que medida a mídia contribui para o avanço ou retrocesso dessa discussão na sociedade? O Laboratório de Pesquisas, Estudos e Apoio à Participação e à Diversidade em Educação (Lapeade), da Faculdade de Educação da UFRJ, vem discutindo este tema e já promoveu, inclusive, o curso Inclusão em educação: homossexualidade na escola, em discussão.

Voltado para professores, o curso teve o objetivo de discutir o contexto em que a questão da homossexualidade se insere no cotidiano escolar, tendo em vista a reflexão e a transformação das práticas educativas. A revistapontocom entrevistou a professora Mônica Pereira dos Santos, chefe do Departamento de Fundamentos da Educação, da Faculdade de Educação da UFRJ.

Acompanhe:

revistapontocom – A homossexualidade também deve ser tema de sala de aula?
Mônica Pereira dos Santos
– Sem dúvida, assim como todos os temas considerados tabus!

revistapontocom – Por que a discussão sobre a homossexualidade, na escola, é muitas vezes vista como tabu?
Mônica Pereira dos Santos
– Acreditamos que por dois motivos centrais: a ignorância (desinformação) e o preconceito (muitas vezes alimentados por percepções religiosas sobre o tema). Além disso, se a sexualidade em geral ainda é tabu em nossas sociedades, imagine suas derivações. À medida que a homossexualidade representa algo novo, desconhecido e muitas vezes indesejável aos padrões culturais de nossas sociedades, professores, pais e alunos têm medo de abordá-la, como têm em relação a qualquer assunto que se encaixe nestas categorias de desconhecimento e daquilo que se contrapõe à ordem moral comumente aceita como sendo o padrão.

revistapontocom – Em que medida a mídia contribui ou não para a discussão deste tema entre alunos e professores?
Mônica Pereira dos Santos
– A mídia pode contribuir tanto aumentando o preconceito e a continuidade da ignorância, quanto pode se propor a combatê-los. É neste segundo sentido que investimos em nossas relações com a mídia, conscientes de que seu papel educativo pode surtir um tremendo efeito a favor da promoção daquele conhecimento que seja a informação básica necessária para que cada cidadão reveja seus valores com relação a outros cidadãos.

revistapontocom – Na visão do Lapeade, a mídia exerce influência sobre a orientação sexual de meninos e meninas? Em que sentido?
Mônica Pereira dos Santos
– Em nossa visão, a influência tem tentado ser positiva, mas ainda se disseminam informações que, quando não estão equivocadas, não atacam efetivamente o cerne da questão, que é o preconceito. Divulgar com certo sensacionalismo a parada gay, por exemplo, ou trazer à tona casos célebres de homossexuais com um certo tom de bizarrice ao mesmo tempo (como já se fez tantas vezes: Roberta Close, aquela transexual que recentemente engravidou para ter um filho com sua esposa, e tantos outros…), não contribui muito para que o povo reflita sobre o assunto. As pessoas envolvidas são ouvidas em entrevistas curtas. Debates sobre o assunto são raramente promovidos, a não ser em canais fechados, aos quais o povo em geral nem sempre tem acesso. Homossexuais acadêmicos deveriam ganhar mais visibilidade na mídia, mostrando que esta condição não é uma doença, não diminui o sujeito que a apresenta, e também não é uma escolha pessoal. Homossexuais não são menos gente do que qualquer gente.

revistapontocom – Por que os adultos, na maioria das vezes, não se sentem à vontade para debater este tema com crianças e jovens?
Mônica Pereira dos Santos
 – Porque, no senso comum, este assunto sempre esteve fora dos padrões normais e culturais de comportamento socialmente esperado. É justamente por isso que cursos como o que oferecemos são fundamentais para que estes conceitos de normalidade sejam revistos, discutidos e para que a relação respeitosa para com o outro possa ser garantida nas relações sociais.

revistapontocom – Quando é hora de falar sobre homossexualidade com crianças/jovens?
Mônica Pereira dos Santos
– Sempre quando o jovem perguntar ou quando jovens homossexuais frequentarem a escola. Mas a questão maior e mais importante é a inserção deste tema, como de outros que representam grupos em situação potencial ou real de exclusão na escola, no dia-a-dia da mesma. Não é preciso haver a palavra homossexualidade na missão de uma escola para que as coisas sejam discutidas, mas em seu projeto político pedagógico (PPP) seria essencial que houvesse um tópico que contemplasse, dentre seus principais valores como escola, as diferenças e o devido respeito (e a fundamentação legal deste respeito, tanto da parte da escola como instituição quanto da parte de sua comunidade) às mesmas. E que tal tópico – assim como todos os tópicos de um PPP – se refletisse em cada aula, em cada matéria.

revistapontocom – O professor está preparado para lidar com esta questão? O que ele deve fazer? Como agir?
Mônica Pereira dos Santos
– Dificilmente o ser humano está preparado para aquilo que não conhece. Isso fica pior quando aquilo que não conhecemos costuma ser usado como motivo para atitudes preconceituosas. A primeira coisa a fazer é se desarmar: assumir uma atitude disposta ao diálogo e à aquisição de informação e conhecimento sobre o assunto. Daí para diante, cada caso será um caso. A escola precisa se mobilizar como um todo para discutir suas atitudes, suas culturas, políticas e práticas em relação ao que é diferente do padrão a que estamos acostumados, e não ao “objeto” homossexualidade em si, mas o que ela representa em termos do quanto nos desafia a vencer nossas próprias barreiras de preconceito. É preciso reconhecer que a homossexualidade existe, que não é uma questão de escolha ou opção, e que ela não faz do ser humano homossexual um ser humano menor em valor do que nenhum outro. A homossexualidade – assim como outros grupos excluídos – está aí para que aprendamos a (re)significar nossos próprios valores e conceitos homogeneizadores. É nisto que ela nos desafia. É este o desafio do educador. Na linha do “como agir”, é mais fácil dizer como não agir, posto que cada caso será um caso. Não se deve silenciar sobre a questão, não se deve omitir em casos de violência gerada por preconceito a indivíduo homossexual, não se deve alimentar visões desinformadas que tratam a homossexualidade como doença ou pecado, não se deve valorizar ou justificar as agressões, sutis ou abertas, à homossexualidade.

Com Fonte do Rio Mídia

4 thoughts on “Homossexualidade na escola

  1. Homosexulismo é controle de natalidade totalmente incompativel com vastidão do território do Basil.

  2. A abordagem feita pela professora Mônica foi muito pontual principalmente quando refere-se a oportunidade de homossexuais acadêmicos ganharem mais visibilidade. É tão certa a influência que a mídia tem diante das pessoas que deveríamos aproveitar as oportunidades para abordar temas que a sociedade tenta burlar. A escola não deve ser o local de reprodução das mazelas e preconceitos produzidas ou reforçadas pela sociedade mas um local de desconstrução, discussão e análise baseado no conhecimento prévio, respeito as diferenças e dignidade humana.

  3. A reportagem ao meu ver consegue transmitir ainda que resumidamente um aspecto social muito bem formulado pela professora Mônica, que é a sexualida, na forma do homossexualismo. Sexo é tabu, e causa sensações diferenciadas nos humanos. Alguns não conseguem sequer falar sobre a gravidez na forma exata de sua pré-concepção, quanto mais falar das variações possíveis na busca do prazer, ou de outras maneiras de amar um companheiro fora dos padrões determinados pela sociedade. Quando afirmo que os padrões são determinados, baseio a minha fala na rejeição assumida pela maioria, enquanto a minoria prefere ” não comentar”. Creio na discussão moderada pela consciência sã, sem exageros ou violências, e acho que já é hora de pararmos com o racismo sexual.

  4. A impresssão que temos ao ler essa reportagem, bem conduzida, porém pouco explorada pelo repórter, claro devido ao pouco espaço veiculado para uma questão tão ampla, bem como pouco esclarecedora por parte da Monica, fica a expectativa do que ela dirá de diferente e… ficamos no E! O velho discurso pelo discurso, não há uma atitude prática no encaminhamento do tema, mesmo em tempos de tramitações de projetos de lei, a coisa ainda fica no superficial, no didatismo puro. Abramos nossas bocas e nossas salas para jovens que estão se drogando, se matando e tendo sérios problemas de aceitação, quando a sociedade se preocupa no cuidado que a própria terá ao dsicutir o tema, que a não choque e que mate os jovens de choques!

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