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Destaques da teledramaturgida, por Mauro Alencar

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14mar

– REDENÇÃO (TV Excelsior, 1966), de Raimundo Lopes
Direção de Waldemar de Moraes e Reynaldo Boury
Foi a primeira novela que trouxe tipos essencialmente brasileiros para a telenovela, além de ter erguido a primeira cidade cenográfica da televisão brasileira.Redenção era uma cidade fictícia no interior de São Paulo. Foi a mais longa novela da nossa TV: 596 capítulos.

ANTÔNIO MARIA (TV Tupi, 1968), de Geraldo Vietri
Direção: Geraldo Vietri
Este sucesso da extinta e pioneira TV Tupi começou um processo de revolução em termos de narrativa ao incorporar fatos do cotidiano num clássico folhetim protagonizado por um personagem de origem portuguesa.  

BETO ROCKFELLER (TV Tupi, 1968), de Bráulio Pedroso a partir da sinopse de Cassiano Gabus Mendes
Direção de Lima Duarte e Walter Avancini
A grande revolucionária da telenovela brasileira. A partir daí, ocorreram, digamos assim, sub-rupturas, sub-revoluções. É o início do “jeito brasileiro” de se fazer novela. O texto inovador de Bráulio Pedroso – a crítica sarcástica, debochada de nossa sociedade. A direção propiciando maior liberdade aos atores em cena; a criação do merchandising por Luiz Gustavo (Beto Rockfeller), a utilização de músicas nacionais e internacionais do momento na trilha sonora; gravações em externa; conflitos mais ousados entre casais mais maduros. Utilizou o noticiário do dia a dia como assunto dos personagens.

OS ESTRANHOS (TV Excelsior, 1969), de Ivani Ribeiro
Direção: Walter Avancini
Primeira novela a trazer o tema da ficção científica com direito a uma espaçonave e seres de outro planeta. Em seu elenco, além de Regina Duarte, Cláudio Corrêa e Castro, Rosamaria Murtinho e Stênio Garcia, a curiosa participação de Pelé no papel do escritor Plínio Pompeu.

A partir deste período, há uma segunda revolução na história da telenovela brasileira com o início da modernização e industrialização promovidas pela produção da Rede Globo. Revoluciona-se não apenas o conteúdo e forma, mas sim o sistema de produção de novelas no Brasil (e em termos da nascente indústria mundial da telenovela) com reflexos intensos na sociedade em seus diversos aspectos –  econômico, político e cultural. 

É notável também como cada autor, em diversas novelas, procurará revolucionar um aspecto da narrativa. É isto, aliás, que  encanta (e diferencia) as produções brasileiras no mundo inteiro.  Dentro de mais de 500 produções da história da telenovela diária, elegi algumas que considero essenciais ao processo de renovação e que de algum modo transformaram a narrativa ficcional televisiva.

IRMÃOS CORAGEM (Rede Globo, 1970), de Janete Clair
Direção: Daniel Filho e Milton Gonçalves
A trama misturava com perfeição elementos do clássico folhetim (com diversas tramas amorosas, mulher com tripla personalidade, filho de pai desconhecido…) com o clima de faroeste. Utilizou o futebol como pano de fundo de uma das tramas principais. Aproveitou um jogo de verdade (no Maracanã) para o início da novela.  O clima árido do sertão goiano também era novidade em telenovelas. Uniu com perfeição a trama regionalista à trama urbana. Em certas cenas utilizou-se a linguagem de cinema. Conquistou, em definitivo, o público masculino e infanto-juvenil para as novelas.

BANDEIRA 2 (Rede Globo, 1971), de Dias Gomes
Direção: Walter Campos
Pela primeira vez uma novela era ambientada longe da Zona Sul do Rio ou de áreas nobres paulistanas. O bairro eleito por Dias Gomes foi o de Ramos, Zona Norte do Rio, e o protagonista, um bicheiro. Além disso, a novela trazia uma taxista desquitada e a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense como destaques da trama que mostrava a difícil luta de retirantes nordestinos no Sudeste.   

SELVA DE PEDRA (Rede Globo, 1972), de Janete Clair
Direção: Daniel Filho e Walter Avancini
Grande marco da modernização e industrialização da telenovela. A trama – ancorada na conquista por um lugar ao sol – e a direção ressaltavam a transição de um país interiorano para um país modernizado pela grandes empresas. Um modelo que propagou-se por diversas outras novelas.

O PRIMEIRO AMOR (Rede Globo, 1972), de Walter Negrão
Direção:  Régis Cardoso
Novela escrita especialmente para conquistar crianças, jovens, adolescentes. Linguagem moderna. Destaque para a dupla de heróis “Shazan e Xerife” que, de tanto sucesso, gerou um seriado: “Shazan, Xerife e Cia.”  

UMA ROSA COM AMOR (Rede Globo, 1972), de Vicente Sesso
Direção: Walter Campos
Estilo de comédia romântica perpetuado até hoje. O casal central era totalmente distinto do estilo de protagonistas românticos apresentados na telenovela até então. Ela, uma secretária solteirona e desajeitada. Ele, um quarentão meio rabugento.    

O BEM-AMADO (Rede Globo, 1973), de Dias Gomes
Direção: Régis Cardoso
O formato desta novela – prefeitura, igreja, praça central/ coreto, bar, farmácia… enfim, tudo o que tem uma típica cidade do interior, propagou-se pela telenovela brasileira e até hoje rende bons resultados. Era a primeira vez que uma telenovela mostrava uma sátira política – em plena ditadura, pois estávamos em 1973. Incursão pelo realismo mágico (O personagem Zelão, interpretado por Milton Gonçalves, voa no último capítulo). Primeira novela em cores e o primeiro produto da TV brasileira a ser exportado: o populismo de Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) conquistou mexicanos e uruguaios. Trilha sonora composta especialmente por Vinicius de Moraes e Toquinho.

OS OSSOS DO BARÃO (Rede Globo, 1973), de Jorge Andrade
Direção de Régis Cardoso
Considerada um marco revolucionário na estética narrativa por utilizar a história da formação social do Estado de São Paulo como pano de fundo. Os personagens eram frutos diretos das transformações sociais e econômicas ocorridas a partir de 1930. Portanto, nesta trama não havia figura do vilão folhetinesco.

MULHERES DE AREIA (TV Tupi, 1973), de Ivani Ribeiro
Direção: Carlos Zara e Edison Braga
Novela que aprofundou o psicologismo no gênero, em particular nas personagens gêmeas Ruth e Raquel. Um sucesso que se estendeu até o remake da Globo, em 1993. 

O REBU (Rede Globo, 1974), de Bráulio Pedroso
Direção: Walter Avancini e Jardel Mello
Toda a ação da novela era centrada numa festa, com flashback do dia anterior, e as conseqüências do dia seguinte à festa. Neste grande evento para recepcionar uma princesa italiana, ocorre um crime. Mas não sabíamos quem havia morrido, também não conhecíamos a identidade do assassino e os motivos que o levara a cometer o crime. 

A VIAGEM (TV Tupi, 1975), de Ivani Ribeiro
Direção: Edison Braga
A vida após a morte, sem dúvida alguma, foi um mote de extrema revolução na história da telenovela. O mesmo sucesso foi conquistado com a nova versão produzida pela Rede Globo em 1994.

ESCALADA (Rede Globo, 1975), de Lauro César Muniz
Direção: Régis Cardoso
Pela primeira vez mostrou-se a trajetória de um homem da juventude à velhice em meio aos momentos marcantes da História do Brasil e às transformações sociais numa trama que se iniciava em 1940 e terminava em 1975.

GABRIELA (Rede Globo, 1975), de Walter George Durst inspirado no romance “Gabriel, Cravo e Canela”, de Jorge Amado
Direção: Walter Avancini
Produzida especialmente para comemorar os dez anos de Rede Globo e os cinco de liderança nacional, esta primorosa novela reproduziu com perfeição uma réplica da cidade de Ilhéus, no interior da Bahia, e mostrou temas até então inéditos na televisão brasileira: a sensualidade do casal protagonista – Gabriela e Nacib; o poder desmedido dos coronéis do cacau com seus crimes e castigos em nome da honra; adultério e a difícil conquista de uma renovação social com a chegada de um jovem político com idéias modernistas.     

O GRITO (Rede Globo, 1975), de Jorge Andrade
Direção: Walter Avancini
Contunde novela que mostrava os problemas do crescimento desordenado de uma metrópole como São Paulo. Todos os personagens moravam no Edifício Paraíso, desvalorizado com a construção do Elevado Costa e Silva, o popular “Minhocão”. Ainda, uma personagem detinha o poder de escutar a conversa por telefone de todos os moradores. Com esta novela, a Globo produziu um subgênero dentro da telenovela: a “novela reportagem”.

O CASARÃO (Rede Globo, 1976), de Lauro César Muniz
Direção: Daniel Filho e Jardel Mello
A grande novidade foi uma novela ser contada em três épocas que se alternavam – 1900 – 1926 e 1976. E todas elas ligadas pelo amor de João Maciel e Carolina. Além disso, discutiu assuntos sociais e políticos com grande contundência. 

ESCRAVA ISAURA (Rede Globo, 1976), de Gilberto Braga inspirado no romance de Bernardo Guimarães
Direção de Herval Rossano e Milton Gonçalves
Marcou o horário das seis com produções de época, conseguiu colocar o Brasil entre os maiores produtores de novelas do mundo furando o bloqueio da cortina-de-ferro (os chamados países comunistas) – porque lá não entravam produtos ocidentais.  Além de tratar de maneira contundente o tema da liberdade, recebeu um tratamento especial quanto à trilha incidental por parte de Guerra Peixe Filho. Com isso o clima de tensão entre senhor e escrava e a ação dramática de um modo geral tornavam-se ainda mais eletrizantes.         

SARAMANDAIA (Rede Globo, 1976), de Dias Gomes
Direção: Walter Avancini
Marco inicial do realismo fantástico na telenovela brasileira.

ESPELHO MÁGICO (Rede Globo, 1977), de Lauro César Muniz
Direção: Daniel Filho, Gonzaga Blota e Marco Aurélio Bagno
Uma das novelas mais polêmicas da televisão ao retratar de maneira realista o dia a dia dos profissionais da comunicação: tv em particular, mas também teatro, cinema e revista. Para tanto, havia a produção de uma novela – Coquetel de Amor – que era exibida dentro da novela Espelho Mágico.   

FEIJÃO MARAVILHA (Rede Globo, 1979), de Bráulio Pedroso
Direção: Paulo Ubiratan
Ao homenagear as chanchadas da Atlântida, o dramaturgo Bráulio Pedroso criou uma das novelas mais inventivas da TV. Ambientados num hotel cinco estrelas no Rio de Janeiro e em busca do ouro, os personagens protagonizaram cenas de comédia com grande agitação. A novela abriu, portanto, um novo caminho para as comédias do horário das sete produzidas pela Rede Globo.

GUERRA DOS SEXOS (Rede Globo, 1983), de Silvio de Abreu
Direção: Jorge Fernando
Pela renovação da narrativa que utilizou a comédia americana como base. Uma grande inovação foi os personagens conversando com o público.

ROQUE SANTEIRO (Rede Globo, 1985), de Dias Gomes e Aguinaldo Silva
Direção:  Paulo Ubiratan, Marcos Paulo, Gonzaga Blota e Jayme Monjardim.
União de assuntos religiosos e políticos acrescidos do questionamento da fé. Discussão sobre misticismo, crenças populares. 

VALE TUDO (Rede Globo – 1988), de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres
Direção: Dennis Carvalho e Ricardo Waddington
Chamou a atenção a maneira como os autores (em particular Gilberto Braga), denunciavam em seu texto as falcatruas dos empresários e maracutaias dos brasileiros para subir de status de qualquer maneira, até passando por cima dos outros, sem máscara nem censura. Além disso, em sua reta final, monopolizou o país com a pergunta “Quem matou Odete Roitman?”.

QUE REI SOU EU? (Rede Globo, 1989), de Cassiano Gabus Mendes
Direção:  Jorge Fernando
No Reino de Avilan, a metáfora da situação política do Brasil com a Revolução Francesa. Tudo o que acontecia no dia a dia estava presente na novela.

PANTANAL (Rede Manchete, 1990), de Benedito Ruy Barbosa
Direção:  Jayme Monjardim
Conflitos familiares, amorosos e de terra muito bem escritos e definidos pelo autor. Tudo isso acrescido de um interessantíssimo realismo mágico. Trilha sonora envolvente. Direção preciosa e estética cinematográfica.  

BARRIGA DE ALUGUEL (Rede Globo, 1990), de Glória Perez
Direção:  Wolf Maya
Tramas contemporâneas (em alguns casos à frente do tempo) e polêmicas. 

A PRÓXIMA VÍTIMA (Rede Globo, 1995), de Silvio de Abreu
Direção: Jorge Fernando
Esta revolucionária trama policial arquitetada por Silvio de Abreu eletrizou a audiência com as perguntas: “Quem será a próxima vítima” e “Quem é o assassino de a próxima vítima?”. Nunca sabíamos que personagem poderia ser a vítima! 

LAÇOS DE FAMÍLIA (Rede Globo, 2000), de Manoel Carlos
Direção: Ricardo Waddington, Rogério Gomes e Marcos Schechtman
Ao escrever suas novelas dentro do estilo “crônica”, acrescido por campanhas sociais de grande impacto, Manoel Carlos criou uma maneira muito diferenciada de narrar uma história na televisão. 

SENHORA DO DESTINO (Rede Globo, 2004), de Aguinaldo Silva
Direção: Wolf Maya
Tendo como ponto de partida um fato verídico – o sequestro de um menino – que o autor extraiu das manchetes dos jornais, esta novela contou com inúmeros entrechos de interesse sob o ponto de vista dos moradores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense – uma novidade em termos de narrativa.   

A FAVORITA (Rede Globo, 2008), de João Emanuel Carneiro
Direção: Ricardo Waddington
Uma trama de três fases. Na primeira, há o mistério sobre a identidade da verdadeira assissina. Quem é a inocente: Flora ou Donatela? Na segunda fase, há a revelação da verdadeira assassina e as consequências de seus atos de vilania, e a terceira onde a vilã é desmascarada por todos os demais personagens.  

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