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Será mesmo o fim do livro didático?

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04out

“A Educopédia procura, a médio prazo, substituir o livro didático. Nunca haverá um substituto para a função do educador, que exerce uma série de responsabilidades à frente de sua turma”, destaca Rafael Parente.
Por Marcus Tavares

A ideia é pesquisar, organizar e selecionar o que a web já tem de conteúdo contundente para o Ensino Fundamental. Quem faz o trabalho são os próprios professores, seguindo as orientações do currículo. Os conteúdos se transformam em aulas digitais, acessíveis a todos, a qualquer dia e horário. Essa é a proposta do projeto Educopédia, plataforma online colaborativa de aulas digitais implantada recentemente pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME).

De acordo com Rafael Parente, subsecretário de projetos estratégicos da SME, a proposta é que as aulas substituem, a médio prazo, o livro didático. O projeto ainda não faz parte da realidade das mais de mil escolas da rede municipal de ensino. Ainda há uma questão técnica: falta de computadores conectados à internet. Problema que, segundo Rafael, será amenizado. Ele afirma que no ano que vem cada sala de aula do 2º segmento terá o equipamento.

Confira a entrevista que o subsecretário concedeu à revistapontocom sobre o projeto Educopédia:

revistapontocom – O que é a Educopédia?
Rafael Parente –
A Educopédia é uma plataforma online colaborativa de aulas digitais, onde alunos e professores podem acessar atividades auto-explicativas de forma lúdica e prática, de qualquer lugar e a qualquer hora. Elas incluem planos de aula e apresentações voltados para professores que queiram utilizar as atividades nas salas, com os alunos.

revistapontocom – De onde surgiu a ideia?
Rafael Parente –
A ideia da Educopédia me ocorreu em fevereiro de 2008, quando eu morava em Nova York e pensava em criar um projeto que integrasse novas tecnologias para melhorar o trabalho dos professores e a autonomia dos alunos. Nessa época, eu escrevi a primeira versão do projeto e consegui que um ilustrador americano fizesse a primeira logomarca. Meus professores de mestrado e doutorado gostaram da ideia, mas não foram contagiados suficientemente para apostar e ajudar no seu desenvolvimento. Não havia convencido o suficiente.

revistapontocom – Como professores e alunos poderão utilizar a plataforma?
Rafael Parente –
Os alunos e professores poderão utilizá-la em qualquer lugar e hora. Em casa, nas lan houses, nos laboratórios de informática durante as aulas e no contra-turno e nas próprias salas de aula. Já no ano que vem, vamos instalar um computador conectado à internet e caixas de som em todas as salas de aula do 2º segmento de toda a rede. Faremos uma contratação de uma internet mais “parruda” (de 10MB). Vamos também instalar a internet sem fio para que todas as salas de aula estejam conectadas. Enquanto isso, no momento, estamos fazendo uma avaliação oficial do impacto da Educopédia em 30 escolas que já têm essa infra-estrutura.

revistapontocom – Quem acessa a plataforma, verifica que para cada ano do Ensino Fundamental, há uma lista de aulas. Quem definiu estas aulas?
Rafael Parente –
Cada aula digital cobre temas, competências e habilidades que seguem as orientações curriculares da Secretaria Municipal de Educação. Essas orientações curriculares de cada ano e cada disciplina foram divididas em 32 aulas digitais, que correspondem às semanas do ano letivo.

revistapontocom – De que forma os professores da rede municipal participaram da construção do projeto?
Rafael Parente –
As aulas digitais foram criadas por professores da rede, que receberam uma bolsa para trabalharem como educopedistas. Os conteúdos dos links são conteúdos que já existiam na internet. Os professores da rede apenas fazem uma pesquisa para identificar todos os objetos de aprendizagem relacionados aos temas e selecionam os melhores. Depois, colocam os objetos em ordem e criam os enunciados e os planos de aula. A Educopédia procura, a médio prazo, substituir o livro didático. Nunca haverá um substituto para a função do educador, que exerce uma série de responsabilidades à frente de sua turma.

revistapontocom – Qual é a orientação para o uso da Educopédia? As escolas são livres para acessar?
Rafael Parente –
A Educopédia já está no ar e gostaríamos que todas as escolas já começassem a sua utilização tanto quanto possível, em todos os computadores com conexão à internet. Entendemos que essa utilização aumentará com a melhoria da infra-estrutura das escolas, mas queremos que a utilização já aconteça.

revistapontocom – De que forma o projeto será avaliado?
Rafael Parente –
Como já antecipei, a avaliação está acontecendo em 30 escolas municipais, três por Coordenadoria Regional de Educação (CRE), onde uma sala de aula já tem o computador, projetor e caixa de som instalados. Três pesquisadores estão realizando a pesquisa do impacto da Educopédia em sala de aula, com observações, questionários e comparação das notas das provas bimestrais. Haverá também uma avaliação de longo prazo, em parceria com universidades.

3 thoughts on “Será mesmo o fim do livro didático?

  1. Deise, com a implantação da Educopédia, estamos também atuando na solução de problemas elétricos e de seguranças das Escolas Municipais para minimizar os riscos. É claro que os problemas continuarão acontecendo, mas estamos planejando ações firmes. O programa Escola 3.0 é baseado em Infra e Manutenção, Capacitação, Conteúdos e Sistemas. Estamos também agindo com relação ao treinamento das equipes das UEs. Agradeço o seu comentário.

  2. Interessante a iniciativa, mas sinceramente há uma série de questões que precisam ser repensadas ainda na gestão desses projetos. O Governo do Estado do Rio de Janeiro saiu na frente na implantação do Conexão Educação e tem trabalhado mesmo pelo sucesso do projeto, que ainda apresenta muitos pontos a ser resolvidos nas escolas estaduais. Uma coisa preocupante é a falta de segurança nas escolas da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde o vandalismo ainda impera e onde professores, alunos e funcionários trabalham com medo da violência (furtos, assaltos, depredação de prédios, fechamento de unidades escolares por falta de segurança e estrutura etc.). Um outro problema: Capacitação de qualidade para todos os docentes da Rede Municipal de Ensino, sem distinções (até mesmo os readaptados em função extraclasse em secretaria), além de enquadramento por formação em área tecnológica para docentes licenciados em informática. Por que será que a justiça não é feita aos profissionais que estão capacitados para tornarem-se Dinamizadores ou Orientadores Tecnológicos?! Seria mais uma manobra política para justificar o uso de verbas para compra de livros didáticos sendo destinada para outros fins que não os pedagógicos?! Afinal, sem energia elétrica e sem conexão com a internet, onde estarão os recursos pedagógicos para haver aulas, não é mesmo?! Livros são sim insubstituíveis em comunidades carentes, onde até tiro de fuzil interrompe o fornecimento de energia elétrica e fecha as escolas!

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